Banco do Nordeste

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Banco do Nordeste
Banco do Nordeste do Brasil S.A.
Slogan Banco do Nordeste, aqui dá certo.
Tipo Empresa de capital aberto
Cotação BM&F Bovespa: BNBR3
Indústria Serviços financeiros
Gênero Sociedade de economia mista
Fundação 19 de julho de 1952 (64 anos)
Sede Fortaleza,  Ceará,  Brasil
Áreas servidas  Alagoas, Bahia Bahia,  Ceará,  Maranhão,  Paraíba,  Pernambuco,  Piauí,  Rio Grande do Norte,  Sergipe,  Minas Gerais e  Espírito Santo
Proprietário(s) Governo Brasileiro
Presidente Marcos Holanda
Empregados 7.231 [1]
Produtos Bancos
Acionistas Governo Brasileiro (mais de 90%)
Lucro BaixaR$ 305,7 milhões (2015) [1]
Faturamento AumentoR$ 7,45 bilhões (2015) [1]
Página oficial www.bancodonordeste.gov.br

O Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB) é uma instituição financeira estatal, constituída na forma de sociedade de economia mista, de capital aberto. É controlada pelo Governo Federal Brasileiro, que tinha, em 2013, 98,63% de seu capital.[2] Sua sede é localizada na cidade de Fortaleza, estado do Ceará. É um banco múltiplo com características de um banco de desenvolvimento e tem por finalidade promover o desenvolvimento sustentável da Região Nordeste do Brasil, por meio do apoio financeiro aos agentes produtivos regionais. Sua missão, segundo sua filosofia corporativa, é atuar na promoção do desenvolvimento regional sustentável, como banco público competitivo e rentável.

Em 2012, iniciou uma nova fase de expansão, aumentando em mais de 50% a sua rede de agências até o final de 2014.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Ex-logomarca do BnB utilizada em papéis institucionais até fins da década de 1960.

Ao retornar de uma viagem ao Nordeste para ver de perto os estragos causados pela seca de 1951,o então Ministro da Fazenda, Horácio Láfer, apresentou exposição de motivos ao Presidente Getúlio Vargas para a fundamentação da lei que criaria o Banco. Foi criado pela Lei Federal nº 1.649, de 19 de julho de 1952, como uma instituição financeira múltipla e organizada sob a forma de sociedade de economia mista, de capital aberto, tendo mais de 90% de seu capital sob o controle do Governo Federal[2].

Com sede na cidade de Fortaleza, Ceará, no bairro Passaré, por meio de 300 agências[3] o Banco atua em 1.990 municípios, abrangendo os nove estados da Região Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), o norte de Minas Gerais (incluindo os Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e o norte do Espírito Santo, compreendendo 1,7 mil km²[2]. Este área de abrangência é definida pela área de atuação do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE)[4].

Maior instituição da América do Sul voltada para o desenvolvimento regional, o Banco do Nordeste opera como órgão executor de políticas públicas, cabendo-lhe a operacionalização de programas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e a administração do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), principal fonte de recursos operacionalizada pela Empresa. Além dos recursos federais, o Banco tem acesso a outras fontes de financiamento nos mercados interno e externo, por meio de parcerias e alianças com instituições nacionais e internacionais, incluindo instituições multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).[5]

Agência em Pau dos Ferros, RN.

Previsto na própria Lei de criação do Banco, o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE) começou a organizar-se nos primeiros meses de 1954, e contou com a cooperação técnica de missões externas de alto nível, que apoiaram o Banco em seus primeiros passos. O ETENE tem-se mantido, ao longo de sua história, como diferenciador do Banco em relação às demais instituições financeiras, pela geração de uma das mais consistentes e respeitadas bases de dados sobre a economia e em outros aspectos da realidade nordestina.[6]

Política econômica[editar | editar código-fonte]

Rodovia PI-115, trecho que liga São Miguel do Tapuio a Assunção do Piauí, asfaltado em 2013[7] com financiamento conjunto do Banco do Nordeste e do BNDES.

O Banco do Nordeste é responsável pelo maior programa de microcrédito produtivo orientado da América do Sul, o CrediAmigo, cuja metodologia de formação de grupos solidários dispensa apresentação de garantias. Sua clientela representa 24,6% do mercado elegível de microfinanças em sua área de atuação, que é composto por 3,9 milhões de microempreendedores. O Banco do Nordeste também opera o Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE), criado para estruturar o turismo da Região com recursos da ordem de US$ 800 milhões.

São clientes do Banco os agentes econômicos e institucionais e as pessoas físicas. Os agentes econômicos compreendem as empresas (micro, pequena, média e grande empresa), as associações e cooperativas. Os agentes institucionais englobam as entidades governamentais (federal, estadual e municipal) e não-governamentais. As pessoas físicas compreendem os produtores rurais (agricultor familiar, mini, pequeno, médio e grande produtor) e o empreendedor informal.

O Banco do Nordeste exerce trabalho de atração de investimentos, apoia a realização de estudos e pesquisas com recursos não-reembolsáveis e estrutura o desenvolvimento por meio de projetos de grande impacto. Mais que um agente de intermediação financeira, o Banco do Nordeste se propõe a prestar atendimento integrado a quem decide investir em sua área de atuação, disponibilizando uma base de conhecimentos sobre o Nordeste e as melhores oportunidades de investimento na região.

A partir da experiência com o Crediamigo, foi criado o Agroamigo, voltado ao microcrédito de agricultores familiares, enquadrados no Pronaf.

Centro administrativo[editar | editar código-fonte]

Sede Administrativa em Fortaleza, Ceará.

Localizado no bairro do Passaré, em Fortaleza, Ceará, está o Centro Administrativo Presidente Getúlio Vargas (CAPGV), sede atual do banco. Inaugurado em 1984 e contando com uma área de mais de 120 mil metros quadrados, o CAPGV conta com vários edifícios, sendo o maior bloco destinado à administração do banco, e os demais relacionados à estrutura de TI, Universidade Corporativa, Gabinete da Diretoria, Agência, Auditórios e Áreas Comuns.

Ainda em Fortaleza, estão algumas empresas relacionadas:

  • Camed (Plano de Saúde dos Funcionários e Seguradora)
  • CAPEF (Plano de Previdência Complementar dos Funcionários)
  • BNB Clube
  • Instituto Nordeste Cidadania (INEC).

Instituto Nordeste Cidadania[editar | editar código-fonte]

Instituto Nordeste Cidadania (INEC) é uma entidade civil, sem fins lucrativos, constituída em 27 de fevereiro de 1996 por funcionários do Banco do Nordeste, que contribuem financeiramente, e de modo voluntário, para a realização de suas atividades. Em 1993, surge como Comitê de Ação da Cidadania dos Funcionários do BNB, inicialmente com ações emergenciais, com a doação de cestas básicas, roupas e brinquedos.

Em 1996, é nomeado Instituto Nordeste Cidadania, sendo formalizado como Organização Não-Governamental - ONG, intensificando a implantação de projetos produtivos geradores de emprego e renda. Anos depois, é qualificado como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), passando a manter os projetos de desenvolvimento comunitário e, mediante Termo de Parceria, passando a operacionalizar programas Crediamigo e Agroamigo.

Visão lateral de um dos blocos de trabalho a partir da praça Jader Colares, área interna do Centro Administrativo.

Hub de Inovação do Nordeste[editar | editar código-fonte]

O Hub de Inovação do Nordeste (HUBINE) é um braço do Banco do Nordeste com o objetivo de dar suporte a iniciativas empreendedoras nas áreas de tecnologia da informação e comunicação[8].

O HUBINE nasceu em 2016, quando o então ministro das Comunicações, André Figueiredo, juntamento com o presidente do banco, Marcos Holanda, idealizaram uma proposta de criação de um centro de pesquisa em inovação com foco da em telecomunicações[9].

O prédio do HUBINE será construído dentro do complexo administrativo do banco, o qual terá o projeto arquitetônico escolhido através de um concurso. O novo espaço contará com áreas de coworking, suporte técnico, e orientação gerencial e financeira[10].

Criatec[editar | editar código-fonte]

Desde a sua primeira edição, o Banco do Nordeste é cotista dos fundos Criatec. Os fundos Criatec iniciaram sua série em 2007 com o objetivo de realizar investimento em empresas nascentes de rápido crescimento em diversas áreas de tecnologia[11]. Os fundos são geridos por investidores privados, mas recebem aportes de bancos públicos como BNDES, BRB e BNB, e agências de fomento[12].

Edição Lançamento Valor Total Aporte do BNB[13] Percentual de Participação Gestores
Criatec I 2007 R$ 100 Milhões R$ 20 Milhões 20% Antera Gestão de Recursos e Instituto de Inovação[14]
Criatec II 2013 R$ 185 Milhões R$ 30 Milhões 16,2% Bozano Investimentos[15]
Criatec III 2016 R$ 220 Milhões R$ 20 Milhões 9% Inseed Investimentos[16]

BNBPAR[editar | editar código-fonte]

Logomarca dos 50 anos.

Durante o processo de recriação da SUDENE em 2005 no Governo Lula, políticos e empresários tentaram criar no Banco do Nordeste um braço focado em investimento direito[17]. Chamado BNBPAR, a ideia seria permitir que a instituição fizesse aportes diretos em empresas de sua área de atuação, funcionando similarmente ao BNDESPAR[18]. Ao fim, o projeto não seguiu em frente, sob a alegação dos riscos que acarretaria a instituição financeira, a sobreposição de responsabilidades com o BNDESPAR, e mais importante, a alegada falta de empresas de porte suficiente que viabilize este tipo de captação[19][20].

Uma década depois, em 2015, durante a gestão do presidente Nelson de Souza, o banco elaborou um projeto interno de criação do BNBPAR e encaminhou para apreciação e aprovação do Ministério da Fazenda[21][22]. A situação do BNBPAR segue indefinida.

Centro Cultural Banco do Nordeste[editar | editar código-fonte]

Em 1998, o Banco do Nordeste decidiu investir em cultura como forma de integrar a instituição com o povo, fundando em Fortaleza a primeira unidade do Centro Cultural Banco do Nordeste. Em 2006, a cidade de Juazeiro do Norte (CE) foi contemplada com uma nova unidade do Centro; no ano seguinte, foi a vez de Sousa (PB). Há um fundo editorial para literaturas contextualizadas com a cultura e expressões da área de abrangência do Banco do Nordeste[23]. Uma das obras editadas é um Adagiário Brasileiro do folclorista Leonardo Mota.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Banco do Nordeste

Referências

  1. a b c «Demonstrações Financeiras». Consultado em 2016-4-14. 
  2. a b c «Demonstrações Contábeis do Bando do Nordeste 2013» (PDF). 31 de dezembro de 2013. Arquivado desde o original (PDF) em 4 de maio de 2014. Consultado em 4 de maio 2014. 
  3. «Banco do Nordeste inaugura 300ª agência - Notícias - Banco do Nordeste». www.bnb.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  4. Ministério da Integração Nacional. «Ministério da Integração Nacional - FNE.». Governo Federal. Consultado em 17/07/2014 16:16:00. 
  5. Banco do Nordeste do Brasil (21/06/2014). «Portal do Banco do Nordeste do Brasil.». Consultado em 21/06/2014. 
  6. ETENE. «Conheça o ETENE.». ETENE. Consultado em 17/07/2014 16:21:00. 
  7. http://180graus.com/piaui/regiao-norte-do-estado-do-piaui-recebe-visita-do-governador-wilson-martins#/0
  8. «BNB lança chamada pública para projeto arquitetônico de Hub de inovação Tecnológica | Blog do Eliomar». Blog do Eliomar. 2016-05-02. Consultado em 2016-05-31. 
  9. «MC e Banco do Nordeste planejam hub de inovação - Ministério das Comunicações». www.comunicacoes.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  10. «BNB lança chamada pública para arquitetos - Negócios - Diário do Nordeste». Diário do Nordeste. Consultado em 2016-05-31. 
  11. «Fundos da Série Criatec - BNDES». www.bndes.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  12. «Criatec III - BNDES». www.bndes.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  13. «Banco do Nordeste integra fundo de apoio a empresas inovadoras - Notícias - Banco do Nordeste». www.bnb.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  14. «Criatec I - BNDES». www.bndes.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  15. «Criatec II - BNDES». www.bndes.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  16. «Criatec III - BNDES». www.bndes.gov.br. Consultado em 2016-05-31. 
  17. «Notícias». www.debentures.com.br. Consultado em 2016-05-31. 
  18. «Notícias». www.debentures.com.br. Consultado em 2016-05-31. 
  19. «Senado Federal - Jornal do Senado - Impressão». www12.senado.leg.br. Consultado em 2016-05-31. 
  20. «Economista questiona as garantias do BNBPAR - Negócios - Diário do Nordeste». Diário do Nordeste. Consultado em 2016-05-31. 
  21. «BNB estuda participar dos investimentos». 7 de novembro de 2015. Consultado em 27 de fevereiro de 2015. 
  22. «Lucro de R$ 747,4 mi em 2014, alta de 107%». 24 de fevereiro de 2015. Consultado em 27 de fevereiro de 2015. 
  23. MOTA, Leonardo. Adagiário Brasileiro. Fortaleza; Divisão de monografia do Banco do Nordeste do brasil S/A, 1991