Rock psicodélico

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Rock psicodélico
Origens estilísticas Rock
Blues-rock
Garage rock
Folk-rock
Jazz
Raga
Country rock
Contexto cultural Metade da década de 1960, Estados Unidos e Reino Unido
Instrumentos típicos Guitarra elétrica - baixo - bateria - órgão eletrônico - mellotron - sitar
Popularidade Alta entre 1965 e 1971
Formas derivadas Hard rock - heavy metal - rock progressivo - space rock - glam rock - stoner rock - krautrock - new age - punk rock - proto punk - jam bands - neo-psychedelia
Subgêneros
Acid rock - raga rock - space rock
Gêneros de fusão
Psychedelic pop - psychedelic soul - psychedelic folk
Outros tópicos
Música psicadélica, hippies

Rock psicadélico (português europeu) ou rock psicodélico (português brasileiro) (psychedelic rock, em inglês) é um subgênero do rock que se desenvolveu na metade da década de 1960 e que influenciou a psicodelia. Costuma usar novas técnicas de estúdio e trazer características da música da Índia, como os pedais e o raga.

Surgiu com grupos pioneiros como 13th Floor Elevators, The Beatles, The Byrds, The Yardbirds, emergindo como um gênero na metade dos anos 1960 entre bandas de folk-rock e blues-rock dos Estados Unidos e da Inglaterra, como Grateful Dead, Jefferson Airplane, The Jimi Hendrix Experience, Cream, The Doors e Pink Floyd.

O Brasil também participou do movimento psicodélico nas décadas de 60 e 70 com bandas como Os Mutantes, Novos Baianos, O Terço, Raul Seixas, Bixo da Seda e A Bolha.

Atingiu popularidade máxima entre 1967 e 1969 com o Verão do Amor e o Festival de Woodstock, se tornando um movimento musical internacional e se associando a uma contracultura muito difundida, antes de entrar em declínio por mudanças de atitude e a perda de alguns músicos importantes para o gênero, o que levou os grupos sobreviventes a se tornarem bandas de outros gêneros relacionados (como o rock progressivo, o hard rock e o heavy metal).

Características[editar | editar código-fonte]

O rock psicodélico tentava replicar os efeitos e realçar a experiência de mente alterada dos alucinógenos, incorporando novos efeitos eletrônicos, solos estendidos, improvisação e o uso de instrumentos exóticos, particularmente da música Indiana.

Instrumentação[editar | editar código-fonte]

Sitar, muito usado pelas bandas do gênero

As bandas de rock psicodélico costumam incluir instrumentos típicos das bandas de rock, com uso frequente de teclados e instrumentos exóticos. As guitarras elétricas são frequentemente usadas com feedback, wah-wah e fuzzboxes,[1] efeitos pouco utilizados até o estilo se tornar popular. Costuma haver uso de instrumentos exóticos que são utilizados na música da Índia, paticularmente o sitar e o tabla.[2] Há uma forte presença de teclados, especialmente órgãos, cravos ou o Mellotron.[3] O uso de instrumentos eletrônicos como sintetizadores e teremim[4][5] era bastante comum, especialmente em bandas como The Rolling Stones, The Beach Boys, The Beatles, The Doors, The United States of America e Pink Floyd.

Linguagem musical[editar | editar código-fonte]

Estruturas musicais complexas costumam ser usadas no rock psicodélico. As canções costumam ter mudanças na armadura e no compasso, como por exemplo, em Lucy in the Sky with Diamonds: nos versos é utilizado o compasso ternário (3/4) e no refrão muda para 4/4; a canção usa a armadura de Lá maior nos versos, Si bemol maior antes do refrão, e Sol maior no refrão.[6] Os riffs de guitarra utilizam pedais e modos musicais, e os solos ou os jams são estendidos e improvisados.[7]

Conteúdo lírico[editar | editar código-fonte]

As letras fazem referência direta ou indireta às drogas, como em White Rabbit, de Jefferson Airplane, Purple Haze, de Jimi Hendrix ou Heroin do The Velvet Underground. Conteúdo surreal, fantástico, esotérico e literariamente inspirado costuma ser incluído nessas letras.[8] Estilo conhecido como Art Rock, um exemplo são as musicas que constituem o álbum The Piper At The Gates Of Dawn do Pink Floyd, nele as musicas tomam temas que remetem a fantasias e nostalgias, como bicicletas, gnomos, fadas, gatos siameses, contos de mães e etc. Além do Pink Floyd, outras bandas também são conhecidas por apresentar o Art Rock, como The Doors, The Velvet Underground, Jefferson Airplane entre outras.

Soul e funk[editar | editar código-fonte]

Seguindo a liderança de Hendrix no rock, a psicodelia começou a influenciar os músicos afro-americanos, particularmente as estrelas da gravadora Motown. Este soul psicodélico foi influenciado pelo movimento dos direitos civis, dando-lhe uma vantagem mais escura e mais política do que muitos rocks psicodélicos. [100] Com base no som funk de James Brown, o pioneirismo se deu em torno de 1968 por Sly and the Family Stone e The Temptations. Outros artistas que seguiriam essa tendência fora, Edwin Starr e Undisputed Truth. Os conjuntos interdependentes de Funkadelic e Parliament de George Clinton e seus vários spin-offs levaram o gênero a passos mais extremos, fazendo com que funk se torna-se quase como uma religião na década de 1970,[9] produzindo mais de quarenta singles, incluindo três no Top Ten dos Estados Unidos e três álbuns de platina.[10]


Enquanto o rock psicodélico começou a declinar no final da década de 1960, o soul psicodélico continuou na década de 1970, atingindo popularidade nos primeiros anos da década e apenas desaparecendo no final da década de 1970, já que os gostos começaram a mudar. Bandas como Earth, Wind & Fire, Kool & the Gang e Ohio Players, que começaram como artistas de soul psicodélico, incorporaram seus sons em música funk e eventualmente a música disco que a substituiu parcialmente.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. P. Prown, H. P. Newquist and J. F. Eiche, Legends of Rock Guitar: the Essential Reference of Rock's Greatest Guitarists (London: Hal Leonard Corporation, 1997), ISBN 0-7935-4042-9, p. 48.
  2. R. Rubin and J. P. Melnick, Immigration and American Popular Culture: an Introduction (New York, NY: New York University Press, 2007), ISBN 0-8147-7552-7, pp. 162-4.
  3. D. W. Marshall, Mass Market Medieval: Essays on the Middle Ages in Popular Culture (Jefferson NC: McFarland, 2007), ISBN 0-7864-2922-4, p. 32.
  4. J. DeRogatis, Turn On Your Mind: Four Decades of Great Psychedelic Rock (Milwaukie, Michigan: Hal Leonard, 2003), ISBN 0-634-05548-8, p. 230.
  5. R. Unterberger, Samb Hicks, Jennifer Dempsey, "Music USA: the Rough Guide", (Rough Guides, 1999), ISBN 1-85828-421-X, p. 391.
  6. Hal Leonard 1993, pp. 646–650.
  7. M. Hicks, Sixties Rock: Garage, Psychedelic, and Other Satisfactions Music in American Life (Chicago, IL: University of Illinois Press, 2000), ISBN 0-252-06915-3, pp. 64-6.
  8. G. Thompson, Please Please Me: Sixties British Pop, Inside Out (Oxford: Oxford University Press, 2008), ISBN 0-19-533318-7, p. 197.
  9. J. S. Harrington, Sonic Cool: the Life & Death of Rock 'n' Roll (Milwaukie, MI: Hal Leonard Corporation, 2002), ISBN 0-634-02861-8, pp. 249–50.
  10. Bogdanov, Vladimir; Woodstra, Chris; Erlewine, Stephen Thomas, eds. (2002). All Music Guide to Rock: The Definitive Guide to Rock, Pop, and Soul. Backbeat Books. p. 226 ISBN 978-0-87930-653-3.
  11. A. Bennett, Rock and Popular Music: Politics, Policies, Institutions (Abingdon: Routledge, 1993), ISBN 0-203-99196-6, p. 239