Sede da Procuradoria Geral da República Brasileira

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Sede da Procuradoria Geral da República
Os blocos B, A e E.
Nomes alternativos Sede do Ministério Público Federal
Tipo Institucional
Estilo dominante pós-moderno
contemporâneo
Arquiteto Oscar Niemeyer
Início da construção 1996
Fim da construção 2002
Inauguração 2002
Proprietário atual Procuradoria Geral da República (PGR)
Função atual Sede da Procuradoria Geral da República
Website www.mpf.mp.br/pgr
Área 71,873 73 m²
Geografia
País  Brasil
Cidade Brasília
Coordenadas 15° 48' 27" S 47° 51' 32" O
Geolocalização no mapa: Brasília
Sede da Procuradoria Geral da República está localizado em: Brasília
Sede da Procuradoria Geral da República

A Sede da Procuradoria Geral da República (PGR) é um conjunto de prédios em Brasília, no Distrito Federal, que sedia este órgão público e de onde despacha o Procurador-Geral da República, o vice e os subprocuradores. Fica localizado no Setor de Administração Federal Sul, entre a Via S2 Leste e a Via L4 Sul (Avenida das Nações), na Estrada Parque das Nações (EPNA).

Os seis prédios foram projetados por Oscar Niemeyer com a colaboração de sua neta, a também arquiteta Ana Elisa Niemeyer, e do engenheiro Jair Valera, e estão entre os edifícios mais polêmicos desenhados pelo arquiteto, aproximando seu estilo da arquitetura pós-moderna. Críticos o acusaram de aproximar sua arquitetura do estilo dos centros financeiros americanos.

Além das críticas arquitetônicas, a sede do Ministério Público da União também foi acusada, na época, de superfaturamento. A obra durou seis anos e custou 75 milhões de reais, que teria sido justificado pela monumentalidade e estrutura arrojada, com um único pilar recebendo todos os esforços no prédio principal e uma estrutura protendida, que parece flutuar sobre o solo.

História[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser um dos prédios mais novos do Plano Piloto, a sede da Procuradoria Geral da República estava prevista desde os projetos urbanísticos originais de Brasília, feitos por Lúcio Costa no fim dos anos 1950.

A Procuradoria Geral da República se transfere do Rio de Janeiro para Brasília em 1962, ocupando diversas sedes provisórias. Primeiro, a PGR ocupou primeiro dois andares do Departamento de Administração do Serviço Público (DASP), depois, ficou em espaços do Ministério da Indústria e Comércio e do Ministério da Saúde. Em 1982, se muda para um prédio na Via L2 Sul, onde hoje funciona a Procuradoria da República no Distrito Federal.

Finalmente, em 1995, a sede própria começa a sair do papel. A obra foi iniciada em 1996 e inaugurada em 2002.[1] O prédio custou cerca de 75 milhões de reais, o que levou a denuncias de superfaturamento e conflitos entre o escritório de Niemeyer e os engenheiros responsáveis - o orçamento inicial, de 49 milhões, foi bastante superado, apesar de Niemeyer ter colocado o orçamento em 81 milhões. O representante do escritório de Niemeyer em Brasília, porém, denunciou fraudes na construção.[2][3]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

O projeto tem 71.873,73 metros quadrados de área e tem escritórios, restaurante, serviços de apoio, áreas técnicas e estacionamentos. Ficam ali também o Memorial do MPF e o Auditório Juscelino Kubitschek.[4]

O conjunto é formado por blocos em formato circular, ligados por rampas e passarelas curvas e também pelo subsolo, que fica oculto pra quem vê o prédio da superfície. Os gabinetes dos procuradores ocupam o bloco maior. O bloco vizinho e outro bloco menor são em pele de vidro, indo contra o hábito de Niemeyer de fazer suas criações em concreto armado. Três blocos menores são pintados de branco, e neles ficam o Auditório Juscelino Kubitschek, o centro médico e o restaurante.[5]

A estrutura do bloco A é protendida, com um pilar central estrutural de concreto de alto desempenho, e cabos saindo dele. Nesse bloco, chamado no projeto de "Prédio Gabinetes" por ser onde ficam os gabinetes dos procuradores, oito vigas saem do pilar e surgem acima do bloco envidraçado, como uma coroa de cinquenta metros de diâmetro, que tem cabos que suportam o prédio, o que evita que hajam pilares no térreo e dá a sensação que o bloco está flutuando acima do chão. Os pilares, portanto, sustentam todo o prédio, em um desenho estrutural bastante ousado. Já o bloco B, tem estrutura auto-portante. O engenheiro responsável foi Jair Valera.[6][7]

Organização[editar | editar código-fonte]

O complexo é formado por seis edifícios, sendo o A e o B os principais. Eles são ligados por três passarelas, sendo duas também envidraçadas. Uma quarta passarela liga os blocos C e D. Além dos blocos, ainda há o subsolo com cerca de 30 mil metros quadrados que une os blocos e serve de garagem, manutenção e de local para as centrais de instalações hidráulicas, elétricas, lógicas e outras. Formalmente, os seis edifícios emergem do subsolo em comum.[5]

A coroa de concreto de oito pontas difere, na aparência, o Bloco A do B.

Bloco A[editar | editar código-fonte]

O Bloco A é o principal edifício do conjunto, com uma área de pouco mais de 17 mil metros quadrados. Tem oito pavimentos, contando térreo e mezanino. Lá ficam os gabinetes das maiores autoridades da Procuradoria Geral da República: o Procurador-geral, o Vice Procurador-geral, o Vice Procurador-geral Eleitoral, o Conselho Superior do Ministério Público Federal e os subprocuradores-gerais. Na aparência, se difere do Bloco B devido a "coroa" de concreto acima do volume principal, resultado de sua estrutura protendida.

Bloco B[editar | editar código-fonte]

O bloco B, praticamente do mesmo tamanho que o A, também tem área de pouco mais de 17 mil metros quadrados e oito pavimentos contando térreo e mezanino. Enquanto o Bloco A foi chamado de "Prédio Gabinetes" na fase de projeto, o B era chamado de "Prédio Funcionários" e é destinado aos setores administrativos como secretarias, câmaras, coordenadorias e biblioteca.

Bloco C[editar | editar código-fonte]

A sede da PGR, com o bloco C no primeiro plano e os blocos A e B ao fundo.

Com área de pouco menos que 900 metros quadrados, sedia o Auditório Juscelino Kubitschek. Tem dois pavimentos e abriga além do auditório, um hall de entrada, um vestíbulo e uma sala para autoridades. Forma uma dupla com o Bloco D, com o qual é ligado por uma passarela, sendo os dois de concreto pintado, diferente do A, B e E.

Bloco D[editar | editar código-fonte]

É o bloco do restaurante, tendo também a cozinha. O restaurante é voltado aos trabalhadores do próprio complexo. Tem uma área de cerca de 830 metros quadrados.

Bloco E[editar | editar código-fonte]

O Bloco E é o centro de saúde do complexo, reservado para assistência médica básica e odontologia dos trabalhadores da Procuradoria Geral da República. Sua área é de cerca de 1400 metros quadrados. Esse bloco não era previsto nos anteprojetos, tendo sido feito depois devido a necessidade.

Bloco F[editar | editar código-fonte]

Um bloco de 2620 metros quadrados voltada para serviços de apoio e manutenção, com dois pavimentos, onde ficam auditório, o almoxarifado, o patrimônio e uma oficina mecânica para a manutenção dos carros oficiais.[5] Tem formas lineares nas fachadas, que destoam dos demais, mas a fachada envidraçada é a mesma.

A pele de vidro foi criticada por biólogos após mortes de pássaros, que bateram no prédio devido ao reflexo do céu confundir sua visão.

Crítica[editar | editar código-fonte]

A sede da Procuradoria Geral da República é considerado um dos prédios mais polêmicos e criticados de Niemeyer. Foi dito que até mesmo Lúcio Costa, amigo de Niemeyer e projetista do Plano Piloto, ficou surpreso com a solução adotada.[7]

O uso da pele de vidro aproximou o arquiteto do pós-modernismo, uma atitude bastante criticada tanto no Brasil, quanto no exterior. "Fiquei surpreso ao descobrir o Niemeyer pós-moderno, imitando a porcaria da arquitetura das cidades financeiras norte-americanas", comentou o filósofo espanhol Eduardo Subirats, ácido crítico do movimento pós-moderno, quando de sua visita a Brasília.[1][8]

Outras críticas vieram de biólogos, após a a parte envidraçada provocar a morte de pássaros, que acabam desorientados pela reflexão do vidro.[9]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «Arcoweb: Niemeyer - Sede da Procuradoria Geral da República, Brasília-DF». Consultado em 30 de novembro de 2008. Arquivado do original em 17 de janeiro de 2006 
  2. «Depoimentos implicam procurador com propina». Folha de S.Paulo. 23 de março de 2001. Consultado em 27 de julho de 2020 
  3. «FHC elogia novo prédio do MP, inaugurado em Brasília». O Estado de S. Paulo. 15 de agosto de 2020. Consultado em 27 de julho de 2020 
  4. «Sede da PGR completa 10 anos». Jusbrasil. 15 de agosto de 2012. Consultado em 27 de julho de 2020 
  5. a b c Uchigasaki, Tsuruko (2006). «Uma Leitura do Complexo Arquitetônico da Procuradoria Geral da República: Redescobrindo o Barroco ao Olhar Uma Obra de Oscar Niemeyer» (PDF) (Dissertação de Mestrado). Universidade de Brasília. Consultado em 27 de julho de 2020 
  6. «Sobre o Prédio». Procuradoria-Geral da República - MPF. Consultado em 27 de julho de 2020 
  7. a b Guia de Obras de Oscar Niemeyer - Brasília 50 Anos. Brasília: Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados. 2010 
  8. Freitas, Conceição. «Correio Brasiliense - Este Niemeyer desconhecido». Consultado em 30 de novembro de 2008 
  9. «Palácios custaram R$ 4,2 bilhões em 8 anos». Senado Federal. O Estado de São Paulo. 19 de novembro de 2006 

Ver também[editar | editar código-fonte]