Território do Sisal

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O território do Sisal, mais conhecido como região Sisaleira da Bahia, está localizado no semiárido nordeste do estado (a pouco mais de 200 quilômetros de Salvador). São quase 800 mil habitantes na região sisaleira, distribuídos em 20 municípios.

História[editar | editar código-fonte]

Na região sisaleira, a planta do sisal chegou em 1903, no município de Maragogipe. Foi trazido para a Bahia por Horácio Urpia Junior(Empresário Baiano, nascido em 23/08/1842 e falecido em 03/05/1916). Horácio trouxe as primeiras mudas dos Estados Unidos, assim como parte das máquinas necessárias ao beneficiamento. A sua fazenda Porto do Meio, em Maragogipe, foi o primeiro local a cultivar o sisal americano no Brasil. Na "Casa do Comércio" de Salvador há um quadro em sua homenagem e o registro das suas atividades sisaleiras.Por anos Horacio Urpia foi o único fornecedor de cordas de sisal para a Praça da Bahia.

A partir daí, a planta progrediu se expandindo para toda região. Os municípios de Santaluz, São Domingos, Valente e Conceição do Coité são os que mais se destacaram na produção e cultivo do sisal e se tornaram referências nessa área. Mas, hoje em dia Valente têm a maior produção de Sisal.

De acordo com o último censo agropecuário realizado pelo IBGE a produção anual dos principais produtores é:[1]

Município Toneladas
Santaluz 41.400
Conceição do Coité 30.360
Araci 16.560
Valente 16.500
Retirolândia 8.280
São Domingos 8.280

O município de Valente destaca-se porém como a capital do sisal, pelo fato de sediar uma grande cooperativa de beneficiamento do sisal, a APAEB é um grande exemplo que com a união dos pequenos "pequenos agricultores" com responsabilidade e compromisso se equiparam aos grandes "grandes indústrias" e muitas vezes até os superam.

Cultura[editar | editar código-fonte]

A região do Sisal tem uma cultura bastante diversificada, onde tradições antigas tentam resistir à modernização que aos poucos modifica alguns cenários da região. Tradições como o Reisado, o Boi Roubado e a literatura de cordel possuem fiéis adeptos. Existem ainda os grupos de cantiga de roda como o Cantadeiras do Sisal e diversos grupos de teatros que em sua maioria integram jovens. Alguns municípios como São Domingos realizam semanas de cultura, Salgadália, distrito de Conceição do Coité realiza uma das mais tradicionais semana de cultura. O maior evento cultural da região é Festa da Quixabeira que reúne as principais manifestações culturais num grande evento sempre realizado em diferentes cidades.

Recentemente um Projeto de divulgação cultural do Território, conhecido como Portal Semiárido, patrocinado pelos micro-projetos culturais do Programa Mais Cultura, tem feito esforços para catalogar e divulgar a rica cultura do Território Sisaleiro na internet através de um web site e de uma rádio online.

Movimento social[editar | editar código-fonte]

O território Sisaleiro é famoso pela atuação do terceiro setor nos seus diversos municípios, o associativismo e cooperativismo são práticas comuns na região. As instituições com maior atuação na região são as associações de agricultores, sindicatos de trabalhadores rurais e cooperativas. Abaixo segue lista das três entidades da sociedade civil mais conhecidas com atuação na região do Sisal.

  • Codes Sisal (Conselho de Desenvolvimento Sustentável do Território do Sisal) O Codes Sisal é a entidade que serve como porta-voz de todo o território junto aos governos Estadual e Federal;
  • APAEB Valente (Associação de Desenvolvimento Sustentável Solidário da Região do Sisal). Localizada no município de Valente, A APAEB emprega cerca de 800 pessoas diretamente, mantendo uma das maiores indústrias de Tapetes e Carpetes de Sisal do país, além de uma escola agrícola, um laticínio dentre outras atividades como assistência técnica rural. A APAEB é composta por uma diretoria eleita por sócios que se reúnem periodicamente em assembleia geral. A Associação já ganhou dezenas de prêmios no Brasil e Exterior, tanto pelo seu formato de gestão, quanto pelas ações de desenvolvimento sustentável.
  • MOC (Movimento de Organização Comunitária) Conhecida por ser a terceira maior ONG do país, o MOC tem sede em Feira de Santana, mas a sua atuação é destaque principalmente em municípios da Região Sisaleia. O MOC atua através de parceria com instituições da Sociedade Civil, prestando assessoria técnica e pedagógica, e promovendo campanhas com objetivos comunitários. A ONG já ganhou diversos prêmios por suas atividades.

Comunicação[editar | editar código-fonte]

O veículo de comunicação de maior impacto, presente na Região Sisaleira é a rádio comunitária, quase todos os municípios possuem pelo menos uma rádio, muitas delas ainda em processo de legalização, e por isso constantemente são fiscalizadas pela ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). Muitas dessas rádios já tiveram equipamentos lacrados após serem visitadas por fiscais da Agência. Algumas destas rádios são filiadas à ABRAÇO-SISAL que por sua vez se integra à ABRAÇO (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias). A sede da ABRAÇO sisal está localizada no município de Valente.

A região também é coberta por jornais impressos a exemplo do Diário Nordestino, mantido pelo ICOJUDE (formado por jovens), dentre outros.

A região sisaleira já contou com duas iniciativas de produção televisiva, ambas educativas: a TV Cultura do Sertão, sediada em Conceição do Coité e mantida pela Fundação Bailon Lopes Carneiro,[2] e a TV Valente, sediada no município de Valente.[3] A emissora exibia o telejornal Jornal de Valente, uma iniciativa da APAEB Valente, com o apoio da instituição belga Volens. Inicialmente, o jornalístico era veiculado diariamente na TV Cultura do Sertão com meia hora de duração, tendo sido transferido depois para a emissora de Valente.[4]

A região também é atendida por informativos eletrônicos, veiculados através de e-mail, a exemplo do que é produzido pelo MOC, Movimento de Organização Comunitária, que destaca dentre outras, ações de caráter comunitário em vários municípios do território Sisaleiro. Existe a ainda a AMAC (Agência Mandacaru de Comunicação) sediada no município de Retirolândia. A agência de notícias é mantida por jovens, alguns deles remanescentes do projeto Jovens Comunicadores Sociais, que era mantido pelo MOC.

Economia[editar | editar código-fonte]

Planta do sisal.

Além das atividades de exploração do sisal, que enfrentou um período de decadência após os anos 70, e das pedreiras, a base econômica é a pecuária extensiva e a agricultura familiar de subsistência, sujeita a longos períodos de seca que ciclicamente atingem a região. Ainda assim, a agricultura familiar é uma das principais atividades econômicas da região.

O sisal é destinado em boa parte à indústria de tapetes e carpetes da APAEB-Valente (com mais de 600 empregos diretos) e outras de menor porte que trabalham diversos produtos a partir da fibra do sisal como cordas e fios. Estes produtos - principalmente os tapetes e carpetes - abastecem os mercados internos e externos, principalmente a Europa, os Estados Unidos, Chile e Argentina.

O artesanato também é uma das principais fontes de renda na região, feito principalmente do Sisal. Iniciativas como a da Cooperafis (cooperativa de composta por mulheres) sediada no município de Valente são reconhecidas nacionalmente.

Fator político[editar | editar código-fonte]

Em uma região castigada pela seca, a cadeia produtiva do sisal é um dos fatores econômicos mais fortes. A renda per capita no território sisaleiro é de R$ 80,57. A maior atividade produtiva, a comercialização do sisal, sofre com a falta de incentivos políticos. Com esforço e dedicação, as entidades da sociedade civil vêm buscando alternativas para melhorar a qualidade de vida do produtor e do processo de trabalho que envolve o sisal, destaque para a APAEB-Valente.

Caatinga , uma das vegetações predominante na região.

A partir dos anos 50, o sisal nesta região vem sendo pautado por diversas organizações do campo popular, com o intuito de buscar perspectivas para o fortalecimento dessa cadeia.

Fatores da natureza[editar | editar código-fonte]

O clima semiárido da região sisaleira é caracterizado por longos períodos de estiagem e baixa média pluviométrica, entre 300 e 550 milímetros ao ano, tornando o solo da região ácido e extremamente fértil. O pediplano sertanejo, os planaltos e tabuleiros caracterizam o relevo regional. Os rios e riachos são em grande maioria intermitentes e quase todos bloqueados por barragens, que servem como reservatórios de água. Devido a baixa pluviosidade e a acidez do solo, os lençóis freáticos são geralmente salobros. A vegetação é caracterizada pela caatinga, cerrado e vegetação arbórea aberta. Todos estes fatores climáticos foram determinantes para a adaptação, implantação e sucesso do sisal na região.

Lista de municípios[editar | editar código-fonte]

3 - Araci.

A tabela abaixo lista os municípios da Região Sisaleira segundo estimativa de população feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a data-base de 1° de julho de 2008.[carece de fontes?]

Município Área (km²) População
1 Serrinha 5896,405 83.088
2 Conceição do Coité 1.086,224 67.013
3 Araci 1.524,068 54.092
4 Monte Santo 3.285,166 49.278
5 Tucano 3.214,8 49.972
7 Santaluz 1.597,202 38.422
6 Itiúba 1.730,792 36.112
8 Cansanção 1 623,447 34.834
9 Riachão do Jacuípe 1.199,201 33.326
10 Valente 356,895 31.987
11 Queimadas 2.097,668 26.023
12 Quijingue 1.271,069 29.088
13 Teofilândia 317,982 21.382
14 Pé de Serra 558,438 14.683
15 Biritinga 430,602 14.307
16 Barrocas 188,105 13.722
17 Capela do Alto Alegre 655,805 12.748
18 Lamarão 356,002 12.682
19 Nordestina 470,916 12.599
20 Retirolândia 203,786 12.446
21 Candeal 455,278 9.157
22 São Domingos 265,375 8.952
23 Nova Fátima 371,480 7.930
24 Ichu 127,965 6.101
25 Gavião 335,567 4.537

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1]
  2. «Conferência Estadual de Comunicação reivindica concessão de rádio e TV». MOC. 20 de agosto de 2008. Consultado em 17 de agosto de 2020 
  3. «História do Jornal de Valente». bachtoni. 18 de abril de 2008. Consultado em 18 de janeiro de 2022 – via YouTube 
  4. Almeida, Daiane (julho de 2007). «Jornal de Valente sai do ar» (PDF). Jornal Giramundo (22): 7. Consultado em 18 de janeiro de 2022 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]