José Wilker

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José Wilker
José Wilker em 2006.
Nome completo José Wilker Almeida
Nascimento 20 de agosto de 1944[nota 1]
Juazeiro do Norte, CE
Nacionalidade brasileiro
Morte 5 de abril de 2014 (69 anos)[nota 1]
Rio de Janeiro, RJ
Ocupação Ator, diretor e crítico de cinema
Atividade 1965—2014
Cônjuge Elza Rocha Pinto (1974–1976)
Renée de Vielmond (1976–1984)
Mônica Torres (1985–1996)
Guilhermina Guinle (1999–2006)
Cláudia Montenegro (2010–2014)
IMDb: (inglês)

José Wilker Almeida (Juazeiro do Norte, 20 de agosto de 1944[nota 1]Rio de Janeiro, 5 de abril de 2014) foi um ator, diretor, narrador, apresentador e crítico de cinema brasileiro. Considerado um dos maiores atores de sua geração, marcou época e personagens, no cinema, no teatro e na televisão.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Início e sucesso[editar | editar código-fonte]

Filho de Severino Almeida, um caixeiro viajante, e de Santa (Raimunda) Almeida, dona de casa, José Wilker nasceu em Juazeiro do Norte no dia 20 de agosto de 1944[nota 1] e mudou-se com a família, ainda adolescente, para o Recife.[1]

O primeiro trabalho de Wilker foi com apenas 13 anos, como figurante no teleteatro da TV Rádio Clube, do Recife. "Ficava por ali aguardando alguma ponta", lembrou ele em depoimento ao site Memória Globo. A aparição inicial foi como cobrador de jornal na peça "Um bonde chamado desejo", de Tennessee Williams.[1]

Sua carreira no teatro começou no Movimento de Cultura Popular (MCP) do Partido Comunista, onde dirigiu espetáculos pelo sertão e realizou documentários sobre cultura popular.

Em 1967, Wilker mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Sociologia na PUC, mas abandonou o curso para se dedicar exclusivamente ao teatro.

Em 1970, após ganhar o prêmio Molière de Melhor Ator pela peça "O arquiteto e o imperador da Assíria", foi convidado pelo escritor Dias Gomes o para o elenco de "Bandeira 2" (1971), sua primeira novela. Seu personagem foi Zelito, um dos filhos do bicheiro Tucão (Paulo Gracindo).

"Eu fazia teatro há dez anos, não tinha nada. Uma semana depois de estar no ar, eu era um cara com uma conta no banco, identidade, residência fixa e reconhecimento na rua. A resposta era muito imediata, intensa. Acabei gostando", afirmou Wilker ao Memória Globo.

Ele interpretou o seu primeiro papel principal na TV em 1975: foi Mundinho Falcão em Gabriela, adaptação de Walter George Durst do romance de Jorge Amado, um marco na história da teledramaturgia brasileira.

Personagens conhecidos[editar | editar código-fonte]

Wilker teve em seu currículo personagens memoráveis, como o jovem Rodrigo, protagonista da novela Anjo Mau (1976), de Cassiano Gabus Mendes.

Em 1985, viveu Roque Santeiro, personagem central da trama homônima escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Já consagrado, em 2004 interpreta o ex-bicheiro Giovanni Improtta, da novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, um personagem com diversos bordões como “felomenal” e “o tempo ruge, e a Sapucaí é grande”.

O artista ainda dirigiu o humorístico Sai de Baixo (1996) e as novelas Louco Amor (1983), de Gilberto Braga, e Transas e Caretas (1984), de Lauro César Muniz. Durante uma rápida passagem pela extinta TV Manchete, acumulou direção e atuação em duas novelas: Carmem (1987), de Gloria Perez, e Corpo Santo (1987), de José Louzeiro.

Apaixonado pelo cinema, o ator participou de filmes como Xica da Silva (1976) e Bye bye Brasil (1979), ambos de Cacá Diegues, além de ter se consagrado com o papel do boêmio Vadinho no sucesso de bilheteria Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976). Ainda integrou o elenco de O Homem da Capa Preta (1985), interpretando Tenório Cavalcanti e fez o personagem Antônio Conselheiro em Guerra de Canudos (1997), de Sérgio Rezende. Além disso, foi diretor-presidente da Riofilme.

Wilker também se destacou em minisséries como Anos Rebeldes (1992), de Gilberto Braga; Agosto (1993), adaptada da obra de Rubem Fonseca; e A Muralha (2000), escrita por Maria Adelaide Amaral e João Emanuel Carneiro.

Em 2006, interpretou o presidente Juscelino Kubitschek na minissérie JK, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira.

Já em 2012, voltou às novelas encarnando o frio Coronel Jesuíno Mendonça no remake de Gabriela, de Walcyr Carrasco. O personagem caiu na boca do povo com seu bordão "Vou lhe usar", e fez sucesso principalmente nas rede sociais.

Em 2013, um dos seus personagens mais famosos saiu da TV e foi para as telonas: Giovanni Improtta é lançado nos cinemas brasileiros.

Seu último trabalho na TV, foi pouco antes de sua morte, na novela Amor à Vida, como o médico Herbert Marques.[1]

Comentarista[editar | editar código-fonte]

Amante de cinema, possuía aproximadamente quatro mil fitas em casa. Mostrou ao público essa faceta assinando uma coluna semanal sobre o assunto no Jornal do Brasil e fazendo comentários de filmes nos canais de televisão por assinatura Telecine da Globosat.

Wilker era também comentarista oficial da transmissão da premiação do Oscar da Rede Globo, além de apresentar o programa Palco & Plateia, que é transmitido pelo Canal Brasil. Wilker foi ainda diretor-presidente da Riofilme — distribuidora de filmes do município do Rio de Janeiro.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Logo ao chegar ao Rio de Janeiro, em 1964 José Wilker conheceu a psicóloga Elza Rocha Pinto, com quem se casou. Depois de divorciarem-se em 1976, Wilker teve outros relacionamentos, dos quais nasceram duas filhas: Mariana (com Renée de Vielmond) e Isabel (com Mônica Torres). Viveu também com Guilhermina Guinle entre 1999 e 2006.[2] Seu último relacionamento foi com a jornalista Cláudia Montenegro.

Morte[editar | editar código-fonte]

Wilker morreu na casa da mulher, a jornalista Claudia Montenegro, no Rio de Janeiro, na manhã de 5 de abril de 2014, vítima de um infarto fulminante, enquanto dormia. O socorro foi chamado por Claudia, que mora em Ipanema, Zona Sul do Rio, por volta das 10h, mas os médicos não conseguiram reanimar o ator. O corpo de José Wilker foi cremado no Cemitério Memorial do Carmo, na zona portuária do Rio de Janeiro em 6 de abril de 2014.[3]

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Ator[editar | editar código-fonte]

Ano Título Papel Emissora
1971 Bandeira 2 Zelito Rede Globo
Caso Especial Episódio: O Crime do Silêncio
1972 O Bofe Bandeira
1973 Cavalo de Aço Atílio
Os Ossos do Barão Martinho Ghirotto
1974 Corrida do Ouro Fábio
Caso Especial Murilo (Episódio: A Cartomante)
Caso Especial Episódio: Enquanto a Cegonha Não Vem
1975 Gabriela Mundinho Falcão
1976 Anjo Mau Rodrigo Medeiros
1980 Plumas e Paetês Renato
1981 Brilhante Oswaldo / Sidney
1982 Final Feliz Rodrigo
1983 Bandidos da Falange Tito Lívio
1984 Transas e Caretas Tiago
1985 Roque Santeiro Roque Santeiro (Luis Roque Duarte)
1987 Carmem Camilo Rede Manchete
Corpo Santo Ulisses Queirós
1989 O Salvador da Pátria João Matos Rede Globo
1990 Mico Preto Frederico
1992 Anos Rebeldes Fábio Andrade Brito
1993 Agosto Pedro Lomagno
Fera Ferida Demóstenes Maçaranduba da Costa
Renascer Belarmino
1995 A Próxima Vítima Marcelo Rossi
1996 Anjo de Mim Bianor
O Fim do Mundo Tião Socó
A Vida Como Ela É... Narrador dos episódios
Salsa e Merengue Urbano
1997–2002 Sai de Baixo Beto (Episódio: "Ghost Não Se Discute" /
participações em voz)
1999 Suave Veneno Waldomiro Cerqueira
2000 A Muralha Dom Diego
2001 Um Anjo Caiu do Céu Tarso
2002 Desejos de Mulher Ariel Britz
O Quinto dos Infernos Marquês de Marialva
2004 Senhora do Destino Giovanni Improtta
2006 JK Juscelino Kubitschek
2007 Amazônia, de Galvez a Chico Mendes Luis Gálvez Rodríguez de Arias
Duas Caras Francisco Macieira
2008 Três Irmãs Augusto Pinheiro / Lázaro
2009 Cinquentinha Daniel Lopes de Carvalho
2010 Na Forma da Lei Dr. Mourão
2011 O Bem Amado Zeca Diabo
Insensato Coração Humberto Brandão
A Mulher Invisível Reinaldo Fachetti
2012 O Brado Retumbante Floriano Pedreira
Gabriela Coronel Jesuíno
2013 Amor à Vida Dr. Herbert Marques / Narrador (chamadas iniciais)

Diretor[editar | editar código-fonte]

Ano Trabalhos Nota (s)
1983 Louco Amor Telenovela
1984 Transas e Caretas
1986 Cinderela Filme
1996 a 2002 Sai de Baixo Seriado
2013 Giovanni Improtta Filme

Cinema[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Morre aos 67 anos o ator José Wilker». G1 Rio. 5 de abril de 2014. Consultado em 16 de fevereiro 2015 
  2. «Guilhermina Guinle, ex de Wilker, comenta: 'Um pedaço da vida que vai'». EGO, G1. 6 de Abril de 2014. Consultado em 7 de Abril de 2014 
  3. «Corpo de José Wilker é cremado no Rio de Janeiro». UOL. 6 de Abril de 2014. Consultado em 4 de outubro de 2014 
  4. Cinemateca Brasileira, O Rei da Vela [em linha]
  5. Ogloo; Michele Miranda. «Bruno Gagliasso e Regiane Alves apostam em filme de suspense que estreia em 2013». Consultado em 10 de outubro de 2013 

Notas

  1. a b c d Existem divergências entre diversas fontes confiáveis quanto ao ano de nascimento do ator. Segundo o Terra e o UOL, o ano teria sido 1944, que também é confirmado no seu registro eleitoral no TSE. Este ano está sendo adotado no artigo como o mais provável, conforme discussão, já que, além de ser o ano que consta em seu registro eleitoral, o Terra cita que, na época da morte do ator, houve erro da mídia na divulgação de sua data de nascimento. Outras fontes, como o G1 e o Memória Globo afirmam que ele nasceu em 1946. Há ainda a informação do Memória Roda Viva que ele teria nascido em 1947.