Território do Sisal
Predefinição:Info/Microrregião do Brasil
O Território do Sisal, também conhecido como Região Sisaleira, é uma região geoeconômica do estado brasileiro da Bahia, oficializada como um território de identidade definido pelo Governo Estadual. É composta por 20 municípios e caracteriza-se pela forte presença da agricultura familiar e pela predominância do cultivo do sisal.
Localização geográfica e delimitação
[editar | editar código]O território está localizado na região nordeste do estado da Bahia, abrangendo aproximadamente 20 405 km² — cerca de 3,5 % da área estadual — e inserido integralmente no semiárido brasileiro. Possui relevo de pediplano sertanejo e vegetação predominante de caatinga. A pluviosidade média anual varia entre 400 mm e 600 mm, com longos períodos de estiagem, e o relevo é suavemente ondulado. Os principais rios da região são intermitentes, como o Rio Itapicuru e o Rio Vaza-Barris. [1]
Municípios constituintes
[editar | editar código]O Território do Sisal ou Região Sisaleira é constituído de 20 municípios:[2][3][4]
História
[editar | editar código]A região hoje conhecida como Território do Sisal originalmente era conhecida como Sertão dos Tocós e era habitada pelos cariris, tapuias, tocós e beritingas. Parte dessas etnias foi expulsa do Recôncavo Baiano com a expansão da cana-de-açúcar.[5][6]
Durante os séculos XVII e XVIII, o território foi ocupado pela pecuária ligada às Casas da Ponte e Casa da Torre. No final do século XIX, Antônio Conselheiro fundou, em Monte Santo, a povoação de Belo Monte, palco da Guerra de Canudos. O Cangaço também deixou marcas na região.[7]
O sisal foi introduzido na Bahia em 1903, a partir da Flórida, e chegou ao Sertão dos Tocós por volta de 1910, inicialmente em Santaluz, expandindo-se nas décadas seguintes. O cultivo em larga escala começou nos anos 1930, impulsionado pela adaptação da planta às condições locais. Foi chamado de “ouro verde”, e criou uma elite de produtores — os chamados “reis do sisal”. A crise da década de 1970, provocada pela concorrência das fibras sintéticas e pragas, reduziu drasticamente a produção. Com a valorização das fibras naturais e o avanço de políticas ambientais no início do século XXI, a cultura do sisal foi retomada em bases mais sustentáveis.[8]
Geografia
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O clima semiárido caracteriza-se por longos períodos de estiagem e baixa pluviosidade. O solo é raso e de baixa fertilidade, o relevo apresenta planaltos e tabuleiros, e a vegetação é composta principalmente pela Caatinga arbórea aberta. Essas condições ambientais contribuíram para o sucesso do cultivo do sisal (Agave sisalana), planta resistente à seca.
Demografia
[editar | editar código]De acordo com o censo de 2022, o território possuía 592 282 habitantes, correspondendo a 4,2% da população baiana. Com área de 20 405 km², a densidade demográfica é de 29,02 hab./km².[9] Os municípios mais populosos são Serrinha (80 435 hab.), Conceição do Coité (68 825 hab.), Tucano (48 738 hab.) e Araci (48 035 hab.).[10]
Economia
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A base econômica é a agricultura familiar e a produção de sisal. O PIB regional em 2020 era de R$ 6,1 bilhões, com PIB per capita de R$ 10 093,97.[11] A Bahia responde por mais de 90% da produção nacional de sisal, concentrada em municípios como Araci, Barrocas, Conceição do Coité, Retirolândia, Santaluz, São Domingos e Valente.[12]
O sisal é destinado à indústria de tapetes e carpetes da APAEB Valente, que emprega centenas de pessoas e exporta para Europa e América do Norte. O artesanato e as cooperativas femininas, como a Cooperafis, também têm papel econômico relevante.
Cultura
[editar | editar código]A cultura sisaleira é marcada por tradições como o Reisado, o Boi Roubado, a literatura de cordel e grupos de cantigas, como as “Cantadeiras do Sisal”. Eventos como a “Festa da Quixabeira” reúnem diversas manifestações populares. O projeto “Portal Semiárido”, patrocinado por microprojetos culturais do Programa Mais Cultura, atua na preservação digital e difusão cultural da região.
Movimento social
[editar | editar código]O Território Sisaleiro tem forte atuação de movimentos sociais e cooperativas. As principais entidades são:
- CODES Sisal – Conselho de Desenvolvimento Sustentável do Território do Sisal;
- APAEB Valente – Associação de Desenvolvimento Sustentável Solidário da Região do Sisal, com mais de 800 empregos diretos;
- MOC – Movimento de Organização Comunitária, sediado em Feira de Santana, atua em diversos municípios do território com programas educacionais e rurais.
Comunicação
[editar | editar código]O principal meio de comunicação regional é a rádio comunitária. Quase todos os municípios possuem pelo menos uma emissora, muitas delas associadas à ABRAÇO-SISAL. A região também conta com jornais locais, como o Diário Nordestino, e experiências televisivas educativas, como a TV Cultura do Sertão (Conceição do Coité) e a TV Valente.[13] A AMAC (Agência Mandacaru de Comunicação), em Retirolândia, mantém uma agência de notícias voltada para jovens comunicadores sociais.
Legislação, política e organização territorial
[editar | editar código]O Território do Sisal integra os 27 territórios de identidade da Bahia, criados para promover políticas públicas de desenvolvimento sustentável.[14] Esses territórios são articulados por consórcios públicos e programas como o “Territórios da Cidadania”.[15]
Limites e desafios
[editar | editar código]Os principais desafios do Território do Sisal envolvem a modernização da cadeia produtiva do sisal, a diversificação econômica e o enfrentamento da seca. Há ainda carências em infraestrutura, saneamento, tecnologia agrícola e acesso à água. [16]
Ver também
[editar | editar código]- Caatinga
- Recôncavo Baiano
- Sertão Baiano
- Agricultura familiar no Brasil
- Territórios de identidade da Bahia
Referências
[editar | editar código]- ↑ «Território Sisal – Localização». EMBRAPA. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ Ortega, Antônio César; Pires, Murilo José de Souza (org.) (2016). As políticas territoriais rurais e a articulação governo federal e estadual: um estudo de caso da Bahia (PDF). Brasília: Ipea. pp. 151–177
- ↑ «Divisão territorial da Bahia – Territórios de Identidade». Secretaria de Cultura da Bahia. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ «Consórcio Público de Desenvolvimento Sustentável do Território do Sisal». CONSISAL. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ Pinheiro, Pedro Juarez (18 de abril de 2017). «História de Araci». Vila do Raso. Consultado em 6 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 16 de abril de 2021
- ↑ Freixo, Alessandra Alexandre (1 de dezembro de 2010). «Do Sertão dos Tocós ao Território do Sisal: rumo à invenção de uma região e de uma vocação». Geografares (8): 1–23. doi:10.7147/GEO8.1287
- ↑ As políticas territoriais rurais e a articulação governo federal e estadual (PDF). [S.l.]: Ipea. 2016
- ↑ «Bahia lidera produção nacional de sisal e alinha novas estratégias». SECOM-BA. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ «Infoterritórios – Território do Sisal» (PDF). SEI-BA. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ Predefinição:Cite ibge
- ↑ «Infoterritórios – Território do Sisal» (PDF). SEI-BA. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ «Cultivo do Sisal – EMBRAPA». EMBRAPA. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ «História do Jornal de Valente». APAEB Valente. Consultado em 6 de novembro de 2025 – via YouTube
- ↑ «Divisão Territorial da Bahia». SECULT-BA. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ «Região do Sisal é a primeira a ter ações do programa». SEAGRI-BA. Consultado em 6 de novembro de 2025
- ↑ «A territorialização da exploração do trabalho no Território do Sisal – Bahia». Revista de Geografia. 2023