Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro

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Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro: fachada principal.

O Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), antigo Instituto de Educação, é uma instituição de ensino centenária do Rio de Janeiro, mantida pela FAETEC, voltada à formação profissionais nas áreas de administração, informática, secretariado escolar e graduação em pedagogia.. Situada na Rua Mariz e Barros, no bairro da Tijuca, contava com cerca de cinco mil alunos em 2005.

História[editar | editar código-fonte]

Remonta à criação da Escola Normal da Corte pelo decreto imperial nº 7684 de 6 de março de 1880. No dia da inauguração, a 5 de abril daquele ano, estavam presentes o imperador Pedro II do Brasil, a imperatriz Teresa Cristina e toda a comitiva ministerial. Para primeiro diretor da escola foi nomeado Benjamim Constant Botelho de Magalhães, que depois viria a ser uma figura de grande destaque na criação da República do Brasil.

Não tinha sede própria. Começou funcionando no Colégio Pedro II, na Rua Larga. Depois, foi transferida para a Escola Politécnica no Largo de São Francisco. Mais tarde, mudou-se para a Escola Rivadávia Corrêa - todos os três endereços no Centro. Finalmente foi levada a Escola Normal para a Escola José Pedro Varella, no Largo do Estácio.

Tornava-se imperioso um prédio próprio, e o projeto de criação foi idealizado por três grande educadores: Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e Anísio Teixeira. Com sede na capital e formando professores que se espalhavam por todo o país, era inadmissível que a Escola Normal funcionasse em prédio alheio - esse foi o argumento que os três usaram para convencer o prefeito Antônio Prado Júnior a determinar uma sede própria para o estabelecimento. Foi escolhido um terreno utilizado como depósito das carroças que faziam a entrega de carne verde para a população.

Em 1927 o Prefeito adquiriu o terreno da Rua Mariz e Barros e instituiu um concurso para arquitetos para escolha do projeto da Escola Normal. São escolhidos os arquitetos Brunhs & Cortez, e a construção, em estilo neocolonial, termina em 1930.

Os convites para a inauguração, que seria no dia 12 de outubro de 1930, foram distribuídos. Acontece que, em outubro, explodiu a revolução vitoriosa de Getúlio Vargas. Começaram a correr boatos de que tropas gaúchas iriam aquartelar-se no Rio de Janeiro, mais precisamente no prédio recém-construído da Escola Normal. Os alunos e professores, temendo a invasão do prédio, carregaram todos os móveis e livros das antigas instalações para as novas. Estava inaugurada a sede da Escola Normal!

Em 1932, sendo diretor de Instrução Pública o professor Anísio Teixeira, ele e os outros dois educadores que haviam conseguido um prédio próprio para a Escola Normal, conseguiram a mudança do nome para Instituto de Educação, por meio do Decreto nº 3810 de 19 de março de 1932.

O primeiro diretor do Instituto de Educação foi o professor Fernando de Azevedo que implementou novas diretrizes , adaptando a escola aos também novos tempos que começavam.

História 1932 a 1971[editar | editar código-fonte]

Em 1932, Anísio Teixeira encabeçou as reformas educacionais no Rio de Janeiro, o Distrito Federal na época, inspiradas em um movimento renovador que visava a criação de escolas que permitissem basear a formação dos novos professores na experimentação pedagógica concebida em bases científicas. Criou então as chamadas escolas-laboratórios. Com a aprovação do decreto-lei 8.530, de 2 de janeiro de 1946, conhecido como Lei Orgânica do Ensino Normal (BRASIL, 1946), este modelo prevaleceu em âmbito nacional.[1]

As escolas-laboratórios, refletiriam na prática um programa ideal para a formação de novos professores de concepção Anísio Teixeira. O programa a ser implantado nas escolas normais, compreenderia três modalidades de cursos: Cursos de fundamentos profissionais, Cursos específicos de conteúdo profissional e Cursos de integração profissional.

A constituição da Escola de Professores do Instituto de Educação , a chamada Escola Normal, era exemplo prático de observância do modelo ideal formulado por Anísio.[2]

O programa de formação de professores era iniciado no primeiro ano com estudo de Biologia Educacional, Psicologia Educacional, Sociologia Educacional, História da Educação, Introdução ao Ensino - Princípios e Técnicas, Matérias de Ensino (Cálculo, Leitura e Linguagem, Literatura Infantil, Estudos Sociais, Ciências Naturais) e Prática de Ensino.

A Escola de Professores do Instituto de Educação tinha portanto uma estrutura de apoio que incluía Jardim de infância, Escola Primária, Escola Secundária, funcionando como campo de experimentação, demonstração e prática de ensino para os cursos da Escola de Professores.

O Instituto de Educação contava também com um Instituto de Pesquisas Educacionais, uma Biblioteca Central de Educação, Bibliotecas escolares, Filmoteca, Museus Escolares e Radiodifusão; Salas de Aprendizado Musica, Auditórios e Laboratórios especializados.

O programa de formação de professores, com a duração de três anos, correspondia ao ciclo colegial do curso secundário e destinava-se a formar os professores do ensino primário e funcionaria em Escolas Normais e nos Institutos de Educação que abrangiam Jardim de Infância e Escola Primária anexos e ministravam também cursos de especialização de professores primários para as áreas de educação especial, ensino supletivo, desenho e artes aplicadas, música e canto e cursos de administradores escolares para formar diretores, orientadores e inspetores escolares.

Esse modelo de Escola Normal prevaleceu até a aprovação da Lei n. 5.692, de 11 de agosto de 1971.[3]

Dentro deste contexto, as Escolas Normais passaram a gozar de alto prestigio pelo alto nível educacional e de recursos, tendo este prestigio se consolidado ao longo dos anos com os resultados positivos alcançados.

Foi neste período que o Instituto de Educação atingiu o status de Escola Modelo, com vagas altamente disputadas em rigorosa seleção de candidatos.

Fim do modelo de Escola Normal[editar | editar código-fonte]

O governo militar de 1964 estabeleceu modificações no sistema educacional através de ajustes na legislação do ensino. Foi aprovada em 28 de novembro de 1968 a Lei n. 5.540/68 (BRASIL, 1968), que reformulou o ensino superior e, em 11 de agosto de 1971, a Lei n. 5.692/71 (BRASIL, 1971), que modificou os ensinos primário e médio, alterando sua denominação respectivamente para primeiro grau e segundo grau.

Como resultado desta legislação, uma nova estrutura de ensino foi estabelecida: [4] Ao invés do curso primário com a duração de quatro anos, seguido de um ensino médio subdividido em um curso ginasial de quatro anos e um curso colegial de três, passou a ter um ensino de primeiro grau com a duração de oito anos e um ensino de segundo grau de três a quatro anos.

Instituiu-se ainda um curso de segundo grau unificado, de caráter profissionalizante, que abrangia varias habilitações profissionais.

Em decorrência dessa nova estrutura desapareceram as Escolas Normais. Em seu lugar foi instituída a Habilitação Específica de 2º grau para o exercício do magistério de 1º grau (HEM).

Os anos subsequentes as mudanças de legislação de 1971 constituirão o fim do modelo educacional que havia sido responsável pelo sucesso e prestigio dos anos anteriores.

A partir dai, com a descaracterização do modelo de Escola Normal, a instituição formativa modelar - o Instituto de Educação do Rio de Janeiro, a Escola das normalistas[5], deixa de existir como tal e os anos de sucesso da Escola passaram a fazer parte do imaginário social da cidade uma vez que a Escola já não apresentava mais as características anteriores que a colocavam no topo da hierarquia das escolas de ensino do pais.

Na Cultura Popular[editar | editar código-fonte]

O colégio foi utilizado durante as gravações da mini-série Anos Dourados, da Rede Globo de Televisão, no ano de 1986. A trama se passava na Tijuca da década de 50, e o núcleo feminino juvenil estudava no Instituto de Educação.

Características da edificação[editar | editar código-fonte]

De estilo neocolonial, todas as paredes das salas de aula são duplas, com mais de 50 centímetros de espessura, o que as torna à prova de som. Os corredores, bem espaçosos, foram projetados para que os alunos tivessem a sensação de liberdade total de movimento. Um detalhe interessante é que na varanda do terceiro andar, as telhas das extremidades têm porcelana na parte de baixo. Na porcelana foram pintadas corujas, o símbolo da filosofia. Outro detalhe que reflete a historia política da construção é o acabamento de parte do subsolo do seu teatro, onde as pastilhas formam o símbolo da Suástica.

Cursos[editar | editar código-fonte]

Atualmente controlada pela FAETEC, oferece formação superior em educação e formação técnica em Informática (Processamento de Dados), Gestão (Administração), Formação Geral (Pré-vestibular) e mais recentemente o curso Tecnico de Secretáriado Escolar. Atualmente o ISERJ oferece o curso de licenciatura em Pedagogia.[6]

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Dermeval Saviani, Dermeval (2005). «História da formação docente no Brasil: três momentos decisivos». Revista Educação-Universidade Federal de Santa Maria - Centro de Educação Laboratório de Pesquisa e Documentação. Cópia arquivada desde o original em 18 de Marco de 2014. Consultado em 18 de marco de 2014  |ultimo= e |autor= redundantes (ajuda); Verifique data em: |access-date=, |archive-date= (ajuda)
  2. Dayse Martins. «História do Currículo da Formação de Professores no Distrito Federal do Rio de Janeiro». Consultado em 19 de marco de 2014  Verifique data em: |access-date= (ajuda)
  3. Dermeval Saviani, Dermeval (2005). «História da formação docente no Brasil: três momentos decisivos». Revista Educação-Universidade Federal de Santa Maria - Centro de Educação Laboratório de Pesquisa e Documentação. Cópia arquivada desde o original em 18 de Marco de 2014. Consultado em 18 de marco de 2014  |ultimo= e |autor= redundantes (ajuda); Verifique data em: |access-date=, |archive-date= (ajuda)
  4. Dermeval Saviani, Dermeval (2005). «História da formação docente no Brasil: três momentos decisivos». Revista Educação-Universidade Federal de Santa Maria - Centro de Educação Laboratório de Pesquisa e Documentação. Cópia arquivada desde o original em 18 de Marco de 2014. Consultado em 18 de marco de 2014  |ultimo= e |autor= redundantes (ajuda); Verifique data em: |access-date=, |archive-date= (ajuda)
  5. Carla Zottolo Villanova Souza, Carla (2007). «o mundo das normalistas: as representações da futura professora nas páginas das revistas Instituto e Normalista (1941-1953)» (http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=124098). RJ: UERJ/EDUCAÇÃO. Teses e Dissertações. Consultado em 18 DE MARCO DE 2014  |ultimo= e |autor= redundantes (ajuda); Verifique data em: |access-date= (ajuda)
  6. Página oficial do ISERJ
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