Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

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Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Brasão da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
Orientação Anglicana
Fundador Lucien Lee Kinsolving, James Watson Morris, William Cabell Brown, John Gaw Meem e Mary Packard
Origem Porto Alegre, 1890
Sede Praça Olavo Bilac, 63, Campos Elíseos
São Paulo, SP
Localização Brasil
Número de membros Aproximadamente 20.000
Número de igrejas 87
Países em que atua Brasil

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) é uma província eclesiástica da Comunhão Anglicana que abrange todo o território do Brasil. É formada por nove dioceses e um distrito missionário, cada um deles dirigida por um bispo, dentre os quais um é eleito como primaz (superior). O atual bispo primaz é Dom Francisco de Assis da Silva, da Diocese Anglicana Sul-Ocidental, eleito em 2013. A IEAB é a mais antiga igreja não-católica romana do país,[1] tendo suas origens no Tratado de Comércio e Navegação firmado em 1810 entre Portugal e Inglaterra e que permitiu à Igreja da Inglaterra estabelecer capelanias no país. Em 1890, aportaram no país missionários da Igreja Episcopal dos Estados Unidos para realizar cultos em português e converter brasileiros. A IEAB foi um distrito missionário da Igreja Episcopal americana por 74 anos, obtendo sua autonomia eclesiástica em 1965, quando se tornou a décima-nona província da Comunhão Anglicana. Vinte anos depois, começou a ordenar mulheres. A igreja se destaca por seu compromisso em combater problemas que afetam a sociedade brasileira, tais como a desigualdade social, a concentração fundiária, a violência doméstica, o racismo, a homofobia e a xenofobia. Sua postura inclusiva em relação às minorias provocou alguns cismas ao mesmo tempo em que atraiu ex-fiéis católicos e evangélicos em busca de aceitação e acolhimento.

História[editar | editar código-fonte]

"Quem será o ditoso missionário que irá trazer o nome de Cristo a esta região ocidental? Quando será este país libertado da idolatria e do Cristianismo espúrio? Cruzes há em abundância, mas quando será aqui anunciada a doutrina da Cruz?"

Visão do missionário Henry Martin, que passou 15 dias em Salvador, sobre o Brasil.[2]

O anglicanismo iniciou-se em 1534, quando o Rei Henrique VIII da Inglaterra, movido a interesses políticos e pessoais, proclamou a independência da Igreja da Inglaterra da Igreja de Roma,[1] rechaçando a autoridade papal.[nota 1] [4] A nova igreja, que se considera uma continuidade da Igreja primitiva por não haver rejeitado a fé católica e apostólica,[4] logo se espalhou pelas colônias britânicas no Novo Mundo.[5] No Brasil, no entanto, a religião oficial imposta pelos dominadores portugueses era o catolicismo romano e as tentativas de missionarismo protestante – de huguenotes franceses e calvinistas holandeses – fracassaram.[2] O primeiro missionário anglicano a pisar em solo brasileiro foi Henry Martin, em 1805, no Porto de Salvador, Bahia, quando o seu navio seguia viagem para a Índia. Ele permaneceu por duas semanas na cidade, onde manteve contato com padres que falavam francês e latim.[2]

A partir de 1810, com a vigência de tratado comercial assinado entre Portugal e a Inglaterra, o governo brasileiro permitiu a construção das primeiras capelanias não-católicas em terras brasileiras,[2] desde que não tivessem a aparência de templos religiosos.[1] Nesse ano, foram iniciados os primeiros cultos anglicanos do país, em inglês e voltados exclusivamente para estrangeiros.[2] [6] [7] Em 1819, a primeira capela anglicana do país, a Christ Church, foi construída no Rio de Janeiro.[2] Nesse período, as capelanias anglicanas não faziam oposição ao status quo vigente, sendo alguns fiéis donos de escravos.[nota 2] Segundo Silva, a comunidade anglicana era "ausente dos problemas sociais e políticos da população".[9] Após a independência do Brasil, foram realizados os primeiros trabalhos missionários por religiosos anglicanos no país. Em 1853, o reverendo William Cooper foi enviado pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos para realizar trabalho missionário no país, a pedido de um episcopaliano do Rio de Janeiro, provavelmente membro da colônia americana. No entanto, o navio de Cooper naufragou no Caribe a caminho do Brasil e ele desistiu da missão, retornando para os Estados Unidos. Em 1860, o reverendo escocês Richard Holden desembarcou em Belém, Pará, também enviado pela Igreja Episcopal dos EUA.[2]

Holden conduziu a menos fracassada das missões, permanecendo no país por doze anos. Ele escolheu Belém devido à existência de um posto de distribuição de bíblias na cidade e à expectativa de que o Rio Amazonas fosse aberto à navegação internacional. Em Belém, tentou criar uma comunidade anglicana, mas não obteve sucesso. Usou a imprensa local para difundir a religião, escrevendo artigos de jornais que provocaram a ira do então bispo católico da cidade, Dom Antônio de Macedo Costa. Holden foi responsável pela primeira tradução do Livro de Oração Comum em português e por uma dezena de hinos — dois deles presentes no hinário de 1962 — e viajava pelos afluentes do Rio Amazonas para vender bíblias nas comunidades ribeirinhas. Em 1862, após o fracasso da missão no norte, mudou-se para Salvador, onde também valeu-se da imprensa para propagar o anglicanismo. Encontrou forte oposição na capital baiana e sofreu três tentativas de assassinato. Devido à sua personalidade forte e seu estilo polêmico de pregar, Holden começou a encontrar oposição também na Igreja Episcopal dos Estados Unidos, que havia patrocinado sua vinda ao Brasil. Em 1864, Holden aceitou o convite do Dr. Robert Kalley para atuar como pastor na Igreja Congregacional Fluminense no Rio. Mais tarde abandonou o anglicanismo e se tornou darbista.[2]

"Esses missionários vieram para trabalhar com os brasileiros, ao contrário dos britânicos, que vieram trabalhar com eles mesmos. Nossa relação é obviamente mais forte com os americanos, já que eles tomaram a iniciativa de iniciar o diálogo com os brasileiros"

Reverendo Arthur Cavalcante, secretário provincial da IEAB.[7]

As missões anglicanas só obtiveram êxito no país após 1889, quando foi proclamada a República, desvinculando a Igreja Católica do Estado Brasileiro, o que possibilitou a livre conversão de católicos ao anglicanismo e demais religiões.[6] [7] Em 1890, os reverendos missionários Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris vieram do Seminário Teológico da Virgínia, nos Estados Unidos e estabeleceram-se na Rua Voluntários da Pátria, nº 387 (endereço mais tarde conhecido como Casa da Missão),[10] em Porto Alegre,[7] onde realizaram o primeiro culto anglicano em português no país, em 1º de junho daquele ano.[1] Outros três missionários norte-americanos — os reverendos William Cabell Brown e John Gaw Meem e a leiga Mary Packard — vieram para o Brasil em no ano seguinte, estabelecendo missões em Santa Rita do Rio dos Sinos, Rio Grande e Pelotas.[7] Esses cinco missionários são considerados os fundadores da IEAB e ajudaram a difundir o anglicanismo no Sul do país, região que concentra hoje o maior número de igrejas anglicanas.[10]

A Catedral do Redentor, localizada em Pelotas, foi uma das primeiras igrejas de confissão anglicana do Brasil, inaugurada em 1892.[11]

Em 1893, Morris e Brown fundaram o Estandarte Cristão, jornal da comunidade anglicana em Porto Alegre. No mesmo ano, a comunidade recebeu o bispo norte-americano George William Peterkin, que ordenou quatro diáconos. Quatro anos depois, foi a vez da comunidade receber Waite Hockin Stirling, bispo das Ilhas Falkland, que ordenou os três primeiros presbíteros nacionais e confirmou 159 fiéis. Em 1899, Kinsolving foi sagrado bispo.[2] Em 1907, os esforços missionários no país resultaram no estabelecimento do distrito missionário do Brasil no âmbito da Igreja Episcopal dos Estados Unidos.[2] [7] [10] Em 1908, os missionários iniciaram suas atividades no Rio de Janeiro, então capital nacional, onde Kinsolving desejava construir a sede nacional da igreja. Quatro anos depois, os anglicanos fundaram suas primeiras escolas em Porto Alegre e Santana do Livramento. Em 1921, a Igreja se firmou na Baixada Santista, chegando a São Paulo em 1924. Em 1926, William Mathew Merrick Thomas foi eleito bispo da comunidade brasileira e Kinsolving retornou para os Estados Unidos no ano seguinte. Em 1929, a Igreja fundou a Imprensa Episcopal e, no ano seguinte, realizou a mais importante revisão do Livro de Oração Comum. Através do LOC, os cultos são apresentados de maneira uniforme nas igrejas e em língua nativa.[nota 3] [2]

O primeiro bispo nascido no Brasil, Athalicio Theodoro Pithan, foi sagrado em 1940,[1] quando a Igreja Episcopal celebrava seus 50 anos de atividade no país.[10] Em 1949, o distrito missionário foi dividido em três dioceses,[2] [10] o que deu início às discussões sobre a autonomia da Igreja Episcopal brasileira.[7] Em 1952, foi realizado o primeiro Sínodo Nacional.[2] Em 1955, as capelanias inglesas fundadas no Período Joanino passaram à administração do distrito missionário brasileiro após um acordo firmado entre a Igreja da Inglaterra e a Igreja Episcopal dos EUA.[2] [4] Em 1965, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil se tornou uma província eclesiástica autônoma da Comunhão Anglicana,[7] a décima-nona, elegendo Dom Egmont Machado Krischke como seu bispo primaz.[10] Desde então, a Igreja Episcopal Anglicana possui autonomia para elaborar seus próprios formulários litúrgicos. Em 1966, a IEAB se filiou ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI),[2] demonstrando seu compromisso com o ecumenismo cristão. Em 1974, o Brasil recebeu, pela primeira vez, a visita de um arcebispo de Cantuária, à época Arthur Michael Ramsey.[2] A IEAB deixou de receber apoio financeiro da Igreja Episcopal dos EUA no ano seguinte.[7]

Em 1985, a IEAB, seguindo deliberação do Sínodo Geral realizado no ano anterior, passou a ordenar mulheres, sendo a primeira delas a reverenda Carmen Etel Alves Gomes.[2] A ordenação feminina na IEAB ocorreu antes mesmo da Igreja da Inglaterra começar a fazer o mesmo.[1] Em 1990, durante o centenário da IEAB, os problemas socioeconômicos do Brasil levaram a Igreja a focar em três prioridades: educação, serviço[nota 4] e expansão.[6] No mesmo ano, os primazes norte-americano e brasileiro concordaram em estabelecer um comitê bilateral visando à reaproximação entre as igrejas, encorajando parcerias e relações mútuas entre as igrejas. A Igreja Episcopal dos EUA continua enviando missionários para o Brasil e as Dioceses de Pensilvânia e de São Paulo e as de Brasília e de Indianópolis mantêm relações mútuas. Mais recentemente, a IEAB se voltou para o diálogo com as Igrejas dos demais países lusófonos, sem deixar sua parceria com a Igreja Episcopal dos EUA de lado.[7]

Liturgia e teologia[editar | editar código-fonte]

Catedral da Santíssima Trindade, em Porto Alegre, consagrada em 10 de maio de 1903.[13]

Quando Henrique VIII separou a Igreja da Inglaterra da Igreja de Roma, os fiéis compreendiam que a mudança fora apenas de líder, de um papa para um rei. De fato, a liturgia e a estrutura hierárquica da Igreja da Inglaterra continuavam as mesmas do tempo em que era submetida à autoridade do papa,[1] sendo ainda hoje muito similar.[14] Nos anos seguintes, através de contatos com luteranos e calvinistas, a liturgia anglicana foi formulada através da primeira edição do Livro de Oração Comum (LOC) em 1549, uma adaptação do Rito Sarum,[14] e da elaboração de uma declaração doutrinária denominada 39 Artigos de Religião.[1] Desde então, a liturgia anglicana mantém-se como um meio-termo entre o catolicismo e o protestantismo.[1] [5] Essa atitude é designada de "via media",[1] que, segundo a Diocese Anglicana Meridional, é "um charme do anglicanismo" e uma prova do caráter "verdadeiramente ecumênico" da igreja.[14]

Como no catolicismo, a IEAB possui bispos (com sucessão apostólica), padres e diáconos, mas, semelhantemente ao protestantismo, não exige o celibato. Como no catolicismo, o centro da liturgia é o altar e a comunhão eucarística, mas grande ênfase é dada à pregação, como no protestantismo. A terminologia é tipicamente católica, mas, ao mesmo tempo, permite-se que os padres sejam chamados de "pastores", que a missa seja designada como "culto" e que a eucaristia seja chamada de "santa ceia" ou "ceia do senhor", tal como no protestantismo.[1] Como no catolicismo, os anglicanos acreditam em santos, mas o culto às imagens é desaconselhado, como no protestantismo.[5] Há, nos cultos, a presença de músicas tanto da tradição católica quanto do protestantismo e de compositores contemporâneos. De maneira geral, o anglicanismo entende que a congregação tem liberdade para escolher elementos litúrgicos com os quais ela esteja confortável.[14] Em 2011 num culto em Campo Grande, por exemplo, foi abençoada uma imagem dos santos católicos Sérgio e Baco, atendendo aos pedidos da comunidade LGBT local.[15]

Segundo a maioria dos teólogos anglicanos, a Comunhão Anglicana não possui uma doutrina teológica.[1] [16] Stephen Neill, por exemplo, fala de "uma atmosfera anglicana e [de] uma atitude anglicana". A IEAB não aceita nenhuma instância de poder eclesiástico como intérprete da Bíblia e os pronunciamentos de instâncias superiores, como os bispos primazes, jamais reivindicam infalibilidade ou obediência cega, ao contrário do que ocorre no catolicismo.[1] A figura mais próxima de líder espiritual da Comunhão Anglicana é o arcebispo de Cantuária, que fornece recomendações e mantém a unidade das províncias eclesiásticas no mundo, mas não impõe doutrina alguma.[5] Os bispos só podem interferir na liturgia de uma paróquia se ela não estiver seguindo o LOC. Apesar da falta de doutrinas, a IEAB possui um conjunto de crenças que são aceitas como parte da identidade da igreja. O discurso oficial da IEAB é definido pelo Sínodo Geral, que reúne trienalmente bispos, clérigos e representantes leigos das dioceses. De acordo com a Constituição da IEAB, somente o sínodo pode aprovar, emendar ou reformar os documentos oficiais da igreja que dizem respeito ao culto, à disciplina e à doutrina da IEAB. Mas, por ser parte da Comunhão Anglicana, isso deve sempre ocorrer em consulta e escuta às demais igrejas da tradição anglicana.[1]

Os documentos oficiais da IEAB são o Livro de Oração Comum (LOC), de uso obrigatório nos cultos de todas as paróquias e missões, e o Catecismo. O Catecismo é utilizado para transmitir aos novos membros os conteúdos que a igreja julga essenciais para a fé, enquanto o LOC é utilizado para realizar cultos e cerimônias sacramentais, apresentando a forma como a igreja regula sua celebração litúrgica,[1] a fim de evitar que o culto seja centrado na vontade do sacerdote em detrimento da doutrina da Igreja e da participação da comunidade.[4] Além disso, a IEAB compartilha com a Comunhão Anglicana o "Quadrilátero de Lambeth",[nota 5] que serve de base para o diálogo ecumênico e que demarca sua postura diante do que considera inegociável nos acordos bilaterais entre as igrejas cristãs. Esse minimalismo na definição dos conteúdos da fé faz com que a IEAB não seja uma igreja confessional ou doutrinal propriamente dita. Segundo Calvani, é uma igreja "credal", pois exige que seus membros vinculem a fé aos credos históricos — Credo dos Apóstolos e Credo Niceno — da Igreja antiga, que devem ser repetidos em todas as celebrações eucarísticas.[1]

A IEAB se contenta em não propor muitas explicações teológicas. Não há na IEAB ou no anglicanismo em geral qualquer doutrina sobre o que aconteceria com os elementos pão e vinho no momento da consagração. Os ritos eucarísticos do LOC apresentam praticamente todas as possibilidades (há frases que reforçam a consubstanciação e outras que reforçam a transubstanciação). As divergências no anglicanismo surgem na interpretação dada às palavras dos credos. Os anglicanos "evangélicos" (low church) afirmam que os credos devem ser aceitos de maneira literal; os "anglo-católicos" (high church) dizem que os credos implicam na aceitação dos dogmas e da tradição pós-apostólica da Igreja primitiva (se aproximando dos católicos romanos e ortodoxos) e os "liberais" (central church) buscam atualizar histórica e socialmente o sentido existencial e simbólico dos credos, o que significa a recusa em interpretá-los de maneira literal. Por não possuir caráter confessional ou doutrinal, a IEAB acaba por abrigar adeptos de todas as três vertentes,[1] aceitando o desafio de conviver com a diversidade,[5] sendo que os cânones da IEAB não preveem a excomunhão de fiéis.[1]

Sacramentos[editar | editar código-fonte]

A IEAB afirma a existência de dois sacramentos (batismo e eucaristia) e cinco ritos sacramentais (confirmação ou crisma, matrimônio, unção, absolvição dos pecados e ordenação) que evoluíram na tradição da igreja sob a direção do Espírito Santo. Os sacramentos são essenciais aos fiéis, ao contrário dos ritos sacramentais. Segundo Calvani, isso se deu devido à tentativa de acomodar as alas anglo-católica e evangélica.[1]

  • Batismo: administrado a adultos e crianças que não foram batizados em outra igreja cristã. Exige-se a confissão de fé credal (que no caso das crianças cabe aos padrinhos). É entendido como ato divino e pode ser feito por imersão, efusão ou aspersão, mas para ser considerado válido deve ser ministrado com água em nome da Santíssima Trindade. Pode ser realizado por um leigo em caso de emergência. Não pode ser repetido a quem já tenha sido batizado por demais fés; na dúvida se alguém foi batizado ou não, usa-se uma fórmula condicional: "se ainda não estás batizado, eu te batizo em nome do Pai" (LOC, 1988, p. 168).[1]
  • Eucaristia: através da comunhão eucarística, o fiel participa no corpo e no sangue de Cristo. A linguagem eucarística do LOC se apresenta mais próxima da concepção católica romana do que das tradições protestantes. A eucaristia não é somente um memorial, mas um "sacrifício" de louvor e ação de graças e o meio pelo qual o sacrifício de Cristo se torna presente. Os benefícios prometidos são o perdão dos pecados, o fortalecimento da união com Cristo e a antecipação das bênçãos da vida eterna. A matéria é o pão e o vinho e apenas um presbítero ou bispo ordenado pode realizar o rito. A comunhão eucarística é o centro do culto anglicano e qualquer pessoa de outra igreja pode participar do rito, desde que devidamente batizada.[1]
  • Confirmação ou crisma: ocorre por meio da imposição das mãos do bispo sobre o fiel acompanhado de uma oração na qual o Espírito Santo é invocado sobre a pessoa. Para ser válida, o celebrante deve ser um bispo de sucessão apostólica. Pessoas confirmadas ou crismadas nas igrejas católica romana, ortodoxa e luteranas, são recebidas na IEAB sem a exigência de nova confirmação, o que não ocorre com oriundos de outras igrejas.[1]
  • Absolvição dos pecados: trata-se da confissão dos pecados a Deus na presença de um sacerdote. Ao final, o fiel recebe a garantia do perdão e a graça da absolvição. Pode ser individual ou coletiva e, para ser considerada válida, deve ser declarada unicamente pelo bispo ou presbítero.[1]
  • Unção: consiste em colocar as mãos sobre a cabeça de uma pessoa enferma e orar por ela pedindo a cura com a intenção de que Deus lhe conceda a graça da saúde física ou espiritual. Pode ser aplicada em qualquer caso de enfermidade e, ao contrário do batismo, não é obrigado o uso de óleo, embora o mesmo seja recomendado.[1]
  • Matrimônio: a forma são os votos e promessas que os noivos fazem e a declaração do ministro ordenado de que agora são esposo e esposa e a intenção é a de que estabeleçam um relacionamento estável e duradouro, tendo as alianças como matéria ou sinal visível dessa união física e espiritual. Ao contrário da Igreja Católica, a IEAB permite que fiéis divorciados se casem novamente, desde que frequentem a igreja por pelo menos um ano e a cerimônia seja precedida por uma união civil.[1] Por este motivo, o ex-jogador de futebol Pelé se casou com Assíria Nascimento na sede da Igreja Episcopal Anglicana do Recife.[18]
  • Ordenação: é de extrema importância para o anglicanismo, pois, na concepção anglicana, a ausência de bispos compromete a continuidade da igreja, pois somente os bispos podem confirmar novos membros e ordenar presbíteros que podem celebrar a eucaristia, o que significa que igrejas sem a sucessão apostólica não possuem membros validamente confirmados. Na concepção da IEAB, os bispos são sucessores dos apóstolos e é seu dever "conservar a fé, unidade e disciplina da igreja toda, proclamar a palavra de Deus, agir em nome de Cristo para reconciliar o mundo e edificar a Igreja; e ordenar outros para continuar o ministério de Cristo". Um ministro procedente de outra igreja só pode ter sua ordenação reconhecida como válida e legítima se a tiver recebido das mãos de um bispo de sucessão apostólica que, no ato da ordenação, tenha sido fiel na matéria (imposição das mãos), forma (oração de ordenação) e intenção (que o ordenado seja diácono, presbítero ou bispo e tenha cumprido o ministério para o qual foi ordenado). Ministros procedentes de igrejas evangélicas ou protestantes que não tenham sido ordenados dessa forma são "reordenados".[1]

Fé e crenças[editar | editar código-fonte]

Igreja do Salvador, em Rio Grande, inaugurada em 8 de agosto de 1901.[19]

O anglicanismo se considera uma continuidade da Igreja primitiva[4] e das igrejas celtas.[14] A fé cristã está presente na Inglaterra desde o século III, através das igrejas celtas que surgiram após a legalização do cristianismo pelo imperador romano Constantino. Após a invasão dos anglo-saxões, a comunidade cristã começou a ser perseguida e, mesmo após a conversão destes ao cristianismo no século VI, a Igreja inglesa continuou semi-independente da Igreja de Roma até a chegada de Santo Agostinho em 597. A partir de então, a Igreja da Inglaterra passou a reconhecer o papa como seu chefe por quase um milênio. Após a reforma anglicana do século XVI, a Igreja da Inglaterra rompeu com o papado, mas manteve a fé católica e apostólica, sendo assim considerada uma igreja surgida "de dentro para fora".[4]

Dessa forma, a IEAB, assim como as demais províncias da Comunhão Anglicana, é considerada uma igreja "protestante" e "católica" ao mesmo tempo. É considerada "protestante" porque fez parte da Reforma religiosa do século XVI e se identificou com muitos de seus postulados teológicos e bíblicos. No entanto, as demais igrejas surgidas nesse período promoveram uma ruptura maior com o catolicismo romano, algo que o anglicanismo não fez, mantendo a crença nos credos históricos[4]Credo dos Apóstolos e Credo Niceno[1] — e preservando a ordem da Igreja Católica: o tríplice ministério de bispos, presbíteros e diáconos; os sacramentos do batismo e da eucaristia, conforme instituídos por Jesus Cristo; e a ênfase nas Escrituras Sagradas como meios suficientes para a redenção.[4]

O testemunho de fé anglicano é orientado pelo tripé escrituras, tradição e razão. "Ou seja, a Bíblia como ponto de partida, interpretada pela Tradição, tendo a Razão como chave de leitura, inspirada pelo Espírito Santo, de modo que nos seja possível uma prática hermenêutica (interpretação) contextualizada".[20] A partir disso, foram definidas as cinco marcas da missão anglicana, a saber:[21]

  1. Proclamar as boas novas do reinado de Deus;
  2. Ensinar, batizar e nutrir os novos crentes;
  3. Responder às necessidades humanas com amor;
  4. Procurar a transformação das estruturas injustas da sociedade, desafiar toda espécie de violência, e buscar a paz e a reconciliação;
  5. Lutar para salvaguardar a integridade da Criação, sustentar e renovar a vida da terra.

Bases[editar | editar código-fonte]

As bases da fé anglicana, segundo a Diocese de São Paulo, são:[22]

  • A Santíssima Trindade;
  • Os 66 livros do Antigo e Novo Testamentos como palavra verdadeira de Deus, única regra da fé e da conduta cristã, suficiente para a salvação, suprema em sua autoridade, pela qual a Igreja deve sempre se reformar e julgar suas tradições;
  • O ser humano como pecador e culpado, e justificado por Deus, tendo por base apenas a morte expiatória de Cristo, somente pela fé, e que as boas obras de um santo viver seguem a justificação como sua própria evidência;
  • Reconhecimento de Jesus Cristo como único e suficiente mediador entre Deus e a humanidade e a sua morte como o único sacrifício pelos pecados;
  • Crença em dois sacramentos (batismo e eucaristia) e cinco ritos sacramentais (confirmação, absolvição dos pecados, unção, matrimônio e ordenação);
  • Aceitação do sacrifício expiatório de Cristo na cruz, feito uma só vez para sempre, em favor de todos os que creem e o aceitam;
  • Crença no livre acesso do pecador a Deus pela fé e pela oração, sendo Cristo o único mediador;
  • Crença na eficácia da oração pessoal como habito recomendável de refrigério para a vida espiritual e aceitável por Deus;
  • Crença no dever das boas obras feitas com amor, as quais não se tornam veículos de salvação, mas expressões concretas de uma vida de fé;
  • Crença na regeneração ou novo nascimento espiritual, pelo arrependimento do pecador e obra do Espirito Santo;
  • Crença na autoridade da Igreja, a qual jamais perecerá e está representada nas primitivas e históricas Ordens dos Bispos, Presbíteros e Diáconos;
  • Crença na utilidade da assistência regular aos ofícios divinos (cultos) realizados na língua do povo e por ministros que representam a autoridade apostólica;
  • Crença no conteúdo dos Credos Apostólico e Niceno, sumários suficientes da fé universal dos cristãos e aceitos desde os primeiros séculos;
  • Crença na construção constante da Igreja baseada no testemunho da Bíblia, dos Credos e da tradição, interpretados pela razão e sujeitos sempre à orientação do Espirito Santo.

Questões sociais[editar | editar código-fonte]

"É muito provável que as pessoas homoafetivas fossem acolhidas por Jesus. O Evangelho que ele pregou foi de contracultura e inclusão dos marginalizados"

Dom Maurício José Araújo de Andrade, ex-bispo primaz da IEAB, em entrevista à CartaCapital.[23]

Devido à predominância da ala liberal (central church)[5] — que defende uma interpretação mais social das escrituras[1] devido à opressão que uma leitura literal pode provocar[5] —, a IEAB rejeita o fanatismo[22] e prega, ao contrário de outras igrejas evangélicas que ganham espaço no país, uma teologia social que visa engajar as congregações e comunidades em debates ainda considerados tabus na sociedade brasileira, como a concentração fundiária, a violência doméstica, o machismo, o racismo, a homofobia e a xenofobia.[7] Define-se como uma comunidade cristã preocupada com a vida social, política, moral e espiritual dos seus membros.[22] É uma igreja inclusiva, oferecendo acolhimento e apoio a grupos historicamente marginalizados como LGBTs, mulheres, indígenas e sem-terra.[7] Segundo os cânones da IEAB, "como cristãos, somos portadores da promessa do Espírito Santo, que nos conduz à Palavra feita carne, que acolhe os oprimidos, abandonados, incompreendidos e marginalizados".[14]

A IEAB defende que "todas as pessoas batizadas, fiéis e obedientes a Deus, não obstante suas orientações sexuais, são membros plenos do Corpo de Cristo, a Igreja".[10] Segundo Cardoso, a igreja aceita fiéis homossexuais desde 1998.[24] De acordo com um documento oficial elaborado pela câmara dos bispos da IEAB em 1997, "a sexualidade é um dom de Deus e as relações sexuais, exercidas no contexto do amor e do respeito mútuo, não só devem ser aceitas, mas também consideradas como coisas boas que Deus criou".[14] Menezes aponta que em 2001 a IEAB realizou a primeira consulta nacional sobre a sexualidade humana, quando seus fiéis decidiram rejeitar "o princípio da exclusão, implícito na ética do pecado e da impureza" e declarar a inclusividade como "essência do ministério encarnado de Jesus".[25] Em maio de 2011, a Igreja divulgou uma carta em apoio à decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união entre pessoas do mesmo sexo no Brasil,[25] embora ainda não realize casamentos religiosos entre fiéis homossexuais,[26] ao contrário da Igreja Episcopal dos Estados Unidos.[27] Outra peculiaridade da IEAB em comparação às demais igrejas protestantes do país é seu caráter ecumênico, que faz parte de sua essência teológica.[1] Segundo o Reverendo Arthur Cavalcante, "a Igreja Anglicana é um lugar onde você pode ter uma visão alternativa do que é uma igreja".[7] Segundo Santos, o progressismo político dos líderes religiosos da IEAB seria o reflexo da ampla formação teológica que os mesmos recebem.[23]

Membros[editar | editar código-fonte]

O número de membros da IEAB é difícil de precisar, pois a teologia anglicana qualifica todos os batizados como membros da igreja, mesmo aqueles que, batizados na infância, nunca se incorporaram à vida comunitária.[1] Dessa forma, a estatística oficial enumera 103 mil membros desde 1890.[10] Jacob, em seu Atlas da filiação religiosa e indicadores sociais no Brasil, apontou a existência de 16.591 anglicanos no Brasil em 2000.[28] Em 2005, Calvani estimou em até 20 mil o número de membros da igreja no país, considerando a soma de membros "comungantes" (frequentadores assíduos) e "em plena comunhão" (pessoas que assumem cargos de liderança leiga e contribuem financeiramente com a instituição).[1] Já Menezes estima em 60 mil o número,[25] enquanto o ex-bispo primaz Maurício José Araújo de Andrade estima em 75 mil.[26] Para Calvani, a presença relativamente pequena do anglicanismo no país se deve ao compromisso ecumênico da IEAB, que inibe grandes iniciativas missionárias.[1]

Segundo a jornalista Michelle Veronese, boa parte dos novos fiéis vem de outras denominações cristãs: "em geral, são ex-católicos e ex-evangélicos, em busca de aceitação e acolhimento".[5] Um mito bastante difundido é que os anglicanos seriam pessoas de classe média. No entanto, segundo a Diocese Meridional, há tanto paróquias compostas por pessoas de classe média e alta quanto paróquias localizadas em periferias. A IEAB se define como uma igreja inclusiva, "acolhendo todos os tipos de pessoa que o amor de Cristo e a mensagem do Evangelho uniu".[14]

Críticas, dissidências e cismas[editar | editar código-fonte]

A IEAB é o ramo mais antigo e mais bem organizado do anglicanismo no Brasil; as demais igrejas anglicanas são relativamente novas, surgidas a partir da década de 1990. Há, no Brasil, diversas igrejas que disputam a herança da tradição anglicana.[1] Em 2013, a IEAB listou 24 congregações, dioceses, igrejas, paróquias e até mesmo uma província que usam a denominação "anglicana" ou "episcopal".[29] No entanto, a IEAB é a única Igreja vinculada institucionalmente, de direito e de fato, à Comunhão Anglicana. Para fazer parte da Comunhão, as igrejas nacionais (ou províncias) precisam reconhecer a primazia (liderança) de honra do arcebispo de Cantuária, colaborar financeiramente de acordo com seus recursos para a manutenção do escritório central da Comunhão Anglicana, enviar bispos para representar sua província na Conferência de Lambeth (reunião dos bispos anglicanos que ocorre a cada dez anos), designar ou eleger um bispo primaz que representará a igreja local no encontro bienal dos primazes e designar ou eleger representantes (bispos, clérigos ou leigos) para fazerem parte do Conselho Consultivo Anglicano.[1] Em junho de 2013, após a imprensa veicular que a polícia do Paraná estava procurando um padre anglicano de Campina Grande do Sul acusado de estupro, maus tratos e exploração de crianças em um orfanato do qual era diretor, a IEAB decidiu mapear todas as denominações ditas "anglicanas" do país.[29] Apesar do furor dos fiéis da IEAB, o padre em questão era da Igreja Anglicana Tradicional,[29] surgida no final do século XX em oposição às inovações liberais da Comunhão Anglicana como a ordenação feminina e a tolerância à homossexualidade.[30]

Nos últimos anos, a IEAB tem sido atacada, tanto interna quanto externamente, por sua postura inclusiva. Em 25 de janeiro de 2005, Dom Robinson Cavalcanti, então bispo da Diocese Anglicana do Recife, opondo-se à predominância da ala liberal na igreja, promoveu um cisma na IEAB. Cavalcanti, que julgava inadmissível a aceitação da homossexualidade,[5] declarou unilateralmente a suspensão do relacionamento da Diocese do Recife com a Província do Brasil, proclamando-a como uma Diocese autônoma da Comunhão Anglicana. Segundo Christina Takatsu Winnischofer, então Secretária Geral da IEAB, Cavalcanti proclamou uma "guerra santa" entre anglicanos evangélicos e liberais, ao punir "todos os que discordavam dele". Apesar de constituir ato raro e extremo, Cavalcanti foi expulso da IEAB em 10 de junho de 2005 pelo Tribunal Superior Eclesiástico.[31] Em setembro de 2005, devido à expulsão de Cavalcanti, a IEAB foi desconvidada a participar do III Encontro Anglicano do Hemisfério Sul.[32] Em 2013, a IEAB conseguiu, através de decisão judicial, recuperar a posse, a propriedade e a administração de todos os bens e direitos administrados pela dissidente Igreja Anglicana—Diocese do Recife.[33] Isso significa que cinco templos (e todos seus pertences) retornaram à supervisão da Diocese Anglicana do Recife.[33] Outro grupo surgido em 2005 em oposição à ala liberal da IEAB foi a Igreja Anglicana Reformada do Brasil, para a qual ser homossexual é "pecaminoso".[34] Além disso, a Igreja também já foi criticada por comentaristas políticos conservadores devido a sua postura favorável à criminalização da homofobia no Brasil.[35]

Em 2013, o reverendo Carlos Eduardo Calvani, do Distrito Missionário do Oeste, atraiu a ira de igrejas evangélicas de Campo Grande ao escrever um texto — a propósito da realização de uma Marcha para Jesus na cidade com o apoio financeiro da prefeitura[36] — onde afirmava que a relação dos evangélicos brasileiros com a política assemelha-se aos regimes teocratas islâmicos. Segundo Calvani, "o movimento evangélico hoje é um dos maiores perigos para a sociedade brasileira e o Estado Laico por seu potencial fundamentalista".[37] O texto acabou sendo retirado do ar devido às ameaças sofridas por Calvani e pela comunidade anglicana da cidade. Segundo o reverendo, sua intenção original era criticar o fundamentalismo evangélico e não o movimento evangélico como um todo, sendo que o entendimento do texto foi prejudicado pelos cortes editoriais do portal Campo Grande News. Calvani optou por retirar do ar temporariamente o site de sua paróquia a fim de preservar os membros de sua comunidade e decidiu denunciar às autoridades policiais um e-mail ameaçador que recebeu do líder de uma Igreja Pentecostal da cidade.[36] Na visão dos evangélicos fundamentalistas a IEAB está "enterrada em um liberalismo teológico que passa da razão", demonstrando ser alheia à Bíblia e até mesmo herética.[38]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Catedral de Santa Maria em Belém, sé da Diocese Anglicana da Amazônia, inaugurada em 30 de novembro de 1912.[39]

A organização sacerdotal da IEAB é tríplice, divida em bispos, presbíteros e diáconos. O bispo é o pastor principal e primeiro missionário da diocese, presidindo a eucaristia, ordenando homens e mulheres ao ministério sagrado, confirmando e celebrando a liturgia. Além disso, atua como o administrador de sua diocese. Os presbíteros são os lideres espirituais e pastorais das congregações locais e são assistidos por diáconos e lideres leigos. Os diáconos, além de auxiliares dos presbíteros, exercem o ministério com os pobres e enfermos e o trabalho missionário, sob a orientação do bispo.[4] Estima-se que atualmente cerca de 40% do clero da IEAB seja composto por mulheres.[26] Ainda não há bispas, embora os cânones da igreja não impeçam sua eleição.[14] [40] Para a IEAB, os membros leigos também são participantes no ministério de Cristo, sendo que alguns destes são escolhidos para ministérios especiais e, para tal, recebem a ordenação do bispo como ministros leigos.[4]

A estrutura eclesiástica é dividida em dois órgãos máximos: a Câmara dos Bispos — composta por todos os bispos em atividade, além dos bispos aposentados, que não têm direito a voto — e a Câmara dos Clérigos e dos Leigos — composta por seis representantes eleitos em cada diocese no Concílio Diocesano imediatamente anterior à reunião do Sínodo Geral, sendo três clérigos e três leigos. Cada órgão adota seu próprio regimento interno. O Sínodo Geral, uma reunião de ambas as Câmaras, é o órgão máximo da IEAB. Em casos previstos nos cânones ou por solicitação de uma das câmaras pode ser realizado por apenas um dos órgãos. Quando o Sínodo não está ativamente reunido, é representado pelo Conselho Executivo, convocado pelo bispo primaz. Os planos e programas definidos pelo Conselho Executivo são implementados pela Secretaria-Geral.[41]

Dioceses e distrito missionário[editar | editar código-fonte]

Dioceses anglicanas do Brasil.

Atualmente, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil está presente em mais de 150 localidades do país, sendo composta por nove dioceses e um distrito missionário (onde a presença anglicana é menor e carece de recursos para seu auto-sustento), cada um deles encabeçado por um bispo.[6] [41]

Lideranças[editar | editar código-fonte]

Dom Maurício José Araújo de Andrade, primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil de 2006 a 2013 e atual bispo da diocese de Brasília.

Bispos primazes

# Nome Período Diocese
Bispos primazes[42]
Dom Francisco de Assis da Silva[6] [43] [44] 2013 — atualidade Diocese Sul-Ocidental
Dom Maurício José Araújo de Andrade 2006 — 2013 Diocese de Brasília
Dom Orlando Santos de Oliveira 2003 — 2006 Diocese Meridional
Dom Glauco Soares de Lima 1993 — 2003 Diocese de São Paulo
Dom Olavo Ventura Luiz 1986 — 1992 Diocese Sul-Ocidental
Dom Arthur Rodolpho Kratz 1972 — 1984
Dom Egmont Machado Krischke 1965 — 1971

Presidentes da Câmara de Clérigos e Leigos

Nome Período Diocese
Presidentes da Câmara de Clérigos e Leigos[45]
Sr. Fernando Hallberg Luiz[44] 2013 — atualidade Diocese Sul-Ocidental
Sra. Selma Rosa 2010 — 2013 Diocese de Curitiba
Rev. Luiz Alberto Barbosa 2006 — 2010 Diocese de Brasília
Rev. Francisco de Assis da Silva 2003 — 2006 Diocese Meridional
Revda. Dilce Regina Paiva de Oliveira 2000 — 2003 Diocese de Pelotas

Secretários Gerais

Nome Período Diocese
Secretários gerais
Rev. Arthur Cavalcante[6] [46] 2011 — atualidade Diocese Anglicana de São Paulo
Rev. Francisco de Assis da Silva[47] 2006 — 2011 Diocese Meridional
Sra. Christina Takatsu Winnischofer[48] 2003 — 2006 Diocese Anglicana de São Paulo
Rev. Maurício José Araújo de Andrade[49] 1994 — 2003

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas de rodapé[editar | editar código-fonte]

  1. O monarca desejava anular seu casamento com Catarina de Aragão, visto que esta não havia dado-lhe um herdeiro do sexo masculino. No campo político, a ruptura significou o fim do repasse de impostos a Roma e o término da subordinação do monarca ao Tribunal Eclesiástico.[3]
  2. O tráfico negreiro foi abolido do território britânico em 1806 graças aos esforços do deputado William Wilberforce, membro da fé anglicana.[8]
  3. Até o Concílio Vaticano II, em 1965, as missas católicas eram celebradas em latim.[2]
  4. Segundo Soares, serviço refere-se ao "serviço da Igreja no campo sócio-político-cultural", resumindo-se em assistência social, solidariedade e ações de transformação. "É o método pelo qual a Igreja exerce a tarefa profética de evangelizar para a qual é enviada".[12]
  5. O Quadrilátero de Lambeth é composto por: 1) Crença nas Sagradas Escrituras como recipiente de tudo necessário à salvação e norma última da fé; 2) Crença no Credo Apostólico como símbolo do batismo e no Credo Niceno como representação da declaração de fé; 3) Crença nos dois sacramentos ordenados por Cristo (batismo e eucaristia), que devem ser administrados com as palavras e elementos definidos por ele; e 4) Crença na sucessão apostólica, adaptada localmente às necessidades de cada nação.[17]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah Calvani, Carlos Eduardo. "Anglicanismo no Brasil". Revista USP. São Paulo: n.67, p. 36-47, setembro/novembro 2005. Página visitada em 6 de julho de 2015.
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Kickhofel, Oswaldo. "Apontamentos de História da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil". Centro de Estudos Anglicanos. s/d. Página visitada em 6 de julho de 2015.
  3. Cottret, Bernard. "Henrique VIII, o primeiro anglicano". Tradução de Rosane Mavignier Guedes. História Viva. Página visitada em 31 de julho de 2015.
  4. a b c d e f g h i j "10 perguntas sobre a Igreja Anglicana". Diocese Anglicana de São Paulo. s/d. Página visitada em 13 de julho de 2015.
  5. a b c d e f g h i Veronese, Michelle. "Igreja Anglicana: Do começo ao fim". Superinteressante. Ed. 255. Agosto de 2008. Página visitada em 5 de julho de 2015.
  6. a b c d e f Member Church - Brazil. Anglican Communion. s/d. Página visitada em 5 de julho de 2015.
  7. a b c d e f g h i j k l m "Episcopal Anglican Church of Brazil to celebrate 125 years". Anglican Communion News Service. 5 de junho de 2015. Página visitada em 5 de julho de 2015.
  8. Kiefer, James. "William Wilberforce, Renewer of Society". Biographical Sketches. Society of Archbishop Justus. 29 de agosto de 1999. Página visitada em 31 de julho de 2015.
  9. Silva, Elisete. "Visões protestantes sobre a escravidão". Centro de Estudos Anglicanos. s/d. Página visitada em 20 de julho de 2015.
  10. a b c d e f g h Departamento de Comunicação "Conheça a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil". Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. s/d. Página visitada em 6 de julho de 2015.
  11. Atrações: Igreja do Redentor. Prefeitura de Pelotas. s/d. Página visitada em 25 de julho de 2015.
  12. SOARES, Sebastião. Diaconia e profecia. Estudos Teológicos. v. 39. n. 3. Escola Superior de Teologia: São Leopoldo, 1999. p. 207-230.
  13. Bassotto, Marinez. "Re-dedicação da Catedral da Santíssima Trindade". Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - Diocese Meridional. 14 de dezembro de 2008. Página visitada em 25 de julho de 2015.
  14. a b c d e f g h i "Anglicanismo – Algumas perguntas e respostas". Diocese Meridional. s/d. Página visitada em 13 de julho de 2015.
  15. "Igreja anglicana abençoa oratório de padroeiros dos gays em MS". G1. 10 de outubro de 2011. Página visitada em 23 de julho de 2015.
  16. "Maria na tradição da Igreja Anglicana". Paróquia São João. Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - Diocese de São Paulo. s/d. Página visitada em 13 de julho de 2015.
  17. Baptista, Eric. Um Amor Maior. Joinville: Clube de Autores, 2015. p.87.
  18. Guibu, Fábio. "Casamento de Pelé terá lagosta e vinho francês". Folha de S. Paulo. 29 de abril de 1994. Página visitada em 25 de julho de 2015.
  19. Piragine, Maria de Lourdes da Rocha. "Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - Paróquia do Salvador, 116 anos de vivência cristã". Agora. Ed. 9720. 31 de agosto de 2010. Página visitada em 25 de julho de 2015.
  20. "Primeiras Palavras". Juventudes: Acolher e Servir. União da Juventude Anglicana do Brasil, 2015.
  21. "Diocese Anglicana do Recife diz não a intolerância". Anglican Communion News Service. 20 de julho de 2015. Página visitada em 25 de julho de 2015.
  22. a b c "“CARACTERISTICAS DA IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA”". Diocese Anglicana de São Paulo. s/d. Página visitada em 13 de julho de 2015.
  23. a b Santos, Gustavo Ferreira, Araújo, Marcelo Labanca e Feliciano, Ivna Cavalcanti. Direito em dinâmica: 25 anos da Constituição de 1988. Recife: Instituto Frei Caneca, 2014.
  24. Cardoso, Fernando. O evangelho inclusivo e a homossexualidade. São Paulo: Clube dos Autores, 2010.
  25. a b c Menezes, Cynara. "Ser gay é pecado?". CartaCapital. 11 de novembro de 2011. Página visitada em 9 de julho de 2015.
  26. a b c Fonseca, Pedro Leal. "Para Igreja Anglicana, decisão do STF é um avanço". Folha de S. Paulo. 12 de maio de 2011. Página visitada em 9 de julho de 2015.
  27. "Igreja Episcopal dos Estados Unidos aprova casamento gay". O Globo. 1° de julho de 2015. Página visitada em 23 de julho de 2015.
  28. Jacob, César Romero. Atlas da filiação religiosa e indicadores sociais no Brasil. Rio de Janeiro: Editora PUC; São Paulo: Edições Loyola, 2003.
  29. a b c "Imprensa generaliza uso “episcopal anglicano” e confunde fiéis da IEAB". Instituto Humanitas Unisinos. 7 de junho de 2013. Página visitada em 7 de junho de 2015.
  30. "COMUNHÃO ECLESIAL DA IGREJA ANGLICANA TRADICIONAL DO BRASIL". Igreja Anglicana Tradicional do Brasil. s/d. Página visitada em 16 de agosto de 2015.
  31. "Cisma". Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 20/03/2004 a 15/09/2005. Página visitada em 6 de julho de 2015.
  32. "IEAB Sofre Boicote e lhe É Retirado o Direito de Participar do III Encontro Anglicano do Sul Global". Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 15 de setembro de 2005. Página visitada em 11 de agosto de 2015.
  33. a b Setor Jurídico da Diocese Anglicana do Recife. "Justiça de Pernambuco Ordena a Devolução dos Templos e Propriedades para IEAB". Palavra Aberta. 21 de julho de 2013. Página visitada em 6 de julho de 2015.
  34. "POSIÇÃO DA IGREJA ANGLICANA REFORMADA DO BRASIL". Olhar Anglicano. 27 de abril de 2015. Página visitada em 16 de agosto de 2015.
  35. Carvalho, Olavo. "Camisa-de-força". Diário do Comércio. 4 de janeiro de 2011. Página visitada em 16 de agosto de 2015.
  36. a b Calvani, Carlos Eduardo. "Fundamentalismo evangélico – ameaça à democracia". Palavra Aberta. s/d. Página visitada em 16 de agosto de 2015.
  37. Martins, Dan. "Pastor compara políticos cristãos a fundamentalistas islâmicos, e afirma que “evangélicos têm um projeto de tomada de poder na sociedade brasileira”". Gospel Mais. 1° de setembro de 2013. Página visitada em 16 de agosto de 2015.
  38. Ribeiro, Jonas. "A Igreja Anglicana no Brasil e o liberalismo". Gospel Mais. 24 de março de 2015. Página visitada em 16 de agosto de 2015.
  39. "Catedral de Santa Maria". Diocese Anglicana da Amazônia. s/d. Página visitada em 25 de julho de 2015.
  40. "História da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil". Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - Paróquia da Trindade. s/d. Página visitada em 9 de julho de 2015.
  41. a b Estrutura. s/d. IEAB. Página visitada em 20 de julho de 2015.
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  43. "Francisco de Assis da Silva elected as primate of Brazil". Episcopal News Service. 19 de novembro de 2013. Página visitada em 20 de julho de 2015.
  44. a b "32º Sínodo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil". Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 18 de novembro de 2013. Página visitada em 2 de agosto de 2015.
  45. Câmara de Clérigos e Leigos. s/d. IEAB. Página visitada em 2 de agosto de 2015.
  46. "IEAB tem novo Secretário Geral". Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 8 de janeiro de 2011. Página visitada em 2 de agosto de 2015.
  47. "Sínodo Ratifica Indicação do Novo Secretário Geral". Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 29 de julho de 2006. Página visitada em 2 de agosto de 2015.
  48. "XXIX Sínodo da IEAB". Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 25 de julho de 2003. Página visitada em 2 de agosto de 2015.
  49. "Bispo Diocesano". Diocese Anglicana de Brasília. s/d. Página visitada em 2 de agosto de 2015.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]