Eletrobras Eletronorte

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Eletronorte
Sociedade de economia mista
Atividade Energia Elétrica
Fundação 20 de junho de 1973 (47 anos)
Sede Brasília, Distrito Federal
Proprietário(s) Eletrobras
Pessoas-chave Roberto Parucker
(diretor-presidente)[1]
Empregados 2.734 (2019)[2]
Ativos R$ 27,636 bilhões (2019)[2]
Lucro R$ 1,759 bilhão (2019)[2]
Website oficial www.eletronorte.gov.br

Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A, conhecida como Eletronorte, é uma empresa do setor elétrico do Brasil, com sede no Distrito Federal. Criada em 20 de junho de 1973, é uma subsidiária da Eletrobrás, sendo uma empresa de economia mista que atua no segmento de geração e transmissão de energia elétrica de alta e extra-alta tensão na Região Amazônica. Por meio do Sistema Interligado Nacional, comercializa energia em todo o território nacional. Em 2019, era a terceira maior geradora de energia do Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1968, o Comitê Coordenador de Estudos Energéticos da Amazônia (Eneram) recomendou a criação da Eletronorte, que seria responsável por explorar o potencial hidrelétrico da Região Norte.[3] A Eletronorte foi prevista na Lei nº 5.824, de 14 de novembro de 1972,[4] sendo constituída em 20 de junho de 1973 como uma das quatro subsidiárias regionais das Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), uma empresa do governo federal criada em 1962 para ser responsável pela política energética do país.[5] Incumbida de produzir energia elétrica na região amazônica, o estabelecimento da Eletronorte fez com que a Eletrobras passasse a atuar em todo o território nacional.[3]

Em 1973, a Eletronorte foi autorizada a operar como concessionária de energia elétrica pelo Decreto nº 72.548.[6] Na época, a região era responsável por produzir apenas 2% do total nacional. Inicialmente, a Eletronorte atuou nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso (ao norte do paralelo 18º sul) e Goiás (ao norte do paralelo 15º sul), bem como nos territórios do Amapá, Roraima e Rondônia. Em 1980, passou a abranger ainda os estados de Maranhão e todo o Mato Grosso.[3] Em 1975, inaugurou sua primeira hidrelétrica, a Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes, no Amapá.[7] Na década de 1980, construiu a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, uma das usinas com maior potencial energético do Brasil.[8]

Ainda em seu primeiro ano de funcionamento, a Eletronorte se transformou em exportadora de energia, mantendo crescentes superávits nas trocas de energia com a Eletrobras Chesf. Em virtude das caraterísticas da região, a Eletronorte optou por desenvolver sistemas isolados nas capitais estaduais ao invés de um sistema único, contínuo e interligado, eis que esta opção demandaria altos custos financeiros. Em 1989, foram inauguradas as usinas de Balbina e Samuel. Mais tarde, assumiu o controle dos sistemas de geração térmica de todas as capitais estaduais do norte.[3]

Na década de 1990, em decorrência da crise econômica e financeira que afetava o país, a Eletronorte adiou várias obras e, com a decisão do governo federal de baixar a inflação através da diminuição do preço da luz, também acumulou prejuízos financeiros, que eventualmente prejudicaram os investimentos e levaram a um "racionamento velado." A partir do governo de Itamar Franco, houve uma redução da influência estatal na economia.[3] Durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, a empresa foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND).[9]

Em 1998, o presidente FHC sancionou a Lei nº 9.648, desmembrando a Eletronorte em seis empresas (sociedades por ações), sendo duas para a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, uma para a geração pela usina hidrelétrica de Tucuruí, uma para a geração nos sistemas elétricos dos estados do Acre e Rondônia, uma para geração no Estado do Amapá e outra para a transmissão de energia elétrica.[10] Em 2004, foi retirada do PND pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.[3]

Em 2016, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte foi inaugurada. Os estudos iniciais para o aproveitamento hidrelétrico da Bacia do Rio Xingu foram realizados pela Eletronorte na década de 1980. Com a construção, tornou-se a distribuidora, bem como detentora de 19,98% de suas ações.[11][12]

Em 2020, a Eletronorte relatou um lucro líquido de R$ 1,759 bilhão ao longo de 2019, possuindo um patrimônio líquido de R$ 17,697 bilhões. Informou, ainda, possuir R$ 27 bilhões em ativos e manter 11,1 mil quilômetros de linhas de transmissão. Era a terceira maior distribuidora de energia elétrica do país.[2]

Multas[editar | editar código-fonte]

Em 2011, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) manteve uma de R$ 2,9 milhões aplicada à Eletronorte em decorrência de descumprimento de resolução normativa que versava sobre desligamentos e falhas na transmissão de energia.[13]

Em 2014, a ANEEL decidiu manter a aplicação de multa de cerca de R$ 5 milhões à Eletronorte devido a uma falha que provocou o desligamento geral da Subestação Imperatriz, no Maranhão, em 22 de setembro de 2012. A ANEEL informou que a multa era motivada pela abrangência, gravidade e danos resultantes aos usuários.[14]

Em 2017, a ANEEL voltou a multar a Eletronorte, por falhas na transmissão de energia, em R$ 1,8 milhão.[15]

Dados operacionais[editar | editar código-fonte]

Em março de 2020, a Eletronorte informou os seguintes dados operacionais, relativos ao ano anterior:[2]

Potência instalada (em MW): 8.860,05

Linhas de transmissão (em kms): 11,194 mil

Subestações: 48

Usinas hidrelétricas
Usinas Termelétricas

Resultados financeiros e operacionais[editar | editar código-fonte]

Em março de 2020, a Eletronorte prestou, em seu relatório financeiro, as seguintes informações:[2]

Referências

  1. «Roberto Parucker assume a Presidência da Eletronorte». Consultado em 7 de setembro de 2020 
  2. a b c d e f «Demonstrações financeiras & relatório da administração 2019» (PDF). Eletrobras Eletronorte. 31 de março de 2020. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  3. a b c d e f «CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S. A. (ELETRONORTE)». Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  4. «LEI Nº 5.824, DE 14 DE NOVEMBRO DE 1972». Governo Federal. 14 de novembro de 1972. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  5. Paulo Brandi (2009). «ELETROBRAS (Centrais Elétricas Brasileiras S. A.)». Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  6. «Decreto nº 72.548, de 30 de Julho de 1973». Câmara dos Deputados do Brasil. 30 de julho de 1973. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  7. «Hidrelétrica Coaracy Nunes completa 40 anos interligada ao SIN». Diário do Amapá. 12 de janeiro de 2016. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  8. «Eletronorte tem interesse em prorrogar contrato de concessão de Tucuruí». Canal Energia. 4 de setembro de 2019. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  9. «DECRETO Nº 1.503, DE 25 DE MAIO DE 1995». Planalto. 25 de maio de 1995. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  10. «LEI Nº 9.648, DE 27 DE MAIO DE 1998». Planalto. 27 de maio de 1998. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  11. Tânia Caliari (7 de novembro de 2017). «Belo Monte está de pé, mas precisa de mais dinheiro para ficar pronta». Pública. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  12. «Estudos para construção de Belo Monte começaram na década de 70». Agência Senado. Senado Federal do Brasil. 19 de maio de 2010. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  13. «Diretoria da ANEEL confirma multa à Eletronorte». Agência Nacional de Energia Elétrica. 24 de novembro de 2011. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  14. «Agência mantém multa aplicada a Eletronorte». Agência Nacional de Energia Elétrica. 15 de agosto de 2014. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  15. «Aneel mantem multa de R$ 1,86 milhão para Eletronorte por falhas na transmissão». Canal Energia. 18 de setembro de 2017. Consultado em 1 de setembro de 2020 
  16. Caso da U.H.E de Curuá-Una - PUC-Rio
  17. UHE Curuá-Una - Eletronorte

Links externos[editar | editar código-fonte]