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Conceição do Coité

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Conceição do Coité
Conceição do Coité (Bahia)
Hino
LemaA união seja o lema de glória. Desse povo leal e confiante. Com amor, com trabalho e com fé.
("Gloria sit Unio Lema. Populi fidelis et fidentis. Cum Amore, Labore et Fide.")
Gentílicocoiteense
Localização de Conceição do Coité na Bahia
Localização de Conceição do Coité na Bahia
Localização de Conceição do Coité na Bahia
Conceição do Coité está localizado em: Brasil
Conceição do Coité
Localização de Conceição do Coité no Brasil
Mapa
Mapa de Conceição do Coité
Coordenadas11° 33′ 50″ S, 39° 16′ 58″ O
PaísBrasil
Unidade federativaBahia
Municípios limítrofesSerrinha, Retirolândia, Riachão do Jacuípe, Araci, Ichu, Santaluz, Valente, Barrocas
Distância até a capital210 km
Fundação9 de maio de 1855
Emancipação7 de julho de 1933
Governo
 • Prefeito(a)Marcelo Passos de Araujo (UNIÃO, 2021–2024)
 • Vereadores15
Área
 • Total1 015,252 km²
 • Urbana18,57 km²
Altitude380 m
População
 • Total (2024)71 316 hab.
Densidade70,2 hab./km²
ClimaTropical semiárido (BSh)
Fuso horárioUTC−3 (UTC−3)
CEP48730-000
IDH (2010)0,611 médio
Gini ({{{data_gini}}})0.48
PIB ({{{data_pib}}})R$ 884632550.00
 • Per capita ({{{data_pib_per_capita}}})R$ 13 126,28
Sítiowww.conceicaodocoite.ba.gov.br (Prefeitura)
www.camaradecoite.com.br (Câmara)

Conceição do Coité é um município brasileiro do estado da Bahia, no Nordeste Baiano e no coração do semiárido brasileiro. É amplamente reconhecido como a "Capital do Sisal" e integra o Território de Identidade do Sisal. Com uma população estimada em 71.316 habitantes (IBGE, 2024),[1] a cidade está localizada a aproximadamente 210 km da capital, Salvador[2], e atua como um importante polo regional na Microrregião de Serrinha (divisão vigente até 2017).

Historicamente, a formação do município, que começou como um ponto de descanso para tropeiros no sertão baiano, é um microcosmo do desenvolvimento regional. Sua história é marcada pela fundação eclesiástica em 1855 e pela emancipação política em 1933. O perfil econômico e social do município foi profundamente moldado pela ascensão e crise do grande ciclo do sisal (Agave sisalana) a partir da Década de 1930. Entretanto, a economia de Conceição do Coité se consolidou no século XXI através do comércio e serviços, tornando-se um centro de referência regional que oferece infraestrutura de saúde e ensino superior, abrigando hoje o Campus XIV da Universidade do Estado da Bahia e a Faculdade da Região Sisaleira.

A cidade é notável pela sua rica cultura sertaneja e religiosa, sendo a fé em Nossa Senhora da Conceição um pilar central. A cultura local equilibra a tradição do sisal com grandes eventos modernos que a projetam no cenário baiano, como a popular Coité Folia (Micareta) e o espetáculo Natal Luz Coité. Possuindo um IDHM de 0.611 (2010), Conceição do Coité demonstra a resiliência de um povo que busca equilibrar o legado do sisal com um desenvolvimento social e econômico sustentável.

Topônimo

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Fruto da árvore (Cuité)

O topônimo Conceição do Coité é uma fusão de devoção religiosa e características geográficas históricas.

O termo "Coité" é mais debatida: a tradição popular a associa à árvore Cuité (Crescentia cujete), cujos frutos serviam como vasilhas (cuias) para tropeiros. Contudo, estudos mais recentes sugerem uma origem na língua tupi, onde a palavra significaria "tanque importante" ou "cuia grande", em referência a uma crucial fonte de água local, confirmando a importância estratégica do lugar como ponto de pouso no sertão baiano.

Imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do município de Conceição do Coité

Já a origem de "Conceição"é uma homenagem direta à Nossa Senhora da Conceição, padroeira do município, cuja fé foi central para o estabelecimento da freguesia em 1855.[3][4][5][6][7]

História

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Vestígios materiais (fósseis e artefatos) encontrados na região do município, como em Bandiaçu, confirmam a presença e a ancestralidade dos povos Tocóis, Cariris e Paiais nos antigos Sertões dos Tocós

Período Imperial (1822–1889)

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João de Saldanha da Gama da Casa da Ponte, último Conde da Ponte. O latifúndio da família Guedes de Brito dominou vastas terras nos Sertões dos Tocós, incluindo a área onde Conceição do Coité se formou

A formalização do arraial aconteceu durante o Período Imperial, com a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Coité em 9 de maio de 1855 (Lei Provincial n.º 539).[8]

Período Republicano (1889–atual)

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Fibra do sisal (Agave sisalana), o "Ouro Verde" que transformou a economia de Conceição do Coité, mas que dependia da intensa exploração da mão de obra nas batedeiras

O advento da República Velha marcou a elevação da localidade à categoria de Vila em 1890. Contudo, Coité sofreu uma reversão de status em 1931,[8] sendo reanexada a Riachão do Jacuípe. A mobilização política regional garantiu o restabelecimento do município, cuja emancipação política definitiva foi celebrada em 7 de julho de 1933 (Decreto Estadual n.º 8.528).[8]

O grande transformador social e econômico no período republicano foi o Ciclo do Sisal (Agave sisalana), introduzido e popularizado a partir da década de 1930. O aumento da demanda internacional transformou Coité na "Capital do Sisal" brasileiro.[9]

O crescimento do município levou ao desmembramento de parte do seu território para formar os atuais municípios de Valente (1958) e Retirolândia (1962)[10]. A desigualdade social gerada pela monocultura motivou, a partir dos anos 1970, o surgimento de importantes movimentos sociais, como a APAEB (Associação de Desenvolvimento Sustentado e Solidário da Região Sisaleira)[11], que buscam alternativas de desenvolvimento mais justo e sustentável.

Geografia

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Conceição do Coité pertenceu a esta mesorregião (que era a classificação utilizada pelo IBGE de 1989 até 2017)
Região Geográfica Intermediária de Feira de Santana

Localização e extensão

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O município está situado na Mesorregião do Nordeste Baiano e integra a Microrregião de Serrinha (divisões vigentes até 2017). Essa divisão regional mesorregião e microrregião não é mais a classificação oficial do IBGE. Em 2017, ela foi substituída pela estrutura de Regiões Geográficas, sendo Conceição do Coité atualmente classificada na Região Geográfica Intermediária de Feira de Santana e na Região Geográfica Imediata de Serrinha. Tem uma área territorial de 1.015,252 km².[12]

Relevo e vegetação

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Paisagem da Caatinga no entorno de Conceição do Coité. Este bioma xerófito (adaptado à seca) domina o território, sendo um símbolo da resiliência natural e humana da região

A paisagem municipal é majoritariamente plana, característica do suave pediplano sertanejo. A sede municipal está assentada a 380 metros de altitude.[13]

O clima predominante é o Tropical Semiárido (BSh)[14], caracterizado por longos períodos de estiagem e um verão quente e abafado. A baixa pluviosidade e a elevada evapotranspiração moldam a vida e a vocação econômica do município.

Dados climatológicos de Conceição do Coité
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual
Temperatura máxima média (°C) 34 34 34 33 31 30 29 30 32 34 34 34 **32,3**
Temperatura mínima média (°C) 21 21 21 20 19 18 17 17 18 20 20 21 **19,4**
Precipitação (mm) 58 53 55 54 48 42 36 30 22 25 48 47 **518**

Fonte: Adaptado de Climatologia (dados médios de 30 anos).

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados por mês (INMET)[15]
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Precipitação (mm) 85 110 120 95 70 55 50 55 60 75 90 80

Demografia

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Crescimento populacional

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O histórico demográfico de Conceição do Coité reflete as transformações socioeconômicas do Território do Sisal, com variações significativas nas décadas do auge e declínio da cultura do sisal.

Evolução populacional de Conceição do Coité
Ano População Variação (%)
1980 52.825
1991 58.730 +11,18%
2000 60.103 +2,34%
2010 62.040 +3,22%
2022 67.825 +9,33%
Est. 2024 71.316 +5,14%

[16][17]

Composição étnica e religião

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Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, principal templo católico do município. Sua arquitetura sóbria remonta à fundação da freguesia em 1855
Manifestação cultural e religiosa do Candomblé. A presença de religiões de matriz africana em Conceição do Coité contribui para a riqueza cultural e o sincretismo religioso do município, especialmente nas tradições folclóricas

A demografia de Conceição do Coité é definida por uma população majoritariamente composta por negros e pardos, o que reflete a profunda influência da ancestralidade afro-brasileira na região do sertão baiano. A presença negra na região remonta ao Século XIX, ligada à pecuária e à escravidão em pequenas propriedades. Essa herança é oficialmente reconhecida pela existência de Comunidades Quilombolas, como Flor Roxa, Praianos e Alto do Jitai, conforme o mapeamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,[18] que são polos de resistência e preservação cultural.

Pobreza e Desigualdade Social:

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Apesar de ser um polo comercial e de serviços, Conceição do Coité ainda enfrenta desafios históricos de desigualdade social, um legado das relações de trabalho do período do sisal.

  • O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal: (IDHM) é de 0,611 (2010), classificado como Médio Desenvolvimento Humano.[19]
  • O Índice de Gini: (que mede a desigualdade de renda) é de 0.48 (2010),[19] um valor que, embora abaixo da média brasileira, reflete a concentração de riqueza e a necessidade de melhorias contínuas na distribuição de renda e acesso à educação.

Subdivisões

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Distritos

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Povoado de Vila Carneiro (Goiabeira)

O município de Conceição do Coité, que já cedeu território para a formação de Valente (1958) e Retirolândia (1962), está formalmente dividido em 6 distritos (dados IBGE 2014).[20]

Distrito Criação Pontos de Destaque / Identidade
Conceição do Coité (Sede) 1855 (Freguesia) Centro comercial, administrativo e polo de serviços (Saúde/Educação).
Salgadália 1943 (Estação Ferroviária)[21] Sua origem está ligada à **ferrovia** (inaugurada em 1883), que impulsionou o desenvolvimento urbano. É um polo cultural com festas juninas e lazer noturno. Recentemente, discutiu-se sua Emancipação política em consulta popular[22]
Bandiaçu Antes de 2005 (Desmembrado/Confirmado) Conhecido por ser um importante polo agrícola e manter vivas as tradições folclóricas e rurais, como o Reisado e o São João de raiz (Circuito Gonzagão).
Joazeiro (Conceição do Coité) Antes de 2005 (Desmembrado/Confirmado) Polo de produção agrícola tradicional. É conhecido por abrigar a **Pascoelinha**, uma festa folclórica particular que celebra a cultura local após a Páscoa.
Aroeiras (Conceição do Coité) 2003 (Criação por Lei Municipal) Distrito mais novo, criado pela Lei nº 352/2003, representando a expansão territorial e administrativa do município para a zona leste.
São João (Conceição do Coité) 2014 (Criação por Lei Municipal) Último distrito a ser criado, reforçando o foco no desenvolvimento e na atenção às comunidades rurais mais distantes.

Bairros da sede

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A sede urbana de Conceição do Coité é subdividida em 26 bairros.[23]

Governo e política

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Planta do Sisal (Agave sisalana). O cultivo da fibra do sisal foi o motor econômico que, a partir da década de 1930, transformou a economia de Conceição do Coité e deu ao município o título de "Capital do Sisal"

Do patriarcalismo ao coronelismo do sisal

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Jagunços de Conceição de Coité, Bahia, em 1922

A partir da Década de 1930, a introdução e o auge da cultura do Sisal transformaram a economia local e reforçaram o poder das Oligarquias do Sisal. Essas famílias controlavam o beneficiamento do "ouro verde" e se tornaram as grandes detentoras de riqueza e influência política na Microrregião de Serrinha. Entre os grupos de maior influência e longevidade no poder, destacam-se a Família Calixto e a Família Rios de Araújo.[24]

O domínio político e econômico nesse período gerou o que se denomina "coronelismo moderno", uma estrutura desigual. Em períodos mais recentes, setores da sociedade civil e da Igreja Católica (influenciados pela Teologia da Libertação) emergiram como forças de resistência, atuando na denúncia das estruturas políticas clientelistas e arcaicas.[25]

Perfil de Gestores e Chefes Políticos:
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O cargo de gestor em Conceição do Coité passou por diferentes nomenclaturas (Intendente, Prefeito). A tabela abaixo detalha alguns dos nomes que marcaram a administração:

Prefeitos e Intendentes Históricos (A partir de 1931)
Nome Período do Mandato Período Histórico Observações
1 Vespasiano da Silva Pinto 1931–1933 Período da Restauração e Era Vargas Intendente nomeado.
2 Leopoldino Ramos Gordiano 1933–1935 Período da Restauração e Era Vargas Intendente nomeado. Estava no cargo na Emancipação política (1933).
3 João Paulo Fragoso 1935–1938 Período da Restauração e Era Vargas Intendente nomeado.
4 Theócrito Calixto da Cunha 1948–1951 e 1955–1959 Início da Democracia / Auge do Sisal Primeiro prefeito eleito por sufrágio universal (1948).
5 Wercelêncio Calixto da Mota 1951–1954 Início da Democracia / Auge do Sisal Prefeito eleito ligado ao grupo Calixto.
6 Theognes Antônio Calixto 1967–1970 Auge do Sisal / Regime Militar Prefeito eleito (ARENA).
7 Hamilton Rios de Araújo (Mitinho) 1973–1977 e 1983–1989 Auge do Sisal / Coronelismo Moderno Empresário sisaleiro emblemático do "coronelismo moderno".
8 Éwerton Rios d'Áraújo Filho 1989–1993 Pós-Redemocratização Sobrinho de Hamilton Rios.
9 Diovando Carneiro Cunha 1993–1996 e 2001–2004 Pós-Redemocratização Figura de oposição que quebrou o domínio hegemônico.
10 Renato Souza dos Santos 2005–2012 Século XXI Dois mandatos consecutivos.
11 Francisco de Assis 2013–2020 Século XXI Dois mandatos consecutivos.
12 Marcelo Passos de Araújo 2021–Atual (Reeleito até 2028) Século XXI Prefeito atual.[26]


Em suma, a trajetória de Conceição do Coité é a narrativa da persistência no semiárido. Desde a organização inicial em torno do Tanque do Coité e a fundação eclesiástica em 1855, até o auge e a crise do sisal, a cidade demonstrou uma notável capacidade de transformação. Superando as estruturas do coronelismo e os desafios econômicos, a Coité contemporânea representa a vitória da organização social e do empreendedorismo. Hoje, o município projeta o futuro com ênfase no comércio, na educação e na cultura local, honrando seus antepassados ao se consolidar como um centro vital e resiliente para toda a Microrregião de Serrinha.[27][28][29][30][31][24][8][11][9][10]

Relações e cooperação regionais:

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A atuação política de Conceição do Coité se estende além dos limites municipais, sendo o município um articulador em diversas frentes regionais e intergovernamentais:

  • Cooperação intergovernamental: O município mantém parcerias estratégicas com órgãos estaduais e federais. Exemplos incluem o apoio do Governo da Bahia na reativação de abatedouros de aves[32] e a cooperação com a Controladoria-Geral da União (CGU) para aplicação de programas de ética e cidadania na rede municipal de ensino.[33]
  • Polo de Serviços: A posição de Conceição do Coité como polo regional é reforçada pela sua liderança em rankings estaduais, como o de Atenção Primária à Saúde.[34]

Setores produtivos e histórico

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O pilar histórico do município é o Legado do Sisal. Conceição do Coité é o coração do Território de Identidade do Sisal e por décadas foi conhecida como a "Capital do Sisal" brasileiro.[9]

Atualmente, o Comércio e Serviços (setor terciário) constituem a principal força motriz do município, superando o setor primário em geração de riqueza e emprego. A cidade funciona como um robusto polo de comércio e serviços para toda a Microrregião de Serrinha, com uma alta diversidade de estabelecimentos que atraem consumidores de municípios vizinhos. O setor terciário é reforçado por serviços de destaque na área pública e privada, como saúde (com hospitais de referência) e educação (com a FARESI - Faculdade da Região Sisaleira).[35]

Indicadores econômicos

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Os indicadores refletem o dinamismo regional do município e sua importância fiscal:

  • O PIB: total do município foi de R$ 884.632.550,00 em 2021[36].
  • O PIB per capita: no mesmo ano foi de R$ 13.126,28[36], valor que, apesar de inferior à média estadual, o coloca acima da média da sua pequena região e destaca o seu papel econômico.
  • Em termos de classificação econômica, o município se posiciona como um dos mais importantes da Bahia: BA: 40º e NE: 124º (2021).
  • O Índice de Gini: (indicador de desigualdade de renda) é de 0.48 (2010)[19], um valor que, embora moderado, é um reflexo das estruturas históricas de concentração de riqueza geradas pelo ciclo do sisal.

Turismo e eventos (impacto econômico)

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O turismo em Conceição do Coité se baseia na combinação entre lazer, ecoturismo e patrimônio, atuando como um forte componente da economia de serviços e gerando fluxo sazonal de capital:

Vista do Centro de Conceição do Coité. O município, polo de serviços do Território de Identidade do Sisal, demonstra o contraste entre a arquitetura tradicional e a modernidade de seu núcleo urbano
Celebração do São João raiz. O Circuito Gonzagão é a programação descentralizada que leva o Forró e as tradições juninas aos distritos e povoados de Conceição do Coité
  • Lazer e ecoturismo O lazer e o ecoturismo em Conceição do Coité são complementares aos eventos de massa. O principal atrativo de lazer na cidade é o AcquaShow Family Park, um parque aquático que atrai visitantes regionais. No campo do ecoturismo e patrimônio, a Serra do Mocambo é o principal destino para trilhas e caminhadas, sendo o ponto mais elevado do município (cerca de 380 metros de altitude)[37] e oferecendo vistas panorâmicas da Caatinga. Além da sede, a zona rural e os distritos agregam valor turístico. O distrito de Salgadália é um polo de lazer, famoso pela Praça São José e por ser um ponto de beleza natural notável, com seu pôr do sol sendo considerado um dos mais belos da Bahia.[38] Já o distrito de Bandiaçu possui grande potencial para o turismo histórico e científico, devido à descoberta de achados arqueológicos (fósseis e artefatos).[39]
  • Patrimônio Cultural: O patrimônio cultural de Conceição do Coité é um reflexo direto da sua história e identidade religiosa e produtiva. O turismo cultural é sustentado por marcos materiais como a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, que não é apenas o principal templo católico, mas um monumento de fé e história diretamente ligado à fundação da freguesia em 1855. A memória e a produção artística local são preservadas no Centro Cultural Ana Rios de Araújo e seu entorno, que servem como ponto de convergência para atividades culturais. O Museu Municipal Maria Neves atua na preservação do acervo histórico, social e cultural do município, oferecendo um panorama sobre a vida no sertão e o ciclo do sisal. Além do patrimônio material, a cultura imaterial é vivenciada nas feiras livres e distritos, através dos eventos folclóricos (como o Reisado e o São João raiz) e do artesanato feito com a fibra do sisal, explorando a herança do povo sertanejo e as tradições de matriz africana.[40]

Infraestrutura

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Transportes

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  • Rodoviário

O transporte rodoviário é o modal de maior importância para a economia e a mobilidade. Conceição do Coité é conectada por rodovias estaduais que a ligam a Feira de Santana e Salvador, facilitando o escoamento da produção (principalmente do sisal) e a mobilidade de pessoas através de seu terminal rodoviário funcional. Intervenções do governo estadual frequentemente focam na restauração de trechos como a BA-411, que liga a sede ao distrito de Salgadália.[2]

Educação

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O setor educacional é um dos pontos fortes que reforçam o papel de polo de serviços da cidade.

  • Ensino superior: A cidade se sobressai pela presença de ensino superior, com a FARESI (Faculdade da Região Sisaleira), que oferece cursos e forma profissionais em diversas áreas.
  • Complexo Poliesportivo Educacional: O município foi beneficiado com a inauguração de complexos educacionais e esportivos que oferecem estrutura moderna para o ensino e a prática de atividades físicas.[41]

Mídia e telecomunicações

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A comunicação social no município possui forte caráter local e regional.

  • Rádios: O setor de radiodifusão é significativo. A cidade sedia emissoras importantes como a Rádio Sisal 97.3 FM, que, além de entretenimento, atua com jornalismo local e forte interação com a comunidade regional. Historicamente, rádios comunitárias como a Rádio Coité FM tiveram papel importante no exercício da cidadania e na difusão cultural.[42]

O setor de saúde é um dos mais robustos da microrregião. O município abriga estruturas de referência microrregional, com destaque para o Hospital Português, que oferece serviços de média complexidade, tornando-se um ponto focal médico. Conceição do Coité tem sido reconhecida em rankings estaduais pela excelência na Atenção Primária à Saúde.[34]

Apresentação do Bumba Meu Boi. O folguedo faz parte das festividades de raiz nos distritos, sendo um dos elementos centrais do calendário cultural de comunidades como Joazeiro (Pascoelinha)
Foliões do Reisado. Esta manifestação folclórica e religiosa, celebrada entre o Natal e o Dia de Reis, é uma tradição de grande força nas comunidades rurais do município, como o povoado de Cabaceiras

As manifestações culturais e folclóricas de raiz são mantidas vivas, especialmente na zona rural e nos distritos, e possuem um profundo teor religioso e sincrético. O Reisado (ou Folia de Reis) é uma das tradições mais antigas e ricas do município, destacando-se o grupo do povoado de Cabaceiras, onde a celebração aos Santos Reis mistura elementos sagrados e profanos, com forte contribuição da cultura africana.[43]

Arquitetura

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A arquitetura contemporânea, por sua vez, é vista nas novas edificações públicas voltadas para o desenvolvimento social e funcional. Exemplos como o novo Fórum, o Hospital Português e os complexos poliesportivos educacionais.[44][45]

Literatura

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O município cultiva gêneros diversos que utilizam a linguagem popular para narrar a identidade do sertanejo. A Literatura de cordel, em particular, é um gênero de destaque, celebrando a história da cidade, o ciclo do sisal e as figuras culturais em verso. Obras contemporâneas, como Encantos da Princesa do Sisal: Coité contada em Cordel,[46] exemplificam como o formato tradicional é empregado para registrar o cotidiano e as lendas da "Capital do Sisal".

Roda de capoeira. A prática, que combina arte marcial, esporte e música, é um importante elemento da ancestralidade afro-brasileira e um vetor de inclusão social em Conceição do Coité

O maior destaque do município é a tradicional e vitoriosa Seleção Coiteense de Futebol, que se consolidou como uma potência no cenário amador baiano. A Seleção é tetracampeã do Campeonato Intermunicipal de Futebol da Bahia, a maior competição de futebol não profissional do mundo, com uma notável sequência de títulos conquistados consecutivamente entre 2005 e 2008.[47]

A infraestrutura esportiva atende a essa demanda, com os jogos de grande porte sendo realizados no Estádio Municipal Diovando Carneiro Cunha ("O Vandão"). Além disso, o município investe continuamente na ampliação de sua base esportiva, por meio da construção e entrega de complexos poliesportivos e ginásios modernos, como a estrutura entregue no distrito de Aroeira.[48]

Calendário de eventos e feriados notáveis
Data / Período Nome do Evento Tipo Observação / Impacto Econômico
7 de Julho Emancipação política Feriado Municipal Celebra a autonomia do município (1933).
Meados de Novembro a 6 de Janeiro Natal Luz Coité Evento Cultural / Turístico Grande espetáculo de iluminação e projeção mapeada, forte atrativo de turismo familiar.
8 de Dezembro Festa de Nossa Senhora da Conceição Feriado / Festa Religiosa Celebra a padroeira, central para a identidade e fundação da cidade (1855).
Abril/Maio (Pós-Páscoa) Coité Folia (Micareta) Evento de Massa / Econômico Uma das maiores micaretas do interior baiano, grande polo de lazer e serviços[49].
Junho (Festejos Juninos) Circuito Gonzagão Cultural / Folclórico Celebra o São João raiz, valorizando o forró tradicional e descentralizando a festa para os distritos.
Período Variável Expo Coité Agropecuária / Negócios Exposição que reforça a vocação rural e atua como polo de negócios para caprinos e ovinos.

Hino municipal

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Tema central: a letra exalta a história de superação do povo coiteense, a fé e, principalmente, o lema do município: "A união seja o lema de glória. Desse povo leal e confiante. Com amor, com trabalho e com fé."[50]

Referências

  1. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Pop Est 2024
  2. a b Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Rodoviario Ref
  3. Eclesiásticas: O nome refere-se diretamente a Nossa Senhora da Conceição, a padroeira, o que é confirmado pela Lei Provincial n.º 539, de 9 de maio de 1855, que criou a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Coité. O Livro de Tombo da Paróquia também é uma fonte primária fundamental.
  4. Tradição Popular/Árvore Cuité (Crescentia cujete): Esta é a versão mais antiga e popular, associada à lenda dos tropeiros que usavam o fruto (cuia) para beber água. Embora seja uma tradição forte, é frequentemente questionada por historiadores locais devido à não natividade da árvore na caatinga seca.
  5. MATTOS, Orlando Barreto de. Conceição do Coité: da Colonização à Emancipação: 1730-1890. (O historiador Orlando Matos é frequentemente citado como o principal proponente de que o termo "Coité" provém da nascente de água e da etimologia tupi para "tanque importante".)
  6. OLIVEIRA, Vanilson Lopes de. Conceição do Coité e os Sertões dos Tocós. (Também aborda a origem do topônimo, discutindo as duas versões e a importância da fonte de água.)
  7. RIOS, Iara Nancy Araújo. Nossa Senhora da Conceição do Coité: poder e política no século XIX. (Dissertação de Mestrado, UFBA.) A pesquisa acadêmica sobre a região frequentemente cita e analisa as diferentes versões, validando a importância do debate historiográfico sobre a etimologia.
  8. a b c d Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas IBGE Hist
  9. a b c Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Sisal Ref
  10. a b Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Desmemb
  11. a b Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas APAEB Ref
  12. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Area Ref
  13. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Altitude Ref
  14. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Clima Ref
  15. Os dados exatos do INMET para a estação de Conceição do Coité não são facilmente acessíveis publicamente para recordes históricos. Os valores abaixo são estimativas com base em dados de estações vizinhas ou eventos notórios na região do Semiárido Baiano, sujeitos à atualização com dados oficiais.
  16. «Evolução Populacional de Conceição do Coité». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  17. «População de Conceição do Coité (BA) no Censo de 2022». Cidades e Estados - IBGE. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  18. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas Quilombos Ref2
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  50. «Hino do Município de Conceição do Coité - Hinos de Cidades». Ouvir Música. Consultado em 20 de outubro de 2025