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Rita Lee

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Rita Lee
Rita Lee em 2010
Nome completoRita Lee Jones de Carvalho
Conhecido(a) porRainha do Rock Brasileiro
Nascimento
Rita Lee Jones


Morte
8 de maio de 2023 (75 anos)

São Paulo, SP, Brasil
Causa da mortecâncer de pulmão
Cônjuge
Filho(a)(s)3, incluindo Beto
Educação
Ocupação
PrêmiosLista completa
Carreira musical
Período musical1963–2023
Gênero(s)
Extensão vocalmezzosoprano
Instrumento(s)
Gravadora(s)
Afiliações
Assinatura

Rita Lee Jones de Carvalho OMC ORB (nascida Rita Lee Jones; São Paulo, 31 de dezembro de 1947 – São Paulo, 8 de maio de 2023) foi uma cantora, compositora, escritora, apresentadora de televisão e ativista brasileira. Conhecida como a "Rainha do Rock Brasileiro", destacou-se como uma das figuras de maior influência na música popular do país, reconhecida por sua reinvenção e versatilidade na produção musical e audiovisual. Iniciou a carreira no rock, mas explorou ao longo dos anos psicodelia, pop rock, disco, new wave, pop, bossa nova e eletrônica, promovendo um hibridismo pioneiro entre gêneros internacionais e tradições nacionais.[1] Essa trajetória permitiu-lhe sair do circuito alternativo dos anos 1960 e 1970 e conquistar amplo êxito com baladas românticas nos anos 1980, contribuindo significativamente para a revolução musical brasileira.[2]

Nascida e criada em São Paulo, começou sua trajetória musical em 1963, integrando o trio Tulio's Trio, passando depois pelo Teenage Singers (posteriormente Os Seis). Projetou-se nacionalmente como vocalista e instrumentista do grupo tropicalista Os Mutantes. Alcançou o estrelato solo com Fruto Proibido (1975), gravado com a banda Tutti Frutti e considerado marco essencial na história do rock brasileiro, servindo de referência para gerações de guitarristas.[3] Em 1976, estabeleceu parceria amorosa e criativa com o multi-instrumentista e compositor Roberto de Carvalho, com quem coescreveu a maior parte de seu repertório. Juntos, lançaram álbuns de grande repercussão comercial, entre eles Rita Lee (1979), Rita Lee (1980), Saúde (1981), Rita Lee e Roberto de Carvalho (1982) — este último entre os discos brasileiros mais vendidos de todos os tempos —, Bombom (1983), Flerte Fatal (1987), 3001 (2000) e Balacobaco (2003). Suas composições, caracterizadas por ironia ácida e defesa da autonomia feminina,[4] tornaram-se presença constante nas paradas, com sucessos como "Ovelha negra", "Agora só falta você", "Mania de você", "Lança perfume", "Baila comigo", "Saúde", "Banho de espuma", "Flagra", "Desculpe o auê", "Erva venenosa" e "Amor e sexo".

Sua visibilidade foi reforçada por meio de especiais de fim de ano na TV GloboRita Lee Jones (1980), Saúde (1981), O Circo (1982) e Rita e Roberto (1985) — e por atuações como apresentadora em programas como TVLeezão (1991), Saia Justa (2002) e Madame Lee (2005). Como escritora, publicou nove livros em vida e dois póstumos, destacando-se a primeira autobiografia, que vendeu setenta vezes a tiragem média de um livro no Brasil. Realizou ainda programas de rádio e participações em filmes e séries. Vegana convicta, defendeu os direitos dos animais, das mulheres e da comunidade LGBT.

Com mais de 55 milhões de discos vendidos, Rita Lee é a artista feminina brasileira de maior sucesso comercial em todos os tempos. Pioneira em excursões nacionais de grande porte em estádios, tornou-se a artista que mais rapidamente acumulou 500 mil espectadores em uma única turnê. Entre suas distinções estão 12 Prêmios da Música Brasileira, três Troféus Imprensa, três Prêmios APCA, dois Grammys Latinos, o prêmio honorário da União Brasileira de Compositores (UBC) e as Ordens do Mérito Cultural e do Rio Branco. Ela também foi listada, pela Rolling Stone Brasil, entre as melhores vozes e artistas brasileiros de todos os tempos.

Infância e primeiros anos

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Rita Lee ainda criança, em foto de família

Nascida na véspera de Ano-Novo, em uma família de classe média paulistana, Rita é a filha mais nova do dentista Charles Fenley Jones (1904–1983), paulista descendente de imigrantes norte-americanos confederados do Alabama e do Tennessee, estabelecidos em Santa Bárbara d'Oeste,[5] e de Romilda Padula, apelidada Chesa (1904–1986), também paulista, filha de imigrantes italianos da região do Molise, no sul da Itália.[6] Seus pais tinham outras duas filhas: Mary Lee Jones e Virgínia Lee Jones. Lee é um nome composto com que o pai quis registrar todas as filhas, em homenagem ao general Robert E. Lee, do exército confederado norte-americano.[7] Originalmente, seu primeiro nome era planejado para ser Bárbara, em homenagem à santa, mas na hora do batizado resolveram homenagear a avó materna, que se chamava Clorinda, mas tinha o apelido de Rita.[8]

Ela nasceu e cresceu no bairro da Vila Mariana, onde viveu até o nascimento de seu primeiro filho. Em entrevistas, revelou que esse bairro lhe era especial, já que lá tem uma grande parte de todas as melhores lembranças de sua vida.[9] A artista foi educada no colégio franco-brasileiro Liceu Pasteur; era poliglota e falava fluentemente português, inglês, francês, castelhano e italiano. Chegou a ingressar no curso de Comunicação Social na Universidade de São Paulo, em 1968, na mesma turma da atriz Regina Duarte.[10] Assim como Regina, abandonou o curso no ano seguinte.[11]

Durante a infância teve aulas de piano com a musicista clássica Magda Tagliaferro. Não pensava em ser cantora de rock, mas em ser atriz de cinema, veterinária ou a profissão que seu pai queria, dentista.[12] Suas primeiras influências musicais foram Elvis Presley, Neil Sedaka, Paul Anka, Peter, Paul and Mary, Beatles, Rolling Stones, mas também escutava música brasileira como Cauby Peixoto, Angela Maria, Tito Madi, João Gilberto, Emilinha Borba, Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e Maysa por influência dos pais.[13]

Na adolescência passou a se interessar por música e compôs suas primeiras canções. Junto de alguns amigos começou a se apresentar em clubes da região como componente do "Tulio's Trio".[14] Em 1963 formou um conjunto musical com mais duas garotas, as Teenage Singers, que faziam pequenos shows em festas colegiais. No ano seguinte elas conheceram o trio masculino Wooden Faces. Nesse mesmo ano, fez sua primeira gravação nos vocais para um álbum de Prini Lorez.[15] Teenage Singers e Wooden Faces juntaram-se, formando o Six Sided Rockers, banda que depois passou a se chamar "Os Seis" e que chegou a gravar um disco compacto, com duas músicas.[13]

Depois da saída de três componentes, sobraram Rita e os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista. O trio passou a se chamar Os Bruxos. Entretanto, o trio não estava satisfeito com esse nome e queriam mudá-lo, antes da apresentação do grupo, na estreia do programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, da TV Record (1966). Segundo Carlos Calado,[16] a ideia do nome "Os Mutantes" veio de uma brincadeira irônica de Alberto Helena Júnior, produtor do programa, com Ronnie Von, que, na época, estava lendo O Império dos Mutantes, de Stefan Wul e não falava de outro assunto. "Vocês ainda estão procurando um nome para o conjunto dos meninos? Por que não Os Mutantes?" Ronnie Von gostou da ideia de Alberto Helena e levou-a ao grupo, que a aprovou imediatamente.[17]

Biografia e carreira

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Os Mutantes e primeiros álbuns solo (1966–72)

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Os Mutantes em 1969; da esquerda para a direita: Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias.
Os Mutantes em 1971

Por um período de seis anos, Lee foi, com Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, integrante da banda Os Mutantes, cantando, tocando flauta e percussão, além de performances bissextas no sintetizador, no banjo e manipulando bizarrices como um gravador portátil (como na música "Caminhante noturno"), uma bomba de dedetização (em "Le premier bonheur du jour") e sendo letrista. Em 1967, a banda acompanhou Gilberto Gil no III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, na apresentação da canção "Domingo no parque".

Foram gravados seis álbuns, tendo o primeiro, de 1968, como uns dos mais importantes da história da música brasileira e que deram origem a hits como "A minha menina", "Dom Quixote", "Balada do louco", "2001 (Dois mil e um)" e "Ando meio desligado". De 1968 e 1972 foi casada com o companheiro de banda, Arnaldo. O divórcio foi assinado somente em 1977.[18]

Acompanhada dos componentes dos Mutantes, gravou dois discos solo. O primeiro foi Build Up (1970) — contendo algumas canções em parceria com Arnaldo — que, originalmente, era o repertório de um show feito exclusivamente para um evento empresarial (a Fenit), em São Paulo). Desse disco saiu seu primeiro single solo, "José" (uma versão de Nara Leão para a canção francesa "Joseph", de Georges Moustaki). O segundo disco, Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972), foi gravado com o seu nome, pois a banda já havia lançado um álbum naquele ano e, nos termos do contrato com a gravadora, não lhe era permitido outro lançamento. Com isso, Os Mutantes gravaram, mas só Lee aparece nos créditos.[18]

Em decorrência do fim de seu casamento e de discordâncias com os rumos que a banda estava tomando, a cantora foi expulsa dos Mutantes pelo próprio Arnaldo. Dentre distintas histórias e controvérsias, ela alega que seus companheiros achavam que ela não tinha o virtuosismo requerido pelo rock progressivo, novo interesse da banda. A informação de Lee acabou por se gerar uma grande discussão. Alguns diziam que ela teria saído do grupo. Entretanto, em 2007, Arnaldo admitiu, em entrevista: "Mandei a Rita embora dos Mutantes".[19] No livro Rita Lee: uma autobiografia, de 2016, ela contou em detalhes como se deu a notícia de sua saída:[20]

Tutti Frutti e consagração nacional (1973–78)

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Rita Lee em 1971.

Brevemente, em 1973, Lee formou a dupla folk-rock Cilibrinas do Éden ao lado da guitarrista Lúcia Turnbull. A dupla realizou uma apresentação única no festival Phono 73 — cuja gravação só seria divulgada na internet 35 anos mais tarde.[21][22] Dissolvido o projeto, Lee integrou a banda de hard rock Tutti Frutti, composta pelo guitarrista principal Luis Sérgio Carlini, pelo baixista Lee Marcucci, pelo baterista Paulinho Braga e pela própria Turnbull. Além dos vocais principais, Lee atuava no piano, sintetizador, harmônica e guitarra.[18] A Philips contratou o grupo sob a condição de creditá-lo como "Rita Lee & Tutti Frutti".[23] Gravado um álbum inicial, este foi retido pela gravadora por ser julgado excessivamente alternativo e por questões de censura.[24]

Retornando ao estúdio por força contratual, o grupo lançou Atrás do Porto Tem uma Cidade em 1974. Influenciado pelos Rolling Stones e David Bowie, o disco destacou as faixas "Mamãe Natureza" (reutilizada do material vetado), "Ando jururu" e "Menino bonito".[25][24] O produtor Marco Mazzola, contratado sem consentimento da banda, modificou substancialmente os arranjos, gerando insatisfação.[8] Em reunião na Phonogram, após relatório de um informante da gravadora que acompanhava os shows e alegava insucesso apesar da divulgação e infraestrutura, Lee se levantou e dirigiu insultos aos executivos presentes. O episódio culminou em sua expulsão da gravadora.[26] Em janeiro de 1975, o Tutti Frutti abriu o festival Hollywood Rock, ocasião que assinalou a saída definitiva de Turnbull.[27]

Rita Lee em 1972.

Lançado pela Som Livre em 1975, Fruto Proibido — fusão de hard rock, blues e glam rock — é reconhecido como obra-prima de Lee e marco fundamental do rock brasileiro.[28][29] As faixas de trabalho "Agora só falta você", "Esse tal de Roque Enrow" e "Ovelha negra" — esta última um hino geracional, com um dos solos de guitarra mais marcantes da música brasileira — dominaram as rádios.[28][30] O sucesso viabilizou a primeira turnê nacional de rock no país, abrangendo capitais de Norte a Sul e finalizando com a banda como atração principal na noite final do Festival de Saquarema de 1976.[31][32] O álbum alcançou 700 mil cópias vendidas e a 12.ª posição entre os discos mais comercializados no Brasil naquele ano.[30][33]

Entradas e Bandeiras (1976), produzido por Pena Schmidt, rendeu as faixas de trabalho "Coisas da vida" e "Corista de rock", além de "Bruxa amarela" (coautoria de Raul Seixas e Paulo Coelho).[28] Lee ausente durante a mixagem, o resultado destacou-se pela predominância das guitarras de Carlini.[18] No mesmo ano, ao contribuir para Ney Matogrosso a canção "Bandido corazón", Lee conheceu o guitarrista de Ney, Roberto de Carvalho, e iniciou um relacionamento romântico e profissional, incluindo incorporar Roberto à sua banda.[34]

Em agosto de 1976, grávida, Lee foi detida por posse de maconha juntamente ao lado da empresária e oito músicos do Tutti Frutti — episódio visto como manobra da ditadura militar para exemplificar à juventude. A cantora alegou ter cessado o uso de entorpecentes em razão da gestação e que as substâncias haviam sido plantadas pela polícia.[35][36] Transferida ao presídio feminino do Hipódromo, recebeu solidariedade de Elis Regina, que a visitou e demandou atendimento médico para complicações gestacionais:

Após cerca de um mês e meio detida, Lee foi condenada a um ano de prisão domiciliar e multa.[38] Cumpriu a pena na residência dos pais, em Vila Mariana, com autorização para apresentações apenas noturnas.[35] No retorno aos palcos, no Ginásio do Palmeiras, adotou figurino caricatural de presidiária inspirado nos Irmãos Metralha, obtendo apoio caloroso do público jovem, que atirou cigarros ao palco.[39][40]

A recepção comercial morna de Entradas e Bandeiras e a escassez de shows promocionais abalou Lee, gerando dificuldades financeiras.[34] Em março de 1977, lançou um compacto com a faixa "Arrombou a festa" (coescrita com Coelho), crítica à cena contemporânea da MPB, que gerou reações adversas — incluindo pichações retaliatórias como "Fora Rita Lee" e "Abaixo a gringa".[41][42] Apesar disso, o compacto posicionou-se em 13º lugar na lista anual de vendas, com mais de 250 mil cópias — recorde para o formato 7 polegadas.[33][42] Nasceu nesse mês seu filho Roberto (Beto Lee), seguido por João em 1979 e Antônio em 1981.[43]

Encerrada a prisão domiciliar, Lee integrou-se a Gilberto Gil na turnê Refestança, percorrendo oito capitais entre outubro e novembro de 1977; um álbum ao vivo documentou a colaboração.[44] No início de 1978, a banda realizou uma turnê nacional em grandes ginásios, quebrando por duas vezes o recorde do Gigantinho com 16 mil espectadores por noite.[39] Ainda em 1978, Babilônia produziu sucessos como "Jardins da Babilônia", "Eu e meu gato" e "Miss Brasil 2000". Divergências internas levaram à dissolução. Carlini — insatisfeito com seu papel reduzido na banda que cofundara e detentor do registro da marca Tutti Frutti — retirou-se, levando o nome. Os membros remanescentes prosseguiram com Lee,[45] que redesignou o conjunto como "Rita Lee & Cães e Gatos" para a turnê promocional de Babilônia.[39][46]

Início da fase pop e parceria com Roberto de Carvalho (1979–83)

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Letra da música "Papai me empresta o carro", de 1979, vetada pela Censura Federal.

Em 1979, após o fim do Tutti Frutti, Lee e Carvalho estabeleceram uma parceria composicional e cênica, em formato de "dupla dinâmica",[47] fazendo uma pausa estratégica para o lançamento do próximo disco.[34] Em agosto daquele ano, chega às lojas o álbum inaugural da parceria, Rita Lee — conhecido popularmente como Mania de Você —,[48] que comercializou 800 mil réplicas no total. Produzido durante a segunda gravidez do casal, o disco consolidou a transição definitiva do rock para um pop mais acessível,[49] firmando a cantora como a primeira superestrela do gênero no país. A faixa-título obteve rápido e amplo sucesso nacional,[50] enquanto "Chega mais" foi selecionada como tema de abertura da telenovela homônima,[51] um marco de prestígio para artistas brasileiros na época.[52] Ainda em 1979, Lee integrou o elenco do especial Mulher 80, transmitido pela TV Globo e dedicado às principais cantoras da música brasileira, então designadas como "cantoras do rádio".[53]

Sua popularidade continuou a aumentar com o lançamento, em setembro de 1980, do álbum seguinte, também intitulado Rita Lee e amplamente conhecido como Lança Perfume.[48] Esse trabalho marcou a primeira projeção internacional da carreira da artista, com vendas superiores a um milhão de cópias no Brasil,[54] 200 mil na Argentina — onde liderou as paradas por quase dois meses —, 155 mil na França, além de posições entre as três primeiras na Alemanha e no top 70 da Billboard estadunidense.[55][56] Nessa época, o então príncipe Charles declarou publicamente que Lee era sua cantora preferida.[57] Ao final de 1981, a artista figurou na capa da revista Exame por superar a crise que assolava a indústria fonográfica brasileira,[55] destacando-se como a cantora de maior vendagem e recebendo da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) o certificado de disco de platina dupla, equivalente a 500 mil exemplares vendidos no país;[58] o álbum figurou ainda na sétima posição da lista anual.[33] A capa e o encarte foram fotografados por Miro de Souza, que assinaria igualmente as capas dos dois álbuns subsequentes.[59] A faixa-título, principal foco de promoção, alcançou o topo das paradas das três principais emissoras de rádio francesas e tornou-se a música brasileira mais popular daquele ano,[55][60] enquanto "Baila comigo" serviu como tema de abertura da telenovela homônima.[51] Lee foi agraciada com o Troféu Imprensa de Melhor Música (pela faixa-título) e de Melhor Cantora.[61] A divulgação do álbum incluiu uma extensa e bem-sucedida turnê nacional, que percorreu diversos estados brasileiros.

Ao final de 1981 — data escolhida estrategicamente para as compras natalinas,[55] padrão mantido nos dois lançamentos seguintes —, foi lançado Saúde, o primeiro disco assinado diretamente pela dupla. O álbum enfrentou censura em razão de letras consideradas contrárias aos "bons costumes", além de críticas à mixagem realizada em Nova Iorque e ao uso de bateria eletrônica.[62] Embora tenha sido disponibilizado com 400 mil exemplares antecipados e tenha contado com um especial de fim de ano na série Grandes Nomes da TV Globo,[55][63] o disco não correspondeu às expectativas da gravadora: somou apenas mais 30 mil unidades vendidas até outubro de 1982,[64] obtendo certificado de platina.[65] Caracterizado pelo estilo carnavalesco típico da parceria,[34] o trabalho gerou sucessos nacionais como a faixa homônima e "Banho de espuma" — esta última entre as canções mais executadas no Brasil naquele período —,[66] consolidando Lee como a principal figura da música pop brasileira na época.[67]

Em 1982, foi lançado um disco homônimo, conhecido como Flagra, que constituiu o segundo projeto creditado à dupla. Deste trabalho, as principais faixas obtiveram grande repercussão: "Flagra" integrou a abertura da telenovela Final Feliz, e "Cor-de-rosa choque" (revisada pela censura federal por objeções aos trechos sobre menstruação) foi composta especialmente para o programa TV Mulher, da Globo.[66][68] O disco obteve um desempenho comercial extremamente favorável, recebendo certificação de duas vezes platina pela ABPD e prata pelo GPPFV por 30 mil cópias em Portugal.[69][70] No total, o material comercializou três milhões de cópias, figurando em terceiro lugar entre os mais vendidos no Brasil em 1983 e convertendo-se em um dos discos mais adquiridos de todos os tempos no país.[71][33] Ao final daquele ano, a dupla apresentou uma prévia da turnê subsequente em dois espetáculos para 20 mil espectadores no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, gravados para o especial de fim de ano O Circo, da TV Globo. A digressão de 1983, realizada em ginásios e estádios, inaugurou a era dos megashows protagonizados por artistas brasileiros, atraindo 500 mil espectadores em três meses — recorde para turnês nacionais à época —, com produção grandiosa que incluía cenografia sofisticada, iluminação elaborada e múltiplas trocas de figurino; tratou-se do maior espetáculo brasileiro empreendido até então,[72][73][74] culminando em seis datas consecutivas no Ginásio do Ibirapuera.[70] Em virtude do elevado investimento na estrutura, o faturamento final foi considerado um fracasso,[75] totalizando aproximadamente 80 milhões de cruzeiros.[nota 1] Dada sua popularidade junto ao público infantil, Lee dedicava os concertos dominicais às crianças, antecipando o início dos espetáculos e estendendo-os por 15 minutos adicionais.[77]

Pós-auge comercial e desgaste da dupla (1983–90)

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Bombom (1983) adotou orientação technopop,[78] com colaborações de membros do Toto (Steve Lukather e Mike Porcaro). Mal recepcionado pela crítica e submetido a intensa censura da DCDP por referências ao regime militar, o álbum teve as prensagens iniciais em vinil com as faixas "Arrombou o cofre" e "Degustação" riscadas com lâmina para impedir reprodução; apresentações públicas, transmissões radiofônicas e venda a menores de 18 anos foram proibidas.[79][80] O trabalho recebeu certificado de platina dupla,[81] mas foi considerado um fiasco, sobretudo pela ausência de turnê promocional.[82] Em 1985, Lee e Carvalho realizaram dois shows avulsos: um no Festival de Viña del Mar, no Chile, onde foram agraciados com a Tocha de Prata,[83] e uma apresentação aclamada na primeira edição do Rock in Rio.[18]

Durante suas turnês recordistas, Lee se apresentou em diversos ginásios e estádios, incluindo o Ginásio do Ibirapuera e o Mineirinho.

Após o falecimento dos pais e um período de adversidades pessoais relacionadas a álcool e drogas, Lee adotou tom mais sombrio e cinematográfico em Rita e Roberto (1985). A artista inovou no Brasil ao conceber um álbum integralmente acompanhado de videoclipes narrativos para todas as faixas. Um especial de fim de ano da TV Globo exibiu nove desses vídeos, nos quais interpretava personagens tragicômicos, como Glória Frankenstein. Embora elogiado pela crítica, o clima introspectivo interrompeu a série de sucessos radiofônicos, resultando em 500 mil cópias vendidas — menor que nos lançamentos anteriores.[78][84] Após o término do contrato com a Som Livre, em 1986, Lee dedicou-se, em parceria com o escritor Antonio Bivar, ao programa de rádio Rádioamador, transmitido pela 89 FM A Rádio Rock, que escreveu e apresentou sob o pseudônimo Lita Ree, interpretando diversos personagens.[85] Posteriormente, assinou com a EMI e reconquistou espaço nas rádios e paradas com Flerte Fatal (1987), impulsionado pela faixa "Pega rapaz",[18] que já saiu com 500 mil cópias encomendadas pelas lojas e obteve certificação de platina.[86][87] O álbum foi seguido por uma turnê de despedida das superproduções em arenas (1987–1988), que atraiu aproximadamente 250 mil pagantes.[88][89] Um especial da turnê, dirigido por Walter Salles, foi exibido pela Rede Manchete.[90]

Em 1988, a dupla publicou Zona Zen, recebido negativamente pela crítica e que marcou um período de desgaste na parceria.[28] Segundo a própria Lee, trata-se de um disco do qual não se orgulhava e que preferiria não ter gravado, devido a uma fase conturbada em sua vida pessoal.[91] Apesar da recepção morna, o trabalho rendeu-lhe o Prêmio Sharp de Música de Melhor Cantora de Pop/Rock.[92] Nesse período, Lee submeteu-se a cirurgia para remoção de nódulos nas cordas vocais e recuperou-se de lesões faciais decorrentes de um acidente de carro. Para cumprir o contrato com a gravadora,[93] a parceria encerrou a década com o álbum homônimo de 1990, apelidado de Perto do Fogo, cuja faixa-título foi coescrita com Cazuza e "La Miranda" — vencedora do Sharp de Melhor Música de Pop/Rock — integrou a abertura da telenovela Lua Cheia de Amor.[66][94][51]

Carreira solo e retorno de Roberto (1991–03)

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Em 1991, Lee separou-se temporariamente de Carvalho em termos profissionais e lançou a bem-sucedida turnê acústica Bossa 'n Roll, gravando o álbum ao vivo homônimo – um dos primeiros registros desplugados de grande porte no Brasil, realizado vários anos antes do fenômeno Acústico MTV e que acabou vendendo 400 mil cópias.[95][96] Regressou ao rock mais direto com o álbum de estúdio Rita Lee, lançado em 1993.[18]

O casal voltou a se apresentar junto em 1995, na turnê A Marca da Zorra.[18] Nesse mesmo ano, ao abrir o show dos Rolling Stones no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, Lee surgiu vestida de Virgem Maria, rezou uma Ave-Maria e interpretou "Todas as Mulheres do Mundo". A canção, que retratava de forma irreverente mas profundamente empática mulheres de todas as condições sociais, gerou grande polêmica nacional e levou a Arquidiocese do Rio de Janeiro a declarar sua excomunhão, alegando que o ato "afrontou os sentimentos religiosos da maioria da população".[97] Em dezembro de 1996, Lee e Carvalho oficializaram o casamento civil, e ela passou a assinar Rita Lee Jones de Carvalho.[18]

Na 9.ª edição do Prêmio Sharp de Música Brasileira, Lee conquistou três categorias numa única noite: Melhor Cantora de Pop/Rock, Melhor Disco de Pop/Rock (A Marca da Zorra) e Melhor Show ("A Marca da Zorra"). Ao receber os troféus, declarou:

No ano seguinte, antes do lançamento de Santa Rita de Sampa, foi a grande homenageada da cerimônia ao lado de Fernanda Montenegro. O tributo contou com apresentações de Caetano Veloso ("Agora só falta você"), Gilberto Gil ("Jardins da Babilônia"), Ney Matogrosso ("Bandido corazón"), Zélia Duncan ("Lá vou eu"), Fernanda Abreu ("Dançar pra não dançar") e Joyce (que interpretou a canção-homenagem "Minha gata Rita Lee").[99] Seu Acústico MTV de 1998, com participações de Cássia Eller ("Luz del Fuego"), Paula Toller ("Desculpe o auê"), Titãs ("Papai me empresta o carro") e Milton Nascimento ("Mania de você"),[100] vendeu 650 mil cópias – o maior número desde Rita Lee e Roberto de Carvalho (1982) – e foi apontado por Rolling Stone Brasil e Correio Braziliense como um dos melhores da série.[101][102][103]

3001 (2000), com colaborações de Tom Zé e Itamar Assumpção,[18] conquistou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou Alternativo em Língua Portuguesa.[104] A turnê internacional de 2000–2001 foi exibida como especial da Rede Bandeirantes, com convidados como Caetano Veloso, Zélia Duncan, Paula Toller e Pato Fu.[105] Lee gravou versões de músicas dos Beatles para Aqui, Ali, em Qualquer Lugar (2001; lançado internacionalmente como Bossa 'n Beatles), misturando bossa nova, rock e forró. O disco alcançou o primeiro lugar na Argentina, recebeu certificação de platina no país e culminou num show com ingressos esgotados no Luna Park, em Buenos Aires, considerado sua consagração definitiva por lá.[106][107]

Seguiram-se os álbuns de compilação Para Sempre e Novelas (2001–2002), este último reunindo suas músicas de trilha de telenovela.[51] Balacobaco (2003) vendeu 550 mil cópias impulsionado pelo sucesso "Amor e sexo" e marcou o retorno da artista ao grande êxito comercial com material totalmente inédito – o primeiro desde o final dos anos 1980.[108][109] Em 2004, apresentou-se para mais de 200 mil pessoas no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, durante as comemorações dos 450 anos da cidade.[110]

Reza e aposentadoria (2010–14)

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Em 2010, iniciou sua nova turnê, que estreou em Belo Horizonte, na qual cantou sucessos que estavam fora de seu repertório. O show percorreu várias cidades do Brasil como São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além de ter passado por Buenos Aires, com apresentação no teatro Gran Rex. Em 2012, Lee anuncia sua aposentadoria dos palcos em seu show de estreia no Circo Voador no Rio de Janeiro, devido à sua fragilidade física. "Me aposento dos shows, mas da música nunca", explicou a cantora no seu Twitter.[111]

Rita Lee em 2011.

Em janeiro de 2012, durante o que seria a última apresentação, no Projeto Verão em Sergipe, Lee expressou sua indignação com a ação da polícia militar, que agiu de modo agressivo com seu público.[112] Acusada de desacato à autoridade, a cantora foi encaminhada a uma delegacia após o show para prestar depoimento, porém liberada em seguida.[113][114] A cantora alegou ter falado pelo "calor das emoções", e por ter achado a ação dos policiais "truculenta e desnecessária".[115]

No Carnaval de 2012, desfilou pela escola de samba paulista Águia de Ouro, cujo tema foi a Tropicália. Desfilaram também outros cantores do movimento, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de cantores como Wanderléa, Cauby Peixoto e Angela Maria. Lee homenageou a atriz Leila Diniz no desfile.[18]

Após alguns anos sem gravar músicas inéditas, tendo seu último álbum sido Balacobaco, em 2003, Lee anuncia o lançamento de seu então novo álbum, Reza. Em fevereiro de 2012, lançou o primeiro single promocional do álbum. Pouco tempo depois a canção ultrapassou o sucesso "Ai, Se Eu Te Pego", de Michel Teló, no número de downloads do iTunes Brasil.[116] No mês seguinte, a música entrou para a trilha sonora da telenovela Avenida Brasil, da TV Globo.[117]

Em novembro de 2012, fez um show que marcou sua volta aos palcos, com apresentação no Green Move Festival, no qual também se apresentaram as bandas Titãs e Jota Quest. Na apresentação, a cantora causou nova polêmica ao abaixar a calça e virar-se para o público.[118] Em janeiro de 2013, participou do show que fez parte da comemoração dos 459 anos da cidade de São Paulo, no Vale do Anhangabaú. "Daqui eu não saio", disse Lee, sobre a cidade em que nasceu.[119]

Último anos (2014–2023)

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Em 2013, Lee concedeu rara entrevista à revista Marie Claire, na qual abordou o envelhecimento feminino como um dos grandes tabus da mulher contemporânea. Declarou: "Para envelhecer com dignidade, a mulher tem de ter desapego. É muito complexo".[120] No mesmo ano, para celebrar os 50 anos de carreira solo, lançou o livro Storynhas, em parceria com a cartunista Laerte. Publicado pela Companhia das Letras, o volume reúne 76 breves histórias criadas a partir de publicações icônicas da cantora no Twitter, plataforma que ela frequentava com assiduidade.[121]

Em 2014, Lee optou por abandonar a tintura vermelha nos cabelos — marca registrada de sua imagem pública — e assumir os fios grisalhos, justificando: "Quero ficar anônima".[122] Nesse período, estreou em São Paulo o musical Rita Lee Mora ao Lado, adaptação do livro homônimo de Henrique Bartsch, estrelado por Mel Lisboa.[123][124] A cantora compareceu a uma das sessões, comovendo a atriz até às lágrimas.[125] Mais tarde, enviou uma mensagem em vídeo de felicitações quando Lisboa conquistou o Prêmio Quem de Melhor Atriz de Teatro.[126]

Em 2015, foi lançada uma coleção composta por vinte álbuns remasterizados de sua discografia, acompanhada de um disco extra com raridades — canções gravadas para trilhas sonoras de telenovelas, comerciais e filmes, mas não incluídas em seus álbuns oficiais.[127]

A partir de 2016, Lee concentrou-se prioritariamente na produção literária. Pela Globo Livros, publicou sua primeira autobiografia, Rita Lee: uma autobiografia, que superou 200 mil exemplares vendidos — aproximadamente setenta vezes a tiragem média de um livro no Brasil —, obteve elogios unânimes da crítica da crítica e recebeu o Prêmio APCA de Literatura na categoria Biografia/Autobiografia/Memória.[128] Na mesma cerimônia, foi agraciada com o Grande Prêmio da Crítica da APCA em Música Popular, em reconhecimento ao conjunto de sua trajetória musical.[129] Seguiu-se a coletânea infantojuvenil Dropz (2017), composta por 61 narrativas ilustradas sobre diversos temas; segundo a autora, o livro foi escrito em apenas três meses, sem pressão ou rotina pré-estabelecida. O lançamento contou com sessão de autógrafos em uma loja Saraiva do shopping Pátio Paulista, em São Paulo.[130] Em 2018, publicou FavoRita, em coautoria com Guilherme Samora, reunindo fotos raras, documentos de músicas vetadas pelo regime militar, destaques de moda e um novo ensaio fotográfico, que forneceu a imagem da capa.[131]

Durante a pandemia de COVID-19, uma participação especial prevista no espetáculo de seu filho Beto Lee, em São Paulo, foi cancelada em razão das restrições sanitárias. Nesse intervalo, dedicou-se intensamente à composição e anunciou planos para um novo álbum de estúdio — o primeiro desde Reza (2012) —, que incluiria a faixa punk-rock "Vírus do Horror", inspirada no contexto pandêmico.[132] O projeto, no entanto, não se materializou. Em 2021, a dupla Anavitória incluiu em seu álbum Cor a canção "Amarelo, azul e branco", com participação de Lee na recitação de um trecho de Simone de Beauvoir.[133] No mesmo ano, lançou o single "Change", em colaboração com Carvalho e o produtor eletrônico Gui Boratto, integrado à trilha sonora da telenovela Um Lugar ao Sol.[134] Ainda nesse período, seu filho João Lee (DJ e produtor musical) curou três volumes do projeto Rita Lee & Roberto – Classix Remix, reunindo 42 faixas remixadas por diversos DJs a partir do repertório original.[135]

Em novembro de 2022, recebeu o Prêmio de Excelência Musical na 23.ª edição do Grammy Latino, com tributos prestados por Luísa Sonza, Giulia Be, Paula Lima e Manu Gavassi.[136] Dois anos depois, Lee (postumamente) e Carvalho tornaram-se a primeira dupla de compositores a receber o Prêmio UBC pelo conjunto da obra, em cerimônia dirigida por Beto Lee, com reinterpretações executadas por Fernanda Abreu, Pitty, Léo Jaime e outros artistas.[137] Seu último trabalho em vida foi o segundo volume autobiográfico, Rita Lee: outra autobiografia (2023, Globo Livros), no qual relata com detalhes o tratamento contra o câncer de pulmão, diagnosticado em 2021.[138]

Lançamentos póstumos

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Em janeiro de 2011 — um ano antes de anunciar sua aposentadoria dos palcos — Lee começou a trabalhar no álbum Bossa 'n Movies. Previsto como sequência do álbum ao vivo Bossa 'n Roll, de 1991, o projeto incluiria versões em português, escritas pela própria cantora, de famosos temas de filmes reinterpretados no estilo bossa nova. No entanto, ela priorizou o álbum de inéditas Reza (2012) e deixou Bossa 'n Movies de lado após gravar vocais para apenas duas faixas. Uma delas, "Voando" — versão em português da canção italiana "Volare", de Domenico Modugno e Franco Migliacci — foi exibida em primeira mão pelo programa Fantástico, da Globo, em 9 de junho de 2024, treze anos após a gravação. A faixa foi lançada no dia seguinte, creditada também a Carvalho, que atuou como produtor musical, arranjador e único instrumentista (no violão, baixo, programação e teclados).[139] A faixa venceu o Prêmio da Música Brasileira na categoria Projeto Audiovisual.[140]

No mês seguinte ao lançamento de "Voando", foi editado pela Globo Livros o segundo livro póstumo de Lee, intitulado O mito do mito, lançado postumamente a pedido da autora após ter sido iniciado em 2005 e finalizado apenas em 2019. A pedido de Lee, nenhum posicionamento deveria ser feito por Roberto ou Guilherme em entrevistas ou coletivas de imprensa, de modo a preservar o mistério e a veracidade dos contos. A foto da capa, bem como aspectos gráficos, foram curados pela própria autora.[141]

Mais tarde naquele ano, chegou às plataformas digitais o registro ao vivo Uma Noite no Luna Park, disco que registra o espetáculo realizado pela cantora em novembro de 2002 na arena Luna Park, em Buenos Aires, com repertório composto majoritariamente por reinterpretações dos Beatles. Posteriormente, foi lançado em vinil duplo.[142]

Vida pessoal

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Beto Lee, primeiro filho de Rita Lee, em 2009.

Em 1976, começou um relacionamento amoroso com o multi-instrumentista e compositor Roberto de Carvalho, que até o fim da carreira de Rita foi o parceiro da maioria de suas canções. Tiveram três filhos. Beto Lee, primeiro filho da artista, nascido em 1977, seguido por João em 1979, e Antônio em 1981.[43] Rita era vegana e defensora dos direitos dos animais.[143]

Relação com São Paulo

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Rita Lee nasceu e cresceu na Vila Mariana, um bairro tradicional na Zona Sul da cidade de São Paulo.[144] Na Vila Mariana a cantora cresceu e viveu durante sua infância e adolescência (até os 19 anos), em um casarão na rua Joaquim Távora. Durante sua juventude, ela explorou diversos locais da cidade, desde a Rua Augusta, o Parque do Ibirapuera, o Estádio do Pacaembu até em Interlagos, locais que são frequentemente mencionados em suas músicas.[144] Em "Mania de Você", por exemplo, ela cantou em um show na cidade "Sampa, você me dá água na boca", evidenciando sua admiração pela metrópole.[145] A cantora passou um tempo morando na Serra da Cantareira, onde tentou viver em uma comunidade hippie com seus irmãos.[146]

Além da Vila Mariana, Rita também viveu em outros bairros, incluindo a Pompeia, onde ela se envolveu com o conjunto Os Mutantes.[147] No bairro da Zona Oeste paulistana, especificamente na Rua Venâncio Aires, nasceu o grupo, que teve Rita como membro até 1972.[147] O bairro também é mencionado na canção "Orra meu", onde Rita expressa seu amor pela localidade: "Pego na guitarra e não largo até a Pompeia gritar".[147]

Muito citado em suas músicas, o Parque do Ibirapuera possui uma praça em homenagem a cantora
No distrito da Vila Mariana, Rita cresceu e viveu até os 19 anos, nele também foi presa durante a ditadura militar brasileira

Outras músicas que citam a cidade: "Caminhante Noturno" (1969), "De Novo Aqui, Meu Bom José" (1972), "Lá Vou Eu" (1976), "Lady Babel" (1976), "Vírus do Amor" (1985), "Vítima" (1985), "Gloria F" (1985), "Brasyx Muamba" (1987), "Venha Até São Paulo" (1993) e "Santa Rita de Sampa" (1997).[146] Nessas músicas a compositora cita:[148] o Largo do Arouche, o bairro da Liberdade, a Praça da Sé, o Rio Tietê, o Sport Club Corinthians Paulista além do Viaduto do Chá.[144]

Em uma semana do mês de abril do ano 2000 ocorreu um episódio notável que ilustra essa conexão com a cidade, foi o desaparecimento de seu cachorro, Mike, no Jardim São Bento, bairro nobre localizado próximo ao bairro de Santana, Zona Norte.[149] A cantora foi ao Programa Domingo Legal de Gugu Liberato no SBT fazer um pedido de socorro na TV aberta ao vivo. A operação de resgate do cachorrinho fez com que a cantora "invadisse" outros programas de TV e rádio naquela semana.[150] "Programa do Jô", "Pânico", o hit parade da Transamérica e os vespertinos da 89FM a receberam, e prometia uma recompensa a quem localizasse seu pet de quatro anos de idade.[150] O incidente teve um desfecho feliz quando Leandro Lehart, músico e residente do mesmo bairro, encontrou o cachorro e o devolveu à cantora. Este evento foi amplamente divulgado na mídia local e reforça o senso de comunidade que permeia várias partes da cidade.[149]

Em 2013, durante o início da turnê que celebrava seus 50 anos de carreira, Rita Lee expressou seu amor por São Paulo de maneira marcante. Em um concerto no Vale do Anhangabaú, ela se apresentou envolta na bandeira da cidade, que na época comemorava 459 anos. Durante o evento, ela afirmou: "eu amo essa cidade. Moro aqui há 67 anos! Daqui eu não saio. (...) Se não fosse São Paulo, o Brasil seria bem menos".[144] Estes comentários refletem a profunda relação afetiva que ela mantinha com a cidade, um sentimento que foi poeticamente capturado por Caetano Veloso ao descrevê-la como "a mais completa tradução" de São Paulo em sua canção "Sampa".[151] Foi chamada também de "Santa Rita de Sampa".[146]

O legado de Rita Lee foi imortalizado não apenas através de sua música, mas também por meio de um mural na Vila Mariana instalado em 2023.[147] Criado pelos artistas Paulo Terra, Pedro Terra e Eraldo Moura, o painel artístico está localizado na Rua Domingos de Morais e apresenta duas representações de Rita Lee, destacando diferentes fases de sua carreira.[152] Este tributo visual reforça ainda mais sua conexão com o bairro onde nasceu e cresceu.[153]

Avenida São João × Avenida Ipiranga, imortalizada na canção "Sampa" de Caetano Veloso que chama Rita Lee de "a mais completa tradução"

Rita Lee faleceu em 8 de maio de 2023, e sua morte foi seguida por um velório no Planetário Professor Aristóteles Orsini, localizado no Ibirapuera,[154] um local que simboliza sua ligação contínua com São Paulo.[155] As circunstâncias de sua despedida, assim como as homenagens póstumas, sublinham o impacto duradouro de sua figura na cultura brasileira.[154]

Em abril de 2024 houve um projeto de Lei, proposto por uma vereadora paulistana, que visava a inclusão do nome de Rita Lee no Parque Ibirapuera, que passaria a se chamar "Parque Ibirapuera – Rita Lee".[156] O projeto foi modificado[157] e o prefeito da cidade sanciona lei que dá nome de Rita Lee a antiga Praça da Paz, localizada no mesmo parque, chamada "Praça da Paz - Rita Lee".[158] Em julho do mesmo ano a Câmara Municipal de São Paulo homenageou a cantora instituindo o dia 22 de maio como o Dia de Rita Lee. A mudança foi publicada no Diário Oficial pela Lei nº 18.151.[159]

Em 1996, sofreu uma queda da varanda no segundo andar de seu sítio, esfacelando o côndilo maxilar, o que levou a uma cirurgia para colocação de pinos de titânio.[160][161] Depois da cirurgia bem-sucedida e diante da possibilidade de retomar sua carreira, Rita ter-se-ia comprometido a largar as drogas e as bebidas alcoólicas, o que, segundo uma declaração da cantora ao programa Fantástico, da TV Globo, só o fez totalmente em janeiro de 2006, depois de procurar ajuda numa clínica de reabilitação, a qual ela chama de "hospício", conseguindo frequentar palestras e fazer tratamento, obtendo êxito.[162] Em maio de 2012, Rita declarou sofrer de transtorno bipolar.[163]

Em maio de 2021, quando tinha 73 anos de idade, realizou um exame de saúde de rotina e foi diagnosticada com um tumor primário no pulmão esquerdo.[164][165] Os médicos que a diagnosticaram previram uma sobrevida de três a quatro meses.[165][166] Ao longo do tratamento, o câncer entrou em processo de metástase e a cantora teve de iniciar uma quimioterapia.[167] Em abril de 2022, novos exames indicaram a ausência de um dos tumores, apelidado por ela de "Jair", em referência ao então presidente Jair Bolsonaro.[168][169][170] Ainda assim, a doença continuou a se espalhar pelos órgãos de Rita.[167]

Em fevereiro de 2023, Rita foi internada no hospital Albert Einstein, em São Paulo, em estado "extremamente delicado".[171] Algumas horas após a informação ser divulgada, o marido da cantora, Roberto, disse em suas redes sociais que a internação seria "para exames e avaliações" e pediu privacidade.[172] Rita obteve alta no mês seguinte.[173] Desde então, ela entrou em cuidados paliativos, sendo acompanhada por duas enfermeiras.[174] Nesse ponto, havia perdido a capacidade de andar, estando instalada em um quarto de hospital.[166][175]

Em 8 de maio de 2023, seu estado de saúde piorou novamente e ela morreu cercada de sua família, em seu apartamento em São Paulo.[176] Sua família anunciou que seu velório ocorreria no Planetário do Ibirapuera em 10 de maio, sendo aberto ao público.[177][178][179] O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, decretou luto oficial de três dias em pesar pelo seu falecimento. "Uma artista a frente do seu tempo. Julgava inapropriado o título de rainha do rock, mas o apelido faz jus a sua trajetória", afirmou em nota.[180]

Segundo o jornal Correio Braziliense, Rita Lee deixou uma herança estimada em cerca de 30 milhões de reais. Além do patrimônio, que rende direitos autorais, a artista deixou negócios, imóveis e uma extensa gama de investimentos.[181]

Outros trabalhos

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Televisão

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Em Os Trapalhões (1977) interpretou uma fotógrafa num concurso de miss. Em Top Model (1989), escrita por Walther Negrão e Antônio Calmon, interpretou Maria Regina, a esotérica Belatrix, uma das ex-mulheres do surfista Gaspar, interpretado por Nuno Leal Maia. Em Vamp (1991), também escrita por Calmon, Rita era a roqueira-vampira Lita Ree, amiga da protagonista Natasha, interpretada por Cláudia Ohana. Ainda no ano de 1991, Rita ganhou um programa na MTV Brasil intitulado TVleezão.[182]

Em 1997 participou do sitcom Sai de Baixo, no episódio "Presepada de Natal", como Scarlet Antibes, uma prima do personagem Caco Antibes, interpretado por Miguel Falabella. Em 2002 passou a co-apresentar o programa de televisão Saia Justa, no canal pago GNT (Globosat), ao lado de Mônica Waldvogel, Marisa Orth e Fernanda Young, Rita se despediu do programa em 2004. Em Celebridade (2003), fez uma participação especial como ela mesma e contracenou com Maria Clara, interpretada por Malu Mader.[182]

Em 2005 comandou, ao lado do marido Roberto de Carvalho, o talk show Madame Lee, também transmitido pela GNT. Em 2010 foi convidada pelo diretor Jorge Fernando para regravar seu sucesso de 1985, Ti Ti Ti. A música foi usada na abertura do remake da novela no horário das 19 horas. Rita fez uma participação no último capítulo fazendo um show, cantando esta música.[182] Em 2017 participou do documentário Laerte-se, da Netflix.[183]

Lee tornou-se um ícone da cultura pop brasileira, ao longo de sua carreira.[184] A artista é considerada a maior estrela da história do rock brasileiro, desde quando foi nomeada de "Rainha do rock brasileiro", por ser a mais bem sucedida do gênero.[185][186] Thales de Menezes, escreveu para a Folha de S.Paulo, que "ela foi fundamental no desenvolvimento do gênero no país. A começar por surgir em cena num período atribulado, quando o rock era considerado um "vilão cultural" por nomes importantes da música e das artes brasileiras".[187] Editores do blog Ao Redor avaliam que "o rock encontrou em Lee uma voz que ecoa liberdade, inovação e resistência. Ela não apenas adaptou o rock ao cenário cultural brasileiro, mas também o enriqueceu com suas próprias influências e perspectivas".[188]

Thiago Vieira, da Universidade Estadual Paulista, avalia que "especificamente no ano de 1967, sua aparição pública foi bastante importante para aquele momento da música popular brasileira. Era a explosão do Movimento Tropicalista, que foi fundamental na renovação da canção popular no Brasil. Isso se deu de forma contundente pela presença das guitarras elétricas, pela presença de outra linguagem e sobretudo por expor os muros que separavam a música brasileira da música estrangeira". O autor acrescenta que a artista teve um papel enorme e diferenciado na assimilação da linguagem do gênero no país, que foi além da música e envolveu também questões de comportamento: "Apesar das influências do rock londrino e experimental que ela e os Mutantes trouxeram, Lee sempre fez uma defesa ampla de uma linha mais libertária, de ser uma mulher que estava ancorada nos seus direitos, na busca de seus direitos, acompanhando movimentos que aconteciam na Europa e nos Estados Unidos. Neste grande bojo da contracultura, ela vai trazer uma atitude ligada ao rock. Não apenas a sonoridade, mas também uma atitude transgressora, underground. Isso é bastante importante para entender como o seu papel colaborou para renovar, ao longo da década de 1960, a linguagem da canção no Brasil. Apesar de se tornar mais pop ao longo da carreira, Lee foi uma artista de muitas facetas, mas nunca abriu mão de sua singularidade".[189]

Rita Lee no Vivo Rio, em 2009.

Escrevendo para a para a revista Veja, Felipe Branco comentou que Lee, "desde d'Os Mutantes, já demonstrava seu pioneirismo: foi uma das primeiras mulheres a tocar guitarra, um instrumento tido como exclusivamente masculino. Ela também foi uma das poucas artistas femininas da época que, além de intérprete, compunham as letras e os arranjos das músicas".[190] Fernando Pereira, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa: "Na década de [19]60, ela e Os Mutantes não vendiam apenas música. Vendiam, também, um estilo de vida. E como isso incomodou. Assim, boa parte da informação sobre a vida da artista se confunde com a informação de sua carreira. Ao contrário de outros cantores e compositores, que conseguiram preservar um pouco de sua intimidade, a vida de Rita foi pública durante toda sua existência e, por isso, virou história. História da música popular brasileira".[191] Lee foi uma das primeiras artistas do segmento a abordar abertamente a liberdade e os direitos das mulheres, trazendo em suas letras uma abordagem dos anseios femininos sem limitações. Ao longo de sua carreira, usou suas músicas e a sua própria imagem para lutar pela liberdade e igualdade das mulheres, combatendo os estereótipos de gênero dentro da indústria musical e na sociedade como um todo. Isso lhe rendeu perseguições políticas e diversas tentativas claras de censura. Em suas composições, falou de temas tabus na sociedade, como aborto, homossexualidade, drogas — e dedicou boa parte da sua obra à defesa da emancipação feminina. Em uma entrevista teria dito: "Preconceito é uma enfermidade, uma doença horrível, e deve ser tratada".[192] Ousadias como essas que, de acrodo com Branco, "fizeram dela, sim, a ovelha ovelha da música e uma das maiores artistas do país".[190] Sobre esse aspecto, Jéssica Rodrigues Araújo Cunha, autora de A Importância da Produção Musical de Rita Lee (2010), citou o lirismo de "Mania de Você" como um exemplo, alegando que "demonstra que o sexo pode ser buscado pela mulher com o objetivo do prazer, já que na sociedade brasileira ainda pairava – e paira – sobre o ar, certa moralidade relacionada ao sexo e a mulher".[193]

Já José Antônio Barbosa, em seu artigo As faces de Eva: o universo feminino no léxico de Rita Lee, explica que através da faixa "enuncia-se um discurso sobre o amor, a relação conjugal e o desejo sexual de forma despojada e nunca antes explicitamente tratada na canção de uma compositora e cantora feminina".[194] Da mesma forma, Luiz Tatit assinala que as faixas "falam sobre o amor, a relação conjugal e o desejo sexual de forma despojada, como mulher alguma havia feito antes na música brasileira e" é possível verificar que ", a partir das canções da artista, o ponto de vista da mulher sobre assuntos variados – antes restritos ao unverso masculino – começa a ser observado e discutido".[195]

Renato Gonçalves Ferreira Filho, em Rita Lee, mulher-alienígena, afirma que "sob certo aspecto, ela se mostrava em linha de sintonia com composições de homens e mulheres que emergiram com força na música brasileira, especialmente nos anos 1970, pondo em evidência o corpo como território do prazer, em contraposição à moral sexual hegemônica".[196] Para a acadêmica feminista Ana Karla Marcelino, a artista foi "uma notável representante musical da luta contra a ideologia patriarcal dominante, escrevendo músicas que criticam os estereótipos atribuídos às mulheres", citando "Elvira Pagã" como um desses exemplos, de "mulheres por ela homenageadas", que "representam a quebra de paradigmas e uma crítica aos estereótipos femininos".[197] Pereira comenta que a artista colocou, como poucas, o feminino em pauta, "não o feminino feminista. Mas o feminino da mulher que entrava cada vez mais no mercado de trabalho, que, ainda timidamente, começava a encontrar melhores cargos; da mulher divorciada que criava os filhos e tinha que se abrir a novas experiências. Rita sintetizava o feminino da mulher-metrópole. Meio mãe, meio dona-de-casa, meio funcionária, meio musa, mas principalmente a mulher cidadã.[191]

Lee e seu trabalho foram referência para vários artistas, incluindo Marisa Monte,[198] Pitty,[199] Manu Gavassi,[200] Paula Lima,[201] Zélia Duncan,[202] Preta Gil,[203] Ana Carolina,[204] Maria Rita,[204] Zezé Motta,[205] Luísa Sonza,[205] Paula Toller,[205] Paulo Ricardo,[206] Titãs,[207] Cassia Eller,[208] Daniela Mercury,[209] Claudia Leitte,[210] Wanessa Camargo,[211] Anitta,[212] Julia Mestre,[213] Chitãozinho e Xororó,[214] Fernanda Takai,[215] Ana Caetano,[216] Kell Smith,[216] Filipe Catto,[216] Badi Assad,[216] Duda Beat,[216] Larissa Manoela[216] Iza,[217] Dinho Ouro Preto,[217] Érika Martins,[218] Mel Lisboa[219] e Adriana Calcanhoto.[220]

Homenagens

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Em 2024, a Prefeitura do Rio homenageou a cantora com o Parque Rita Lee, situado dentro do Parque Olímpico do Rio de Janeiro.[221] Será tema do enredo da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel no Carnaval do Rio de Janeiro para 2026 com o título "Rita Lee: A Padroeira da Liberdade".[222]

Quase um ano após o falecimento da cantora, estreou no palco do Teatro Porto, em São Paulo, o espetáculo Rita Lee: Uma Autobiografia Musical. Dirigida por Márcio Macena e Debora Dubois, a montagem teve Mel Lisboa no papel principal, reprisando a interpretação de Rita Lee que a atriz já havia realizado em 2014 no musical Rita Lee Mora ao Lado e na minissérie Elis - Viver é Melhor que Sonhar, transmitida pela TV Globo.[223] A produção permaneceu em cartaz por pouco mais de um ano no mesmo teatro e, logo em seguida, empreendeu uma turnê que visitou diversas capitais brasileiras.[224][225] Assinado pelo jornalista e editor Guilherme Samora, o roteiro teve como ponto de partida a autobiografia oficial publicada por Rita Lee em 2016.[223]

Além de Mel Lisboa, o elenco contou com Bruno Fraga interpretando Roberto de Carvalho, Fabiano Augusto como Ney Matogrosso, Flávia Strongolli como Elis Regina, Yael Pecarovich como Gal Costa, Gustavo Rezende como Raul Seixas e Roquildes Junior como Gilberto Gil. Completaram a formação Carol Portes, Antonio Vanfill, Lui Vizotto e Priscila Esteves, responsáveis por diversos personagens.[226] Débora Reis, que integrou a banda de Rita Lee como vocal de apoio durante doze anos, reprisou o papel da apresentadora Hebe Camargo, personagem que já havia interpretado nos musicais Rita Lee Mora ao Lado e Hebe - O Musical.[227]

Previsto para estrear em abril de 2026, em São Paulo, o monólogo Balada da Louca terá Lília Cabral no papel de Rita Lee, retratando os últimos dias da cantora. A obra baseia-se no livro Outra autobiografia. O roteiro é novamente de Guilherme Samora e a direção cabe a Beatriz Barros.[228]

Enredo de Carnaval

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Fã do Carvanal, Rita já havia desfilado na avenida quando a Águia de Ouro homenageou o Tropicalismo em 2012. Em 2026, a escola carioca Mocidade Independente de Padre Miguel vai prestar uma homenagem à memória da cantora, contando sua história na Marquês de Sapucaí com o enredo Rita Lee: Padroeira da Liberdade. Com samba composto por Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto, Cabeça do Ajax e interpretado por Igor Vianna, Rita Lee: Padroeira da Liberdade será a primeira homenagem que a cantora receberá no Carnaval carioca.[229]

Rita Lee: Mania de Você e Ritas

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Em 8 de maio de 2025 — dois anos após a morte de Rita Lee — o documentário Rita Lee: Mania de Você estreou na plataforma Max. Dirigido por Guido Goldberg e produzido pela Mandarina Contenidos, da Argentina,[230] o filme apresenta um retrato íntimo da vida e da carreira da cantora por meio de entrevistas exclusivas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, músicos e celebridades, incluindo Gilberto Gil e Ney Matogrosso. Um dos destaques é a leitura de uma carta que ela escreveu para sua família pouco antes de morrer, na qual reflete sobre sua trajetória e legado.[231][232]

Menos de duas semanas depois, em 22 de maio — dia de Santa Rita de Cássia, data que Rita Lee adotara simbolicamente como seu "novo aniversário" e que São Paulo oficializara como o Dia de Rita Lee —, o documentário Ritas chegou aos cinemas brasileiros.[233] Dirigido por Oswaldo Santana e codirigido por Karen Harley, o filme dispensa entrevistas com celebridades e narração biográfica, priorizando a voz da própria artista, extraída de entrevistas ao longo de sua carreira e de vídeos caseiros gravados por ela. Oferece um vislumbre pessoal de seus anos mais reclusos, mostrando seu jardim (cuidado por Roberto de Carvalho), coleção de miniaturas, pinturas, saguis de estimação, cachorro e gatos.[232][234] A produção rapidamente se tornou o documentário brasileiro mais visto nos cinemas naquele ano, superando 50 mil ingressos vendidos.[235]

Conquistas

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Lista de prêmios e indicações de Rita Lee
Premiação Vencidos Indicações
Prêmio Multishow
- 1
Grammy Latino
2 7
Prêmio da Música Brasileira
12 21
Top 100 Brasil
1 5
MTV Video Music Brasil
- 3
Troféu Universo Musical
- 2
Revista Pop
1 1
Revista Fatos e Fotos
1 1
Troféu APCA
3 1
Prêmio Shell
1 1
Prêmio Contigo de Música Brasileira
- 1
Prêmio Quem
- 1
Total
Prêmios vencidos 23
Indicações 40
Ano Ordem Grau
2003 Ordem do Mérito Cultural Comendador[236]
2023 Ordem de Rio Branco Comendador (póstumo)[237]

Discografia

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Rita Lee durante apresentação em Araçatuba, em 2009.
  • Turnê Tutti Frutti (1973-1974; com Tutti Frutti)
  • Turnê Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974-1975; com Tutti Frutti)
  • Turnê Fruto Proibido (1975-1976; com Tutti Frutti)
  • Turnê Entradas e Bandeiras (1976-1977; com Tutti Frutti)
  • Refestança (1977; com Gilberto Gil)
  • Turnê Babilônia (1978; com Tutti Frutti)
  • Turnê Mania de Você (1979-1980)
  • Lança Perfume (1980-1981)
  • Saúde (1981)
  • Rita Lee e Roberto Tour Brasil 83
  • Rita Lee e Roberto Tour 87/88 (1987-1988)
  • Turnê Bossa N Roll (1991-1992)
  • Rita Lee & Banda (1993-1995)
  • Turnê A Marca da Zorra (1995-1996)
  • Turnê Santa Rita de Sampa (1997-1998)
  • Turnê Meio Desleegada (1998-1999)
  • Turnê 3001 (2000-2001)
  • Turnê Yê Yê Yê de Bamba (2002)
  • Balacobaco (2004)
  • Turnê PicNic (2007-2009)
  • Turnê Multishows (2009-2010)
  • Turnê Etc... (2010-2012)

Filmografia

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Televisão

Ano Título Personagem Notas
1980 Rita Lee Jones Ela mesma Série "Grandes Nomes"
1981 Saúde
1982 O Circo Especial de fim de ano (TV Globo)
1985 Rita e Roberto
1986 Cida, a Gata Roqueira Sunda Morgana
1988 Rita & Roberto: Flerte Fatal Ela mesma Especial de fim de ano (Manchete)
1990 Top Model Belatrix Kundera Episódio: "7–10 de janeiro"
1991 Vamp Lita Ree Episódio: "17 de setembro"
1991 TVLeezão Apresentadora 12 episódios entre 8 de junho e 28 de setembro
1995 A Marca da Zorra Ela mesma Especial de fim de ano
1997 Sai de Baixo Scarlet Antibes Episódio: "Presepada de Natal"
2001 Especial 3001 Ela mesma Especial de fim de ano (Band)
2002–04 Saia Justa Apresentadora Temporadas 1—3
2004 Celebridade Ela mesma Episódios: "19–22 de janeiro"
2005 Madame Lee Apresentadora 13 episódios entre 25 de setembro e 18 de dezembro
2011 Ti Ti Ti Ela mesma Episódio: "18 de março"
2017 Manual para se Defender de Aliens, Ninjas e Zumbis Grão Mestre Episódio: "13"

Cinema

Ano Título Personagem Nota
1968 As Amorosas Cantora do clube
1988 Fogo e Paixão Namorada no piquenique
1989 Dias Melhores Virão Mary Shadow
1994 Tanta Estrela Por Aí... Raul Seixas
2002 Durval Discos Julieta
2006 Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll Rê Bordosa (voz) Dublagem
2010 Uma Noite em 67 Ela mesma Documentário
2012 Tropicália
2013 Minhocas Martha (voz) Dublagem
2014 A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum Pirata[238]

Ver também

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Notas e referências

Notas

  1. Cerca de R$2 641 763 em dezembro de 2025, corrigido pelo poder de compra via IPCA (incluindo as conversões nominais de moedas históricas implícitas nos cálculos de inflação encadeados).[76]

Referências

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Bibliografia

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Ligações externas

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