Chapada Diamantina

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Chapada Diamantina
—  chapada  —
Localização
Localização da Chapada Diamantina na Bahia
Coordenadas 12° 52' 49" S 41° 22' 20" O
Continente América
País Brasil
Localização Bahia
Características gerais
Cordilheira serras e planaltos do Leste e do Sudeste
Banhado(a) por
Dimensões
Altitude máxima 1109 m
Área 41 751 km²

A Chapada Diamantina é uma região de serras situada no centro do estado brasileiro da Bahia. Faz parte do conjunto de serras e planaltos do Leste e do Sudeste do relevo do Brasil.[1] Com a Serra do Espinhaço compõe uma vasta cordilheira em formato de bumerangue conhecida por Cadeia do Espinhaço, que se estende da Chapada, na Bahia, ao Quadrilátero Ferrífero, no estado de Minas Gerais.[2] Além disso, trata-se de um escudo cristalino formado no Pré-Cambriano.

Na região estão situadas as maiores altitudes da Região Nordeste do Brasil: o Pico do Barbado, com 2 033 metros, Pico do Itobira e o Pico das Almas.[3][4][5] Igualmente, estão na Chapada Diamantina as nascentes de quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. Estas correntes de águas brotam nos cumes, deslizam pelo relevo, despencam em cachoeiras e formam transparentes piscinas naturais, como a Cachoeira da Fumaça e o Poço do Diabo.

A vegetação é composta de espécies da caatinga semiárida e da flora serrana, com destaque para as bromélias, orquídeas e sempre-vivas. A região conta com diversas áreas protegias, como o Parque Nacional da Chapada Diamantina, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); o Parque Estadual do Morro do Chapéu, a Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara, a Área de Proteção Ambiental da Serra do Barbado, e a Área de Proteção Ambiental Gruta dos Brejões - Vereda do Romão Gramacho.

A formação geológica inspirou a delimitação de divisões administrativas homônimas para o planejamento de políticas públicas pelo Governo do Estado da Bahia.[6]:302[7] Em regionalização instituída em 1991, delimitou-se a Região Econômica Chapada Diamantina, abrangendo 29 municípios.[7][8] Paralelamente na mesma década, desenvolveu-se a regionalização do turismo na Bahia, na qual a Zona turística da Chapada Diamantina foi por algum tempo a única do interior baiano e chegou a ser dividida em quatro circuitos (Chapada Norte, do Diamante, do Ouro e Chapada Velha).[9][10] Em 2007, passou a vigorar uma nova regionalização que estabeleceu o Território de Identidade Chapada Diamantina,[7] composto por 24 municípios[11] e ocupado por uma população total de 359 677 habitantes (conforme censo de 2010), sendo Seabra, Morro do Chapéu e Iraquara os três municípios mais populosos.[12]:13-14 Os 24 municípios do território de Identidade são: Abaíra, Andaraí, Barra da Estiva, Ibitiara, Itaeté, Marcionílio Souza, Morro do Chapéu, Novo Horizonte, Palmeiras, Rio de Contas, Seabra, Souto Soares, Tapiramutá, Utinga, Wagner, Boninal, Bonito, Ibicoara, Iraquara, Jussiape, Lençóis, Mucugê, Nova Redenção e Piatã.[13]

Geologia[editar | editar código-fonte]

Mapa do relevo da Bahia, no qual se destaca a Chapada no meio do estado

A Chapada Diamantina é uma chapada limitada por penhascos de 41 751 quilômetros quadrados localizada na Bahia central. As rochas da Chapada Diamantina fazem parte da unidade geológica conhecida como Supergrupo Espinhaço, que tomou este nome por ocorrer na serra do Espinhaço, no estado de Minas Gerais. Apresenta-se em geral como um altiplano extenso, com altitude média entre 800 e 1 200 m acima do nível do mar.[14]

As montanhas mais altas do Nordeste brasileiro estão na Chapada Diamantina: o Pico do Barbado com 2 033 metros, o Pico do Itobira com 1 970 metros e o Pico das Almas com 1 958 metros. As serras que compõem a Chapada Diamantina são as divisoras de águas entre a bacia do rio São Francisco (rios S. Onofre, Paramirim) e os rios que deságuam diretamente no oceano Atlântico, como o Rio de Contas e o rio Paraguaçu.[14]

O parque nacional situa-se na Serra do Sincorá, no leste do planalto, uma área de estruturas fortemente erodidas. A cordilheira é alongada na direção norte-sul e tem uma largura média de 25 quilômetros.[15] Ouro e diamantes foram encontrados na cordilheira.[15]

Formação[editar | editar código-fonte]

Poço Encantado, um lago subterrâneo com uma janela natural

A Chapada Diamantina nem sempre foi uma imponente cadeia de serras. Há cerca de 1 bilhão e 700 milhões de anos, iniciou-se a formação da bacia sedimentar do Espinhaço, a partir de uma série de extensas depressões que foram preenchidas com materiais expelidos de vulcões, areias sopradas pelo vento e cascalhos caídos de suas bordas. Sobre essas depressões depositaram-se sedimentos em uma região em forma de bacia, sob a influencia de rios, ventos e mares. Posteriormente, aconteceu um fenômeno chamado soerguimento, que elevou as camadas de sedimentos acima do nível do mar, pressionada pela força epirogenética, tendo aos pouco um sofrível erguimento ao longo de milhões de anos.[carece de fontes?]

As inúmeras camadas de arenitos, conglomerados, e calcários, hoje expostas na Chapada Diamantina, representam os depósitos sedimentares primitivos; a paisagem atual é o produto das atividades daqueles agentes ao longo do tempo geológico.[carece de fontes?]

Áreas protegidas[editar | editar código-fonte]

Parque Nacional da Chapada Diamantina[editar | editar código-fonte]

Desde o Morro do Pai Inácio.JPG
Parque Nacional da Chapada Diamantina é um parque nacional brasileiro criado em 17 de setembro de 1985 através do decreto federal 91.655,[16] com uma área de 152 mil hectares na região da Chapada Diamantina, distribuído pelos municípios de Lençóis, Mucugê, Ibicoara, Andaraí e Palmeiras, no estado da Bahia.[14][17] É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e localiza-se entre as coordenadas geográficas 41º35’-41º15’ de Longitude Oeste e 12º25’-13º20’ de latitude Sul.[18][17]

Parque Estadual do Morro do Chapéu[editar | editar código-fonte]

Arte Rupestre Pré-Histórica do Parque Estadual de Morro do Chapéu.jpg
Parque Estadual do Morro do Chapéu é um parque estadual no estado da Bahia que protege uma área do bioma caatinga que abriga interessantes formações geológicas e pinturas rupestres pré-históricas.[19][20] As pinturas das grutas dos Brejões, Boa Esperança, Igrejinha e Cristal exigem proteção especial.[21] O parque fica no município de Morro do Chapéu, Bahia e tem uma área de 46 000 hectares (110 000 acres).[22] O parque fica em um trecho da Chapada Diamantina de grande beleza cênica e potencial turístico.[23] O parque contém sub-bacias dos rios Salitre, Jacaré, Utinga e Jacuípe. Estes, por sua vez, alimentam os rios Paraguaçu e São Francisco.[24] Foram catalogadas 543 nascentes importantes e o local tem potencial para funcionar como um geoparque.[21]

Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara[editar | editar código-fonte]

A Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara é uma reserva ambiental protegida localizada na Chapada Diamantina, no estado brasileiro da Bahia, criada em 1993, sua área abrange partes dos municípios de Lençóis, Andaraí, Palmeiras, Iraquara e Seabra.[25]

Sua criação foi motivada para levar proteção às áreas situadas a leste e norte do Parque Nacional da Chapada Diamantina, e que foram excluídas de seu perímetro, como o Quilombo do Remanso, parte do pantanal de Marimbus, lagoas, rios e matas em área de alagadiço situados ao leste daquele parque.[26]

Área de Proteção Ambiental Gruta dos Brejões - Vereda do Romão Gramacho[editar | editar código-fonte]

A Área de Proteção Ambiental Gruta dos Brejões - Vereda do Romão Gramacho é uma reserva ambiental localizada na Chapada Diamantina, possuindo uma área total de 11 900 hectares no entorno da lapa dos Brejões, tendo sido criada em 1985.[27]

Localizada na região chamada de Piemonte da Chapada Diamantina, sua área ocupa terras dos municípios de João Dourado, Morro do Chapéu e São Gabriel, fazendo parte do sistema hidrográfico da bacia do São Francisco.[28]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Untitled Document». www.editoranacional.com.br. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  2. Lima, Maíra Cristina de Oliveira (23 de setembro de 2019). Áreas de proteção ambiental municipais do Mosaico do Espinhaço: territórios protegidos? Interfaces entre conservação ambiental e gestão integrada (Dissertação de mestrado). Universidade Federal de Minas Gerais. Consultado em 16 de janeiro de 2023 
  3. «Chapada Diamantina». www.chapadadiamantina.com.br. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  4. «Aventuras ECO: Pico do Barbado/Itobira». www.aventuraseco.com.br. Consultado em 8 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2016 
  5. «Incêndio atinge área da Bahia com pico mais alto do nordeste do país». 21 de setembro de 2012. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  6. Maria Medrado Nascimento (2019). CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO: O CASO DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS DO PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DIAMANTINA (PDF). Tempos Históricos (Tese de doutorado). 23. 299-327. ISSN 1983-1463 
  7. a b c Flores, Cintya Dantas (1 de junho de 2016). TERRITÓRIOS DE IDENTIDADE NA BAHIA: Saúde, Educação, Cultura e Meio Ambiente frente à Dinâmica Territorial (Dissertação de mestrado). Universidade Federal da Bahia. Consultado em 16 de janeiro de 2023 
  8. «REGIÕES ECONÔMICAS - ESTADO DA BAHIA - 2015» (PDF). Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia - Secretaria de Planejamento - Governo do Estado. 2015 
  9. Souza, Aline Conceição; Serra, Maurício. O processo de configuração do Território Turístico Baiano de 2004-2017 (PDF). VIII SEMANA DE ECONOMIA. Departamento de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz. Consultado em 16 de janeiro de 2023 
  10. Sousa, Andreia Rita Pereira de (2015). TURISMO E PRODUÇÃO DO TERRITÓRIO NA BAHIA: IMPACTOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS EM VALENÇA (PDF) (Dissertação de mestrado profissional). Feira de Santana: Universidade Estadual de Feira de Santana 
  11. «Território da Chapada». Consultado em 2 de abril de 2015. Arquivado do original em 30 de setembro de 2015 
  12. «Municípios que compõem o Território da Chapada Diamantina» (PDF). Consultado em 27 de novembro de 2016. Arquivado do original (PDF) em 18 de junho de 2022 
  13. «Território da Chapada». Consultado em 2 de abril de 2015. Arquivado do original em 30 de setembro de 2015 
  14. a b c Unidade de Conservação ... MMA.
  15. a b Chapada Diamantina National Park – Bahia Guide.
  16. «DECRETO Nº 91.655, DE 17 DE SETEMBRO DE 1985». Câmara dos Deputados 
  17. a b Hermes, Miriam (16 de setembro de 2016). «Parque Nacional da Chapada faz 31 anos». A Tarde. Consultado em 23 de setembro de 2016 
  18. Parna da Chapada da Diamantina – Chico Mendes.
  19. Elba Moraes Rêgo Töth (1997). «CHAPADA DIAMANTINA: ROCHAS PRÉ-CAMBRIANAS E PINTURAS RUPESTRES DO HOMEM PLEISTOCÊNICO». Universidade Federal de Pernambuco. CLIO – Arqueológica. 12. 194. ISSN 2448-2331 
  20. Parque Estadual do Morro do Chapéu – INEMA.
  21. a b Anulado decreto que extinguiu o Parque ...
  22. PES Morro do Chapéu – ISA, Informações gerais.
  23. PES Morro do Chapéu – ISA, Características.
  24. Calheiros 2012.
  25. Institucional. «APA Marimbus / Iraquara». INEMA. Consultado em 25 de dezembro de 2022. Cópia arquivada em 5 de dezembro de 2019 
  26. Flávia de Barros Prado Moura; José Geraldo Wanderley Marques; Eliane Maria de Souza Nogueira (2008). «"Peixe sabido, que enxerga de longe": Conhecimento ictiológico tradicional na Chapada Diamantina, Bahia» (PDF). Biotemas, nº 21 (vol. 3): 115-123. Consultado em 23 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2023 
  27. Mylène Berbert-Born; Ivo Karmann. «Lapa dos Brejões». SIGEP. Consultado em 1 de janeiro de 2012. Arquivado do original em 15 de abril de 2012 
  28. Institucional. «APA Gruta dos Brejões / Vereda do Romão Gramacho». Inema. Consultado em 27 de dezembro de 2022 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]