Camacan

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Município de Camacã
"Terra do Cacau"
Vista Aérea da Serra Bonita, do município e a barragem

Vista Aérea da Serra Bonita, do município e a barragem
Bandeira de Camacã
Brasão de Camacã
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 31 de agosto
Fundação 31 de agosto de 1961 (57 anos)
Gentílico camacaense
Padroeiro(a) São Sebastião
CEP 45880-000
Prefeito(a) Oziel Rodrigues da Cruz Bastos (PSD)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Camacã
Localização de Camacã na Bahia
Camacã está localizado em: Brasil
Camacã
Localização de Camacã no Brasil
15° 25' 08" S 39° 29' 45" O15° 25' 08" S 39° 29' 45" O
Unidade federativa Bahia
Mesorregião Sul Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Ilhéus-Itabuna IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Itaju do Colônia, Jussari e Arataca (N), Potiraguá (S), Mascote e Santa Luzia (E), Pau Brasil (W).
Distância até a capital 525 km
Características geográficas
Área 632,926 km² [2]
População 31 968 hab. estimativa IBGE/2018[3]
Densidade 50,51 hab./km²
Altitude 170 m
Clima Tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,581 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 266 622,701 mil IBGE/2015[5]
PIB per capita R$ 8,031 53 IBGE/2015[6]
Página oficial
Prefeitura www.camacan.ba.gov.br
Câmara www.camara.camacan.ba.io.org.br

Camacan ou Camacã é um município do estado da Bahia, Brasil. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2018, era de 31 968[3] habitantes.

Na década de 1970, o município foi considerado como um dos maiores produtores de cacau;[7] no entanto, a praga da vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa) devastou e destruiu sua lavoura, em 1989. Algumas alternativas, como a pecuária, o cultivo de café e seringa diversificaram a economia local. Contudo, a principal atividade continua sendo a cacauicultura, através da enxertia de cacaueiros resistentes a pragas, que substituem assim o cacaual doente.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra Camacã se origina da classe linguística Kamakã, do tronco macro-jê. Maria Hilda Paraíso, em seu trabalho Caminhos de ir e vir e caminho sem volta: índios, estradas e rios no Sul da Bahia, de 1982, subdivide os Kamakã em outros grupos como os Mongoyó, Kutaxó, Menian e Massacará.[8]

História[editar | editar código-fonte]

A história do município está diretamente ligada à expansão do cultivo do cacau. Segundo a tradição memorialista da região, o vale do rio Panelão começou a ser desbravado no ano de 1889, quando algumas famílias de Canavieiras, Bahia, passaram a buscar novas terras para o plantio de cacau por dois motivos principais: primeiro, por força das graves cheias do Rio Pardo que comprometiam a produção agrícola de Canavieiras e segundo, pelo declínio e desaparecimento dos diamantes do rio Salobro, tornando primordial a necessidade de novas fontes de produção.[9]

O distrito foi criado em 1938 com a denominação de Vargito e passou a ter sede em Camacã a partir de 1953, integrando o município de Canavieiras até ser emancipado, pela Lei Estadual nº 1.465, de 31 de agosto de 1961, com a denominação de Camacã.[10]

Os rios Panelão e Panelinha: segundo a tradição oral, essas denominações vem do encontro destes dois rios que, fisicamente, tem um aspecto que dá a ideia de um "panelão", daí terem sido batizados com estes nomes.

O primeiro foco da vassoura de bruxa em Camacã foi verificado exatamente na fazenda do Prefeito, o maior produtor de cacau do município, em 1989. Luciano José de Santana era considerado o maior produtor individual de cacau, não só em Camacã, mas, no mundo. O conjunto de suas propriedades alcançava grandes marcas de produção anuais, aproximando-se de 100 mil arrobas de cacau em amêndoas, na década de 1980.[11]

Expedições da família Ribeiro[editar | editar código-fonte]

De acordo com a tradição memorialista, uma das famílias de Canavieiras que buscavam novas terras para o plantio de cacau, foi a de Leandro Ribeiro. Na realidade, a iniciativa de incursão na mata não foi do próprio Leandro, mas dos seus filhos e netos, nos últimos anos do século XIX. Do casamento com sua esposa, Felipa, o casal teve alguns filhos, entre eles João Elias Ribeiro. Nascido na fazenda Lagos, em Canavieiras, João Elias acompanhou o processo de expansão da cacauicultura e, mais ainda, experimentou as devastações provocadas pelas cheias do Pardo na propriedade de sua família. João Elias Ribeiro, sentindo a necessidade de melhores terras para expansão do cultivo de cacau da sua família, organizou uma expedição para o final do ano de 1888, e início de 1889, aproveitando assim o verão e as melhores condições do clima. O objetivo dessa empreitada era reunir 15 homens para subir de canoa o Rio Pardo até a confluência do Rio Panelão, semeando algumas sementes de cacau naquelas terras mais elevadas, protegidas de enchentes. Porém, João Elias Ribeiro adoece no período da expedição e transfere o comando desta para seu filho mais velho, Manoel Elias Ribeiro, que tinha apenas 19 anos em 1889. Para acompanhá-lo, pede a seu outro filho, Antonio Elias Ribeiro, com 16 anos, que embarque junto com o seu irmão e os outros 15 homens nessa jornada.

A marcha durou pouco mais de trinta dias e os expedicionários retornam à Fazenda Lagos com o sentimento de êxito. Em 1894, João Elias Ribeiro com a saúde recuperada, retorna com seus dois filhos, Manoel e Antonio, para verificar os resultados da primeira incursão. Comprovada a fertilidade das terras, a família Ribeiro abre as primeiras roças de cacau nesta região, ao longo do vale dos rios Panelão e Panelinha. O local da confluência do rio Panelão com o rio Panelinha passou a se chamar ‘Vargito’, por conta das vargens (várzeas) características da localidade, inspirando o nome de uma nova linhagem daquela família, adotado pelo médico João Ribeiro Vargens (filho de João Elias e irmão de Manuel e Antônio Elias Ribeiro).[9] Vale lembrar que João Vargens foi intendente em Canavieiras entre os anos de 1920 e 1923 e chefiou um grupo político na região.

Camacãs[editar | editar código-fonte]

De acordo com a tradição oral e a memória oficial do município, no período anterior à chegada dos plantadores de cacau, a área era habitada pelos índios da etnia Kamakã. O pesquisador João da Silva Campos[7] confirma a vertente de que os Kamakã residiam neste local. Desse grupo étnico originou-se o nome da cidade. A força da economia cacaueira foi significativamente superior à dos povos indígenas, como os Kamakã, que por se colocarem no caminho da propriedade e da monocultura dos cacauais, foram vítimas da depredação cultural e do extermínio.

Povoamento do Vargito[editar | editar código-fonte]

Em 1914, a devastação provocada pelas cheias do rio Pardo marcou um novo fluxo migratório para o Vargito. Novas famílias dirigiam-se até a região para plantar cacau e, consequentemente, iam circunscrevendo a área povoada apenas naquela localidade. A localização geográfica de Camacã foi um pouco afastada do Vargito e, só mais tarde, ocorreria o seu povoamento. Relatos orais levam a crer que o Doutor João Vargens estimulou o desenvolvimento de um núcleo urbano na sua Fazenda Camacã, contribuindo para cessar o desenvolvimento do Vargito. Entre 1920 e 1940 houve o desenvolvimento e a sedimentação do plantio de cacau no território de Camacã. Famílias de Canavieiras e de outras localidades expandiram suas plantações para terras cada vez mais distantes e férteis. No final da década de 1940, o local despontava como promissor. Contudo, as autoridades canavieirenses não demonstravam muito interesse no desenvolvimento urbano de Camacã. A partir de 1953, com a elevação à distrito de Canaveiras, a revolta contra a administração municipal ganhou força, uma vez que ainda não havia água encanada, calçamento e rede elétrica. Camacã possuía nada mais que poucas casas de madeira. O censo demográfico realizado em 1960 pelo IBGE já apontava Camacã com 19.698 habitantes.

Processo de emancipação política[editar | editar código-fonte]

O descontentamento da população de Camacã em relação ao descaso da administração canavieirense crescia na mesma proporção em que a família Moura/Vargens/Ribeiro despontava como liderança política pela emancipação do distrito. Essa liderança derivava do poder econômico que estes possuíam, liderados principalmente pelos irmãos José Ribeiro de Moura (suplente de Deputado Estadual entre 1959 e 1963) e Boaventura Ribeiro de Moura (primeiro prefeito municipal entre 1963 e 1966). Um plebiscito foi realizado no dia 11 de junho de 1961, de acordo com o consentimento do governador Juracy Magalhães, para que a população expressasse sua vontade em relação à emancipação. A votação trouxe resultado favorável à municipalização do distrito. Todo o trabalho dos articuladores do movimento pró-emancipação foi configurado em 31 de agosto de 1961, através da Lei Estadual nº 1.465, e publicado no Diário Oficial do dia seguinte. As eleições para prefeito ocorreram um ano depois.

Desenvolvimento pela força econômica do cacau[editar | editar código-fonte]

As obras de infraestrutura da cidade iam se consolidando nas gestões iniciais da prefeitura, todas elas representando o continuísmo político dos Moura no poder municipal. A facilidade de angariar recursos, permitia o desenvolvimento da cidade de maneira rápida. De 1977 a 1982, a gestão do prefeito Luciano José de Santana marcou pelas obras de estruturação municipal. Àquela altura, Luciano era considerado o maior produtor de cacau individual do mundo.[7] e Camacã já possuía seis agências bancárias facilitando a linha de financiamento e crédito, três mil habitações rurais, dezesseis empresas privadas compradoras de cacau, duas cooperativas, além das presenças do ICB e CEPLAC. Luciano Santana iniciou uma série de implementos em Camacã. Ainda por cima, no mesmo ano que ele assumiu o poder executivo (1977) a cotação do cacau chegou a US$ 4.329/tonelada. Foi a maior cotação da história. Dessa forma, grandes obras de infra-estrutura como a urbanização da cidade, ampliação da Avenida Doutor João Vargens,[12] construção de escolas, pavimentação de ruas e esgotamento sanitário foram executadas. Foi também nessa gestão municipal que os caciques políticos camacaenses resolveram instituir a ‘Festa Camacã e o Cacau’,[9] em comemoração à data de emancipação política do município. A festa tinha por objetivo realizar uma comemoração que fizesse jus ao porte econômico de Camacã. A exuberante produção camacaense, que no ano de 1983 atingiu um milhão e trezentas mil arrobas de cacau em amêndoas, gerava uma conjuntura econômica favorável, proporcionando a auto-suficiência dos produtores e a reproduzindo como nunca a ideia do eldorado. Segundo o IBGE, em 1980, a população de Camacã era de 40.498 moradores, sendo que 25.538 habitavam a zona rural. Assim, a prefeitura urbanizava a cidade com poucas dificuldades: um novo acesso de Camacã até a BR-101, além de jardins, um estádio de futebol, colégios e um novo prédio para a Prefeitura Municipal foram construídos na década de 1980.

Conjunturas e desestabilização econômica[editar | editar código-fonte]

Entre 1986 e 1989, as taxas ascendentes da inflação, a estagnação dos preços internos e os impactos dos encargos financeiros ao crédito, além dos reajustes dos preços da mão-de-obra e de insumos provocados pelos malogrados planos econômicos do país, afetaram diretamente a economia cacaueira. Além disso, houve ainda uma prolongada estiagem neste período. O grande golpe para a desestruturação financeira da lavoura cacaueira de Camacã, foi o advento da vassoura-de-bruxa, em 1989.A crise perdura há quase três décadas e alterou drasticamente a vida socioeconômica e política camacaense: desemprego dos trabalhadores; êxodo rural; mudanças das relações políticas e sociais dos cacauicultores descapitalizados; degradação do ecossistema, com a derrubada dos remanescentes da Mata Atlântica; e à deterioração do espaço urbano foram algumas das principais consequências da crise da lavoura do cacau em Camacã. No auge da crise, foram publicados dois decretos de calamidade pública. Antes de ser atingido pelo colapso econômico da cacauicultura, o município mantinha uma produção exuberante e respondia por parte significativa da economia da Região Cacaueira.

Economia[editar | editar código-fonte]

O comércio de Camacã desponta hoje como um pólo importante abrangendo sete municípios totalizando mais de 100 mil habitantes. Essas cidades juntas se tornam um agrossistema, que viabiliza a economia da cidade. Possui quatro agências bancárias, Postos do INSS e Receita Federal, Tribunal do Trabalho e vários órgãos estaduais além da CEPLAC.[13] O desemprego é preocupante como em todo o país. Mesmo assim, Camacã tem cerca de 600 pontos comerciais entre lojas e grandes empresas, com 202 indústrias e chegam a gerar 2.200 empregos além das usinas intermediárias do leite que geram em torno de R$ 2 milhões de reais por ano, garantindo cerca de 1.200 empregos.[13]

Agricultura e pecuária[editar | editar código-fonte]

O Agrossistema tem uma forte relação com o município de Camacã, abrangendo a micro região interligada as cidades de Pau Brasil, Mascote, Santa Luzia, Arataca e Jussari. Juntas produzem cerca de 120 mil sacas de cacau ao ano, o que fortalece e muito o comércio local.[13] Mesmo com a chegada da Vassoura de Bruxa nos anos 90, os produtores encontraram novas alternativas no plantio de café, banana, pecuária (produção de leite), criação de gado, destacando o rebanho de muares.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Serra Bonita[editar | editar código-fonte]

A Reserva Serra Bonita é uma pioneira e inovadora iniciativa privada de conservação de florestas submontanas na região sul da Bahia. Almeja proteger a Mata Atlântica brasileira. É um "condomínio" de propriedades rurais de vários proprietários, contendo várias RPPNs, que conjuntamente formam 2.500 ha - a segunda maior área privada protegida do Corredor Central da Mata Atlântica.

Vista aérea da Serra Bonita

As RPPNs contidas em cada propriedade são geridas pelo Instituto Uiraçu, por meio de acordos com os proprietários. Além de gerir essas RPPNs, o Instituto tem por objetivo expandir a proteção à totalidade da Serra Bonita, um dos últimos remanescentes de floresta submontana na região, que cobre uma área de cerca de 7 500 hectares, nos municípios de Camacã e Pau Brasil, Bahia.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. a b [hhttps://cidades.ibge.gov.br/brasil/ba/camacan/panorama «Estimativa populacional 2018 IBGE»]. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2018. Consultado em 25 de novembro de 2018 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 23 de agosto de 2013 
  5. «Produto Interno Bruto dos Municípios». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 10 de agosto de 2018 
  6. «Produto Interno Bruto Por Cidade». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 10 de agosto de 2018 
  7. a b c Campos, João da Silva. Crônica da capitania de São Jorge dos Ilhéus. Editus - Editora da UESC, 2006. Texto escrito em 1936, reeditada em 1981, por ocasião das comemorações do centenário de elevação a município da antiga vila de São Jorge dos Ilhéus, reunindo rico acervo de informações capazes de auxiliar pesquisadores e historiadores interessados no aprofundamento de estudos desde o início da colonização da capitania que teve como primeiro donatário Jorge de Figueiredo Correia.
  8. PARAÍSO, Maria Hilda Baqueiro. Caminhos de ir e vir e caminho sem volta: índios, estradas e rios no Sul da Bahia. Dissertação (Mestrado). Salvador: UFBA, 1982. Disponível em: http://www.ffch.ufba.br/IMG/pdf/1982maria_hilda_baqueiro_paraiso_Parte_1.pdf (primeira parte); http://www.ffch.ufba.br/IMG/pdf/1982maria_hilda_baqueiro_paraiso_Parte_2.pdf (segunda parte); http://www.ffch.ufba.br/IMG/pdf/1982maria_hilda_baqueiro_paraiso_Parte_3.pdf (terceira parte). Acesso em: 04 jul. 2017. 
  9. a b c «Camacan. Histórico». IBGE. 2010. Consultado em 15 de novembro de 2012 
  10. [1]
  11. «Assembleia Legislativa da Bahia - A Assembléia, História da ALBA». www.al.ba.gov.br. Consultado em 4 de julho de 2017 
  12. Foto da Avenida João Vargens
  13. a b c Comunicação, Assessoria de. «Geografia». Prefeitura Municipal de Camacã 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SANTOS, Renato Zumaeta Costa dos. "Contratempos: Cacau e Cacauicultura em Camacan (1980 - 1990)". In: Antônio Pereira Sousa; Janete Ruiz Macêdo; Carlos Roberto Arléo Barbosa. (Org.). Cacauicultura: A Ceplac e a Vassoura de Bruxa em Camacan (Cadernos do CEDOC). Ilhéus: Editus - UESC, 2007, v. 08, p. 109-194.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]