Igreja Presbiteriana Unida do Brasil

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Igreja Presbiteriana Unida do Brasil
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Orientação Calvinista
Ecumênica
Política Presbiteriana
Moderador Presba. Anita Wright Torres
Moderadora do Conselho Coordenador
Área geográfica  Brasil
Fundador Rev. Jaime Wright
Origem 1978 (40 anos)
Vitória, Espírito Santo
Separado de Igreja Presbiteriana do Brasil
Congregações 48 (Janeiro/2011)[1]
Membros 3.466 (estimativa de 2010)[1]
Site oficial ipu.org.br

A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) é uma assembleia de Igrejas Presbiterianas. Sua sede fica em Vitória (Espírito Santo).[2]

Histórico[editar | editar código-fonte]

A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil - IPU foi organizada em 10 de setembro de 1978, com o nome de Federação Nacional de Igrejas Presbiterianas (FENIP) na cidade de Atibaia - SP. Por decisão dos delegados presentes, a instalação efetiva da igreja ficou para o ano de 1979, na cidade de Vitória- ES que é, desde aquele época até os dias atuais, a sua sede administrativa.[3]. As razões de sua criação estão contidas nos seus documentos fundantes, que são: o Manifesto de Atibaia e o Compromisso de Atibaia, o Pronunciamento Social da Igreja Presbiteriana do Brasil, de 1962, o Estatuto Social e os Princípios de Fé e Ordem - PFO. Em julho de 1983, a FENIP alterou sua razão social para Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, adotando-se a sigla IPU.

Por causa de seu pensamento teológico, que incluía a visão ecumênica e a defesa do ministério feminino, alguns líderes passaram a sofrer perseguição dentro da antiga denominação presbiteriana a que pertenciam. Vários destes líderes também não aceitavam a postura conivente e o apoio à ditadura militar oferecido por parte da liderança da igreja, em especial pelo então presidente do Supremo Concílio e, por conta disso, muitos foram perseguidos e expulsos dela.[4]

A partir de 1976, alguns dos mais renomados presbíteros, professores e professoras, pastores e teólogos presbiterianos deram início ao movimento que culminou, em 1978, com a criação da FENIP. O processo de fundação da IPU foi antecedido de três encontros de presbiterianos: O primeiro em Vitória – ES, nas dependências da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, na Reforma de 1977; o segundo na Páscoa de 1978, em Belo Horizonte, nas dependências da Segunda Igreja Presbiteriana de BH e o terceiro e último nas dependências da Igreja Presbiteriana de Atibaia, por ocasião do feriado da Independência de 1978.

Informações Eclesiásticas[editar | editar código-fonte]

A IPU é o mais recente ramo do presbiterianismo do Brasil, em 2011, conta com 48 Igrejas filiadas e cerca de 3500 membros distribuídos em oito presbitérios.

Comunidades Cidades Nº Pastores Nº Membros
Presbitério de Vitória Igrejas: 9 Congregações:3 Cariacica, Colatina, Serra, Vila Velha, Vitória - ES 691
Presbitério de São Paulo Igrejas: 7 Congregações: Barueri, Guarulhos, Jandira, Osasco, São Paulo - SP 676
Presbitério Rio Novo Igrejas: 6 Congregações:1 Recife – PE; Rio de Janeiro, Magé, Queimados - RJ 561
Presbitério de Jundiaí Igrejas: 6 Congregações:1 Altinópolis, Atibaia, Indaiatuba, Itapetininga, Jundiaí - SP 474
Presbitério Erasmo Braga Igrejas: 7 Congregações:4 Ananindeua, Belém – PA, Belo Horizonte - MG, Brasília - DF, Formosa – GO, Pains – MG, Rio Branco – AC 361
Presbitério Centro Norte do ES Igrejas: 3 Congregações: Colatina, São Gabriel da Palha - ES 272
Presbitério do Salvador Igrejas: 6 Congregações: Caetité, Governador Mangabeira, Muritiba, Salvador - BA 247
Presbitério Cidade do Rio de Janeiro Igrejas: 4 Congregações: 1 Rio de Janeiro, Cabo Frio - RJ 184

Estrutura Organizacional e Diferencial Teológico[editar | editar código-fonte]

A IPU é uma igreja reformada que busca uma maior ênfase no papel das igrejas locais, visando incentivar a participação e comprometimento de seus membros. Ao contrário da Igreja Presbiteriana do Brasil e da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, não possui sínodos. As igrejas locais são jurisdicionadas a presbitérios e possuem autonomia administrativa, financeira, orçamentária e patrimonial, ou seja, ao contrário das tradicionais igrejas presbiterianas, o templo e o seu patrimônio pertencem à igreja local, exceto quando a igreja, para se salvaguardar, coloca o seu patrimônio em nome do presbitério. No entanto, a autonomia das igrejas locais não alcança os aspectos teológicos e eclesiológicos. Neste sentido, as igrejas devem se submeter ao governo da IPU, aos seus documentos e cumpri-los integralmente. Há na IPU, ao contrário das demais igrejas presbiterianas, uma força na igreja local, um certo viés congregacionalista, haja vista que cada igreja local tem direito a quatro assentos na Assembleia Geral, ao passo que cada presbitério tem, apenas, dois assentos.[5]

O órgão máximo da IPU é a Assembleia Geral e, no seu interregno, a igreja é administrada por um Conselho Coordenador[6] constituído de cinco membros titulares, além dos suplentes, eleitos em assembléia geral para um mandato de três anos. O Conselho Coordenador é formado de um representante de cada Presbitério da IPU, jurídica e eclesiasticamente constituído, escolhido por um sistema de representação conciliar regional. Cada Igreja local escolhe em AGE, dentre seus pastores e presbíteros, seu representante pré-candidato ao Conselho Coordenador, e o encaminha ao seu Presbitério. Os Presbitérios ao receber os representantes pré-candidatos de cada Igreja, escolhem dentre eles, em AGE, os seus candidatos ao CC-IPU.

A IPU foi a primeira denominação presbiteriana, no Brasil, a ordenar pastoras. A decisão da IPIB de ordenar mulheres ao pastorado ocorreu em 1999, após as ordenações promovidas pela IPU.[7] Desde a sua fundação, em 1978, já trazia entre as diversas propostas de construção de uma igreja livre e contemporânea a ideia do ministério feminino. Os primeiros ministérios femininos ordenados na IPU foram o diaconato e o presbiterato. Embora fosse possível, eclesiologicamente, a ordenação feminina ao pastorado só veio a acontecer treze anos após a fundação da IPU, em 1991, quando o Presbitério Erasmo Braga - PEB, ordenou a Reverenda Maria Luiza Rückert, esposa do Rev. Paulo Roberto Rückert, então pastor titular da Segunda Igreja Presbiteriana de BH. O casal Rückert, egresso da IECLB, possuía sólida formação pastoral e teológica. Posteriormente a família se mudou para Vitória-ES, cidade em que o Rev. Paulo Rückert pastoreou a Segunda Igreja Presbiteriana e ministrou aulas em vários seminários. Sua esposa, Revda. Maria Luíza, foi por cerca de 20 anos, capelã do Hospital Evangélico de Vila Velha. A primeira pastora formada em seminário mantido pela IPU e nela ordenada, foi a Revda. Sônia Gomes Mota, pastora adjunta da Igreja Presbiteriana Unida do Salvador e Diretora Executiva da CESE.

A IPU procura manter um relacionamento fraterno com todas as demais igrejas cristãs e mantém diálogo com religiões não cristãs pautado no respeito e aceitação mútua. Participa ativamente do Conselho Mundial de Igrejas, Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas, Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Mantém parceria oficial com a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, sendo atualmente, a única denominação presbiteriana brasileira que mantém parceria com a Igreja Presbiteriana (EUA).

Hino Oficial[editar | editar código-fonte]

A IPU adotou como seu hino oficial o cântico "Que Estou Fazendo Se Sou Cristão?"[8]. A letra retrata o compromisso cristão contra a injustiça e a opressão gerada pela desigualdade social. Seu autor é o Rev. João Dias de Araújo, e foi publicado no ano de 1967, durante o governo militar.[9]

O texto que, posteriormente, em 1974, foi musicado pelo médico e pianista presbiteriano Décio Emerique Lauretti, está presente em diversos hinários e cancioneiros protestantes: Hinos do Povo de Deus (nº 449), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Hinário para o Culto Cristão (nº 552), da Convenção Batista Brasileira; Cantai Todos os Povos (nº 297), da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.[10]

Logomarca[editar | editar código-fonte]

O símbolo atual da IPU foi aprovado pelo Conselho Coordenador em 23 de maio de 1993. É composto por diversos elementos que rememoram temáticas importantes da tradição cristã. O Arco-íris representa a Aliança de Deus, o perdão e a reconciliação (Gn. 9.8-17). As três faixas no Arco-íris representam a Trindade (Pai, Filho, Espírito Santo). A Cruz Céltica é um ícone da Tradição Reformada e simboliza, por ser vazia, a morte e ressurreição de Jesus Cristo, e também o amor eterno e infinito de Deus, ou seja, não tem início ou fim, como o círculo. O barco, ou arca (Gn 6.14-16), simboliza a Igreja numa perspectiva ecumênica, enquanto as ondas relacionam-se ao mundo, no qual a Igreja vive e age.[11]

Pronunciamentos Oficiais[editar | editar código-fonte]

Desde 2011, a IPU tem emitido através de seu Conselho Coordenador, uma série de pronunciamentos às suas igrejas, presbitérios, demais igrejas cristãs e à sociedade brasileira em geral.

Em 2016 a igreja mostrou apoio ao "aprofundamento das investigações da Operação Lava Jato", porém, com fortes críticas ao "caráter midiático e teatral que os coordenadores da chamada Força Tarefa da Lava Jato têm dado antes, durante e após o cumprimento de cada fase da Lava Jato".[12] A IPU ainda se pronunciou a favor da reforma do sistema político brasileiro, contra a aprovação do texto original da PEC 55/16 do Senado Federal, e contra as propostas originais, defendidas pelo governo, das reformas trabalhista e previdenciária.[13] No ano seguinte, em 2017, subscreveu com as principais igrejas evangélicas históricas e a Aliança Cristã Evangélica Brasileira, documento contra a PEC 287/2016 que trata da Reforma da Previdência.[14]

Moderadores do Conselho Coordenador[editar | editar código-fonte]

Relação dos Moderadores da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil[editar | editar código-fonte]

Moderador Período
Jeferson Ferreira Nunes 1978-1979
Erb Carneiro 1979-1981
Enos Ribeiro de Barros 1981-1983
Celso Loula Dourado 1983-1985
Carlos Alberto C. da Cunha 1985-1987
Claude Emmanuel Labrunie 1987-1989
Mauro Leite Meneguelli 1989-1991
Gerson de A. Meyer 1991-1993
João Dias de Araújo 1993-1995
José de A. Valim Filho 1995-1997
Joaquim Beato 1997-1999
Josué da Silva Melo 1999-2001
Eser Técio Pacheco 2001-2003
Gerson Urban 2003-2005
Manoel de S. Miranda 2005-2008
Enoc Teixeira Wenceslau 2008-2011
Anita Wright Torres 2011-2014
Wertson Brasil de Souza 2014-2017
Anita Wrigt Torres 2017-

Missão Portugal[editar | editar código-fonte]

A IPU mantém desde 2016, com apoio da PCUSA, uma parceria com a Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, que permite o envio de missionários brasileiros para Portugal. A Reverenda Cacilene Nobre foi a primeira missionária enviada ao país, e tem desenvolvido o seu ministério na Igreja Presbiteriana de Setúbal.[15]

Alguns Pastores[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Traço-de-União. Janeiro de 2011
  2. «Contato». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil 
  3. «Sobre a IPU». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil 
  4. Vilela, Márcio. «O JUDICIÁRIO E A LEI DIVINA: João Dias de Araújo e as relações de trabalho na Igreja Presbiteriana do Brasil durante o regime civil e militar». Clio - Revista de Pesquisa Histórica UFPE. Consultado em 19 de abril de 2018. 
  5. «Assembleia Geral». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil 
  6. «Conselho Coordenador». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil 
  7. «IPIB - Revista Alvorada: Lugar de mulher é no púlpito». www.ipib.org. Consultado em 19 de abril de 2018. 
  8. «Hino oficial da IPU». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil 
  9. Luteranos, Portal. «Portal Luteranos | Que estou fazendo se sou cristão». Portal Luteranos 
  10. «"Que estou fazendo se sou cristão?" – Edição 298 | Revista Ultimato». www.ultimato.com.br. Consultado em 19 de abril de 2018. 
  11. «Símbolos da IPU». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil 
  12. «Pronunciamento nº 09/2016». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. 8 de março de 2016 
  13. «Pronunciamento nº 10/2016». Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. 30 de novembro de 2016 
  14. «Pronunciamento das Igrejas Evangélicas Históricas do Brasil e Aliança Evangélica sobre Reforma Previdenciária». www.metodista.org.br. Consultado em 19 de abril de 2018. 
  15. «IEPP». www.iepp.org. Consultado em 19 de abril de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]