Lúcio Costa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Desenho ilustração de Lúcio Costa
Nome completo Lucio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa
Nascimento 27 de fevereiro de 1902
Toulon, PA
França
Morte 13 de junho de 1998 (96 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Brasil
Nacionalidade francês
brasileiro
Movimento Arquitetura moderna
Obras notáveis Plano Piloto de Brasília, Plano Piloto da Barra da Tijuca
Assinatura
Assinatura de Lúcio Costa

Lúcio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima Costa (Toulon, 27 de fevereiro de 1902Rio de Janeiro, 13 de junho de 1998) foi um famoso arquiteto, urbanista e professor brasileiro nascido na França. É conhecido internacionalmente por ter projetado, junto com Oscar Niemeyer, a capital Brasília.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pioneiro da arquitetura modernista no Brasil, ficou conhecido mundialmente pelo projeto do Plano Piloto de Brasília. Devido às atividades oficiais de seu pai, o almirante Joaquim Ribeiro da Costa, morou em diversos países, o que lhe rendeu uma formação pluralista. Estudou na Royal Grammar School em Newcastle, no Reino Unido, e no Collège National em Montreux, na Suíça.

Retornou ao Brasil em 1917 e, mais tarde, passou a frequentar o curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes, que ainda aplicava um programa neoclássico de ensino. Ele formou-se Arquiteto pela Escola em 1924. Apesar de praticar uma arquitetura neoclássica durante seus primeiros anos (defendendo em certos momentos uma arquitetura neocolonial), rompeu com essa formação historicista e passou a receber influências da obra do arquiteto franco-suíço Le Corbusier.

Iniciou parceria com o arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik, que construiu a primeira residência considerada moderna no Brasil.

Em 1930, foi nomeado ministro da Educação e Saúde o jurista Francisco Campos, que chamou para chefiar o gabinete Rodrigo Melo Franco de Andrade. Este exercia grande influência entre os modernistas de São Paulo e Rio de Janeiro, e, por meio de sua indicação, o jovem arquiteto Lúcio Costa foi nomeado para dirigir a Escola Nacional de Belas Artes, com a missão de renovar o ensino das artes plásticas e implantar um curso de arquitetura moderna.

Apesar de ter sido um dos grandes nomes do modernismo no Brasil, Lúcio Costa começou a carreira projetando construções neocoloniais, algumas das quais podem ser admiradas no Largo do Boticário, Rio de Janeiro.

Alterações introduzidas por Lúcio Costa mudaram a estrutura e o espírito do salão anual. Apareceram pela primeira vez na velha escola, ao lado dos antigos frequentadores, artistas ligados à corrente moderna, na sua maioria vindos da capital paulista. A trigésima oitava Exposição Geral (1931) foi por isso chamada de Salão revolucionário.

Entre os alunos da renovada escola de arquitetura estava o jovem Oscar Niemeyer.

Sabendo da importância de sua geração na mudança dos rumos culturais do país, Costa convenceu Le Corbusier a vir ao Brasil em 1936 para uma série de conferências (enquanto colaborava no projeto da sede do recém-criado Ministério da Educação e da Saúde Pública). A arquitetura moderna do projeto ia ao encontro dos objetivos da ditadura Vargas, ao passar ares de modernidade e progresso ao país. Costa, embora convidado a projetar o edifício sozinho, preferiu dividir o projeto com uma equipe que incluía o seu antigo aluno Oscar Niemeyer e os seus sócios Carlos Leão, Ernani Vasconcellos, Jorge Moreira e Affonso Eduardo Reidy.

Em 1939 foi co-autor do pavilhão brasileiro para a Feira Universal de Nova Iorque juntamente com Oscar Niemeyer e Paul Lester Wiener.

Em 1957, ao ser lançado o concurso para a nova capital do país, Costa enviou ideia para um anteprojeto, contrariando algumas normas do concurso. De fato, apesar de apresentar uma concepção urbanística semelhante à maioria dos concorrentes [1], o projeto de Lúcio Costa foi o único que conseguiu compreender o significado político de uma nova capital para o governo Kubitschek e para o contexto brasileiro da época:

Lucio Costa conseguiu, assim, representar, transmitir, persuadir e, o mais importante, mobilizar todo o campo de experiência do presente (modernismo, desenvolvimentismo, nacionalismo e centralismo político), convencendo jurados e o próprio presidente da república, de que a sua proposta era a única possível de representar o momento histórico pelo qual passava o País. Levando-o, portanto, à vitória[2].

O projeto de Lucio Costa venceu por quase unanimidade (apenas um jurado não votou nele), sofrendo diversas acusações dos concorrentes. Desenvolveu o Plano Piloto de Brasília e, como Niemeyer, passou a ser conhecido em todo o mundo como autor de grande parte dos prédios públicos.

O projeto de Lúcio Costa punha em prática os conceitos modernistas de cidade: o automóvel no topo da hierarquia viária, facilitando o deslocamento na cidade (apesar disso em seus projetos ele também criou a Estação Rodoferroviária de Brasília), os blocos de edifícios afastados, em pilotis sobre grandes áreas verdes. Brasília possui diretrizes que remetem aos projetos de Le Corbusier na década de 1920 e ainda ao seu projeto para a cidade de Chandigarh, pela escala monumental dos edifícios governamentais. A cidade de Lúcio Costa também possui conceitos semelhantes aos dos estudos de Hilberseimer.

Veja o relatório encaminhado por Lúcio Costa à Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap)..

Após Brasília, recebeu convites para coordenar vários planos urbanísticos, no Brasil e no exterior.

Foi colaborador e diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Faleceu na capital fluminense, onde residiu a maior parte da vida. Deixou duas filhas, Maria Elisa Costa, arquiteta, e Helena.

Controvérsias e polêmicas[editar | editar código-fonte]

Demolição do Palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal[editar | editar código-fonte]

Na cidade do Rio de Janeiro, existia um imponente palácio em estilo eclético francês, o Palácio Monroe. Este fora construído em 1904 para uma exposição internacional que ocorreu na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos. A função do palácio era representar o Brasil, servindo, portanto, como uma espécie de pavilhão. A suntuosa arquitetura do Monroe fez com que o mesmo ganhasse o prêmio da construção mais linda do mundo no ano de 1904, durante a citada exposição internacional.

Assim, com o término do evento, o Palácio Monroe foi desmontado em Saint Louis e foi remontado na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Nesta cidade, serviu como sede do Senado Federal, quando o Rio de Janeiro ainda era a capital do Brasil. Contudo, o Sr. Lúcio Costa considerava o estilo eclético, característico da chamada Belle Époque, uma espécie de "erro arquitetônico[3]". Com isso, mesmo já estando desvinculado do IPHAN, em 1975, ele manifestou publicamente o seu repúdio pela a possível assinatura do ato de tombado e proteção do Monroe, tendo inclusive feito companha para a demolição do mesmo.

O palácio a princípio seria demolido sobre o pretexto de construção da linha do metrô, porém devido às reclamações da sociedade, a companhia responsável pela obra modificou o trajeto. Mesmo assim isso de nada adiantou, devido à negação de tombamento, sendo o prédio destruído logo em seguida. Atualmente, no local, existe apenas uma praça vazia.

O Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes[editar | editar código-fonte]

Lúcio Costa em 1970, foto do Arquivo Nacional

Na década de 1970, o IPHAN resistiu a tombar prédios importantes como o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes. Frente ao risco de que tais jóias arquitetônica pudessem se perder para sempre, em benefício das construtoras cariocas, o Clube de Engenharia e o Instituto dos Arquitetos do Brasil começaram fazer campanha pelo tombamento dos edifícios ecléticos restantes na Avenida Rio Branco.

O Sr. Lúcio Costa já estava aposentado, mas mesmo assim redigiu um parecer que foi lido em reunião do IPHAN, em 1972, como noticiou o jornalista Marcelo Bortoli da Revista Época.[4] Dizia que o Serviço de Proteção ao Patrimônio se dispôs a excluir a proteção dos prédios em estilo eclético, por considerá-los fora da linha legítima da evolução arquitetônica. Lúcio Costa se posicionou claramente contra o tombamento da Biblioteca Nacional e se referia ao “aviltado pavilhão Monroe cuja presença estorvante já não se justifica”. Portanto, pelo seu extremo desgosto com a arquitetura eclética, o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e o Museu de Belas Artes, deveriam ter sido demolidos em prol da arquitetura moderna daquela época.

Favorecimento a arquitetura colonial portuguesa[editar | editar código-fonte]

Outra questão polêmica foi o favorecimento que o Sr. Lúcio Costa deu à herança da colonização portuguesa acima de outras influências culturais brasileiras, com exceção apenas dos seus projetos modernistas. Devido a essa visão, arraigado também em preservacionistas mais jovens devido à influência de Lúcio Costa nas escolas de arquitetura do Brasil, muito da arquitetura dos século XIX e começo do século XX, incluindo a alemã, japonesa, italiana, francesa, holandesa e grega, se perdeu para a renovação urbana dos anos 1960 e 1970 de Lúcio Costa. Já em 1936, quando houve a competição para a construção do Ministério de Educação e Saúde, o vencedor foi um design eclético do arquiteto Arquimedes Memória. Lúcio Costa então fez uso de suas conexões políticas com o governo para modificar o resultado da competição e formar um novo projeto a partir de um grupo formado por ele mesmo e Le Corbusier, além de outros membros como os irmãos Roberto e Oscar Niemeyer. Ao longo dos anos houve muita discussão a respeito de quem teria sido o verdadeiro mentor do projeto, Lúcio Costa ou Le Corbusier.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

Produção bibliográfica[editar | editar código-fonte]

  • 1939 - Razões da Nova Arquitetura
  • 1945 - Considerações sobre o Ensino da Arquitetura
  • 1952 - O Arquiteto e a Sociedade Contemporânea
  • 1962 - Lúcio Costa: Sobre Arquitetura
  • 1995 - Registro de uma Vivência. São Paulo: Empresa das Artes

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERNANDES, LUIZ GUSTAVO SOBRAL. Diversidade de uma cultura urbanística nacional. Risco: Revista de Pesquisa em Arquitetura e Urbanismo (on line), v. 1, p. 139-141, 2016.
  2. «arquitextos 098.07: Retórica e persuasão no concurso para o Plano Piloto de Brasília | vitruvius». www.vitruvius.com.br. Consultado em 5 de dezembro de 2018 
  3. «Demolição de prédios históricos foi motivada por arquitetos modernistas». epoca.globo.com. Consultado em 17 de maio de 2019 
  4. «Demolição de prédios históricos foi motivada por arquitetos modernistas». epoca.globo.com. Consultado em 17 de maio de 2019 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • COSTA, Lúcio. Lúcio Costa: Registro de uma Vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. ISBN 978-8585628178
  • COSTA, Maria Elisa (Organização). Com a palavra, Lúcio Costa. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2000. ISBN 978-8586579165.
  • FERNANDES, Luiz Gustavo Sobral. (2016). Diversidade de uma cultura urbanística nacional. Revista De Pesquisa Em Arquitetura E Urbanismo, (22), 139-141. https://doi.org/10.11606/issn.1984-4506.v0i22p139-141

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Lucio Costa