Abaíra

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Abaíra
  Município do Brasil  
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde, localizada no centro de Abaíra.
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Saúde, localizada no centro de Abaíra.
Símbolos
Brasão de armas de Abaíra
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "Cidade da Cachaça"
"Capital Mundial da Cachaça"
Gentílico abairense
Localização
Localização de Abaíra na Bahia
Localização de Abaíra na Bahia
Mapa de Abaíra
Coordenadas 13° 15' S 41° 39' 50" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Jussiape, Mucugê, Piatã, Rio de Contas e Rio do Pires
Distância até a capital 592 km
História
Fundação 1879 (140–141 anos)
Emancipação 22 de fevereiro de 1962 (58 anos)
Aniversário 22 de fevereiro
Administração
Distritos
Prefeito(a) Edval Luz Silva "Diga" (PTB, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [2] 578,359 km²
População total (IBGE/2019[3]) 8 739 hab.
Densidade 15,1 hab./km²
Clima tropical sub-úmido do tipo seco
Altitude 600 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 46690-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,603 médio
PIB (IBGE/2017[5]) R$ 58 448 mil
PIB per capita (IBGE/2017[5]) R$ 6 353,73
Outras informações
Padroeiro(a) Nossa Senhora da Saúde
Website abaira.ba.gov.br (Prefeitura)

Abaíra é um município do estado da Bahia, no Brasil. Sua população em 2019 era de 8 739.[3]

É um pequeno município localizado no centro da Chapada Diamantina. Foi nomeado "cidade da cachaça", por ser uma grande produtora da aguardente Abaíra, que é feita em associações de toda a região. A cada dois anos, acontece o Festival da Cachaça Abaíra, que atrai inúmeras pessoas de todas as regiões do país e que faz com que a cidade se torne a cada ano mais conhecida.

A economia do município sobrevive basicamente do comércio da cachaça. Na praça principal, podem ser vistos monumentos ligados à cachaça de Abaíra.

Abaíra é um termo originário da língua tupi antiga: significa "abundância de mel", pela junção de abá (abundância) e a'yra (mel).[6]

História[editar | editar código-fonte]

O senhor José Joaquim de Azevedo, no século XIX, recebe de herança uma fazenda, aonde se produzia muita cana-de-açúcar, por isso que essa fazenda era conhecida como “Capoeira de Cana”.

José abriu um comércio na sua fazenda, onde vendia alimentos para os mineradores vindos de Minas do Rio de Contas que se dirigiam rumo a Mucugê. Depois, José passa a produzir cachaça, e tornou-se hábito aos domingos as pessoas procurarem o seu comércio (venda) para tomar uma boa cachaça que ali era fabricada, com isso, José recebeu o apelido de “Zé da Venda”.

Com o passar dos tempos, muitos daqueles frequentadores da venda e mesmo os que passavam em busca de minérios, ficaram desejosos de se estabelecerem no município. Então, os escravos de José, que eram muitos, construíram uma igreja, em louvor a Nossa Senhora da Saúde (padroeira da cidade), a qual foi inaugurada no início de 1879. A imagem da padroeira chegou no dia 2 de fevereiro de 1879, dia no qual foi realizada uma festa e também a primeira missa, pelo padre de Bom Jesus de Rio de Contas, José de Souza Barbosa, o padre Souza.

José Joaquim cede terrenos para a construção de casas ao redor da igreja, nascendo assim um povoado, com o topônimo de Tabocas.

José Joaquim apaixonou-se por uma moça, chamada Ana Vitória, a qual amava um tropeiro chamado Antônio Precasso, com quem se casa e teve três filhas (Antônia Amélia, Augusta e Maria Etelemina). José, por sua vez, se casa com Maria Rosa, com quem teve um filho, Antônio Vitorino Azevedo, o qual casou-se com Melânia Rosa de Oliveira, com quem teve três filhos: Agripino Augusto de Azevedo, Simpliciana Azevedo e Agemiro Azevedo. O último faleceu aos oito anos de idade; já os outros foram criados por seu avô paterno, Zé da Venda.

Zé da Venda fica viúvo e Precasso também faleceu, de uma febre contraída nas suas viagens, deixando Ana Vitória viúva. Então, Zé da Venda casa-se com sua amada, Ana Vitória.

Com o desenvolvimento do povoado, cria-se o distrito de Tabocas, subordinado a Bom Jesus do Rio de Contas. A lei municipal nº 30, de 24 de abril de 1916, aprovada pela lei estadual nº 1.162, de 09 de agosto de 1916, muda o nome do distrito para Abaíra, topônimo derivado do tupi-guarani e significando “abundância de mel”. No entanto, esta etimologia é contestada por Eduardo de Almeida Navarro.

A Lei Estadual nº 1.622, de 22 de fevereiro de 1962, desmembra de Piatã o distrito de Abaíra, o qual é elevado à categoria de município. O município é constituído, a partir daí, pelos distritos de Abaíra (sede) e Catolés.

Desde a emancipação, teve nove prefeitos, entre os quais João Hipólito Rodrigues (já falecido), que foi eleito por três vezes. Também os prefeitos:

  • José Prado Novais Filho
  • Eumar Pereira
  • Carlito Costa
  • Anatalino José de Azevedo
  • Amaury de Brito Oliveira
  • Edmundo Oliveira
  • Edval Luz Silva
  • João Hipólito Rodrigues Filho
  • Edval Luz Silva (atual prefeito 2017-2020)

Cultura[editar | editar código-fonte]

Em 7 de setembro de 1913, foi fundada a banda “Sociedade Philarmônica Lira Esperança do Arraial de Tabocas”, tendo, como fundadores, o professor Sebastião de Carvalho (1º Maestro), Zeferino Mendes de Azevedo, Damásio José Pereira, Delfino L. de Azevedo, Pedro José de Brito, Antônio M. Costa, Minervino A. Costa, Agripino Augusto de Azevedo, José de Oliveira Alves, Zifirino Azevedo, Maurício R. de Novais, Joaquim José Boto, Balduíno Souza e Antônio Novais. Sua diretoria era composta pelo presidente Antônio Costa, o vice-presidente José de Oliveira Abreu, o tesoureiro Zifirino Mendes Azevedo e o maestro Sebastião de Carvalho.

Em 28 de abril de 1957, foi reformulado o estatuto, passando a banda a se chamar “Sociedade Lítero Musical Lira Abairense da Vila de Abaíra, e sua diretoria passou para Wilson Cardoso de Oliveira como presidente, Waltez Oliveira como vice e, como tesoureiro, Carlito Costa, com a colaboração do sócio benemérito Francisco Rocha Filho.

Podemos citar, entre as festas folclóricas, o pau-de-fitas, uma dança que era apresentada nas festas tradicionais. Também o bumba meu boi, dança folclórica que animava as festas. Também havia as “pastorinhas”, que eram as mocinhas que saíam às ruas cantando “reis” e visitando as casas, especialmente as que tinham presépios.

E há ainda as festas tradicionais, que são bastante animadas: no dia 2 de fevereiro, os abairenses comemoram o dia da nossa padroeira, Nossa Senhora da Saúde, festa que acontece desde a chegada da imagem nesta cidade. Nessa festa, os rapazes se vestiam com caretas e pegavam verduras na feira para o leilão que acontecia na véspera da festa. Já as moças se vestiam de ciganas oito dias antes da festa e iam para as ruas conseguir mantimentos para o almoço das pessoas que vinham de fora.

Algumas moças laçavam os rapazes e os levavam para um cercado: de lá, eles só saíam quando doavam dinheiro que servia para custear os festejos. No dia da festa, saíam, às ruas, as vendedoras de ingressos para angariar dinheiro para os festejos. Esses ingressos eram uns cravos ou uma rosas feitas de papel crepom. As moças laçavam os rapazes, estes pagavam e recebiam o ingresso, que era colocado na lapela. Vale lembrar que só entrava no baile da sociedade quem tivesse o ingresso.

Durante toda a semana da festa, havia quermesse e brincadeiras nas ruas, como: corrida de saco, corrida de jegue, quebra pote, pau-de-fitas, pau-de-sebo, bumba meu boi e outras.

Nos festejos juninos, também tinha uma animação incrível. O famoso forró de doutor Rocha atraía várias pessoas da região. Elas se divertiam ao som da sanfona e comiam muita canjica, bebiam quentão ao lado da famosa fogueira de pé-de-pau, soltando fogos e assistindo ao espetáculo das espadas (que ele trazia de fora). Também havia o forró de São Pedro, na casa de Mãe de Pia (parteira). Essa era uma festa muito animada, na qual as pessoas se divertiam muito.

Havia outras festividades, como o carnaval e a micareta. Atualmente, as festas em destaque são: Festa da Padroeira Nossa Senhora da Saúde (ultimamente organizada pela própria igreja), Festa de São Pedro, e a principal festa, organizada de dois em dois anos: o Festival da Cachaça, que traz uma grande quantidade de pessoas de outras regiões.

Economia[editar | editar código-fonte]

Centrada basicamente na produção de cachaça. Hoje, ela se divide entre o comércio, a cachaça e outra pequenas agriculturas de subsistência. Mas, vale a pena salientar que a principal produção agrícola é mesmo a cana-de-açúcar para a produção de cachaça. Por este motivo, desde 1987, em anos alternados, festeja-se essa cultura. É considerada a melhor cachaça da região. Na agricultura, destacam-se os principais produtos: cana-de-açúcar, mandioca, café, cebola e banana. Na pecuária, os principais rebanhos são o bovino, muares e suínos.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Serra da Tromba próximo ao povoado de Ouro Verde.

Situado na microrregião da Chapada Diamantina Meridional, com uma área de 620 quilômetros quadrados em uma região de rochas cristalinas, um relevo bastante montanhoso com cotas que variam entre 600 e 1 500 metros de altitude.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Serras que se destacam no município de Abaíra: Itobira, Barbado no Distrito de Catolés (com 2 033 metros de altura, é o maior pico do Nordeste do Brasil), Pastinho, Estiva, Tromba, Santana, Bonito e Teixeira.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A rede hidrográfica corresponde à bacia do Rio de Contas, destacando-se o Rio Água Suja e os riachos Lameirão ou Bonito e Taboquinhas.

Limites[editar | editar código-fonte]

Abaíra faz limites: ao norte, com os municípios de Piatã e Mucugê; ao sul, com Jussiape e Ibicoara; a leste, com Mucugê; e, a oeste, com Rio do Pires.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Abaíra é tropical subúmido do tipo seco. Caracteriza-se por uma estação chuvosa de novembro a março e outra bastante seca de abril a outubro.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação é bastante variada em virtude do relevo acentuado, predominando a caatinga, interrompida por formações de cerrado, conhecidos como gerais ou carrascos. Em certos trechos, a vegetação se adensa com características de florestas, surgindo a mata-cipó.

Referências

  1. «IBGE - Abaíra». Consultado em 11 de Outubro de 2016. Arquivado do original em 11 de Outubro de 2016 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. a b «estimativa_dou_2019.xls». ibge.gov.br. Consultado em 07 de janeiro de 2020  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 25 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2017». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 07 de janeiro de 2020  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 541.