Arataca

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Município de Arataca
Bandeira desconhecida
Brasão desconhecido
Bandeira desconhecida Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 9 de maio
Fundação 9 de maio de 1985
Gentílico arataquense
Prefeito(a) Fernando Mansur Gonzaga
(2013–2016)
Localização
Localização de Arataca
Localização de Arataca na Bahia
Arataca está localizado em: Brasil
Arataca
Localização de Arataca no Brasil
15° 15' 46" S 39° 24' 50" O15° 15' 46" S 39° 24' 50" O
Unidade federativa Bahia Bahia
Mesorregião Sul Baiano IBGE/2008[1]
Microrregião Ilhéus-Itabuna IBGE/2008[1]
Região metropolitana Zona Cacaueira
Municípios limítrofes Camacan, Jussari, Santa Luzia, São José e Una
Distância até a capital 500 km
Características geográficas
Área 375,206 km² [2]
População 11 773 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 31,38 hab./km²
Clima tropical Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,559 baixo PNUD/2010 [4]
PIB R$ 54 785,659 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 4 986,86 IBGE/2008[5]
Página oficial
Cachoeira do Zuza
Região do Javí - Zuza

Arataca é um município brasileiro do estado da Bahia.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Sua população estimada em 2010 era de 10.392 habitantes (CENSO-2010). Já chegou a ter cerca de 18.000 habitantes no auge do ouro da Bahia (cacau). O município foi desmembrado da cidade de Santo Antônio da Barra de Una (Una-BA) em 9 de maio de 1985.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Distrito criado com a denominação de Xapuri, pelo decreto estadual nº 8045, de 23 de abril de 1932, subordinado ao município de Una. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Xapuri, figura no município de Una. Assim permanecendo no quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943. Pelo decreto-lei estadual nº 141, de 31 de dezembro de 1943, retificado pelo decreto estadual nº 12978, de 1 de junho de 1944, o distrito de Xapuri tomou a denominação de Arataca. Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o distrito de Arataca (ex-Xapuri), figura no município de Una. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-I-1979. Elevado à categoria de município com a denominação de Arataca, pela lei estadual nº 4442, de 9 de maio de 1985, desmembrado de Una. Sede no antigo distrito de Arataca. Constituído de 2 distritos: Arataca e Itatingui, ambos desmembrados de Una. Instalado em 1 de janeiro de 1986. Em divisão territorial datada de 1988, o município é constituído de 2 distritos: Arataca e Itatingui. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007[6].

Administração[editar | editar código-fonte]

Parque Nacional Serra das Lontras[editar | editar código-fonte]

A Região onde se localiza o município de Arataca é caracterizada pelo tradicional cultivo de cacau em cabruca, um sistema agroflorestal que favorece a biodiversidade por estar associado a áreas de Mata Atlântica nativa.

A região apresenta um histórico de desenvolvimento econômico desde o século XIX, ligado ao cultivo e ao comércio do cacau que marcou a ocupação do solo, a sociedade e a cultura locais até os dias de hoje. Entre as décadas de 1930 e 1980, o Sul da Bahia foi o maior produtor de cacau do mundo.

As cabrucas, que são formas tradicionais de cultivo do cacau sob a sombra de árvores nativas, representam, além do seu valor social e histórico, uma forma de cultivo compatível com a conservação da biodiversidade nessa paisagem.

Em razão da crise do cacau, os produtores foram pressionados a substituir suas cabrucas por cultivos mais agressivos que degradam a paisagem florestal e ameaçam a biodiversidade local.

O Parque Nacional Serra das Lontras, criado por decreto S/N, pelo então presidente Luiz Inácio "Lula" da Silva, em 11 de junho de 2010, possui uma área de 11.336 ha. Está localizado no Sul da Bahia e é formado por área compreendida pelos municípios de Arataca, São José da Vitória e Una, sendo que a maior parte desse Parque está localizado no município de Arataca, que está localizado ha 480 km de Salvador[7].

Em 2012, a gestão do Parna junto com o ICMBio garantiu a instalação de 11 placas de sinalização em seus limites.

O Parque Nacional Serras das Lontras, conta com vários atrativos turísticos como a região do Javi e Quati, com elevações que chegam a mil metros de altitude e abrigam raras formações de florestas de altitude. Nos últimos anos, foram descobertas novas espécies de aves e plantas no local[8].

Considerando a importância ecológica e as pressões existentes na Serra das Lontras, a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil - SAVE Brasil (www.savebrasil.org.br/‎) definiu a área como prioritária de atuação e contribui, desde 2000, para a conservação da Mata Atlântica na região. A região abriga um dos maiores mananciais de água da região cacaueira, abastecendo as cidades de Una e São José da Vitória. O Parna presenta grande potencial para ecoturismo pela beleza cênica e proximidade à BR-101[9].

Veja:

Lista de Parques Nacionais no Brasil

Sobre o parque:[editar | editar código-fonte]

Esfera Administrativa: Federal
Estado: Bahia
Município: Arataca, São José da Vitória e Una
Categoria: Parque
Bioma: Mata Atlântica
Área: 11.336 hectares
Diploma legal de criação: Criado em 11 de junho de 2010.
Coordenação regional / Vinculação: Parna federal, órgão gestor ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)

Possui rica diversidade, e se encontra espécies muito raras de mamíferos, como o macaco-prego-do-peito-amarelo e o mico-leão-de-cara-dourada. Provavelmente, ocorre o muriqui-do-norte, espécie quase extinta no estado da Bahia. Provavelmente, a onça-pintada também utiliza áreas de floresta dentro do parque. A área é uma das últimas com tamanho suficiente para proteger espécies de mamíferos de grande e médio porte na Mata Atlântica baiana.

Lista de Espécies Ameaçadas protegidas nesta Unidade de Conservação[10]

AVES MAMÍFEROS PLANTAS
- Acrobata
- Amadonastur lacernulatus (Gavião-Pombo)
- Amazona rhodocorytha (Chauá)
- Carpornis melanocephalus
- Cichlopsis leucogenys (Sabiá-Castanho)
- Harpia harpyja (Harpia)
- Iodopleura pipra (Anambezinho)
- Myrmotherula minor (Choquinha-pequena)
- Myrmotherula urosticta Choquinha-de-rabo-cintado)
- Phylloscartes beckeri
- Pyrrhura cruentata (Tiriba-grande)
- Sporophila falcirostris (Cigarra-verdadeira)
- Sporophila frontalis (estalador)
- Thalurania watertonii
- Thripophaga macroura
- Touit melanonotus (Apuim-de-costa-preta)
- Touit surda (Apuim-de-cauda-amarela)
- Xipholena atropurpurea
- Preguiça-de-coleira
- Callicebus melanochir(macaco-novo)
- Chaetomys subspinosus (Ouriço-preto)
- Leontopithecus chrysomelas (mico-leão)
- Puma concolor (Suçuarana)
- Sapajus xanthosternos (Macaco-prego)
- Aechmea gustavoi
- Baptistonia truncata
- Trichopilia santoslimae
- Begonia itaguassuensis
- Canistrum camacaense
- Canistrum montanum
- Heteropterys bullata
- Hirtella santosii
- Houlletia brocklehurstiana
- Huberia carvalhoi
- Licania belemii
- Paralychnophora bicolor
- Portea nana
- Solanum bahianum
- Solanum restingae
- Brachionidium restrepioides
- Davilla macrocarpa
- Euterpe edulis
- Hiraea bullata
- Inga grazielae
- Octomeria geraensis
Cachoeira do Zuza - Região do Javí

Sem dúvida, além da fauna e flora bastante abrangente e diversificada com exemplares endêmicos, a água do PNSL merece destaque. Estudos foram feitos e foram contatados que a área do Parque contém “grande quantidade de nascentes e córregos que abastecem algumas dezenas de milhares de habitantes, nas sedes e distritos municipais de quatro cidades.”

Os resultados do projeto "Aliança das Águas"[11] aponta que “a qualidade da água é muito boa, sendo pouco salina, rica em oxigênio, baixa acidez e muito pouco turva. Mesmo nos períodos de baixas vazões, os rios amostrados são responsáveis por pelo menos 972 litros de água a cada segundo. Estes valores aumentam para 7.317 litros de água a cada segundo nos períodos de cheias. É importante lembrar que estes volumes de água são u lizados por um grande número de pessoas para suas necessidades. A grande quantidade e a boa qualidade das águas dos rios amostrados é resultado da mata ainda preservada da área do Parque Nacional da Serra das Lontras sendo, portanto, importante que esta área permaneça preservada e protegida, para assegurar que hoje, e no futuro, muitas pessoas possam ter a garantia de poder continuar a ter acesso a este precioso liquido”.[12]

Os usos do solo presentes na Zona de Amortecimento (ZA), ou entorno, do Parque e no território da Unidade de Conservação (UC) podem ser agrupados em três grandes classes principais. Floresta Primária: Essa classe é caracterizada pela presença densa de remanescentes florestais em estágio avançado de regeneração. Pesquisadores publicaram uma lista preliminar com 900 espécies e seus dados mostram que essa região abriga os mais significa vos remanescentes de floresta ombrófila densa montana no sul da Bahia (Amorim et al., 2009, Two new Species of Quesnelia (Bromeliaceae: Bromelioideae) from the Atlan­c Rain Forest of Bahia, Brazil. Bri$onia 61(1): 14-21.). Além da floresta esta classe inclui ainda algumas cabrucas abandonadas com mais de 150 anos. Floresta Secundária: Essas representam as áreas em processo de recuperação da mata original e também os cul vos de seringa e as cabrucas (sistema tradicional de cul vo de cacau sombreado). Agricultura/Pasto: Nessa classe são representadas as áreas com atividades agrícolas e outros usos antrópicos, como pastagens e áreas abertas.[11]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 25 de agosto de 2013. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  6. «Arataca» (PDF). 2010. 
  7. «MPF - PARNA Serra das Lontas». 
  8. Estudo: “Complexo de Serras das Lontras e Una, Bahia: Elementos naturais e aspectos de sua conservação”, SAVE Brasil, Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia (IESB), BirdLife International e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
  9. «Serra das Lontras». 
  10. «ICMBio». 
  11. a b Aliança das Águas
  12. Paula et al., 2013. Documento de informação e apoio para a gestão da área de influência do Parque Nacional da Serra das Lontras, municípios de Una, S. J. da Vitória e Arataca, sul da Bahia – Brasil. IESB/UESC, Ilhéus-BA.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]