Chapada Diamantina

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Parque Nacional da Chapada Diamantina
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Vista do morro Pai Inácio
Localização Bahia, Brasil
Localidade mais próxima Lençóis
Dados
Área 41 751 km² (região geográfica)
1 521,41 km² (parque nacional)
Criação 17 de setembro de 1985 (31 anos)
Gestão ICMBio
Bahia satélite strm.png

Mapa do relevo da Bahia, no qual se destaca a Chapada no meio do estado.
Coordenadas 12° 52' 49" S 41° 22' 20" O
Parque Nacional da Chapada Diamantina está localizado em: Brasil
Parque Nacional da Chapada Diamantina

Chapada Diamantina é uma região de serras, protegida pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina, situada no centro do estado brasileiro da Bahia, onde nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. Estas correntes de águas brotam nos cumes e deslizam pelo relevo em belos regatos, despencam em borbulhantes cachoeiras e formam transparentes piscinas naturais. O parque nacional é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[1][2]

Na região estão situados as maiores altitudes da Região Nordeste do Brasil: o Pico do Barbado, com 2033 metros, Pico do Itobira e o Pico das Almas.[3][4][5] A formação geográfica faz parte do conjunto de serras e planaltos do Leste e do Sudeste do relevo brasileiro[6] e constitui-se como prolongamento da Serra do Espinhaço, portanto, é um escudo cristalino formado no Pré-Cambriano.[7][8]

A vegetação é exuberante, composta de espécies da caatinga semiárida e da flora serrana, com destaque para as bromélias, orquídeas e sempre-vivas. Sua população total estimada em 2014 era de 395.620 habitantes. Sendo Seabra, Morro do Chapéu e Iraquara as três cidades mais populosas, segundo dados do IBGE.[9][10][11]

A Chapada Diamantina é composta por 24 municípios: Abaíra e seus distritos Ouro Verde e Catolés, Andaraí, Barra da Estiva, Ibitiara, Iramaia, Itaetê, Ituaçu, Marcionílio Souza, Morro do Chapéu, Novo Horizonte, Palmeiras, Rio de Contas e seus distritos Arapiranga e Marcolino Moura, Seabra, Souto Soares, Tapiramutá, Utinga, Wagner, Boninal, Bonito, Ibicoara e seus distritos Cascavel e Capão da Volta, Iraquara e seus distritos Iraporanga e Água de Rega, Jussiape e seu distrito Caraguataí, Lençóis, Mucugê, Nova Redenção e Piatã e seus distritos Cabrália e Inúbia.[12]

Geologia[editar | editar código-fonte]

Poço Encantado, um lago subterrâneo com uma janela natural
Cachoeira do Buracão

A Chapada Diamantina é uma chapada limitada por penhascos de 41.751 quilômetros quadrados localizada na Bahia central. As rochas da Chapada Diamantina fazem parte da unidade geológica conhecida como Supergrupo Espinhaço, que tomou este nome por ocorrer na serra do Espinhaço, no estado de Minas Gerais. Apresenta-se em geral como um altiplano extenso, com altitude média entre 800 e 1.200m acima do nível do mar.[13]

As montanhas mais altas do Nordeste brasileiro estão na Chapada Diamantina: o Pico do Barbado com 2.033 metros, o Pico do Itobira com 1.970 metros e o Pico das Almas com 1.958 metros. As serras que compõem a Chapada Diamantina são as divisoras de águas entre a bacia do rio São Francisco (rios S. Onofre, Paramirim) e os rios que deságuam diretamente no oceano Atlântico, como o Rio de Contas e o rio Paraguaçu.[13]

O parque situa-se na Serra do Sincorá, no leste do planalto, uma área de estruturas fortemente erodidas. A cordilheira é alongada na direção norte-sul e tem uma largura média de 25 quilômetros.[14] Ouro e diamantes foram encontrados na cordilheira.[14]

As correntes de ar úmido que se movem a oeste do mar para cima faz com que os níveis de precipitação fiquem mais elevados, especialmente no leste.[13] Existem muitos sistemas de cavernas formadas pelos rios da a região.[15] A Gruta da Lapa Doce, com 24 quilômetros, é a quinta maior caverna do Brasil. Algumas grutas apresentam pinturas rupestres ainda pouco estudadas.[carece de fontes?]

Formação[editar | editar código-fonte]

A Chapada Diamantina nem sempre foi uma imponente cadeia de serras. Há cerca de 1 bilhão e 700 milhões de anos, iniciou-se a formação da bacia sedimentar do Espinhaço, a partir de uma série de extensas depressões que foram preenchidas com materiais expelidos de vulcões, areias sopradas pelo vento e cascalhos caídos de suas bordas. Sobre essas depressões depositaram-se sedimentos em uma região em forma de bacia, sob a influencia de rios, ventos e mares. Posteriormente, aconteceu um fenômeno chamado soerguimento, que elevou as camadas de sedimentos acima do nível do mar, pressionada pela força epirogenética, tendo aos pouco um sofrível erguimento ao longo de milhões de anos.[carece de fontes?]

As inúmeras camadas de arenitos, conglomerados, e calcários, hoje expostas na Chapada Diamantina, representam os depósitos sedimentares primitivos; a paisagem atual é o produto das atividades daqueles agentes ao longo do tempo geológico. Nas ruas e calçadas das cidades da Chapada, lajes de superfícies onduladas revelam a ação dos ventos e das águas que passavam sobre areais antigos.[carece de fontes?]

Panorama da Chapada Diamantina, no Parque Nacional da Chapada Diamantina, Bahia

Biodiversidade[editar | editar código-fonte]

Pássaro casaca-de-couro, típico do norte da Chapada
Planta típica da região

Fauna[editar | editar código-fonte]

Há poucos grandes mamíferos, mas muitas espécies de pequenos mamíferos, répteis, anfíbios, aves e insetos.[15] A proteção de aves na reserva incluem gavião-pombo-pequeno (Buteogallus lacernulatus), águia-cinzenta (Buteogallus coronatus), borboletinha-baiana (Phylloscartes beckeri), tiriba-grande (Pyrrhura cruentata) e joão-baiano (Synallaxis whitneyi).[16] Outras espécies protegidas incluem o guigó (Callicebus barbarabrownae), onça-parda (Puma concolor), onça-pintada (Panthera onca), gato-do-mato (Leopardus tigrinus), tatu-canastra (Priodontes maximus) e tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).[16]

Flora[editar | editar código-fonte]

A vegetação plantas típicas da caatinga, como xerófitas em altitudes de cerca de 500 a 900 metros, vegetação de Mata Atlântica ao longo dos cursos de água, além de prados e campos rupestres mais acima. A flora endémica incluem Adamantinia miltonioides, Cattleya elongata, Cattleya tenuis, Cattleya x tenuata, Cleites libonni e Cleistes metallina. O beija-flor Augastes lumachellus é endêmico.[13]

Parque nacional[editar | editar código-fonte]

O parque nacional foi criado em 16 de setembro de 1985[17] através de um decreto federal, com uma área de 152 mil hectares na região da Chapada Diamantina, distribuído pelos municípios de Andaraí, Ibicoara, Iramaia, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.[13][17] É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)[16][17] e localiza-se entre as coordenadas geográficas 41º35’-41º15’ de Longitude Oeste e 12º25’-13º20’ de latitude Sul. O turismo ecológico consciente dá à Chapada as melhores características de um polo de lazer que preserva a natureza. O acesso é feito por diversas entradas sem registros precisos sobre visitações. Ainda assim o ICMBio afirma que a Cachoeira da Fumaça e a Trilha dos Aleixos, onde há controle de acesso, superem os 25 mil e 15 mil visitantes anuais, respectivamente. Destacam-se também a visitação pela Trilha do Pati e em direção à Cachoeira do Sossego.[17]

O parque é classificado como categoria de área protegida II (parque nacional) da IUCN e tem o objetivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a pesquisa científica, educação ambiental, lazer ao ar livre e ecoturismo.[13] Os principais problemas da administração do parque são os incêndios florestais, a regularização fundiária e o controle de visitantes, uma vez que põem em risco a diversidade biológica, atração turística e o abastecimento de água de Salvador por meio do Rio Paraguaçu.[17]

Panorama do Vale do Pati

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Guia Quatro Rodas (: ). «Chapada Diamantina- Bahia». Consultado em 8 de fevereiro de 2014. 
  2. «X SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEORAFIA FÍSICA APLICADA». www.cibergeo.org. Consultado em 2016-08-08. 
  3. «Chapada Diamantina». www.chapadadiamantina.com.br. Consultado em 2016-08-08. 
  4. «Aventuras ECO: Pico do Barbado/Itobira». www.aventuraseco.com.br. Consultado em 2016-08-08. 
  5. «Incêndio atinge área da Bahia com pico mais alto do nordeste do país». 2012-09-21. Consultado em 2016-08-08. 
  6. «Untitled Document». www.editoranacional.com.br. Consultado em 2016-08-08. 
  7. Geografi a do Nordeste / Aristotelina Pereira Barreto Rocha... [et al.]. – 2. ed. – Natal, RN  : EDUFRN, 2010. ISBN 978-85-7273-830-9 Disponível em: http://sedis.ufrn.br/bibliotecadigital/site/pdf/geografia/Geo_Nord_LIVRO_WEB.pdf. Acesso em 8 de agosto de 2016.
  8. Letícia Couto Bicalho. Geografia. Juiz de Fora: 2014, UFJF. Disponível em: http://www.ufjf.br/cursinho/files/2014/05/Apostila.Geo_.Fisica.pdf. Acesso em 8 de agosto de 2016.
  9. IBGE (: ). «Seabra». Consultado em 1 de abril de 2015. 
  10. IBGE (: ). «Morro do Chapéu». Consultado em 1 de abril de 2015. 
  11. IBGE (: ). «Iraquara». Consultado em 1 de abril de 2015. 
  12. «Território da Chapada». Consultado em 2 de abril de 2015. 
  13. a b c d e f Unidade de Conservação ... MMA.
  14. a b Chapada Diamantina National Park – Bahia Guide.
  15. a b Saulo Queiroz da Fonseca.
  16. a b c Parna da Chapada da Diamantina – Chico Mendes.
  17. a b c d e Hermes, Miriam (16/09/2016). «Parque Nacional da Chapada faz 31 anos». A Tarde. Consultado em 2016-09-23. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Leite, M. (2007): Brasil, Paisagens Naturais. São Paulo: Editora Ática. ISBN 978850810863-3

Fontes adicionais[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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