Queimadas (Bahia)

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Queimadas
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Queimadas
Bandeira
Brasão de armas de Queimadas
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "Princesa do Itapicuru"
Gentílico queimadense
Localização
Localização de Queimadas na Bahia
Localização de Queimadas na Bahia
Mapa de Queimadas
Coordenadas 10° 58' 40" S 39° 37' 26" O
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Nordestina, Santaluz, Cansanção, Filadélfia, Ponto Novo, Caldeirão Grande, Caém e Capim Grosso
Distância até a capital 302 km
História
Fundação 20 de junho de 1884 (137 anos)
Aniversário 20 de junho
Administração
Prefeito(a) André Luiz Andrade (PT, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 2 027,875 km²
População total (IBGE/2013[2]) 26 023 hab.
Densidade 12,8 hab./km²
Clima Semi-árido
Altitude 295 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
CEP 48860-000
Indicadores
IDH (PNUD/2010[3]) 0,592 baixo
PIB (IBGE/2008[4]) R$ 75 758,140 mil
PIB per capita (IBGE/2008[4]) R$ 2 670,55
Outras informações
Padroeiro(a) Santo Antônio das Queimadas
Sítio queimadas.ba.gov.br (Prefeitura)

Queimadas é um município brasileiro do estado da Bahia.[5] A cidade localiza-se a uma distância aproximada de 300 km da capital do Estado, Salvador, e situada a uma latitude 10º58'42" sul e a uma longitude 39º37'35" oeste, estando a uma altitude de 295 metros. Sua população estimada em 2020 era de 25.433 habitantes. Possui uma área de 2.011,060 km², conforme dados registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).[5]

História[editar | editar código-fonte]

Localiza-se no polígono das secas a margem direita do rio Itapicuru-açu, em terras das incomensuráveis sesmarias da Casa da Ponte, existiam as fazendas “As Queimadas”, ambas pertencentes à Isabel Maria Guedes de Brito, herdeira desses imensos territórios.[6] Os mesmos territórios de Isabel deram origem ao munícipio de Queimadas.[7][6]

A denominação das fazendas surge do fato que ali se faziam grandes queimadas de caatingas para botar roçados, hábitos este praticados pelos índios e seguido pelos colonizadores. As coivaras frequentes acabaram por assinalar para sempre o sitio a que dera o nome, posteriormente, ao povoado, à freguesia, à vila, à cidade e ao município.[6]

Mas logo que o povoamento das fazendas começou facilitado pelas concessões que a proprietária fazia aos que nela se quisessem fixar, assim que surgiu a capela em torno da qual foi se formando o arraial, a denominação Queimadas ganhou uma complementação, passando o lugarejo a ser conhecido por Santo Antônio das Queimadas - tornando-se patrono da cidade.[8]

Mais tarde elevada a Vila Bela de Santo Antonio das Queimadas e hoje apenas Queimadas, foi emancipada no dia 20 de junho de 1884, sendo mais uma cidade centenária no sertão nordestino da Bahia.[8] O topônimo se enriqueceu com o nome do Santo que passou a fazer integrante da vida da localidade em todas as fases da sua história.[9]

A invocação a Santo Antônio não se deu por acaso, segundo a lenda que se transmitiu de geração a geração com a força de fé das almas simples e crédulas.[8] Dizem que a imagem apareceu, inexplicavelmente, debaixo de uma árvore no local onde há cento e noventa e quatro anos e se edificou a capelinha.[9] A fazendeira tantas vezes a recolhesse, como a imagem sumia do seu rico nicho de jacarandá e reaparecia no mesmo lugar onde a encontraram pela primeira vez. O caso foi tomado como milagre e a noticia se espalhou pela redondeza, arrastando fiéis que passaram a reverenciar o local da aparição.[9] Não havia mais dúvida: Santo Antônio estava a indicar que ali devia ser construída uma igreja, o que foi feito.[6] E assim, no ano da graça de 1815, as obras foram concluídas, e no dia 13 de junho do mesmo ano, Santo Antônio foi entronizado e elevado à condição de padroeiro da povoação nascente.[6]

Um fato curioso é que a mesma imagem antes símbolo de devoção foi julgada e condenada na comarca de Água Fria por crime de assassinato, após um individuo ter aparecido morto à frente da Igreja.[10] A igrejinha construída na propriedade de Isabel Maria Guedes de Brito ainda hoje existe na sua forma original, embora, vez por outra, procurem atentar contra as suas características primitivas.[11]

Queimadas é uma cidade com uma enorme diversidade histórico-cultural, local de descanso das tropas militares que iam em direção a cidade de Canudos, terra de antigos coronéis da República Velha (1889-1930).[12] Queimadas é hoje uma cidade de festas populares e de pessoas que através da arte resgatam a cultura do povo brasileiro, nordestino, baiano, queimadense.[13][14]

Demografia[editar | editar código-fonte]

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Queimadas, é considerado de médio desenvolvimento de humano pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é de 0,592.[15][5]

Apesar de não ser o ideal, o município vive uma crescente. No ano de 1991, o índice era de 0,267.[5] No ano de 2000, o índica marcava 0,434.[5] O mais recente medido, no ano de 2010 com 0,592.[5]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

A mortalidade infantil (mortalidade de crianças com menos de um ano de idade) no município passou de 15,23 por mil nascidos vivos, em 2006, para 10,3 por mil nascidos vivos, no ano de 2019.[5]

  • Hospital Municipal Dr° Edson Silva[16]

Educação[editar | editar código-fonte]

  • Faculdade Santo Antônio de Queimadas[17]

Filhos ilustres[editar | editar código-fonte]

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Os Sertões

A cidade é citada diversas vezes no livro Os Sertões do escritor e jornalista carioca Euclides da Cunha - considerado um dos principais livros da literatura brasileira.[19][20]

Dada a importância do município na Guerra de Canudos, a cidade é recorrentemente descrita no livro.[21][22]

Referências

  1. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  2. «Censo Populacional 2013». Censo Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2013. Consultado em 18 de novembro de 2013 
  3. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 24 de agosto de 2013 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  5. a b c d e f g «Queimadas». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 12 de julho de 2021 
  6. a b c d e «SAI - Dados Municipais - Prefeitura Municipal de Queimadas». Prefeitura Municipal de Queimadas. Consultado em 12 de julho de 2021 
  7. ALBA (14 de junho de 2019). «Tom Araújo homenageia Queimadas pelos 135 anos de emancipação política». Assembleia Legislativa da Bahia. Consultado em 12 de julho de 2021 
  8. a b c «História». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 12 de julho de 2021 
  9. a b c «O processo de Santo Antônio das Queimadas». Santo Antônio das Queimadas - Bahia. 31 de janeiro de 2012. Consultado em 12 de julho de 2021 
  10. «Como prenderam Santo Antônio em Queimadas e este foi condenado». Bahia Já (em inglês). 13 de junho de 2012. Consultado em 12 de julho de 2021 
  11. Jesus, Luís (29 de novembro de 2019). «A ancestralidade de Cristo nas pinturas no altar de Santa Ana da igreja do Colégio Jesuítico da Bahia» (PDF). Universidade Federal da Bahia. Consultado em 13 de julho de 2021 
  12. «Cronologia da Guerra de Canudos». Biblioteca Nacional do Brasil. Consultado em 13 de julho de 2021 
  13. «Programação do São João de Queimadas». Ache Festas. 14 de março de 2019. Consultado em 13 de julho de 2021 
  14. «Saiba tudo sobre a 41ª Lavagem de Queimadas». Monte Santo. 30 de maio de 2011. Consultado em 13 de julho de 2021 
  15. «Home - IDH-M – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal». Instituto Souza Cruz. Consultado em 13 de julho de 2021 
  16. «Hospital Municipal Dr Edson Silva em Queimadas - BA». Lista Saúde. Consultado em 13 de julho de 2021 
  17. «Faculdade Santo Antônio de Queimadas – Grupo CAELIS». Consultado em 13 de julho de 2021 
  18. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «ARTUR NEGREIROS FALCAO». Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 13 de julho de 2021 
  19. Santana, José Carlos Barreto de (julho de 1998). «Geologia e metáforas geológicas em Os sertões». História, Ciências, Saúde-Manguinhos: 117–131. ISSN 0104-5970. doi:10.1590/S0104-59701998000400007. Consultado em 13 de julho de 2021 
  20. Oliveira, Ricardo de (2002). «Euclides da Cunha, Os Sertões e a invenção de um Brasil profundo». Revista Brasileira de História: 511–537. ISSN 0102-0188. doi:10.1590/S0102-01882002000200012. Consultado em 13 de julho de 2021 
  21. «Os Sertões, de Euclides da Cunha». Toda Matéria. Consultado em 13 de julho de 2021 
  22. DA CUNHA, Euclides (2020). Os Sertões. [S.l.]: Principis. 368 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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