Senhor do Bonfim (Bahia)

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Senhor do Bonfim
  Município do Brasil  
Igreja Matriz de Senhor do Bonfim.
Igreja Matriz de Senhor do Bonfim.
Símbolos
Bandeira de Senhor do Bonfim
Bandeira
Brasão de armas de Senhor do Bonfim
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "Capital Baiana do Forró"
"Bonfim"
Gentílico bonfinense
Localização
Localização de Senhor do Bonfim na Bahia
Localização de Senhor do Bonfim na Bahia
Senhor do Bonfim está localizado em: Brasil
Senhor do Bonfim
Localização de Senhor do Bonfim no Brasil
Mapa de Senhor do Bonfim
Coordenadas 10° 27' 46" S 40° 11' 27" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Jaguarari, Filadélfia, Andorinha, Itiúba, Campo Formoso e Antônio Gonçalves
Distância até a capital 375 km
História
Fundação 1 de julho de 1797 (222 anos) (criação da vila)
Emancipação 28 de maio de 1885 (134 anos) (criação do município)
Aniversário 28 de maio
Administração
Distritos
Prefeito(a) Carlos Alberto Lopes Brasileiro (PT, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total 827,5 km²
População total (IBGE/2019[1]) 79 015 hab.
Densidade 95,49 hab./km²
Clima Tropical (Aw)
Altitude 538 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[2]) 0,666 médio
Gini (PNUD/2010[3]) 0,57
PIB (IBGE/2016[4]) R$ 795 942 mil
PIB per capita (IBGE/2016[4]) R$ 9 854,55
Outras informações
Padroeiro(a) Senhor do Bonfim
http://senhordobonfim.ba.gov.br/ (Prefeitura)

Senhor do Bonfim é um município brasileiro localizado no centro norte da Bahia. Localizado a 375 quilômetros da capital Salvador, sua população, conforme estimativas do IBGE de 2019, era de 79 015[1] habitantes. O município possui uma forte tradição de festas juninas e é considerada a capital baiana do forró.

História[editar | editar código-fonte]

A história da formação de Senhor do Bonfim está diretamente relacionada à busca de ouro e pedras preciosas e à introdução da criação de gado no sertão baiano. Em fins do século XVI, portugueses pertencentes à Casa da Torre organizavam expedições com destino ao Rio São Francisco e às minas de ouro de Jacobina, iniciando a ocupação do interior da capitania e a formação de vias de comunicação com o litoral.

Situado em zona de passagem dessas expedições, estabeleceu-se no território do atual município uma rancharia de tropeiros no século XVII, servindo de pouso para vaqueiros, bandeirantes e desbravadores que transitavam naquela região. Na mesma época, dentro da estratégia de catequese das populações indígenas, foi criada a Missão do Sahy em 1697, dirigido pela Ordem dos Frades Menores ou Ordem dos Padres Franciscanos, com a intenção de catequizar os nativos. Nessa missão, estabelecida nas proximidades de uma aldeia dos índios pataxós, foram construídos um convento e uma igreja sob invocação de Nossa Senhora das Neves.

Em 5 de agosto de 1720, por meio de Carta Régia, foi criada a Vila de Jacobina, sendo a Missão do Sahy escolhida pare sede da mesma. Em 1724, a sede da vila foi transferida para o local da atual cidade de Jacobina, em virtude de exploração aurífera naquela região.

Com o crescimento da atividade pecuária, a expansão das pastagens e o consequente avanço da ocupação do sertão baiano, formou-se uma povoação ao redor da antiga rancharia, às margens da estrada das Boiadas. Em 1750, o núcleo contava com várias edificações e com população estabelecida, recebendo a denominação de arraial de Senhor do Bonfim da Tapera.

O Arraial, além de rota para a penetração no território, destacava-se como importante núcleo, desenvolvendo-se com base em atividades ligadas à criação de gado. As riquezas minerais da Região, além da localização privilegiada do Arraial, atraiam grande número de tropeiros, aventureiros e peões vindos de outras partes da Bahia e do Nordeste, dificultando o controle e a ordem na localidade.

Em 1 de julho de 1797, o Arraial de Bom Jesus do Tapera, com uma população de 600 pessoas, foi elevado à categoria de vila, com o topônimo de Vila Nova da Rainha, sendo instalado em 1 de outubro de 1799.

A Vila Nova da Rainha foi elevada à condição de cidade, com a denominação de Bonfim, pela lei provincial nº 2499, de 28 de maio de 1885.

No século XX, os distritos de Jaguarari (1926) e Andorinha (1989) são desmembrados do município.

Em 31 de dezembro de 1943, o município de Bonfim teve seu nome alterado para Senhor do Bonfim.

Durante o período inicial de formação da sua base econômica, o Município teve na criação de gado vacum a sua principal atividade, ganhando espaço, ao longo dos anos, as culturas temporárias de feijão, milho, mandioca e mamona, além do cultivo de sisal e o extrativismo do ouricuri. Ao lado destas atividades, expandiu-se o comércio e unidades beneficiadoras de sisal, mamona, ouricuri e leite estabeleceram-se no local nos anos 1970, promovendo efeitos significativos na economia municipal, que progrediu continuamente.

Na década de 1980, o declínio das culturas de sisal, mamona e ouricuri (pela sua substituição por produtos e fibras sintéticas) provocou o fechamento e a migração de indústrias, mas a intensificação da atividade pecuária e a criação de uma bacia leiteira na Região minimizaram os impactos do desaquecimento da agricultura sobre a economia, tendo em vista o montante de investimentos realizados no setor de pecuária. Com isso, gerou-se uma dependência quase absoluta da atividade, que, apesar dos reflexos positivos sobre outros setores, revela-se extremamente danosa em épocas de crise.

Em acréscimo, os problemas de origem hídrica encontrados na região de Senhor do Bonfim limitam o aproveitamento das grandes faixas de terras propícias às pastagens e com boa fertilidade para os cultivos agrícolas. De fato, desde o início da década de 1990, a estiagem prolongada vem causando a redução dos rebanhos e a quebra de safras, que repercutem sobre as atividades secundárias e terciárias e configuram um quadro extremamente negativo para a população do município.

O município de Senhor do Bonfim é, atualmente, composto dos distritos de Senhor do Bonfim, Carrapichel, Igara e Tijuaçu.[5][6]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Senhor do Bonfim é considerada a Capital Baiana do Forró. Sua Festa de São João, que é o maior evento junino da Bahia e está entre os maiores do Brasil, é muito conhecida pela guerra de espadas (proibida desde 2017 por decisão do TJ-BA com fulcro no art. 16 do Estatuto do Desarmamento)[7] e pela tradição cultural de seu povo de acender fogueiras em frente às suas residencias. As noites juninas são animadas por inúmeros grupos de forró e desfiles de 'quadrilhas', que seguindo a tradição portuguesa consiste em pares que executam várias evoluções de passos de dança, sempre ao ritmo do forró pé de serra.

A festa em Senhor do Bonfim transcorre durante todo o mês de junho e envolve toda a área urbana. Várias ruas são decoradas com motivos juninos e nordestinos, tendo como homenageada a figura de Luiz Gonzaga. Durante os festejos desta época, a cidade de Senhor do Bonfim recebe cerca de 80 mil visitantes. Nesses dias é possível conhecer e desfrutar uma enorme variedade de pratos da culinária nordestina, como o bode assado, a buchada, o sarapatel, o feijão de torresmo, a legítima carne do sol do sertão, o feijão verde, o andu, a canjica, a pamonha, os mingaus variados, o baião de dois, dentre outros. A variedade de bebidas típicas dos festejos como os licores caseiros é abundante, e é essencial provar desde os mais tradicionais, como o de jenipapo, maracujá, laranja e gengibre como os mais modernos, de uvas passas.

As serras são especiais para a prática do motocross e trilhas, adequadas para hiking. Para os amantes da vela, a 40 quilômetros de distância, as represas de Ponto Novo e Pindobaçu, são ótimas para a prática desse esporte, sendo que na primeira existe uma etapa da Copa de Vela da Bahia. Nesses dois lagos pratica-se também pesca esportiva.

No Monte Tabor, localizado no distrito de Missão do Sahy, ainda podem ser encontradas ruínas das edificações realizadas pelos padres franciscanos, principalmente de uma capela no topo da elevação.

A cidade também realiza anualmente, no mês de julho, a procissão de São Cristóvão, considerado o santo padroeiro dos motoristas.

Economia[editar | editar código-fonte]

A região que Senhor do Bonfim centraliza é uma rica província mineral, destacando-se a grande produção de cobre (Mina da Caraíba), Cromo (Mina de Pedrinhas e Ferbasa), ouro, vanádio, magnesita, ferro, manganês, calcita, granito, ametista (Mina da Cabeluda), esmeralda (Minas da Carnaíba e Socotó) e níquel.

Possui também uma intensa atividade agropecuária, com produção considerável de milho e feijão bem como de gado de corte. Destaca-se também na pecuária leiteira. Possui dois matadouros para abate do gado bovino, caprino e ovino e começa a destacar-se também na produção de suínos.

Merece destaque a agricultura familiar que serve de sustento para uma parcela considerável da população e é geralmente comercializada na feira livre, pelos próprios produtores.

Educação[editar | editar código-fonte]

Senhor do Bonfim é uma das quatro cidades baianas (Vitoria da Conquista, Salvador e Cachoeira) a sediar o Educandário Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, fundado a 22 de junho de 1937, além de uma variada rede de escolas particulares e públicas, como o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, Colégio Isabel de Queiroz, Colégio Teixeira de Freitas dentre outros.

Em 1986, foi inaugurada a então Faculdade de Educação de Senhor do Bonfim, hoje Departamento de Educação do Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), considerada pioneira e uma das mais tradicionais instituições do ensino superior público na Bahia e que oferece cursos de graduação, licenciaturas e bacharelados em diversas áreas, como também Cursos de Especialização lato sensu e Mestrado.

A cidade abriga um campus do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia Baiano (IFBaiano, antiga Escola Agrotécnica), que oferece Cursos técnicos de nível médio e pós-médio, cursos do PRONATEC, Graduação, Ensino à Distância e Pós-graduação.

A Universidade Aberta do Brasil (UAB), articulada com a Universidade São Carlos.

Em 2011 a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), inaugurou um campus na cidade, que possui ainda uma ampla gama de instituições privadas de nível superior, tornando o município um polo de referência educacional na região.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A cidade está localizada no sopé sul da Serra do Gado Bravo, extensão da Chapada Diamantina, na Cordilheira do Espinhaço. Sua altitude, na região central da cidade, é de 453 metros acima do nível do mar, mas possui locais na extensão do município com altitude superior a 600 metros. Por ter localização privilegiada, é sempre verde em todos os meses do ano, sempre abastecida de frutas e verduras da região denominada "Grota", nos vales da cordilheira.

Nos seus domínios encontram-se várias nascentes de rios, todos pertencentes à bacia do Rio Itapicuru. Existem vários açudes no município, como o Açude do Sohen, Açude do Quiçé, Açude da Boa Vista, que ajudam a minorar a falta d'água nos tempos de seca. Esses açudes represam riachos também pertencentes à bacia do rio Itapicuru.

Na área do município é possível observar vários tipos de vegetação, desde a densa mata serrana, remanescente da Mata Atlântica, até a caatinga, sendo um observatório perfeito para quem pretende contemplar ou estudar os aspectos da cobertura vegetal do Nordeste brasileiro.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1977 a 1980 e a partir de 1993, a menor temperatura registrada em Senhor do Bonfim foi de 13,9 °C em 8 de agosto de 1977,[8] e a maior atingiu 38,2 °C em 3 de outubro de 1997.[9] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 102 milímetros (mm) em 11 de janeiro de 1999.[10] Fevereiro de 1980, com 321,7 mm, foi o mês de maior precipitação.[11]

Dados climatológicos para Senhor do Bonfim
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 37,7 36,3 36,6 35,4 35,7 32,1 33,2 34,3 37,8 38,2 38 37,8 38,2
Temperatura máxima média (°C) 31,9 31,9 31,5 30 28 26,2 25,8 27 29,5 31,5 31,6 31,8 30,7
Temperatura média compensada (°C) 26 26,1 25,9 24,9 23,3 21,7 21,1 21,6 23,4 25,2 25,6 25,9 24,2
Temperatura mínima média (°C) 21,1 21,3 21,5 21 20 18,7 17,9 17,8 18,6 19,9 20,5 20,9 19,9
Temperatura mínima recorde (°C) 18,1 18,5 17,9 17,7 17 15 14,3 13,9 15 16,4 17,2 17,6 13,9
Precipitação (mm) 75,5 65,6 96,2 80,6 73,4 79,7 63,3 40,3 21,1 28,7 65,1 62,8 752,3
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 6 5 8 7 10 12 12 9 5 3 5 4 87
Umidade relativa compensada (%) 58,9 59,1 63,9 68 73,6 77,7 74,2 69,4 61,2 55,4 58,6 59,1 64,9
Horas de sol 225,7 199,6 211 189,3 165,5 133,8 155,8 190,2 207,5 230,3 207,3 212,2 2 328,2
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010;[12]
recordes de temperatura: 01/01/1977 a 31/12/1980 e 01/01/1993 a 31/07/2011)[8][9]

Distritos[editar | editar código-fonte]

  • Senhor do Bonfim
  • Carrapichel
  • Igara
  • Missão do Sahy
  • Quiçé
  • Tijuaçu

Povoados[editar | editar código-fonte]

  • Baraúnas
  • Barroca do Faleiro
  • Barro
  • Boa Vista
  • Caatinguinha
  • Caçador
  • Cachoeirinha
  • Caldeirão de Dentro
  • Campo do Meio
  • Canavieira
  • Cariacá
  • Coité
  • Estiva
  • Itapicuru
  • Lagoa do Boi
  • Passagem Velha
  • Pereiros
  • Rancharia
  • Socotó
  • Tanquinho
  • Tanque Velho
  • Tapuia
  • Terrerinho
  • Umburanas
  • Varzéa do Mulato
  • Santa Rosa de Lima
  • Várzea Grande
  • Gameleira

Comunicações[editar | editar código-fonte]

  • 97.3 - FM Rainha
  • 105.9 - Princesa FM (Faixa comunitária)

Referências

  1. a b «estimativa_dou_2019.xls». ibge.gov.br. Consultado em 11 de outubro de 2019 
  2. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 11 de agosto de 2013 
  3. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2010). «Perfil do município de Senhor do Bonfim - BA». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Consultado em 4 de março de 2014 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2016». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 26 de março de 2019 
  5. «História de Senhor do Bonfim». Câmara Municipal de Senhor do Bonfim. 19 de fevereiro de 2013. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  6. «HISTÓRICO DE SENHOR DO BONFIM - BAHIA». Mais Será Revelado. 8 de janeiro de 2013. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  7. «Proibição de Guerra de Espadas é mantida por recomendação do MP; suspensão chega ao 3º ano em Senhor do Bonfim». G1. Consultado em 2 de novembro de 2019 
  8. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura mínima (°C) - Senhor do Bonfim». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de julho de 2018 
  9. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura máxima (°C) - Senhor do Bonfim». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de julho de 2018 
  10. «BDMEP - série histórica - dados diários - precipitação (mm) - Senhor do Bonfim». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de julho de 2018 
  11. «BDMEP - série histórica - dados mensais - precipitação total (mm) - Senhor do Bonfim». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de julho de 2018 
  12. «NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 14 de julho de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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