Ouriço-preto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaOuriço-preto[1]
Ocorrência: Oligoceno
Chaetomys subspinosus-2013.gif

Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Rodentia
Família: Erethizontidae
Subfamília: Chaetomyinae
Género: Chaetomys
Gray, 1843
Espécie: C. subspinosus
Nome binomial
Chaetomys subspinosus
(Olfers, 1818)

O ouriço-preto(nome comum acadêmico) ou luís-cacheiro-preto(nome comum popular) (nome científico: Chaetomys subspinosus) é uma espécie de roedor da família Erethizontidae que é endêmico da porção central da Mata Atlântica, do sul do estado de Sergipe, Bahia, Espírito Santo até o norte do Rio de Janeiro.[3][4] Localizado na porção basal da árvore filogenética dos eritizontídeos, o ouriço-preto é a espécie mais antiga da família.

De hábitos arborícolas e dieta folívora, a espécie também é conhecida em alguns locais como borê, jaú-torino ou gandú.[5] Devido à sua raridade e à capacidade de se manter camuflado em meio à vegetação, por mais de 35 anos a espécie não foi registrada pelos cientistas, o que levou os pesquisadores a suspeitarem que ela estava extinta na natureza. Na década de 80, durante uma expedição científica especialmente designada para avaliar sua existência e distribuição geográfica, o ouriço-preto foi redescoberta na natureza.[3]

É provável que as populações de ouriço-preto estejam em franco declínio, principalmente devido à alteração e redução da Mata Atlântica, embora o seu estado de conservação não seja tão drástico como se considerava anteriormente. Por isso é categorizado como espécie vulnerável à extinção pela IUCN[2] e pela lista de espécies ameaçadas do Brasil.[6] Esta é atualmente a maior espécie de roedor ameaçada de extinção do Brasil,[7] considerada prioritária para a conservação por ser monotípica, endêmica e usada por humanos.[8]

Mais recentemente, tem sido realizado um grande esforço por parte de pesquisadores brasileiros para estudar aspectos de sua biologia e propor políticas públicas dentro de um plano de ação nacional para a sua conservação, realizado em colaboração do ICMBio com a Universidade Estadual de Santa Cruz.[4]

Taxonomia e evolução[editar | editar código-fonte]

O ouriço-preto faz parte de um grupo de roedores da subordem Hystricognatha e família Erethizontidae conhecidos como ouriços-cacheiros ou porcos-espinhos. Os animais deste grupo recebem estes nomes porque possuem o corpo provido de pêlos rígidos e aristiformes, que funcionam como espinhos que participam dos mecanismo de defesa contra predadores.[9] Os registros fósseis evidenciam a presença de ouriços-cacheiros na América do Sul desde o Oligoceno (23,7 a 36,6 milhões de anos atrás).[1]

São reconhecidas 16 espécies na família, divididas em duas subfamílias: Erethizontinae e Chaetomyinae.[10] O ouriço-preto é a única espécie atual da sub-familia Chaetomyinae e do gênero Chaetomys, sendo também a espécie mais divergente e basal (antiga) na filogenia da família Erethizontidae. Através de sequenciamento genético estimou-se que o ouriço-preto surgiu a cerca de 21 milhões de anos, enquanto todas as outras espécies de ouriços-cacheiros atualmente existentes do continente americano surgiram nos último 8 milhões de anos. Tais estimativas evidenciam o alto valor filogenético e evolutivo que a espécie representa.[11][10]

Morfologia externa[editar | editar código-fonte]

C. subspinosus é um roedor de porte médio, pesando de 1,2 a 2,3 kg e medindo de 60 a 73 cm do focinho à ponta da cauda.[12] Apesar do nome, o animal não é de coloração preta, mas sim apresenta uma coloração brunácea.[13] Recebeu o adjetivo “preto” para diferenciá-lo de outra espécie simpátrica, também endêmica, Coendou insidiosus, chamada comumente de "luís-cacheiro-amarelo", que apresenta os espinhos bicolores (amarelo-preto), mas predominantemente amarelos.[14]

O ouriço-preto também difere das demais espécies de ouriços-cacheiros do continente americano por apresentar os espinhos restritos à parte anterior do corpo (cabeça, pescoço e membros anteriores), enquanto que nas outras espécies os espinhas estão distribuídos em toda superfície dorsal e vão até a base da cauda.[12][15] A pelagem do ouriço-preto é macia e uniformemente ondeada, cobrindo o dorso e as partes posteriores, sem rigidez, e se assemelha a cerdas.[13] Ainda distinguindo-o dos demais ouriços-cacheiros, os espinhos da espécie não possuem farpas.[16] Devido à ausência de espinhos rígidos na parte posterior do corpo, acredita-se que a espécie pode ser mais vulnerável do que outros ouriços quando exposta a predadores.[17]

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

A distribuição geográfica do ouriço-preto abrange as florestas da porção central da Mata Atlântica, desde o extremo norte do estado do Rio de Janeiro até o sul de Sergipe, incluindo os estados do Espírito Santo, Bahia e nordeste de Minas Gerais.[18] Ao longo dessa distribuição, o ouriço-preto habita restingas arbóreas e também florestas úmidas e semideciduais em estágio médio a avançado de regeneração.[2][18] Apesar da espécie ter sido anteriormente descrita habitando as sistemas agroflorestais para a produção de cacau,[13][1] as pesquisas mais elaboradas realizada posteriormente têm indicado que os ouriços-pretos evitam estas plantações assim como outros habitats estruturalmente simplificados da região sul da Bahia, tais como seringais e florestas em estágio inicial de regeneração, com altura inferior a 5 m.[17] Por esta razão e pelo baixo sucesso em encontrá-los nestes ambientes,[4] estes tipos de vegetação não podem ser considerados como habitats adequados para o ouriço-preto.[17] Considerando que tais tipos de vegetação integram boa parte da cobertura florestal da região sul da Bahia, a quantidade de habitat para esta espécie na região é menor do que se supunha antes destas pesquisas detalhadas.[4][17]

Ecologia e comportamento[editar | editar código-fonte]

C. subspinosus é um animal noturno e solitário. Tem hábito estritamente arborícola, gastando quase todo o seu tempo em cima de árvores e lianas. Possui diversas adaptações para o hábito arborícola: cauda preênsil, fortes garras e, ao invés de do hálux, apresenta uma grande calosidade móvel e preensora provida de uma estrutura óssea que alarga bastante a sola das patas.[13][19][20] Estas adaptações auxiliam no seu equilíbrio e segurança durante o deslocamento pelos galhos e cipós.[19][17]

Mais de 90 % da dieta do ouriço-preto é composta de folhas de árvores e lianas, um recurso alimentar fibroso e energeticamente pobre.[21][22] Similar as outras espécies arborícolas folívoras, como as preguiças e os coalas, a espécie adota comportamentos que maximizam sua sobrevivência com baixo gasto de energia. Os animais passam a maior parte do tempo em repouso, apresentando movimentos letárgicos em alguns momentos e buscando maximizar sua camuflagem entre a vegetação para evitar predadores.[20]

Os ouriços-pretos são altamente seletivos para se alimentar, preferindo folhas jovens de árvores leguminosas da família Fabacea, predominando em sua dieta as folhas de Inga thibaudiana, Albizia pedicellaris e Pera glabrata.[22] Ao menos uma destas espécies de árvores aparece como predominante na dieta dos animais de diferentes localidades.[21][22]

Para se alimentarem os animais selecionam grandes árvores próximas a bordas da floresta, provavelmente porque essas árvores recebem maior luminosidade e como consequência apresentam uma alta produtividade de folhas, o que leva a uma maior oferta e reposição de alimento.[17] Para lidar com a dieta fibrosa de folhas, a espécie possui um grande ceco funcional e seleciona folhas jovens com altas concentrações de proteínas.[22] Nas áreas de floresta cada indivíduo estabelece uma área de vida média em torno 2 hectares, que varia entre 0,5 e 15 ha e onde o indivíduo monitora os recursos disponíveis .[23][24][17] Por se alimentar desse recurso abundante (folhas de árvores secundárias iniciais abundantes), há sugestões de que a degradação e redução do habitat ocorridas na Mata Atlântica não limitariam a disponibilidade de alimento para a espécie.[17][22]

O ouriço-preto desloca-se por cima das árvores durante a noite e repousa em abrigos escuros durante o dia.[20][24][17] Utiliza emaranhados de cipós, bromélias, ocos e folhas de palmeiras como abrigo.[19][20][24][23] Raramente desce ao chão durante seus movimentos rotineiros e frequentemente utiliza cipós para se deslocar e repousar.[5][17] A abundância de cipós determina a seleção de habitat pela espécie tanto na escala de paisagem quanto dentro das florestas.[17]

Estado de conservação e ameaças[editar | editar código-fonte]

Chaetomys subspinosus é considerada uma espécie vulnerável à extinção pela IUCN devido a sua restrita área de ocorrência e ao contínuo declínio da quantidade e qualidade de habitat disponível para a espécie.[2] O ICMBio também classifica a espécie como vulnerável.[6]

Mesmo considerando que a degradação e redução dos habitats podem não estar limitando os recursos alimentares do ouriço-preto, é evidente que outras pressões como perda de habitat, isolamento das populações, caça e fogo precisam ser controladas e minimizadas para a conservação da espécie.[4][17]

A principal ameaça ao ouriço-preto é a perda de habitat, pois mais de 80 % das áreas de florestas já foram destruídas ao longo de sua distribuição geográfica.[25] O desmatamento tem continuado e, apesar do estado da Bahia abrigar potencialmente a maior população da espécie,[18] este também foi o estado que apresentou as maiores taxas de desmatamento da Mata Atlântica nos anos de 2015 e 2016 segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE, uma preocupante situação para a conservação desta e de outras espécies endêmicas do bioma.[26]

Outras ameaças ao ouriço-preto são a caça e o fogo.[14][4][18] Tais práticas ainda são realizadas com alta frequência, mesmo em áreas protegidas.[14]

Além da caça ser proibida pela legislação brasileira, o ouriço-preto pode hospedar Toxoplasma gondii e outros agentes zoonóticos, sendo desaconselhado o seu consumo por causa do risco de transmissão de doenças.[27][28]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Wilson, D.E.; Reeder, D.M., ed. (2005). Mammal Species of the World 3º ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. pp. 1538–1600. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  2. a b c d Lista Vermelha da IUCN (em inglês)Chaetomys subspinosus Acedido em 2017-07-17.
  3. a b Voss, Robert S.; Hubbard, Caldonia; Jansa, Sharon A. (2013). «Phylogenetic Relationships of New World Porcupines (Rodentia, Erethizontidae): Implications for Taxonomy, Morphological Evolution, and Biogeography» (requer pagamento). American Museum Novitates (em inglês) (3769): 1–36. ISSN 0003-0082. doi:10.1206/3769.2 
  4. a b c d e f Faria, Deborah; Giné, Gastón Andrés Fernandez, eds. (2010). Plano de ação nacional para conservação do ouriço preto (PDF). Brasília: ICMBio. ISBN 978-85-61842-28-4 
  5. a b Giné, 2009
  6. a b «Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Mamíferos - Chaetomys subspinosus (Olfers, 1818) - Ouriço-preto». www.icmbio.gov.br. Consultado em 20 de julho de 2017 
  7. Machado, Moreira e Pereira, 2008
  8. Alves, Davi M. C. C.; Brito, Daniel (1 de setembro de 2013). «Priority Mammals for Biodiversity Conservation in Brazil». Tropical Conservation Science (em inglês). 6 (4): 558–583. doi:10.1177/194008291300600408 
  9. Chapman, David M.; Roze, Uldis (1 de janeiro de 1997). «Functional histology of quill erection in the porcupine, Erethizon dorsatum» (requer pagamento). Canadian Journal of Zoology (em inglês). 75 (1): 1–10. ISSN 0008-4301. doi:10.1139/z97-001 
  10. a b Voss, Robert S.; Hubbard, Caldonia; Jansa, Sharon A. (1 de fevereiro de 2013). «Phylogenetic Relationships of New World Porcupines (Rodentia, Erethizontidae): Implications for Taxonomy, Morphological Evolution, and Biogeography» (requer pagamento). American Museum Novitates (em inglês) (3769): 1–36. ISSN 0003-0082. doi:10.1206/3769.2 
  11. Vilela, Roberto V.; Machado, Taís; Ventura, Karen; Fagundes, Valéria; de J Silva, Maria José; Yonenaga-Yassuda, Yatiyo (2009). «The taxonomic status of the endangered thin-spined porcupine, Chaetomys subspinosus (Olfers, 1818), based on molecular and karyologic data». BMC Evolutionary Biology (em inglês). 9 (1). 29 páginas 
  12. a b Eisenberg, John F.; Redford, Kent H. (1999). Mammals of the Neotropics, Volume 3: Ecuador, Bolivia, Brazil (em inglês). Chicago: University of Chicago Press. ISBN 9780226195421 
  13. a b c d Moojen, João (1952). Os Roedores do Brasil. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro 
  14. a b c Castilho, Luciana C.; Martinez, Romari A.; Giné, Gastón A. F.; Ribeiro, Gabriela C.; Schiavetti, Alexandre (2013). «The Thin-Spined Porcupine, Chaetomys subspinosus (Rodentia: Erethizontidae), within Protected Areas in the Atlantic Forest, Brazil: Local Knowledge and Threats». Tropical Conservation Science (em inglês). 6 (6): 796–810. ISSN 1940-0829. doi:10.1177/194008291300600607 
  15. Giné, 2009
  16. Roze, Uldis (2012). Porcupines: The Animal Answer Guide (em inglês). Baltimore: The Johns Hopkins University Press. ISBN 9781421407357 
  17. a b c d e f g h i j k l Giné, Gastón Andrés Fernandez; Barros, Eduardo Hoffmam de; Duarte, José Maurício Barbanti; Faria, Deborah Maria (2015). «Home range and multiscale habitat selection of threatened thin-spined porcupine in the Brazilian Atlantic Forest». Journal of Mammalogy (em inglês). 96 (5): 1095–1105. ISSN 0022-2372. doi:10.1093/jmammal/gyv117 
  18. a b c d Oliver, William L. R.; Santos, Ilmar Bastos (1991). Threatened endemic mammals of the Atlantic forest region of south-east Brazil (em inglês). Jersey: Jersey Wildlife Preservation Trust 
  19. a b c Chiarello, A.G.; Passamani, M.; Zortéa, M. (1997). «Field observations on the thin-spined porcupine, Chaetomys subspinosus (Rodentia; Echimyidae)» (requer pagamento). Mammalia (em inglês). 61 (1). ISSN 1864-1547. doi:10.1515/mamm.1997.61.1.29 
  20. a b c d Giné, Gastón Andrés Fernandez; Duarte, José Maurício Barbanti; Motta, Tatiana Cristina Senra; Faria, Deborah (2012). «Activity, movement and secretive behavior of a threatened arboreal folivore, the thin-spined porcupine, in the Atlantic forest of southern Bahia, Brazil» (requer pagamento). Journal of Zoology (em inglês). 286 (2): 131–139. ISSN 1469-7998. doi:10.1111/j.1469-7998.2011.00855.x 
  21. a b de Souto Lima, Rodrigo B.; Oliveira, Pedro A.; Chiarello, Adriano G. «Diet of the thin-spined porcupine (Chaetomys subspinosus), an Atlantic forest endemic threatened with extinction in southeastern Brazil» (requer pagamento). Mammalian Biology - Zeitschrift für Säugetierkunde (em inglês). 75 (6): 538–546. doi:10.1016/j.mambio.2009.09.002 
  22. a b c d e Giné, Gastón Andrés Fernandez; Duarte, José Maurício Barbanti; Faria, Deborah (2010). «Feeding ecology of a selective folivore, the thin-spined porcupine (Chaetomys subspinosus) in the Atlantic forest». Journal of Mammalogy (em inglês). 91 (4): 931–941. ISSN 0022-2372. doi:10.1644/09-MAMM-A-185.1 
  23. a b Zortéa, Marlon; Brito, Bernardo F. A. de (2010). «Diurnal roosts and minimum home range defined by sleeping sites of a thin-spined porcupine Chaetomys subspinosus (Rodentia: Erethizontidae)». Zoologia (Curitiba). 27 (2): 209–212. ISSN 1984-4670. doi:10.1590/S1984-46702010000200008 
  24. a b c Oliveira, Pedro A.; Lima, Rodrigo B. Souto; Chiarello, Adriano G. (2012). «Home range, movements and diurnal roosts of the endangered thin-spined porcupine, Chaetomys subspinosus (Rodentia: Erethizontidae), in the Brazilian Atlantic Forest». Mammalian Biology - Zeitschrift für Säugetierkunde. 77 (2): 97–107. doi:10.1016/j.mambio.2011.09.005 
  25. Ribeiro, Milton Cezar; Metzger, Jean Paul; Martensen, Alexandre Camargo; Ponzoni, Flávio Jorge; Hirota, Márcia Makiko (2009). «The Brazilian Atlantic Forest: How much is left, and how is the remaining forest distributed? Implications for conservation» (requer pagamento). Biological Conservation (em inglês). 142 (6): 1141–1153. doi:10.1016/j.biocon.2009.02.021 
  26. «Desmatamento da Mata Atlântica cresce quase 60% em um ano - SOS Mata Atlântica». SOS Mata Atlântica. 26 de maio de 2017 
  27. Bezerra, Gastón Andrés Fernandez (2015). «Identification and genetic characterization of Toxoplasma gondii in free-ranging bristle-spined porcupine (Chaetomys subspinosus), a threatened arboreal mammal from the Brazilian Atlantic Forest». 8: 277. ISSN 1756-3305. doi:10.1186/s13071-015-0882-6 
  28. Bezerra, R.A.; Giné, G.A.F.; Marques, E.L.S.; Abreu-Tarazi, M.F.; Rezende, R.P.; Gaiotto, F.A. «Elucidation of bacterial community structure on thin-spined porcupine (Chaetomys subspinosus) spines by denaturing». Genetics and Molecular Research. 14 (4): 11867–11875. doi:10.4238/2015.october.2.20 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Ouriço-preto