Governador Mangabeira

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Município de Governador Mangabeira
Bandeira de Governador Mangabeira
Brasão de Governador Mangabeira
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 14 de março
Fundação 14 de março de 1962 (55 anos)
Gentílico mangabeirense
Lema Na agricultura és pioneira
Prefeito(a) Marcelo Pedreira de Mendonça (PP)
(2017–2020)
Localização
Localização de Governador Mangabeira
Localização de Governador Mangabeira na Bahia
Governador Mangabeira está localizado em: Brasil
Governador Mangabeira
Localização de Governador Mangabeira no Brasil
12° 36' 07" S 39° 02' 34" O12° 36' 07" S 39° 02' 34" O
Unidade federativa Bahia Bahia
Mesorregião Metropolitana de Salvador IBGE/2008 [1]
Microrregião Santo Antônio de Jesus IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Muritiba, Cabaceiras do Paraguaçu, Conceição da Feira, São Félix e Cachoeira
Distância até a capital 119 km
Características geográficas
Área 106,317 km² [2]
População 21 125 hab. IBGE/2013[3]
Densidade 198,7 hab./km²
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,643 médio PNUD/2010 [4]
PIB R$ 83 827,896 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 4 081,40 IBGE/2008[5]
Página oficial

Governador Mangabeira é um município brasileiro do interior do estado da Bahia. Sua população estimada em 2013 era de 21.125 habitantes. Vizinho dos municípios de Muritiba, Cachoeira , São Felix e Maragogipe, Governador Mangabeira se situa a 6 km a sudoeste de Cachoeira, a maior cidade nos arredores.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Cabeças[editar | editar código-fonte]

No contexto da produção de tabaco e desenvolvimento de tropeirismo, nasceu em 1881, através da lei provincial número 2149, o distrito de Paz nas Cabeças, pertencente ao município de Cachoeira, mas a partir de 1889, Cabeças passou a pertencer a São Félix, já que deste mesmo ano través de um decreto assinado pelo Governador do Estado da Bahia, Dr. Manuel Vitorino, foi criada a cidade de São Félix, a primeira vila constituída no Estado da Bahia no regime Republicano. Em 1919, com a transformação de Muritiba em cidade, Cabeças, se tornou distrito dessa cidade, e permaneceu nessa condição até 1962, quando alcançou sua emancipação politica.

A origem do nome de Cabeças está muito vinculado ao imaginário popular, possuindo versões diferentes nas reminiscências de seus habitantes. Entre as versões, evidencia-se a primeira concepção, esta nasceu de um do memorialista natural da localidade de Outeiro Redondo – São Felix, erradicado em Cabeças, o senhor Antônio Pereira Mota Junior, além disso foi vereador e correspondente do jornal folha do Norte. Ele construiu uma narrativa acerca do fato, cuja reportagem chama-se: Chacina que deu nome a localidade, organizada em doze capítulos e publicada em sete números do jornal. Na matéria do periódico destaca-se a versão de Antônio Pereira no que teria contribuído para o surgimento da localidade: aquela era a época de chacinas por encomendas, e que certa vez, jaziam na via pública da vila corpos decapitados enfiados em pontas estacas, daí viria o nome Cabeças. Outra abordagem para a origem do nome Cabeças que se destaca foi elaborada pela professora e memorialista Angelita Gesteira Fonseca, que assim como Antônio Mota, condicionou sua narrativa a elementos sanguinários. O seu livro Primórdios e progressos da cidade de Governador Mangabeira relata que em ocasião, em determinado ponto da entrada dos portugueses, foram encontradas três cabeças humanas, enfiadas em estacas. Ao que indica as cabeças eram de portugueses, bandeirantes, ou até jesuítas, ali colocadas por índios. Ficou aquele lugar chamado de Cabeças.

Emancipação Política[editar | editar código-fonte]

Seu nome é uma homenagem ao ex-governador do estado, Octávio Mangabeira—mas este não nasceu em Governador Mangabeira, ao contrário da crença geral, e sim na capital Salvador.

Em 1934, Octávio Mangabeira, voltou ao Brasil do seu 1º exílio em Portugal e, como candidato a Deputado Federal, formou uma comitiva que veio de navio até a Cidade de Cachoeira, e seguiu até as cidades vizinhas de São Félix e Muritiba, onde realizou contatos políticos. Chegando no final da tarde ao Distrito de Cabeças, foi recepcionado pela família Fonseca, tendo pernoitado na residência do Sr. José Fonseca, prédio este, que mais tarde viria a ser a sede da Prefeitura Municipal.

No ano de 1959, a coletoria de Cabeças, que funcionava em Muritiba, passou a funcionar no Distrito de Cabeças, sob a chefia de Agnaldo Viana Pereira, quando a receita do distrito foi aumentada vertiginosamente, o que possibilitou a emancipação do município. Para tal, foi fixada uma campanha de conscientização, para que os impostos recolhidos pela venda do fumo – o principal produto – não se realizasse em Cruz das Almas, para onde eram destinados e sim no distrito.

Enoque Fonseca, que viajava como comerciante, passando em Mangabeira, encontrou um grupo de pessoas na loja de Antônio Martins, falando da sua satisfação em saber da luta pela emancipação política, e que o nome de Octávio Mangabeira seria de grande utilidade para o nosso povo, tendo Antônio Martins combatido a sua ingerência. Agnaldo Viana Pereira argumentou que, mesmo não sendo filho deste distrito, tinha ciência que o maior prédio escolar aqui existente – Escolas Reunidas José Bonifácio – foi adquirido e construído pelo então Prefeito de Muritiba, César Leite, com verbas conseguidas junto ao então Governador Otávio Mangabeira. Argumento este suficiente para convencer a todos da homenagem.

Em 14 de março de 1962, foi criado o Município de Governador Mangabeira, através da Lei nº 1639 [6]

Panorama[editar | editar código-fonte]

A Praça Castro Alves, onde se situa a igreja matriz, é o espaço público de maior visibilidade e de maior densidade de fluxo de pessoas e veículos da área urbana no cotidiano local. A área central do município passou por um processo de valorização imobiliária típico de cidades que apresentam um dinamismo econômico e uma centralidade regional, o que não é o caso da cidade em questão. Algumas unidades residenciais foram substituídas por estabelecimentos comerciais. A valorização do solo urbano estimulou a contiguidade espaço físico-espacial da área comercial, notadamente no entorno da praça principal.

 Sob essa ótica do desenho urbano, a praça do município apresenta uma morfologia que se repete nas pequenas cidades do Brasil: Uma imponente igreja católica situada no centro, uma área predominantemente comercial entornada por pequenas casas residenciais.

 Assim como ocorreu em outras cidades de pequeno porte, o desenho arquitetônico e a fachada das casas da área urbana do município se modificaram ao longo do tempo. Encontram-se de forma pontual, algumas edificações históricas com fachadas detalhadas, corredor central, alpendre lateral, no entanto predominam no conjunto casas com fachadas mais lisas, traços arquitetônicos racionalistas, de formas diversas expressando várias facetas da arquitetura vernacular. É importante ressaltar que não existia até pouco tempo atrás um centro histórico na cidade e sim algumas formas espaciais históricas, como unidades residenciais e os resquícios dos antigos armazéns refuncionalizados, isso mudou com a reinauguração do clube cultural, que possui um memorial no primeiro andar.

 A cidade apresenta um desenho urbano alongado. Como típico de pequenas cidades, a aplicação de recortes espaciais ou políticos-administrativos que tipifiquem bairros não se aplica. Certas ruas são conhecidas pelos moradores locais, como a Rua das Bananeiras (topônimo popular da Rua Cesar Martins).

 Outras áreas não são plenamente definidas como bairro, a exemplo de Pontos, um conjunto de diferentes arruamentos, sem um limite geográfico definido. O centro de Pontos é a praça da Bandeira, chamada pelos moradores de “Praça dos Pontos” devido o surgimento no local do Ponto 13, um lugar de passagem em que os transeuntes passavam para comer, beber e descansar. Atualmente, essa praça possui o segundo maior templo católico da área urbana, São Benedito, o padroeiro da comunidade.

 Pode-se afirmar que a noção de bairro aplica-se ao Portão, uma área que até a década de 1980 era predominantemente rural; atualmente ainda existem atividades agrícolas pontuais. O Portão faz ligação com a área urbana central por uma rua longa e calçada por paralelepípedos. As facilidades de acesso possibilitam uma articulação funcional, no entanto, não existe uma continuidade física na área edificada, porque neste bairro a umas faixas de terra na qual passam redes de alta tensão e que por isso são de servidão perpétua da CHESF – Companhia Hidrelétrica do São Francisco. Além da subestação da CHESF, o Portão abriga outra unidade federal: o Instituto Federal Baiano de Educação, Ciência e Tecnologia – IFBAIANO.

 A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade, é a edificação que possui visibilidade no conjunto edificado no miolo urbano de Governador Mangabeira. O seguinte templo religioso foi erguido de frente para a antiga entrada da cidade pela antiga rodovia que ligava Salvador o sul do estado da Bahia, que tinha traçado sinuoso, passando por diferentes cidades do recôncavo. O objetivo dessa malha rodoviária era não só a interligação entre regiões, como entre cidades. Com a construção da BR – 101 no início da década de 1970, as principais entradas da cidade passaram a ser então as duas vias que canalizam os veículos em direção à referida rodovia federal: Rua Cesar Martins, onde se situa o cemitério local e a entrada dos Pontos, onde se inicia uma rua alongada que é uma via estruturante de fluxos no miolo urbano da cidade. A principal entrada da cidade desemboca, dessa forma, nos fundos da Igreja Matriz.

 Os templos católicos se destacam no conjunto edificado, pelo seu caráter destoante como forma espacial hipersensível, numa época na qual a grande maioria dos habitantes da cidade era católica. O aumento do número de adeptos de religiões evangélicas fez surgir no município outras edificações religiosas. Destacam-se os templos da Igreja Presbiteriana, que está localizado próximo à praça principal, a Igreja Assembleia de Deus, que margeia uma via publica central de imenso fluxo de pessoas e veículos e a Igreja Batista, que possui um expressivo tempo próximo a prefeitura municipal. Há outros segmentos religiosos que possuem igrejas e edificações em outros pontos da cidade. Há também terreiros de religião matriz afro-brasileira tanto na área urbana quanto na área rural do município. Há uma relação direta entre a dinâmica sociocultural do lugar e as tipologias das edificações que surgem ou desaparecem no desenho urbano da cidade.

 Na Rua José Martins há duas edificações residenciais históricas. Essa rua é calçada por um piso formado por rochas irregulares típicos de cidades históricas. Segundo os moradores mais antigos, trata-se do primeiro logradouro publico da cidade. No início da década de 1990 demoliu-se um sobrado antigo para construção do centro cultural de festas, eventos e entretenimento festivo, que foi requalificado em 2012.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Censo Populacional 2013». Censo Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2013. Consultado em 30 de outubro de 2013 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 7 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  6. «Histórico de Governador Mangabeira» 

[1]

[2]

[3]

[4]

  1. Silva, Conceição, Elizabete, Alaíse (2012). 50 nos de Governador Mangabeira: Perspectivas históricas e sociais. Governador Mangabeira: Textura. pp. 20,21,22,23,171, 
  2. Mota Junior, Antonio (1962). «Chacina que deu Nome a Localidade de Governador Mangabeira». Folha do Norte 
  3. Silva, Luiz (2004). «A vila e o coronel: memória e poder local na vila de cabeças – Bahia (1920-1962)» (PDF) 
  4. Fonseca, Angelita (2000). Chacina que deu Nome a Localidade de Governador Mangabeira. Governador Mangabeira: [s.n.]