Rock gótico

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Rock gótico

(gothic rock)

Origens estilísticas Pós-punk, glam rock[1][2]
Contexto cultural Literatura gótica, romântica e várias outras artes obscuras em associação ao pós-punk do norte da Inglaterra, Northampton, Leeds[3]e em Londres no final da década de 1970. Uma subcultura surgiu em casas noturnas e clubes como o Batcave desde a década de 1980 e posteriomente se espalhou pelo mundo
Instrumentos típicos Guitarra, baixo, teclados, bateria (ou caixa de ritmos)
Popularidade Underground
Formas derivadas Horror punk  • Dark wave  • Ethereal wave
Subgêneros
Death rock
Gêneros de fusão
Gothabilly  • Gothic metal
Outros tópicos
Literatura  • Subcultura  • Shock rock

Rock gótico (por vezes conhecido simplesmente como gótico, música gótica, ou por suas nomenclaturas em inglêsgothic rock e goth rock) é um estilo de rock que surgiu do pós-punk no final da década de 1970 com raízes na sonoridade sombria de bandas pós-punk britânicas.[4]

De acordo com ambos, Pitchfork[5] e NME,[6] as primeiras bandas pós-punk que adoptaram uma abordagem niilista e temas góticos incluem Siouxsie and the Banshees,[5][6] Joy Division,[5][6][7] Bauhaus[5][6] e The Cure.[5][6]

É incerto definir qual foi o primeiro grupo ou trabalho que deu origem ao estilo, é notório que o disco The Scream de Siouxsie and the Banshees lançado em 1978 possui uma faixa intitulada "Switch" que já carregava uma atmosfera soturna e melancólica, Unknown Pleasures de Joy Division de 1979 também é frequentemente citado.[8] A maioria dos críticos consideram o lançamento do single "Bela Lugosi's Dead" de Bauhaus em 6 de agosto de 1979 como o marco inicial do culto ao gênero.[9] O estilo gótico logo ganhou adeptos durante a década de 1980.

O rock gótico se destaca por sua sonoridade mais soturna, com acordes menores ou graves, reverbs, arranjos sombrios ou melodias dramáticas e melancólicas, tendo inspirações na literatura gótica aliando-se à temas como tristeza, existencialismo, niilismo, romantismo sombrio, fantasia sombria, tragédia e melancolia. Estes temas muitas vezes são abordados de forma poética. As sensibilidades poéticas do estilo levaram à abordagens líricas profundas, frequentemente abordando o mal do século e a idealização romântica da morte e do imaginário sobrenatural. Muitas bandas do gênero (como Noctivagus,[10] Inkubus Sukkubus e Nosferatu) podem ainda incluir temas como paganismo e vampirismo em suas letras.

O rock gótico deu origem a uma subcultura mais ampla que inclui clubes, moda e publicações desde a década de 1980.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O termo "gótico", que originalmente significa apenas relativo a godos ou proveniente deles, foi usado a partir do início da renascença, para designar de forma depreciativa a produção cultural ocorrida entre os séculos XII e XV e posteriormente de toda Idade Média, a qual foi associado o conceito de "idade das trevas", em oposição à nova idade da razão ou da Luz: o iluminismo (XVII e XVIII). Mas nos séculos XVIII e XIX, por exemplo, gótico foi associado ao período medieval e aplicado à literatura. Além disso, o termo goticismo tem origem inglesa, gothicism, e relaciona-se apenas à literatura.[11] Gótico denota à arquitetura gótica, com grandes catedrais góticas.

Quimera na Catedral de Notre-Dame em Île de la Cité. As características da arquitetura gótica, como gárgulas, eram comuns em catedrais nos períodos religiosos e obscuros da idade média, consideradas como representações do grotesco, sombrio e sobrenatural.

O medieval, o melodrama, a melancolia, o obscuro e o sombrio acompanhavam a literatura gótica, que sempre esteve relacionada à criaturas sobrenaturais, místicas e grotescas como fantasmas, monstros e vampiros, localidades dramáticas, decadentes e remetentes a morte como castelos, ruínas, florestas e cemitérios, contos e simbolismos sombrios como o romance gótico, a névoa e a noite — o escritor americano Edgar Allan Poe foi um dos expoentes deste estilo na literatura. Obras como Frankenstein de Mary Shelley e Drácula de Bram Stoker também são considerados góticos.

Esculturas tumulares podem simbolizar, além da morte, tristeza, lamento ou melancolia, temas líricos comumente encontrados em canções góticas.

No entanto, durante o século XX do pós-guerra, elementos da literatura gótica ressurgem na era do expressionismo alemão da década de 1920, uma nova forma de cinema com temas sombrios de suspense policial e mistério em um ambiente urbano surgiu, personagens bizarros e assustadores, a imagem de artistas pálidos com cabelos negros, uma distorção da imagem devido a uma excessiva dramaticidade, tanto na atuação quanto na maquiagem, na cenografia fantástica de recriação do imaginário humano.

Influência da arte no rock britânico[editar | editar código-fonte]

Desde a década de 1960, novas formas de música com teor artístico e experimental dentro do rock estavam em ascensão. Na década de 1970, o glam rock foi marcado por roupas extravagantes, pela ambiguidade sexual e performances teatrais. Eram os tempos de androginia, suas músicas agitadas de rock n' roll esbanjavam energia sexual e preservava um certo lado noir. David Bowie foi considerado um marco no gênero. A ênfase lírica abordava a "revolução adolescente", assim como uma ampla notoriedade na direção de temas heterosexuais, sobre a decadência e fama. Por outro lado, parte dos jovens já não via o mundo de uma forma colorida e otimista, as subsociedades precisavam expressar essas novas percepções do mundo de diferentes maneiras e uma subcultura com predileção por temas românticos e sombrios surgiu. O pós-punk foi uma das primeiras diluições do movimento punk inglês no final da década de 1970.

Típica linha de baixo pós-punk.

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Numa época em que a disco music festiva e descompromissada dominava as paradas de sucesso, uma vertente do rock com canções introspectivas e misteriosas, letras que expressavam angústias e uma visão sombria e decadente da sociedade e trágica dos relacionamentos amorosos surgiu no Reino Unido. Bandas como Siouxsie & The Banshees, Joy Division, Bauhaus e The Cure misturavam efeitos eletrônicos, baixos graves com melodias decadentes, uma repetitiva e onipresente bateria e vocais dramáticos para cantar sua visão pessimista do mundo.[12][13]

O single de estreia da banda britânica Bauhaus, "Bela Lugosi's Dead", é ​​considerado o precursor do rock gótico e tem sido imensamente influente na subcultura gótica contemporânea. Segundo um artigo do The Guardian intitulado "Bauhaus invent goth":

O single de estreia da banda de Northampton parecia um modelo improvável para outras bandas seguirem: uma sombria linha de baixo descendente repetindo-se por quase 10 minutos, com um padrão de bateria e uma preponderância de efeitos de eco evidentemente derivados do dub, encimado por ruído de guitarra irregularmente abstrato. “Bela Lugosi's Dead” teria sido apenas mais uma experimentação pós-punk se não fosse pela letra, que mostrava o funeral da estrela de Drácula, com morcegos voando e noivas virgens marchando em frente ao seu caixão. O efeito foi tão irresistivelmente teatral que dezenas de bandas se formaram em seu rastro. Tantos, de fato, que o gótico rapidamente se tornou um gênero musical muito codificado.[14]

Características[editar | editar código-fonte]

As principais características do rock gótico podem ter surgido em meados da década de 1970 na Inglaterra, inspiradas no “faça você mesmo”, mas que se mesclaram a uma situação de tédio cultural e decadência social, no niilismo, uma predileção por temas poéticos que misturam obsessão pela morte, decadência, obscuridade e romantismo. Parte das raízes do rock gótico estavam no glam rock de David Bowie e Roxy Music, e no rock alternativo embrionário e experimental de Nova Iorque do final da década de 1960 com o Velvet Underground. O rock gótico é considerado uma ramificação do pós-punk e, de acordo com o AllMusic, "pegou as baterias tribais e as guitarras processadas do pós-punk e as usou para construir paisagens sonoras agourentas, tristes e muitas vezes épicas".[15] O rock gótico tinha letras introspectivas ou pessoais, mas de acordo com AllMusic, "sua sensibilidade poética logo levou a um gosto pelo romantismo literário, morbidez, simbolismo religioso ou misticismo sobrenatural".[15] Muitos grupos de rock gótico caracteriza uma ênfase na atmosfera sombria em suas músicas, acompanhando reverbs e melodias de guitarra e baixo, vocais muitas vezes cantados em tons dramáticos, graves, barítonos ou ecoantes. No underground do final da década de 70 e início década de 80, a despreocupação estética do punk deu lugar a uma nova valorização de estilos e conceitos artísticos neo-românticos e dramáticos como uma fuga da ausência de conquistas sociais. A ideia era satirizar elementos do expressionismo, dando uma vertente musical teatral aos filmes góticos, bem como a decadência urbana, a marginália e as incertezas sobre o futuro que dominavam a juventude dos anos 70 e 80. Várias culturas "marginais" e movimentos artísticos literários influenciaram o rock gótico, além da literatura gótica, um dos mais importantes foi a tradição literária do romantismo e do mal do século que teve figuras expoentes como Lord Byron, bem como costumes da era Vitoriana, o romance sombrio de Edgar Allan Poe, elementos e símbolos da antiga cultura egípcia, a mitologia cristã, o surrealismo, o drama, citações de histórias de criaturas grotescas, vampiros e fantasmas presentes em obras de escritores como Mary Shelley, Bram Stoker, Gaston Leroux e parte da filosofia pessimista de Nietzsche compuseram uma colagem de referências culturais presentes em canções góticas. Clássicos de terror dos tempos do cinema mudo, de The Sorrows of Satan (1926), de D.W. Griffith ao mítico Gabinete do Dr. Caligari (1920) de Robert Wiene, filme cujas imagens trouxeram novos sentidos para uma nova geração de espectadores. O imaginário gótico aliava-se a um som com uma identidade visual, herdando ecos de uma literatura nascida no período romântico. O rock gótico ganhava forma sob uma entusiasmante paleta de referências. Segundo como é descrito a trilogia sombria de The Cure do início da década de 1980 composta pelos álbuns Seventeen Seconds, Faith e Pornography — "soturno, depressivo, asfixiante, hipnótico, decadente, fúnebre, com letras que nos remete à busca infindável por algo que nunca verdadeiramente existiu, a perda da inocência, o ódio pela realidade humana, a uma ilusão da qual não se escapa, a solidão e o desespero" — Pornography foi considerado desesperador, claustrofóbico e um dos álbuns mais sombrios da década de 1980.[16][17]

Texturas sombrias, riffs com efeitos de reverb e tonalidades baixas, repetitivas - minimalistas são elementos típicos no papel da guitarra elétrica no rock gótico.

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Nick Kent revisou um concerto do Siouxsie & The Banshees em julho de 1978, dizendo: “paralelos e comparações podem agora ser desenhados com arquitetos do rock gótico como o Doors e, certamente, Velvet Underground”.[18] O músico Bernard Sumner, integrante das bandas Joy Division e New Order, ao fazer um comentário sobre o filme da era expressionista, Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens, disse: “A atmosfera é realmente maléfica, mas você se sente à vontade dentro dela”.

História[editar | editar código-fonte]

Raízes e influências[editar | editar código-fonte]

O termo gothic rock foi cunhado pelo crítico de música John Stickney em 1967 para descrever um encontro que ele teve com Jim Morrison em uma adega mal iluminada, que ele chamou de "o quarto perfeito para honrar o rock gótico dos Doors".[19] Nesse mesmo ano, a música do Velvet Underground "All Tomorrow's Parties" criou uma espécie de "obra-prima hipnotizante do rock gótico" de acordo com o historiador da música Kurt Loder.[20]

The Doors se apresentando ao vivo em 1968. Eles foram citados como uma grande influência para o rock gótico.

No final dos anos 1970, o adjetivo gótico foi usado para descrever a atmosfera do pós-punk de bandas como Siouxsie and the Banshees, Magazine e Joy Division. Naquele mesmo ano, a música do Velvet Underground "All Tomorrow's Parties" criou uma espécie de "obra-prima hipnotizante do rock gótico" de acordo com o historiador da música Kurt Loder.[21] Em março de 1979, em sua resenha do segundo álbum do Magazine Secondhand Daylight, Nick Kent observou que havia "um novo senso de autoridade austero", com um "som neo-gótico úmido".[22] Mais tarde naquele ano, o termo também foi usado pelo gerente do Joy Division em 15 de setembro em uma entrevista para o programa de TV da BBC Something Else. Wilson descreveu o Joy Division como "gótico" em comparação com o pop mainstream, logo antes de uma apresentação ao vivo da banda.[23] O termo foi posteriormente aplicado a "bandas mais novas" como o Bauhaus que havia chegado na esteira do Joy Division e Siouxsie and the Banshees.[24] O primeiro single do Bauhaus lançado em 1979, "Bela Lugosi's Dead", é geralmente creditado como o ponto de partida do gênero.[25]

David Bowie e o glam rock[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Glam rock

Cheio de plataformas altas, maquiagem, brilhos e cílios postiços, o glam rock ganhou o território norte-americano, talvez graças ao The New York Dolls. A banda fazia um rock simples e básico, que posteriormente seria chamado de proto punk; porém sua estética feminina era o que chamava mais atenção: roupas de mulher, batom e maquiagem borrada. A diferença entre eles e os personagens de David Bowie eram bem vísiveis. Mas foi assim que o glam foi trazido da Inglaterra para os Estados Unidos.

Outra invenção destacada de Bowie se chamava Ziggy Stardust, personagem encarnado pelo músico no disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Ziggy era um alienígena andrógino e bissexual, por isso Bowie tingiu os cabelos de ruivo, pôs uma maquiagem exagerada e roupas escalafobéticas com ar feminino e seguiu a turnê desse modo, acompanhado por sua banda The Spiders From Mars. Chegou uma hora que ninguém sabia quem era David Bowie e quem era Ziggy; o autor acabou por se fundir totalmente ao personagem.

David Bowie influenciou muitas bandas pós-punk que ajudaram a desenvolver o rock gótico.

Não só Bowie e seu famoso alien foram de fatal importância para a cena dark, mas também o T-Rex, o Velvet Underground, o ex-Stooges Iggy Pop e outros (Waiting for the Man, do Velvet Underground, e Telegram Sam do T-Rex, por exemplo, também receberam cover do Bauhaus). O Álbum Diamond Dogs (1974), de David Bowie possui músicas apocalípticas e sombrias como We are the Dead. O que fez a fama do cantor foi mesmo o glam rock, movimento do qual Bowie virou um ícone, baseado nas já citadas características (androginia, temas obscuros glamurizados, roupas escandalosas etc.). Definitivamente uma ponte muito próxima para o rock gótico, o glam rock surgiu para salvar a psicodelia da defasagem, mas oficialmente acabou em 75; as bandas que ainda faziam uso do experimentalismo, um pouco da estética e temas do glam acabaram por serem intituladas como punk, por isso, talvez, em 78 o termo estivesse entrando em desgaste. Logo convencionou-se re-intitular essas bandas como bandas new wave, e a Europa ocidental tratou de divulgar o termo, já que todas as bandas surgidas na 2ª metade da década de 70 eram new wave ou nueva olla ou nouvelle vague, não importando necessariamente seu estilo musical ou sua origem; depois de um tempo, também se tornou divulgado o termo pós-punk, principalmente na Inglaterra, que seguia o mesmo conceito de rotulação das bandas novas, mas ao invés de usar a expressão new wave, os jornalistas musicais preferiam o post-punk. A seguir, já no início dos anos 80, as bandas com visual e temas mais pops passaram a ser new wave, enquanto que as mais undergrounds eram pós-punk. Ainda então, bandas da subcultura gótica eram classificadas de ambas as formas. Mas posteriormente deixou-se o new wave para bandas com um visual mais colorido (um bom exemplo são os The B-52's) e para as bandas que adotaram uma tendência mais sombria acabaram por serem pejorativamente rotulados de góticos, ou darks, como ficou conhecido no Brasil; o fato é que acabou pegando essas nomenclaturas em todos os casos mencionados. Mesmo esteticamente, o glam preservava um lado noir (sombrio). Algumas bandas como Bauhaus e Specimen que estão entre as que deram origem ao rock gótico, não se diferenciam em quase nada das bandas incluídas no glam rock quanto à sua sonoridade. Da influência de Bowie ainda se pode dizer muito, tanto em música como em outros aspectos da subcultura. É muito provável que góticos usem ankhs só por causa dele. No filme The Hunger, Bowie interpreta um vampiro e usa um exemplar afiadíssimo para ferir a jugular de sua vitimas já que não tinha dentes afiados. Essa imagem também ficou marcada pelo fundo musical de quando ele saí à caça de uma presa com sua companheira ao som de "Bela Lugosi's Dead", da banda Bauhaus. Esta mesma canção surgia nos momentos iniciais de The Hunger. As qualidades performativas da banda, focadas aqui nos gestos e rosto do seu vocalista Peter Murphy, servia como uma luva à cena que os mostrava, dentro de uma jaula em plena atuação num clube sob o atento olhar de dois rostos que congeminam algo de sinistro que se sentia à ganhar forma. O Bauhaus traduziu o tom assombrado que aquela sequência exigia, lançado as pistas para um mundo de visões sombrias, por vezes mórbidas que entretanto, ganhara demais seguidores entre outros descendentes das mesmas heranças encontradas entre ecos do glam rock (sobretudo na inspiradora figura de David Bowie) e de mais recentes tendências em marcha no terreno pós-punk.

Algumas bandas não assumiram o termo e ficavam situadas tranquilamente entre esses movimentos, como Siouxsie & the Banshees e The Cure. Por outro lado, bandas com estilo musical claramente gótico buscavam calcar sua imagem com um estilo completamente diferente para evitar rotulações fáceis porém indesejadas. Um bom exemplo é o Fields of the Nephilim e sua aparência empoeirada de gangue criminosa do velho oeste norte-americano.

A cena pós-punk inglesa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: pós-punk

As primeiras bandas góticas da cena pós-punk inglesa eram mais pessoais e introvertidas, com elementos de movimentos literários como horror gótico, romantismo e niilismo. As primeiras bandas consideradas góticas foram: Siouxsie & the Banshees,[26] Joy Division,[26] The Cure,[26] Bauhaus,[26] etc. Embora, como já foi dito, nem todas aceitem de bom grado o termo.

Peter Murphy encarnando Drácula, durante um concerto do Bauhaus em 2006.

Bauhaus é considerada uma das bandas pioneiras do gênero. Surgiram em meados de 1978. “Bela Lugosi's Dead” é um épico com nove minutos de duração, seu single foi lançado pelo selo independente Small Wonder. Bela Lugosi foi um ator que ficou marcado pela interpretação do clássico Drácula, de Bram Stoker. Apesar de não ter sido exatamente um sucesso de vendas, a música definiu tudo aquilo que seria o rock gótico (guitarras fálicas distantes do resto dos instrumentos e um vocal que se mistura a todo o resto como que solto no espaço), e se manteve nas paradas independentes da Inglaterra por anos e anos. Como já foi dito, a ausência de cores e o inconformismo vinham da desconfiança no futuro, graças ao período nuclear da guerra fria, da cortina de ferro, e de crise econômica. Como se pode ver realmente, uma situação propicia para obscuridade e não para louros! A voz e os trejeitos de Peter Murphy, onde se via um comportamento meio glam (influências diretas dos primeiros álbuns solo de Iggy Pop, produzidos por seu amigo David Bowie) é uma presença forte e contribuiu para o culto da banda. O primeiro álbum do Bauhaus foi In the Flat Field, mas o segundo, de 81, Mask, revelou uma maior ambição musical dos “pais do rock gótico”. Os elementos eletrônicos misturados à já conhecida fórmula dark gerou um álbum considerado por alguns como ainda melhor que seu predecessor, e que teria dado origem ao que alguns chamam de darkwave. Entre as bandas mais conhecidas, até pelos não aprofundados no cerne gótico, além de Bauhaus, estejam ainda Siouxsie and the Banshees, The Cure e Joy Division.

Siouxsie Sioux em Long Island, Nova York, novembro de 1980

Ao lado de Joy Division, Siouxsie and the Banshees foi considerada uma das bandas precursoras do pós-punk. Seus dois primeiros álbuns foram monocromático, obscuro, com um muitos significados musicais como guitarras afiadas, efeitos carregados e tambores tribais. Seu primeiro álbum The Scream de 1978 com seu grande som cheio de espaço e distância, sua última faixa, “Switch”, já possuía uma atmosfera sombria e misteriosa. O disco foi citado como uma influência pelos músicos do Joy Division.[27] Join Hands de 1979 com sua atmosfera funeral inspirou muitas bandas mais tarde.[28] Siouxsie Sioux tornou-se um ícone com olhos delineados de preto maquiagem, batom e cabelos desgrenhados. “Nightshift”, uma das faixas mais sombrias do álbum Juju, relata a história de um assassino que queria estar mais perto de seus amantes.[29] O grupo foi desde o início um grande sucesso na Inglaterra com canções como “Cities In Dust”, “Hong Kong Garden” e “Dear Prudence”.

The Cure ao vivo em 2004.

Robert Smith liderou a banda inicialmente chamada Malice e Easy Cure antes de se tornar The Cure. Seu estilo é algo um tanto indefinível, mas como já foi citado, nem todas as bandas góticas se definem assim, pós-punk era a definição mais usada (por surgir depois do auge do punk rock). O primeiro álbum Three Imaginary Boys, de 1979, teve uma turnê de promoção que os levou a serem convidados para serem a banda de suporte de Siouxsie And The Banshees onde Robert Smith tocou guitarra por um curto período, a banda é bastante conhecida na cena pós-punk em parte graças ao vocal feminino de Siouxsie Sioux, apontada como uma grande influência para a composição e o estilo de Robert Smith. Após a edição do primeiro disco em 1979 e da coletânea Boys Don't Cry no início de 1980, o The Cure entra em seu período mais sombrio e obscuro, conhecido pela trilogia Seventeen Seconds, Faith e Pornography. Este período é considerado por uma parte considerável de fãs como a melhor fase da banda, no qual foram produzidas canções melancólicas e incontornáveis da sua carreira como “A Forest”, “Play For Today”, “Primary”, “Other Voices”, “Charlotte Sometimes”, “One Hundred Years”, “The Hanging Garden”, “A Strange Day” entre outras. Músicas mais alegres como “In Between Days”, “Pictures of You” e “Friday I'm in Love” foram outros de seus grandes sucessos.

Andrew Eldritch, frontman e um dos fundadores do Sisters of Mercy.

Expansão musical[editar | editar código-fonte]

Embora originalmente considerado um rótulo para um número pequeno de bandas sombrias do pós-punk, o rock gótico possui hoje um espectro bem maior, se afastando de suas origens no pós-punk e ao longo dos anos abrangendo outros estilos e gêneros musicais, desde grupos mais tradicionais de hard rock e rock and roll a exemplo de bandas como a americana The Cult e a finlandesa The 69 Eyes,[30] até a música eletrônica.

Com a evolução do gênero, outros estilos musicais foram se integrando mais à subcultura gótica e se fundindo mais a ele, que embora possam às vezes ser abordados de maneira distinta já parecem também coisas inseparáveis uma das outras.

Quando exportado para os americanos o rock gótico chegou da Inglaterra para se tornar o death rock. Na Inglaterra a Batcave, club centro da disseminação desse estilo, abrigava noites regadas ao som de bandas como o Specimen e o Bauhaus. Nos Estados Unidos o estilo também ganhou várias casas e uma contraparte típica, o Christian Death, bandas como essas podiam se encaixar perfeitamente no rótulo gótico. Enquanto que o death rock, como é conhecido hoje, é povoado de zumbis, humor negro, carnificina, ferimentos, necrofilia e todo tipo de brincadeira com a morte, inspirado em filme de terror de orçamento baixo. Os Misfits (também ligados ao punk rock) foram os primeiros a apresentarem tais temas, outras bandas incluíam Samhain, 45 Grave, Zombina and The Skeletones, Cinema Strange entre outros. (Ver: Death rock).

Um advento que tomou a cena alternativa de 1990 era chamado industrial, esse tipo de música já havia sido muito bem vindo pelo gótico no fim dos anos 80, a paixão pelo sombrio novamente fez a união. Os góticos, como se sabe, podem olhar para o passado com uma nostalgia irônica, (pois a era vitoriana é transformada em um ambiente muito propício e aconchegante para isso, mas como se sabe, as coisas não são bem assim) já o industrial olha para o futuro com um pessimismo baseado no presente. O industrial legitimo era um acontecimento musical que já havia ocorrido vinte anos antes ou menos. Eram trabalhos que colocavam em questão até que ponto existiria musicalidade, na arte de fazer barulho. Os artistas desse movimento podiam usar qualquer coisa que fosse ruidosa, alterada e misturada eletronicamente de forma desincronizada para parecer com nada que fosse entretenimento à cultura popular. Podem ser citados aqui os experimentalistas eletrônicos do Cabaret Voltaire, a cozinha destruidora de Monte Cazazza e os concertos que mais pareciam um ataque à queima roupa do Throbbing Glistle. Dessa forma a música underground dançante feita para animar clubes em meados dos anos 90 recebeu o rótulo de "industrial" também.

diz o vocalista Trent Reznor da banda Nine Inch Nails. O gótico preza o feminino, ou o andrógino, a beleza, o sombrio, o poético, o teatral, etc. e a música eletrônica industrial é agressiva, masculina, raivosa, barulhenta, informatizada, científica e etc. Logo se percebe uma união onde os opostos se completam então. Dessa mistura surgiram os cybergoths e rivetheads, ambas as subculturas são centradas em música eletrônica mas também são vulgarmente associadas a subcultura gótica.

Referências

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  2. http://www.obscuraundead.com/blog/glam-rock-a-defense-of-goths-architectural-origins-by-michael-louis-yysdj
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  20. Loder, Kurt (Dezembro de 1984). V.U. (album liner notes). [S.l.]: Verve Records  Parâmetro desconhecido |title-link= ignorado (ajuda)
  21. Loder, Kurt (Dezembro de 1984). V.U. (album liner notes). [S.l.]: Verve Records  Parâmetro desconhecido |title-link= ignorado (ajuda)
  22. {{cite magazine|last=Kent|first=Nick|title=Magazine's Mad Minstrels ganha impulso (revisão do álbum) |magazine=[[NME] ]|date=31 de março de 1979|page= 31}}
  23. .com/watch?v=QMRZROGtm1Q «Something Else [com Joy Division]» Verifique valor |url= (ajuda). televisão BBC [arquivo adicionado no youtube]. 15 de setembro de 1979. Cópia arquivada em |arquivourl= requer |arquivodata= (ajuda) 🔗. Por ser inquietante, é como sinistro e gótico, não será reproduzido. [entrevista do empresário do Joy Division, Tony Wilson, ao lado do baterista do Joy Division, Stephen Morris, às 3:31]  Parâmetro desconhecido |data-arquivo= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda)Predefinição:Cbignore
  24. Reynolds 2005, p. 352.
  25. Reynolds 2005, p. 432.
  26. a b c d (em inglês) Nitsuh Abebe.A Life Less Lived Pitchfork.com. 24-07-2007. "Familiar classics from the bands who turned out to be goth's godfathers-- Joy Division, the Cure, Bauhaus, Siouxsie & the Banshees-- but the heart of the thing remains England's 1980s goth heyday, where the urge to dance comes out in grim, grinding, relentless music for the fake undead: Look to the Sisters of Mercy's steamroller Temple of Love"
  27. «Playlist – Peter Hook's "Field recordings». Q magazine. 23 de abril de 2013. Consultado em 10 de janeiro de 2017. Siouxsie and the Banshees were one of our big influences [...] The Banshees first LP was one of my favourite ever records, the way the guitarist and the drummer played was a really unusual way of playing. 
  28. «Siouxsie and the Banshees: The Scream». The Mojo Collection. [S.l.]: Canongate Books. 2007. p. 413. ISBN 184767643X. Consultado em 14 de junho de 2013. The funereal follow-up, Join Hands (1979), inspired a host of gothic impersonators, none of whom matched the banshees' run of singles, [...]" 
  29. Petridis, Alexis (29 de setembro de 2006). «Back in Black». The Guardian. Consultado em 1 de abril de 2017 
  30. Kriegs, Masi (2004). «The 69 Eyes – Devils». Sonic Seducer (em alemão). Consultado em 15 de julho de 2012. Arquivado do original em 27 de dezembro de 2013  Parâmetro desconhecido |emitir= ignorado (ajuda)

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Baddeley, Gavin, Goth Chic
  • Kilpatrick, Nancy, The Goth Bible
  • Hodkinson, Paul, "Goth:Identity, Style and Subculture"
  • Kipper, H.A., "A Happy House in a Black Planet"
  • Site "www.themaozoleum.com" e www.carcasse.com.br