Fera Ferida

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Fera Ferida
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Drama
Romance
Comédia
Suspense
Mistério
Ambição
Realismo Mágico
Duração 65 minutos (aproximadamente)
Criador(es) Aguinaldo Silva
Ricardo Linhares
Ana Maria Moretzsohn
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Dennis Carvalho
Marcos Paulo
Elenco Giulia Gam
Edson Celulari
José Wilker
Susana Vieira
Lima Duarte
Joana Fomm
Tarcísio Meira
Arlete Salles
Cláudio Marzo
Cássia Kis Magro
Vera Holtz
ver mais
Tema de abertura "Fera Ferida", Maria Bethânia
Tema de
encerramento
"Fera Ferida", Maria Bethânia
Exibição
Emissora de
televisão original
Brasil Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 15 de novembro de 1993 - 15 de julho de 1994
N.º de episódios 209 (original)
105 (Vale a Pena Ver de Novo)
209 (Canal Viva)
Cronologia
Último
Último
Renascer
Pátria Minha
Próximo
Próximo
Programas relacionados Roque Santeiro
Tieta
Pedra sobre Pedra
A Indomada
Porto dos Milagres

Fera Ferida é uma telenovela brasileira produzida e exibida no horário das 20 horas pela Rede Globo entre 15 de novembro de 1993 e 16 de julho de 1994, em 209 capítulos, substituindo Renascer e sendo substituída por Pátria Minha.[1] Foi a 48ª "novela das oito" exibida pela emissora.

Escrita por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, com a colaboração de Márcia Prates e Flávio de Campos, inspirada na obra de Lima Barreto, mais especificamente nos romances Clara dos Anjos, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá e em personagens dos contos Nova Califórnia e O Homem que Sabia Javanês.[2] Contou com direção de Carlos Magalhães e Carlos Araújo e, direção geral de Dennis Carvalho e Marcos Paulo.

Contou com Giulia Gam, Edson Celulari, Susana Vieira, Tarcísio Meira, Cássia Kis Magro, Cláudio Marzo, Joana Fomm, José Wilker e Lima Duarte nos papéis principais de uma trama de realismo fantástico sobre vingança e a cobiça que também era uma metáfora da época das condições políticas do Brasil.

Foi reapresentada na sessão Vale a Pena Ver de Novo de 15 de setembro de 1997 a 6 de fevereiro de 1998, substituindo A Viagem e sendo substituída por Felicidade, em 105 capítulos.

Em 2013, o Canal Viva fez uma enquete para o público escolher a próxima reprise de telenovela, para substituir Rainha da Sucata, e Fera Ferida ficou em 4º lugar, sendo a vencedora Água Viva, de 1980.[3]

Está sendo reexibida na íntegra pelo Canal Viva desde 15 de junho de 2015, substituindo O Dono do Mundo, à 00h.[4] [5]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

A vingança e a cobiça eram os temas de Fera Ferida, cuja trama se baseava no universo ficcional de Lima Barreto. O prefeito da fictícia Tubiacanga, Feliciano Mota da Costa (Tarcísio Meira), acredita que a cidade esconda preciosas minas de ouro. Ao seu lado estavam os companheiros Major Emiliano Bentes (Lima Duarte), Professor Praxedes (Juca de Oliveira) e Numa Pompílio de Castro (Hugo Carvana). Para provar ao povo de Tubiacanga que está certo, Feliciano mostra uma enorme e brilhante pepita de ouro em plena praça pública, causando um rebuliço entre os tubiacanguenses. Com a pedra nas mãos, o prefeito consegue convencer a todos a entregar-lhe suas economias para a construção de uma empresa de mineração na cidade.

O destino de Feliciano, no entanto, não seria tão promissor como parecia. A notícia de que a cidade estava cheia de ouro se espalha, e Tubiacanga é invadida por garimpeiros. Dos males esse seria o menor. Quando Feliciano volta da capital com a riqueza da cidade revertida em dólares, revela-se que a pepita que ele mostrara ao povo não era de ouro. Enfurecida, a população se volta contra ele. Para piorar sua situação, a mala com o dinheiro que trouxera da capital desaparece misteriosamente, e seus companheiros acabam ficando contra ele, acusando-o de ladrão. Feliciano, na realidade, fora enganado pelo assessor Demóstenes (José Wilker). Em meio a uma revolta popular, o prefeito se vê obrigado a fugir com a mulher, Laurinda (Lucinha Lins), e o filho, Feliciano Júnior (Diogo Bandeira), de canoa. Perseguidos, ele e a mulher são atingidos por um pistoleiro e morrem afogados. Feliciano Júnior enterra os pais e jura se vingar. Essa parte da história é mostrada no primeiro capítulo da novela e, ao longo da trama, em flashback.

Quinze anos depois da desgraça, Feliciano Júnior retorna à Tubiacanga, sob a identidade de Raimundo Flamel (Edson Celulari). Alquimista, cheio de mistérios sobre seu ofício e seu passado, ele aguça a ambição e a cobiça dos moradores da cidade ao se dizer capaz de transformar ossos humanos em ouro. Decidido a vingar a morte do pai, Flamel usa diversas estratégias para acabar com os responsáveis pela tragédia de sua família. Ele não contava, entretanto, que se apaixonaria perdidamente por Linda Inês (Giulia Gam), sua namorada de infância e filha do prefeito Demóstenes, seu principal inimigo. O segundo alvo de Flamel é o Major Bentes, um homem ambicioso e prepotente, que teve um filho bastardo, Cassi Jones (Marcos Winter), com a perigosa Salustiana Maria Tibiriçá (Joana Fomm) e vive perturbado por esse passado. Os dois travam uma verdadeira disputa pelo poder, usando como pretexto o filho que Salustiana jura ser dele. O filho legítimo de Major Bentes, Guilherme (Rúbens Caribé), é apaixonado por sua namorada Linda Inês, mas a moça não tem o mesmo sentimento por ele. O vereador Numa Pompílio de Castro e o Professor Praxedes de Menezes são os outros alvos da vingança de Flamel.

Ao lado de Flamel estão Genival Gusmão (Ewerton de Castro), seu secretário e ouvinte, e Margarida Pestana (Arlete Salles), irmã de Laurinda e madrinha de Flamel, a quem ele revela seu segredo.

Flamel tenta, de todas as formas, evitar o amor que sente por Linda Inês. A jovem, por sua vez, sente-se atraída por Flamel assim que o vê, sem saber que ele é Feliciano Júnior, seu namorado de infância. Os dois jovens vivem uma relação conflituosa, pois apesar de amá-la, Flamel evita esse sentimento, obstinado em cumprir sua missão. Quando Linda Inês descobre a verdadeira identidade de Flamel e seu plano de vingança, fica dividida entre o amor que sente por ele e seu pai, Demóstenes, o alvo principal de Flamel.

O alquimista desperta, a cada dia, a curiosidade dos poderosos de Tubiacanga. Em determinado momento da história, ele conta a Numa que é capaz de transformar ossos em ouro, atiçando a cobiça do vereador. Mesmo avisado por seu mestre, Nicolau (Ivan de Albuquerque), para não prosseguir com a experiência, Flamel não desiste. O químico chega a ter uma visão do pai, Feliciano, que pede a ele que não leve adiante a ideia da vingança, mas o moço diz que não tem como voltar atrás. Demóstenes, Major Bentes e Praxedes ficam sabendo sobre a mina de ouro de Flamel, a notícia acaba se espalhando por toda a cidade, e os moradores de Tubiacanga passam a violar as sepulturas em busca de ossos.

Flamel volta a repetir a experiência de transformar ossos em ouro, e seu mestre, Nicolau, decide castigá-lo: tudo o que Flamel toca passa a transformar-se em ouro. Para seu desespero, ele transforma Linda Inês em uma estátua do metal dourado. Enquanto isso, Demóstenes incita o povo a invadir o casarão do alquimista, e, enfurecidos, os tubiacanguenses destroem não só a casa de Flamel, como a cidade, em busca de ossos. Em meio à confusão, Major Bentes aponta uma arma contra Flamel, exigindo a poderosa fórmula em troca de sua vida. Orestes atira no major, e ele morre. Aos poucos, tudo volta à normalidade: mestre Nicolau faz os objetos transformados em ouro voltarem ao que eram antes e decide tirar os poderes de alquimista de Flamel.

No último capítulo, Linda Inês entrega-se ao amor que sente por seu namorado de infância, e os dois se casam na igreja da cidade, tendo Ilka Tibiriçá (Cássia Kis Magro) e Ataliba Timbó (Paulo Gorgulho), Maria dos Remédios (Luiza Tomé) e Genival Gusmão, Sigfrida (Deborah Evelyn) e Áureo (Cláudio Fontana) e Margarida Pestana e Orestes Fronteira (Cláudio Marzo) como padrinhos.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Giulia Gam Linda Inês de Souza Maçaranduba da Costa
Edson Celulari Raimundo Flamel / Feliciano Mota da Costa Júnior
José Wilker Demóstenes Maçaranduba da Costa
Susana Vieira Rubra Rosa Pompílio de Castro
Lima Duarte Emiliano Cerqueira Bentes
Joana Fomm Maria Salustiana
Tarcísio Meira Feliciano Mota da Costa
Cássia Kis Magro Ilka Tibiriçá
Hugo Carvana Numa Pompílio de Castro
Arlete Salles Margarida Pestana Weber
Juca de Oliveira[6] Praxedes de Menezes
Cláudio Marzo Orestes Fronteira
Paulo Gorgulho Ataliba Timbó
Vera Holtz Querubina Praxedes de Menezes
Lucinha Lins Laurinda Mota da Costa
Rubens Caribé Guilherme Cerqueira Bentes
Cláudia Ohana[7] Camila
Otávio Augusto Afonso Henriques
Cláudia Alencar Perla Menescau
Marcos Winter Cassy Jones de Azevedo
Odilon Wagner Weber
Deborah Evelyn Zigfrida "Frida" Pestana Weber
Cláudio Fontana Áureo Poente Pompílio de Castro
Luiza Thomé[8] Maria dos Remédios
Tonico Pereira Chico da Tirana
Maria Helena Dias Júlia
Giuseppe Oristânio[9] Maxwell Antenor
Anna de Aguiar Isolda "Isoldinha" Pestana Weber
Murilo Benício Fabrício
Camila Pitanga Teresinha Fronteira
Norton Nascimento Votan
Julciléa Telles Ivonete
Érika Rosa Clara dos Anjos
Isadora Ribeiro Dona Marquesa
Tuca Andrada Carlos Barromeu
Rosane Gofman Vaina Marina
Ivan de Albuquerque Mestre Nicolau
Ewerton de Castro Genival Gusmão
Maria Gladys Lucineide
Maria Ceiça Engrácia dos Anjos
Pedro Vasconcelos Etevaldo Praxedes de Menezes
Cléa Simões Cleonice
Clemente Viscaíno Juca
Antônio Pompeo Joaquim dos Anjos
Fernanda Muniz Valéria
Daniela Faria Daiana
Carolina Dieckmann Carol
André Gonçalves Vivaldo Fronteira
Bruno De Luca Uilsinho
Patrick de Oliveira Romão Fronteira (Romãozinho)
Fernanda Lobo Belmira

Produção[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Fera Ferida foi baseada na obra de Lima Barreto (1881-1922), mais especificamente nos romances Clara dos Anjos, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá e em personagens dos contos Nova Califórnia e O Homem que Sabia Javanês.[2] A própria novela inicialmente iria se chamar Nova Califórnia.[1] [6] Aguinaldo Silva livremente se inspirou nos personagens e contos de Lima Barreto e também fez uso de metáforas das condições políticas do Brasil na época, brincando com notícias reais do país. Só nos primeiros capítulos foram citados Fernando Collor, Juscelino Kubitschek e o regime militar, com graça.[1] [2] [10] Além de ter se baseado no universo fictício de Lima Barreto, Aguinaldo Silva homenageou o autor através do poeta Afonso Henriques, personagem interpretado por Otávio Augusto, cujo nome completo era Afonso Henriques de Lima Barreto, homônimo do homenageado. Além disso, havia uma foto de Lima Barreto com a faixa presidencial no gabinete do prefeito de Tubiacanga.[2] Ainda homenageando Lima Barreto, os nomes das praças e ruas de Tubiacanga faziam referência aos romances e personagens criados pelo autor, como a praça Policarpo Quaresma, rua Gonzaga de Sá, entre outras.[2]

Com personagens curiosos e tramas por vezes absurdas de Aguinaldo Silva, o autor trazia novamente o realismo fantástico,[2] que esteve presente nos poderes de Raimundo Flamel em transformar ossos humanos em ouro; na personagem Camila, que entrava em sono profundo e dormia anos a fio; na figura do Coveiro Orestes, que falava com os mortos e sabia os segredos das famílias de Tubiacanga; e nas cenas de amor de Demóstenes e Rubra Rosa, que inflamava tudo ao redor - o que remete à personagem Marcina, de Sônia Braga da novela Saramandaia, de Dias Gomes, que ardia em febre, literalmente, quando excitada.[1] E a novela também veio com vários outros elementos em comum com seus demais trabalhos, como a ambientação em uma cidade fictícia que faz as vezes de microcosmo do Brasil, cenas de realismo mágico e personagens com características parecidas. Aguinaldo já tinha apresentado estes elementos em Roque Santeiro, Tieta e Pedra sobre Pedra, e posteriormente em A Indomada e Porto dos Milagres.[11]

O autor Aguinaldo Silva fez uma referência à sua cidade natal, Carpina, na telenovela. O município brasileiro do estado de Pernambuco guarda semelhanças com a cidade da trama, Tubiacanga, que tinha a fama de ter o quinto melhor clima do mundo.[2]

No último capítulo de Fera Ferida, o cinema da cidade de Tubiacanga anunciava a estreia da próxima novela das oito da TV Globo, a novela Pátria Minha (1994), de Gilberto Braga.[1] [2]

Gravação[editar | editar código-fonte]

Fera Ferida teve a maior cidade cenográfica já construída pela Rede Globo até então, sendo que pela primeira vez na história de suas telenovelas, a emissora montou uma cidade completa para servir a todas as locações externas.[12] [13] A área tinha 30.000m2 e foi erguida em 45 dias, em Jacarepaguá, no terreno onde hoje fica o Projac. O espaço incluía um rio artificial com 1,7 milhão de litros de água, em que seis bombas hidráulicas ajudam a imitar a correnteza de um rio sob uma ponte de ferro, ancoradouro, praças, jardins, cemitérios, uma pedreira e dez prédios em tamanho natural.[12] [13] Fora da cidade cenográfica, as cenas da personagem Linda Inês no curral eram gravadas em Volta Redonda, no Sul Fluminense,[14] para onde a produção enviou cerca de 400 ovelhas.[12] O local escolhido da gravação da cena em que a família de Feliciano fugia de Tubiacanga em uma canoa foi uma corredeira em Três Rios, na região centro fluminense. Esta gravação exigiu uma equipe de mergulhadores, ambulância com serviço médico e bombeiros de plantão.[12] Embora a produção contasse com uma equipe de dublês, o diretor precisava dos próprios atores em ação, incluindo o menino Diogo Bandeira, intérprete de Flamel na infância.[12] Foram também feitas cenas no exterior, com cenas rodadas na cidade francesa de Chaumont, onde ficava o castelo de Nicolau, o misterioso mestre de Raimundo Flamel. No Vale do Loire foram gravadas as cenas finais da história, em que os apaixonados Linda Inês e Flamel terminavam juntos.[12]

Os pratos afrodisíacos de Ilka Tibiriçá eram adaptações de receitas verdadeiras, extraídas do livro Comer e Amar, escrito em 1986 pela empresária martiniquenha Lauretta Marie Josephe e pelo jornalista Okky de Souza. A única receita que não foi retirada do livro era o famoso Sarapatel das Delícias. Esse prato foi uma sugestão do veterinário Edson Ramos da Siqueira, professor do departamento de produção animal da Universidade de Botucatu, em São Paulo. Edson Ramos auxiliava a equipe de Aguinaldo Silva nas cenas em que Linda Inês lidava com os carneiros. Além do Sarapatel, outras receitas famosas de Ilka Tibiriçá eram mexilhões com abóbora-menina, maionese de ovos de codorna com codornas assadas e frango com gengibre. Depois de gravadas as cenas, o elenco e a produção comiam todos os quitutes.[2]

O ator José Wilker contou sobre as improvisações que eram permitidas e incentivadas na novela, como ter dito frases em latim para a personagem de Cássia Kis Magro, a Ilka Tibiriçá, e de ter brincado com a sua função de prefeito, a de despachar, no sentido de desembargar. Um dia, ele pediu a um contrarregra para lhe arrumar uma tigela com farofa, um frango, uma vela e uma garrafa de pinga. A atriz Giulia Gam, que faria a cena com ele, foi pega de surpresa com o “despacho” que ele fazia.[2]

A liberdade de improvisação também foi usada por Otávio Augusto. Durante a novela, o ator inspirou-se no filme Cyrano de Bergerac (1990), de Jean-Paul Rappeneau, e em citações do poeta para enriquecer as falas de Afonso Henriques. O ator achou que os acréscimos expressariam bem a tristeza do personagem ao ser dispensado por Camila, de Cláudia Ohana.[2]

Um outro caso de improvisação utilizou o ator Juca de Oliveira para homenagear José Wilker no 5º capítulo. Na cena o Prefeito Demóstenes diz que seus gastos com a festa para Flamel deveriam ser ressarcidos pela prefeitura. O Professor Praxedes (personagem de Juca de Oliveira) então diz: "É justo, é muito justo, é justíssimo!", em alusão ao personagem de Wilker, Coronel Belarmino de Renascer, novela antecessora no horário, onde o personagem é morto logo no início, mas eternizou o bordão. É visível na cena que José Wilker não sabia do improviso e não segurou um leve sorriso encabulado.

A equipe de figurinos fez um planejamento cromático para o visual de Fera Ferida, diferenciado de acordo com o núcleo familiar.[15] O figurino de Linda Inês era masculinizado por ela ser uma menina que perdeu a mãe cedo e foi criada pelo pai em uma fazenda.[15]

O casarão de Raimundo Flamel era uma construção gótica, sombria e misteriosa, características perfeitas para criar a atmosfera de mistério que envolvia o personagem.[16] A fazenda de Demóstenes conjugava características do inescrupuloso prefeito e de sua filha, a doce Linda Inês. A casa misturava alegria e suntuosidade. Para tal, o cenógrafo Raul Travassos inspirou-se na arquitetura das fazendas inglesas, criando ambientes aconchegantes, com muita madeira e minuciosos objetos decorativos.[16]

A pedido do diretor Paulo Ubiratan, a atriz Carolina Dieckmann, que vivia a doce Carol, deixou a trama antes do final. O diretor escalou a atriz, iniciante na época, para viver Açucena em Tropicaliente de 1994, a futura novela das seis, e pediu que Aguinaldo Silva a liberasse. Em 2005, Carolina Dieckmann voltou a atuar em uma novela de Aguinaldo Silva, dessa vez, como uma das protagonistas: a atriz estrelou Senhora do Destino.[1] [2]

O diretor Dennis Carvalho saiu no decorrer da novela para dirigir Pátria Minha (1994). A direção-geral de Fera Ferida foi assumida por Marcos Paulo.[1] [2] A trama também teve gravações externas dirigidas por Gonzaga Blota. Na verdade, como as gravações estavam atrasadas, Blota assumiu as gravações da cidade cenográfica, enquanto Dennis foi fazer as externas em Volta Redonda.[14] A baixa audiência inicial da novela levou a boatos sobre a entrada do diretor Gonzaga Blota, tradicional "apagador de incêndios" de novelas — ele já foi chamado diversas vezes para recuperar tramas, agilizar histórias ou mesmo substituir diretores — começou a dirigir as cenas da cidade cenográfica do Projac, juntamente com o diretor artístico e supervisor das novelas da Globo, Paulo Ubiratan.[17] Em uma entrevista ao O Globo, Dennis Carvalho negou a crise, dizendo que em função da chuva e do atraso na entrega da cidade cenográfica, que ficou pronta só na última semana antes da estreia, restavam 62% de cenas para serem gravadas lá. E como era matematicamente impossível para que ele, Marcos Paulo e o Paulo Ubiratan fizéssem. Então Paulo chamou Blota para desafogar.[17]

Primeira novela na Rede Globo do ator Murilo Benício e das atrizes Camila Pitanga e Carolina Dieckmann, elas vinham da minissérie Sex Appeal.[1] [2]

Abertura[editar | editar código-fonte]

A abertura da novela Fera Ferida era mostrada nomes voadores em formato 3D. A abertura da foi desenvolvida pelo designer Hans Donner e sua equipe. Uma onça, representada por uma câmera virtual e uma sombra, percorria campos, grutas, cavernas e chapadas. Durante a corrida da onça, a câmera descia e subia, como se o olho do telespectador fosse o do animal. Os créditos passavam voando, como se levados pela velocidade da fera. Todos os movimentos eram sincronizados com a canção Fera Ferida, de Roberto Carlos, interpretada por Maria Bethânia. Ao final, os olhos brilhantes e os longos dentes da onça apareciam sobre o nome da novela. A ordem da abertura era em ordem alfabética.[18]

Exibição[editar | editar código-fonte]

O seu último capítulo que iria ser exibido no dia 15 de julho em uma sexta-feira, não foi exibido por causa da final da Copa do Mundo de 1994. O seu último capítulo foi exibido no dia 16 de julho, em um Sábado, com reprise no Domingo, logo após o Fantástico, isso aconteceu diferente de sua antecessora Renascer que também já teve um problema bem parecido assim.

Repercussão[editar | editar código-fonte]

As receitas e pratos afrodisíacos de D. Ilka Tibiriçá fizeram sucesso. A emissora recebia enxurrada de cartas dos telespectadores pedindo que os capítulos em que a personagem os fazia fossem reprisados para que as receitas pudessem ser anotadas.[2] A atriz Cássia Kis Magro lembra que o seu figurino foi inspirado no estilo de Jacqueline Kennedy, ex-primeira-dama dos Estados Unidos.[15]

O figurino de Raimundo Flamel ganhou as ruas. As camisas sem gola usadas pelo personagem, inspiradas no filme Lawrence da Arábia (1962), de David Lean, chegaram a ser batizadas de “camisas Flamel”.[15]

Em relação a crítica, Sérgio DÁvila da Folha de S. Paulo elogiou o enredo, mas disse que Edson Celulari precisava de um diretor que segurasse seu histrionismo, enquanto que Giulia é versátil.[10] Na mesma crítica, elogiou a novela que tem belíssimas externas, que não caem no vazio que Benedito Ruy Barbosa imprimiu a Renascer.[10] E elogiada por não haver modelos no elenco e sim atores.[10] A cidade cenográfica também foi alvo da crítica, por exemplo, sendo lembrada por parecer de brinquedo.[10]

Por outro lado, o público foi ouvido por telefone em uma enquete da Folha de S. Paulo, a maioria afirmou que a trama seria melhor que a sua antecessora, Renascer.[19] [20]

A trama também foi criticada por Esthes Hamburger da Folha de S. Paulo por meio dos personagens caricaturais Ilka e Ataliba, escrevendo que Fera Ferida reforçava o estigma que paira sobre a impotência sexual, escrevendo: "Ela é a solteirona chata e virgem que se insinua atrás de alguém que sacie sua sede de amor. Ele, um traumatizado galã ex-jogador impotente que sofre nas garras da indiscrição dela. Voluntariosa, ela se oferece para ajudar no tratamento da "doença" dele. Ao pronunciar o que não pode ser dito, ela ameaça a virilidade dele."[21]

Audiência[editar | editar código-fonte]

Fera Ferida entrou no ar às 20h38 de 15 de novembro de 1993, alcançando a média de 54%, ou cerca de 2,15 milhões de televisores ligados na Grande São Paulo.[22] Teve menos audiência que a estreia de sua antecessora, pois em 8 de março deste ano, Renascer conseguiu a média de 59% (cerca de 2,35 milhões de televisores).[10] [22] O índice alcançado por Fera Ferida também é inferior ao da estreia de De Corpo e Alma, em 3 de agosto de 1992. Naquela noite, a novela de Glória Perez alcançou a média de 55%, ou cerca de 2,15 milhões de televisores ligados em São Paulo.[22] O Ibope faz seus cálculos tomando como base um número total estimado de 3,98 milhões de televisores na Grande São Paulo.[22] A estreia da novela de Aguinaldo Silva só conseguiu ser mais bem-sucedida que a de Pedra sobre Pedra, também de sua autoria, em 6 de janeiro de 1992.[22]

Segundo números do Ibope, a primeira semana de Fera Ferida perdeu por uma diferença de cerca de oito pontos na média de audiência para a que foi registrada na semana de estreia de Renascer.[17]

No geral, Fera Ferida alcançou médias de 53 pontos, ou 2,1 milhões de residências.[23]

Exibição internacional[editar | editar código-fonte]

A novela foi vendida para 13 países da América Latina, durante a feira Screenings, realizada anualmente em Los Angeles, EUA. Além disso, foi exibida em Angola, Indonésia, Macau, Portugal, Rússia, entre outros países.[2]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora 1[editar | editar código-fonte]

Fera Ferida - Nacional
Trilha sonora de Vários artistas
Lançamento 1993
Gênero(s) Vários
Idioma(s) Português
Formato(s) LP e K7
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Giulia Gam[24] [25]

  1. "Rio de Janeiro (Isto é o Meu Brasil)" - João Bosco (tema de locação: Tubiacanga)
  2. "Flor de Ir Embora" - Fátima Guedes (tema de Clara dos Anjos)
  3. "Mon Amour" - Rita Lee (tema de Rubra Rosa)
  4. "Noites Com Sol" - Flávio Venturini (tema de Áureo e Frida)
  5. "Al Di Là" - Emilio Pericoli (tema de Ilka Tibiriçá)
  6. "Corrupião" - Edu Lobo (tema de Major Bentes)
  7. "Fera Ferida" - Maria Bethânia (tema de abertura e tema de Raimundo Flamel)
  8. "Sangue Latino" - Renata Arruda (tema de Linda Inês)
  9. "Da Cor do Pecado" - Fagner (tema de Cassi Jones)
  10. "Rosa" - Marisa Monte (tema de Prof. Praxedes e Maria dos Remédios)
  11. "Sensual (Palácio Fácil)" - Zé Ramalho (tema de Demóstenes)
  12. "Corpo e Luz" - Ithamara Koorax (tema de Margarida Weber)
  13. "Pálida" - Vânia Bastos (tema de Camila)
  14. "Um Dia, Uma Música" - Léo Gandelman (tema de locação: Tubiacanga)

Trilha sonora 2[editar | editar código-fonte]

Fera Ferida - Nacional Vol. 2
Trilha sonora de Vários artistas
Lançamento 1993
Gênero(s) Vários
Idioma(s) Português
Formato(s) LP e K7
Gravadora(s) Som Livre

Capa: Luíza Tomé[24] [25]

  1. "Eu Só Penso Em Você (Always On My Mind)" - Zezé Di Camargo & Luciano (part. esp. Willie Nelson) (tema de Teresinha e Votan)
  2. "Pessoa" - Marina
  3. "Cobra de Chifre" - Amelinha
  4. "Ao Poeta/ Primavera/ Deixa/ Marcha da Quarta-feira de Cinzas" - Leila Pinheiro
  5. "Irmandade" - Maria Ceiça
  6. "Velho Chorinho Novo" - Aécio Flávio
  7. "Outra Noite" - Chico Buarque
  8. "Você é Linda" - Caetano Veloso
  9. "Minueto" - Celso Adolfo
  10. "Garotos II: O Outro Lado" - Leoni
  11. "Ao Watanabe" - César Machado
  12. "Na Cadência do Samba" - Waldyr Calmon

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Troféu APCA (1994):

Referências

  1. a b c d e f g h Nilson Xavier. Fera Ferida - Bastidores Teledramaturgia. Visitado em 12 de março de 2015.
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p Memória Globo. Fera Ferida - Curiosidades. Visitado em 29 de dezembro de 2013.
  3. A nova novela do VIVA é você quem escolhe Canal Viva Globo.com. Visitado em 17 de dezembro de 2014.
  4. Nilson Xavier (25 de fevereiro de 2015). Novela “Fera Ferida” substitui “O Dono do Mundo” no canal Viva Blogosfera UOL. Visitado em 14 de março de 2015.
  5. Fera Ferida é a próxima novela do VIVA Canal Viva Globo.com (25 de fevereiro de 2015). Visitado em 11 de março de 2015.
  6. a b Armando Antenore (3 de setembro de 1993). Juca de Oliveira volta às novelas em Nova Califórnia (Fera Ferida) após 11 anos Jornal do Brasil TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  7. Virgínia Viveiros (6 de novembro de 1993). O anjo flutuante de Fera Ferida O Globo TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  8. Marcelo Migliaccio (19 de dezembro de 1993). Beleza analfabeta de remédios derrubara praxedes em Fera Ferida Folha de S. Paulo TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  9. Renato Kramer (9 de janeiro de 1994). Puxa-saco de 'Fera Ferida' promete reviravolta Folha de S. Paulo TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  10. a b c d e f Sérgio DÁvila (21 de novembro de 1993). Espectador se vinga em Fera Ferida Folha de S. Paulo TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  11. Pedra sobre Pedra - Curiosidades Memória Globo Globo.com. Visitado em 17 de dezembro de 2014.
  12. a b c d e f Fera Ferida - Produção Memória Globo Globo.com. Visitado em 12 de março de 2015.
  13. a b Roni Lima (14 de novembro de 1993). Globo constrói cidade para Fera Ferida Folha de S. Paulo TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  14. a b Direção de Fera Ferida enfrenta dia de boatos Jornal do Brasil TV-Pesquisa (19 de novembro de 1993). Visitado em 12 de março de 2015.
  15. a b c d Fera Ferida - Figurino e Caracterização Memória Globo Globo.com. Visitado em 12 de março de 2015.
  16. a b Fera Ferida - Cenografia e Arte Memória Globo Globo.com. Visitado em 12 de março de 2015.
  17. a b c Fera Ferida não tem firulas de câmera O Globo TV-Pesquisa (28 de novembro de 1993). Visitado em 12 de março de 2015.
  18. Fera Ferida - Abertura Memória Globo Globo.com. Visitado em 12 de março de 2015.
  19. O que você acha de Fera Ferida Folha de S. Paulo TV-Pesquisa (12 de dezembro de 1993). Visitado em 12 de março de 2015.
  20. Participantes defendem Fera Ferida Folha de S. Paulo TV-Pesquisa (19 de dezembro de 1993). Visitado em 12 de março de 2015.
  21. Esthes Hamburger (17 de dezembro de 1993). Fera Ferida reforça estigma que paira sobre a impotência sexual Folha de S. Paulo TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  22. a b c d e Hélio Gomes (17 de novembro de 1993). Primeiro capítulo de Fera Ferida perde para a estréia de Renascer Folha de S. Paulo TV-Pesquisa. Visitado em 12 de março de 2015.
  23. Armando Antenore (16 de janeiro de 1995). Ibope aponta audiência baixa Folha de S. Paulo UOL. Visitado em 14 de março de 2015.
  24. a b Fera Ferida - Trilha sonora Memória Globo Globo.com. Visitado em 12 de março de 2015.
  25. a b Fera Ferida - Trilha sonora Teledramaturgia. Visitado em 12 de março de 2015.

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