Muritiba

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Muritiba
  Município do Brasil  
Muritiba - 2013-07-17 -01.jpg
Símbolos
Bandeira de Muritiba
Bandeira
Brasão de armas de Muritiba
Brasão de armas
Hino
Lema Ascendit funmus aromatum
"Ascende o aroma do fumo"[1]
Apelido(s) "Cidade das Jacas"
"Cidade Serrana"
Gentílico muritibano
Localização
Localização de Muritiba na Bahia
Localização de Muritiba na Bahia
Mapa de Muritiba
Coordenadas 12° 37' 33" S 38° 59' 24" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Região intermediária[2] Santo Antônio de Jesus
Região imediata[2] Cruz das Almas
Municípios limítrofes São Félix, Governador Mangabeira, Cachoeira e Cruz das Almas
Distância até a capital 114 km
História
Fundação 8 de agosto de 1919 (102 anos)
Emancipação 3 de agosto de 1922 (99 anos)
Aniversário 8 de agosto
Administração
Prefeito(a) Danilo Marques Dias Sampaio[3] (PSD, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [4] 86,311 km²
População total (IBGE/2020) 29 410 hab.
Densidade 340,7 hab./km²
Clima tropical atlântico
Altitude 220 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010 [5]) 0,66 médio
PIB (IBGE/2008[6]) R$ 112 872,005 mil
PIB per capita (IBGE/2008[6]) R$ 4 050,53
Sítio http://www.muritiba.ba.gov.br/ (Prefeitura)
http://www.camaramuritiba.ba.gov.br/ (Câmara)

Muritiba é um município brasileiro do estado da Bahia, distante em 114 km da capital,[7] Salvador. Faz parte da Região Geográfica Imediata de Cruz das Almas. Possui uma população estimada em 29.410 habitantes e uma área de 86,311 km², no ano de 2020, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).[8] Tem proximidade com o Rio Paraguaçu e faz divisa com os municípios de São Félix, Governador Mangabeira, Cachoeira e Cruz das Almas.

História[editar | editar código-fonte]

Muritiba tem início com a vinda de exploradores e jesuítas da Companhia de Jesus em 1559, que avançaram nas regiões de Cachoeira e São Félix.[9] Posteriormente, ao subirem a serra às margens do Rio Paraguaçu, fundaram um templo e um convento dando origem ao povoado de Muritiba.[10]

Muritiba teve grande contribuição na produção do fumo, produto agrícola destinado ao mercado consumidor externo e interno.[11][12] Produto esse que sustentou as balanças comercias baiana entre o Segundo Império Brasileiro (1840-1889) e na primeira metade do século XX.[13]

A cidade serrana, também como é conhecida Muritiba, teve sua participação do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).[14] Isso se dá pela região ter muitas fabricas de fumo, como era o caso das demais cidades do recôncavo da Bahia, pois os donos dessas fabricas eram de origem germânica e simpatizavam com o Eixo - aliança composta pela Alemanha Nazista, Japão, Itália - no caso de Muritiba as duas principais fabricas de fumo são: Pimentel e Dannemann, essa ultima que tinha sua sede em Salvador e os seus donos eram Alemães, acabaram sofrendo graves perseguições nas cidades do recôncavo, por conta de uma serie de ataques da marinha da Alemanha nazista que torpedearam embarcações da marinha mercante brasileira.[15][16] Logo os admiradores, simpatizantes e alemães vão ser vistos como culpados e traidores, sofrendo serie de ataques e prisões. Em Muritiba houve comoção da população acompanhado de grande agitação popular contra os alemães. (A Bahia na Segunda Guerra Mundial, Consuelo Novais).[17]

Já em meados do século XX, vai ter o primeiro automóvel a ser fabricado e montado no Brasil, pelo torneiro mecânico Otávio Tosta.[18] Isso se deu pelo fato da política econômica nacional ter uma postura voltada aos produtos importados e não fabricados no Brasil, isso muda com a política que favoreceu as transacionais e multinacionais no governo de JK.[19] O carro era bem simples, com apenas dois assentos, rodas de madeira com um motor de um cilindro inventado , fabricado no país e não importado, o que da à característica de ser o primeiro automóvel a ser fabricado de fato no Brasil.[18]

Muritiba passou à categoria de Vila em 8 de agosto de 1919, mediante Lei 1.349 proferida pelo então Governador da Bahia, Antonio Muniz Sodré de Aragão.[9] Três anos depois, no dia 3 de agosto de 1922, no mandato do Governador José Joaquim Seabra, elevou-se à categoria de cidade.[9]

Seus primeiros moradores participaram ativamente das lutas pela independência da Bahia, com destaque para o Major José Antônio da Silva Castro, avô do poeta Castro Alves, que comandava 700 homens no Batalhão dos Periquitos, entre eles uma mulher, Maria Quitéria, heroína da independência.[20]

Ano Marcos fundadores[21]
1571 Inauguração do arraial (povoado)
1705 Criação da freguesia São Pedro do Monte da Muritiba
1889 São Félix é desmembrado de Cachoeira, figurando Muritiba como distrito de São Félix
1919 Muritiba passa a categoria de Vila, em 8 de agosto
1922 Muritiba passa a categoria de Cidade, emancipando-se de São Félix, em 3 de agosto
1936 Instalação oficial da Câmara de Vereadores de Muritiba, em 19 de abril
1962 Governador Mangabeira é desmembrado de Muritiba
1989 Cabaceiras do Paraguaçu é desmembrado de Muritiba

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

De acordo com o livro História e Estrela de Muritiba, do muritibano Anfilofio de Castro, o nome teve origem por causa da existência abundante, naquela época, de uma palmeira chamada Boritiba, espécie encontrada desde o Pará até São Paulo, conhecida por buritizeiro, muriti, muruti e pissandó.[22][8][23] Redundando na corruptela Moritiba e Muritiba.[8]

Entretanto, no livro O Tupi na Geografia Nacional, o antropólogo Theodoro Fernandes Sampaio, escreve que Muritiba é uma variação deturpada do vocábulo indígena merutyba, que significa o mosqueiro ou mosca em abundância.[21][24] No brasão da cidade há quatro torreões num escudo azul semeado de moscas de prata como prova da fertilidade do solo muritibano e abundância de fruteiras, com destaque para a jaca, nome pelo qual a cidade ficou por muito tempo conhecida ("Cidade das Jacas").[25]

Demografia[editar | editar código-fonte]

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) da cidade de Muritiba, é considerado de médio desenvolvimento de humano pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é de 0,660.[26][8]

Apesar de não ser o ideal, o município vive uma crescente. No ano de 1991, o índice era de 0,411.[8] No ano de 2000, o índica marcava 0,529.[8] O mais recente medido, no ano de 2010 com 0,660.[8]

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Muritiba é a terra natal do escritor Clementino Fraga, do cantor e compositor Lui Muritiba, do ex-prefeito (1978/79) e vice-prefeito de Salvador (2009-2012), Edvaldo Pereira de Brito, do Deputado federal Inácio Tosta e a cidade onde nasceu o poeta Castro Alves.[27][28][29][30][31]

Antes de sua fundação, quando Muritiba ainda era uma vila do município de São Félix, se hospedou o Imperador D. Pedro II no ano de 1859.[32] Conta-se que o Imperador bebeu um copo de água da Fonte dos Padres, antiga fonte de abastecimento de água da cidade.[33]

No dia 27 de agosto de 1933, Muritiba recebia a visita do Governador da Bahia, Juracy Magalhães, e do Presidente da República Getúlio Vargas.[33]

Festas e manifestações culturais[editar | editar código-fonte]

Muritiba é uma cidade com algumas manifestações culturais e eventos festivos. Destacam-se o grupo de capoeira "Raça", os grupos folclóricos "Filhos do Paraguai" e "Segura-Véia", que se apresentam em diversas regiões do recôncavo e o grupo "Os Cães", tradicional durante a festa do Senhor do Bonfim.[34] Há também duas filarmônicas: a Sociedade Filarmônica Cinco de Março, fundada em 5 de março de 1897 e a Lira Popular Muritibana, fundada em 7 de maio de 1899.[35]

No mês de janeiro, acontece no município a tradicional Festa do Senhor do Bonfim, com duração de onze dias e dezenas de atrações.[36] No mês de junho, Muritiba entra no clima das festas juninas, com manifestações espontâneas pelas ruas, organizadas pelos moradores, queima de fogueiras e guerras de espadas.[37] Apesar de não possuir uma festa com grandes atrações, a sua localização é privilegiada dada a proximidade com os municípios de Cachoeira e Cruz das Almas, famosos por suas festas; entre cinco e dez minutos é possível chegar em uma dessas duas cidades. Entretanto, é tradição forte em Muritiba a realização da Festa de São Pedro, no final do mês de junho. No mês de agosto, em virtude das comemorações da emancipação do município, acontece uma micareta pelas ruas da cidade.

Referências

  1. Uma alusão à produção de tabaco na cidade como seu principal produto agrícola, o lema está consignado no Brasão e Bandeira, e significa, em livre tradução: "Ascende o aroma do fumo" Institucional da Prefeitura Municipal. «História:Muritiba – A Nossa Cidade». Consultado em 1 de outubro de 2010. Arquivado do original em 19 de outubro de 2012 
  2. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 10 de fevereiro de 2018 
  3. «Candidatos a vereador Muritiba-BA». Estadão. Consultado em 14 de maio de 2021 
  4. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 7 de agosto de 2013 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010 
  7. «Google Maps». Google Maps. Consultado em 11 de janeiro de 2017 
  8. a b c d e f g «Muritiba (BA) | Cidades e Estados | IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 14 de julho de 2021 
  9. a b c «História do município». Prefeitura Municipal de Muritiba. Consultado em 14 de julho de 2021 
  10. Neves, Juliana (2008). «Colonização e resistência no Paraguaçu - Bahia, 1530 - 1678» (PDF). Universidade Federal da Bahia. Consultado em 14 de julho de 2021 
  11. «Fumo em Muritiba». Planeta Brasileiro. Consultado em 14 de julho de 2021 
  12. Mota, Luciana (2014). «Manufaturas de fumo do recôncavo baiano: vestígios de patrimônio industrial» (PDF). Universidade Federal da Bahia. Consultado em 14 de julho de 2021 
  13. Acioli, Gustavo (30 de junho de 2005). «A ascensão do primo pobre: o tabaco na economia colonial da América Portuguesa - um balanço historiográfico». Sæculum – Revista de História. 0 (12). ISSN 2317-6725 
  14. Santos, Jéssica (2019). «As contribuições femininas na produção fumageira em Muritiba» (PDF). Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Consultado em 14 de julho de 2021 
  15. «Axis Alliance in World War II». Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (em inglês). Consultado em 14 de julho de 2021 
  16. Silva, Elizabete (2001). «Fazer charutos: uma atividade feminina» (PDF). Universidade Federal da Bahia. Consultado em 14 de julho de 2021 
  17. Sales, Diego Souza (7 de outubro de 2020). «Muritiba-Bahia». Baianolandia. Consultado em 14 de julho de 2021 
  18. a b Fobica do Sr. Otávio Tosta (Apresentação de Bráulio), consultado em 14 de julho de 2021 
  19. Brandão, Ramon (2011). «O automóvel no Brasil entre 1955 e 1961: a invenção de novos imaginários na era JK». Universidade Federal de Juiz de Fora. Consultado em 14 de julho de 2021 
  20. «Muritiba - Baía de Todos os Santos». Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia. Consultado em 14 de julho de 2021 
  21. a b «Historia Muritiba BA». Ache Tudo e Região. Consultado em 11 de janeiro de 2017 
  22. «Historia e Estrela de Muritiba - Relíquias de Papel | Estante Virtual». Estante Virtual. Consultado em 11 de janeiro de 2017 
  23. «Venda de Muda de Palmeira Imperial Biritiba Mirim - Muda de Palmeira Tamareira». Flora Rainha. Consultado em 14 de julho de 2021 
  24. Sampaio, Theodoro (1928). «O Tupi na geografia nacional / Theodoro Sampaio.». Biblioteca Nacional do Brasil. Consultado em 14 de julho de 2021 
  25. «Brasão e Bandeira do Município de Muritiba/BA - mbi.com.br». MBI. Consultado em 14 de julho de 2021 
  26. «Home - IDH-M – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal». Instituto Souza Cruz. Consultado em 14 de julho de 2021 
  27. «Clementino Fraga». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 14 de julho de 2021 
  28. Abbehusen, Edgard (17 de março de 2014). «"É preciso respeitar a história, valorizar as raízes", diz Lui Muritiba». Reverso Online (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia). Consultado em 14 de julho de 2021 
  29. «Edvaldo Pereira de Brito». Universidade Federal da Bahia. Consultado em 14 de julho de 2021 
  30. «Castro Alves». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 14 de julho de 2021 
  31. «TOSTA, Inácio» (PDF). Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 14 de julho de 2021 
  32. «A Princesa Isabel, a Baronesa de Muritiba e a Baronesa de Loreto, na Varanda da Residência da Princesa». World Digital Library. 1866. Consultado em 14 de julho de 2021 
  33. a b «Portal da Prefeitura Municipal de Muritiba - Pagina Inicial». Prefeitura Municipal de Muritiba. Consultado em 14 de julho de 2021 
  34. «Inspirada na tradição soteropolitana, Festa do Bonfim anima Muritiba». Rede Globo. Arquivado do original em 13 de janeiro de 2017 
  35. Macedo, Marcos (2009). «Bandas filarmônicas de Muritiba – BA: uma tradição sociocultural que resiste ao tempo» (PDF). Faculdade Maria Milza. Consultado em 14 de julho de 2021 
  36. «MURITIBA: Divulgada programação da Festa do Bonfim». Diário da Notícia. 1 de novembro de 2016. Consultado em 11 de janeiro de 2017 
  37. «Muritiba: moradores chamam polícia para acabar queima de espadas». Bahia Recôncavo. 24 de junho de 2013. Consultado em 14 de julho de 2021 
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