Memento mori

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Uma obra memento mori, "Vaidade Terrena e Salvação Divina", de Hans Memling

Memento mori é uma expressão latina que significa algo como "lembre-se de que você é mortal", "lembre-se de que você vai morrer" ou traduzido literalmente como "lembre-se da morte".[1]

A expressão é associada às paradas que Roma concedia em honra aos generais vitoriosos em batalha. Enquanto desfilava em Triunfo perante a população da cidade carregando os despojos das conquistas, um Auriga segurava uma coroa de louros sobre a cabeça do vitorioso enquanto lhe sussurava; "memento homo" (lembre-se que és um homem) e "memento mori" (lembre-se que és mortal). Com isso queria-se evitar que a adoração da plebe e a celebração dos feitos do homenageado fizessem-no sentir alçado à divindade.

Esta ligação com a mortandade e efemeridade está na raiz do Estoicismo e era evocada para afastar a Hubris. Tanto para Gregos como para os Romanos a Hubris, orgulho tolo e alta confiança em si era a causa de vários males, tragédias e dramas, uma vez que fazia com que homens quisessem se igualar aos deuses.

Esta expressão era a saudação utilizada pelos paulianos "Eremitas de Santo Paulo da França" (1620 — 1633), também conhecidos como "Irmãos da Morte".[2] Todas as obras memento mori são produtos da arte cristã.[3] Os anéis memento mori foram manufaturados a partir do fim do século XVI e durante o século XVII.[4]

Filosofia ocidental antiga[editar | editar código-fonte]

Vanitas de Philippe de Champaigne (c. 1671)

O Fédon de Platão, onde a morte de Sócrates é recontada, introduz a ideia da prática apropriada da filosofia como "sobre nada além de estar morrendo e morrer".[5]

Memento mori é também um conceito fundamental do estoicismo, que trata a morte como algo natural e certo que não deve ser temido, mas sim, elaborado.[6] Os estoicos da antiguidade clássica eram particularmente conspícuos por seu uso desta disciplina, e as cartas de Séneca estão repletas de injunções à meditação sobre a morte.[7] Séneca diz:

"Muitos homens se apegam e agarraram-se à vida, assim como aqueles que são levados por uma correnteza e se apegam e agarram-se a pedras afiadas. A maioria dos homens mínguam e fluem em miséria entre o medo da morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda não sabem como morrer."[6]

O estoico Epiteto disse a seus estudantes que quando beijassem suas crianças, irmãos, ou amigos, deviam lembrar-se da própria mortalidade, restringindo seu prazer, como fazem "aqueles que permanecem com os homens nos triunfos e os lembram de que são mortais".[8]

Oriente[editar | editar código-fonte]

No Japão, a influência do budismo zen com a contemplação da morte sobre a cultura indígena pode ser estimada pela seguinte citação, extraída do tratado samurai em ética, o Hagakure:[9]

"O caminho do samurai é, manhã após manhã, a prática da morte, considerando se estará aqui ou lá, imaginando a mais levemente forma de morrer, e entregando a mente firmemente à morte. Ainda que isto possa ser uma coisa muito difícil, se alguém a fizer pode ser feito. Há nada que um deva supor que não possa ser feito."[10]

A "lembrança da morte" (em árabe: تذكرة الموت, Tadhkirat al-Mawt) tem sido um tema importante na espiritualidade islâmica (i.e. "tazkiya" significando autopurificação, ou purificação do coração) desde a época do profeta Maomé em Medina. Está baseada no Alcorão, onde há recorrentes injunções a dar atenção ao destino das gerações anteriores.[11] Alguns ṣūfiyyah são chamados "ahl al-qubur" ("povo dos túmulos"), devido à sua prática de frequentar cemitérios a fim de ponderar sobre a mortalidade e a vaidade da vida — seguindo ensinamentos de Maomé para visitar tais locais.[12]

Arte moderna[editar | editar código-fonte]

Em The Austere Academy, quinto livro da série A Series of Unfortunate Events, a expressão é usada como lema da escola onde os protagonistas estudam.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Literally "remember (that you have) to die"» 3 ed. "Oxford English Dictionary". Junho de 2001 
  2. McGahan, F. (1912). Paulists. Col: Enciclopédia Católica (em inglês). [S.l.: s.n.] s.v. "Paulists" 
  3. Loverance, Rowena. Christian Art. [S.l.]: "Harvard University Press". p. 61 
  4. Taylor, Gerald; Scarisbrick, Diana (1978). Finger Rings From Ancient Egypt to the Present Day. [S.l.]: Museu Ashmolean. p. 76. ISBN 0-900090-54-5 
  5. Platão. Fédon. [S.l.: s.n.] 64a4. 
  6. a b «Carta IV: Sobre os Terrores da Morte». Consultado em 31 de janeiro de 2019 
  7. Séneca. Epistulae morales ad Lucilium. [S.l.: s.n.] 
  8. Epiteto. Discursos. [S.l.: s.n.] 3.24 
  9. «Hagakure (Book of the Samurai (em inglês). Consultado em 31 de janeiro de 2019 
  10. «A Buddhist Guide to Death, Dying and Suffering». Consultado em 31 de janeiro de 2019 
  11. Alcorão. [S.l.: s.n.] Ya-Seen — 36:31. (em inglês) Have they not seen how many generations We destroyed before them, which indeed returned not unto them? 
  12. «Hadith: Book of Funerals (Kitab Al-Jana'iz) - Sunan Abi Dawud (صلى الله عليه و سلم)» 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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