Uauá

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Uauá
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Uauá
Bandeira
Brasão de armas de Uauá
Brasão de armas
Hino
Lema Paz e trabalho
Gentílico uauaense
Localização
Localização de Uauá na Bahia
Localização de Uauá na Bahia
Localização de Uauá na Bahia
Uauá está localizado em: Brasil
Uauá
Localização de Uauá no Brasil
Mapa
Mapa de Uauá
Coordenadas 9° 50' 31" S 39° 28' 55" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Monte Santo, Canudos, Chorrochó, Curaçá, Jaguarari, Andorinha
Distância até a capital 438 km
História
Fundação 08 de julho de 1905 (118 anos)
Emancipação 9 de julho de 1926 (97 anos)
Administração
Distritos
Prefeito(a) Marcos Henrique Lobo Rosa (PDT, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 3 060,116 km²
População total (Censo IBGE/2022[1]) 24 665 hab.
Densidade 8,1 hab./km²
Clima Tropical semiárido (BSh)
Altitude 462 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[2]) 0,605 médio
PIB (IBGE/2020[3]) R$ 225 965,50 mil
PIB per capita (IBGE/2020[3]) R$ 9 371,11
Sítio Sítio oficial (Prefeitura)
Sítio oficial (Câmara)

Uauá é um município brasileiro do Estado da Bahia.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

O nome Uauá tem origem no tupi e significa "vagalume", "pirilampo".[4][5]

História[editar | editar código-fonte]

Colonização, formação da Fazenda Uauá e Império[editar | editar código-fonte]

Habitada originalmente por indígenas caimbés, os quais foram expulsos, escravizados, aculturados pela catequese ou assassinados durante o processo de expansão da sesmaria da Casa da Torre por Garcia d'Ávila e seus descendentes, as terras que compõem Uauá vieram a integrar esse latifúndio após ser colonizada por vaqueiros vinculados a ele.[6]

No século XVIII, ocorreram dois acontecimentos que marcaram a história do município: a descoberta do meteorito de Bendengó e o estabelecimento da Fazenda Uauá. A descoberta do meteorito ocorreu em 1784, nas margens do riacho Bendegó, situado na divisa entre os atuais municípios de Uauá, Monte Santo e Canudos. Ela se deu quando o vaqueiro Joaquim da Mata Botelho encontrou uma grande massa metálica, com 5350 kg de ferro, níquel e elementos outros. Na época, era considerado o maior meteorito já encontrado por cientistas baseados na Europa. O seu elevado peso dificultou o seu transporte por décadas.[6]

Ainda no mesmo século, o português Guilherme Costa deixou Jeremoabo, então um povoado, à procura de um lugar "melhor" para o seu gado pastar e, seguindo o curso do Rio Vaza-Barris, se fixou em local não muito distante das suas nascentes, onde ocupou a área que veio a estabelecer a Fazenda Uauá.[6][7]

Nas primeiras décadas do século XIX, a região situada no entorno do povoado de Uauá figurava entre os bens patrimoniais da Casa da Torre, conforme inventário levantado por herdeiros de Garcia d'Ávila em 1815, como um sítio arrendado a André Gonçalves Batista. Este colono luso-brasileiro é um dos antepassados de Cícero Dantas Martins, o futuro Barão de Jeremoabo, e de José Gonçalves, político do período monárquico que se tornou o primeiro governador republicano do Estado da Bahia.[8]

Durante o século XIX, a então Fazenda Uauá, fruto do desmembramento da sesmaria da Casa da Torre, passou a ser uma propriedade de Pedro Rabelo de Alcântara. Este, por sua vez, vendeu-a para Francisco Ribeiro, que nela fundou uma povoação denominada "Uauá" que viria futuramente a se tornar a sede do município de mesmo nome.[6][7]

Em 1888, o meteorito de Bendengó foi retirado das terras de Uauá e transportado para o Museu Nacional, situado no Rio de Janeiro. Na então capital do Império do Brasil, foi feito um corte no meteorito para fins de estudo geológico, sendo que a parte extraída foi enviada para diversos museus do planeta, a exemplo dos situados em Paris, Londres, Nova York e Amsterdã.[6]

Uauá na Guerra de Canudos e emancipação[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1896, o povoado de Uauá foi utilizado como base de acampamento para uma companhia do 9° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, comandado pelo tenente Manoel Pires Ferreira, que rumava para lutar contra Canudos. No entanto, fiéis de Antônio Conselheiro, fundador de Canudos, atacaram as tropas do Exército e mataram quase todas elas.[7] Como resultado desses conflitos bélicos, Uauá foi palco de muita violência praticada pelo Exército contra a população local.[8]

A Lei Estadual n° 590, de 8 de julho de 1905, elevou o povoado de Uauá à categoria de distrito, subordinado ao município de Monte Santo.[7][5] A partir da década de 1910, o mandonismo local (coronelismo) no distrito de Uauá passou a ser representado pela liderança de um conjunto de famílias de grandes proprietários rurais ao longo do século XX: os Borges, os Sá, os Cordeiro de Matos, os Damasceno, os Rodrigues e os Ribeiro, descendentes diretos do fundador do povoado que deu origem à futura sede municipal e que teria em Jerônimo Rodrigues Ribeiro, político que exerceu vários mandatos durante desse século e que foi um dos representantes dessa oligarquia local.[6]

Emancipação política do município[editar | editar código-fonte]

As décadas de 1920 e 1930 foram caracterizadas por mudanças institucionais que afetaram a dinâmica do distrito com município com avanços e retrocessos em termos sociais e políticos e que repercutam a instabilidade política do período em que houve a transição da República Velha para a Era Vargas. Em 24 de maio de 1924, foi criada a paróquia de Uauá, tendo como primeiro vigário o padre Arlindo Rocha,[7][5] uma modificação institucional com reflexos sociais relevantes, considerando a forte presença do catolicismo na sociedade da época.

A Lei Estadual n° 1.866, de 9 de julho de 1926, elevou Uauá à condição de vila, desmembrando-se de Monte Santo, ocorrendo a sua instalação em 28 de setembro do mesmo ano.[7][5] O primeiro prefeito foi o "coronel" João Borges de Sá, eleito como candidato único da Concentração Republicana da Bahia, em razão do declínio do poder do PRD, dominado pelo grupo associado ao ex-governador J.J. Seabra. Borges de Sá exerceu seu mandado até o fim da República Velha, quando foi destituído a partir da Revolução de 1930 e substituído pelo interventor municipal Constantino Tolentino de Souza, o qual veio a se tornar o último chefe do Executivo local até a reintegração de Uauá ao município de Monte Santo.[8]

Portanto, inicialmente, a autonomia municipal de Uauá durou menos de uma década, já que os decretos estaduais n° 7.455 de 23 de junho de 1931 e nº 7.479, de 8 de julho de 1931, extinguiram Uauá e anexaram-no novamente a Monte Santo como um simples distrito,[7][5] sendo que Uauá foi parcialmente administrada na época por subprefeitos.

Em 19 de setembro de 1933, o Decreto Estadual nº 8.641, editado pelo interventor estadual Juracy Magalhães, elevou Uauá novamente à categoria de município, desmembrando-a definitivamente de Monte Santo. O município restaurado foi reinstalado em 10 de outubro do mesmo ano,[7][5] com a nomeação de João Borges de Sá como prefeito, o qual passou a exercer um segundo mandato por dois meses, até a eleição de Belarmino José Rodrigues. Este concorreu como candidato único e se tornou prefeito de Uauá até 10 de outubro de 1936, quando se licenciou do cargo, permitindo que o mesmo fosse ocupado interinamente por um ano (1936-1937) pelo então presidente da Câmara Municipal, Salomão Dias Ribeiro.[8]

Durante o Estado Novo varguista, após um vácuo no poder entre 1937 e 1940, com os cidadãos locais se recusando a ocupar o cargo de chefia do Executivo local, enquanto pessoas pertencentes a oligarquia local eram impedidas de exercê-lo pelo Governo Estadual, o município de Uauá foi gerenciado precariamente pelos funcionários municipais mais antigos que iam assumiam e, logo, renunciavam ou faleciam na função, até que houve a estabilização da política local com a designação de interventores municipais pertencentes às famílias que compunham a oligarquia uauaense e que o administraram de forma mais estável: Raphael da Silva Borges (descendente de João Borges de Sá), Dair Ribeiro Rodrigues (primeira mulher a ocupar a chefia do Executivo local e filha do ex-prefeito Salomão Dias Ribeiro), José Morais Damasceno (o "Juca Damasceno") e Herval Cordeiro de Matos.[8]

Em 1947, ocorreu a primeira disputa eleitoral multipartidária local no município que resultou na eleição de Jerônimo Rodrigues Ribeiro pelo Partido Social Democrático (PSD). Jerônimo R. Ribeiro era descendente de Francisco Ribeiro, proprietário da Fazenda Uauá e fundador do povoado que originou a sede, irmão da ex-prefeita Dair Rodrigues e filho de Salomão Dias Ribeiro, mantendo-se a hegemonia das famílias oligárquicas na política uauaense.[8]

A Lei estadual nº 628, de 30 de dezembro de 1953, elevou os povoados uauaenses de Caldeirão e Serra da Canabrava à categoria de distrito.[5]

Em outubro de 2000, a política Ítala Maria da Silva Lôbo Ribeiro, filiada ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), tornou-se a primeira mulher a ser eleita prefeita municipal de Uauá por sufrágio universal e voto direto.[9]

Em 2004, fruto de mobilizações comunitárias realizadas pela Igreja Católica durante a década de 1980, foi fundada a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC) por 44 agricultores familiares situados na zona rural dos três municípios. Eles decidem por estabelecer a sede da sociedade cooperativa em Uauá e passaram a iniciar os arranjos produtivos locais que resultariam na década seguinte em 18 minifábricas voltadas para a produção de mercadorias da indústria de alimentos.[10]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Uauá está situado no bioma Caatinga. Ele possui o clima semiárido e pertence à bacia hidrográfica do rio Vaza-Barris.[6]

Limites[editar | editar código-fonte]

Noroeste: Curaçá Norte: Curaçá e Chorrochó Nordeste: Chorrochó
Oeste: Andorinha e Jaguarari Leste: Canudos
Sudoeste: Andorinha e Monte Santo Sul: Monte Santo Sudeste: Monte Santo e Canudos

Demografia[editar | editar código-fonte]

No censo 2022, foi aferida uma população de 24 665 habitantes.[11]

Organização politico-administrativa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de prefeitos de Uauá

O município de Uauá possui uma estrutura politico-administrativa composta pelo Poder Executivo, chefiado por um prefeito eleito por sufrágio universal, auxiliado diretamente por secretários municipais nomeados por ele, e pelo Poder Legislativo, institucionalizado pela Câmara Municipal de Uauá, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composto por onze vereadores também eleitos por sufrágio universal.[12]

Atuais autoridades municipais de Uauá[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

Por ser um município historicamente associado à agropecuária, seria conhecida como a "Capital do Bode".[14]

Indústria de bebidas[editar | editar código-fonte]

Em meados de 2023, Uauá ganhou projeção nacional na área de inovação tecnológica na indústria de bebidas com a produção de cerveja artesanal utilizando frutas do semi-árido nordestino, com destaque para o umbu e o maracujá, por meio da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC), sociedade cooperativa de agricultura familiar sediada no município. A produção vem utilizando padrões de sustentabilidade, evitando o uso de agrotóxicos e o desmatamento, usando a água de modo racional por meio da irrigação por gotejamento e, também, baseando-se no uso de energia solar.[15]

No final de 2023, a COOPERCUC celebrou parceria com uma multinacional do ramo de bebidas para que no começo de 2024 um de seus produtos, a cerveja Graveteiro produzida a partir do umbu, seja comercializada em todo o Brasil, atividade com alto impacto na economia do município.[16][17][18]

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Uauá possui as seguintes cidades-irmãs:

Referências

  1. a b «Uauá (BA) - panorama». IBGE Cidades. Consultado em 6 de outubro de 2023 
  2. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 16 de agosto de 2013 
  3. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - Uauá (BA)». IBGE Cidades. Consultado em 2 de dezembro de 2023 
  4. Ramos, Ricardo Tupiniquim (2008). Toponímia dos municípios baianos: descrição, história e mudanças (PDF) (Tese de doutorado). Salvador: UFBA. p. 438. Cópia arquivada (PDF) em 5 de dezembro de 2022 
  5. a b c d e f g «Uauá (BA) - histórico». IBGE Cidades. Consultado em 2 de dezembro de 2023 
  6. a b c d e f g Andrade, João Batista Matos de (2010). Fatores influentes no potencial e processos de salinização dos aquíferos fraturados cristalinos do alto da Bacia do Rio Vaza-Barris, região de Uauá, Bahia, Brasil (Dissertação de Mestrado em Geologia). Salvador: Universidade Federal da Bahia. p. 3. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  7. a b c d e f g h Enciclopédia dos Municípios Brasileiros 🔗 (PDF). 21. Rio de Janeiro: IBGE. 1958. p. 380 
  8. a b c d e f «Uauá (BA) - histórico». Diário Oficial do Município de Uauá. 26 de junho de 2015. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  9. Barbosa, Cláudia Faria de (2012). Diálogos com as mulheres na política local baiana: famílias, tradições e representações entre o público e o privado, 2009-2012 (PDF) (Tese de Doutorado em Família na Sociedade Contemporânea). Salvador: Universidade Católica do Salvador. p. 344. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  10. Elba Borges da Silva; et al. (2018). «ESTRATÉGIA$ DE INTERNACIONALIZAÇÃO DE UMA COOPERATIVA NO CONTEXTO DO AGRONEGÓCIO: O CASO DA COOPERCUC» (PDF). Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural. Juazeiro: EMBRAPA. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  11. «População». IBGE Cidades. Consultado em 6 de outubro de 2023 
  12. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito municipal brasileiro. 18. ed. São Paulo: Malheiros, 2017.
  13. a b c «Prefeito e vereadores de Uauá tomam posse; veja lista de eleitos». G1. 1 de janeiro de 2021. Consultado em 2 de novembro de 2022 
  14. «Uauá». www.vivaosertao.com.br. Consultado em 22 de janeiro de 2022 
  15. Adriana Amâncio (15 de julho de 2023). «Famílias do sertão baiano fazem cerveja de umbu com ajuda de energia solar». UOL. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  16. «Cerveja de Umbu produzida pela agricultura familiar da Bahia será distribuída para todo o Brasil, em parceria com a Ambev». Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia. 18 de dezembro de 2023. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  17. «Cerveja de Umbu produzida pela agricultura familiar da Bahia será distribuída para todo o Brasil». Alô Alô Bahia. 17 de dezembro de 2023. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  18. «Em parceria com Ambev, cerveja de umbu produzida pela agricultura familiar da Bahia será distribuída em todo Brasil». Bahia Notícias. 17 de dezembro de 2023. Consultado em 18 de dezembro de 2023 
  19. a b SECULT - Secretaria de Cultura do Bahia. Sertão quer preservar arte e cultura popular[ligação inativa].

Ligações externas[editar | editar código-fonte]