Fundação Casa da Cultura de Marabá

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Fundação Casa da Cultura de Marabá
Sede da FCCM
(FCCM)
Fundação Desde 1982 (35 anos) através do GEMA;
Desde 15 de novembro de 1984 (32 anos) como FCCM.
Tipo Autarquia municipal
Estado legal Ativa
Propósito Instituição de pesquisa e museu histórico, antropológico e natural
Sede Marabá, PA
 Brasil
Línguas oficiais Português
Filiação Prefeitura de Marabá
Diretor Vanda Regia Americo Gomes
Sítio oficial casadaculturademaraba.com.br

A Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM) é uma instituição de pesquisa e preservação histórico-ambiental sediada no município brasileiro de Marabá. Mantida pela prefeitura de Marabá, tem como principal atividade a pesquisa e resgate histórico regional, sendo a maior e mais bem estruturada instituição do tipo no sudeste do Pará. Além de pesquisa desempenha funções de museu histórico, antropológico e natural, além de escola.

É uma das instituições mais respeitadas do norte e nordeste do Brasil no âmbito da pesquisa, resgate e preservação ambiental e histórica. A diretora da fundação é Vanda Regia Americo Gomes.

História[editar | editar código-fonte]

A FCCM surgiu em 1982 com o Grupo Ecológico de Marabá (GEMA).[1] A organização do GEMA veio da preocupação com as grandes transformações que iriam ocorrer na região com a implantação do Projeto Grande Carajás (PGC). Os grandes projetos do PGC indicavam um cenário critico e de alerta para a preservação da Memória Regional.

A formação do GEMA, foi cimentada graças a presença de professores universitários e técnicos de pesquisa e extensão do "Campus Avançado da Universidade de São Paulo" em Marabá, o CAUSP (atual UNIFESSPA). A presença destes profissionais teve papel fundamental ao colaborar diretamente e incentivar a criação da fundação[2], principal instituição de pesquisa e resgate histórico da região. O fundador e ex-diretor da FCCM, Noé von Atzingen, foi um dos coordenadores do CAUSP.[3][4]

As pesquisas sobre meio ambiente e antropologia exigiam um espaço adequado para serem desenvolvidas. Assim, em 15 de novembro de 1984 o prefeito de Marabá, Bosco Jadão, converteu o GEMA transformando-o em Fundação Casa da Cultura de Marabá, dando-lhe novas atribuições e assentando-o na escola José Mendonça Vergulino (onde mantinha sua sede). O local onde hoje se assenta sua sede, na Avenida VE-2 na Nova Marabá, foi doado á instituição em 1987 pela CVRD (atual Vale S.A.).[5] A instituição foi formalmente instituída pela Lei Municipal nº 9.271, em 28 de dezembro de 1987.

A partir de sua criação, a FCCM ampliou suas atividades para captação de materiais tanto da cultura material como imaterial, ampliando ainda mais o acervo e salvaguardando a memória não só de Marabá, mas de toda a região.[6]

Após mais de 35 anos à frente da FCCM (se contados a partir do GEMA), Noé Carlos Barbosa von Atzingen foi substituído do comando da instituição por Vanda Regia Americo Gomes[7].

Características[editar | editar código-fonte]

Como instituição de pesquisa pautada principalmente no resgate histórico, a FCCM está subdividida em diversos setores. Como parte do projeto de resgate histórico e social, mantém uma escola de música e o arquivo público municipal. Faz diversos estudos sobre a região do sudeste do Pará, resgatando e preservando a história regional.

É constituída pelos seguintes departamentos: Patrimônio Histórico, Departamento de Bibliotecas, Museu Municipal, Escola de Música, Administração e Difusão Cultural.[8]

A FCCM tem o apoio e orientação do Museu Paraense Emílio Goeldi, em relação ao treinamento dos técnicos e identificação do material. Também trabalha em conjunto com as universidades UNIFESSPA, UFPA e UEPA, trocando informações sobre pesquisas e achados científicos.[9]

Como museu histórico, natural e antropológico, a FCCM abrange cinco setores:

  1. Antropologia;
  2. Arqueologia;
  3. Botânica;
  4. Geologia;
  5. Zoologia.

Antropologia[editar | editar código-fonte]

O setor de antropologia da FCCM foi criado em 1984. O setor trabalha principalmente através do Grupo Espeleológico de Marabá (GEM). Detém consigo mais de 4.000 artefatos, que se distribuem em seis categorias: artesanato indígena, artesanato regional, filatelia, numismática, memória da castanha (Casa do Castanheiro) e lendas regionais. A preservação e a divulgação da cultura são as principais preocupações do setor de antropologia.

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

O setor de arqueologia de Marabá desenvolve atividades e estudos relativos aos vestígios das populações pré-históricas da região. Possui um acervo constituído de peças de cerâmicas, objetos líticos, informações sobre sítios arqueológicos (locais de habitação de grupos pré-históricos), além de reprodução de inscrições rupestres. Em 2006 tinha 220 sítios arqueológicos descobertos e mapeados, 1229 peças líticas, 4.289 cerâmicas, 5.500 figuras rupestres documentadas e 258 materiais orgânicos. Seu trabalho de campo é feito principalmente através do GEM.[10]

Grupo Espeleológico[editar | editar código-fonte]

O Grupo Espeleológico de Marabá (GEM) foi fundado em 8 de agosto de 1989 pela FCCM, com o objetivo de descobrir, explorar, documentar e preservar as cavidades geológicas naturais, cachoeiras e estruturas ruiniformes da região.

O GEM fez importantes descobertas, principalmente na Serra das Andorinhas, no município de São Geraldo do Araguaia, onde explorou e documentou em conjunto com a Fundação Casa da Cultura de Marabá e a Fundação Serra das Andorinhas, até o ano de 2000, muitas cavernas, cachoeiras e sítios arqueológicos.[11]

Botânica[editar | editar código-fonte]

Monumento do Projeto de Resgate Histórico "Jacundá", na sede da FCCM.

As atividades do setor de botânica baseiam-se na coleta e sistematização para estudo e exposição do potencial florístico regional. O acervo do setor era formado em 2006 por 1.500 amostras de plantas exóticas, principalmente orquídeas, amostras de fungos, além de mostras de plantas com uso medicinal.

Desenvolve pesquisas na Serra das Andorinhas, no Paleo-Canal do Tocantins e Serra de Buritirama. Assim como apoia as atividades da SOM (Sociedade de Orquidófilos de Marabá) e é responsável pela manutenção do orquidário Margaret Mee que 2006 contava com várias espécies de orquídeas da região para apreciação pública. Foram registradas 94 espécies de orchidaceae distribuídos em 50 gêneros. O gênero com maior número de representantes é o Epidrendum com 11 espécies.

Geologia[editar | editar código-fonte]

As atividades desenvolvidas pelo setor de geologia são diversificadas, abrangendo trabalhos de campo, análise, classificação, registro, acondicionamento de rochas e minerais, elaboração de exposições temporárias e permanentes.

Em 2006 o setor de geologia detinha um acervo de aproximadamente 700 amostras de rochas e minerais da região. O setor nomeou e plotou no mapa da área de pesquisa 33 lagos, onde destacam-se o Lago Preto, que é o maior e mais profundo da área, e o lago do Deserto, que é o mais largo.[12]

Zoologia[editar | editar código-fonte]

O setor de zoologia iniciou suas atividades em 1984 com o empréstimo da coleção de 224 vertebrados e 2 mil invertebrados coletados na região pelo biólogo Noé von Atzingen. Hoje dispõe de um acervo bastante ampliado. Foram identificados até 2006 281 espécies de vertebrados.

Referências

  1. «Grupo Ecológico de Marabá - GEMA». Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais 
  2. TEIXEIRA DE SOUZA, M. (23 de julho de 2015). «Marabá 100 anos: a universidade federal». A Urbe 
  3. Projeto Proler. «Os encantos de Marabá: suas 11 bibliotecas públicas» (PDF). Fundação Biblioteca Nacional 
  4. MATTOS, Maria Virgínia B.. O Campus Avançado da USP em Marabá: Apontamentos para sua História. in: Atzingen, N. C. B. (org.). Boletim Técnico nº 2. Marabá: Casa da Cultura de Marabá, 2003.
  5. «Nosso patrimônio arqueológico». Hiroshi Bogéa Online 
  6. «Arquivo público e histórico municipal é fonte de pesquisa na região». Casa da cultura de Marabá. 2009. Consultado em 10 de setembro de 2010 
  7. «Vanda é presidente da Casa da Cultura». CT Online. 5 de janeiro de 2017 
  8. «Projeto Aldeia da Cultura». Ambiente Brasil 
  9. «Turismo: Casa da Cultura». Prefeitura Municipal de Marabá. 31 de abril de 2009. Consultado em 13 de maio de 2010  Verifique data em: |data= (ajuda)
  10. «Nosso patrimônio arqueológico». Hiroshi Bogéa Online 
  11. «Como surgiu o Grupo de Espeleologia de Marabá». Hiroshi Bogéa Online 
  12. «Museu Municipal - Geologia, a ciência da Terra». Casa da cultura de Marabá. 2009. Consultado em 10 de setembro de 2010