Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo

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Sociedade Anônima
Slogan Trabalha, confia e desenvolve.
Atividade Banco
Fundação 20 de fevereiro de 1967 (52 anos)
Sede Vitória Vitória,  Espírito Santo,  Brasil
Pessoas-chave Aroldo Natal Silva Filho
(Diretor-Presidente)
Website oficial www.bandes.com.br

O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A (Bandes) é uma instituição financeira, cujo negócio é a promoção do desenvolvimento sustentável do Estado do Espírito Santo. Foi criado em 20 de fevereiro de 1967, pela lei 2.279 de 01º de fevereiro de 1967, inicialmente com o nome de Companhia de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo (Codes), durante o governo Christiano Dias Lopes Filho, com a missão de atuar como principal instrumento de revitalização da economia capixaba, abalada pela política de erradicação dos cafezais, já que, à época, a cafeicultura era a principal atividade econômica do Espírito Santo. [1]

Em 21 de novembro de 1969, instituída pela lei 2.413, de 1969 e pela Carta Patente I – 333 de 11 de dezembro de 1969 pelo BACEN), a Codes foi transformada em Bandes, com atribuições e responsabilidades delineadas pelo Banco Central do Brasil: operar com financiamentos a médio e longo prazos. Ao longo dos anos, o Bandes contribuiu para o crescimento de pequenas, médias e grandes empresas capixabas, rurais e urbanas, gerando renda, emprego e competitividade.[1]

Hoje, o Bandes atua com recursos próprios e é agente credenciado repassador de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e, portanto, alavanca recursos federais para serem aplicados em projetos produtivos no Espírito Santo, por meio de linhas de financiamento que tenham esse banco como fonte. Além disso, o Bandes é gestor de diversos fundos, como o Funres (Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo), criado em 1969 (pelo Decreto 880/69). A partir de 1970, o Bandes passou a gerir os recursos provenientes do Fundap (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias), então recém-criado. A partir de 2003, o Fundapsocial (Fundo para Financiamento de Micro e Pequenos Empreendimentos e Projetos Sociais), criado em 2004, também entrou para a carteira da instituição. Mais recentemente, o Bandes assumiu a gestão financeira dos pagamentos por serviços ambientais efetuados pelo Fundágua, cujas primeiras liberações aconteceram em 2008. Saliente-se que o banco, a partir de 2006, teve concluída sua modernização, tornando-se mais ágil, atual e pronto para atender às demandas dos empreendedores capixabas.[2]

Personalidade jurídica[editar | editar código-fonte]

O Bandes é uma instituição financeira, constituída sob a forma de  Sociedade Anônima de Economia Mista.

Missão[editar | editar código-fonte]

Fomentar o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo, viabilizando investimentos através de soluções financeiras e estratégicas para gerar emprego, renda e competitividade da economia.[3]

Segmentos prioritários[editar | editar código-fonte]

Ao longo de suas quase cinco décadas de história, o Bandes viabilizou grande parte dos empreendimentos que permitiram o crescimento da economia do Espírito Santo. Hoje, com forte atuação no microcrédito e no crédito rural, com fortalecimento da agricultura familiar e crédito para micro e pequena empresa, o banco financia projetos para empresas de todos os portes, do micro ao grande empreendimento, com objetivos diversos: implantação, ampliação, formalização e modernização de empresas e empreendedores dos vários setores da economia (agropecuária, indústria e serviços).[3] São prioridades:

  • O micro e o pequeno empreendimento (pessoa física ou jurídica)
  • O interior do Estado do Espírito Santo
  • O agronegócio, especialmente a cafeicultura, a pecuária e a fruticultura
  • A inclusão social e econômica, por meio do trabalho
  • Os arranjos produtivos locais e o adensamento das cadeias produtivas
  • As exportações
  • A inovação tecnológica
  • Economia Criativa
  • Economia Verde
  • Turismo

Em praticamente em todos os setores da economia capixaba há a participação do banco, concorrendo para o desenvolvimento e competitividade do Espírito Santo. O Bandes financiou os primeiros sistemas de irrigação do Estado, ajudou a fomentar a implantação da cultura do mamão e da goiaba na Região Norte, entre outras iniciativas. A macadâmia, a pimenta-do-reino, o cogumelo, o palmito-pupunha, a seringueira, culturas sem muita tradição em terras capixabas, mas que com a persistência e trabalho do banco e de seus parceiros como a Secretaria Estadual de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e o Instituto Capixaba de Assistência Técnica, Pesquisa e Extensão Rural (Incaper), passaram por significativo desenvolvimento, mudando a face da agricultura capixaba.

Na área industrial, há o pioneirismo na criação da Realcafé, em 1971, empresa criada pela instituição (Bandes) e que, posteriormente, teve suas ações transferidas para a iniciativa privada. Também tiveram o fomento do Bandes as empresas Tracomal, em Ecoporanga, Frisa, em Colatina, Fiesa, em Ibiraçu, Uniaves, em Castelo, Trop Frutas, em Linhares, a indústria de rochas ornamentais, nos pólos de Cachoeiro de Itapemirim e Nova Venécia, todos esses investimentos estruturadores de cadeias produtivas locais.[4]

Desde a atuação no aparelhamento do setor público, com os estudos e apoio para a constituição de inúmeras empresas e instituições que foram e são importantes para o Estado, até a capacitação de mão-de-obra para enfrentar a demanda que viria a ser exigida pelas empresas que se implantariam por aqui, especialmente por meio do apoio a realização de pós-graduações, o Bandes ganhou importância e cresceu com o Espírito Santo ao longo de sua história. Até 1998, todos os hotéis classificados do Estado haviam sido financiados pelo Bandes, que também foi o pioneiro na criação dos centros tecnológicos setoriais de mármore e granito, de confecções, da indústria metalomecânica, e da Feira do Mármore e do Granito.

Funções[editar | editar código-fonte]

Atualmente, mais moderno e com soluções de crédito diversificadas, o reposicionamento que o Bandes conquistou na sociedade é fruto de uma reestruturação interna iniciada em 2003, quando modernizou suas instalações físicas internas e externas, redesenhou sua estrutura operacional, introduziu novos conceitos de trabalho em equipe e a implantação de um novo modelo de atendimento, com a criação de um espaço de atendimento ao cliente e de um serviço de informações por telefone via 0800. Dentro desse novo posicionamento, três funções passaram a ser exigidas da instituição:

Agente financeiro de investimentos, por meio do financiamento de projetos e planos de negócios para implantação, ampliação, modernização e qualificação de empreendimentos localizados no Espírito Santo.

Agente de fomento e promoção da competitividade da estrutura econômica estadual, por meio da participação, junto com outras instituições públicas do Estado, de conselhos ou colegiados temáticos que buscam fortalecer a competitividade da economia capixaba. Assim, o Bandes é membro, entre outros, do Programa de Incentivo ao Investimento no Estado do Espírito Santo (Invest-ES), do Conselho Gestor do Programa de Microcrédito do Governo do Estado (Nossocrédito), do Conselho deliberativo do Sebrae-ES, do Conselho para Incremento da Competitividade Sistêmica do Espírito Santo (Compete-ES), do Conselho Estadual de Turismo (Contures), do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (Concitec) e do Comitê de Desenvolvimento Econômico.

Agente de formulação e articulação de interesses governamentais, empresariais, setoriais e regionais, por meio da participação em fóruns, seminários e entidades que deliberam ações e procedimentos para atividades voltadas para o desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo.

Esse investimento veio acompanhado de um intenso trabalho para a democratização do crédito com a intensificação dos programas para empreendedores de baixa renda, a articulação de parcerias de negócio e institucionais e a nova política de pessoal voltada para a capacitação e valorização do colaborador; além do desenvolvimento de um sistema de informática que atende às necessidades do banco desde a solicitação até o acompanhamento dos financiamentos, referência para outras instituições de fomento.

Apoio aos micro e pequenos empreendimentos[editar | editar código-fonte]

O Bandes financia projetos, planos de negócios e solicitações de financiamento para implantação, ampliação, modernização e relocalização, para empresas e empreendedores:

  • Dos vários setores da economia (agropecuária, indústria e serviços);
  • Dos vários segmentos (micro, pequeno, médio e grande empreendedor e empresa)
  • Das áreas urbanas e rurais;
  • De várias origens (privada e pública);
  • De variada clientela (pessoas físicas e jurídicas)

Com um leque diversificado de soluções de crédito, os empreendedores podem contar com linhas de financiamento do Bandes para praticamente todos os objetivos de uma empresa, esteja ela constituída em áreas rurais ou urbanas. O banco pode oferecer alternativas de crédito desde produtores rurais de base familiar a empresários de agronegócios, desde proprietários de pequenos estabelecimentos de comércio e serviços a industriais de grande porte com empreendimentos localizados no Espírito Santo.

Interiorização do desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Além de atuar em grandes projetos, por meio das linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), o Bandes consolidou a sua atuação no crédito rural, com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), cuja origem dos recursos é o próprio BNDES, e “encarou o desafio” de ampliar o acesso ao crédito urbano fora da Região Metropolitana da Grande Vitória.

Fundos[editar | editar código-fonte]

No dia 18 de setembro de 1969, através do Decreto-Lei 880, foi criado o Fundo de Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo (Funres), que teria como principal fonte de recursos parcela do imposto de renda de contribuintes domiciliados no Espírito Santo. Esse mesmo decreto criou o Grupo Executivo para a Recuperação Econômica do Estado do Espírito Santo (Geres), para administrar e disciplinar os recursos e os incentivos.

No dia 28 de novembro de 1969, através da Lei 2.469, o Governo do Estado autorizou que contribuintes do ICM (atual ICMS) pudessem deduzir parte do imposto a ser recolhido em favor do Funres e indicou o Bandes como depositário desses recursos.

Assim, ainda em seus primórdios, o Bandes recebeu a missão de ser o agente técnico e financeiro do sistema de incentivos fiscais, que objetivava viabilizar a implantação, ampliação, modernização e relocalização de empreendimentos produtivos no Estado do Espírito Santo.

Em 22 de maio de 1970, através da Lei 2.508, o Governo do Estado criou o Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), um incentivo financeiro para incrementar e diversificar o intercâmbio comercial com o exterior e dinamizar a utilização de nossa infraestrutura portuária. O Bandes foi nomeado gestor financeiro e técnico do Fundap.

Em 1993, foi criado o Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia e o Bandes foi designado como agente financeiro.

Em 16 de maio de 2003, através do Decreto nº 1.152-R, o Governo instituiu o Programa de Incentivo ao Investimento no Estado do Espírito Santo (Invest-ES), que tem como objetivos estimular a realização de investimentos, a renovação tecnológica e o aumento da competitividade estadual. O Bandes faz o papel de secretaria executiva e é, também, agente técnico. Os incentivos são baseados na redução do ICMS.

Em 12 de agosto de 2004, através do Decreto 1.366-R, o Governo do Estado instituiu o Fundapsocial, tendo por objetivo o financiamento a micro e pequenas empresas industriais, comerciais e de serviços, micro-empreendedores, inclusive do setor informal, e a projetos sociais e culturais.[5]

Programa Nossocrédito[editar | editar código-fonte]

Com os recursos do Fundapsocial, o Programa Nossocrédito está presente em todo o Espírito Santo. Iniciado em outubro de 2003, o Programa de Microcrédito do Espírito Santo apoia microempreendimentos formais ou informais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e favorecendo o processo de inclusão social no Espírito Santo. São mais de R$ 270 milhões em créditos concedidos em cinco anos de operação, com juros de 1% ao mês, gerando e mantendo quase 60 mil postos de atuação. A iniciativa é resultado de uma parceria do Bandes com o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), a Secretaria de Estado do Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), as prefeituras e o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae).[6]

Atendimento

A legislação prevê que os bancos de desenvolvimento podem ter apenas sede na Capital do Estado que representam (Resolução do Banco Central do Brasil número 394 de 1976). Para aumentar a sua capilaridade, o Bandes apostou em parcerias e criou uma rede de parceiros-consultores por todo o território do Espírito Santo, incrementando ao atendimento realizado na sede da instituição. São os parceiros-consultores que elaboram e encaminham os projetos de financiamento para o banco. No caso do Programa Nossocrédito, o atendimento aos clientes é realizado nas unidades específicas do Programa, espalhadas por todo Espírito Santo. Os tomadores também podem acessar os endereços e telefones das agências pelo site do banco. Os clientes e interessados dispõem também do Bandes Atende (0800 283 4202), com uma central telefônica disponível para esclarecer dúvidas e dar instruções sobre o andamento das solicitações de financiamento em tramitação no banco.

Merece destaque como ferramenta de relacionamento com os consultores o site do Bandes, que passou por uma reestruturação em 2010, englobando iniciativas pensadas para torná-lo um canal direto e exclusivo, permitindo o relacionamento cada vez mais próximo entre o banco e seus públicos prioritários. Para isso, foi redefinido o conteúdo do site, permitindo maior facilidade de navegação do usuário, novo layout, mais leve, e a disponibilidade de novos serviços para os consultores de forma a permitir a interatividade. Com o novo site os consultores passaram a ter acesso a informações sobre sua carteira de clientes, podendo pesquisar o andamento e as possíveis pendências das solicitações de financiamento e solicitar relatórios de desempenho que serão enviados por e-mail no mesmo dia, por exemplo.


Centro de Documentação e Memória Bandes (CDM)[editar | editar código-fonte]

O Centro de Documentação e Memória Bandes (CDM) é um espaço reservado à preservação da memória institucional, à preservação e à produção de conhecimento e aos estudos.

Criado em dezembro de 2010, o CDM tem por objetivo zelar pela preservação da memória institucional do Bandes, além de fomentar um melhor conhecimento da sua história, suas ações e demais informações pertinentes a esses temas. Possui uma exposição permanente sobre a história do Bandes, com painéis expográficos e documentos com caráter museológico, sala de projeção para pequenos grupos, mesa para estudos, arquivo deslizante com materiais históricos e conta com um diferencial com relação aos demais Centros de Memória: uma biblioteca que congrega um sem-número de títulos não apenas sobre o banco, mas sobre áreas afins como Economia, Contabilidade, Direito, Administração e História, além de periódicos atualizados.[3]

O CDM Bandes situa-se no primeiro andar do edifício do Bandes e está aberto para visitação e pesquisa para a sociedade, de terça a sexta-feira, das 12h às 18h.


Diretores-presidentes[5][editar | editar código-fonte]

Nome Período
Arthur Carlos Gerhardt Santos (03/02/1967 a 05/06/1970)
Lenaldo da Silva Amaral (05/06/1970 a 16/04/1975)
Alziro Assumpção Valejo da Silva (16/04/1975 a 22/03/1979)
Marcílio Toledo Machado (22/03/1979 a 28/03/1983)
Antônio Caldas Brito (28/03/1983 a 25/05/1987)
João Felício Scárdua (02/07/1987 a 14/01/1988)
Odilon Borges Júnior (14/01/1988 a 24/05/1991)
Adilson Tostes Drubscky (24/05/1991 a 17/02/1993)
João Luiz de Menezes Tovar (17/02/1993 a 07/02/1995)
Orlando Caliman (07/02/1995 a 18/03/1996)
Sérgio Manoel Nader Borges (18/03/1996 a 02/04/1998)
Fernando Augusto Barros Bettarello (02/04/1998 a 26/01/1999)
João Luiz de Menezes Tovar (26/01/1999 a 31/01/2001)
Elmar Bressanelli (31/01/2001 a 24/01/2002)
Marcus Alexandre Fundão Pessoa (24/01/2002 a 27/01/2003)
Haroldo Corrêa Rocha (27/01/2003 a 30/03/2007)
Waldenor Cezário Mariot (02/04/2007 a 14/04/2009)
João Guerino Balestrassi (14/04/2009 a 31/03/2010)
José Antonio Bof Buffon (20/04/2010 a 31/01/2011)
João Guerino Balestrassi (01/02/2011 a 30/10/2013)
Guilherme Henrique Pereira (31/10/2013 a 23/05/2015)
Luiz Paulo Vellozo Lucas (24/05/2015 a 31/05/2016)
Aroldo Natal Silva Filho (15/07/2016 - )

Sites[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b BANDES. Relatório 3 anos da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Espírito Santo. Vitória, 1970.
  2. BANDES. Manual do POPI e anexos. Vitória, 15 de maio de 2007. CD-ROM.
  3. a b c BANDES. Quem somos. Disponível em: <www.bandes.com.br>. Acesso em 02 de maio de 2012.
  4. BANDES. Relatório de Gestão 2003 - 2010. Vitória, 2011.
  5. a b CARDOSO, Gilson Domingues. BANDES 1967/2011: uma odisseia especial. Vitória, abril de 2011.
  6. SEBRAE. Programa Nossocrédito. 100 histórias de sucesso no Espírito Santo. Vitória, 2010.
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