Ir para o conteúdo

Arquitetura gótica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fachada oeste da Catedral de Colónia, 1248

A arquitetura gótica é um estilo arquitetónico que, precedida pela arquitetura românica e sucedida pela arquitetura renascentista, teve origem na primeira metade do século XII na Europa Ocidental, a partir da França do Norte e, mais particularmente, do centro dessa região — o domínio real delimitado pelos rios Sena, Marne, Aisne e Oise —, que se chamava a Francia propriamente dita e, mais tarde, Île-de-France. A partir desse núcleo, esta arte nova inundou toda a Europa cristã no século XIII, evoluindo a partir da arquitetura românica e continuando a desenvolver-se nalgumas regiões europeias até ao século XVI. Na Itália, contudo, a sua introdução a partir do início do século XIII coexistiu com uma profunda ligação ao património clássico e à tradição arquitetónica local, sendo interrompida logo no início do século XV pelo aparecimento da arte renascentista. O termo "gótico" foi, de resto, cunhado precisamente durante o Renascimento italiano por artistas e historiadores como Giorgio Vasari, que utilizavam a expressão de forma pejorativa para classificar a arte medieval como "bárbara" ou própria dos Godos (ou chamada por alguns na Itália de "alemã").

Com a remodelação da Abadia de Saint-Denis (1130-1144), delineada pelas mãos do Abade Suger,[1] e a construção da Catedral de Sens (1130-1162)[2] sob o auspício do arcebispo Henri Sanglier (1122-1142)[3] — considerada uma das primeiras igrejas em que o gótico surge como um estilo coerente —, o novo modelo arquitetónico definiu-se na França com o apoio político da Dinastia capetiana. A partir da Ilha de França, o estilo difundiu-se progressivamente pelas dioceses eclesiásticas associadas, tais como Laon, Noyon e Beauvais, bem como nas estruturas monásticas, expandindo-se em direção oposta às regiões de forte influência artística bizantina.[4] A centralização monárquica na Ilha de França a partir do século XII favoreceu o seu desenvolvimento, deslocando o eixo da produção arquitetónica dos mosteiros da Borgonha (como a Abadia de Cluny) para as cidades do domínio real. Aquando do patrocínio da coroa e com o apoio do episcopado urbano, o foco construtivo mudou das abadias para as grandes catedrais, num esforço conjunto que envolveu bispos, monges, clérigos e corporações de construtores leigos, acelerando a evolução técnica a partir das experiências do Românico tardio. No século XII, o desenvolvimento de uma economia fundamentada no comércio fez com que o centro da vida social se deslocasse do campo para as cidades e favoreceu o aparecimento da burguesia urbana.[5]

Nesse contexto de renovação, as escolas catedralícias, capitulares e conventuais, das quais emergiriam as primeiras universidades europeias, contribuíram para a difusão um novo modelo de ensino e pensamento, a escolástica, nascido da necessidade de a Igreja conciliar a fé cristã com o sistema de pensamento racional. A catedral, um monumento erguido em louvor de Deus e dos homens que testemunhava tanto a capacidade empreendedora e a mestria colocadas ao serviço d'Ele, quanto essa nova postura intelectual da Igreja. A luz e a relação única entre estrutura e aparência,[6][7] o uso do arco ogival, a abóbada de cruzaria de ogivas e o arcobotante exterior (introduzido no final do século XII em Notre-Dame de Paris e Chartres) recolhem os impulsos laterais das altas naves centrais e conduzem-nos aos contrafortes exteriores, desonerando o muro da função de suporte principal.[8] A parede passa a ser perfurada por fileiras contínuas de janelas com vitrais e rosáceas, que a transfiguram pela luz.[7] Longe de representar uma ruptura com o românico, o estilo desenvolveu-se em França através de quatro fases principais: o Protogótico, como fase de transição (século XII, ainda com matroneus e abóbadas sexpartidas), o Gótico clássico (século XIII, marcado pela consolidação do uso do arcobotante e pela supressão das tribunas), o Gótico radiante (meados do século XIII e século XIV, caracterizado pela luminosidade, tracerias radiais e abertura do espaço a superfícies envidraçadas maciças, como na Sainte-Chapelle) e o Gótico flamejante (século XV e século XVI, marcado por rendilhados em forma de chama, arcos inflexos e pela ausência de capitéis). Em Inglaterra evoluiu do estilo Ornado para o Perpendicular (século XIV a século XVI.

A escultura adquiriu maior autonomia formal e um caráter progressivamente mais naturalista, favorecida pela libertação da estrutura mural, da qual resultaram elementos decorativos em pedra como a traceria, os pináculos, os gablés, as gárgulas, as estátuas-colunas e os relevos dos tímpanos, integrando vastos programas iconográficos. As ordens monásticas desempenharam um papel decisivo na difusão do estilo, destacando-se a ordem de Cister, responsável por disseminar a vertente mais austera do gótico francês por toda a Europa, bem como as ordens mendicantes que adaptaram o estilo nos grandes centros urbanos sob influência da França meridional e da Provença.[9] Hoje, muitos dos melhores exemplos da arquitetura gótica medieval estão classificados pela UNESCO como Património da Humanidade.

Os contemporâneos medievais caracterizavam o estilo em latim como opus Francigenum ("obra francesa" ou "obra dos Francos"), isto é, literalmente, uma «obra à maneira francesa»,[10] palavras usadas por Burkhard von Hall numa crónica escrita por volta de 1280/90 para se referir à nova construção da igreja da abadia de São Pedro em Wimpfen im Tal (iniciada em 1269), na Alemanha; como opus modernum ("obra moderna"); ou como novum opus ("obra nova"). Os falantes de italiano podiam designá-lo por maniera tedesca ("maneira alemã").[11][12] Por volta de 1500, contrapôs-se voluntariamente na Europa o gótico tardio ou flamejante, qualificado de «moderno», ao estilo italianizante, qualificado de «à antiga».[13]

A associação do termo "gótico" aos Godos resultou de interpretações posteriores desenvolvidas durante a Renascença, quando autores italianos empregaram a designação de forma pejorativa para caracterizar a arquitetura medieval como uma arte "bárbara", atribuindo-a simbolicamente aos povos germânicos responsáveis pela queda do Império Romano do Ocidente. Essa associação não implica, contudo, uma relação direta entre os godos históricos e o aparecimento do estilo arquitetónico, que surgiu posteriormente na França do século XII sob a designação contemporânea de opus Francigenum. O "gótico" já usado para designar a língua dos visigodos e ostrogodos,[14][15] pertence ao ramo oriental das línguas germânicas, atestada em poucos documentos dos séculos III e IV, sendo a principal fonte conhecida os códices da Bíblia traduzidos pelo bispo Ulfilas. Além destes documentos, existem fragmentos de comentários bíblicos, calendários religiosos e inscrições rúnicas.[16] A presença dos visigodos na Península Ibérica entre os séculos V e VIII contribuiu para a formação das línguas ibero-românicas através de fenómenos de superstrato linguístico. Apesar da progressiva romanização desse povo e da adoção do latim vulgar, permaneceram empréstimos lexicais, morfológicos, toponímicos e antroponímicos posteriormente incorporados ao português, galego e castelhano.[17] A atribuição exata desses elementos apresenta dificuldades metodológicas, uma vez que diversos germanismos podem igualmente ter origem em outros grupos germânicos, como francos ou lombardos, além de muitos vocábulos serem apenas formas reconstruídas pelos estudos linguísticos.[18]

Na Renascença, o termo "gótico" ao ganhar uma conotação pejorativa, foi introduzida na língua francesa por François Rabelais (Pantagruel, 1533).[19] O termo «gotico» foi, segundo consta, utilizado pela primeira vez pelo pintor Rafael (ou por Bramante ou ainda por Baldassarre Peruzzi) em 1518 num relatório dirigido a um papa (Leão X ou Júlio II) sobre «a conservação dos monumentos antigos»: o autor deste texto considera que os arcos quebrados da arquitetura gótica lembram a curvatura das árvores que formavam as cabanas primitivas dos habitantes das florestas germânicas (um mito que reaparecerá com os românticos) e faz referência, de forma neutra, à arte gótica do século XV, designando por outro lado a «arte francesa» medieval sob o termo arte tudesca.[20] Giorgio Vasari foi um dos que utilizou a expressão em 1530 (além de "maneira bárbara alemã" na sua Le vite de' più eccellenti pittori, scultori e architettori, 1550) para descrever aquilo que hoje é considerado o estilo gótico,[21] e, na introdução das Vidas, atribui diversas características arquitetónicas aos Godos, que considerava responsáveis pela destruição dos edifícios antigos após o saque de Roma, bem como pela construção de novos edifícios neste estilo, fruto do esquecimento das técnicas e dos cânones estéticos greco-romanos.[22] Quando Vasari escreveu, Itália tinha já vivido um século de construção segundo o vocabulário arquitetónico vitruviano das ordens clássicas, recuperado no contexto da Renascença e entendido como prova de uma nova Idade de Ouro de aprendizagem e refinamento. Assim, o estilo gótico, por oposição à arquitetura clássica, passou a ser associado, desse ponto de vista, à destruição do progresso e do requinte.[23] A ideia de que a arquitetura clássica era superior à arquitetura gótica estava amplamente difundida e revelou-se difícil de contrariar.[24] A arte gótica foi igualmente criticada por alguns autores franceses como Nicolas Boileau, Jean de La Bruyère, Molière ou Jean-Jacques Rousseau, antes de ser reabilitada por arquitetos como Francesco Borromini ou Jan Blažej Santini-Aichel, inventor do estilo barroco gótico.[25]

A definição do estilo gótico e a determinação das suas origens levaram os historiadores de arte a levantar a questão da transição da arte românica para a arte gótica. Em França, no final do século XIX, a existência de um estilo de transição foi debatida. Na Alemanha, na mesma época, a discussão incidiu sobre a denominação de um estilo de transição românico-gótico ou de um estilo misto. Na década de 1950, os historiadores de arte Hans Swarzenski e Louis Grodecki criaram o termo «estilo 1200»[26] para designar uma arte medieval romanizante e protogótica situada entre o românico e o gótico, nomeadamente na escultura.

Na década de 1960, Erwin Panofsky enunciou a ideia de um compromisso a posteriori, onde os monumentos ditos de transição representariam na realidade um compromisso entre o estilo românico antigo persistente e o estilo gótico recém-introduzido. Antes de Vasari já Antonio Averlino (Filarete), entre 1460 e 1464, amaldiçoava abertamente a "prática moderna" como uma corrupção bárbara da boa tradição antiga. Esta linha de pensamento culminou em Rafael Sanzio, que, em 1519, atribuiu formalmente a origem destas construções "sem medida" aos povos germânicos, como os godos e vândalos, substituindo a designação original de opus francigenum por um rótulo de incultura. No século XIX, contudo, alguns teoricos como John Ruskin operam uma total subversão desta herança pejorativa. Em vez de negar o caráter "selvagem" ou "rude" que os teóricos renascentistas atribuíam ao estilo, aceitaram estes predicados como evidências de superioridade. Para Ruskin, por exemplo, o que Alberti, Filarete e Rafael desprezavam como barbárie era, na verdade, o reflexo mais meritório e vital da arquitetura medieval; uma expressão de liberdade criativa que se opunha à perfeição rígida e escrava do classicismo, transfigurando o insulto histórico numa acepção profundamente elogiosa.[27]

O arquiteto e polímata Christopher Wren (1632–1723) desaprovava a designação "gótico" para a arquitetura de arcos apontados. Comparou-a à arquitetura islâmica, a que chamou "estilo Sarraceno", observando que a sofisticação do arco apontado não se devia aos Godos, mas sim ao Islão, que por sua vez o teria herdado dos Gregos. Escreveu:[28]

Wren foi um dos poucos a difundir a crença de que não tinham sido os Europeus, mas os "Sarracenos", os que deram origem ao estilo gótico – o termo "sarraceno", ainda em uso no século XVIII, referia-se tipicamente a todos os muçulmanos, incluindo Árabes e Berberes. Wren menciona a dívida arquitetónica da Europa para com os Sarracenos nada menos do que doze vezes nos seus escritos.[29] Rompeu também decididamente com a tradição ao considerar que a arquitetura gótica não representava apenas um erro violento e incómodo (como Vasari sugerira). Pelo contrário, Wren entendia que o estilo gótico se desenvolvera ao longo do tempo em consonância com uma sociedade em transformação, sendo, portanto, um estilo arquitetónico legítimo por direito próprio.[30]

Não era segredo que Wren detestava profundamente as práticas construtivas do estilo gótico. Quando foi nomeado Surveyor of the Fabric da Abadia de Westminster em 1698, expressou o seu desagrado pelo estilo gótico numa carta ao Bispo de Rochester:[31]

O caos do gótico deixava muito a desejar aos olhos de Wren. A sua aversão ao estilo era tão forte que recusou colocar uma cobertura gótica na nova Catedral de São Paulo, apesar da pressão nesse sentido.[32]

Embora exprimisse abertamente o seu desagrado pelo estilo gótico, Wren não culpava os Sarracenos por qualquer alegada falta de engenho. Bem pelo contrário: elogiava os Sarracenos pelas suas técnicas "superiores" de abobadamento e pelo uso generalizado do arco apontado.[33] Wren afirmava que os inventores do gótico tinham conhecido a arquitetura sarracena durante as Cruzadas, também designadas guerras religiosas ou "Guerras Santas", iniciadas no Reino de França em 1095:

Desta afirmação resultam vários problemas cronológicos, o que explica em parte a rejeição da teoria de Wren por muitos estudiosos. Os exemplos mais antigos de arco apontado na Europa datam de antes da Primeira Cruzada de 1096–1099 (por exemplo, na Abadia de Cluny, a partir de 1089);[34] este facto é amplamente considerado prova de que o estilo gótico não poderia ter derivado da arquitetura sarracena.[35] Vários autores sustentaram, contudo, que o estilo gótico terá provavelmente chegado à Europa por outras vias, por exemplo através Península Ibérica (Al-Andalus)[36] ou da Sicília. A arquitetura espanhola influenciada pelos Mouros pode ter favorecido o aparecimento do estilo gótico muito antes das Cruzadas. Tal poderá ter acontecido gradualmente, através da influência da conquista muçulmana da Península Ibérica no início do século VIII, bem como por intermédio de mercadores, peregrinos e outros viajantes.[37] Essa interpretação, contudo, é objeto de debate, pois arcos apontados também são atestados na arquitetura europeia séculos antes do aparecimento do Islão, incluindo na abside da Basílica de Sant'Apollinare em Classe, em Ravena, do século VI.[38]

Contexto histórico

[editar | editar código]
O Reino Francês (bege) em 1180; Territórios sob influência da Coroa (sombra clara)
Reino de França em 1180, distinguindo o Domínio Real dos restantes feudos vassalos. Os reis angevinos da Inglaterra detinham todos os territórios a vermelho
Catedral de Nossa Senhora de Sées, vista da nave em direção ao coro.

No século XII, o feudalismo, a religião e a monarquia marcaram as estruturas de uma sociedade que, graças ao crescimento demográfico e ao aperfeiçoamento dos métodos agrícolas e comerciais, iniciou um período de expansão, acompanhado por uma progressiva mudança de mentalidade, agora cultivando um espírito mais laico, racional e aberto ao mundo.[39] Desde a época de Filipe-Augusto, no final do século XII, a monarquia francesa afirma-se com uma expansão do seu poder e do seu território: na sequência da sua rivalidade com os Plantagenetas, a Aquitânia e a Normandia são anexadas à França desde o início do século XIII, e a conclusão da Cruzada albigense, em 1229, termina com a anexação do condado de Toulouse em 1271[40]. O Sacro Império Romano-Germânico também perde o seu prestígio em benefício do rei de França na sequência da Batalha de Bouvines. A França impõe-se assim como a primeira potência do Ocidente cristão, o que se manifesta pelas duas cruzadas do reinado de Luís IX e pela fundação da primeira universidade da Europa em Paris, Sorbonne.[41]

A burguesia, que, desde o século XI, procura emancipar-se dos poderes senhorial e eclesiástico através da obtenção de franquias (direitos fiscais, judiciais etc.) e da isenção de determinados direitos senhoriais, estabelecidos nas cartas de comunas— passa a realizar os seus conselhos municipais não nas igrejas, mas nos paços do concelho, cujos campanários cívicos rivalizam com as torres sineiras das igrejas. Consoante as circunstâncias, estes três poderes entram em conflito ou estabelecem alianças, podendo inclusive existir concorrência entre o clero catedralício e o das restantes igrejas paroquiais, cuja responsabilidade pela recolha e administração dos fundos destinados à construção é assegurada pelo conselho de fábrica, para o financiamento de novas igrejas e catedrais.[42]

Estas fontes de financiamento consistiam essencialmente nas receitas do bispo (era ele quem tomava a iniciativa destes primeiros edifícios góticos; o capítulo de cónegos assumiria o protagonismo em meados do século XIII, à medida que os cónegos desempenhavam um papel cada vez mais importante), nas doações da nobreza (doações em «pura, perpétua e irrevogável esmola» ou pedidos de missas), dos burgueses (nomeadamente para a salvação das suas almas), das corporações (que, em contrapartida, podiam fazer-se representar nos vitrais) e nas contribuições de todos os fiéis (coletas, indulgências, transporte de relíquias, etc.).[43]

Gótico Primitivo (c. 1130–1200)

[editar | editar código]
Fachada da Basílica de Saint-Denis (1135–1145).

O estilo gótico originou-se na região da Île-de-France, no norte da França, durante a primeira metade do século XII. Paris e Saint-Denis encontravam-se na província eclesiástica de Sens, enquanto a abadia cisterciense de Pontigny se situava na diocese de Auxerre, sufragânea de Sens.[44][45][46] A ascensão da dinastia capetiana, o crescimento demográfico e a prosperidade das cidades do norte da França favoreceram a construção de novas igrejas e catedrais, promovidas pelos reis e pelos bispos como monumentos de poder, riqueza e fé religiosa.[47] Os historiadores da arte e os estudos de arqueologia da construção têm, contudo, vindo a relativizar a ideia de uma rutura súbita entre a arquitetura românica e a gótica, mostrando a continuidade de técnicas, formas e tradições construtivas. A planta das catedrais góticas conservou a organização da basílica romana através da arquitetura românica, incluindo a planta em cruz latina, a nave, o transepto, o coro, o deambulatório e as capelas radiantes. As grandes arcadas que separavam a nave dos corredores laterais, o trifório, as janelas superiores e os portais com tímpano esculpido também tinham antecedentes românicos.[48] A procura de maior iluminação dos interiores e o desenvolvimento dos vitrais tinham igualmente antecedentes na arquitetura carolíngia e nas grandes igrejas normandas da segunda metade do século XI, cujos muros espessos já eram rasgados, nos níveis superiores, por amplas aberturas.[49] A abóbada de nervuras desenvolveu-se a partir de experiências anteriores da arquitetura românica, particularmente na catedral de Durham, na Inglaterra, e na Normandia, onde também se empregaram precocemente nervuras e arcos ogivais.[48][50] O período protogótico ou Gótico Primitivo estende-se aproximadamente entre 1130 e 1180, durante o qual foram elaboradas e combinadas muitas das soluções estruturais e formais que permitiriam a posterior afirmação do estilo.[51]

As primeiras experiências, contudo, não dizem respeito às catedrais, uma vez que as igrejas e abadias de Saint-Martin de Paris (cujo coro data de 1130) e de Saint-Germer-de-Fly (1135) já apresentam alguns traços do Gótico, sendo anteriores à abadia de Saint-Denis, reconstruída sob a direção do abade Suger. Contudo, a Abadia de Morienval, próxima de Crépy-en-Valois, parece antecipar, embora de forma hesitante, alguns dos princípios estruturais aplicados posteriormente em Saint-Denis. Construção do século XI, a igreja de Morienval possui uma abside do final do século XI ou início do século XII e uma nave absidal rudimentar cujas abóbadas apresentam nervuras diagonais, arquivoltas ogivais e arcos transversais rudimentares.[52] A reforma da cabeceira de Saint-Denis, realizada entre 1135 e 1144, consolidou estas experiências no coro e no deambulatório, permitindo organizar as linhas de interseção da cobertura e concentrar as cargas em pontos de apoio. O deambulatório foi remodelado com capelas radiantes separadas por suportes mais esbeltos, criando vãos mais amplos para os vitrais e permitindo uma maior difusão da luz pelo espaço interior.[53] A fachada ocidental, reconstruída anteriormente, apresentava três portais, uma rosácea e duas torres, num tipo de composição «harmónica» inspirada em modelos normandos como a abadia de Saint-Étienne de Caen.[54]

A Catedral de Sens, iniciada por volta de 1135, foi uma das primeiras grandes catedrais a integrar sistematicamente as novas soluções estruturais. A ela seguiram-se, entre outras, as catedrais de Noyon, Laon e Senlis, culminando na Catedral de Notre-Dame de Paris, iniciada em 1163.[55] De resto, abundam as provas do uso da ogiva, em simultâneo com o arco de volta perfeita, de forma sistemática, na construção de um grande número de igrejas românicas, nomeadamente na catedral de Avinhão, de Fréjus, em Notre-Dame de Arles, em Saint-Front de Périgueux, em Saint-Martin d'Ainay em Lyon, em Saint-Martin-des-Champs em Paris, em Saint-Étienne de Beauvais, na catedral de Le Mans e na Borgonha, em Vézelay, em Beaune, em Saint-Philibert de Dijon, em La Charité-sur-Loire, em Saint-Ladre de Autun, na maioria das basílicas oriundas da escola monástica de Cluny.[56] A abóbada sexpartida, utilizada em várias das primeiras catedrais, produzia uma alternância de suportes mais fortes e mais débeis, enquanto o desenvolvimento dos suportes exteriores conduziria progressivamente ao arcobotante, cuja primeira aparição atestada ocorre em Saint-Germain-des-Prés, desde a década de 1150, apesar de este elemento arquitetónico ter sido descoberto em 1130 em Cluny.[57][58] Em Noyon, a organização vertical incorporou progressivamente as tribunas, o trifório e o clerestório, contribuindo para a formação do alçado que se tornaria característico da arquitetura gótica.[55]

O estilo gótico foi também adotado por algumas ordens monásticas francesas, particularmente pela Ordem de Cister, embora numa forma austera e desprovida da exuberante ornamentação que caracterizaria fases posteriores. A Abadia de Fontenay, construída entre 1139 e 1147, constitui um dos principais exemplos dessa adaptação.[59] Na segunda metade do século XII, as novas soluções começaram a ultrapassar a Île-de-France, sendo transmitidas a outras regiões. A reconstrução da Catedral de Cantuária, iniciada em 1175 sob a direção de Guilherme de Sens, constitui um dos primeiros exemplos da difusão das novas formas para fora da França.[60]

Tabela dos principais edifícios do gótico primitivo em França
Cidade Edifício Início dos trabalhos Fim dos trabalhos (estrutura) Data da consagração
Sens Santo Estêvão 1135 Entre 1490 e 1517 1164
Noyon Notre-Dame de Noyon 1145 1235
Senlis Notre-Dame de Senlis 1151 desconhecida
Laon Notre-Dame de Laon 1155 1235
Soissons São Gervásio e São Protásio (braço sul do transepto) 1176 Fim do século XII

Gótico Clássico (1190–1240)

[editar | editar código]
Planta da Catedral de Chartres
Fachada ocidental da Catedral de Chartres, cuja parte inferior pertence à campanha anterior ao incêndio de 1194

A partir do final do século XII, a supressão das tribunas após a introdução do arco rampante não ocorreu sem hesitação, e em algumas grandes igrejas do final do século XII e do início do século XIII encontram-se ainda soluções de compromisso, nas quais, acima dos grandes arcos, subsiste uma espécie de tribuna que, contudo, já não desempenha essa função, enquanto as abóbadas das naves alcançam directamente a estrutura do telhado.[6] A substituição da abóbada de cruzaria sexpartida pela quadripartida, juntamente com o desenvolvimento dos pilares compostos e dos arcobotantes, contribuiu para a definição de um sistema estrutural mais regular e coerente.[61]

A Catedral de Chartres constitui o principal marco desta transformação e tornou-se rapidamente um modelo para os grandes estaleiros do início do século XIII.[62] A catedral românica anterior foi destruída por um incêndio em 10 de junho de 1194 e a reconstrução foi empreendida no contexto da expansão do novo estilo pela Île-de-France.[63] A importância religiosa do edifício, que conservava uma relíquia identificada com uma peça de vestuário da Virgem Maria, contribuiu para o prestígio da cidade e para a mobilização de recursos destinados à reconstrução.[64] A reconstrução inscreveu-se num contexto de emulação geral, marcado por intercâmbios e transferências de experiências entre os grandes estaleiros.[65]

A nova catedral apresenta três naves, um transepto desenvolvido e uma cabeceira com cinco naves e duplo deambulatório.[64] Em Chartres, o recurso sistemático aos arcobotantes permitiu descarregar as forças das abóbadas diretamente sobre os contrafortes exteriores, eliminando o nível das tribunas. O alçado interno passou a organizar-se em três níveis — grandes arcadas, trifório e clerestório —, acentuando a verticalidade e permitindo ampliar as superfícies destinadas à iluminação. A abóbada quadripartida, cobrindo um único tramo retangular, proporcionava uma solução estrutural mais simples e regular do que a anterior abóbada sexpartida.[64][61] Os pilares compostos ou polistilos, formados por feixes de colunas, reforçavam igualmente a continuidade vertical entre as arcadas e as nervuras das abóbadas.[64] O abandono da abóbada sexpartida em favor da abóbada quadripartida, dita «barlonga», estabeleceu uma ordenação mais regular, obtida pela supressão da alternância dos suportes.[66] A regularidade do novo sistema era, contudo, subtilmente recordada pela variação do desenho dos pilares, alternadamente circulares e octogonais.[66] O trifório tornou-se contínuo, contribuindo para uma forte horizontalidade do alçado.[67] As janelas altas, compostas por duas lancetas geminadas e encimadas por uma grande rosácea, puderam ocupar uma extensão cada vez maior da parede, ampliando o espaço destinado aos vitrais, mas ainda predomina mais parede que vitral, com preponderância de espaços cheios sobre vazios em relação às fases que se vão seguir.[68][69] A catedral-tipo do gótico clássico apresenta uma fachada dita «harmónica», isto é, enquadrada por duas torres simétricas, modelo de origem normanda cujo exemplo de referência é a Igreja de Saint-Étienne de Caen.[70] A fachada harmónica perfeita é, contudo, relativamente rara. Contando as de torres inacabadas, assimétricas ou concluídas já depois da época gótica, apenas cerca de quarenta catedrais na Europa apresentam esta disposição.[carece de fontes]?

A Catedral de Saint-Étienne de Bourges, por iniciativa do arcebispo Henri de Sully, irmão do bispo de Paris, Odo de Sully, retoma a planta de cinco naves em toda a sua extensão, à semelhança de Notre-Dame de Paris com um duplo deambulatório e abóbadas sexpartidas. A estrutura vertical da nave apresenta três níveis com grandes arcadas, trifório e janelas altas. As naves laterais exteriores têm 9,50 metros, as laterais interior tem 21,30 metros, e a nave central atinge 37,15 metros.[71] A abóbada sexpartida é, em geral, mais pesada do que a quadripartida, pelo que as paredes da catedral são mais espessas e são necessários contrafortes mais fortes para contrariar as forças de empuxo; em Bourges, os arcobotantes encontram as paredes segundo um ângulo invulgarmente agudo.[71] Privilegiando os jogos de volumes, a perspetiva longitudinal e um perfil piramidal, a catedral não é apenas alta, mas também parece mais comprida do que realmente é — impressão criada, ao contrário do modelo chartriano, pela continuidade da nave e pela ausência de transepto.[72] Chartres tornou-se modelo para edifícios posteriores, mas Bourges também exerceu influência sobre as catedrais de Le Mans, Beauvais e Toledo, que adotaram o sistema de cinco naves de alturas diferentes.[71] A manutenção da abóbada sexpartida na nave central implicou a adoção de uma alternância entre pilares fortes e finos, habilmente dissimulada pela presença de colunelos fasciculados.[73][71]

A Catedral de Reims, iniciada em 1211, representa outro momento fundamental da maturação do estilo. Construída num dos principais centros políticos e religiosos do reino, tornou-se a igreja tradicionalmente associada às coroações dos reis de França. O seu alçado mantém a organização em três níveis, com grandes arcadas, trifório e clerestório, e emprega abóbadas quadripartidas, arcobotantes e pilares compostos.[74] Para reforçar os contrafortes, foram utilizados pesados pináculos de pedra que, enriquecidos por esculturas, contribuíam simultaneamente para a estabilidade da estrutura e para um programa decorativo que incluía também portais esculpidos, motivos vegetais, cogulhos e gárgulas.[6][39]

A Catedral de Notre-Dame de Amiens, iniciada em 1220, levou ainda mais longe as experiências estruturais de Chartres e Reims. O projeto, associado a Robert de Luzarches, concebeu uma nave de grande elevação, que atingiria cerca de 42 metros, apoiada por pilares compostos e arcobotantes.[75] O desenvolvimento das tracerias permitiu ampliar consideravelmente as superfícies envidraçadas: as janelas superiores ocupam grande parte das paredes entre as abóbadas e o trifório, enquanto este se aproxima visualmente de uma faixa contínua de aberturas. A progressiva redução da massa mural e a multiplicação das superfícies de vidro reforçaram a importância da luz na conceção espacial do edifício.[6]

Ao mesmo tempo, a escultura monumental e a ornamentação arquitetónica passaram a integrar-se cada vez mais na própria estrutura do edifício. Chartres, Bourges, Reims e Amiens constituem, neste processo, os principais exemplos da maturação do gótico francês no primeiro terço do século XIII.[6][61]

Gótico Radiante (1230–1380)

[editar | editar código]
Colunas da estrutura externa apoiando as janelas de Sainte-Chapelle
Rosácea no transepto norte da Catedral de Notre-Dame
Exterior da rosácea, visto do sul da Catedral de Notre-Dame (cerca de 1250)

O estilo Gótico Radiante acompanhou o fortalecimento da monarquia capetiana a partir de 1230. Nos refinados ambientes da corte, consolidou-se o gosto por edifícios requintados e elegância da escala, em vez da imensidão e das configurações do espaço.[76] Abandonaram-se as massas poderosas do período anterior em favor de uma maior verticalização e de uma divisão mais equilibrada dos espaços.[77] O termo radiante deriva do desenho radial que se pode observar nas grandes rosáceas das catedrais, descrevendo a tendência para o uso de linhas radiais na traceria ou reticulado, visível nas aberturas de tal modo que as paredes ficam praticamente todas envidraçadas.[77][78]

A primeira fase do gótico radiante é também definida como estilo cortês ou estilo real por estar estreitamente ligada ao reinado de Luís IX de França (1226–1270). O soberano gozou de grande prestígio como líder e rei cristão, ao ponto de ser objeto de veneração quando ainda era vivo e de ser canonizado em 1297. A França desses anos conheceu uma enorme prosperidade económica e cultural, manifestada por algumas obras arquitetónicas que, nos anos quarenta do século XIII, deram vida ao gótico radiante, o qual, embora criado dentro da estrutura desenvolvida em Chartres em 1194, teve o seu verdadeiro marco inicial com as novas modificações introduzidas na igreja abacial de Saint-Denis em 1231,[79] por ocasião da reconstrução da nave e do transepto, caracterizada pela redução das dimensões dos edifícios, pela substituição das paredes exteriores por vitrais pintados, pela multiplicação das janelas e dos rosetões e pelo emprego sistemático de pilares losangulares revestidos por colunelos fasciculados. O gótico radiante impôs-se efetivamente a partir da década de 1240, – impulsionado pelo trabalho de Pierre de Montreuil e Jean de Chelles –, e nomeadamente na Sainte-Chapelle de Paris, espalhando-se amplamente para Beauvais, Estrasburgo e Troyes, bem como para a Borgonha, o vale do Ródano e o Languedoc.[76] O gótico radiante desenvolveu-se progressivamente até cerca de 1350 e difundiu-se por toda a Europa com relativa homogeneidade.[80] A obra-prima do gótico radiante é a Sainte-Chapelle do Palácio Real de Paris, na Île de la Cité, junto ao rio Sena (c. 1241–1248), uma capela palaciana construída na década de 1240 para abrigar as relíquias da Paixão de Cristo, adquiridas em Constantinopla, e assim celebrar o rei de França como sucessor dos governantes bíblicos.[81] A capela superior carateriza-se pela completa transformação das paredes numa sucessão de vitrais, sem interrupção dos transeptos, revestidos por grandes vidraças coloridas de baixo acima, com exceção de uma sanca ou faixa basal decorada. A profusão de dourados, esculturas e pinturas transmite ao observador a impressão de estar no interior de um vasto e precioso relicário, recordando uma enorme obra de ourivesaria.[81][78] As paredes altas e esbeltas do gótico radiante francês, possibilitadas pelos arcobotantes, permitiram extensões cada vez mais ambiciosas de vidro e de traceria decorativa, reforçadas internamente com armações de ferro.[82]

O estilo radiante desenvolveu formas arquitetónicas ricamente articuladas e diferenciadas, realçadas pela luz prateada das grisailles. Por esse motivo, as janelas do corpo longitudinal da catedral de Bourges, o transepto de Reims e partes da catedral de Amiens receberam predominantemente vitrais ornamentais brancos. Na segunda metade do século XIII, desenvolveu-se um sistema decorativo adaptado à arquitetura radiante francesa, baseado na alternância de vitrais figurativos brancos e coloridos nas lancetas, cujas figuras formavam uma ou mais faixas horizontais coloridas nas janelas com vidros claros. As primeiras janelas compostas por grisailles e painéis coloridos conservam-se no coro da catedral de Tours, e este sistema foi posteriormente desenvolvido na igreja colegiada de Saint-Urbain, em Troyes, por volta de 1275.[83]

As igrejas tornam-se cada vez mais altas. No plano técnico, a utilização de uma armadura de ferro, mediante a técnica da «pedra armada», permite construir edifícios de dimensões maiores e abrir janelas mais amplas.[84] As janelas ampliam-se progressivamente até fazer desaparecer a parede: os pilares formam um esqueleto de pedra, enquanto o restante espaço é ocupado pelo vidro, permitindo a entrada de uma abundante luminosidade. A superfície iluminada é ainda aumentada pela presença de um trifório aberto, como na catedral de Châlons. Na Catedral de Metz, a superfície envidraçada atinge metro. As janelas caracterizam-se ainda por tracerias de grande delicadeza, baseadas na combinação de figuras geométricas traçadas com compasso, que dão origem a figuras lobuladas de três, quatro, cinco ou mais recortes. A rosácea, num equilíbrio entre a área vazia e cheia, torna-se um elemento indispensável da decoração, como no transepto de Notre-Dame de Paris e na fachada da catedral de Estrasburgo.[84]

Observa-se também uma certa unidade espacial, em que os pilares são todos idênticos, enquanto a multiplicação das capelas laterais permite ampliar o espaço da catedral. O pilar é, na maioria dos casos, fasciculado, isto é, envolvido por múltiplos colunelos reunidas em feixe. Em contraste com esta tendência, um grupo de catedrais e grandes igrejas adota, contudo, pilares cilíndricos, à imitação da catedral de Châlons.[84]

Pouco depois de Saint-Denis, escolhas semelhantes fundamentaram as fachadas do transepto de Notre-Dame de Paris, construídas por volta de meados do século por Jean de Chelles no lado norte, na década de 1250, e pelo seu sucessor, Pierre de Montreuil, no lado sul, a partir de 1258.[85] Além da cobertura sistemática das paredes por vitrais, assiste-se aqui ao triunfo de uma arquitetura «projetada», composta por pináculos e frontões concebidos para criar um falso pórtico em frente ao portal.[86] O peso de cada um dos gabletes triangulares de alvenaria, situados sobre as arquivoltas das janelas, contribuía igualmente para a estabilidade das paredes face aos impulsos estruturais, auxiliando na distribuição das cargas e enfatizando a verticalidade. A significativa redução na escala dos edifícios foi também necessária para garantir a estabilidade das paredes, ajudando em simultâneo a aumentar o efeito de monumentalidade e imponência.[87]

Este primeiro «estilo internacional» foi também utilizado no clerestório da Catedral de Metz (c. 1245–), depois no coro da Catedral de Colónia (c. 1248–) e na nave da Catedral de Estrasburgo (c. 1250–).[82] Os mestres-pedreiros elaboraram uma série de padrões de traceria para as janelas — do básico geométrico ao reticulado e ao curvilíneo — que substituíram a janela lanceolada. A traceria em barras dos tipos curvilíneo, fluido e reticulado distingue o chamado «Segundo Estilo Ogival».[88]

A influência do estilo radiante proveniente de Paris é visível também na igreja colegiada de Saint-Urbain em Troyes (Saint-Urbain),[83] fundada pelo papa Urbano IV em 1262 em honra do seu santo patrono. O exterior é caraterizado por frontões agudos e por pináculos que se estendem e adelgaçam em direção ao topo; o interior, por sua vez, apresenta dois pisos com vitrais que cobrem quase completamente as paredes. O trifório desapareceu.[81] O gótico radiante desenvolveu assim o seu segundo «estilo internacional» com molduras de traceria cada vez mais autónomas e de arestas vivas, visíveis na catedral de Clermont-Ferrand (1248–) e na fachada oeste da Catedral de Estrasburgo (1276–1439).[82][78] Por volta de 1300, existiam exemplos influenciados por Estrasburgo nas catedrais de Limoges (1273–), Ratisbona (c. 1275–) e na nave da Catedral de Iorque (1292–).[78]

Em Poitou e Anjou, províncias dos Plantagenetas, continuou em contrapartida a tradição de construir igrejas-salão (Hallenkirchen), nas quais a nave central e as laterais possuem a mesma altura. Esta solução foi particularmente apreciada pelos franciscanos e dominicanos, os quais preferiam erguer os seus conventos e igrejas no coração das cidades, onde se desenvolvia a sua missão.[85] Próxima desta encontra-se uma outra tradição arquitetónica, que previa a construção de capelas laterais no lugar das naves menores. Esta solução difundiu-se amplamente nas igrejas catalãs. Um dos primeiros exemplos de igreja gótica que adota esta configuração é a igreja dominicana de Santa Catalina em Barcelona (1270), mas é provável que este estilo tenha também influenciado a catedral fortificada de Albi (Sainte-Cécile, 1282–1390), na França meridional.[85]

No século seguinte, a difusão do novo estilo foi bruscamente interrompida devido aos flagelos da Guerra dos Cem Anos e da Peste Negra, que paralisaram inúmeras obras por todo o continente.[78]

Gótico Flamejante (c. 1375 – meados do século XVI)

[editar | editar código]
A nave da Sainte-Chapelle de Vincennes

O Gótico Flamejante (do francês flamboyant, literalmente «em forma de chama») é uma forma de arquitetura gótica tardia que se desenvolveu na Europa durante a Baixa Idade Média e o Renascimento, aproximadamente entre 1375 e meados do século XVI. Carateriza-se por curvas duplas e contracurvas que formam padrões em forma de chama no trabalho de traceria, que dá nome ao estilo;[89][90] pela multiplicação dos elementos decorativos das nervuras das abóbadas e pelo uso ornamental dos arcos.[91]

O estilo foi precedido pelo gótico internacional, cujas inovações artísticas foram retomadas e desenvolvidas no início do século XV. Em França, a afirmação de sistemas corporativos mais estritos contribuiu posteriormente para reafirmar as especificidades nacionais. A retomada da atividade artística das grandes capitais europeias a partir do século XV manifestou-se em diversos domínios, com uma nítida predominância da arquitetura, reunindo artistas como Jean de Beauce, os irmãos Grappin, Simon Moycet e Martin Chambiges.

Em França, o fim das hostilidades com a Inglaterra conduziu à reconstrução de um país profundamente afetado pela Guerra dos Cem Anos. A reconstrução atingiu tanto as zonas rurais como as cidades, cujos edifícios, anteriormente construídos em madeira, passaram progressivamente a ser edificados em pedra. A arquitetura dos edifícios assumiu frequentemente um caráter monumental, exprimindo uma vontade de deslumbrar e de afirmar o poder urbano recuperado através da adoção de elementos do vocabulário arquitetónico dos edifícios religiosos.[92]

O «Gótico Flamejante» é mais propriamente um estilo do que uma periodização. O qualificativo «flamejante» teria sido utilizado pela primeira vez pelo antiquário normando Eustache-Hyacinthe Langlois para descrever os motivos em forma de chama articulados em folios e mouchettes, que se desenvolveram em grande número nas traceria dos vãos, nas rosáceas e nos gabletes da época.[93] Por vezes designado, de forma inadequada, como «gótico tardio» ou «gótico barroco», o estilo desenvolveu-se sobretudo em França, enquanto, em Inglaterra, já se desenvolviam, desde meados do século XIV, formas de rendilhado de caráter flamejante, que contribuíram para o desenvolvimento de uma expressão nacional própria, o gótico perpendicular, consolidado na Catedral de Gloucester e caracterizado pelo predomínio de grelhas verticais, enormes janelas políforas com traceria estreita, muito mais vidro do que pedra e exuberantes telhados em abóbada de leque, com vigas em martelo ou "anjos".[94][95] Em França, foi na Sainte-Chapelle de Riom, na década de 1380, que Guy de Dammartin se tornou um dos iniciadores do novo estilo.[96] Encontram-se igualmente manifestações iniciais em Paris, na mesma época, durante a construção de Notre-Dame-de-Bonne-Nouvelle e na realização da rosácea da Sainte-Chapelle de Vincennes. Na Champagne, que permanecera durante algum tempo afastada desta evolução, o novo estilo difundiu-se a partir de cerca de 1450 com a chegada de mestres-pedreiros como Florent Bleuet, ativo na Catedral de Troyes e na Basílica de Notre-Dame de L'Épine.

Historicamente, o Gótico Flamejante, que conduziu à fase de transição do Estilo Luís XII, pode ser considerado a última manifestação de uma arte da Idade Média, opondo-se de certo modo ao movimento que, iniciado com o concurso para a cúpula de Florença em 1418, conduziu à formação de uma escola de arquitetura propriamente italiana e à Primeira Renascença. Em relação ao período anterior, a estrutura dos edifícios mantém-se, mas a decoração evolui para uma ornamentação exuberante, caracterizada por grande virtuosismo na estereotomia. A técnica da «pedra armada» do período radiante dá lugar à «pedra talhada», o que explica, por exemplo, que as rosáceas apresentem dimensões mais modestas, embora se tornem mais aéreas ao repousarem sobre estruturas mais leves, como na Sainte-Chapelle de Vincennes.[84]

As fachadas flamejantes apresentam-se trabalhadas em vários planos, e a profusão de traceria que recobre as superfícies com os seus motivos pode por vezes chegar a ocultar a escultura e a diluir as linhas da arquitetura, como na Torre do Manteiga da Catedral de Ruão (1485-1500) ou na torre norte de Chartres de 1507.[97][98] Os motivos curvilíneos e os arabescos, desenvolvidos em curvas e contracurvas, dominam as tracerias, evocando, como diria Michelet, "formas de chamas, corações ou lágrimas". Paralelamente, a quebra dos arcos torna-se mais suave, baixando progressivamente para a forma de arco em asa de cesto ou elevando-se em arco em querena ou arco conopial, encimado por gabletes.[99]

O mesmo espírito inventivo manifesta-se nas plantas e nos alçados das igrejas, que podem apresentar uma única nave, três naves de alturas desiguais ou assumir a forma de igrejas-salão. No interior dos edifícios do século XV, o alçado é frequentemente reduzido a dois níveis.[99] As grandes arcadas tornam-se ainda mais alongadas e são sobrepostas por trifórios que podem ser cegos, como na Igreja de Saint-Gervais-Saint-Protais de Gisors, ou incorporados como clerestórios nas janelas altas, cujas couceiras verticais são idênticas às dos trifórios, como na Abadia de Saint-Ouen de Ruão e na Catedral de Sées. A reflexão sobre os monumentos do século XIII conduziu a uma revisão das pesquisas sobre a transparência e a luz e a um retorno à muralidade, como no Castelo de Vincennes.[100] Embora as paredes tendam por vezes a desaparecer numa enorme superfície envidraçada, devido ao aumento das dimensões das janelas com traceria flamejante, também podem adquirir maior importância entre as aberturas, permitindo uma iluminação difusa. A organização espacial evolui assim através de uma procura de fusão entre os volumes e a luz.[100] As grandes arcadas, que não rejeitam uma certa muralidade, criam deste modo um espaço intermédio que permite, através de uma ornamentação e de uma iluminação diferenciadas, definir espaços sociais e culturais privilegiados.

Os capitéis são por vezes reduzidos a anéis decorativos ou desaparecem, deixando as molduras da ogiva penetrar sem interrupção na coluna que a suporta. Os pilares podem adquirir formas escavadas, ondulantes ou espiraladas e desenvolver-se de uma só vez desde o pavimento até às abóbadas, fundindo-se com estas.[98] Um tipo muito difundido, sobretudo no leste da França, é o pilar cilíndrico liso, de forma arcaizante, sem capitel, que recebe no seu fuste as nervuras a diferentes níveis. Esta expansão das nervuras, surgida já durante o gótico internacional, evoca a imagem de uma palmeira, como no pilar do coro da Igreja de Saint-Séverin de Paris.[99] No século XVI, encontra-se também o pilar de quatro ressaltos.[99] Em geral, os múltiplos colunelos que ladeavam os pilares são substituídas por nervuras prismáticas que tendem a fundir-se com a parede, enquanto as suas bases assumem formas diversas.[98]

O tramo deixa de aparecer como o elemento fundador do volume interior. Esta dominante monumental marca o conjunto da produção do século XV e manifesta-se também no domínio da escultura, onde se abandona a fórmula fragmentada dos séculos anteriores para acompanhar novamente a arquitetura.[100] Já durante o gótico internacional, Peter Parler abandonara na Catedral de São Vito de Praga o princípio do tramo em favor de uma conceção unitária do volume, afirmada pelo desenho do trifório e sobretudo pelo sistema de cobertura. A consequência é uma conceção plástica que se aproxima da do gótico radiante, embora permaneça original. A estrutura das abóbadas de cruzaria mantém-se, mas a cobertura torna-se mais complexa com o aparecimento de liernes e terciarõess. As nervuras multiplicam-se, entrecruzam-se e cruzam-se com grande liberdade, podendo ainda receber florões pendentes ou cul-de-lampe, constituindo soluções de grande virtuosismo técnico.[98]

Em França, as continuações deste estilo, qualificadas de «gótico tardio», conduzem, a partir de 1495, à fase de transição denominada Estilo Luís XII,[99][101] que incorpora progressivamente elementos italianos e conduz à Primeira Renascença. Em algumas regiões, como a Lorena, a Bretanha e a Normandia, o Gótico Flamejante pode prolongar-se até ao final do século XVI, sendo então associado a um certo conservadorismo que incide sobretudo nos elementos decorativos. Os seus últimos desenvolvimentos prolongam-se ainda pelos , num movimento denominado «Gótico dos tempos modernos».[82] A Catedral de Sainte-Croix de Orleães, destruída em 1599 pelos huguenotes, foi posteriormente reconstruída no estilo gótico flamejante original.[102] No início do século XVIII, chegou mesmo a ser projetada uma igreja para os Celestinos de Orleães por Guillaume Hénault em estilo gótico flamejante. Surgida em meados do século XIV no coro e no claustro da Catedral de Gloucester, esta corrente caracteriza-se pelo predomínio de linhas verticais e horizontais nos grandes vãos envidraçados e pelo desenvolvimento das abóbadas em leque.[103] Algumas regiões germânicas, por sua vez, desenvolveram um gótico particularmente sóbrio, com superfícies brancas subtilmente fragmentadas em formas geométricas poligonais. O Albrechtsburg de Meissen, realizado por Arnold de Vestfália, e numerosos edifícios de Slavonice, atualmente na Chéquia, exprimem claramente esta nova tendência.

Gótico Inglês

[editar | editar código]

O Gótico Inglês (English Gothic) é um estilo arquitetónico que floresceu na Inglaterra desde o final do século XII até meados do século XVII.[104] A partir da segunda metade do século XII, o estilo gótico da Île-de-France difundiu-se na Inglaterra, onde se desenvolveu segundo características próprias. O estilo foi importado muito cedo para o país, em parte devido à estreita ligação com o Ducado da Normandia, que até 1204 ainda era governado pelos reis da Inglaterra. Embora o país já utilizasse abóbadas ogivais no final do século XI, como na Catedral de Durham, as construções eram massivas e de caráter essencialmente românico.[6] Muitas das características góticas evoluíram naturalmente da arquitetura românica (frequentemente conhecida na Inglaterra como arquitetura normanda). Assim como no continente, as características definidoras da arquitetura gótica são os arcos apontados (ogivais), as abóbadas em cruzaria, os contrafortes e o uso extensivo de vitrais. Combinados, estes elementos permitiram a criação de edifícios de altura e grandiosidade inéditas, preenchidos pela luz de grandes janelas.

Os ingleses deram ao gótico uma marca nacional. As catedrais inglesas tendem a ser extremamente longas e comparativamente baixas, mantendo a técnica anglo-normanda do muro espesso, acentuando a horizontalidade das arcadas e limitando a estensão vertical das pilastras. Apresentam terminações retas e quadradas na cabeceira, ao contrário das catedrais francesas, que são mais curtas, altas e absidais.[45] Às fachadas de duas torres, de origem francesa, os mestres ingleses preferiram as fachadas-paravento, consideravelmente mais largas do que altas.[105] O estilo gótico perdurou na Inglaterra por muito mais tempo do que na Europa Continental.

O historiador de arte e arquiteto Thomas Rickman, na sua obra Attempt to Discriminate the Style of Architecture in England (1812), dividiu a arquitetura gótica nas Ilhas Britânicas em três períodos estilísticos principais, frequentemente chamados de First, Second e Third Pointed:[82][106][107]

O Gótico Inglês Inicial (Early English ou First Pointed) estende-se do final do século XII ao final do século XIII, abrangendo os reinados de Ricardo Coração de Leão a Eduardo I de Inglaterra.[107]

O Gótico Ornado, ou Curvilíneo, desenvolve-se do final do século XIII ao final do século XIV, durante os reinados de Eduardo II de Inglaterra e Eduardo III de Inglaterra.[107] O Gótico Perpendicular estende-se do século XIV ao século XVII, compreendendo o período do reinado de Ricardo II de Inglaterra a Henrique VIII de Inglaterra.[107]

Posteriormente, o arquiteto Edmund Sharpe, em The Seven Periods of English Architecture (1851), propôs uma divisão alternativa focada no desenho das janelas, sugerindo termos como o "Período Lanceta" e subdividindo o Decorado em Geométrico e Curvilíneo, além de rebatizar o Perpendicular como Retilíneo (1360–1550).[108] Sharpe identificou também um Período de Transição (1145–1190) que antecedeu o gótico propriamente dito, no qual arcos apontados e arcos redondos coexistiam.[108]

Primeiro Gótico Inglês

[editar | editar código]

Gótico Inglês Primitivo (Early English Gothic, também denominado First Pointed, Lancet Gothic ou Early Gothic, abreviado E.E.) foi a primeira fase da arquitetura gótica inglesa, caracterizada pelos arcos ogivais, pelas janelas lancetadas e pelas abóbadas de nervuras. Surgiu da combinação da arquitetura românica inglesa, ou normanda, com o Gótico Primitivo francês. Embora estivesse relacionada com a arquitetura francesa contemporânea, apresentava diferenças importantes que lhe conferiram um caráter distintamente inglês, como interiores baixos, cabeceiras planas, em vez de absidais, e paredes espessas. Os primeiros edifícios notáveis construídos neste estilo surgiram nas décadas de 1170 e 1180, entre os quais se incluem a Catedral de Wells e a Catedral de Lincoln.[109]

Desde a Conquista normanda da Inglaterra, os edifícios ingleses eram construídos segundo o estilo românico, com arcos semicirculares e paredes espessas, como acontecia com os edifícios de alvenaria de toda a Europa ocidental. Pouco antes de 1100 ocorreram duas mudanças importantes e relacionadas. A primeira foi a introdução do arco ogival, possivelmente derivado da arquitetura bizantina,[110] e visível na muito influente igreja da Abadia de Cluny. A segunda foi a invenção da abóbada de nervuras. Anteriormente, as igrejas eram cobertas por simples e pesadas abóbadas de berço ou abóbadas de aresta, ou por coberturas de madeira. A nova abóbada de nervuras permitiu uma construção mais leve, com janelas maiores, paredes mais finas e contrafortes que absorviam as cargas concentradas. A desvantagem era que uma abóbada de nervuras com arcos semicirculares só podia cobrir vãos quadrados. A Catedral de Durham, onde os construtores experimentaram os primeiros desenvolvimentos da abóbada de nervuras e do arco apontado, apresenta na nave, construída entre 1128 e 1133, o mais antigo exemplo sobrevivente de abóbada de nervuras e arcos apontados em escala monumental.[111] Ao mesmo tempo, a qualidade da alvenaria melhorava, como se pode observar na comparação entre os transeptos, construídos entre 1079 e 1093, e a torre, posterior a 1107, da Catedral de Winchester, permitindo uma construção mais precisa.[112]

À medida que os arcos ogivais e as molduras mais finas se tornavam comuns na Europa, os construtores ingleses procuraram combiná-los com o seu repertório românico existente. O resultado foi o chamado estilo de transição. Este pode ser identificado por combinações surpreendentes de arcos e molduras, como arcos semicirculares com molduras delicadas e arcos ogivais com molduras vigorosas, como em Cartmel Priory e no vestíbulo da sala do capítulo da Catedral de Bristol.

Enquanto a Inglaterra em grande medida ignorava a arquitetura do norte da França de meados do século XII, a ordem cisterciense introduziu independentemente uma forma borgonhesa de Gótico austero, de acordo com os seus ideais religiosos.[113] Esta caracterizava-se pelo uso de uma parede cega em vez de trifório, pela combinação de grandes arcos ogivais com janelas semicirculares, por colunas de oito fustes, capitéis de folhas de água e cabeceiras planas. Entre os exemplos encontram-se as abadias de Byland, Fountains, Furness, Kirkstall e Roche.[114] Deste modo, o arco ogival estava bem estabelecido no norte da Inglaterra antes do início das obras em Cantuária. Um dos principais edifícios não cistercienses que empregaram estas formas parece ter sido a reconstrução da extremidade oriental da Catedral de Iorque pelo arcebispo Roger. Esta obra desapareceu, mas os vestígios conservados da década de 1160 na Catedral de Ripon — coro, transeptos e extremidades da nave — dão uma ideia da sua forma.[114] A Brinkburn Priory, pertencente aos agostinianos, apresenta um estilo semelhante.[114]

Em 1170, o arcebispo Tomás Becket foi assassinado na própria Catedral de Cantuária, desencadeando um importante culto de peregrinação. Em 1174, a extremidade oriental da igreja foi destruída por um incêndio. Os monges reuniram mestres de obras franceses e ingleses antes de confiar a reconstrução a Guilherme de Sens.[115] Guilherme de Sens pode ter participado na reconstrução da Catedral de Sens, embora não fosse, como anteriormente se acreditava, o seu arquiteto. Supervisionou a demolição de grande parte do coro destruído pelo incêndio e a construção de um novo coro dentro da sua estrutura, antes de cair dos andaimes e ser substituído como mestre de obras por Guilherme, o Inglês. A nova construção tinha de ser mais esplêndida do que a anterior e do que as suas contemporâneas, além de acomodar as grandes multidões de peregrinos que visitavam o túmulo de Becket.[116]

As influências de Guilherme de Sens parecem ter vindo de várias regiões do norte da França, talvez sobretudo das desaparecidas catedrais de Arras e Cambrai. Assim, a nova obra em Cantuária constituiu uma síntese dos desenvolvimentos do Gótico francês das três décadas anteriores com os gostos ingleses. Os arcos ogivais, as largas janelas lancetadas, a abóbada sexpartida e a elevação geral tinham origem francesa, a partir de diferentes fontes, enquanto as paredes espessas, o uso de galerias e a baixa altura da abóbada eram características mais propriamente inglesas, condicionadas pelas limitações da estrutura conservada e pelos gostos do mosteiro. Alguns elementos, como os fustes de mármore policromado, eram ocasionalmente utilizados em França, mas tornaram-se muito populares na Inglaterra.[117]

Guilherme, o Inglês, introduziu referências a edifícios franceses mais recentes, como a Basílica de Saint-Remi de Reims e a Catedral de Laon, com janelas maiores e arcobotantes, mas também características que não derivavam da França, como ábacos circulares sobre os capitéis.[118] Cantuária introduziu o estilo gótico na Inglaterra e teve seguidores próximos em edifícios como a Catedral de Rochester, mas nenhuma igreja inglesa apresentou um caráter tão francês como Cantuária até à Abadia de Westminster, iniciada em 1245.[119]

Outro edifício estreitamente relacionado com Cantuária foi a Catedral de Chichester. A extremidade oriental foi ampliada com um retrocoro que apresentava as exóticas colunas de mármore e os capitéis de volutas de Cantuária, mas com maior utilização de arcos semicirculares, de modo a harmonizar-se com a igreja normanda existente. A nave foi revestida num estilo semelhante depois de um incêndio em 1187.[120]

A Catedral de Cantuária exerceu uma enorme influência nas construções subsequentes, como a reconstrução da Catedral de Nidaros, na Noruega, iniciada em 1183. Tal como Cantuária, Nidaros albergava um santo mártir, e a imitação da capela centralizada da Corona de Cantuária demonstra a dimensão internacional alcançada pelo culto de Becket.[121]

Nos mesmos anos, os cistercienses introduziram no norte da Inglaterra uma forma de Gótico austero mas funcional, particularmente nas abadias de Kirkstall e Roche.[122] A uma outra escola está associado o estilo da Catedral de Wells, iniciada em 1175.[123]

Catedral de Lincoln, a «louca abóbada» (crazy vaulting) que cobre o coro de Santo Hugo (1192)

O gótico inglês conheceu novas inovações com a reconstrução da Catedral de Lincoln por Geoffrey de Noiers, na qual foram introduzidos elementos totalmente independentes das catedrais francesas. Iniciada em 1192, a igreja é célebre pela «louca abóbada», comummente designada como crazy vaulting, que cobre o coro de Santo Hugo.[124] Aqui, a função decorativa das nervuras é acentuada com a introdução dos tiercerons, nervuras intermitentes que não possuem função portante e, por isso, não terminam na chave de abóbada, mas sim num ponto sobre uma nervura longitudinal. Nas paredes sobrepõem-se duas ordens de arcos apontados que assentam diretamente nos muros espessos. Continuou a usar-se a parede normanda de duplo casco, aplicada para que as abóbadas fossem sustentadas não por arcobotantes, mas pelos matroneus colocados sobre as naves laterais. A fachada, concluída em 1230, foi alargada nas alas de modo a reiterar as ordens de arcadas cegas do interior. Lincoln exerceu grande influência no presbitério da Catedral de Ely e na Catedral de Salisbury.[125]

A Catedral de Salisbury, erguida entre 1220 e 1280, distingue-se pela simplicidade e pelos seus volumes diluídos, sendo considerada o exemplo máximo do primeiro estilo inglês. Revela no ritmo das suas proporções e no ornato dos capitéis uma grande originalidade, com exceção da sua torre sineira e do pináculo, acrescentados no século XIV; a sua flecha, com 120 metros de altura, é a mais alta executada na época medieval. Os seus planos compactos devem-se à necessidade de albergar no mesmo edifício funções seculares e monacais. A fachada principal, inspirada na de Wells, converte-se numa grelha gigantesca com parede rendilhada, estratificada por bandas horizontais carregadas de ornamentação e estatuária, enquanto as torres não sobressaem mais do que simples coruchéus. Apresentam uma cabeceira plana por influência cisterciense e um transepto duplo, onde o segundo braço se transforma numa outra igreja de planta cruciforme. Outras particularidades incluem o encurvamento das abóbadas, que deixa as janelas do trifório encaixadas na abóbada, e o uso do mármore escuro de Purbeck, visível na Lady Chapel. Das instalações antigas restam o claustro e a sala do Capítulo, erguida entre 1278 e 1280 com planta octogonal e janelas revestidas por motivos que já prefiguram o estilo subsequente.[126]

Abadia de Westminster, nave central de influência francesa (1245)

Este repertório inicial de motivos arquitetónicos foi superado graças às soluções introduzidas na Abadia de Westminster, em Londres. Fundada em 1045 por Eduardo, o Confessor, em estilo românico, foi reconstruída a partir de 1245 por Henrique III em estilo gótico. Assiste-se aqui à fusão entre elementos da tradição inglesa, tais como o ressalto dos transeptos, o recuo do clerestório relativamente às nervuras da parede, a profunda galeria do trifório e as arcadas cegas esculpidas com motivos geométricos ou vegetais, com elementos de proveniência puramente francesa, visíveis na cabeceira com deambulatório, na maior altura da nave, nos arcobotantes estruturais, na ausência do passadiço interno no clerestório e nos trifórios.[127]

A sala do capítulo de Westminster, ultimada em 1253, apresenta uma planta octogonal com grandes janelas rendilhadas segundo o estilo rayonnant francês, que preanunciam o estilo ornado que se difundirá em breve. A ala ocidental da igreja só foi terminada em 1745 sob a supervisão de Nicholas Hawksmoor, erguendo-se então as torres. Do edifício medieval resta o claustro e a referida sala do capítulo; o coro alberga o Trono da Coroação que continha a Pedra de Scone, tomada aos escoceses em 1296.[128]

Gótico Decorado ou Ornado

[editar | editar código]
Cruz de Eleonora, detalhe de curvas e contracurvas (1294)

A influência do gótico cortês proveniente da França e introduzido com a intervenção na Abadia de Westminster é visível nas catedrais de Hereford, Lichfield, no Angel Choir de Lincoln, acrescentado entre 1256 e 1280, na sala do capítulo e no claustro de Salisbury.[129]

Por volta de 1290, atinge a sua plena maturidade o estilo ornado, também conhecido como estilo curvilíneo. Um dos primeiros exemplos reside no uso das curvas duplas que caraterizam a decoração das Doze Cruzes de Eleonora, erguidas entre 1291 e 1294 por Eduardo I para assinalar o percurso fúnebre da rainha Eleonora de Castília desde o Lincolnshire até Westminster.[129] Estas exibem na base uma rica decoração floral feita de curvas duplas, que reelaboram os modelos florais típicos do gótico radiante francês.[130]

O novo estilo ornato definiu-se, portanto, pela adoção de um modelo linear de curvas e contracurvas, a que se somou o uso do arco em carena e do arco em tesoura. Da simples revolução dos ornamentos arquitetónicos, o estilo passou a moldar a própria estrutura das catedrais, conferindo um sentido de fluidez através do emprego de formas curvas.[131] As abóbadas abandonam a simplicidade estrutural e as nervuras multiplicam-se, tornando-se puramente ornamentais e decoradas com bocetes ou pingentes de pedra suspensa.

Catedral de York, a sala do capítulo octogonal (1290)

Entre os principais exemplos contam-se a Catedral de Exeter, iniciada entre 1280 e 1290, cuja nave central, concluída por volta de 1300, apresenta uma complexa abóbada de nervuras; a Catedral de York, cuja sala do capítulo octogonal foi iniciada na década de 1260 e concluída antes de 1296; e a Catedral de Wells, onde as novas formas foram desenvolvidas na sala do capítulo, na Lady Chapel e no coro, com o emprego de abóbadas com liernes.[132][133]

Estas soluções foram posteriormente desenvolvidas no presbitério e na Lady Chapel da Catedral de Bristol, construídos entre 1298 e 1330. O estilo alcançou uma das suas expressões mais notáveis na Catedral de Ely, reconstruída após o colapso da torre em 1322, onde o novo espaço octogonal central foi coroado por uma lanterna de madeira e as abóbadas do coro e da Lady Chapel receberam complexas redes de nervuras e liernes.[134][135]

Gótico Perpendicular

[editar | editar código]
Catedral de Gloucester, coro (1337-1360)

O gótico perpendicular é o terceiro e último estilo da arquitetura gótica medieval inglesa, desenvolvido a partir de cerca de 1320 e sem equivalente direto na Europa continental; ao contrário dos estilos anteriores, não teve equivalente na Escócia ou na Irlanda.[88][136] Em 1906, William Lethaby, inspetor da construção da Abadia de Westminster, propôs que a origem do estilo Perpendicular não se encontrava no coro de Gloucester (1331–1350), — abadia beneditina que só se tornaria sede episcopal em 1541 após a Dissolução dos Mosteiros — como tradicionalmente se defendia, mas em Londres, onde a corte da Casa de Plantageneta estava estabelecida no Palácio de Westminster, junto à Abadia de Westminster.[137] A catedral de Londres, sede episcopal do terceiro bispo mais antigo da Igreja de Inglaterra, era então a Antiga Catedral de São Paulo. Segundo o historiador da arquitetura John Harvey, a sala capitular octogonal de São Paulo, construída por volta de 1332 por William Ramsey para os cónegos da catedral, era o exemplo mais antigo do gótico perpendicular.[138][139] Alec Clifton-Taylor concordou que a sala capitular de São Paulo e a Capela de Santo Estêvão do Palácio de Westminster precederam as primeiras obras do Perpendicular em Gloucester.[140] No início do século XXI, o contorno das fundações da sala capitular tornou-se visível no adro sul da atual catedral, construída no século XVII, após a sua remodelação.[141]

Ramsey prolongou os mainéis de pedra das janelas quadríforas, fazendo-os descer pelas paredes abaixo. No topo de cada janela criou um quadrilóbulo inscrito em arco quebrado e intradorso trilobado, que se tornou uma característica distintiva do Perpendicular.[136] Tal como o restante da Antiga Catedral de São Paulo, a sala capitular foi destruída pelo Grande Incêndio de Londres em 1666.[138]

A Capela de Santo Estêvão do Palácio de Westminster, uma capela palatina construída pelo rei Eduardo I segundo o modelo da Sainte-Chapelle do Palais de la Cité, na Paris medieval,[138] foi construída em fases entre 1292 a 1348, embora atualmente apenas a cripta subsista. O arquiteto do edifício inicial foi Michael of Canterbury, sucedido em 1323 pelo seu filho Thomas. Uma das características decorativas originais era um tipo de traceria cega, com painéis verticais vazios de topos lobulados ou angulares no interior; no exterior, finos mainéis ou nervuras de pedra prolongavam-se para baixo, abaixo das janelas, criando espaços perpendiculares.[142]

Durante o reinado de Eduardo III, o estilo começou a dominar na Corte, especialmente na remodelação do Castelo de Windsor, onde John Sponlee projetou os edifícios destinados a albergar as fantasias neoarturianas de Eduardo. Sobrevivem o Claustro do Deão e o Pórtico do Erário, que apresentam traceria cega perpendicular inicial e abóbadas de liernes.[143]

O estilo atingiu a maturidade sob Henry Yevele e William Wynford, nos finais do século XIV. Yevele projetou obras para o Rei e para a Corte, como o Westminster Hall, o Castelo de Portchester e as naves da Abadia de Westminster e da Catedral de Cantuária, enquanto Wynford trabalhou sobretudo para o bispo Wykeham de Winchester, na nave da própria Catedral de Winchester, bem como nas suas fundações educativas do New College, Oxford e do Winchester College.[144] Por volta de 1400, o estilo encontrava-se difundido por todo o país, desde Melrose, na Escócia, até Wells, em Somerset.

Sob o piedoso Henrique VI, o estilo oficial da Corte tornou-se relativamente austero, como se observa nas capelas do King's College, Cambridge e do Eton College.[145] Contudo, as intenções originais de ambos os edifícios encontram-se atualmente obscurecidas, pois os trabalhos de construção prosseguiram muito depois de o Rei ter sido deposto, com alterações no projeto que resultaram num aumento da ornamentação. O mesmo processo ocorreu na Divinity School, Oxford.

Nos finais do século XV, verificou-se uma nova tendência para uma maior elaboração ornamental, especialmente sob os Tudor. John Harvey considerou esta mudança suficientemente significativa para justificar que o Gótico Tudor fosse considerado um estilo separado,[146] embora esta posição não seja amplamente aceite. Neste período foram construídas muitas das abóbadas mais deslumbrantes, como as de John Wastell na Abadia de Peterborough (atualmente catedral) e na capela do King's College. Ambas eram simples abóbadas de leque, mas a abóbada com florões pendentes também atingiu o seu apogeu com as que cobrem o Priorado de Santa Frideswide (atualmente Catedral de Oxford) e a Capela de Henrique VII da Abadia de Westminster, um importante exemplo do estilo Perpendicular tardio. Outro exemplo importante é a Capela de São Jorge do Castelo de Windsor, iniciada em 1475. A abóbada da capela foi contratada ao mestre-pedreiro John Aylmer em 1506.[136]

A Capela de Henrique VII na Abadia de Westminster foi erguida entre 1503 e 1512 sobre uma antiga Lady Chapel. O primeiro rei Tudor pretendia criar um monumento simultaneamente religioso e político, um sacrário para Henrique VI, na esperança de uma futura canonização, e um local de culto para a celebração de missas de sufrágio após a sua morte. O projeto é atribuído aos irmãos Robert e William Vertue, embora se tenha levantado a hipótese de ter sido realizado por Robert Lanys, o Jovem. A capela está coberta por uma sumptuosa abóbada ornamentada com chaves pendentes em forma de cone, sustentadas por arcos transversais. A disposição das nervuras produz a impressão de que estas perderam qualquer função portante. Torres de forma octogonal contribuem para sustentar o peso da abóbada. No centro situa-se o túmulo de Henrique VII e da sua esposa Isabel de Iorque.[147][148][104][149]

Capela da Virgem da Catedral de Gloucester

Gótico alemão

[editar | editar código]
Igreja de Santa Isabel em Marburgo, fachada (1235)

Houve uma desconfiança inicial nos países de língua alemã em relação ao novo estilo proveniente da França. Desde a época de Carlos Magno, e depois sob os Otões e os Hohenstaufen, os mestres construtores das regiões ocidentais do Império — e em particular na bacia do Reno entre Basileia e Colónia — tinham desenvolvido um estilo arquitetónico original de forte matriz românica. A transição foi lenta e, inicialmente, foram realizados edifícios que fundiam características do gótico com elementos ainda tipicamente românicos. Exemplos desta fase são o coro da catedral de Magdeburgo (1208) e a igreja colegiada de São Jorge em Limburgo do Lahn (1211-35).

Os primeiros edifícios que se podem considerar plenamente góticos remontam aos anos trinta do século XIII.[150] Por volta de 1230, todas as resistências caíram: em Tréveris e em Marburgo, o novo estilo vindo da França foi acolhido de maneira entusiasta, tornando-se os principais centros a partir dos quais o gótico francês se difundiu em terras do Império.[151]

Um dos primeiros e mais significativos exemplos é a igreja de Santa Isabel em Marburgo, em Hesse, cuja construção foi iniciada em 1236, e na qual é evidente a influência das catedrais de Noyon e Reims. Esta última serviu também de ponto de referência para os construtores da Igreja de Nossa Senhora em Tréveris (c. 1233-1283), uma elegante igreja poligonal de planta central e com várias absides, declarada a mais antiga igreja gótica na Alemanha.[152] Destaca-se também a Catedral de Friburgo, conhecida pela sua torre de 116 metros, a única torre gótica da Alemanha que foi totalmente concluída na Idade Média (1330).

Catedral de Colónia, exterior (iniciada em 1248)

A de Amiens, por outro lado, foi fonte de inspiração para Gerhard, o arquiteto da catedral de Colónia. Construída a partir de 1248 sobre as ruínas da anterior catedral carolíngia (destruída por um incêndio), o seu projeto era extremamente ambicioso: as abóbadas do coro ultrapassam os 43 metros de altura. O coro foi consagrado em 1322, mas os trabalhos avançaram muito lentamente. A catedral, que compete com a de Milão como uma das maiores catedrais góticas do mundo, só foi concluída em 1880, no século XIX, quando foram encontrados os desenhos do projeto original.[153]

A construção da catedral de Estrasburgo (que na época era uma cidade do Império) seguiu as peripécias artísticas ligadas à penetração do gótico. O edifício otoniano inicial foi reconstruído entre os séculos XII e XIII segundo o estilo tardo-românico; os projetistas, contudo, mudaram de direção após a chegada ao estaleiro de obras de um arquiteto de origens francesas, que adotou soluções rayonnant na construção do topo sul. O estaleiro de Estrasburgo tornou-se em breve um centro essencial para a elaboração do estilo radiante.[154]

O típico gosto tardo-gótico por formas altas e esguias nota-se também na catedral de Ratisbona, que foi construída na segunda metade do século XIII e que está menos ligada aos modelos franceses, apresentando um estilo mais essencial. Na Alemanha, em particular, esta nova espiritualidade encontrou expressão sobretudo na realização de igrejas-salão (Hallenkirchen), caracterizadas pela amplitude, abertura e ausência de janelas de clerestório, como a Wiesenkirche de Soest na Vestfália, construída por volta de 1330, com abóbada gallonada no coro. Esta última apresenta uma planta quadrada na qual a nave não se distingue do coro, enquanto as arcadas, sustentadas por colunas esguias, se elevam harmoniosamente até às abóbadas.[155]

Deve-se também recordar o coro da catedral de Aachen (1355), adjacente à Capela Palatina, no qual se fundem a influência de Colónia com a da Sainte-Chapelle de Paris. A estrutura é composta por paredes cobertas de vitrais elevadíssimos, encimadas por uma abóbada de cruzaria de ogivas. O modelo adotado foi o do coro em salão, que se difundiu posteriormente na região austríaca (onde a Catedral de Santo Estêvão em Viena, construída entre 1339 e 1365, se destaca também pelo seu característico telhado policromado).[156]

Gótico de tijolos

[editar | editar código]

Nas regiões mais a norte, nas cidades hanseáticas e bálticas (como na Alemanha Setentrional e na Polónia), a falta de pedreiras para a extração de rochas naturais levou à criação de um estilo gótico particular baseado no tijolo, chamado Backsteingotik (gótico de tijolos). Os construtores da época conseguiram conjugar o emprego deste material mais pobre com a elevação e a leveza próprias do gótico francês, simplificando as suas formas sem renunciar à sumptuosidade.[157]

Os principais exemplos deste estilo incluem a Igreja de Santa Maria em Lubeque (1250-1350), a Igreja de Santa Maria em Gdansk (1379–1502),[158] a Basílica de Santa Maria em Cracóvia (1290–1365) e o Castelo de Malbork (século XIII). Não se limitaram apenas à arquitetura religiosa: foram lançados planos urbanísticos inteiros segundo o estilo gótico das regiões hanseáticas, com a construção de edifícios civis e públicos, como a famosa porta Holstentor em Lubeque, e estruturas em Chorin, Prenzlau e Stralsund.

Arquitetura áulica

[editar | editar código]
New College de Oxford (anos 1580)

À semelhança do gótico francês, também neste caso a apresentação se encerra com uma breve referência à arquitetura civil inglesa do período. Os primeiros exemplos de edifícios não religiosos em estilo gótico podem ser considerados os castelos que Eduardo I mandou construir no final do século XIII, após a conquista do País de Gales. No geral, nota-se um forte sentido de simetria, como no Castelo de Harlech ou na planificação urbana da cidade de New Winchelsea. A residência de campanha em Acton do bispo Burnell, chanceler de Eduardo I, apresenta-se como um bloco retangular com uma torre de planta quadrada em cada ângulo. Em sentido inverso a esta aspiração de harmonia geométrica, o Castelo de Stokesay fixou uma disposição assimétrica das suas várias partes, convertendo-se num modelo para a posterior arquitetura civil medieval inglesa.[159]

O núcleo central de todos os edifícios civis da época era a hall, o salão onde os habitantes consumavam as refeições em comum. No século XV, a mesa senhorial mudou-se para um ambiente mais íntimo, denominado great chamber ou solar, habitualmente situado no primeiro andar. Sempre no século XV, difundiu-se a preferência pelo uso de torres já sem função militar, mas como elementos decorativos e estéticos.[159] O exemplo mais célebre desta tipologia é o Westminster Hall, em Londres, cuja estrutura remonta a 1097–1099 mas cuja cobertura atual — um dos maiores telhados medievais sem apoio interno da Europa[160] — foi reconstruída entre 1393 e 1401 por ordem de Ricardo II, segundo projeto do mestre carpinteiro Hugh Herland. O telhado, do tipo hammerbeam (viga de martelo), distribui o peso da cobertura através de consolas de madeira entalhada sem recurso a colunas centrais, vencendo um vão de cerca de 20,7 metros — solução amplamente citada como um dos expoentes máximos da carpintaria gótica inglesa.[161]

Entre as obras-primas da arquitetura medieval inglesa deve recordar-se o New College de Oxford, fundado pelo chanceler Guilherme de Wykeham em 1379. A realização foi confiada a William Wynford, que projetou uma estrutura única em forma de quadrilátero que unia a hall, a capela, a biblioteca, o reitorado e os alojamentos para estudantes e docentes. Os mesmos princípios de coerência e elegância foram aplicados no Queen's College de Cambridge, construído provavelmente por Reginald Ely na década de 1450. No geral, a organização dos espaços nos colégios universitários imita a simetria que já se tinha verificado nas residências de campanha dos séculos XIV e XV.[159]

O estilo gótico apareceu em palácios na França, incluindo o Palácio Papal em Avignon e o Palais de la Cité em Paris, perto da Notre-Dame de Paris, iniciado em 1119, que foi a principal residência dos reis franceses até 1417. A maior parte do Palais de la Cité se foi, mas duas das torres originais ao longo do Sena, os tetos abobadados do Salão dos Soldados (1302), (agora na Conciergerie) e a capela original, Sainte-Chapelle, ainda podem ser visto.[162] O maior edifício cívico construído em estilo gótico na França foi o Palais des Papes (Palácio dos Papas) construído entre 1252 e 1364, quando os papas fugiram do caos político e das guerras que envolviam Roma. Dada a complicada situação política, combinou as funções de uma igreja, uma sede do governo e uma fortaleza.

Prefeitura de Leuven, 1448-1469
Salão de Vladislav em Praga, República Checa (1493-1502)
O Palácio dos Doges em Veneza, em Gótico Veneziano (1340–1442)

No século VI, após o período gótico tardio (ou flamejante), elementos de decoração gótica emprestados de catedrais começaram a aparecer nas prefeituras do norte da França, no Flandres e na Holanda. O Hôtel de Ville de Compiègne tem uma torre sineira gótica imponente, com uma agulha cercada por torres menores, e suas janelas são decoradas com elogios ornamentados ou arcos ornamentais. Da mesma forma, prefeituras extravagantes foram encontradas em Arras, Douai, Saint-Quentin, e na Bélgica moderna, em Bruxelas, Gante e Bruges.[163] A arquitetura civil gótica mais notável na Espanha inclui a Bolsa de Seda em Valência (1482–1548), um importante mercado, que possui um salão principal com colunas "trançadas" sob o teto abobadado. Outro marco gótico espanhol é o Palácio dos Reis de Navarra em Olite (1269-1512), que combina as características de um palácio e uma fortaleza.

O Louvre medieval no início do século XV

O Palácio do Louvre constitui um caso à parte, pela sua transição peculiar de fortaleza a residência. Foi originalmente construído por Filipe II de França a partir de 1190 para abrigar os arquivos e tesouros do rei, e recebeu mata-cães e outras características de uma fortaleza gótica. No entanto, logo se tornou obsoleto com o desenvolvimento da artilharia e, no século XV, foi remodelado para se tornar um palácio residencial confortável.[164] Embora as muralhas externas tenham mantido a sua aparência militar original, o castelo em si, com uma profusão de flechas, torres, pináculos, arcos e empenas, tornou-se um símbolo visível da realeza e da aristocracia. O estilo foi copiado em castelos e outras residências aristocráticas em toda a França e em outras partes da Europa.[165]

Universidades Góticas

[editar | editar código]

O estilo gótico foi adotado no final do século XIII até ao século XV nos primeiros edifícios universitários ingleses, com a inspiração a provir de mosteiros e solares senhoriais.[166][167][falta página] O exemplar mais antigo existente em Inglaterra é provavelmente o Mob Quad do Merton College na Universidade de Oxford, construído entre 1288 e 1378.[168]

O estilo foi posteriormente refinado por William of Wykeham, chanceler de Inglaterra e fundador do New College, Oxford, em 1379. O seu arquiteto, William Wynford, projetou o pátio quadrangular do New College na década de 1380, o qual combinava um salão, capela, biblioteca e residências para bolseiros e estudantes de licenciatura.[166] Um tipo semelhante de claustro académico foi criado no Queens' College, Cambridge na década de 1440, provavelmente projetado por Reginald Ely.[166]

O desenho dos colégios foi influenciado não apenas pelas abadias, mas também pela conceção dos solares senhoriais ingleses dos séculos XIV e XV, tais como Haddon Hall em Derbyshire. Eram compostos por pátios retangulares com passagens cobertas que separavam as alas. Alguns colégios, como o Balliol College, Oxford, adotaram um estilo militar inspirado nos castelos góticos, com ameias e paredes creneladas.[166]

A capela do King's College, em Cambridge é um dos expoentes máximos do estilo gótico tardio. Foi construída pelo rei Henrique VI, que se mostrava desagradado com a decoração excessiva dos estilos anteriores. Escreveu em 1447 que pretendia que a sua capela "prosseguisse de forma ampla, limpa e substancial, pondo de parte a superfluidade de obras ornamentais demasiado curiosas e moldagens atarefadas".[169] A capela, construída entre 1508 e 1515, possui paredes de vidro do chão ao teto, elevando-se até abóbadas em leque ramificadas desenhadas por John Wastell. As paredes de vidro são sustentadas por grandes contrafortes externos ocultos na base por capelas laterais.[169]

Outros exemplos europeus incluem o Collegio di Spagna na Universidade de Bolonha, construído durante os séculos XIV e XV; o Collegium Carolinum da Universidade Carolina de Praga, na República Checa (por volta de 1400); as Escuelas mayores da Universidade de Salamanca em Espanha; e o Collegium Maius da Universidade Jaguelônica em Cracóvia, na Polónia.

Abadias e Mosteiros

[editar | editar código]

Enquanto as catedrais eram as estruturas mais proeminentes no estilo gótico, as características góticas também foram utilizadas em muitos mosteiros em toda a Europa. Exemplos proeminentes foram construídos pelos beneditinos na Inglaterra, França e Normandia. Eles eram os construtores da Abadia de Saint-Denis e da Abadia de Saint-Remi na França. Mais tarde, os projetos beneditinos (construções e reformas) incluem a Abadia de Saint-Ouen, a Abadia La Chaise-Dieu de Rouen e o Coro do Monte Saint-Michel na França.

Os exemplos ingleses são a Abadia de Westminster (originalmente construída como uma igreja monástica de ordem beneditina) e a reconstrução da igreja beneditina em Cantuária. Os cistercienses espalharam o estilo no extremo leste e sul da Polônia e da Hungria.[170] Ordens menores como os Cartuxos e os Premonstratenses também construíram cerca de 200 igrejas, geralmente próximas das cidades.[171] Os Franciscanos e Dominicanos também realizaram uma transição para o gótico nos séculos XIII e XIV. A Ordem Teutônica, uma ordem militar, espalhou a arte gótica na Pomerânia, na Prússia Oriental e na região do Báltico.[172]

O exemplo mais antigo de arquitetura gótica na Alemanha é o Mosteiro de Maulbronn, uma abadia cisterciense românica no sudoeste da Alemanha, cujo nártex foi construído no início do século XII por um arquiteto anônimo.[173]

O Mosteiro da Batalha (1386-1517) é um mosteiro dominicano localizado em Batalha, Portugal. O mosteiro foi construído no estilo gótico Flamboyant para agradecer a Virgem Maria pela vitória portuguesa sobre o Reino de Castela na Batalha de Aljubarrota em 1385.

Arquitetura Militar

[editar | editar código]

Na Idade Média, os métodos construtivos da arquitetura militar medieval eram idênticos aos das obras religiosas e civis, partilhando os mesmos arquitetos e detalhes ornamentais, como as abóbadas internas e os perfis de mísulas.[174] Até ao final do século XII, o progresso da arquitetura militar acompanhou o da monástica, transformando-se radicalmente no século XIII sob a inspiração das fortificações bizantinas observadas pelos cruzados na Síria, como o Krak dos Cavaleiros.[174]

Esta influência oriental introduziu no Ocidente a adoção da dupla cintura de muralhas (onde a linha interna, mais alta, dominava a exterior), o talude na base dos paramentos (que triplicava a espessura da parede contra sismos e trabalhos de sapa) e a substituição gradual dos cadafalsos de madeira por matacães de pedra salientes, que eliminavam o risco de incêndio.[174] Estes novos métodos góticos de fortificação, baseados na regularidade e em princípios bem definidos, foram aplicados por São Luís e Filipe, o Ousado na expansão da Cidadela de Carcassonne e na fundação de Aigues-Mortes. Enquanto os arquitetos franceses privilegiavam as torres redondas, com teto cónico ou, popularmente na época, de bonnet (capuz), por exporem melhor os sapadores ao tiro das cortinas vizinhas, as torres quadradas (de influência italiana) eram vistas como mais vulneráveis, pois os seus ângulos ofereciam proteção aos atacantes.[174]

As partes superiores das muralhas também possuíam guaritas salientes protegidas, as guaritas de canto e os balcões de matacães ou baleiras, a partir dos quais os soldados podiam observar o que se passava nos ângulos ou no solo abaixo. Além disso, as torres e as muralhas eram rasgadas por estreitas fendas verticais, chamadas seteiras, através das quais os arqueiros podiam disparar flechas. Nos castelos mais tardios, estas fendas assumiram a forma de cruz (besteiros), para que os besteiros pudessem disparar as suas bestas em diferentes direções.[175]

Os castelos eram cercados por um fosso profundo, atravessado por uma única ponte levadiça. A entrada também era protegida por uma grade de ferro que podia ser aberta e fechada. As paredes no fundo eram frequentemente inclinadas e protegidas por barreiras de terra. Um bom exemplo sobrevivente é o Château de Dourdan, no departamento de Seine-et-Marne, perto de Nemours.[176]

Após o fim da Guerra dos Cem Anos (1337–1453), com melhorias na artilharia, os castelos perderam a maior parte de sua importância militar. Permaneceram como símbolos do posto de seus nobres ocupantes; as aberturas estreitas nas paredes eram muitas vezes ampliadas para as janelas dos quartos e dos salões cerimoniais. A torre do Castelo de Vincennes tornou-se uma residência real.[176] As modificações sucessivas das defesas góticas entre os séculos XIII e XV estão patentes na Abadia do Monte Saint-Michel, onde as fortificações evoluíram para concentrar os sistemas defensivos no topo das rampas e introduziram o châtelet (portal fortificado com duas torres circulares sobre mísulas, portaria com porta levadiça e matacães).[174] O declínio do gótico militar ocorreu no final do século XV, quando o avanço e o sucesso da artilharia de pólvora transformaram os cercos: as torres e ameias góticas deram lugar a bastiões baixos e terraços para baterias de canhões, fazendo com que a ciência militar e a engenharia substituíssem a arquitetura neste campo.[174]

Difusão da arquitetura gótica na Europa

[editar | editar código]

No final do século XII, a Europa apresentava-se fragmentada numa multiplicidade de reinos e cidades-estado. A região correspondente às atuais Alemanha, sul da Dinamarca, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Áustria, Eslováquia, Chéquia e a maior parte do norte da Itália integrava nominalmente o Sacro Império Romano-Germânico, sob forte autonomia dos senhores locais.[177] Em paralelo, territórios como França, Dinamarca, Polónia, Hungria, Portugal, Escócia, Castela, Aragão, Navarra, Sicília e Chipre operavam como reinos independentes.[178][179] Neste cenário, destacou-se o Império Angevino, governado pela Dinastia Plantageneta, que detinha o controlo da Inglaterra.[180] A proximidade histórica e política fez com que a Inglaterra fosse uma das primeiras regiões a adotar a nova arquitetura gótica de origem francesa, logo na segunda metade do século XII, após a ascensão de Henrique II ao trono inglês em 1154.[180]

Os efeitos da difusão do gótico inglês, do tipo derivado de Canterbury, expandiram-se para o Norte, influenciando diretamente a construção da Catedral de Nidaros em Trondheim, na Noruega, enquanto o estilo decorado desempenhou um papel importante no território da Ordem Teutónica e na Silésia.[181] Entretanto, os restantes reinos escandinavos e a Polónia foram impactados pelos contactos com a Liga Hanseática, que impulsionou uma variante autónoma baseada no gótico em tijolo.[182]

A circulação geográfica do estilo também foi movida por iniciativas dinásticas específicas, como o transporte de modelos do Gótico francês por parte da Dinastia de Anjou para o sul de Itália (no Reino de Nápoles), enquanto a Dinastia Lusignan o introduziu nos seus territórios ultramarinos no Chipre.[182] Na Europa setentrional, o comércio intensificou-se durante a Era Viking através de centros como Birka, na Suécia, e Haithabu, na Dinamarca. Hedeby beneficiava da sua localização num entroncamento de rotas terrestres e fluviais, enquanto ambos os centros integravam importantes redes comerciais víquingues. O desenvolvimento desses centros comerciais dependia da proteção dos reis e de acordos que garantissem a paz e a segurança dos mercadores.[183]

Em meados do século XII, mercadores alemães estabeleceram-se em Visby, na ilha de Gotland, onde formaram uma associação destinada a proteger os seus interesses comerciais. Em 1241, Lübeck e Hamburgo estabeleceram um acordo que garantia a livre circulação do comércio através dos seus portos; até ao final do século XIII, acordos semelhantes foram celebrados com numerosas cidades que se juntaram à Liga Hanseática. Em 1358 ocorreu a primeira referência à Hansa, enquanto em 1370 a união reunia setenta e sete cidades.[184]

A Hansa possuía quatro grandes entrepostos comerciais, ou Kontore, que constituíam os principais pilares do seu comércio: Novgorod, Londres, Bruges e Bergen. Em Novgorod, as principais exportações eram peles, cera, mel e madeira, enquanto os mercadores alemães levavam tecidos, âmbar, sal, vinho e prata, entre outros produtos; em Bergen, exportava-se sobretudo bacalhau seco e importavam-se principalmente cereais.[185] Grandes edifícios públicos passam a manifestar riqueza e orgulho cívico.[186] Em contrapartida, em reinos de forte pendor feudal como a França e a Inglaterra, os grandes projetos arquitetónicos continuaram a ser direcionados para as necessidades e o prestígio dos monarcas, duques e bispos, em detrimento de estruturas de uso puramente civil.[186] A Igreja Católica exercia uma influência dominante na Europa Ocidental, detendo expressivo poder político e económico. Os bispos, frequentemente nomeados por senhores feudais e grandes proprietários de terras, governavam vastas extensões territoriais como príncipes seculares.[39] Nas regiões do nordeste da Península Ibérica, particularmente na Catalunha e nos territórios integrados na Coroa de Aragão, esta transição assumiu características próprias.[187]

Os grandes mosteiros de Poblet, Santes Creus e Vallbona de les Monges tornaram-se exemplos destacados desta arquitetura de transição, na qual soluções ogivais coexistiam ainda com esquemas espaciais românicos.[187] Alguns historiadores, como Josep Puig i Cadafalch, interpretaram estas experiências arquitetónicas do norte peninsular como parte de um processo evolutivo regional que articulava tradições paleocristãs, visigóticas, moçárabes e românicas anteriores ao pleno desenvolvimento do gótico clássico francês.[188] As próprias catedrais de Tarragona e Lleida, iniciadas entre finais do século XII e princípios do XIII, conservavam plantas de tradição românica apesar da adoção progressiva de estruturas ogivais e coberturas nervuradas.[187] Em fases posteriores, já no final do século XIII, estes edifícios incorporaram elementos plenamente associados ao gótico mediterrânico catalão, incluindo campanários octogonais, amplas naves e soluções espaciais marcadas por sobriedade estrutural e racionalismo construtivo.[187]

Especificidades do gótico setentrional e meridional

[editar | editar código]

O gótico angevino (meados do século XII – meados do século XIII)

[editar | editar código]
Abóbadas da Abadia de la Boissière de Dénezé-sous-le-Lude (1212).

O nascimento da arquitetura gótica denominada «gótico angevino» ocorreu ao mesmo tempo que o da Île-de-France (em latim: opus francigenum). Está ligado a um contexto político particular, o do apogeu alcançado pela dinastia Plantageneta. Situada às portas do conflito franco-inglês, ilustrado à sua maneira pela brilhante corte de Poitou de Leonor da Aquitânia e pela batalha de Poitiers,[189] esta província encontrava-se, durante o período gótico, na confluência de múltiplas influências, das quais a Catedral de São Pedro de Poitiers, um dos edifícios menos conhecidos da primeira geração gótica, constitui um testemunho exemplar. O gótico angevino difundiu-se assim pelo Anjou, Touraine, Limousin, Poitou, Aquitânia, Maine e até ao Reino de Nápoles e da Sicília, onde a Casa de Anjou-Sicília reinaria durante mais de dois séculos, desde Carlos I de Anjou no século XIII até ao rei Renato no século XV. Ao contrário da Île-de-France, este estilo arquitetónico caracteriza-se por fachadas com um único pórtico. Na maioria dos casos, os edifícios de nave única conservam na sua elevação o princípio tradicional das naves laterais tão altas quanto a nave principal, descompartimentando o espaço interior e eliminando, desse modo, as tribunas e o trifório.[98] Nas paredes, os arranques das abóbadas foram reduzidos a finas colunas adossadas, com pouca saliência. Por vezes, como na nave da catedral de Le Mans ou na Igreja de Nossa Senhora de la Couture de Le Mans, estátuas vinham assinalar o início das ogivas das abóbadas, segundo uma inovação decorativa dita «angevina» que, na realidade, negava a lógica depurada da elevação da nave anterior de Saint-Denis.[98] Quanto à cabeceira das igrejas, quase nunca apresenta arcobotantes: pode citar-se o caso da Catedral de São Pedro de Poitiers, cuja cabeceira é composta por uma simples parede vertical com cerca de 50 metros de altura.[190]

São sobretudo as abóbadas que distinguem o gótico angevino. Surgido em meados do século XII, o seu sistema de abóbadas constitui uma combinação de influências do renascimento gótico (abóbada de ogivas) e da arquitetura românica do oeste de França (igrejas com séries de cúpulas, como a Catedral de São Frutuoso de Périgueux ou a Catedral de São Pedro de Angoulême). As ogivas apresentam um perfil robusto, por vezes composto por uma superfície plana entre dois toros, ou, mais raramente, por um único toro muito espesso, como em Mareuil.[98] Lançadas sobre uma planta simples, próxima do quadrado, ou cobrindo um espaço retangular, as abóbadas de cruzaria de ogivas angevinas apresentam um perfil muito elevado, sob o efeito do semicírculo das ogivas herdadas das tradições românicas (a chave da abóbada encontra-se sensivelmente três metros acima dos arcos torais e dos arcos formeiros), diferenciando-se assim das abóbadas mais planas da Île-de-France (chave da abóbada ao mesmo nível que os arcos torais e os arcos formeiros).[189] O seu impulso mais vertical faz com que não necessitem de ser contraventadas por arcobotantes, sendo suficientes simples contrafortes. As abóbadas de cruzaria de ogivas apresentam sempre os arcos diagonais subdivididos por liernes, de modo a obter setores idênticos.[191] É assim que as abóbadas angevinas são, na maioria das vezes, armadas com oito nervuras que irradiam em torno de uma chave de abóbada circular. Deste modo, as fases de avanço da construção podem ser realizadas sem cofragem, de acordo com as dimensões.[191] Este tipo de abóbada com nervuras múltiplas ocorre, no Anjou, em cerca de quarenta edifícios. A partir do século XIII, surgem nervuras ainda mais numerosas e graciosas, que terminam sobre altas colunas redondas, como na Abadia de São Sérgio de Angers.[192]

Abóbadas da grande sala dos doentes do antigo Hospital de São João de Angers (1188)

Entre os mais belos exemplos de abóbadas angevinas podem citar-se a Catedral de São Maurício de Angers, a colegiada de São Martinho de Angers,[193] a Colegiada de São Martinho de Candes[194] e o antigo Hospital de São João de Angers, atual Museu Jean-Lurçat.[195]

Em Poitiers, Leonor da Aquitânia mandou construir, no palácio dos condes de Poitiers, a magnífica «sala do Rei» ou «sala dos passos perdidos», no final do século XII. A integração definitiva da província no domínio real não pôs de modo algum termo à criatividade dos mestres de obras, mas uma nova corrente manifestou-se e impôs-se, pelo menos nos grandes edifícios. A influência do gótico do Norte já se faz sentir na tentativa de elevar a nave da catedral de Poitiers e na criação dos três portais esculpidos da fachada, mas as expressões mais correntes da introdução do estilo franciliano manifestam-se no aparecimento de rendilhados radiantes nas janelas e das abóbadas de cruzaria abauladas. Os vestígios do mecenato do duque João de Berry são disso testemunho; enquanto, no restante da província, uma cadeia de cidades médias, como Loudun, Thouars, Bressuire, Parthenay ou Fontenay-le-Comte, reconstruía numerosas igrejas em estilo gótico. Mais a sul, poderosas abadias, como Charroux, Saint-Maixent, Maillezais e Nossa Senhora das Fontenelles, introduziram amplamente, nos século XIII, a nova arquitetura na reconstrução parcial ou total das suas igrejas abaciais.[189]

Entre os edifícios religiosos de estilo gótico angevino em Nápoles, podem citar-se a Basílica de Santa Clara de Nápoles, a Igreja de San Domenico Maggiore e a Basílica de San Lorenzo Maggiore.[196]

O gótico normando (finais do século XII – início do século XIII)

[editar | editar código]
Abóbadas do deambulatório de Nossa Senhora de Coutances.

O Ducado da Normandia dos Plantagenetas, com os seus prelados normandos, associou-se muito cedo ao movimento gótico, cujo primeiro exemplo surge na nave da catedral de Lisieux (1167–1174). Esta precocidade explica-se pelo patrocinador da obra, o bispo Arnoul de Lisieux. Prelado de primeiro plano, descobriu as novidades arquitetónicas do gótico nascente quando se deslocou à consagração da Basílica de Saint-Denis,[197] em 11 de junho de 1144. As suas boas relações com o abade Suger terão certamente contribuído para que recorresse a um mestre de obras francês.

Na sequência das suas vitórias sobre João Sem Terra, Filipe Augusto anexou o território ao domínio real em 1204: a influência da arte gótica franciliana surgiu então rapidamente na arquitetura militar. A partir de Paris, a fortaleza medieval do Castelo do Louvre [a] inspirou não só os torreões de Ruão e Lillebonne, mas também os torreões de Talbot de Falaise e do Castelo de Gisors.[198]

No entanto, os elementos tradicionalmente normandos resistiram na arquitetura religiosa, sobretudo na Baixa-Normandia, onde se limitou, na maioria das vezes, a adaptar os novos processos arquitetónicos aos edifícios da época românica. Com efeito, até ao segundo quartel do século XII, um grande número de igrejas tinha as suas naves cobertas por estruturas de madeira; foi então que receberam abóbadas góticas sobre cruzarias de ogivas. Herdadas dessa época, as plantas das igrejas apresentam frequentemente uma amplitude notável, com um transepto muito saliente, enquanto a utilização de um tipo de abóbada rebaixada, enquadrada por arcos de volta perfeita, produz um peso tão forte que exige paredes muito espessas.[99][199]

O claustro da «Merveille» do Monte Saint-Michel (1225–1228).

O coro da igreja abacial de Santo Estêvão de Caen foi o primeiro edifício construído após o fim do ducado (1204). No entanto, as sobrevivências normandas continuam visíveis na nave: a galeria de circulação ao nível das janelas superiores e a largura da nave central são tipicamente normandas.[99] A reconstrução do coro da catedral de Bayeux (c. 1230) respeita igualmente esta tradição normanda: arcos quebrados muito agudos, tímpanos perfurados por trevos, arquivoltas, ausência de estátuas e luz.

O claustro da Merveille do Monte Saint-Michel, reconstruído no estilo arquitetónico normando, com ábacos dos capitéis circulares, enxalços em pedra de Caen e motivos vegetais, foi concluído em 1228.[200][201][202][203]

Em Coutances, a reconstrução da nave precedeu a do coro (c. 1220–1235). Estas duas partes do edifício são de estilo normando: os capitéis com ábaco circular vazado, os arcos esbeltos e a sua molduração acentuada são sinais evidentes da resistência ao estilo gótico francês. Do mesmo modo, a torre-lanterna é uma especificidade normanda. O estilo regional manifesta-se também na fachada da catedral, que apresenta linhas verticais vertiginosas.[204]

A extremidade do coro da catedral de Lisieux, erigida no século XIII, revela igualmente uma mudança em relação à nave de estilo franciliano. O mestre de obras, diferente do tempo de Arnoul de Lisieux, impôs o estilo gótico normando: as colunas que compõem as arcadas são duplas, os ábacos assumem uma forma circular ou poligonal e trilobados perfuram as paredes. Sobretudo, o estilo gótico surge muito mais evoluído e esbelto: um trifório substitui as falsas tribunas da nave, as arcadas estreitam-se, as colunas tornam-se mais finas e as moldurações aperfeiçoam-se.[205]

Igreja de Santo Estêvão de Caen (cronologia controversa do século XIII ou de 1316–1344)

De modo geral, todas as catedrais normandas são construídas segundo uma mesma planta, que compreende uma nave, naves laterais simples, um transepto e capelas radiantes que se abrem para o deambulatório.[206] A capela da Virgem, disposta no eixo da igreja, é uma pequena igreja anexada à grande (a Abadia da Trindade de Fécamp). As igrejas rurais são compostas por uma nave terminada por uma cabeceira plana, como se pode encontrar em Inglaterra. O caráter mais marcante deste estilo arquitetónico é a quebra muito aguda dos arcos em lanceta, sobretudo nos coros, pórticos e campanários, enquanto as abóbadas de cruzaria de ogivas são quase sempre realizadas sobre planta retangular. Estas disposições serão conservadas nos monumentos do gótico radiante, a que pertencem Saint-Ouen de Ruão, São Pedro de Caen (embora o coro seja do século XVI), e nos edifícios do gótico flamejante: São Maclou de Ruão, Caudebec-en-Caux, Nossa Senhora de Saint-Lô, o coro da igreja abacial do Monte Saint-Michel, São Tiago de Lisieux, São Tiago de Dieppe, Nossa Senhora de Alençon, as duas igrejas São Martinho e São Germano de Argentan.[207]

As diferenças dizem respeito a pormenores de execução, como a construção de capelas laterais entre os contrafortes da nave ou os pilares losangulares com nervuras que prolongam as da nave, os arcobotantes duplos e de duplo lanço (Saint-Ouen) ou ainda o arco de cinco pontas que se encontra no século XVI na piscina da abadia de Saint-Wandrille. O que caracteriza sobretudo a escola da Normandia em todas as épocas do gótico são os campanários, notáveis pela altura das flechas e dos pináculos; as mais belas flechas são as de Santo Estêvão de Caen, de Nossa Senhora de Coutances, de Bayeux, de Secqueville-en-Bessin, de Saint-Pierre-sur-Dives, de Langrune, de Bernières e de São Pedro de Caen.[206]

Todas estas grandes igrejas têm um caráter comum: da interseção do transepto eleva-se quase sempre uma torre-lanterna muito aberta e frequentemente ricamente ornamentada. Embora estas torres-lanterna estejam muito difundidas na Europa desde a época românica, foi verdadeiramente com o gótico normando e anglo-normando que adquiriram maior amplitude e que a sua presença se tornou mais regular. Quase sempre concebida para ser a torre mais alta da igreja, ultrapassa, na maioria dos casos, as duas flechas da fachada harmónica ocidental, embora o estado de conclusão de alguns edifícios nem sempre tenha permitido atingir esse objetivo (faltando frequentemente a parte superior). Encontra-se, no século XIII, em numerosas igrejas normandas, como São Martinho de Langrune-sur-Mer, Santo Ouen de Rots, Nossa Senhora de Étretat e Nossa Senhora dos Lavradores de Norrey-en-Bessin, em numerosas abadias, entre as quais a Trindade de Fécamp[208] e Saint-Pierre-sur-Dives, e em quase todas as catedrais da província, como a catedral de Lisieux, a de Nossa Senhora de Coutances, a de Ruão ou a de Évreux. A Catedral de Nossa Senhora de Sées não possui uma, mas ela estava prevista originalmente.[209]

Esta arquitetura influenciou fortemente a arte gótica em Inglaterra, onde a presença de uma torre central constitui a regra. Encontra-se também em Espanha, na catedral de Burgos, na Suíça, na Catedral de Lausanne, e ainda no gótico escaldiano da Flandres. Em França, a Picardia e o Artois parecem ter sido regiões particularmente permeáveis à influência normanda,[210] nomeadamente pela adoção da cabeceira plana e da torre-lanterna em Nossa Senhora de Laon,[211] enquanto as antigas catedrais de Cambrai e Arras apresentavam projetos monumentais com torres, estando prevista, no caso de Arras, uma torre-lanterna na interseção do transepto, que não chegou a ser concluída.[212]

O gótico meridional

[editar | editar código]
Montagem fotográfica do interior da catedral de São João Batista de Perpignan, com vista geral das pinturas murais de Jacques Pauthe (1866–1874).

O gótico meridional, também denominado gótico tolosano ou ainda gótico languedociano, designa uma corrente da arquitetura gótica desenvolvida no Midi de França, principalmente nas regiões onde se desenvolveu o catarismo e que tiveram de sofrer a repressão religiosa e militar proveniente do Norte. As regiões abrangidas correspondem, portanto, aos atuais departamentos de Alta-Garona (Toulouse), Tarn (Albi), Tarn-et-Garonne, Ariège, Gers, Aude, Pirenéus Orientais e Hérault. Este estilo gótico original, austero e despojado, foi concebido como uma arquitetura combativa, uma importante arma da Igreja na sua luta contra a dissidência cátara.[213]

Campanário da Catedral de Santo Antonino de Pamiers.

Após a erradicação política da aristocracia cátara durante a Cruzada Albigense (1209–1229), restava reconquistar os espíritos. Para além da instauração da Inquisição, a «retomada do controlo» pela hierarquia católica deu lugar a numerosas construções ou reconstruções de edifícios religiosos, mas também civis. O clero cátaro, incluindo os «perfeitos», tinha combatido fortemente o luxo da Igreja Católica romana, pelo que se passou então a privilegiar um estilo arquitetónico mais austero e despojado do que no Norte do Reino de França.[214]

O gótico meridional caracteriza-se por uma expressão arquitetónica marcada por grande austeridade e forte muralidade. Os edifícios assumem frequentemente um aspeto militar e defensivo, com a utilização de contrafortes em vez de arcobotantes. Após o episódio cátaro, a recuperação do controlo dos fiéis passa pela pregação (daí a fundação, por Domingos de Gusmão, da Ordem dos Irmãos Pregadores). Para isso, privilegia-se a nave única, que favorece a acústica e coloca todos os fiéis sob o olhar do pregador. A nave é ladeada por capelas laterais, instaladas entre os contrafortes e encimadas por grandes janelas estreitas que permitem uma iluminação reduzida[215] (exemplos: Catedral de Santa Cecília de Albi,[216][217] Catedral de São Fulcrano de Lodève,[218] Catedral de São Pedro de Montpellier). Contudo, a presença de uma nave única não está necessariamente ligada a essa intenção, podendo dever-se a outras considerações ou à existência prévia de uma nave única.[219] Em sentido inverso, a nave muito larga dos Jacobinos de Toulouse encontra-se dividida por uma fila de pilares, mas constitui ainda assim uma única entidade.[220]

Muitos edifícios deste estilo não possuem, contudo, naves laterais e são cobertos por estruturas de madeira apoiadas sobre arcos diafragma (Igreja de Nossa Senhora da Assunção de Gruissan).[221]

«Palmeira» da igreja dos Jacobinos de Toulouse, 1292, sob a chave da abóbada.

A antiga nave (início do século XIII) da catedral de Toulouse marca o nascimento do gótico meridional. O bispo Foulques concebeu-a como um desafio monumental e espiritual à dissidência cátara. Dois elementos estruturais fundamentais concorrem então para definir o gótico tolosano: a nave única e a abóbada de cruzaria de ogivas, implicando a construção de uma abóbada de dimensão invulgar no Midi (19 metros de largura). A nave da catedral de Toulouse participa também do despojamento inspirado por São Bernardo, caracterizando-se pela ausência de decoração esculpida. Deste edifício inovador, construído entre 1210 e 1220, do qual subsistem três dos cinco tramos originais, decorrerão as pesquisas arquitetónicas desenvolvidas nos conventos das ordens mendicantes de Toulouse, que culminarão no convento dos Jacobinos de Toulouse e na catedral de Albi.[222]

A igreja do convento dos Jacobinos de Toulouse foi considerada pelo papa Urbano V a mais bela igreja dominicana da Europa cristã, que lhe atribuiu as relíquias do grande pensador dominicano Tomás de Aquino, em 1369. Mede 80 metros de comprimento, 20 metros de largura e 28 metros de altura, criando um impressionante volume interior. A dificuldade de abobadar dois vãos de largura desigual levou, depois de 1275, à instalação de uma fila de colunas cilíndricas que definem duas naves idênticas nos tramos retos da abside. A inserção de uma abside única, de planta poligonal, numa igreja de dois vãos deu origem a uma abóbada estrelada cuja organização complexa antecipou em mais de um século o gótico flamejante. A tradição designa esta obra-prima pelo nome de «palmeira», porque as nervuras irrompem do fuste liso da coluna como palmas.[223]

Nave da catedral de Santa Cecília de Albi (1282–1480).

A catedral de Albi apresenta um caráter excecional no âmbito do gótico meridional. Com efeito, embora corresponda, na sua essência, a uma expressão do gótico muito diferente daquela das grandes catedrais do Norte (Chartres, Reims ou Bourges), continua a constituir um «unicum» dentro da sua própria família. A altura da sua abóbada, 30 metros, não lhe permite rivalizar com as gigantes do Norte, como Beauvais ou Amiens (respetivamente 46 e 42 metros), mas inscreve-se inteiramente na média dos grandes edifícios do gótico radiante (32 metros em Estrasburgo, 30 em Soissons e Auxerre, 28 em Ruão). Estas proporções, semelhantes às do gótico setentrional, distinguem a catedral de Albi das principais igrejas do gótico meridional. Com efeito, nenhum outro vão ultrapassa cerca de sessenta metros de comprimento (catedrais de Lavaur, Saint-Bertrand de Comminges, Lodève, Agostinhos de Toulouse, São Tiago de Montauban), com exceção do convento dos Jacobinos de Toulouse e de São João Batista de Perpignan. A altura máxima das abóbadas destas igrejas atinge 28 metros em Saint-Bertrand de Comminges e nos Jacobinos, mas a altura média situa-se entre 20 e 25 metros (Nossa Senhora de la Dalbade, convento dos Agostinhos de Toulouse, catedrais de Lavaur, Lodève, igrejas da cidade baixa de Carcassonne). Em suma, verifica-se que as proporções únicas de Santa Cecília correspondem às de uma grande catedral gótica do Norte aplicadas a uma arquitetura de espírito meridional.[224]

Como toda a construção utiliza preferencialmente o material local, o gótico meridional das regiões de Toulouse, Montauban e Albi recorre maioritariamente ao tijolo refratário, que se tornou um dos seus sinais distintivos. Os construtores utilizaram técnicas adaptadas a este material, como o arco em mitra, típico do «gótico tolosano». O tijolo presta-se a composições decorativas geométricas; em contrapartida, há pouca escultura integrada na arquitetura. Segundo o tipo de argila utilizado, os tijolos podem ser moldurados ou arredondados por abrasão. Alguns edifícios utilizam a pedra com parcimónia para criar contrastes de cor. As regiões vizinhas submetidas a esta influência, mas onde predomina a pedra, retomaram frequentemente o mesmo vocabulário arquitetónico.[222]

Embora o termo gótico meridional seja aplicado essencialmente a edifícios de culto, igrejas e catedrais, os princípios da sua arquitetura podem encontrar-se em edifícios destinados a outros usos: sobriedade da construção, ausência ou limitação da decoração esculpida, aspeto maciço e elementos de defesa. Podem citar-se, entre outros, alguns hotéis particulares e o Museu Saint-Raymond, em Toulouse, e o Palácio da Berbie de Albi.[225]

Basílica superior de Assis, interior (1228-1239)

O gótico chegou tarde a Itália e não encontrou condições para se enraizar profundamente, devido à tradição clássica fortemente presente na península,[226] motivo pelo qual a historiografia se refere a um «gótico temperado», no qual as novas soluções estruturais se misturam com as características locais preexistentes.[227] O estilo gótico italiano foi profundamente influenciado pela geopolítica das suas cidades-estado e pelos materiais disponíveis nas diferentes regiões: o mármore estava disponível em grandes quantidades na Toscana, sendo generosamente utilizado no revestimento das superfícies, enquanto a sua escassez na Lombardia induziu o uso sistemático e autónomo do tijolo. Muitos dos elementos arquitetónicos transalpinos foram rejeitados ou profundamente subvertidos, refletindo opções arquitetónicas associadas às tradições urbanas italianas e ao distanciamento em relação ao modelo da catedral da Île-de-France.[228]

Assim, em vez de dissolver a massa murária num sistema estrutural abstrato dominado pelo vidro, a arquitetura italiana preservou a massa e a bidimensionalidade da parede, convertendo-a num plano abstrato de efeitos cromáticos e suporte iconográfico para frescos.[229] A persistência de soluções arquitetónicas distintas das catedrais francesas não deve ser entendida como uma resistência passiva ou atraso técnico, mas como expressão das estruturas políticas e institucionais italianas. A arquitetura monumental das comunas urbanas, do papado e do império desenvolveu linguagens próprias que dificilmente se identificavam com o modelo das monarquias territoriais centralizadas do norte da Europa.[229]

A ordem monástica cisterciense desempenhou um papel importante na difusão inicial de soluções góticas na Itália, transmitindo sobretudo a sua própria interpretação do gótico borgonhês, e não modelos diretos das catedrais francesas, visíveis na Abadia de Fossanova (consagrada em 1208) e na Abadia de Casamari (1203–1217). Embora tenham seguido o plano básico das igrejas cistercienses góticas da Borgonha, particularmente a Abadia de Cister,[230] o papel de transmissão de Cister foi localmente requalificado. A sua estética foi absorvida não como uma réplica tipológica das catedrais francesas, mas sim como um passo decisivo para organizar de forma linear e abstrata as estruturas estáticas e pesadas da tradição basilical italiana.[229] Posteriormente, o gótico foi amplamente difundido pelas ordens mendicantes, nomeadamente os Franciscanos e os Dominicanos, surgidas no início do século XIII.[227]

Entre os primeiros exemplos de arquitetura religiosa gótica encontra-se a basílica de São Francisco de Assis (iniciada em 1228, dois anos após a morte do santo, sob a supervisão de frei Elias, então Vigário-Geral). É um edifício extremamente original, ao ponto de não ser possível reconhecer um modelo específico que tenha servido de referência aos construtores.[231] A estrutura é composta por duas igrejas sobrepostas de planta em cruz commissa de quatro campatas; a Basílica Inferior, mais baixa, escura e de abside semicircular, concebida quase como uma cripta para a oração e dotada de abóbadas rebaixadas e paredes maciças para suportar a igreja superior; e a Basílica Superior, mais alta, luminosa e de abside poligonal, dedicada à pregação. Esta última não apresenta trifório, mas é inundada de luz pelas altas janelas do clerestório, mantendo ainda a estrutura murária como elemento de suporte. Apresenta, além disso, paredes maciças, segundo um modelo herdado da arquitetura romana e românica. Estas paredes pesadas foram decoradas com frescos de Cimabue e Giotto, obras que, por sua vez, influenciaram fortemente a pintura italiana posterior. No exterior, ainda ligado ao românico úmbrio, os únicos elementos góticos manifestos são o portal estrombado dividido por uma coluna central e a grande rosácea. Elementos românicos estão também presentes na fachada da igreja de São Francisco em Bolonha, outro dos primeiros edifícios de culto construídos segundo o estilo gótico. O seu interior mostra, contudo, uma maior compreensão do gótico, com as suas naves laterais e o deambulatório dotado de capelas radiais.[227]

A basílica de São Francisco de Assis tornar-se-ia um modelo para o gótico italiano, com amplas superfícies murárias que se prestavam a acolher importantes ciclos de frescos. Esta é uma diferença fundamental em relação às grandes catedrais do resto da Europa, nas quais a parede tendia a adelgaçar-se para ser substituída por vitrais artísticos.[232] A partir da segunda metade do século XIII, as ordens mendicantes exerceram igualmente uma influência decisiva sobre a arquitetura italiana. As suas igrejas, frequentemente localizadas nas periferias urbanas em expansão, adotaram soluções espacialmente amplas e relativamente simples, privilegiando a funcionalidade litúrgica e a pregação, embora assimilando características construtivas específicas das tradições locais.[229]

Suábia e Boémia

[editar | editar código]
Igreja paroquial da Santa Cruz em Schwäbisch-Gmünd (1320)

Na Suábia e na Boémia, a difusão do gótico está ligada ao trabalho dos Parler, uma dinastia de mestres de obras que construíram uma vasta rede de relações profissionais. Originalmente, o termo 'parler' indicava o primeiro ajudante do mestre de obras (magister operis), e apenas a partir do século XIV se tornou o apelido da família. O patriarca foi Henrique I, o Velho, cujos descendentes estenderam a sua influência artística por grande parte da Boémia, na área germano-austríaca, chegando até ao Brabante e à Flandres.[233] Nos seus trabalhos reconhecem-se elementos recorrentes na disposição dos espaços e na conformação das abóbadas complexas, o que justifica o termo Parlergotik.[234]

Heinrich Parler e o seu filho Peter trabalharam ambos na igreja paroquial da Santa Cruz em Schwäbisch-Gmünd (1320), na Suábia, retomando o modelo da igreja-salão baseada na simplicidade das ordens mendicantes, mas com soluções inovadoras no coro (iniciado em 1350).

Catedral de São Vital em Praga, cobertura em abóbada do coro (1356)

Peter Parler, em particular, foi um dos grandes protagonistas do tardo-gótico. Em 1356, foi chamado a Praga pelo imperador Carlos IV para concluir a Catedral de São Vito, iniciada em 1344 pelo arquiteto francês Mathieu de Arras. O soberano tinha transformado Praga na capital do Império e queria ampliá-la com um ambicioso plano monumental, que incluía um palácio gótico, o Castelo de Karlstein, e edifícios para a nova Universidade de Praga.

Peter Parler demonstrou grande inventividade em São Vito: quebrou o ritmo fluido do deambulatório, adicionou a monumental capela de planta quadrada dedicada a São Venceslau e coroou os interiores com uma pioneira abóbada de filete (ou nervuras cruzadas em padrão de malha, que evoca as soluções do gótico inglês), onde as nervuras se entrelaçam de forma contínua. A Peter Parler deve-se também a capela de Todos os Santos na colina de Hradčany (tendo como modelo a Sainte-Chapelle), a famosa Ponte Carlos sobre o Moldava (1357), o coro de Kolín (1360) e a Frauenkirche de Nuremberga.[235]

Membros da família estiveram ativos por toda a Europa: Wenzel foi arquiteto da catedral de Viena (1400-1404), Johann IV trabalhou no coro de Kutná Hora, e Heinrich III esteve no estaleiro do Duomo de Milão em 1392. Muitos construtores inspiraram-se neles, como Ulrich von Ensingen (que desenhou a enorme torre da catedral de Ulm, iniciada em 1377, e trabalhou na fachada de Estrasburgo). No final do século XIV, o estilo Parler foi adaptado também às igrejas de tijolo do norte, como em Stargard e Brandeburgo.[236]

Flandres, Brabante, Países Baixos e Bélgica

[editar | editar código]
Câmara Municipal de Aalst, campanário (século XV)

Na Idade Média, a atual Bélgica e os Países Baixos faziam parte da esfera de influência artística da diocese de Colónia e da França. É, no entanto, na arquitetura civil e pública que o gótico desta região atingiu o seu apogeu. A partir do final do século XIII, a área da Flandres e do Brabante esteve no centro de uma riquíssima rede comercial e têxtil. A opulência da burguesia favoreceu o desenvolvimento da vida cívica, que se manifestou em edifícios grandiosos decorados em cantaria: as hallen (grandes mercados e armazéns de mercadorias) e os palácios municipais (câmaras). Para simbolizar o poder secular frente ao religioso, estes edifícios civis foram dotados de altivos campanários ('beffrois'), assemelhando-se em escala às grandes catedrais.[237]

O palácio municipal de Aalst (1225) tornou-se o ponto de referência tipológico, com as suas torres de canto e uma fileira contínua de janelas. Os palácios municipais de Bruges e de Bruxelas apresentam esquemas semelhantes, mas com fachadas hiper-decoradas, um gosto pelo detalhe tardo-gótico visível também nos palácios de Mons (1458), Gante (1518), no arrojado palácio de Lovaina (1448) e no palácio de Oudenaarde (1526-1536).[238]

Câmara Municipal de Bruges (1377-1387)

Na arquitetura religiosa regional, destaca-se o estilo Gótico Brabantino. É caracterizado pelo uso de arenito ou calcário de cor clara (o que permitia detalhes esculpidos muito minuciosos), colunas com capitéis de folhagem estilizada (como folhas de repolho) e, por vezes, tetos ou abóbadas com estruturas de madeira devido às condições do solo. Exemplos notáveis incluem a Igreja de Nossa Senhora Abençoada do Sablon em Bruxelas (século XV), a Catedral de São Miguel e Santa Gudula (também em Bruxelas, iniciada no século XIII) e a Igreja de São Bavão em Haarlem, Países Baixos, famosa pelo seu monumental teto gótico de madeira estrutural (c. 1479).

Na região do Mosa, desenvolveu-se a partir do século XIII uma variante regional conhecida como gótico mosano. A sua formação esteve ligada à influência da arquitetura gótica francesa, embora os primeiros edifícios da região ainda conservassem formas românicas. Entre os primeiros exemplos encontram-se igrejas monásticas e conventuais relativamente simples, como a Igreja Dominicana e a Igreja dos Frades Menores de Maastricht, bem como a Igreja dos Frades Menores, atualmente Igreja de São Nicolau, em Aachen. O gótico mosano partilhava com o gótico do Escalda a utilização de colunas redondas e de pedra azul, mas adotou desde cedo formas e técnicas do gótico francês. Entre as suas características encontram-se a leveza das estruturas e a adaptação de modelos franceses às tradições construtivas locais. A antiga Catedral de Nossa Senhora e São Lamberto de Liège, hoje desaparecida, constituiu o principal monumento desse desenvolvimento e desempenhou um papel importante na formação de uma linguagem arquitetónica regional. Entre os principais monumentos remanescentes do gótico mosano encontram-se a Catedral de São Paulo de Liège, a Basílica de São Martinho de Liège e a Igreja de São Tiago Menor de Liège, além da Colegiada de Nossa Senhora de Huy e da Colegiada de Nossa Senhora de Dinant. A Basílica de Nossa Senhora de Tongeren apresenta igualmente alguns elementos relacionados com o gótico brabantino.[239][240]

Península ibérica

[editar | editar código]
Catedral de Sevilha, interior (1401)

A intensa atividade arquitetónica em Espanha manteve-se firme até ao final da Idade Média. De entre as catedrais planeadas no início do século XV, a mais majestosa é a catedral de Sevilha (1401), desenhada com uma planta de cinco naves e capelas embutidas diretamente nos contrafortes exteriores. A característica distintiva das catedrais góticas da Península Ibérica é a sua complexidade espacial, com muitas áreas de diferentes formas interligando-se entre si. São comparativamente largas e frequentemente possuem arcadas muito altas encimadas por baixos clerestórios, conferindo-lhes uma espacialidade semelhante à das igrejas-salão alemãs. Esta catalogação cronológica é muitas vezes preferível à estilística, aplicando-se o qualificativo “gótico” com prudência e favorecendo-se o termo “baixo medieval”.[241]

Em 1469, o país alcançou a unificação política em resultado do casamento entre Fernando II de Aragão e Isabel de Castela; em 1492, seguiu-se a anexação do Reino de Granada, até então o último domínio muçulmano, e em 1512 foi conquistado o Reino de Navarra. No século XVI, a Espanha converter-se-ia na potência hegemónica da Europa, consolidada com a coroação de Carlos V (Carlos I de Espanha) como imperador do Sacro Império.[242] Nos finais do século dezoito difundiu-se, assim, um novo estilo denominado isabelino, no qual se fundem as características do gótico flamejante com elementos de filiação mudéjar e os primeiros influxos renascentistas.[243]

Um dos expoentes deste período é a igreja de San Gil Abad em Burgos, onde a Capela da Natividade de Maria (1529) utiliza trompas para converter a planta quadrada em octogonal, sendo coroada por uma abóbada estrelada com óculo central. Na Capela da Dolorosa, destacam-se as liernes (nervuras terciárias) curvas, típicas do gótico tardio ibérico, enquanto a Capela dos Três Reis (1489) se caracteriza pela sua complexidade geométrica e chaves de abóbada altamente ornamentadas, refletindo a influência direta dos artesãos da Catedral de Burgos.

O gótico espanhol desta fase resultou de uma estreita colaboração entre arquitetos e artífices locais, alemães, flamengos e franceses. De entre os vultos mais marcantes destaca-se Juan Guas, autor do monastério de San Juan de los Reyes em Toledo. Trata-se de um convento franciscano dotado de uma sumptuosidade ornamental invulgar, repleto de programas esculturais. A igreja, encomendada diretamente pelos Reis Católicos, estava destinada a albergar o panteão real até à conquista de Granada (1492).[244] A Simón de Colonia deve-se, por sua vez, a Capilla del Condestable (1482-1494), inserida no interior da catedral de Burgos. Instituída pelo condestável hereditário de Castela, Pedro Fernández de Velasco, apresenta uma planta octogonal coroada por complexas agulhas e rendilhados flamejantes. O mesmo arquiteto trabalhou depois na exuberante fachada da igreja de São Paulo em Valladolid (1495-1505). A Espanha possui igualmente um vasto património de centros urbanos medievais, embora conserve menos edifícios civis góticos em comparação com a Itália ou a Flandres. Em excelente estado encontram-se os seus castelos, datados maioritariamente do século XV. Não faltam, todavia, referências excecionais do século anterior, como o castelo de Bellver, nos arredores de Palma de Maiorca, mandado construir para o rei Jaime II de Aragão. Possui uma planta perfeitamente circular e as dependências palacianas desenvolvem-se em redor de um pátio central, onde sobressai uma elegante galeria de dois pisos de arcadas. O corpo do castelo liga-se externamente à torre de menagem, também de planta circular.[245]

Reino de Castela

[editar | editar código]
Catedral de Zamora, abóbada de ogivas (1139-1174)

Na Península Ibérica, os elementos do gótico francês foram introduzidos pela ordem cisterciense e pelos monásticos de Cluny na segunda metade do século XII. Em mosteiros como o de Las Huelgas, próximo de Burgos, e nas catedrais de Zamora, Salamanca e Ciudad Rodrigo, prevaleceram inicialmente as formas do sudoeste e oeste francês.[246] Muito cedo se aplicaram as abóbadas de ogivas no interior de edifícios de matriz ainda plenamente românica, como no Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela ou na catedral de Zamora, esta que viria a influenciar também a Colegiata de Santa María la Mayor, em Toro. O estilo gótico na Península Ibérica apresenta variações surpreendentemente diferentes das do resto da Europa, fruto de um período de transição em que o final do românico alternava com raras expressões do gótico puro.[247]

Em 1172, o arquiteto francês Giral Fruchel projetou a primeira catedral gótica do território, a Catedral de Ávila, em Castela, que representa precisamente esta fusão entre o românico e o gótico.[248] Inspirado pela Basílica de Saint-Denis, o rei Afonso VIII de Castela exigiu para Ávila uma planta com capelas radiantes e duplo deambulatório. Dentro da catedral sobressaem os incomuns arcobotantes no cruzeiro e na nave, tendo sido uma das primeiras obras de arquitetura gótica da Espanha.[249][247][250] Entre os primeiros edifícios a empregar de forma coerente os elementos do estilo gótico contam-se a igreja de São Vicente e a própria catedral de Ávila, uma catedral-castelo, no qual as ameias, os mata-cães e as torres de vigia combinam com a sua estrutura.

No século XIII, contudo, deram-se mutações histórico-políticas fundamentais com repercussões diretas na arquitetura hispânica. Os muçulmanos perderam o controlo da maior parte da península: após a conquista de Sevilha em 1248, apenas o Reino de Granada permanecia sob o seu domínio. Os reinos de Castela, de Aragão e, mais tarde, de Maiorca afirmaram-se, a par do Reino de Portugal, como as novas potências ibéricas. É precisamente neste século XIII que o chamado Gótico Pleno (ou Alto Gótico) chegou com toda a sua força através das rotas de peregrinação do Caminho de Santiago, momento em que se ergueram as catedrais mais puras, estreitamente ligadas ao gótico francês e alemão.[251] Estas manifestam-se plenamente nas catedrais de Toledo, [[Burgos e Leão, localizadas nos territórios do Reino de Castela.[252]

Catedral de Burgos, trifório (1260)
Catedral de Leão, interior (iniciada por volta de 1255)

Muitas das catedrais ibéricas são completamente cercadas por capelas que, tal como nas catedrais inglesas, são frequentemente estilisticamente diversas. Na Catedral de Oviedo, a Sala Capitular (erguida entre 1293 e 1314) exemplifica esta diversidade com o seu abobadamento do grupo aquitano-espanhol, utilizando trompas nervuradas para cobrir uma planta quadrada com abóbada octogonal. A ausência de deambulatório em edifícios como a Catedral de Oviedo — que se diferencia de Baiona e Pamplona por este aspeto — deveu-se a razões litúrgicas e funcionais; se as relíquias eram conservadas num edifício independente (como a Câmara Santa), um deambulatório periférico perdia o sentido. Embora a Catedral de Leão seja frequentemente proposta como modelo para o novo San Salvador de Oviedo, a morfologia desta última revela uma relação mais estreita com a Catedral de Baiona, iniciada cerca de 1310.[253] É importante notar que o estilo gótico inclui também construções de menor qualidade e caráter mais popular, onde a rudeza técnica oculta modelos eruditos internacionais reinterpretados através de processos de popularização.[241]

Coroa de Aragão

[editar | editar código]

O desenvolvimento arquitetónico nesta região é indissociável da sua realidade política, social e territorial. A monarquia, consolidada a partir da época de Raimundo Berengário IV e da união com o Reino de Aragão, determinou as diretrizes da arquitetura eclesiástica e aliou-se à burguesia urbana e à aristocracia mercantil, impulsionando o crescimento institucional e o urbanismo das cidades.[254] A introdução do vocabulário gótico na cidade de Barcelona é atribuída aos dominicanos, cujo Convento de Santa Caterina (iniciado c. 1243) definiu o modelo de igreja de nave única com terminação poligonal e capelas entre contrafortes, tipologia de grande difusão na Catalunha nos séculos XIII e XIV.[255]

Durante a primeira metade do século XIII, verificou-se uma estagnação das formas românicas e a manutenção de contactos com a Itália e o Languedoc (Tolosa), especialmente nos centros secundários da Catalunya Vella. Contudo, sob o reinado de Jaime I (1213-1276), que redefiniu a política catalã com a conquista de Maiorca e Valência, o panorama alterou-se profundamente:[254]

Nas últimas décadas do século XIII, as novas formas góticas começaram a ser introduzidas nos maiores centros urbanos (Barcelona, Gerona, Perpinhão) e nas novas cidades reconquistadas ao Islão (Lérida, Tarragona, Tortosa, Palma de Maiorca, Valência), sendo sobrepostas e adaptadas à espacialidade e estruturas preexistentes.[254] Graças aos recursos disponíveis, a Igreja ergueu catedrais e paróquias nas zonas reconquistadas, como a Catedral de Tarragona, a antiga catedral de Lérida, Sant Llorenç, Sant Martí e Santa Maria de Agramunt. Em Barcelona, projetou-se uma nova sede episcopal e construiu-se a capela de Santa Llúcia, enquanto em Perpinhão se erguia a igreja de Saint-Jean-le-Vieux. O período foi ainda marcado pela atividade construtiva das grandes abadias cistercienses (Poblet, Santes Creus e Vallbona de les Monges), das ordens mendicantes (conventos de Santa Caterina e Sant Francesc, em Barcelona) e das ordens cavaleirescas (o Castelo de Peníscola, dos Templários, e a igreja de Sant Joan de l'Hospital, em Valência).[254]

A produção arquitetónica do século XIII incluiu a projeção da muralha de Barcelona, a ampliação do Palau Reial Major — onde se ergueu o Salão do Tinell, coberto por arcos-diafragma, recurso estrutural muito difundido na arquitetura civil e religiosa regional — e a fundação das drassanes (estaleiros navais) por Pedro III, o Grande (1281).[254][255] Somam-se a isto o palácio municipal de La Paeria, em Lérida, as capelas do Palais des Rois de Majorque, em Perpinhão, e as residências nobres como os castelos de Maldà e Verdú.[254]

Nos territórios da Coroa de Aragão (Catalunha, Baleares e Valência) — cuja expansão mediterrânica e urbana atingiu o apogeu sob Jaime II, Afonso III e Pedro, o Cerimonioso (1336–1387) —[254] desenvolveram-se características muito originais entre 1262 e 1393.[256] A encomenda régia sob Jaime II deu origem a obras marcantes como a Capela Palatina de Santa Ágata (1294–1316), projetada por Bertran Riquer sobre a muralha romana de Barcelona, com nave única com arcos-diafragma e abside poligonal, notável pela sua espacialidade sóbria e clara.[255] Em toda a região da Catalunha e nos domínios dos reis de Aragão, o modelo dominante foi o gótico meridional (do sul de França), caracterizado pela austeridade exterior e pela busca de espaços interiores unificados. As formas inspiraram-se inspiradas em parte pelas igrejas das ordens mendicantes, cuja forte presença urbana remontava ao século anterior,[254] que privilegiavam uma nave única ladeada por capelas laterais.

A igreja de Santa Maria do Pino, em Barcelona, iniciada c. 1305–1306 é dotada de fachada ocidental gótica, com rosácea, por Guillermo Martí (c. 1366–1368).[255][257] Esta tipologia paroquial é visível também em igrejas como Santa Maria do Mar e Santos Justo e Pastor (iniciada em 1342), em Barcelona, Sant Feliu, em Gerona, Santa Maria de l'Aurora, em Manresa, e nas igrejas homónimas de Santa Maria em Castelló d'Empúries, Cervera e Montblanc.[254][255]

No caso de Santa Maria del Mar, erguida a partir de 1328 pela corporação dos marinheiros e negociantes marítimos sob a direção do arquiteto Berenguário de Montagut e de Ramón Despuig, atingiu-se a máxima expressão do gótico catalão.[255] Composta por três naves de idêntica altura e pilares octogonais extremamente esguios, a estrutura aproxima-se das proporções de uma "igreja-salão" (Hallenkirche), alcançando uma espacialidade ampla e despida de ornatos supérfluos sem paralelo na região.[255]

Uma idêntica conceção espacial encontra-se em estruturas com múltiplas naves, como na catedral de Barcelona, iniciada em 1298 para substituir a já mencionada sede episcopal,[254] mas concluída apenas no século XIX. As capelas estão integradas na própria estrutura portante, fazendo com que as paredes divisórias assumam a função de contrafortes internos. Apresenta, além disso, arcadas altíssimas, reduzindo as janelas superiores a meros óculos. A nave central é coberta por quatro grandes tramos de abóbada quadrados, que descarregam o seu peso sobre as capelas, as tribunas e os contrafortes.[258][254] A Catedral de Valência (séculos XIII a XV), tornando-se mais tarde, no século XV, um dos grandes centros de concentração de recursos artísticos e públicos após a extinção da linhagem principal da casa real de Barcelona.[254]

A catedral de Gerona, iniciada em 1312, partilha traços semelhantes com a Catedral de Toledo, diferindo, no entanto, na elevação do coro, que conta com amplas janelas e um trifório aberto sobre as suas grandes arcadas. A reconstrução desta catedral trecentista substituiu a anterior estrutura românica, tendo o estaleiro contado com a colaboração de mestres locais, como a família Borrassà, na produção dos vitrais.[254] No século XV, o arquiteto Guillermo Bofill ergueu uma imensa nave única com possantes contrafortes para sustentar a abóbada, adossando-a face às três naves do santuário inicial. A transição e o fecho entre a nave e o transepto foram conseguidos através de uma parede frontal rasgada por três grandes rosáceas.[259]

Particularmente ambiciosa é a catedral de Palma de Maiorca, dotada de uma nave de proporções colossais, sustentada no exterior por uma verdadeira selva de contrafortes e arcobotantes. A estrutura começou a ser erguida nos primeiros anos do século XIV sobre o espaço urbano reconquistado na centúria anterior por Jaime I,[254] e a sua cabeceira ficou concluída em 1327. Por volta de meados do século, o estaleiro foi reaberto e os trabalhos prolongaram-se até ao século XVII. O coro não possui deambulatório e é mais baixo do que a nave, a qual carece de trifório, mas compensa com frestas e janelas rasgadas de grande altura. As abóbadas elevadíssimas são suportadas por esguios pilares octogonais.[260]

O modelo gótico da região expandiu-se fortemente na arquitetura civil e em grandes obras públicas laicas financiadas pelos municípios (sobretudo o de Barcelona) e pelas corporações profissionais. Destacam-se os palácios públicos (os palácios da Generalitat e os palácios municipais de Barcelona e Valência), as grandes lotas de mercadores (Llotges de Barcelona, Palma, Perpinhão e Valência), as ampliações das drassanes de Barcelona e hospitais como o da Santa Creu. Esta linguagem civil e religiosa viria a exercer uma influência direta noutras áreas do Mediterrâneo, servindo de modelo ao Castel Nuovo, em Nápoles, e ao Palazzo Bellomo, em Siracusa.[254]

Mosteiro de Santa Maria da Vitória na Batalha, fachada (1387)

A arquitetura gótica foi introduzida em Portugal nos finais do século XII, afirmando-se progressivamente ao longo dos séculos seguintes no contexto da consolidação do reino, da expansão da Igreja Católica e da afirmação da independência territorial. Afastando-se da escala e da monumentalidade das catedrais europeias contemporâneas, a arquitetura nacional dessa fase caracteriza-se por volumes contidos e depurados, condicionados pelos recursos locais – granito no norte, calcário macio na região de Coimbra e calcário lioz em Lisboa.[261]

Os primeiros a introduzir o estilo foram os monges cistercienses, que adotaram um modelo austero assente em ritmos modulares e abóbadas de canhão quebrado, patente na Abadia de Alcobaça (iniciada em 1178, fundada em 1152 por D. Afonso Henriques e habitada a partir de 1222).[262] Fundada para a Ordem de Cister, constitui o primeiro edifício inteiramente gótico do país. O claustro da Sé Velha de Coimbra insere-se igualmente nesta fase inicial. Contudo, a transição entre o românico e o gótico processou-se de forma lenta, persistindo estruturas românico-góticas ao longo dos séculos XIII e XIV, com o impulso das ordens monásticas e cavalheirescas (cluniacenses, cistercienses, templários, hospitalários e cavaleiros de Cristo), multiplicaram-se os complexos de caráter transitório, destacando-se o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro de Almoster junto a Santarém (1289), o Mosteiro de Odivelas (1295–1305) e o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde (fundado em 1318). Santarém afirmou-se como o principal centro dessa arquitetura de transição, reunindo, além de Almoster, as igrejas de Santa Cruz e de Santa Clara.[261]

Na região de Coimbra sobressai a igreja do Convento de Santa Clara, atribuída ao arquiteto Domingos Domingues, que se singulariza no panorama contemporâneo por apresentar cobertura integralmente abobadada, contrastando com o tradicional teto de madeira da arquitetura mendicante.[261] O mesmo vocabulário de transição manifesta-se no Mosteiro de Leça do Balio, em Matosinhos, e, no interior, na igreja do Mosteiro de Cete, em Paredes — esta última ainda marcada por uma espacialidade românica, embora munida de arcos apontados e capitéis vegetalistas.[261] Integram ainda este ciclo a cabeceira da igreja de Vera Cruz de Marmelar, no Alentejo, e a cabeceira da Sé de Lisboa.[263]

A assimilação das soluções estruturais góticas foi favorecida por contactos com o litoral ocidental francês e relações dinásticas com a Casa de Évreux, introduzindo modelos que articulavam Portugal e as Astúrias ao sudoeste de França.[253] A estereotomia do período dependia das matérias-primas regionais: o granito no norte, o calcário macio na região de Coimbra e a pedra-lioz em Lisboa.

A consolidação plena do gótico ocorre no século XIV, impulsionada pelo estabelecimento das ordens mendicantes — franciscanos, agostinhos, carmelitas e dominicanos —, cujas fundações acompanharam o crescimento dos centros urbanos. A vertente mendicante do gótico português definiu-se pela sobriedade formal: plantas de três naves cobertas a madeira, ausência de abóbadas na nave central, iluminação por clerestório sobre as arcadas e transeptos salientes com capelas de cabeceira abobadadas em pedra. Exemplificam esta tipologia os conventos de São Francisco de Santarém, São Francisco do Porto, São Francisco de Estremoz, São Domingos de Évora e o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra.[261] Os conventos femininos adaptaram a espacialidade às exigências da clausura: a nave surgia frequentemente dividida em dois tramos, reservando o setor ocidental às religiosas e a zona anterior aos fiéis, disposição que condicionou a eliminação do portal ocidental em favor de acessos na fachada sul.[263] Simultaneamente, as ordens militares desempenharam um papel decisivo na difusão da nova linguagem arquitetónica, como se observa na igreja de São João de Alporão em Santarém, no Mosteiro de Leça do Balio (Hospitalários) e na Igreja de Santa Maria dos Olivais em Tomar (fundação templária). Juntamente com a Sé de Évora, estes dois últimos edifícios definem os marcos do gótico inicial português (segunda metade do século XIII ao primeiro quartel do século XIV).[261]

As sés episcopais, como as do Porto, Coimbra, Lamego e Lisboa, iniciadas no período românico, foram concluídas segundo princípios góticos, incorporando frequentemente claustros de influência cistercense. No Porto, além do corpo românico e do claustro da Sé, destacam-se a igreja de São Francisco — inserida no ciclo estilístico da Batalha — e a muralha fernandina.[261] Por seu turno, a Sé de Évora (séculos XIII–XIV) e a Sé de Silves (séculos XIV–XV) configuram-se como estruturas plenamente góticas. Segundo o historiador Mário Tavares Chicó, a Sé de Silves figura entre os exemplares góticos mais expressivos do sul do país, refletindo a irradiação estilística do estaleiro da Batalha, cuja influência se prolongou no Algarve entre os finais do século XIV e os finais do século XV, acompanhando a evolução formal desde o risco de Afonso Domingues até à época manuelina.[261] Este surto construtivo desenvolveu-se essencialmente nos reinados de D. Afonso III (1248–1279), D. Dinis (1279–1325) e D. Afonso IV (1325–1357).[264]

A arquitetura paroquial e vicinal manteve, em muitos casos, arcaísmos paleocristãos, visigóticos e românicos: naves únicas rematadas por capela-mor poligonal sob arco ogival e fachadas depuradas, com portais em ogiva encimados por óculos ou rosáceas modestas, como se observa na Igreja da Graça em Santarém, na Matriz da Lourinhã e nas igrejas de São Pedro de Arganil, São Salvador de Travanca e Santo André de Mafra.[263] No conjunto das edificações góticas totalmente abobadadas em pedra contam-se apenas o Mosteiro de Alcobaça, Santa Clara-a-Velha, a Sé de Évora, a Sé da Guarda e o Mosteiro da Batalha.[263]

Mosteiro da Batalha, as Capelas Imperfeitas (século XV)

No decorrer do século XIV, o ritmo das empreitadas abrandou, renovando-se sob a dinâmica da dinastia de Avis no reinado de D. João I (1385–1433), fase designada por gótico joanino.[265] O monumento nuclear desta etapa é o Mosteiro de Santa Maria da Vitória na Batalha (iniciado em 1387), erguido em cumprimento do voto formulado na batalha de Aljubarrota. A estrutura reflete um ecletismo formal: no início do século XV, o estaleiro incorporou soluções do gótico flamejante e uma fachada de acentuada horizontalidade, alinhada com o estilo perpendicular inglês. O estaleiro batalhino converteu-se no centro difusor da arquitetura portuguesa dos séculos XV e XVI, reunindo mestres e escultores que fixaram os modelos do gótico em todo o reino.[261] A sua influência propagou-se por intermédio de mestres formados na Batalha, chamados a dirigir obras em diversas regiões, como na igreja-colegiada de Guimarães e no Convento do Carmo em Lisboa — este último fundado por D. Nuno Álvares Pereira e arruinado no terramoto de 1755.[261] Sob a ação de D. João I, a linguagem da Batalha estendeu-se ao norte através do Convento de São Domingos em Vila Real, da igreja-colegiada de Barcelos e da igreja matriz de Ponte de Lima, enquanto no centro se manifestou na Sé da Guarda.[261] A este ciclo filiam-se ainda a Capela de Nossa Senhora da Pena (Leiria), a Igreja da Graça (Santarém), a igreja paroquial da Lourinhã e a igreja matriz de Tavira.[261]

Na segunda metade do século XV, mantiveram-se as intervenções nos estaleiros nortenhos; contudo, a modéstia financeira das comunidades locais limitava a contratação de mestres da Batalha, perpetuando soluções de filiação românica executadas por artífices regionais.[261] No centro e sul do território destacam-se, neste período, a Sinagoga de Tomar, a Igreja de Santiago de Marvão, a Matriz de Tavira, a Sé de Faro e a Sé de Silves.[261]

Na Batalha definiu-se igualmente o primeiro panteão régio do país, materializado na Capela do Fundador (1434). O rei D. Duarte I de Portugal iniciou posteriormente a construção de uma rotunda fúnebre octogonal adossada à capela-mor, que permaneceu inacabada (designada Capelas Imperfeitas).[262]

D. Manuel I (1495–1521) impulsionou a conclusão da rotunda das Capelas Imperfeitas, acrescentando sete capelas radiais e um monumental portal esculpido por Mateus Fernandes. O seu reinado marca a afirmação do estilo manuelino, variante do gótico tardio alimentada pelos recursos económicos e pelo contexto cultural dos Descobrimentos. O manuelino articulou a exuberância decorativa do gótico final com uma iconografia naturalista, heráldica e marítima. A expressão paradigmática do estilo encontra-se na janela do Capítulo do Convento de Cristo em Tomar (1510–1514), projetada por Diogo de Arruda. Constituem igualmente marcos fundamentais desta corrente o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, em Lisboa, o Convento de Jesus em Setúbal e o portal da sacristia de Alcobaça.[266][267]

O fim do predomínio do gótico

[editar | editar código]

A partir de meados do século XV, o estilo gótico perdeu gradualmente a sua predominância na Europa. Ele nunca havia sido popular na Itália e, em meados do século XV, os italianos, recorrendo às ruínas da Roma antiga, retornaram aos modelos clássicos. A cúpula da Catedral de Florença (1420–1436), de Filippo Brunelleschi, inspirada no Panteão de Roma, foi um dos primeiros marcos do Renascimento, mas também empregou tecnologia gótica; a camada externa da cúpula era sustentada por uma estrutura de vinte e quatro nervuras.[268] No século XVI, à medida que a arquitetura renascentista vinda da Itália começava a aparecer na França e em outros países da Europa, o estilo gótico passou a ser descrito como ultrapassado, feio e até bárbaro, por autores como Giorgio Vasari.[269] [270] No século XVII, Molière também ridicularizou o estilo gótico no poema de 1669 La Gloire: «[...] o gosto insípido da ornamentação gótica, essas monstruosidades odiosas de uma época ignorante, produzidas pelas torrentes da barbárie [...]».[271] Os estilos dominantes na Europa passaram a ser, sucessivamente, a arquitetura renascentista italiana, a arquitetura barroca e o grande classicismo do estilo Luís XIV.[272]

Os reis da França tiveram conhecimento direto do novo estilo italiano devido à campanha militar de Carlos VIII em Nápoles e Milão (1494) e, sobretudo, às campanhas de Luís XII e Francisco I em Itália, que permitiram estabelecer e posteriormente recuperar o controlo francês sobre o Milanesado, bem como exercer domínio sobre Génova.[273] Trouxeram pinturas, esculturas e projetos arquitetónicos italianos e, mais importante, artesãos e artistas italianos. O cardeal Georges d'Amboise, ministro-chefe de Luís XII, construiu o Castelo de Gaillon, perto de Ruão (1502–1510), com a assistência de artesãos italianos. O Castelo de Blois (1515–1524) introduziu a loggia renascentista e a escadaria aberta. Francisco I instalou Leonardo da Vinci no seu Castelo de Chambord em 1516 e introduziu uma galeria longitudinal renascentista no Palácio de Fontainebleau entre 1528 e 1540. Em 1546, Francisco I iniciou a construção do primeiro exemplo de classicismo francês, o pátio quadrado do Palácio do Louvre, projetado por Pierre Lescot.[274]

Novas igrejas góticas erguidas em Paris nesse período incluíram a igreja de Saint-Merri (1520–1552) e a igreja de Saint-Germain-l’Auxerrois. Os primeiros sinais do classicismo nas igrejas parisienses só começam a aparecer partir de 1540, na igreja de São Gervásio e São Protásio. A maior nova igreja, a Igreja de Santo Eustáquio (1532–1560), rivalizava com Notre-Dame em tamanho, com 105 m (344 ft) de comprimento, 44 m (144 ft) de largura e 35 m (115 ft) de altura. À medida que a construção dessa igreja continuava, elementos de decoração renascentista, incluindo o sistema de ordens clássicas de colunas, foram adicionados ao projeto, tornando-a um eclético gótico-renascentista.[275]

Na Alemanha, alguns elementos italianos foram introduzidos na Capela Fugger da Igreja de Santa Ana, em Augsburgo (1510–1512), combinados com abóbadas góticas; e outros apareceram na Igreja de São Miguel em Munique, mas na Alemanha os elementos renascentistas foram usados principalmente para decoração.[274] Alguns elementos renascentistas também apareceram na Espanha, no novo palácio iniciado pelo imperador Carlos V em Granada, dentro da Alhambra (1485–1550), inspirado por Bramante e Rafael, mas nunca foi concluído.[276] A primeira grande obra renascentista na Espanha foi o Mosteiro de El Escorial, o mosteiro-palácio construído por Filipe II de Espanha.[277]

Sob Henrique VIII e Isabel I, a Inglaterra ficou em grande parte isolada dos desenvolvimentos arquitetónicos do continente. O primeiro edifício clássico na Inglaterra foi a antiga Somerset House, em Londres (1547–1552) (já demolida), construída por Eduardo Seymour, 1.º Duque de Somerset, que foi regente como Lorde Protetor de Eduardo VI até o jovem rei atingir a maioridade em 1547. O sucessor de Somerset, John Dudley, 1.º Duque de Northumberland, enviou o estudioso de arquitetura John Shute à Itália para estudar o estilo. Shute publicou o primeiro livro em inglês sobre arquitetura clássica em 1570. As primeiras casas inglesas no novo estilo foram Burghley House (décadas de 1550–1580) e Longleat, construídas por associados de Somerset.[278] Com esses edifícios, uma nova era da arquitetura começou na Inglaterra.[279]

Os projetos tradicionais no estilo Gótico perpendicular estenderam-se pelo século XVII, e tanto a arquitetura elisabetana quanto a jacobina incorporaram elementos góticos, especialmente em igrejas.[272]

A Irlanda era uma ilha de arquitetura gótica nos séculos XVII e XVIII, com a construção da Catedral de Derry (concluída em 1633), da Catedral de Sligo (cerca de 1730) e da Catedral de Down (1790–1818) como outros exemplos notáveis.[280]

A arquitetura de inspiração clássica só passou a predominar definitivamente após o Grande Incêndio de Londres (1666). A reconstrução da cidade foi tão vasta que o volume de trabalho quebrou o monopólio da guilda medieval de pedreiros (Worshipful Company of Masons), e a função do mestre-pedreiro foi substituída pela figura do arquiteto moderno. A nova Catedral de São Paulo, projetada por Christopher Wren, bem como as suas outras igrejas londrinas, dispensaram a linguagem gótica em favor de um registo clássico.[272]

Contudo, fora de Londres, novas construções e restauros eclesiásticos ainda eram feitos em estilo gótico, particularmente perto das cidades universitárias históricas de Oxford e Cambridge, onde as faculdades (colleges) foram importantes patronos da construção gótica seiscentista.[272] Nos séculos XVII e XVIII, vários edifícios góticos importantes foram construídos na Universidade de Oxford e na Universidade de Cambridge, incluindo a Torre Tom em Christ Church, Oxford, de Christopher Wren (1681–1682).[272]

Por volta do século XVIII, alguns arquitetos ainda trabalhavam ocasionalmente com o gótico, embora a tradição viva do artesanato medieval tivesse desaparecido e os seus desenhos raramente se assemelhassem aos edifícios medievais. Também apareceram, de forma fantasiosa, a vila de Twickenham de Horace Walpole e Strawberry Hill (1749–1776). As duas torres ocidentais da Abadia de Westminster foram construídas entre 1722 e 1745 por Nicholas Hawksmoor, inaugurando o novo período do Neogótico.[272]

A linguagem arquitetónica do gótico medieval só foi verdadeiramente reaprendida no final do século XVIII e no século XIX com o aparecimento do Neogótico, impulsionado pelos esforços académicos de historiadores de arte como Thomas Rickman e Matthew Holbeche Bloxam, cuja obra The Principles of Gothic Ecclesiastical Architecture foi publicada em 1829.[281]

A par das novas construções neogóticas do século XIX, muitos dos edifícios góticos existentes na Inglaterra foram extensivamente reparados, restaurados e reconstruídos. Os arquitetos procuravam adaptá-los à estética romântica e de «Alta Igreja» anglicana (High Church) do Movimento de Oxford, tentando repor características medievais perdidas durante as fases iconoclastas da Reforma Protestante, da Dissolução dos Mosteiros e das Guerras dos Três Reinos. Nesse processo de «restauro vitoriano», muita da arquitetura gótica original da Idade Média foi perdida ou alterada irreconhecivelmente; por outro lado, obras medievais inacabadas foram concluídas. Segundo James Stevens Curl, o renascimento da arquitetura gótica foi «indiscutivelmente, o fenómeno artístico mais influente que alguma vez surgiu em Inglaterra».[272]

Ver também

[editar | editar código]

Gótico Medieval

[editar | editar código]

Arquitetura Gótica

[editar | editar código]

Referências

  1. ↑ Rolf Toman (org.) (2009). Gótico. Arquitectura, Escultura, Pintura. [S.l.]: Konemann. 8 páginas
  2. ↑ Brousse 2014, p. 31.
  3. ↑ O'Reilly, Elizabeth Boyle (1 de agosto de 2022). How France Built Her Cathedrals: A Study in the Twelfth and Thirteenth Centuries (em inglês). [S.l.]: DigiCat. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2025
  4. ↑ Haskins, Charles Homer (1927). The Renaissance of the Twelfth Century. [S.l.]: Harvard University Press
  5. ↑ Proença, Graça (2007). História da Arte. São Paulo: Ática. p. 72
  6. 1 2 3 4 5 6 Marcel Aubert (1933). «GOTICA, ARTE». Enciclopedia Italiana. Istituto dell'Enciclopedia Italiana. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2026
  7. 1 2 von Simon 1991, p. 27-40.
  8. ↑ Gombrich, E. H. (1963). The Story of Art. [S.l.]: Phaidon. OCLC 43255007
  9. ↑ Dieter Kimpel; Antonio Cadei (1991). «Architettura: Secoli 13°-14°». Enciclopedia dell'Arte Medievale (em italiano). Istituto dell'Enciclopedia Italiana. Consultado em 7 de maio de 2026. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
  10. ↑ Günther Binding (1989). «Opus Francigenum. Ein Beitrag zur Begriffsbestimmung» (PDF). Archiv für Kulturgeschichte (em alemão) (71): 45-46. Cópia arquivada (PDF) em 13 de setembro de 2024
  11. ↑ Bogdanović, Jelena (2010). «Opus Francigenum». In: Robert E. Bjork. The Oxford Dictionary of the Middle Ages. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-866262-4. doi:10.1093/acref/9780198662624.001.0001. Consultado em 9 de abril de 2020. Arquivado do original em 10 de abril de 2020
  12. ↑ Bannister Fletcher, p. 524.
  13. ↑ Pierre-Yves Le Pogam, Le paysage artistique vers 1500 : les mots et les choses, em Élisabeth Taburet-Delahaye (Dir.) France 1500. Entre Moyen Âge et Renaissance, Paris, RMN, 2010 ISBN 978-2-7118-5699-2, p. 31-37.
  14. ↑ «"Gotz" é traduzido como "Hunos" na tradução inglesa de Thomas Urquhart».
  15. ↑ «Gothic Architecture». Loyola's Historic Architecture. Loyola University Maryland. Consultado em 24 de maio de 2020. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2020
  16. ↑ Bunse, Heinrich. Línguas germânicas. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1983.
  17. ↑ Bassetto, Bruno Fregni. Elementos de Filologia Românica. São Paulo: Edusp, 2013.
  18. ↑ Neto, Serafim da Silva. História da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Presença, 1979.
  19. ↑ «Gothique ou Opus Francigenum: une architecture sans frontières venue de France». Ehne.fr (em inglês). Consultado em 4 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 14 de dezembro de 2025
  20. ↑ Roland Recht, L'élimination du chapiteau à l'époque gothique : vers un "6e ordre" d'architecture ? em Comptes-rendus des séances de l'Académie des Inscriptions et Belles-Lettres, volume 146, número 3, 2002, p. 1033 - Ler online / consultado a 25 de fevereiro de 2020)
  21. ↑ Vasari, Giorgio. The Lives of the Artists. Traduzido com introdução e notas por J. C. e Peter Bondanella. Oxford: Oxford University Press (Oxford World's Classics), 1991, pp. 117 & 527, ISBN 9780199537198.
  22. ↑ Vasari, Giorgio; Gerard Baldwin Brown, ed. (1907). [ Vasari on technique: being the introduction to the three arts of design, architecture, sculpture and painting, prefixed to the Lives of the most excellent painters, sculptors and architects]. Traduzido por Louisa S. Maclehose. Londres: Dent, pp. b & 83.
  23. ↑ Lepine, Ayla & Laura Cleaver. Gothic Legacies: Four Centuries of Tradition and Innovation in Art and Architecture. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars Publishing, p. 162.
  24. ↑ Gombrich, Ernst H. "The Renaissance Conception of Artistic Progress and Its Consequences", em Gombrich on the Renaissance, Volume 1: Norm and Form. Londres: Phaidon, 1985, p. 1.
  25. ↑ Kimball, Fiske; Edgell, George Harold (2001). History of Architecture (em inglês). [S.l.]: Research & Education Association. p. 215. ISBN 978-0-87891-383-1
  26. ↑ «STYLE 1200» (em francês). Encyclopædia Universalis. Consultado em 8 de janeiro de 2025. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2026
  27. ↑ Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul. «Selvageria Gótica: a invenção de um estilo» (PDF). pp. 15–22. Consultado em 12 de maio de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 8 de maio de 2023
  28. ↑ Bolton, A. T. (1925). «St Paul's Cathedral». Oxford University Press. II: 15–20
  29. ↑ Darke, Diana. Stealing from the Saracens: How Islamic Architecture Shaped Europe. Londres: C. Hurst & Co, 2020. p. 7.
  30. ↑ Lepine, Ayla & Laura Cleaver. Gothic Legacies: Four Centuries of Tradition and Innovation in Art and Architecture. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars, p. 164.
  31. ↑ «Sir Christopher Wren». Dean and Chapter of Westminster. Consultado em 30 de julho de 2023. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2025
  32. ↑ Darke, Diana. Stealing from the Saracens: How Islamic Architecture Shaped Europe. Londres: C. Hurst & Co, 2020, p. 36.
  33. ↑ Darke, Diana. Stealing from the Saracens: How Islamic Architecture Shaped Europe. Londres: C. Hurst & Co, 2020, p. 4.
  34. ↑ Raquejo, Tonia. "The 'Arab Cathedrals': Moorish Architecture as Seen by British Travellers". The Burlington Magazine, 128, no. 1001 (August 1986), p. 556.
  35. ↑ Raquejo, Tonia. "The 'Arab Cathedrals': Moorish Architecture as Seen by British Travellers". The Burlington Magazine, 128, no. 1001 (agosto de 1986), p. 556.
  36. ↑ Darke, Diana (2020). Stealing from the Saracens: How Islamic Architecture Shaped Europe. London: C. Hurst & Co. p. 207
  37. ↑ Darke, Diana (2020). Stealing from the Saracens: How Islamic Architecture Shaped Europe. London: C. Hurst & Co. p. 207
  38. ↑ Warren, John (1991). «Creswell's Use of the Theory of Dating by the Acuteness of the Pointed Arches in Early Muslim Architecture». Muqarnas. 8: 59–65. doi:10.2307/1523154
  39. 1 2 3 Nunes, Paulo Simões (2024). História da Cultura e das Artes 10. Lisboa: Raiz Editora. ISBN 978-989-744-428-9
  40. ↑ Le Roy Ladurie (Emmanuel), Histoire de France des régions, Seuil, 2001, p. 284.
  41. ↑ Editores (1998). «Robert de Sorbon». Britânica Online. Cópia arquivada em 11 de setembro de 2026
  42. ↑ Christine Le Goff, Gary Glassman, documentário Les Cathédrales dévoilées, 2011, síntese das últimas descobertas arqueológicas e historiográficas sobre o gótico em França.
  43. ↑ Kraus, Henry (1991). À prix d'or. Le financement des cathédrales. [S.l.]: Cerf. 368 páginas.
  44. ↑ «Le Patrimoine de Pontigny dans l'Yonne (89)» (em francês). Mairie de Pontigny. Consultado em 26 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 30 de agosto de 2026
  45. 1 2 Chambers, W. & R. (1860–1868). «Gothic Architecture». Chambers's Encyclopaedia: A Dictionary of Universal Knowledge for the People. V. Londres e Edimburgo: W. and R. Chambers. pp. 25–31
  46. ↑ Mário Jorge da Câmara de Sequeira Barroca (2000). A Arquitectura Religiosa Gótica em Portugal no Século XIV: O Tempo dos Experimentalismos (Tese de Doutoramento em História da Arte). Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
  47. ↑ Raeburn 1980, p. 102.
  48. 1 2 Watkin 1986, pp. 108–109.
  49. ↑ Erlande-Brandenburg 1983, pp. 34–41.
  50. ↑ Schurr 2010.
  51. ↑ Caillet 1995, pp. 182–185.
  52. ↑ Charles Herbert Moore (1890). «Chapter II: Gothic Architecture in France». Development and Character of Gothic Architecture. Londres e Nova Iorque: Macmillan and Co. p. 38
  53. ↑ Watkin 1986, pp. 126–128.
  54. ↑ Martindale 1993, pp. 17–18.
  55. 1 2 Martindale 1993, pp. 20–22.
  56. ↑ Joris-Karl Huysmans, La Cathédrale, 1898.
  57. ↑ Alain Erlande-Brandenburg e Anne-Bénédicte Mérel-Brandenburg (1995). Histoire de l'architecture française du Moyen Âge à la Renaissance (em francês). [S.l.]: Éditions Mengès / Éditions du Patrimoine. ISBN 978-2-85620-367-5
  58. ↑ Kimpel & Suckale 1990, pp. 65–72.
  59. ↑ Martindale 1993, pp. 24–26.
  60. ↑ Mignon 2015, pp. 10–11.
  61. 1 2 3 Ducher, Robert (1988). Caractéristique des Styles. Paris: Flammarion. p. 48. ISBN 2-08-011359-3
  62. ↑ David Watkin (2007). Storia dell'architettura occidentale. traduzione italiana. Bolonha: Zanichelli. p. 139
  63. ↑ Louis Grodecki (1978). Architettura gotica. con contributi di Anne Prache e Roland Recht, traduzione italiana di Anna Bacigalupo. Milão: Electa. p. 55
  64. 1 2 3 4 David Watkin (2007). Storia dell'architettura occidentale. traduzione italiana. Bolonha: Zanichelli. pp. 139–140
  65. ↑ Richard Pestell (1981). «The design sources for the cathedrals of Chartres and Soissons». Art History. 4 (1): 1-13
  66. 1 2 Jean-Marie Guillouët (2005). Memento Gisserot d'architecture gothique. [S.l.]: Éditions Jean-Paul Gisserot. p. 21
  67. ↑ Arnaud Timbert (2014). Chartres : Construire et restaurer la cathédrale (século XI-século XXI). [S.l.]: Presses Universitaires du Septentrion. p. 41
  68. ↑ Arnaud Timbert (2014). Chartres : Construire et restaurer la cathédrale (século XI-século XXI). [S.l.]: Presses Universitaires du Septentrion. p. 40
  69. ↑ Alain Erlande-Brandenburg (2004). L'art gothique. [S.l.]: Citadelles & Mazenod. p. 511
  70. ↑ Lucien Musset (1988). Inglaterra Românica. Col: A Noite do Tempo. 1. [S.l.]: Zodíaco. ISBN 978-2-7369-0032-8
  71. 1 2 3 4 Bony 1985, p. 212.
  72. ↑ Mignon 2015, p. 24.
  73. ↑ Roland Recht (1999). Le croire et le voir : l'art des cathédrales (XIIe-XVe siècle). [S.l.]: Gallimard. pp. 205 e seguintes
  74. ↑ David Watkin (2007). Storia dell'architettura occidentale. tradução italiana. Bolonha: Zanichelli. p. 141
  75. ↑ David Watkin (2007), p. 142.
  76. 1 2 Branner 1962, p. 39-51.
  77. 1 2 Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milão: Electa. p. 50
  78. 1 2 3 4 5 Castelnuovo, Enrico (2014). «Il gotico d'oltralpe». Enciclopedia Treccani (em italiano). Consultado em 7 de junho de 2026
  79. ↑ David Watkin (2007). Storia dell'architettura occidentale. traduzione italiana. Bolonha: Zanichelli. p. 144
  80. ↑ Yves Gallet (2010). Philippe Plagnieux, ed. «Le style rayonnant en France (1240-1360)». Paris: Citadelles-Mazenod. L’art du Moyen Âge en France: 321-381
  81. 1 2 3 David Watkin (2007). Storia dell'architettura occidentale. tradução italiana. Bolonha: Zanichelli. p. 145
  82. 1 2 3 4 5 Schurr, Marc Carel (2010). «Art and architecture: Gothic». In: Bjork, Robert E. The Oxford Dictionary of the Middle Ages. Oxford University Press. ISBN 978-0-19-866262-4. doi:10.1093/acref/9780198662624.001.0001/acref-0198662624-e-0540. Consultado em 9 de abril de 2020. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2022
  83. 1 2 B. Kurmann-Schwarz (2000). «Vetrata». Enciclopedia dell'Arte Medievale. Treccani. Consultado em 22 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 1 de dezembro de 2024
  84. 1 2 3 4 Alain Erlande-Brandenburg, Architecture romane, Architecture gothique, Jean-Paul Gisserot, 2002 ISBN 978-2-87747-682-9.
  85. 1 2 3 David Watkin (2007). Storia dell'architettura occidentale. traduzione italiana. Bolonha: Zanichelli. p. 147
  86. ↑ Martindale 1993, p. 89.
  87. ↑ Ducher 1988, p. 58.
  88. 1 2 Curl, James Stevens; Wilson, Susan, eds. (2015), «Gothic», A Dictionary of Architecture and Landscape Architecture, ISBN 978-0-19-967498-5 (em inglês) 3rd ed. , Oxford University Press, doi:10.1093/acref/9780199674985.001.0001, consultado em 9 de abril de 2020, cópia arquivada em 12 de janeiro de 2021
  89. ↑ Curl, James Stevens; Wilson, Susan, eds. (2015). Flamboyant. A Dictionary of Architecture and Landscape Architecture (em inglês) 3 ed. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-967498-5. doi:10.1093/acref/9780199674985.001.0001. Consultado em 28 de junho de 2020. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2022
  90. ↑ Watkin 1986, p. 139.
  91. ↑ Renault & Lazé (2006), p. 37.
  92. ↑ «Hôtel de ville de Compiègne». encyclopedie.picardie.fr (em francês). 2014. Consultado em 15 de março de 2017. Cópia arquivada em 29 de setembro de 2022
  93. ↑ Lafond, Jean (1973). «Le peintre-graveur E.-Hyacinthe Langlois, "parrain " du style gothique flamboyant». Bulletin de la Société nationale des Antiquaires de France. 1971 (1): 313–317. doi:10.3406/bsnaf.1973.8078
  94. ↑ «A Guide to English Gothic Architecture». Historic England. Consultado em 24 de agosto de 2026
  95. ↑ Editors of Encyclopædia Britannica. «Perpendicular style». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 23 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 4 de fevereiro de 2026
  96. ↑ Guyotjeannin, Olivier; Plagnieux, Philippe (2006). «Documents comptables et histoire de la construction, Guy de Dammartin et la cheminée de la grande salle de Poitiers». Bulletin Monumental (em francês). 164 (4): 377–382. doi:10.3406/bulmo.2006.1385. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2026
  97. ↑ Watkin (2007), p. 164.
  98. 1 2 3 4 5 6 7 Jannic Durand (1989). L'art du Moyen Âge (em francês). Paris: Bordas. 111 páginas. ISBN 978-2-04-018507-7
  99. 1 2 3 4 5 6 7 Ducher, Robert (1963). Pierre Devinoy, ed. Caractéristiques des styles (em francês). Paris: Flammarion. p. 80. 410 páginas. ISBN 978-2-08-011359-7
  100. 1 2 3 Erlande-Brandenburg, Alain (25 de março de 2017). «Gothique art». Encyclopædia Universalis (em francês). Cópia arquivada em 13 de setembro de 2026
  101. ↑ Palustre, Léon (1892). Ancienne Maison Quentin, Libraires-Imprimerie réunies, ed. L'architecture de la Renaissance (em francês). Paris, 7 rue Saint-Benoît: [s.n.] ISBN 978-1-5087-0118-7
  102. ↑ Nivet, Jean (1984). «Sainte-Croix d'Orléans». Bulletin de la Société Archéologique et Historique de l'Orléanais (em francês) (hors-série): 64, 72
  103. ↑ «Gothique». Larousse (em francês). Consultado em 20 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 20 de agosto de 2026
  104. 1 2 Curl, James Stevens; Wilson, Susan, eds. (2015), «Perpendicular», A Dictionary of Architecture and Landscape Architecture, ISBN 978-0-19-967498-5 (em inglês) 3rd ed. , Oxford University Press, doi:10.1093/acref/9780199674985.001.0001, consultado em 16 de maio de 2020
  105. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milão: Electa. p. 40
  106. ↑ Curl, James Stevens; Wilson, Susan, eds. (2015), «Gothic», A Dictionary of Architecture and Landscape Architecture, ISBN 978-0-19-967498-5 (em inglês) 3rd ed. , Oxford University Press, doi:10.1093/acref/9780199674985.001.0001, consultado em 9 de abril de 2020
  107. 1 2 3 4 Rickman, Thomas (1848) [1812]. An Attempt to Discriminate the Styles of Architecture in England: From the Conquest to the Reformation (em inglês) 5th ed. London: J. H. Parker. pp. lxiii. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
  108. 1 2 Sharpe, Edmund (1871) [1851]. The Seven Periods of English Architecture Defined and Illustrated (em inglês). London: E. & F. N. Spon. 8 páginas. Cópia arquivada em 11 de setembro de 2026
  109. ↑ Clifton-Taylor, Alec (1968). The Cathedrals of England. Londres: Book Club Associates. p. 74
  110. ↑ Stewart, Charles Anthony (2014). «Architectural Innovation in Early Byzantine Cyprus». Architectural History. 57: 1–29. doi:10.1017/S0066622X00001362
  111. ↑ James 2016, pp. 53–54.
  112. ↑ Parker, John (2016). Winchester Stone (em inglês). [S.l.: s.n.]
  113. ↑ Pevsner (1968), p. 118.
  114. 1 2 3 Fawcett, Richard (1997). Scottish Cathedrals. Londres: Batsford. p. 28
  115. ↑ Woodman, Francis (1981). The Architectural History of Canterbury Cathedral. Londres: Routledge & Kegan Paul. pp. 87–89
  116. ↑ Woodman, Francis (1981). The Architectural History of Canterbury Cathedral. Londres: Routledge & Kegan Paul. pp. 87–89
  117. ↑ Woodman, Francis (1981). The Architectural History of Canterbury Cathedral. Londres: Routledge & Kegan Paul. p. 115
  118. ↑ Woodman, Francis (1981). The Architectural History of Canterbury Cathedral. Londres: Routledge & Kegan Paul. pp. 125–126
  119. ↑ Woodman, Francis (1981). The Architectural History of Canterbury Cathedral. Londres: Routledge & Kegan Paul. pp. 109–126
  120. ↑ Binski, Paul (2004). Becket's Crown: Art and Imagination in Gothic England, 1170-1300. New Haven: Yale University Press. pp. 31–33
  121. ↑ Binski, Paul (2004). Becket's Crown: Art and Imagination in Gothic England, 1170-1300. New Haven: Yale University Press. pp. 33–34
  122. ↑ Toman 1997, p. 244.
  123. ↑ Watkin 1986, p. 145.
  124. ↑ Watkin (2007), pp. 153–157.
  125. ↑ Watkin (2007), pp. 153–155.
  126. ↑ «Catedral de Salisbury». Dicionários Porto Editora. Infopédia. Consultado em 24 de agosto de 2026
  127. ↑ Watkin (2007), pp. 156–157.
  128. ↑ «Abadia de Westminster». Infopédia. Cópia arquivada em 14 de agosto de 2026
  129. 1 2 Watkin (2007), pp. 157.
  130. ↑ Grodecki (1978), p. 108.
  131. ↑ Prina, Francesca (2009). Storia dell'architettura gotica. Milão: Electa. p. 76
  132. ↑ Grodecki (1978), pp. 109–110.
  133. ↑ Watkin (2007), pp. 159.
  134. ↑ Hendrix (2010), p. 207.
  135. ↑ Lindley, P. G. (1994). «Ely». Enciclopedia dell'Arte Medievale. Istituto della Enciclopedia Italiana
  136. 1 2 3 Citação:
  137. ↑ William Richard Lethaby (1906). Westminster Abbey & the King's Craftsmen: A Study of Mediæval Building (em inglês). [S.l.]: E. P. Dutton. ISBN 978-0-405-08745-5. Cópia arquivada em 27 de agosto de 2025
  138. 1 2 3 John H. Harvey (1946). «St. Stephen's Chapel and the Origin of the Perpendicular Style». The Burlington Magazine for Connoisseurs. 88 (521): 192–199. ISSN 0951-0788. JSTOR 869300. Cópia arquivada em 30 de agosto de 2025
  139. ↑ John Hooper Harvey (1978). The Perpendicular Style, 1330-1485 (em inglês). Londres: Batsford. 105 páginas. ISBN 978-0-7134-1610-7. Cópia arquivada em 4 de setembro de 2025
  140. ↑ Alec Clifton-Taylor (1967). The Cathedrals of England. Col: World of Art. Londres: Thames & Hudson. 196 páginas. ISBN 0-500-20062-9. OCLC 2631377
  141. ↑ Tom Peterkin (4 de junho de 2008). «St Paul's Cathedral opens new South Churchyard». The Daily Telegraph (em inglês). ISSN 0307-1235. Consultado em 28 de agosto de 2020. Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2022
  142. ↑ Watkin 1986, p. 152.
  143. ↑ John Harvey (1978). The Perpendicular Style. Londres: Batsford. 84 páginas. ISBN 0-7134-1610-6
  144. ↑ John Harvey (1978). The Perpendicular Style. Londres: Batsford. pp. 97–136. ISBN 0-7134-1610-6
  145. ↑ John Harvey (1978). The Perpendicular Style. Londres: Batsford. pp. 185–186. ISBN 0-7134-1610-6
  146. ↑ John Harvey (1978). The Perpendicular Style. Londres: Batsford. 13 páginas. ISBN 0-7134-1610-6
  147. ↑ Curl & Wilson 2015a, p. 3451.
  148. ↑ Curl & Wilson 2015b.
  149. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milão: Electa. p. 122
  150. ↑ Watkin (2007), pp. 168.
  151. ↑ Grodecki 1977, p. 126.
  152. ↑ Centre, UNESCO World Heritage. «Roman Monuments, Cathedral of St Peter and Church of Our Lady in Trier». UNESCO World Heritage Centre (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 8 de maio de 2026
  153. ↑ «Kölner Dom». www.koelner-dom.de (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 18 de agosto de 2019
  154. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milano: Electa. p. 60
  155. ↑ Watkin (2007), pp. 169-170.
  156. ↑ Martindale 1993, pp. 221-230.
  157. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gothic. Milano: Electa. p. 64
  158. ↑ «Bazylika Mariacka - Bazylika Mariacka w Gdańsku - Kościół pod wezwaniem Wniebowzięcia Najświętszej Marii Panny». web.archive.org. 31 de outubro de 2010. Consultado em 2 de fevereiro de 2019
  159. 1 2 3 Watkin (), p. 166-167.
  160. ↑ «The Palace of Westminster» (PDF). House of Commons Information Office. Maio de 2009. Consultado em 5 de agosto de 2010. Cópia arquivada (PDF) em 25 de outubro de 2016
  161. ↑ Gerhold, pp. 19-20.
  162. ↑ Texier 2012, p. 12.
  163. ↑ Ducher 1988, p. 64.
  164. ↑ «Le Louvre de Philippe Auguste» (em francês). Consultado em 18 de julho de 2020. Cópia arquivada em 13 de abril de 2021
  165. ↑ Chastel 2000, pp. 188–89.
  166. 1 2 3 4 Watkin 1986, p. 157.
  167. ↑ Martin & Highfield 1997.
  168. ↑ Martin & Highfield 1997, p. 101.
  169. 1 2 Watkin 1986, p. 154.
  170. ↑ Grodecki 1977, p. 28.
  171. ↑ Grodecki 1977, pp. 29-30.
  172. ↑ Grodecki 1977, p. 30.
  173. ↑ Burton & Kerr 2011, p. 79.
  174. 1 2 3 4 5 6 Corroyer, Édouard. «The Distinctive Character of Military Architecture in the Middle Ages». Project Gutenberg (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026. Cópia arquivada em 12 de maio de 2026
  175. ↑ Ducher 1988, pp. 66-67.
  176. 1 2 Renault & Lazé 2006, p. 38.
  177. ↑ Angelucci, Meraglia & Voigtländer (2022), pp. 3477–3478.
  178. ↑ «Holy Roman Empire». Encyclopedia.com. Consultado em 21 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 28 de janeiro de 2026
  179. ↑ Fletcher (1997).
  180. 1 2 Engel, Ute (2006). «L'architecture Gothique en Angleterre». L'art Gothique. [S.l.]: Place des Victoires. ISBN 978-2844591241.
  181. ↑ Bony, Jean (1979). The English Decorated Style: Gothic Architecture Transformed, 1250-1350. Cornell University Press.
  182. 1 2 D. Kimpel, A. Cadei (1991). «ARCHITETTURA - Secoli 13°-14°». Enciclopedia dell' Arte Medievale (em italiano). Istituto dell'Enciclopedia Italiana. Cópia arquivada em 22 de maio de 2026
  183. ↑ «Trade in the Viking Period» (em inglês). Museu Nacional da Dinamarca. Consultado em 22 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2026
  184. ↑ Athanasios Kouzelis (2021). «Hanseatic League – History & Civilisation» (PDF) (em inglês). Kulturlandskapet. Consultado em 22 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 23 de agosto de 2026
  185. ↑ «Trading posts» (em inglês). Die Hanse. Consultado em 22 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2026
  186. 1 2 Warren, John (1991). «Creswell's Use of the Theory of Dating by the Acuteness of the Pointed Arches in Early Muslim Architecture». BRILL. Muqarnas: 59–65.
  187. 1 2 3 4 «Arquitectura gòtica religiosa». Generalitat de Catalunya. 2012. Cópia arquivada em 9 de outubro de 2014
  188. ↑ Puig i Cadafalch, Josep. L'arquitectura romànica a Catalunya. Barcelona: Institut d'Estudis Catalans, 1909–1918.
  189. 1 2 3 Blomme, Yves (1993). Poitou gothique (em francês). Paris: Picard. ISBN 978-2-7084-0439-7
  190. ↑ Pierre Dubois (18 de setembro de 2018). «Poitiers. Saint-Pierre, dès 1160». Histoires d'universités (em francês). Cópia arquivada em 2 de outubro de 2026
  191. 1 2 Laurent, J. P. (2008). «Histoire des techniques, Construction gothique» (PDF) (em francês). Consultado em 2 de abril de 2017. Cópia arquivada (PDF) em 5 de janeiro de 2026
  192. ↑ L’abbaye royale de Saint-Serge-lès-Angers sur le site de la ville d'Angers.
  193. ↑ «La collégiale Saint-Martin» (em francês). Consultado em 2 de abril de 2017. Cópia arquivada em 10 de março de 2008
  194. ↑ «Guide Vert Michelin Touraine Poitou». Michelin (em francês). p. 82. Cópia arquivada em 1 de outubro de 2026
  195. ↑ Urseau, Charles (1922). «La grande salle de l'hôpital Saint-Jean d'Angers». Bulletin Monumental (em francês). 81: 369–379. doi:10.3406/bulmo.1922.11877. Cópia arquivada em 21 de junho de 2025
  196. ↑ «Patrimoine» (em francês). Consultado em 2 de abril de 2017. Cópia arquivada em 24 de outubro de 2009
  197. ↑ ««La cathédrale de Lisieux : sa place dans les débuts de l'art gothique», em Annuaire des cinq départements de la Normandie, Congresso de Lisieux, 1968, p. 19–26.
  198. ↑ Decaëns, Henry (2004). «L'affirmation de l'identité normande dans l'architecture religieuse du XIIIe siècle». Études Normandes. 53 (1): 21–27. doi:10.3406/etnor.2004.1532. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2026
  199. ↑ Léon Palustre (1892). Jules Comte, ed. L'architecture de la Renaissance (em francês). Paris: Ancienne maison Quentin, Libraires-Imprimeries réunies. ISBN 978-1-5087-0118-7
  200. ↑ Jacqueline Lorenz (1996), p. 335.
  201. ↑ Jacqueline Lorenz (1996), p. 344.
  202. ↑ Beck 1981, p. 32.
  203. ↑ François Enaud (1966). Millénaire du Mont Saint-Michel, 966-1966. [S.l.]: Caisse nationale des monuments historiques. p. 122.
  204. ↑ Grant, Lindy (2001). «Le chœur de la cathédrale de Coutances et sa place dans l'architecture gothique du sud-ouest de la Normandie». L’architecture normande au Moyen Âge. Regards sur l’art de bâtir. 1 2 ed. Luneray: Éditions Charles Corlet; Presses Universitaires de Caen. pp. 137–152. ISBN 2-85480-949-1
  205. ↑ «Cathédrale Saint-Pierre» (em francês). Lisieux (Calvados): Musique et orgue Québec. Consultado em 24 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 28 de agosto de 2026
  206. 1 2 Wenzler, Claude (1997). Architecture religieuse romane (em francês). Rennes: Éditions Ouest-France. 31 páginas. ISBN 978-2-7373-2151-1
  207. ↑ Brockhaus, Katrin (12 de novembro de 2002). «La genèse architecturale de l'église de la Trinité de Fécamp». Tabularia. ISSN 1630-7364. doi:10.4000/tabularia.1791. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2026
  208. ↑ François Neveux (1998). La Normandie des ducs aux rois, Xe-XIIe siècle. Rennes: Ouest-France Université. p. 306. ISBN 2-7373-0985-9.
  209. ↑ Léon Levillain. «L'art normand». Cosmovisions. Consultado em 24 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 2 de outubro de 2026
  210. ↑ Baduel d’Oustrac (1982), p. 36–37.
  211. ↑ Stoddard, Whitney S. (1972). Art and Architecture in Medieval France. New York: Harper & Row / Icon Editions. p. 129–136
  212. ↑ «Arras, église Saint-Nicolas en Cité». Patrimoine-Histoire. Consultado em 5 de outubro de 2021. Cópia arquivada em 8 de abril de 2022
  213. ↑ Diocèse d’Albi. «L'architecture de Sainte-Cécile : un chef-d'œuvre du gothique méridional». Cathédrale Sainte-Cécile d’Albi (em francês). Consultado em 24 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 1 de outubro de 2026
  214. ↑ Ministère de la Culture. «Le style gothique méridional». Cathédrale Saint-Pierre de Montpellier (em francês). Consultado em 24 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2026
  215. ↑ «Le style gothique méridionnal». Ministère de la Culture. Consultado em 21 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2026
  216. ↑ «Cité épiscopale d'Albi». UNESCO Centre du patrimoine. Consultado em 21 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 2 de outubro de 2026
  217. ↑ «Cathédrale Sainte-Cécile d'Albi». Structurae. Consultado em 21 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 10 de julho de 2018
  218. ↑ Curtius, Andreas (1995). «Actes du 3e colloque d'histoire de l'art méridional du Moyen Âge (1992)». La cathédrale Saint-Fulcran de Lodève: ses sources d'inspiration et sa place dans l'histoire de l'architecture européenne. Autour des maîtres d'œuvre de la cathédrale de Narbonne. Les grandes églises gothiques du Midi, sources d'inspiration et construction. Narbonne: [s.n.] p. 71–80
  219. ↑ Paul, Viviane (1974). «Le problème de la nef unique». Cahiers de Fanjeaux (9): 21–53
  220. ↑ «Architecture du Couvent des Jacobins : un joyau du gothique à Toulouse». Couvent des Jacobins. Consultado em 21 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 9 de maio de 2026
  221. ↑ Ministère de la Culture. «Église paroissiale Notre-Dame de l'Assomption». POP — Plateforme ouverte du patrimoine (em francês). Consultado em 24 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2026
  222. 1 2 Watkin (2005), p. 164.
  223. ↑ République française. «The Episcopal City of Albi» (PDF). Nomination dossier for inscription on the World Heritage List, No. 1337 (em inglês). UNESCO World Heritage Centre. Consultado em 24 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 26 de julho de 2025
  224. ↑ «Chef d'œuvre du gothique méridional». cite-episcopale-albi.fr (em francês). Consultado em 28 de março de 2016. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2023.
  225. ↑ Communauté d'agglomération de l'Albigeois. «Plan de sauvegarde et de mise en valeur d'Albi». PLUI — Annexes (em francês). p. 148. Consultado em 24 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2026
  226. ↑ Watkin (2007), pp. 180.
  227. 1 2 3 Suarato, Concetta. «L'architettura gotica in Italia» (PDF). Un mondo a colori (em italiano). Consultado em 23 de agosto de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 24 de agosto de 2026
  228. ↑ Martindale 1993, p. 147.
  229. 1 2 3 4 D. Kimpel, A. Cadei (1991). «ARCHITETTURA - Secoli 13°-14°». Enciclopedia dell' Arte Medievale (em italiano). Istituto dell'Enciclopedia Italiana. Cópia arquivada em 22 de maio de 2026
  230. ↑ Martindale 1993, p. 148.
  231. ↑ Grodecki 1978, p. 152.
  232. ↑ Grodecki 1978, p. 153.
  233. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milano: Electa. p. 109
  234. ↑ Grodecki 1977, p. 142.
  235. ↑ Grodecki 1977, p. 144-145.
  236. ↑ Watkin (2007), pp. 173-176.
  237. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milano: Electa. p. 125
  238. ↑ Watkin (2007), pp. 178–180.
  239. ↑ Peter Kurmann (2007). «L'architecture du gothique tardif en France et aux Pays-Bas». In: Rolf Toman. L'art gothique : architecture, sculpture, peinture. [S.l.]: H.F. Ullmann. p. 178. ISBN 9783833135132. OCLC 422142593.
  240. ↑ Elizabeth Den Hartog (2001). «Art mosan : à la jonction entre le roman et le gothique». Septentrion (4): 87–103. ISSN 0771-8934. Resumo divulgativo.
  241. 1 2 Alonso Álvarez 1997, p. 30.
  242. ↑ Grodecki 1978, p. 188.
  243. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milano: Electa. p. 134
  244. ↑ Watkin (2007), p. 191.
  245. ↑ Watkin (2007), pp. 191–193.
  246. ↑ Aubert, Marcel; Toesca, Pietro. «Gotica, Arte». Enciclopedia Italiana (em italiano). Treccani. Consultado em 23 de agosto de 2026. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2026
  247. 1 2 Taylor, Larissa J. «Encyclopedia of Medieval Pilgrimage Online». referenceworks (em inglês)
  248. ↑ «Ávila Cathedral in Ávila». Spain.info (em inglês). Cópia arquivada em 11 de março de 2026
  249. ↑ Eslava Galán, Juan (2012). 1000 sitios que ver en España al menos una vez en la vida. Madrid: Martínez Roca, booket. ISBN 978-84-270-3003-9
  250. ↑ Barnes, Carl F. (1 de dezembro de 1978). «Review: Gothic Architecture by Louis Grodecki, Anne Prache, Roland Recht». Journal of the Society of Architectural Historians. 37 (4): 316–317
  251. ↑ «Khan Academy». Khan Academy (em inglês). Cópia arquivada em 31 de dezembro de 2025
  252. ↑ Grodecki 1978, p. 176-178.
  253. 1 2 Alonso Álvarez 1997, p. 31.
  254. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 «Catalogna». Enciclopedia dell'Arte Medievale. Treccani. Consultado em 19 de julho de 2026. Cópia arquivada em 2 de junho de 2025
  255. 1 2 3 4 5 6 7 «Barcellona». Enciclopedia dell'Arte Medievale. Treccani. Consultado em 23 de agosto de 2026
  256. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gothic. Milano: Electa. p. 130
  257. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gothic. Milano: Electa. p. 130
  258. ↑ Grodecki 1978, p. 183-185.
  259. ↑ Grodecki 1978, p. 186.
  260. ↑ Grodecki 1978, p. 186-187.
  261. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 «Gótico português». Dicionários Porto Editora. Infopédia. Consultado em 19 de julho de 2026
  262. 1 2 Grodecki 1978, p. 195.
  263. 1 2 3 4 Serro, Luís Manuel Lourenço (2010). Arquitectura no período gótico em Portugal : influência mendicante e da Ordem de Cister. Porto: Lusíada
  264. ↑ «Gótico português». Infopédia. Cópia arquivada em 5 de julho de 2025
  265. ↑ Francesca Prina (2009). Storia dell'architettura gotica. Milano: Electa. p. 138
  266. ↑ Watkin (2007), p. 194.
  267. ↑ «(V) O Gótico Português». cnc.pt. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2025
  268. ↑ Watkin 1986, p. 179.
  269. ↑ Vasari 1991, pp. 117, 527.
  270. ↑ Vasari 1907, p. 83.
  271. ↑ Grodecki 1977, p. 9.
  272. 1 2 3 4 5 6 7 Curl, James Stevens; Wilson, Susan, eds. (2015), «tracery», A Dictionary of Architecture and Landscape Architecture, ISBN 978-0-19-967498-5 (em inglês) 3rd ed. , Oxford University Press, doi:10.1093/acref/9780199674985.001.0001, consultado em 26 de maio de 2020, cópia arquivada em 7 de abril de 2022
  273. ↑ Watkin 1986, p. 210.
  274. 1 2 Watkin 1986, p. 211.
  275. ↑ Texier 2012, pp. 24–26.
  276. ↑ Watkin 1986, p. 225.
  277. ↑ Watkin 1986, p. 227.
  278. ↑ Watkin 1986, p. 238.
  279. ↑ Watkin 1986, p. 236.
  280. ↑ Hunter, Bob (18 de setembro de 2014). «Catedral de Londonderry». Guerras e Conflitos: A Colonização do Ulster. BBC. Consultado em 24 de agosto de 2015. Cópia arquivada em 25 de setembro de 2015
  281. ↑ Bloxam, Matthew Holbeche (2015) [1829]. The Principles of Gothic Ecclesiastical Architecture. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-1-108-08270-9
  1. ↑ transformado em Palácio do Louvre no Renascimento

Bibliografia

[editar | editar código]
  • Alonso, R. (1997). «Etapa románica y gótica de la catedral de Oviedo». In: J. I. El libro de la catedral de Oviedo: escrito en la piedra. Oviedo: Paraíso 
  • Bechmann, Roland (2017). Les Racines des Cathédrales (em francês). [S.l.]: Payot. ISBN 978-2-228-90651-7 
  • Burton, Janet B.; Kerr, Julie (2011). The Cistercians in the Middle Ages. Col: Monastic orders (em inglês). 4 Ilustrada ed. [S.l.]: Boydell Press. ISBN 978-1843836674 
  • Bony, Jean (1983). French Gothic Architecture of the Twelfth and Thirteenth Centuries (em inglês). [S.l.]: University of California Press. ISBN 978-0-520-02831-9 
  • Ching, Francis D. K. (2012). A Visual Dictionary of Architecture (em inglês) 2.ª ed. [S.l.]: John Wiley & Sons, Inc. ISBN 978-0-470-64885-8 
  • Der Manuelian, Lucy (2001). Ani: World Architectural Heritage of a Medieval Armenian Capital (em inglês). [S.l.]: Leuven Sterling. ISBN 978-90-429-1038-6 
  • Ducher, Robert (1988). Caractéristique des Styles (em francês). [S.l.]: Flammarion. ISBN 978-2-08-011539-3 
  • Fiske, Kimball (1943). The Creation of the Rococo (em inglês). [S.l.]: Museu de Arte da Filadélfia 
  • Fletcher, Banister (2001). A History of Architecture on the Comparative Method (em inglês). [S.l.]: Elsevier Science & Technology. ISBN 978-0-7506-2267-7 
  • Garsoïan, Nina G. (2015). «Sirarpie Der Nersessian (1896–1989)». In: Damico, Helen. Medieval Scholarship: Biographical Studies on the Formation of a Discipline: Religion and Art (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 978-1-317-77636-9 
  • Giese, Francine; Pawlak, Anna; Thome, Markus (2018). Tomb – Memory – Space: Concepts of Representation in Premodern Christian and Islamic Art (em alemão). [S.l.]: Walter de Gruyter GmbH & Co KG 
  • Grodecki, Louis; Nervi, Luigi; Prache, Anne; Recht, Roland (1977). Gothic Architecture (em inglês). Traduzido por I. Mark Paris. [S.l.]: Abrams Books. ISBN 978-0-8109-1008-9 
  • Harvey, John (1950). The Gothic World, 1100–1600 (em inglês). [S.l.]: Batsford. ISBN 978-0-00-255228-8 
  • Hughes, William; Punter, David; Smith, Andrew (2015). The Encyclopedia of the Gothic (em inglês). [S.l.]: John Wiley & Sons. ISBN 978-1119210412 
  • Jones, Colin (1999). The Cambridge Illustrated History of France (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-66992-4 
  • Lang, David Marshall (1980). Armenia: Cradle of Civilization (em inglês). [S.l.]: Allen & Unwin 
  • Martindale, Andrew (1993). Gothic Art. [S.l.]: Thames and Hudson. ISBN 978-2-87811-058-6 
  • McNamara, Denis (2017). Comprendre l'Art des Églises (em francês). [S.l.]: Larousse. ISBN 978-2-03-589952-1 
  • Mignon, Olivier (2017). Architecture du Patrimoine Française - Abbayes, Églises, Cathédrales et Châteaux (em francês). [S.l.]: Éditions Ouest-France. ISBN 978-27373-7611-5 
  • Mignon, Olivier (2015). Architecture des Cathédrales Gothiques (em francês). [S.l.]: Éditions Ouest-France. ISBN 978-2-7373-6535-5 
  • Mitchell, Ann (1968). Cathedrals of Europe. Col: Great Buildings of the World (em inglês). [S.l.]: Hamlyn. ASIN B0006C19ES 
  • Oggins, R. O. (2000). Cathedrals (em inglês). [S.l.]: Metrobooks. Friedman/Fairfax Publishers. ISBN 978-1567993462 
  • Pevsner, Nikolaus (1964). An Outline of European Architecture (em inglês). [S.l.]: Pelican Books. ISBN 978-0-14-061613-2 
  • Poisson, Georges; Poisson, Olivier (2014). Eugène Viollet-le-Duc (em francês). Paris: Picard. ISBN 978-2-7084-0952-1 
  • Raeburn, Michael (1980). «The Middle Ages». In: Coldstream, Nicola. Architecture of the Western World (em inglês). [S.l.]: Rizzoli International. ISBN 978-0-8478-0349-1 
  • Renault, Christophe; Lazé, Christophe (2006). Les Styles de l'architecture et du mobilier (em francês). [S.l.]: Gisserot. ISBN 978-2-87747-465-8 
  • Scott, Robert A. (2003). The Gothic enterprise: a guide to understanding the Medieval cathedral (em inglês). [S.l.]: University of California Press. ISBN 978-0-520-23177-1 
  • Stewart, Cecil (1959). History of Architectural Development: Early Christian, Byzantine and Romanesque Architecture (em inglês). [S.l.]: Longman 
  • Swaan, Wim (1988). The Gothic Cathedral (em inglês). [S.l.]: Omega Books. ISBN 978-0-907853-48-0 
  • Rice, David Talbot (1972). The Appreciation of Byzantine Art (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press 
  • Texier, Simon (2012). Paris Panorama de l'architecture de l'Antiquité à nos jours (em francês). [S.l.]: Parigramme. ISBN 978-2-84096-667-8 
  • Toman, Rolf (2007). Néoclassicisme et Romantisme (em francês). [S.l.]: Ulmann. ISBN 978-3-8331-3557-6 
  • Vasari, Giorgio (1907). Brown, Gerald Baldwin, ed. Vasari on Technique: Being the Introduction to the Three Arts of Design, Architecture, Sculpture and Painting, Prefixed to the Lives of the Most Excellent Painters, Sculptors and Architects (em inglês). Traduzido por Louisa Maclehose. [S.l.]: J. M. Dent & Co 
  • Vasari, Giorgio (1991). The Lives of the Artists (em inglês). Traduzido por J. C. Bondanella; P. Bondanella. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-953719-8 
  • Wenzler, Claude (2018). Les cathédrales gothiques: Un défi médiéval (em francês). [S.l.]: Éditions Ouest-France. ISBN 978-2-7373-7712-9 
  • França, José-Augusto (1990). A Arte Gótica em Portugal. [S.l.]: Editorial Presença }}
  • Le Goff, Jacques (1995). A Civilização do Ocidente Medieval. Lisboa: Editorial Estampa 
  • Bloch, Marc (1982). A Sociedade Feudal. Lisboa: Edições 70 
  • Duby, Georges (1988). Guerreiros e Camponeses: Os Primórdios do Crescimento Econômico Europeu. [S.l.]: Editorial Estampa 
  • Duby, Georges (1993). O Tempo das Catedrais: A Arte e a Sociedade (980–1420). [S.l.]: Estampa 
  • Pirenne, Henri (1973). As Cidades da Idade Média. [S.l.]: Publicações Europa-América 
  • Pirenne, Henri (1978). História Econômica e Social da Idade Média. [S.l.]: Edições 70 
  • Riley-Smith, Jonathan (2008). As Cruzadas: Uma História. [S.l.]: Edições 70 
  • Comby, Jean (1993). Para Ler a História da Igreja. 1. [S.l.]: Loyola 
  • Tuchman, Barbara W. (1990). Um Espelho Distante: O Calamitoso Século XIV. [S.l.]: José Olympio 
  • Southern, R. W. (1970). A Igreja na Sociedade Ocidental. [S.l.]: Edições 70 
  • Toman, Rolf (2008). Gothic: Architecture - Sculpture - Painting. [S.l.]: h.f.ullmann. ISBN 978-0841600683 
  • Pevsner, Nikolaus (1998). An Outline of European Architecture. [S.l.]: Pelican Books 
  • Bechmann, Roland (2017). Les racines des cathédrales. [S.l.]: Payot 
  • Bony, Jean (1983). French Gothic Architecture of the 12th and 13th Centuries. [S.l.]: University of California Press. ISBN 978-0520028562 
  • Ducher, Robert (1988). Caractéristique des styles en architecture. [S.l.]: Flammarion 
  • Grodecki, Louis (1977). Gothic Architecture. [S.l.]: Harry N. Abrams 
  • Harvey, John Hooper (1974). The Gothic World, 1100–1600: A Survey of Architecture and Art. [S.l.]: Batsford 
  • Mignon, Olivier (2015). Architecture des cathédrales gothiques. [S.l.]: Éditions Ouest-France 
  • McNamara, Charles (2017). Gothic Cathedrals. [S.l.]: Parkstone International 
  • Renault, Christiane; Lazé, Christophe (2006). Les cathédrales gothiques. [S.l.]: Éditions Ouest-France 
  • David Watkin (2007). Storia dell'architettura occidentale. Bologna: Zanichelli 
  • Watkin, David (1986). A History of Western Architecture. [S.l.]: Van Nostrand Reinhold 
  • Wenzler, Claude (2018). Architecture gothique. [S.l.]: Éditions Ouest-France 

Ligações externas

[editar | editar código]
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Arquitetura gótica