Partido Comunista Francês

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Partido Comunista Francês
Parti Communiste Français
Líder Pierre Laurent
Fundação 1920
Sede Sede do Partido Comunista Francês, Paris,  França
Ideologia Comunismo
Marxismo
Socialismo
Espectro político Esquerda
Membros  (2012) 138.000
Afiliação nacional Frente de Esquerda
Afiliação europeia Partido da Esquerda Europeia
Grupo no Parlamento Europeu Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde
Assembleia Nacional
7 / 577
Senado
18 / 348
Parlamento Europeu
2 / 74
Conselhos Regionais
101 / 1 749
Cores Vermelho

Partidos da França
Política da França

O Partido Comunista Francês (em francês: Parti Communiste Français, PCF) é um partido político comunista da França[1] , tendo 138 mil militantes, sendo um dos maiores partidos franceses[2] .

História[editar | editar código-fonte]

O PCF foi fundado em 1920 por membros da Secção Francesa da Internacional Operária, inspirados pelo sucesso da Revolução de Outubro, e que, seguiam uma linha comunista, marxista-leninista e de defesa do centralismo democrático[3] . Originalmente, o partido chamava-se Secção Francesa da Internacional Comunista, dado que o partido rapidamente se integrou no Comintern[4] .

Os comunistas franceses rapidamente se tornaram um dos partidos comunistas mais forte do Mundo Ocidental, e, a nível interno, tornaram-se um dos maiores partidos franceses, conseguindo, nas eleições de 1936, em que concorreu na Frente Popular com socialistas e radicais, tornar-se o partido mais votado da esquerda francesa[5] . O papel e prestígio do PCF iria crescer, exponencialmente, durante e no pós Segunda Guerra Mundial, muito pelo papel dos comunistas na resistência aos nazis na França[6] . Este imenso prestígio do PCF, no pós-Segunda Guerra Mundial, seria demonstrado nas eleições de 1945, as primeiras após o fim da Guerra, onde, pela primeira vez na história, os comunistas venciam umas eleições democráticas, com 26,1% dos votos[7] . O PCF iria entrar nos primeiros governos franceses depois de 1945, mas, com o crescer das tensões entre os EUA e a URSS, ou seja, o inicio da Guerra Fria, o PCF foi expulso do governo francês pelos democratas-cristãos e socialistas, que, assim, indicavam que a França se iria tornar uma fiel aliada do Mundo Ocidental, face à URSS[8] . Após a saída do governo e a criação de um tácito pacto anti-comunista entre os diferentes partidos franceses, incluindo os socialistas, o PCF iria permanecer isolado até à década de 1960, embora, eleitoralmente, este isolamento não prejudicou o partido, que se manteve como o maior partido da esquerda francesa[9] .

Com a subida ao poder do general De Gaulle em 1958, o PCF e os socialistas, cada vez mais enfraquecidos eleitoralmente, começaram a tentar a estabelecer pactos eleitorais para travar a dominância dos gaullistas, o que levou, nas eleições de 1965, o partido a apoiar a candidatura presidencial de François Miterrand, ao lado de outros partidos de centro-esquerda e esquerda, de forma a travar De Gaulle[10] . Estas tentativas de aproximação entre comunistas e socialistas tornaram-se realidade, quando Miterrand foi eleito líder do recém-formado Partido Socialista em 1971, com o objectivo da celebração de um pacto eleitoral entre PS e PCF, algo que viria acontecer em 1972[11] . O PCF, com este acordo, saía da isolação a que havia sido vetado em 1947[12] . Além de mais, ideologicamente o partido parecia estar numa fase de renovação ideológica, embarcando na onda do Eurocomunismo, ao lado dos comunistas italianos e espanhóis[13] . No final da década de 1970, as tensões entre PCF e PS vieram ao cima, quando,nas eleições 1978, o PS ultrapassava o PCF como força política da esquerda, pela primeira vez desde 1936[14] . Estas tensões entre socialistas e comunistas levaram que o acordo entre ambos fosse terminado[15] . A partir de então, e apesar de ter participado num governo com o PS entre 1981 a 1984, o PCF voltaria a uma linha comunista, marxista-leninista e pró-soviética, distanciando-se, em total, do PS[16] . Mesmo com o aparecimento de Gorbachev e o início da Perestroika, o PCF manteve-se um partido comunista ortodoxo, rejeitando totalmente pactos com os socialistas, além de criticar a linha seguida por Gorbachev[17] . Eleitoralmente, a partir do acordo assinado com o PS em 1972, o PCF caiu a pique, perdendo grande parte da influência que detinha em favor dos socialistas e, mesmo com a ruptura do pacto com os socialistas, os resultados do partido em nada melhoraram[18] .

Após o fim do Bloco Socialista em 1989, o PCF voltou a moderar-se ideologicamente, criticando o comunismo soviético, além de, se reaproximar do PS, assinando com os socialistas diversos pactos eleitorais locais e eleitorais, algo que, permitiu ao PCF voltar a um governo da França em 1997, coligado com socialistas e verdes[19] . O partido conseguiu recuperar eleitoralmente, em votos e deputados, mas, sem nunca, voltar ao auge da década de 1940 a 1970[20] .

Com a vinda do novo século, o PCF voltaria a atravessar um período de enorme crise, obtendo os seus piores resultados da história, como foram exemplos, os 1,9% dos votos conseguidos pela candidata do PCF nas eleições presidenciais de 2007, ou os 4,3% conseguidos nas legislativas de 2007[21] .

Para inverter esta nova crise eleitoral, o partido voltaria a abrir-se para pactos eleitorais, mas desta vez, com partidos de esquerda e extrema-esquerda e, também, com diversos movimentos sociais, algo que, viria ser concretizado em 2008, com a criação da Frente de Esquerda, onde o PCF juntava-se a outros partidos de esquerda e extrema-esquerda[22] . Esta coligação tem conseguido travar o declínio do PCF, bem como recuperar alguma força eleitoral, como disso foi exemplo os 11,1% conseguidos por Jean-Luc Mélenchon nas eleições de 2012, o melhor resultado de um candidato apoiado pelo PCF desde 1981[23] .

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Data Candidato

Apoiado

1ª Volta 2ª Volta
Votos % Votos %
1965 François Mitterrand 7 694 005 31,7 (2.º) 10 619 735 44,8 (2.º)
1969 Jacques Duclos 4 808 285 21,3 (3.º)
1974 François Mitterrand 11 044 373 43,3 (1.º) 12 971 604 49,2 (2.º)
1981 Georges Marchais 4 456 922 15,4 (4.º)
1988 André Lajoine 2 056 261 6,8 (5.º)
1995 Robert Hue 2 638 936 8,7 (5.º)
2002 Robert Hue 960 480 3,4 (11.º)
2007 Marie-George Buffet 707 268 1,9 (7.º)
2012 Jean-Luc Mélenchon 3 985 089 11,1 (4.º)

Eleições legislativas[editar | editar código-fonte]

Data Votos % +/- Deputados +/- Status Coligação
1924 885 993 9,8 (5.º)
26 / 581
Oposição
1928 1 066 099 11,3 (5.º) Aumento1,5
11 / 604
Baixa15 Oposição
1932 796 630 8,3 (6.º) Baixa3,0
10 / 607
Baixa1 Oposição
1936 1 502 404 15,3 (4.º) Aumento7,0
72 / 610
Aumento62 Governo Frente Popular
1945 5 024 174 26,1 (1.º) Aumento10,8
159 / 586
Aumento87 Governo
06/1946 5 145 325 26,0 (2.º) Baixa0,1
153 / 586
Baixa6 Governo
11/1946 5 430 593 28,3 (1.º) Aumento2,3
182 / 627
Aumento29 Governo
1951 4 910 547 25,9 (1.º) Baixa2,4
103 / 625
Baixa79 Oposição
1956 5 514 403 25,9 (1.º) Baixa0,4
150 / 595
Aumento47 Oposição
1958 3 882 204 18,9 (2.º) Baixa7,0
10 / 546
Baixa140 Oposição
1962 4 003 553 21,8 (2.º) Aumento2,9
41 / 485
Aumento31 Oposição
1967 5 039 032 22,5 (2.º) Aumento0,7
73 / 487
Aumento32 Oposição
1968 4 434 832 20,0 (2.º) Baixa2,5
34 / 487
Baixa39 Oposição
1973 5 085 108 21,4 (2.º) Aumento1,4
73 / 488
Aumento39 Oposição
1978 5 870 402 20,6 (4.º) Baixa0,8
86 / 488
Aumento13 Oposição
1981 4 065 540 16,2 (4.º) Baixa4,4
44 / 491
Baixa42 Governo
1986 2 739 225 9,8 (3.º) Baixa6,4
35 / 573
Baixa9 Oposição
1988 2 765 761 11,3 (4.º) Aumento1,5
27 / 577
Baixa8 Oposição
1993 2 331 339 9,3 (6.º) Baixa2,0
24 / 577
Baixa3 Oposição
1997 2 523 405 9,9 (5.º) Aumento0,6
35 / 577
Aumento11 Governo
2002 1 216 178 4,8 (5.º) Baixa5,1
21 / 577
Baixa14 Oposição
2007 1 115 663 4,3 (5.º) Baixa0,5
15 / 577
Baixa6 Oposição
2012 1 792 923 6,9 (4.º) Aumento2,6
10 / 577
Baixa5 Oposição Frente de Esquerda

Eleições europeias[editar | editar código-fonte]

Data Votos % +/- Deputados +/- Coligação
1979 4 153 710 20,5 (3.º)
22 / 81
1984 2 261 312 11,2 (3.º) Baixa9,3
10 / 81
Baixa12
1989 1 401 171 7,7 (6.º) Baixa3,5
7 / 81
Baixa3
1994 1 342 222 6,9 (6.º) Baixa0,8
7 / 87
=
1999 1 196 310 6,8 (6.º) Baixa0,1
6 / 87
Baixa1
2004 1 009 976 5,9 (7.º) Baixa0,9
3 / 74
Baixa3
2009 1 115 021 6,5 (5.º) Aumento0,6
3 / 74
= Frente de Esquerda
2014 1 252 730 6,6 (6.º) Aumento0,1
2 / 74
Baixa1 Frente de Esquerda

Sede do Partido[editar | editar código-fonte]

O edifício sede do Partido foi projetada em 1966 pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que nada cobrou pelo projeto. A obra, executada em duas fases, só foi concluída em 1980.[24]

Referências

  1. «Parties and Elections in Europe». parties-and-elections.eu. Consultado em 2016-04-14. 
  2. «Les primaires à gauche au banc d'essai». LExpress.fr. Consultado em 2016-04-14. 
  3. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  4. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  5. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  6. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  7. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  8. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  9. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  10. Blackmer, Donald L. M.; Tarrow, Sidney (2015-03-08). Communism in Italy and France (em inglês) Princeton University Press [S.l.] ISBN 9781400867387. 
  11. Blackmer, Donald L. M.; Tarrow, Sidney (2015-03-08). Communism in Italy and France (em inglês) Princeton University Press [S.l.] ISBN 9781400867387. 
  12. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  13. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  14. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  15. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  16. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  17. Bell, David Scott; Criddle, Byron (1994-01-01). The French Communist Party in the Fifth Republic (em inglês) Clarendon Press [S.l.] ISBN 9780198219903. 
  18. Weidmann-Koop, Marie-Christine; Vermette, Rosalie (2000-01-01). France at the dawn of the twenty-first century, trends and transformations (em inglês) Summa Publications, Inc. [S.l.] ISBN 9781883479299. 
  19. Weidmann-Koop, Marie-Christine; Vermette, Rosalie (2000-01-01). France at the dawn of the twenty-first century, trends and transformations (em inglês) Summa Publications, Inc. [S.l.] ISBN 9781883479299. 
  20. Weidmann-Koop, Marie-Christine; Vermette, Rosalie (2000-01-01). France at the dawn of the twenty-first century, trends and transformations (em inglês) Summa Publications, Inc. [S.l.] ISBN 9781883479299. 
  21. Backes, Uwe; Moreau, Patrick (2008-01-01). Communist and Post-Communist Parties in Europe: Schriften des Hannah-Arendt-Instituts für Totalitarismusforschung 36 (em inglês) Vandenhoeck & Ruprecht [S.l.] ISBN 9783525369128. 
  22. «Européennes : le «front de gauche» est lancé». Le Figaro. Consultado em 2016-04-14. 
  23. «What Happened to the French Left? | Jacobin». www.jacobinmag.com. Consultado em 2016-04-14. 
  24. http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/alugam-se_salas_de_niemeyer_para_escritorio_imprimir.html

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Site oficial.