Assembleias de Deus no Brasil

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Assembleia de Deus
LogotipoAD.png
Logotipo usado pelas igrejas filiadas a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil
Classificação Cristã evangélica
Teologia Pentecostal
Política Congregacional
Associações CGADB(Original) e CONAMAD(Dissidente)
Área geográfica  Brasil e outros.
Fundador Daniel Berg e Gunnar Vingren
Origem
18 de junho de 1911 (111 anos)

Belém, Pará

Ramo de(o/a) Assembleias de Deus
Separações Convenção Batista Brasileira: (1911)
Congregações 389 mil[1]
Membros 22,5 milhões (2011)[2]
À esquerda, antiga fachada da sede da Assembleia de Deus em Belo Horizonte. Ao lado direito, um prédio que pertence à igreja, com salas para Escola Dominical, cursos e eventos, e onde fica a CPAD da capital mineira.

Igreja Evangélica Assembleia de Deus é uma denominação cristã protestante pentecostal no Brasil, fundada em 1911 na cidade de Belém do Pará pelos sueco-americanos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Esta sendo a primeira igreja nacional das Assembleias de Deus, antes mesmo de sua co-irmã as Assembleias de Deus nos EUA, principal percursora mundial. Em 2011 estimava-se que a denominação tinha 22,5 milhões de membros no Brasil e 280 milhões de membros no mundo[3], sendo então a maior denominação pentecostal.[2]

História[editar | editar código-fonte]

A Assembleia de Deus chegou ao Brasil por intermédio dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que aportaram em Belém, capital do estado do Pará, em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos.

A princípio, frequentaram a Igreja Batista, denominação a que ambos pertenciam nos Estados Unidos. Os missionários suecos traziam a doutrina do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia — o falar em línguas espirituais (estranhas) — como a evidência de manifestações que já vinham ocorrendo em reuniões de oração nos Estados Unidos e também de forma isolada em outros países, principalmente naquelas que eram conduzidas por Charles Fox Parham, mas teve seu apogeu através de um de seus principais discípulos, um pastor afro-americano, chamado William Joseph Seymour, na rua Azusa, Los Angeles, em 1906.[4]

Primeiro templo da Assembleia de Deus no Brasil.

A nova doutrina trouxe divergência. Enquanto um grupo aderiu, outro rejeitou. Assim, em duas assembleias distintas, conforme relatam as atas das sessões,[5] os adeptos do pentecostalismo foram desligados e, em 18 de junho de 1911, foi fundada a denominação "Assembleias de Deus no Brasil".[6][7][8].

Culto na Assembleia de Deus de Imperatriz (MA).

Convenções[editar | editar código-fonte]

A denominação é dividida em dois ramos,o ramo de origem sueca que formou a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) este sendo o "guarda-chuva" da denominação no país, considerados herdeiros da missão sueca e a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério Madureira (CONAMAD), fundada por brasileiros, em específico pelo Pr. Paulo Leivas Macalão e que teve autonomia na década de 80, formando assim os ramos de "Missão" e "Madureira" como são conhecidos, os dois representam a Assembleia de Deus no Brasil.[9]

O atual presidente da CGADB é o Pr. José Wellington Costa Junior, eleito e reeleito para o quadriênio 2021- 2025, conduzindo cerca de 6 milhões de membros pelo país. [10][11]

O líder da CONAMAD é o Bispo Primaz Manoel Ferreira, que é presidente do corpo vitalício e do episcopado. O Presidente Executivo da Convenção é o Bispo Samuel Ferreira, Presidente da ADBrás. Esta, rege 4 milhões de fiéis, segundo o IBGE.[12]

Doutrina[editar | editar código-fonte]

O credo da Assembleia de Deus está apareado com a maioria das denominações protestantes. [13] É uma denominaçã de origem proto-pentecostal, ou seja pentecostal clássica/histórica. [14]

Algumas igrejas tem se alinhado com o Neopentecostalismo, como a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, do televangelista Silas Malafaia, ao aderir a Teologia da Prosperidade, sistema de gestão empresarial e uso intenso de mídias como a televisão e o rádio além de uma visão liberal a respeito dos usos e costumes e um intenso engajamento político.[15][16]

Outras igrejas, como a Assembleia de Deus dos Últimos Dias, do pastor Marcos Pereira, adotam uma postura totalmente diferente focando basicamente em proibições quanto aos usos e costumes a nível de doutrina oficial.[17] Esta igreja determina a proibição do uso das cores preta e vermelha,[17] da criação de animais domésticos e plantas,[17] do uso de anticoncepcionais,[17] do uso de cosméticos,[17] perfumes e jóias,[17] de comer carne, sangue e gordura animal,[17] de ler revistas e jornais,[17] de ver televisão e usar computador,[17] de beber refrigerantes sabor cola e bebidas alcoólicas,[17] dentre outras proibições, além de um rígido código de conduta a respeito das vestimentas femininas e masculinas.[17]

Costumes[editar | editar código-fonte]

Assembleia de Deus do Gama Oeste (Brasília), um exemplo de uma AD 'renovada'.

Inicialmente caracterizada por um rigorismo de conduta, fruto do que o sociólogo Paul Freston chama de "ethos sueco-nordestino", mesclando o pietismo nórdico com o patriarcalismo nordestino, hoje muitas igrejas Assembleias de Deus vêm experimentando, recentemente, grandes mudanças comportamentais concernente a usos e costumes.[18]

Atualmente, a Assembleia de Deus passa por uma relativação dos usos e costumes, em quanto muitos pastores e ministérios e regiões do país se renovam, outros preferem manter as tradições assembleianas do passado. Contudo, a CGADB ratificou seu estatuto em 2011, e na seção de usos e costumes removeu diversos itens, dando mais liberdade às mulheres. Já a Convenção Nacional nem sequer cita em sua resolução (na atualidade) usos e costumes em seu estatuto, deixando clara a liberdade.[18]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «110 anos da Igreja Assembléia de Deus» 
  2. a b «Assembleia de Deus do Brasil é a maior igreja pentecostal do mundo» 
  3. Viven (11 de abril de 2022). «Qual é o número de evangélicos no Brasil?». vivendobauru.com.br. Consultado em 22 de agosto de 2022 
  4. Souza Matos, Alderi de. Centenário do movimento pentecostal. FIDES REFORMATA XI, Nº 2 (2006): 23-50
  5. Conde, Emilio História das Assembleias de Deus
  6. História
  7. Corten, André; Echalar, Mariana N. R. (1996). Vitório Mazzuco, OFM, ed. Os pobres e o Espírito Santo: o pentecostalismo no Brasil. 1. Petrópolis, RJ: Vozes. p. 66. 285 páginas. ISBN 85-326-1713-1 
  8. Corten, André (1995). «3». Le pentecôtisme au Brésil: émotion du pauvre et romantisme théologique. Col: Collection Chrétiens en liberté (em francês). 1. ISBN 978-2865375639. Paris: KARTHALA Editions. p. 74. 307 páginas. ISBN 2-86537-563-3. OCLC 408192473 
  9. «Quem Somos – CGADB». cgadb.org.br. Consultado em 13 de outubro de 2022 
  10. «Quais são as principais diferenças entre igrejas evangélicas americanas e brasileiras ?». Quora. Consultado em 13 de outubro de 2022 
  11. «Diretoria – CGADB». cgadb.org.br. Consultado em 13 de outubro de 2022 
  12. «Diretoria – CGADB». cgadb.org.br. Consultado em 13 de outubro de 2022 
  13. A Declaração de Verdades Fundamentais da Assembleia de Deus (em inglês)
  14. «O Pentecostalismo Clássico (1910 a 1950): adaptações e transformações sócio religiosas». Recanto das Letras. Consultado em 12 de outubro de 2022 
  15. «Malafaia: A quem ele representa?». Cristianismo Hoje. 5 de julho de 2013. Consultado em 17 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2017 
  16. Betto, Frei (6 de dezembro de 2016). «Por que fizemos opção pelos pobres (e eles pelo neopentecostalismo...)?». Le Monde Diplomatique Brasil. Consultado em 17 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2017 
  17. a b c d e f g h i j k Nossa Doutrina. Rio de Janeiro: Assembleia de Deus dos Últimos Dias. 2014. Consultado em 21 de fevereiro de 2017 
  18. Mariano, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. p32
Fontes[editar | editar código-fonte]
  • Almeida, Abraão de. História das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 1982.
  • Berg, David. Enviado por Deus - Memórias de Daniel Berg Rio de Janeiro: CPAD,
  • Conde, Emílio. História das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
  • Freston, Paul. "Breve História do pentecostalismo brasileiro". Antoniazzi, A. (org.). Nem anjos nem demônios interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.
  • Vingren, Ivar. O Diário do Pioneiro.Rio de Janeiro: CPAD,
  • Vingren, Ivar, Nyberg Gunilla, Alvarsson Jan-Åke, Johannesson Jan-Endy. Det började i Pará: svensk pingstmission i Brasilien. Estocolmo: Missionsinstitutet-PMU, 1994.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]