Maragogi

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Município de Maragogi
"Caribe Brasileiro"
Pôr do sol em Maragogi

Pôr do sol em Maragogi
Bandeira indisponível
Brasão de Maragogi
Bandeira indisponível Brasão
Hino
Aniversário 24 de abril
Fundação 1875 (142 anos)
Gentílico maragogiense
Padroeiro(a) Santo Antônio
Prefeito(a) Luis Henrique Peixoto Cavalcante
(Henrique Madeira) (PSD)
(2013–2016)
Localização
Localização de Maragogi
Localização de Maragogi em Alagoas
Maragogi está localizado em: Brasil
Maragogi
Localização de Maragogi no Brasil
09° 00' 44" S 035° 13' 21" O09° 00' 44" S 035° 13' 21" O
Unidade federativa  Alagoas
Mesorregião Leste Alagoano IBGE/2008[1]
Microrregião Litoral Norte Alagoano IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Japaratinga, Porto Calvo e Jacuípe, em Alagoas; Barreiros e São José da Coroa Grande, em Pernambuco.
Distância até a capital 125 km
Características geográficas
Área 335 km² [2]
População 31 748 hab. IBGE/2014[3]
Densidade 94,77 hab./km²
Altitude 5 m
Clima tropical Aw
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,574 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 101 126,375 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 813,21 IBGE/2008[5]
Página oficial

Maragogi[nota 1] é um município da Microrregião do Litoral Norte Alagoano, na Mesorregião do Leste Alagoano, no estado de Alagoas, no Brasil. Localiza-se a 125 quilômetros de Maceió, a capital do estado. Localiza-se na latitude 09º00'44" sul e na longitude 35º13'21" oeste, estando a uma altitude de 5 metros. Sua população estimada em 2011 era de 29 280 habitantes. A temperatura média é de 27 graus Celsius. Sua economia é baseada no turismo, na pesca e na agricultura. A beleza de suas praias faz com que seja um dos mais importantes polos turísticos da região.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Maragogi" é oriundo do tupi antigo maragûaóîy, que significa "rio dos gatos-do-mato" (maragûaó, "gato-do-mato" + îy, "rio").[6]

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, a maior parte do atual litoral brasileiro, incluindo o atual município de Maragogi, foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia. Eles expulsaram os antigos habitantes, os chamados tapuias, para o interior do continente. No século XVI, quando os primeiros exploradores europeus chegaram à região, a mesma era ocupada pela tribo tupi dos caetés.[7]

De acordo com dados históricos, a colonização de origem portuguesa começou quando um sertanejo chegou à região com a família. Ele fugia de uma epidemia e fez uma promessa a São Bento para curar-se. Ao se recuperar, o sertanejo cumpriu o prometido, construindo uma igreja em homenagem ao santo. O local, uma das mais belas praias do município, ganhou o nome do santo, que mantém até hoje.

Maragogi tem grande importância na história brasileira. Holandeses e portugueses disputaram suas terras por vários anos. Mas foram os moradores da Vila de Maragogi - sem recursos, mas com heroísmo - que impediram e desarticularam a tentativa holandesa de desembarque em Alagoas.

Foi criada como vila em 1875 com o nome de "Isabel". No mesmo ano, uma lei transferiu a freguesia de São Bento para à então Vila Isabel. Mudou o nome para Maragogi no ano seguinte, mesmo nome de um rio que banha a cidade. Em maio de 1892, foi elevada à categoria de cidade, desmembrando-se de Porto Calvo. Em 1960, perdeu o distrito de Japaratinga, transformado em município.

Guerra dos Cabanos

Maragogi também foi palco da Guerra dos Cabanos, que começou como um movimento restaurador armado, que tinha por objetivo trazer de volta ao trono do Brasil o Imperador D. Pedro I, que renunciara e voltara para Portugal. A guerra inicia-se entre maio e junho de 1832, com os levantes de Antônio Timóteo de Andrade, em Panelas de Miranda, no agreste pernambucano, e João Batista de Araújo, na praia de Barra Grande, hoje povoado do município de Maragogi. Em 26 de outubro de 1832, tropas provinciais matam em combate, no reduto do Feijão, o líder Antônio Timóteo de Andrade e o Almirante Tamandaré prende o líder João Batista de Araújo em sua casa, na praia de Barra Grande. Entre novembro de 1832 e janeiro de 1834, a chefia da guerra passa para as forças populares, sendo o comandante geral da insurreição Vicente de Paula. São erguidos os primeiros arraiais guerrilheiros nas matas de Imbiras, Barras de Piabas e Piabas.

Os Cabanos, numa manobra guerrilheira tentam tomar o povoado de Barra Grande, mas são postos em fuga pelas tropas provinciais acantonadas ali. Recuam sob forte tiroteio até o povoado de Gamela (hoje cidade de Maragogi), e de lá chegam à praia de São Bento, onde os Cabanos feridos à bala se curavam e pescavam. Ocorre então a matança de São Bento, tendo as tropas provinciais morto à bala e à faca todos os Cabanos encontrados.

Os negros papa-méis (assim chamados os negros que fugiam da escravidão dos engenhos e se escondiam nas matas) aderem à insurreição e mudam os rumos da guerra: lutam os Cabanos agora pela libertação dos escravos, atacando inclusive os engenhos de açúcar e ocupam terras onde constroem seus arraiais guerrilheiros. A guerra termina com a prisão de Vicente de Paula, em 1850, que foi levado para a ilha-presídio de Fernando de Noronha.

Desativação de minas terrestres[editar | editar código-fonte]

Em 10 de maio de 2010, foi encontrada uma mina marítima durante uma obra de saneamento na cidade. A mina havia sido feita pela marinha brasileira durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para proteger o litoral do Brasil. Com o fim da guerra, não tendo sido detonada, os militares brasileiros a enterraram perto da praia.[8] O que esperava-se ser uma botija holandesa com moedas de prata, por conta da rica história de conflitos entre portugueses e neerlandeses, chegou a ser perfurado mas, por sorte, não explodiu.[9]

A partir de então, oficiais da marinha e até especialistas do Batalhão de Operações Especiais iniciaram a prospecção de pelo menos mais sete minas, terrestres e aquáticas.[10] O consenso é de que todas foram plantadas após o ataque de submarinos alemães a um navio mercante brasileiro próximo de Porto de Pedras, que é município vizinho, durante a Segunda Guerra.[10][11][12]

Galés de Maragogi

Rios[editar | editar código-fonte]

Os rios que servem de limite ao município são: com Pernambuco, o rio Persinunga; com Porto Calvo, o rio Carão; e, com Japaratinga, o rio Salgado.

Bacias hidrográficas
  • Do rio Salgado e seus afluentes e brejos, que alcança o mar nos Catités do São Bento;
  • Do rio Maragogi, formada pelo homônimo e seus sistemas flúvio-lagumar do Camacho,Ilha do Coelho,Brejo do Junqueiro e riacho Levadão;
  • Do rio dos Paus ou Ojebire (como lhe chamavam os índios), com seus salgados de manguezais e a restinga do Arisco;
  • Do rio Persinunga, cujos afluentes da margem direita são os riachos Maciaguaçu e Taúba; o da margem esquerda é o rio Timboataba.

Vegetação

Na trilha do visgueiro é possível encontrar uma árvore com mais de 500 anos e 22 metros, fica em reserva de Mata Atlântica Raízes externas ganham destaque a cada aproximação devido à capacidade de crescer com a árvore que sustenta, como se formassem muretas de proteção capaz de ultrapassar a altura de homem em pé. São apresentadas também espécies replantadas, como o “pau-falho”, que estava em extinção e um curioso arbusto, alto, de espinhos, típico do lugar. De alguns troncos cortados exalam ótimas fragrâncias naturais. Pelo chão brotam diferentes cogumelos, em especial um de tons avermelhados.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Águas cristalinas em Maragogi.
Vista da praia de Maragogi
Turismo em Maragogi.

Maragogi é, hoje, um grande polo turístico, servindo como porta de entrada para os Estados de Alagoas e Pernambuco e se transformando no segundo maior polo turístico do estado. Suas praias têm mar tranquilo, areias alvas e densos coqueirais, destacando-se as de Barra Grande, Burgalhau, Peroba e São Bento. O passeio às galés (piscinas naturais) é imperdível, onde, a 6 quilômetros da costa, pode-se observar a Área de Proteção Ambiental onde estão os arrecifes de corais.

No turismo esportivo a cidade esta se consolidando como um destino para corridas de Trilha ou "Trail Run", sendo em 2015 a sede da primeira competição de Trail Run internacional do Nordeste do Brasil quando a empresa organizadora de eventos esportivos WINGSMAN estreo a disciplina no Nordeste.

No turismo rural, vale a pena uma visita a Fazenda Marrecas e Fazenda Cachoeira, saboreando logo depois a culinária à base de frutos do mar e os tradicionais bolinhos de goma. Entre os eventos locais, destacam-se: o Festival da Lagosta, o Festival do Marisco, a Abertura do Verão, a festa da Emancipação, a de São Benedito (Peroba), a de Nossa Senhora da Guia (Barra Grande) e a de São Bento.

A maior atração turística da cidade são as belas praias, de São Bento a Peroba (povoados da cidade). As piscinas naturais das Galés, no mar, a aproximadamente 6 quilômetros da costa, têm águas transparentes, onde os turistas se deliciam ao banhar-se rodeados de corais e diversos peixinhos que enfeitam a área com suas cores.

A cidade dispõe de uma ótima infraestrutura hoteleira, com os dois hotéis mais luxuosos de Alagoas: o "Salinas do Maragogi", reconhecido pelo Traveler's Choice 2016 como o segundo melhor hotel para famílias no mundo e o "Grand Oca Maragogi Beach & Leisure Resort".

Notas

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Estimativa populacional 2014 IBGE». Estimativa populacional 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2014. Consultado em 29 de agosto de 2014 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 4 de setembro de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 586.
  7. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição revisada. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  8. http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=alagoas&cod=14005
  9. Força Aérea chega a Maceió para retirada das minas achadas em Maragogi - Jornal O Globo
  10. a b Bom Dia Brasil - Força-tarefa não encontra minas da 2ª Guerra em Maragogi (AL)
  11. http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=213472
  12. http://www.primeiraedicao.com.br/?pag=alagoas&cod=13872

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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