Santa Cruz Cabrália

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Santa Cruz Cabrália
  Município do Brasil  
Praia da Coroa Vermelha em Santa Cruz Cabrália
Praia da Coroa Vermelha em Santa Cruz Cabrália
Símbolos
Bandeira de Santa Cruz Cabrália
Bandeira
Brasão de armas de Santa Cruz Cabrália
Brasão de armas
Hino
Lema Terra mater
"Terra-mãe"
Gentílico cabraliense
Localização
Localização de Santa Cruz Cabrália na Bahia
Localização de Santa Cruz Cabrália na Bahia
Santa Cruz Cabrália está localizado em: Brasil
Santa Cruz Cabrália
Localização de Santa Cruz Cabrália no Brasil
Mapa de Santa Cruz Cabrália
Coordenadas 16° 16' 40" S 39° 01' 30" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Porto Seguro, Belmonte, Eunápolis
Distância até a capital 755 km
História
Fundação 23 de julho de 1564 (458 anos)
Emancipação 30 de março de 1938 (84 anos)
Administração
Prefeito(a) Agnelo Silva Santos Júnior (PSD, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 1 550,791 km²
População total (IBGE/2010[2]) 26 198 hab.
Densidade 16,9 hab./km²
Clima tropical oceânico (Af)
Altitude 6 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[3]) 0,654 médio
PIB (IBGE/2014[4]) R$ 276 523 mil
PIB per capita (IBGE/2014[4]) R$ 9 860
Sítio http://www.cabralia.ba.gov.br/ (Prefeitura)

Santa Cruz Cabrália é um município localizado na Costa do Descobrimento, na Mesorregião do Sul Baiano, no estado da Bahia, no Brasil.

Disputa com os municípios de Porto Seguro e Prado a primazia de ter sido o local de chegada dos portugueses ao Brasil em 1500.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Farol da ilha de coroa vermelha

A cidade de Santa Cruz Cabrália teve sua origem, com a chegada dos portugueses no Brasil. Segundo alguns registros, em Santa Cruz houve mais de um povoado, porém, em razão das suas proximidades, se desenvolveram de modo uniforme e consequentemente, transformaram-se apenas em um povoado.[6]

Com as divisões das capitanias, em 1534, Pero de Campos Tourinho recebeu da Coroa Portuguesa a capitania de Porto Seguro , que incluía o território de Santa Cruz através da carta régia e floral.[6]

No ano de 1536 Pero Campos Tourinho criou uma povoação intitulada Vera Cruz Aapós a devastação desse povoado pelos índios Aimorés, os habitantes passaram a morar às margens do Rio Sernampetiba, onde  surgiu uma nova povoação conhecida por Santa Cruz, e em 9 de maio de 1833 foi criado a Vila de Santa Cruz.[6]

A vila de Santa Cruz permaneceu autônoma até 8 de julho de 1931, quando foi  anexada ao município de Porto Seguro,em 1933 foi nomeada Santa Cruz Cabrália e posteriormente, em 30 de março de 1938, elevada a condição de município.[6]

A história da cidade de Santa Cruz Cabrália mistura-se a do descobrimento  do Brasil ,  por isso foi transformada a cidade é considerada patrimônio histórico nacional.[6]

Santa Cruz Cabrália disputa com os municípios de Porto Seguro e Prado a primazia de ter sido o local de chegada dos portugueses ao Brasil em 1500.[5]

Santa Cruz Cabrália é uma das cidades históricas do estado da Bahia, por nela terem sido realizadas a 1ª (Domingo de Pascoela - Primeiro Domingo após o de Páscoa) e a 2ª (de Posse) Missas no Brasil, ambas celebradas por Frei Henrique de Coimbra,[7] capelão da armada de Pedro Álvares Cabral, em 26 de abril e 1 de maio de 1500, respectivamente, a primeira delas na extremidade sul da Baía Cabrália, mais precisamente no Ilhéu da Coroa Vermelha e a segunda na foz do Rio Mutari.[carece de fontes?]

Registros da época permitem concluir ter havido mais de uma povoação em Santa Cruz. Duas primeiras se sucederam em ambas margens do Mutari e na parte final do curso. Mas, devido a brevidade desse trecho do rio e a distância de poucos metros de um lado a outro, as duas povoações estariam tão próximas, que se pode admitir como fases no desenvolvimento do mesmo povoado.[carece de fontes?]

Santa Cruz Cabrália é uma cidade construída em dois planos, seguindo a tradição portuguesa, tendo sido criada na margem norte da foz do Rio Mutari pelo navegador português Gonçalo Coelho, comandante da segunda expedição ao Brasil, que aportou na Baía Cabrália em 1503 para ali deixar os primeiros missionários, aventureiros e degredados, deixados ao lado da Santa Cruz de Posse, e que trouxe consigo, como observador, o navegador Américo Vespúcio. Neste ano de 1503, o nome mudou de Terra de Vera Cruz para Terra de Santa Cruz.[carece de fontes?]

Em 1536, Pero do Campo Tourinho fundou, na enseada da baía uma povoação, denominada Vera Cruz, que foi arrasada pelos aimorés em 1564. Por esse motivo, os habitantes mudaram-se para as margens do Rio Sernampetiba ou Rio João de Tiba, surgindo nova povoação conhecida por Santa Cruz.[carece de fontes?]

Na década de 1580, a Vila de Santa Cruz foi transferida para um platô na foz do Rio João de Tiba, o atual Centro Histórico, como forma de proporcionar à população melhores condições de defesa para os frequentes ataques indígenas.[carece de fontes?]

Na parte alta da cidade, encontram se a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída no século XVII, a Casa da Câmara e Cadeia, que abrigou a primeira Intendência do Brasil, prédio do século XVIII, e ainda as ruínas de um colégio jesuíta do século XVI.[carece de fontes?]

A vila de Santa Cruz foi criada em 9 de maio de 1833 e instalada em 23 de julho do mesmo ano. Manteve-se autônoma até 8 de julho de 1931, quando foi extinta e anexada ao município de Porto Seguro. Em 1933, passou a chamar-se Santa Cruz Cabrália. Em 30 de março de 1938, por força do Decreto-Lei estadual n.°10.724, a vila ganha autonomia política e categoria de cidade.[carece de fontes?]

Igreja de Nossa Senhora da Conceição

A partir de 1973, com a conclusão da BR-101 e a construção da estrada ligando Porto Seguro a Santa Cruz Cabrália, o cenário do descobrimento, começam a atrair turistas. Em 29 de janeiro de 1981, o núcleo histórico de Santa Cruz Cabrália é tombado como Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico.[carece de fontes?]

Para a Copa do Mundo FIFA de 2014, a Federação Alemã de Futebol montou com investidores alemães o seu próprio centro de treinamento em Santa Cruz Cabrália, na Vila de Santo André, chamado de "Campo Bahia".[8] O centro foi projetado com aspecto de vila com quatorze casas e 65 salas de frente ao mar. O campo de treinamento com centro de imprensa fica a cinco minutos das acomodações dos jogadores e comissão técnica.[9]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Litoral[editar | editar código-fonte]

Vista do litoral de Cabrália

Pela BR-367, que liga os municípios de Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Eunápolis; o visitante vindo de Eunápolis chegará ao trevo da entrada de Porto Seguro. Seguindo à esquerda para a orla norte, pela Rodovia do Descobrimento, o visitante passará por 22 km de belas praias, até chegar a Santa Cruz Cabrália, na foz do Rio João de Tiba. Aproximadamente 16 km depois do trevo de Porto Seguro, o visitante chega a Coroa Vermelha, um dos diversos distritos de Santa Cruz Cabrália, e local da celebração da primeira missa no Brasil e onde se encontram fixadas diversas famílias de índios pataxós que ali residem, e que vivem do comércio de artesanato indígena. Neste local, vale conhecer tanto o Memorial da Primeira Missa quanto a réplica da cruz feita para esta primeira missa.[carece de fontes?]

As praias do município são: Praia da Coroa Vermelha, Praia da Ponta de Santo Antônio, Praia de Arakakaí, Praia de Guaiú, Praia de Mutari, Praia de Santo André, Praia de Apuã e Praia de Lençóis.[carece de fontes?]

Economia[editar | editar código-fonte]

Uma das principais atividades econômicas da cidade de Santa Cruz Cabrália é o comércio de artesanato, sobretudo, o artesanato indígena.[10]

vendas de artigos artesanais indígena
Loja de artesanato indígena

A cidade de Santa Cruz é marcada pela cultura indígena, especialmente a região de Coroa Vermelha, que desde 1996 foi demarcada como terra indígena. Em vista disso, a localidade é economicamente dependente do artesanato pataxó, principalmente com a construção das estradas federais BR367 e BR101, que intensificou o comércio local, visto que, contribuiu para a chegada de turistas na região.[10]

A aldeia pataxó de Coroa Vermelha dispõe de dois centros artesanais, um construído em formato de ocas(ou Quigemes, termo usado pelos pataxó), intencionando a estética indígena, outro formado por não-indígenas, local intitulado como "shopping dos brancos". Além disso, não são apenas os pataxó que comercializam o artesanato indígena, alguns comerciantes não-indígenas também, deste modo, destacando o fato de que o artesanato de Santa Cruz é tipicamente pataxó.[11]

Ademais, embora o artesanato seja o foco econômico da região, a cidade oferece outras atividades, como o extrativismo vegetal, agricultura em pequena escala, alguns empregos assalariados e a pesca artesanal.[carece de fontes?]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Abrangendo os municípios de Belmonte, Porto Seguro e Eunápolis, a Costa do Descobrimento possui uma extensão litorânea de 165 km. 35% da população nasceu nesta região; 30% é oriunda de outros municípios do sul da Bahia e os 35% restantes é formado por pessoas que vieram de outros estados brasileiros e até mesmo de outros países, como Portugal, Alemanha, Suíça, Itália, Espanha, França, Argentina e Estados Unidos.[12]

No distrito de Coroa Vermelha.[13] encontra-se a ALDEIA TXAG’RU MIRAWÊ, onde pode-se observar os costumes e cultura indígena do povo Pataxó[14] A entrada é gratuita e fica aberta a visitação o dia todo, tem uma trilha guiada por anfitriões, explicando as armadilhas, historias, curiosidade sobre plantas e vivências indígenas. Na Oca[15] principal encontra-se os artesanatos, e o Awê, dança tradicional.

Passeio de escuna em Santa Cruz Cabrália, que dura o dia todo, começa no porto e segue até o Recife de Coroa alta, onde é possível, com a maré baixa, observar corais e peixinho. Na volta, parada na pacata vila de Santo André para almoço, e na ilha do Sol, para compras de doces caseiros e o tradicional banho de lama no manguezal.[carece de fontes?]

Cultura pataxó[editar | editar código-fonte]

Conjunto de esculturas representando indígenas em Coroa Vermelha

Entre os anos 1815 e 1817 estudiosos que observavam os povos denominados aimorés, os pataxós desta região do extremo sul da Bahia, eram mais esbeltos e mais altos que os puris e os botocudos. Cabelos com cortes na nuca e testa, mantendo somente dois tufos na frente e atrás da cabeça. Era comum também fazerem orifícios na parte de baixo da boca para colocar um pedaço de bambu, pintado de urucum. Também eram mais numerosos e guerreiros que as outras tribos.[16]

Em 1943, sob o governo de Getúlio Vargas, foi implantado o Parque Nacional Monte Pascoal, no território ocupado pelos pataxós do extremo Sul da Bahia, que sobreviviam até o momento independentes do Estado. Houve muitos conflitos entre os pataxós e militares; após isso os indígenas se dispersaram e abandonaram seus territórios e, como efeito, a negação da identidade étnica e abandono do idioma.[16]

Referências

  1. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010 
  2. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 24 de agosto de 2013 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 a 2014». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 8 de dezembro de 2017 
  5. a b BUENO, E. A Viagem do Descobrimento. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. p.89
  6. a b c d e «Santa Cruz Cabrália». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 10 de julho de 2022 
  7. Primeiro Missionário em Terras de Vera Cruz Arquivado em 1 de janeiro de 2013, no Wayback Machine. instituto-camoes.pt, recuperado 14 de Dezembro 2013
  8. Alemanha vai montar na Bahia o seu centro de treinamento para a Copa Folha Online, 13 de Dezembro 2013
  9. Pagina oficial (em alemão)
  10. a b Neves, Sandro (2011). «Produção, circulação e significados do artesanato pataxó no contexto turístico da aldeia de coroa vermelha, santa cruz cabralia» (PDF). Consultado em 7 de julho de 2022 
  11. Santos, Gregório; Vieira, Salete (2019). «A relação do turismo e artesanato na aldeia indígena pataxó de coroa vermelha-Santa cruz cabrália- bahia» (PDF). Consultado em 7 de julho de 2022 
  12. Silva, Reimão (2008). «Subsídios para a gestão ambiental das praias da costa do descobrimento, litoral sul do estado da bahia, brasil» (PDF). Consultado em 7 de julho de 2022 
  13. «Coroa Vermelha». Wikipédia, a enciclopédia livre. 7 de abril de 2019 
  14. «Wikinativa/Pataxó - Wikiversidade». pt.wikiversity.org. Consultado em 28 de novembro de 2019 
  15. «Oca». Wikipédia, a enciclopédia livre. 28 de setembro de 2019 
  16. a b Porto, Helânia Thomazine; Bonin, Jiani Adriana (9 de março de 2020). «A educação indígena Pataxó: entre distopias e utopias». Tellus. ISSN 2359-1943. doi:10.20435/tellus.v20i41.648. Consultado em 10 de julho de 2022