Carmen Miranda

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Carmen Miranda
Informação geral
Também conhecido(a) como A Pequena Notável
The Brazilian Bombshell
Ditadora Risonha do Samba
Nascimento 9 de fevereiro de 1909
Local de nascimento Marco de Canaveses, Distrito do Porto
 Portugal
Data de morte 5 de agosto de 1955 (46 anos)
Local de morte Beverly Hills,  Califórnia
 Estados Unidos
Ocupação(ões) Atriz, cantora
Cônjuge David Alfred Sebastian (1947-1955)
Período em atividade 1928-1955
Gravadora(s) Brunswick
Victor
Odeon
Decca
Afiliação(ões) Josué de Barros, Aurora Miranda, Bando da Lua, Almirante, Sylvio Caldas, Ary Barroso, Ademilde Fonseca, Mário Reis, Dorival Caymmi, Francisco Alves, Lamartine Babo, Castro Barbosa, Luís Barbos, Barbosa Júnior, Andrews Sisters
Página oficial Site Oficial
Signature Carmen Miranda.jpg

Maria do Carmo Miranda da Cunha GOIH OMC [1] (Várzea da Ovelha e Aliviada, Marco de Canaveses, 9 de fevereiro de 1909Los Angeles, 5 de agosto de 1955), mais conhecida como Carmen Miranda, foi uma cantora e atriz luso-brasileira.[2] [nota 1] Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão.[4] Foi considerada pela revista Rolling Stone como a 15ª maior voz da música brasileira. Um ícone e símbolo internacional do país no exterior.[5]

O primeiro grande sucesso veio com a marcha-canção Ta-hí (Pra Você Gostar De Mim), de Joubert de Carvalho lançada em 1930 e que foi recorde de vendas, ultrapassando a marca de 36 mil cópias,[6] a música alcançou uma popularidade tão grande que, em menos de seis meses, Carmen Miranda já era a cantora mais famosa do Brasil. No ano seguinte, ela fez sua primeira turnê internacional, já como uma artista renomada, quando foi para a Argentina com os cantores Francisco Alves, Mário Reis e com o bandolinista Luperce Miranda. Ela retornou à Argentina mais oito vezes, entre os anos de 1933 e 1938.[7] Carmen Miranda tornou-se a primeira artista de rádio a assinar contrato com uma emissora, quando na época todos recebiam somente cachês.[8] E seu sucesso na indústria fonográfica lhe garantiu um lugar nos primeiros filmes sonoros lançados na década de 1930.

Foi em 1939, no filme Banana da Terra, que Carmen Miranda apareceu pela primeira vez caracterizada de baiana, personagem que a lançou internacionalmente. O musical apresentava clássicos como O que é que a baiana tem?, que lançou Dorival Caymmi no cinema.[9] Quando estava em temporada no Cassino da Urca, Carmen foi contratada pelo o magnata do show business Lee Shubert, para ser uma das atrações do seu novo espetáculo, The Streets of Paris, que estrearia na Broadway. Este foi o episódio que transformou a vida de quem mais tarde viria a ser conhecida como "The Brazilian Bombshell".[10]

Em 1940, ela fez sua estreia no cinema americano no filme Serenata Tropical, com Don Ameche e Betty Grable, a crítica aclamava suas roupas exóticas e seu sotaque latino, que tornou-se sua marca registrada.[11] Nesse período ela foi eleita a terceira personalidade mais popular nos Estados Unidos, e foi convidada para se apresentar junto com seu grupo, o Bando da Lua, para o presidente Franklin Roosevelt na Casa Branca.[12] Carmem Miranda chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos.[nota 2] Sua fortuna foi estimada como algo equivalente a cerca de $2 milhões de dólares pelo Los Angeles Times.[14]

Fez um total de catorze filmes nos EUA entre 1940 e 1953, nove deles somente na 20th Century Fox. Embora aclamada como uma artista talentosa, sua popularidade diminuiu até o final da Segunda Guerra Mundial. O seu talento como cantora e performer, porém, muitas vezes foi ofuscado pelo caráter exótico de suas apresentações. Carmen tentou reconstruir sua identidade e fugir do enquadramento que seus produtores e a indústria tentavam lhe impor, mas sem conseguir grandes avanços. Numa época em que Hollywood estava interessada em vender musicais de "boa vizinhança" para evitar que as nações da América Latina se alinhassem com o Eixo, Carmen Miranda se tornou a personificação de um exotismo latino-americano genérico que foi abraçado como singular e peculiar pelo público dos EUA e rejeitado como inautêntico e paternalista por brasileiros.[15] De fato, por todos os estereótipos que enfrentou ao longo de sua carreira, suas apresentações fizeram grandes avanços na popularização da música brasileira, ao mesmo tempo, abrindo o caminho para o aumento da consciência de toda a cultura Latina.[16]

Carmen Miranda foi a primeira artista latino-americana a ser convidada a imprimir suas mãos e pés no pátio do Grauman's Chinese Theatre, em 1941. Ela também se tornou a primeira sul-americana a ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama.[17] A sua figura, para muito além da música, seria uma influência permanente na cultura brasileira, da Tropicália ao cinema.[18]

Em 20 anos de carreira deixou sua voz registrada em 279 gravações somente no Brasil e mais 34 nos EUA, num total de 313 canções. Um museu foi construído mais tarde no Rio de Janeiro, em sua homenagem.[19] Em 1995, ela foi tema do aclamado documentário Carmen Miranda: Bananas is my Business, dirigido por Helena Solberg,[20] uma interseção no cruzamento da Hollywood Boulevard e Orange Drive em frente ao Teatro Chinês em Hollywood foi oficialmente nomeada Carmen Miranda Square, em setembro de 1998.[21] Até hoje, nenhum artista brasileiro teve tanta projeção internacional como ela.[22]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Travessa do Comércio, Praça 15, Centro do Rio. No início do século XX, a Travessa já era um dos mais importantes núcleos de imigrantes portugueses do Rio. No sobrado de n° 13 funcionava a pensão e residência de D.Maria, mãe de Carmen Miranda. Ali Carmen e sua família viveram seis anos.[23]

Carmen Miranda foi batizada com o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha na igreja da freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, concelho de Marco de Canaveses.[24] Era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto da Cunha (Marco de Canaveses, Várzea da Ovelha e Aliviada, 17 de fevereiro de 1887 - 21 de junho de 1938) e de sua mulher, Maria Emília Miranda (Marco de Canaveses, Várzea da Ovelha e Aliviada, 10 de março de 1886 - Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1971). Ganhou o apelido de Carmen no Brasil, graças ao gosto que seu tio Amaro tinha por óperas.

A emigração da família para o Brasil já estava marcada. Entretanto, ao ver-se grávida, a mãe de Carmen Miranda preferiu aguardar o nascimento da filha. Pouco depois, seu pai, José Maria, emigrou para o Brasil,[25] onde se instalou no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília seguiu o marido, acompanhada da filha mais velha, Olinda (1907-1931), e de Carmen, que tinha menos de um ano de idade.[25] [26] Carmen nunca voltou ao país onde nascera. A câmara municipal de Marco de Canaveses deu seu nome ao museu municipal.

No Rio de Janeiro, seu pai abriu um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, número 70, em sociedade com um conterrâneo. A família estabeleceu-se no sobrado acima do salão. Mais tarde mudaram-se para a rua Joaquim Silva, número 53, na Lapa.

No Brasil, nasceram os outros quatro filhos do casal: Amaro (1911), Cecília (1913-2011), Aurora (1915-2005)[27] e Óscar (1916).[25]

Carmen estudou na escola de freiras Santa Teresa, na rua da Lapa, número 24. Teve o seu primeiro emprego aos 14 anos numa loja de gravatas, e depois numa chapelaria. Contam que foi despedida por passar o tempo cantando, mas o seu biógrafo Ruy Castro diz que ela cantava por influência de sua irmã mais velha, Olinda, e que assim atraía clientes.[28]

Nesta época, a sua família deixou a Lapa e passou a residir num sobrado na Travessa do Comércio, número 13. Em 1925, Olinda, acometida de tuberculose, voltou a Portugal para tratamento, onde permaneceu até sua morte em 1931. Para complementar a renda familiar, sua mãe passou a administrar uma pensão doméstica que servia refeições para empregados de comércio.

Em 1926, Carmen, que tentava ser artista, apareceu incógnita em uma fotografia na sessão de cinema do jornalista Pedro Lima da revista Selecta.

1928—1939: O início da carreira artística e consagração[editar | editar código-fonte]

Interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, gravado em 1934

Interpretado por Carmen Miranda e Mário Reis, gravado em 1933

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No estúdio da rádio Mayrink Veiga, 1932, o jovem Manuel de Nóbrega, aos 19 anos ( 2º em pé da esq para dir) Carmen e Aurora Miranda (sentadas) segurando a flauta Pixinguinha.

Em 1928, o deputado baiano Aníbal Duarte, apresentou Carmen Miranda a Josué de Barros. Josué trabalhava na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto (atual Rádio MEC) e levou Miranda para atuar na emissora. Ele então a apresentou ao diretor da Brunswick e em 1929, ela gravou sua primeira música, o samba "Não Vá Sim'bora", com autoria de Josué. Carmen Miranda foi então apresentada ao diretor da gravadora RCA Victor, onde iniciou sua carreira gravando "Dona Balbina" e "Triste Jandaia". Meses depois foram lançadas as musicas "Barucuntum" e "Iaiá Ioiô".[29]

O famoso compositor e médico Joubert de Carvalho compôs a música "Taí" com a marcha-canção "Pra Você Gostar de Mim" gravada por Miranda em 1930, a canção foi um sucesso e o disco vendeu 35 mil cópias no ano de lançamento, recorde para a época, Carmen Miranda era então aclamada pela crítica como "a maior cantora do Brasil".

Como muitos dos primeiros atores no Brasil, Carmen Miranda era já uma estrela bem estabelecida da música popular e do rádio, a sua transição para o cinema, e seu sucesso na indústria fonográfica lhe garantiu um lugar nos primeiros filmes sonoros lançados na década de 1930. Sua carreira no Brasil foi intimamente ligada com o gênero de filmes musicais que se baseou em tradições carnavalescas do país, e as celebrações anuais e estilos musicais da cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, em particular.[30]

Em 1926, ela apareceu como figurante no filme A Esposa do Solteiro, e quatro anos depois assinou contrato para Degraus da Vida, que não chegou a ser rodado. Miranda também apresentou um número musical em O Carnaval Cantado no Rio (1932), o primeiro documentário sonoro sobre o tema popular, e três músicas em A Voz do Carnaval (1933), que combinou imagens reais das celebrações do carnaval de rua no Rio com um enredo fictício que fornecia infinitos pretextos para números musicais.

Sua aparição seguinte no cinema foi em Alô, Alô, Brasil (1935), e seu status de estrela da música popular foi refletido no fato dela ter sido escolhida para se apresentar no número de encerramento do filme, a marcha "Primavera no Rio", que ela havia gravado pela RCA Victor em agosto de 1934.[31] Carmen Miranda roubou o show com este desempenho e o chefe dos estúdios da Cinédia, Adhemar Gonzaga, decidiu torná-lo o musical final do filme, em vez de um número liderado pelo cantor Francisco Alves, como havia sido planejado inicialmente. Poucos meses após o lançamento de Alô, Alô, Brasil, a revista Cinearte declarou: "Carmen Miranda é atualmente a maior figura popular do cinema brasileiro, a julgar pelo número de correspondência que ela recebe".

O êxito do filme levou a Cinédia a chamá-la para um novo musical, Bonequinha de Seda. Esta, por algum motivo não elucidado, provavelmente viagem à Argentina, não aceitou o papel, que foi dado a Gilda de Abreu. Miranda logo passou a ser chamada de "A Pequena Notável" - por causa da estatura baixa, apelido dado nessa época, pelo radialista César Ladeira.[32]

Em seu filme seguinte, Estudantes (1935), foi dado a Carmen Miranda pela primeira vez um papel narrativo. Nesta chamada produção de "meio do ano" lançada para coincidir com os festejos juninos, Carmen interpretou Mimi, uma jovem cantora de rádio (que apresenta dois números no filme), que se apaixona por um estudante universitário desempenhado pelo cantor Mário Reis.

Cartaz do filme Alô, Alô, Carnaval.

Carmen Miranda foi fundamental para o sucesso da próxima co-produção dos estúdios Waldow-Cinédia, o musical Alô, Alô, Carnaval, que contou com um elenco de estrelas do mundo da música popular e do rádio, incluindo a irmã de Carmen, Aurora Miranda. E pelos padrões brasileiros da época Alô, Alô, Carnaval foi uma grande produção. O set reproduziu o interior do luxuoso Cassino Atlântico do Rio, onde algumas das cenas foram filmadas, e os cenários para determinados números musicais. Carmen desempenhou claramente um papel crucial na atração, como é evidenciado por um cartaz anunciando o filme, que inclui apenas uma imagem, uma fotografia de corpo inteiro dela, apoiada aparentemente em um grande cartaz listando os membros do elenco, com o seu nome no topo. Embora em 1936 a versão original do filme desse a Francisco Alves o número final, foi o memorável desempenho de Carmen e Aurora em "Cantoras do Rádio" que conquistou o público. Quando uma cópia restaurada do filme foi lançado em 1974, foi precisamente o seu número musical que foi escolhido para fechar o filme, em reconhecimento do apelo duradouro da fama internacional de Carmen, bem como o valor de entretenimento inerente da performance.

Sua carreira no rádio inclui passagens pela Mayrink Veiga (1932-1936), onde assinou um contrato de dois anos para ganhar dois contos de réis por mês, fato que a tornaria a primeira cantora de rádio a assinar um contrato de trabalho com uma emissora, quando a praxe era o cachê por participação. Em 1936, Miranda assinou com a Tupi, ganhando semanalmente 1 conto de réis. Em novembro de 1937, com o fim do primeiro contrato com a Tupi, a Mayrink a chamou de volta por seis contos de réis mensais, reafirmando sua condição de "a artista mais bem paga do rádio brasileiro".[33] Dois anos depois de ingressar na Odeon, ela já era o mais popular e bem pago nome da música brasileira.[34]

Cartaz do filme Banana da Terra.

O último filme brasileiro de Carmen Miranda foi outro musical carnavalesco, Banana da Terra (1939).[35] Mais uma vez o enredo cômico do filme, era essencialmente uma construção para encadear os vários números musicais. A história começa na ilha fictícia do Oceano Pacífico, a Bananolândia, que produziu muita banana naquele ano e não teve compradores para o produto. A rainha da terra, interpretada pela cantora Dircinha Batista, foi avisada pelo conselheiro-mor, interpretado pelo ator cômico Oscarito, que devia vender banana para o Brasil. E isso ela consegue, por meio de uma intensa propaganda feita pelos jornais e pelo rádio. A ação gira em seguida, no ambiente cosmopolita dos casinos do Rio de Janeiro facilitando a inclusão de uma série de apresentações musicais. Pretendia-se que os dois pontos altos do filme fosse o desempenho por Carmen Miranda em "Boneca de Pixe", em um dueto com o apresentador de rádio Almirante, e sua performance solo em "Na Baixa do Sapateiro", composta por Ary Barroso. No entanto, Barroso exigiu mais dinheiro para o uso de suas composições, revelou-se impossível chegar a um acordo e as canções foram retiradas do filme, embora os dois respectivos cenários tenham sido criados, e os figurinos e maquiagem planejado. Para economizar tempo e dinheiro, Wallace Downey, o produtor do filme, decidiu simplesmente usar os cenários existentes e figurinos na performance de duas novas canções, a macha "Pirulito" e "O Que É que a Baiana Tem?". A única parte do filme que sobreviveu ao tempo é a seqüência em que Carmen executa a canção de Dorival Caymmi, além de cinco fotografias de seu dueto com Almirante da canção Pirulito. De acordo com a letra da música, Carmen apareceria vestindo o traje de "baiana", e foi esta versão estilizada de seu figurino que instaurou o estilo que a consagrou no mundo todo.

Em 1940, era lançado Laranja da China, filme da trilogia da qual fazia parte Banana da Terra. Estreado quando Carmen já estava nos EUA, não podendo mais contar com a participação da artista, mas capitalizando em cima da sua popularidade, reaproveitou-se de Banana da Terra a cena em que ela aparece cantando "O Que É que a Baiana Tem?".[36]

Quando se apresentava na no Cassino da Urca, nos dias que antecederam o carnaval de 1939, vestida como "baiana", e acompanhada pelo Bando da Lua, Carmen Miranda chama a atenção do produtor norte-americano Lee Shubert, dono da Select Operating Corporation, que administrava metade dos teatros da Broadway, o empresário ficou impressionado com o seu talento e a contrata para seu espetáculo intitulado "The Streets of Paris". Mas a execução do contrato não foi imediata, pois Miranda fazia questão de levar consigo o Bando da Lua, apesar de Shubert estar apenas interessado nela. O impasse foi resolvido graças à intervenção de Alzira Vargas, que garantiu o embarque dos integrantes do Bando da Lua.[37] Carmen Miranda então partiu no navio S.S. Uruguay em 4 de maio de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

A exótica "baiana" agradou aos norte-americanos, mas despertou polêmica entre os brasileiros, com suas vestes estilizada e o arranjo de frutas tropicais que carregava sobre a cabeça – marcas definitivas de sua imagem – Carmen Miranda, acabou por expor ao mundo uma visão caricata e estereotipada do Brasil. No auge da “política de boa vizinhança” entre os Estados Unidos e a América Latina, sua imagem era explorada pelos estúdios à exaustão. Tal exposição internacional fez despertar na intelectualidade brasileira um certo sentimento de desprezo por sua figura.[38]

Em uma apresentação no Cassino da Urca em 15 de julho de 1940, depois de sua volta dos Estados Unidos, com a presença de políticos importantes do Estado Novo, foi apupada pelos que a consideravam "americanizada". Entre os seus críticos havia muitos que eram simpatizantes de correntes políticas contrárias a norte-americana. Dois meses depois, Carmen Miranda voltaria ao mesmo palco e seria fartamente aplaudida por uma platéia mais afeita ao seu repertório, então já atualizado com respostas como "Disseram que Voltei Americanizada", especialmente composta por Vicente Paiva e Luiz Peixoto, no mesmo mês gravou seus últimos discos no Brasil.[39]

1939—1940: Estreia na Broadway e carreira no cinema americano[editar | editar código-fonte]

Bud Abbott (esquerda) e Lou Costello com Carmen Miranda.

Miranda chegou à Nova York em 18 de maio. Ela e o Bando da Lua fizeram sua primeira apresentação na Broadway em 19 de junho de 1939, em As Ruas de Paris, uma revista musical estrelada por Bobby Clark, os comediantes Abbott & Costello, Luella Gear e o cantor Jean Sablon entre os principais artistas. Era uma produção de Olsen e Johnson em parceria com Lee Shubert, e estreou inicialmente no Shubert Theatre de Boston em 29 de maio de 1939. Embora a parte de Miranda fosse pequena, ela recebeu boas críticas e se tornou uma sensação na mídia.

De acordo com o crítico de teatro do New York Times, Brooks Atkinson, a maioria dos números musicais era "de mau gosto" se comparadas as genuínas revistas parisienses, Atkinson continua, mas foram os "Sul-americanos que contribuíram com a personalidade mais magnética" da revista. Carmen Miranda canta as suas "rápidas canções acompanhadas de uma banda brasileira. O calor que ela irradia vai sobrecarregar as fábricas de ar-condicionado neste verão”.[41]

O colunista Walter Winchell relatou em sua coluna no Daily Mirror, que uma nova estrela tinha nascido que salvaria a Broadway da queda nas vendas de bilhetes causada pela popularidade da Feira Mundial de Nova York de 1939. O elogio de Winchell para Carmen e seu Bando da Lua foi repetido em seu programa diário na rede de rádio ABC, que atingia 55 milhões de ouvintes. A imprensa elogiou Miranda como "A garota que está salvando a Broadway da Feira Mundial".[42]

O revisor teatral da revista Life escrevendo sobre o show disse, "perto do final do primeiro ato de Streets of Paris uma jovem chamativa vestindo uma roupa estranha de cores vivas se contorce através das cortinas e começa a confundir o público já deslumbrado em um breve número de canções em português. Em parte porque sua melodia incomum e ritmos fortemente acentuados são diferentes de tudo já ouviu falar em uma revista musical em Manhattan antes, em parte porque não há nenhum significado, exceto os olhos insinuantes de Carmen Miranda, ela e suas músicas são hit do show".[43]

A revista Time escreveu que “ela é a garota que para o show, que todos admiram, e ao quais todos se sentem atraídos”. Um crítico resumiu seu surpreendente apelo: "ela é a maior sensação teatral do ano".[44] A revista foi um sucesso e permaneceu em cartaz em Nova York por todo um semestre, totalizando 274 apresentações.[45] Sendo depois levada para Pittsburgh, Filadélfia, Baltimore e Washington D.C, chegando a Chicago, Detroit e Cleveland. Em 5 de março de 1940, ela fez uma performance perante o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.

Assim que a notícia da mais recente estrela da Broadway, chamada de "Brazilian Bombshell", chegou a Hollywood, a Twentieth Century-Fox começou a desenvolver um filme para apresentá-la. Lançado em 1940, Serenata Tropical foi um grande sucesso, e criou um tipo de musical hollywoodiano totalmente novo, que definiria em grande parte o avançado estilo da Fox durante a década seguinte, apresentando o popular Don Ameche e a novata Betty Grable, o filme se tornou o musical número 1 do estúdio naquele ano, gerando uma receita de $2 milhões de dólares, e três indicações ao Oscar.[46] Produzido por Darryl F. Zanuck, o filme era uma refilmagem de Romance do Sul, de 1938, e levou mais de 10 meses de filmagem para ser concluído, na ocasião, a mais longa na história da companhia.[47] No enredo, os personagens principais viajam a Argentina, onde visitam o clube noturno "El Trigre", e onde encontram Carmen Miranda, como ela mesma, cantando os números do seu musical da Broadway, e apesar de não interagir com o elenco sua performance recebeu elogios por parte da crítica. Ted Sennet, em seu livro Hollywood Musicals escreve que "Carmen Miranda canta com uma energia que ameaça fazer desabar o absurdamente alto e enfeitado turbante em sua cabeça"[48] Down Argentine Way é considerado o primeiro de muitos filmes feito pela Fox para implementar a chamada "Política de Boa Vizinhança" do presidente Franklin D. Roosevelt em relação à América Latina. Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo dos Estados Unidos desenvolveu uma agência administrativa para incentivar as boas relações com a América Latina, devido a crescente influência nazista na região. O Escritório de Assuntos Inter-Americanos foi criado para promover e estimular especificamente a produção de filmes de "boa vizinhança". A produção de Down Argentine Way antecedeu a criação do Gabinete de Assuntos Interamericanos, mas foi provavelmente influenciado pela política de administração de Roosevelt. Os filmes eram muito populares nos Estados Unidos, mas não bem sucedido como propaganda destinada a América Latina porque faltava autenticidade regional.[49] Carmen Miranda assinou um contrato com a Fox em 1940, enquanto estava aparecendo em The Streets of Paris, como não poderia ir a Hollywood, seus números para o filme foram filmados em Nova York.[50]

1941—1945: Estrelato na Fox[editar | editar código-fonte]

Carmen Miranda ao lado de Don Ameche, em uma cena do filme Uma Noite no Rio (1941).

Os anos de guerra viram Carmen Miranda estrelar oito dos seus catorze filmes e, enquanto o conflito se intensificava na Europa, o presidente Roosevelt lançou uma enorme campanha conhecida como a Política de boa vizinhança em uma tentativa de unir o hemisfério.

O segundo filme de Miranda na Fox Uma Noite no Rio (1941) foi dirigido por Irving Cummings. Tratava-se de um remake de Folies Bergère de Paris, uma comédia musical produzida por Zanuck em 1935, e apesar da falta de originalidade do enredo, os críticos julgaram que havia nele talentos suficientes para torna-lo um sucesso. O The New York Times, escreveu "sempre que Don Ameche ou outro dos personagens sai do caminho e deixa que Carmen Miranda fique com a tela, o filme ferve em malícia". Anos mais tarde, Clive Hirschhorn escreveu que That Night in Rio "era o ápice do musical do tempo de guerra da Fox - exageradamente aparamentado, e uma totalmente irresistível cornucópia de ingredientes escapistas, cujo total profissionalismo era tão deslumbrante quanto a cor, os cenários, os trajes e a quantidade de girls despejadas no filme". No Brasil, mesmo nos dias de hoje, Uma Noite no Rio é considerado o melhor dos filmes de Carmen Miranda.[51]

Em 24 de março de 1941, Carmen Miranda tornou-se a primeira latino-americana ser convidada a colocar suas mãos e pegadas no cimento do pátio do Grauman's Chinese Theatre.[52]

O seu trabalho seguinte, Aconteceu em Havana foi dirigido por Walter Lang com William LeBaron como produtor. O elenco incluía Alice Faye, John Payne e Cesar Romero. Depois de desse terceiro esforço para ativar o "quente segue latino", a Fox foi apelidada por Bosley Crowther de "a melhor vizinha em Hollywood".[53] O filme recebeu críticas variáveis em seu lançamento, René Reyna, crítico cubano, chamou-o de "um parto de sete meses de Hollywood". No entanto, Week-End in Havana rendeu de bilheteria mais do que se previa, quando estreou em 17 de outubro de 1941 no Chinese Theatre tornou-se o filme mais rentável daquela semana, acima do muito aguardado Cidadão Kane. Segundo o Levantamento Nacional de Bilheteria, realizado pela revista Variety o filme rendeu mais de um milhão de dólares nos últimos 3 meses de 1941.[54]

Depois do termino das filmagens, Carmen Miranda e o Bando da Lua voltaram para Nova Iorque, o próximo grande projeto deles seria mais um musical da Broadway chamado Sons o' Fun a estrear no Shubert Theater de Boston em 31 de outubro de 1941. Em relação a estreia, a revista Variety declarou que "alguns bons números especiais fazem crescer o seu valor de bilheteria, e Carmen Miranda é um deles". Com o sucesso de Boston, o musical chegou ao Winter Garden Theatre da cidade de Nova Iorque. Os principais produtores da revista musical eram os irmãos Shubert, mas marcava também a volta de Ole Olsen & Chic Johnson em cena. Richard Watts Jr. escrevendo sobre a performance de Miranda para o New York Herald Tribune, disse que "seus números dão ao show um toque de distinção".[55] Sons O'Fun tornou-se o principal espetáculo da Broadway naquele ano, rendendo mais de 41 mil dólares em sua primeira semana, permanecendo em cartaz por 742 dias. Em 1 de junho de 1942, Miranda deixou a produção; partindo de volta a Hollywood.[56] Neste mesmo período ela fez algumas gravações para a Decca Records, incluindo as canções "Chica Chica Boom Chic", "O Tic-Tac do Meu Coração" e "Chattanooga Choo Choo".

O filme seguinte de Miranda na Fox foi Minha Secretária Brasileira, uma comédia musical estrelada ao lado de Betty Grable, John Payne e Cesar Romero. Lançado em 6 de novembro de 1942, o filme tornou-se um sucesso comercial nos Estados Unidos, chegando a entrar para a lista dos mais rentáveis do ano, rendendo ao estúdio mais de dois milhões de dólares em faturamento.[57] Na Inglaterra, foi o sétimo filme de maior bilheteria naquele ano, com ganhos reais de £240.000 (em libras esterlinas), empatando com Aquilo Sim Era Vida.[58] Como ocorreu com os outros filmes hollywoodianos de Carmen Miranda no Brasil, Springtime in the Rockies foi recebido com uma oscilação entre fascínio e repulsa.

Alice Faye, Phil Baker e Carmen Miranda, em foto publicitaria do filme Entre a Loura e a Morena (1943).

Em 1943, Carmen Miranda apareceu em Entre a Loura e a Morena, um musical de Busby Berkeley, famoso por seu espirito inovador e maestria com a câmera, o seu papel como Dorita caracterizou definitivamente sua carreira como "The Lady in the Tutti-Frutti Hat". Até então, Miranda parecia estar presa a papéis exóticos, e seu contrato com o estúdio ainda a forçava a aparecer em eventos com seus figurinos extravagantes. Uma música que ela gravou "I Make My Money With Bananas" parecia prestar homenagem um tanto irônica ao seu "typecasting". O produtor William LeBaron deu inteira autonomia a Berkeley, que ganhou carta branca para gastar tudo o que achasse necessários, fazendo do filme um dos mais caros da época e o de filmagem mais demorada, levou mais de sete meses.[59] O filme recebeu críticas positivas em sua estréia, com exceção do que aparece no The New York Times, que observou uma inclinação freudiana de bananas gigantes, e rendeu lucros fabulosos, passando a ser um sucesso de bilheteria, incluído entre as 10 maiores daquele ano, além de uma indicação ao Oscar de melhor direção de arte. Ted Sennett em seu livro Hollywood Musicals escreve que "Berkeley criou um filme excepcional para a época, uma perfeitamente horrível e totalmente fascinante aberração com alguns dos efeitos especiais mais espantosos e escandalosos do diretor". O impacto visual do filme era segundo o Los Angeles Times "deslumbrantes, ofuscantes e estonteantes para os olhos de um mortal".[60]

Em 1944, depois do sucesso de The Gang's All Here, a Fox lançou outros três filmes mais modestos com a presença de Carmen Miranda, o primeiro, Quatro Moças num Jipe, era um filme B, baseado numa aventura real das atrizes Kay Francis, Carole Landis, Martha Raye e Mitzi Mayfair durante as viagens que fizeram pela Inglaterra e pelo Norte da África apresentando-se oficialmente para as tropas americanas. O filme também conta com as participações de Alice Faye e Betty Grable, em aparições curtas, cada qual cantando um de seus antigos sucessos numa estação de rádio, como se estivessem sendo transmitidos para os soldados.

Carmen Miranda em Serenata Boêmia (1944).

O segundo, Serenata Boêmia, era um musical dirigido por Walter Lang e novamente produzido por William LeBaron, com Don Ameche e Miranda nos papeis principais. A comédia recebeu críticas mistas após seu lançamento. O Citizen News escreveu que o filme era "do principio ao fim um show de Carmen Miranda, e suas interpretações musicais são os dois pontos altos do filme". Mas para o New York Times a formula Miranda-Ameche perdera a magia, principalmente porque "Don Ameche representa com o ar de um substituto". O espirito boêmio sintético e a falta de imaginação do roteiro fizeram do filme um fracasso financeiro, apesar do investimento do estúdio. Peggy Simmonds, em sua revisão para o Miami Daily News disse que "Infelizmente para Carmen Miranda, a produção não lhe faz justiça, o efeito geral é decepcionante".[61] Ainda assim, Greenwich Village fez de Vivian Blaine uma estrela conhecida.[62]

O terceiro filme com Carmen Miranda lançado em 1944 foi Alegria, Rapazes!, uma comedia baseada num musical de sucesso da Broadway do ano anterior, com música e letras de Cole Porter. Este seria o primeiro dos seus filmes sem William Le Baron ou Darryl F. Zanuck como produtor. No lugar deles, o responsável pela produção era Irving Starr, encarregado da segunda linha de filmes de estúdio. Para a revista Time o filme "acaba por ter nada de muito notável. Há não ser Carmen Miranda".[63]

Quer os musicais da Fox fizessem ou não sucesso, o prestigio de Carmen Miranda diante seu publico continuava o mesmo, tanto que em 1945 ela era segundo o Departamento do Tesouro Americano a mulher mais bem paga dos Estados Unidos, ganhando mais de US $200,000 dólares no ano.

1946—1953: Declínio e últimos filmes[editar | editar código-fonte]

Carmen Miranda ao lado de Dennis O'Keefe, em uma cena do filme Sonhos de Estrela (1946).

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os filmes seguintes de Carmen Miranda na 20th Century Fox foram feitos em preto-e-branco, o que refletia o interesse cada vez menor de Hollywood nela e na representação dos latino-americanos em geral. A Carmen monocromática apresentada nestes musicais não era o que o público esperava, e isso, sem dúvida, contribuiu para reduzir o apelo de bilheteria do musical Sonhos de Estrela (1946), no qual Miranda foi rebaixada para a quarta posição no elenco. Seu papel de Chita Chula era anunciado no filme como "a pequena dama do Brasil", e não passava de um personagem cômico infinitamente alegre confidente da personagem principal, Doll Face interpretada por Vivian Blaine. O número musical intitulado "True to the Navy" em que Carmen aparece com turbante em forma de farol ao lado dos membros do Bando da Lua vestidos de marinheiro foi cortada do filme a pedido da Marinha americana.

Seu filme seguinte, Se Eu Fosse Feliz (1946), uma refilmagem de Mil Vezes Obrigado, de 1935, foi feito quando ela não estava mais sob contrato com estúdio, e Miranda foi novamente o quarto nome do elenco, nele havia todos os elementos que caracterizavam seus últimos personagens: o forçado sotaque caricato, além de seus figurinos característicos. Lançado em 2 de setembro de 1946, o filme recebeu críticas desfavoráveis por parte da imprensa, Bosley Crowther do The New York Times chamou de "uma das mais ridículas histórias que já impressionou".[64]

Andy Russell e Carmen Miranda em cena do filme Copacabana (1947).

Se em 1945 Carmen Miranda se tornara a mulher mais bem paga dos EUA, em 1946 seu nome não aparecia na lista dos "30 mais bem pagos de Hollywood" coligida por Variety, e nenhum dos seus filmes figurava entre os "60 mais rentáveis daquele ano".[65] Com o fim de seu contrato em 1 de janeiro de 1946, ela tomou a decisão de prosseguir a sua carreira de atriz livre das limitações dos estúdios. Sua ambição era mudar sua imagem e assumir papéis diferentes no cinema, com isso aceitou uma oferta da United Artists de desempenhar o principal papel na comédia Copacabana ao lado de Groucho Marx.[66] No entanto, fragmentos de sua velha caricatura foram mantidos neste musical, no qual ela interpreta dois papéis distintos, o da loira Mademoiselle Fifi, e o da cantora brasileira Carmen Navarro. Copacabana recebeu críticas positivas e obteve breve sucesso em Nova Iorque, a Variety reconheceu que "Miranda deu bem conta do papel semiduplo, brilhando na comedia". Porém o filme não atraiu comentários entusiásticos nem as multidões que os musicais da Fox haviam atraído durante a guerra, e por melhor que fosse a sua atuação, representar dois papeis quase idênticos ao dos seus antigos filmes, significava que ela não havia conseguido escapar do seu esteriótipo.[67]

Embora sua carreira cinematográfica estivesse em declínio, a carreira musical de Carmen Miranda permaneceu sólida, ela ainda era uma atração popular em casas noturnas e na televisão. De 1948 a 1950, Miranda se uniu com Andrews Sisters para produzir e gravar uma série de singles pela Decca Records.

Seu projeto seguinte no cinema foi um filme produzido por Joe Pasternak para a MGM, O Príncipe Encantado, lançado em 1948, era uma comédia em que Miranda aparece a maior parte das vezes sem a roupa de "baiana", utilizando trajes simples porém atraentes, criados por Helen Rose. Os críticos concordaram que ela era o melhor que um filme sem maior interesse tinha a oferecer, o New York Times observou que "os momentos mais alegres" cabiam a Carmen Miranda, "cuja voz permanece uma fonte de delicado espanto para este observador".[64] O sucesso de bilheteria foi tal que no final de 1948 A Date with Judy ficou em nono lugar na lista dos espetáculos mais rendosos, o primeiro lugar foi de A Caminho do Rio um filme que se destacava pela imitação que Bob Hope fazia de Carmen Miranda.[68]

Na primavera de 1948, Miranda embarcou em uma turnê de seis semanas no London Palladium, a partir de 26 de abril. A Europa, e especialmente Londres, era então o principal escoadouro para os artistas americanos durante o pós-guerra.

Em 1950 Carmen Miranda apareceu em uma outra produção de Joe Pasternak, o musical Romance Carioca, uma refilmagem de Rival Sublime, era estrelado por Ann Sothern e Jane Powell com Barry Sullivan e Louis Calhern no elenco principal. O St. Petersburg Times descreve-o como "um filme totalmente agradável" mas "o technicolor não é muito gentil com Ann Sothern, que parece muito mais velha, ou para uma loira Carmen Miranda, que perde um pouco de sua atratividade".[69]

Em seu último filme, Morrendo de Medo (1953) estrelado pela dupla Dean Martin e Jerry Lewis, ela acabou representando um papel secundário e que pouco aparece na história, o filme foi duramente criticado, o New York Times disse que "Embora Miranda apareça cheia de animação e execute uma duas vezes o seu tipo especial de dança e canto, seu único serviço apreciável é dar a deixa para Lewis num número em que faz uma imitação dela, que não é nada boa".[70] A maioria de suas cenas foi eliminada na sala de montagem.[71] Ainda em 1953, Miranda empreendeu uma excursão pela Europa, uma turnê de shows que levou-a a 14 cidades na Itália, Suécia (chegou a receber simbolicamente as chaves da cidade de Estocolmo), Finlândia, Bélgica e Dinamarca.[72]

Desde o início de sua carreira americana, Carmen Miranda fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda extenuante. Adquiria as drogas com receitas médicas pois, na época, elas eram receitadas pelos médicos sem muitas preocupações com efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, tornou-se dependente de vários outros remédios, tanto estimulantes quanto calmantes. Por conta do uso cada vez mais frequente, Miranda desenvolveu uma série de sintomas característicos do uso de drogas, mas não percebia os efeitos devastadores, que foram erroneamente diagnosticados como estafa (cansaço) por médicos americanos.

Em 3 de dezembro de 1954, ela retornou ao Brasil após uma ausência de 14 anos viajando, Carmen Miranda continuava casada e estava passando por problemas conjugais com o marido. Seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Para isso ela precisou ficar internada por quatro meses numa suíte do hotel Copacabana Palace. Miranda melhorou, embora não tenha abandonado completamente remédios. Os exames realizados no Brasil não constataram alterações de frequência cardíaca.

Ligeiramente recuperada, Carmen Miranda retornou para os Estados Unidos em 4 de abril de 1955. Imediatamente começou com as apresentações. Fez uma turnê por Las Vegas, para a inauguração do Cassino New Frontier, onde ficou por seis semanas, em seguida embarcou para uma temporada de duas semanas no clube Tropicana em Havana, Cuba.[73]

De volta a Los Angeles, ela recebeu uma proposta da CBS de ter seu próprio programa semanal na televisão, The Carmen Miranda Show, que seria co-estrelado com Dennis O'Keefe, em um gênero parecido com I Love Lucy.[74] Mas antes disso, concordou em gravar uma participação no programa de Jimmy Durante para a NBC em 4 de agosto de 1955.

Morte[editar | editar código-fonte]

Foi numa tarde em 1942. A Igreja estava vazia, a não ser uma moça que rezava contritamente diante do altar de Nossa Senhora das Graças. Uma senhora havia me trazido uma criança para batizar, mas, por morar muito longe daqui, e não poder pagar as passagens para alguém vir, não trouxera madrinha para o filho. Aproximei-me, então, da moça que orava e perguntei-lhe se me faria aquele favor, de repetir, pela criança, as palavras do batismo. Ela concordou imediatamente, serviu como madrinha do bebê. Depois. mandou o seu carro branco buscar o resto da família da pobre senhora para uma festa de batizado na sua casa. Eu soube, então, que a moça era a estrela Carmen Miranda e sua simplicidade deixou-me uma profunda impressão, solidificada, depois, pelas suas constantes vindas à Igreja que se lhe tomou um segundo lar, dando-nos ela um altar novo para Nossa Senhora.
Palavras do padre Joseph na missa do funeral de Carmen Miranda, agosto de 1955

Carmen Miranda foi encontrada morta em um corredor de sua casa em Beverly Hills na manhã de 5 de agosto de 1955. A atriz havia terminado na noite anterior as filmagens de um episódio do The Jimmy Durante Show para a NBC. Após o último take, Miranda e Durante fizeram uma performance improvisada no set para o elenco e técnicos. E em seguida alguns membros do elenco e amigos foram convidados por ela para uma pequena festa em sua casa.

Era cerca de 03:00 quando ela subiu as escadas para seu quarto. Miranda tirou a roupa, colocou seus sapatos de plataforma em um canto, acendeu um cigarro e colocou-o em um cinzeiro e foi ao banheiro retirar a maquiagem. Carmen Miranda aparentemente veio do banheiro com um pequeno espelho, circular na mão e no pequeno corredor que leva a seu quarto, caiu no chão e morreu de um ataque cardíaco, ela tinha 46 anos. Seu corpo foi encontrado a cerca 10:30 caído no corredor.

Seu médico particular, Dr. WL Marxer, foi chamado as pressas, mas ela já estava morta. Ele disse ao Los Angeles Times que Carmen Miranda não tinha histórico de problemas cardíacos e que, além de uma breve bronquite nas últimas semanas a estrela encontrava-se em perfeita saúde.[75]

Funeral[editar | editar código-fonte]

O tumulo de Carmen Miranda no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Carmen Miranda e o seu marido David Sebastian.

Aurora Miranda, sua irmã, recebeu na mesma madrugada um telefonema do médico de Carmen avisando sobre o falecimento. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte da cantora em edição extraordinária do Repórter Esso. Todas as emissoras interromperam suas programações para darem, em edição extra, o triste acontecimento. Edições extras de jornais ainda circularam no próprio dia 5, no sábado era manchete em todos os jornais do país e do mundo.

Somente na manhã do dia 12 de agosto, o avião Douglas DC-4 Skymaster da Real-Aerovias Brasil, em voo especial, pousava no Aeroporto do Galeão, no Rio, trazendo o corpo de Carmen Miranda.[76] Em um caminhão aberto do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal e envolto com a bandeira do Brasil, o ataúde de bronze foi levado para o centro da cidade escoltado por batedores da Policia Especial em motocicletas, com sirenes abertas. Por todo o trajeto milhares de pessoas se despediram. Antes da saída do cortejo, o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Salomão Filho, falou dando o ultimo adeus, em nome da cidade, à artista.[77] Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal da então capital federal. O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos. Foi a maior manifestação popular feita no Rio de Janeiro até hoje.[78]

No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro Francisco Negrão de Lima assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, o qual somente foi inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo.[79] Hoje, uma herma em sua homenagem se localiza no Largo da Carioca, Rio de Janeiro.[80]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

No Brasil, Carmen Miranda namorou o jovem Mário Cunha, remador do Flamengo e o bon vivant Carlos da Rocha Faria, filho de uma tradicional família do Rio de Janeiro e também o músico Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua.

Nos Estados Unidos, manteve breves romances com o mexicano Arturo de Córdova, os americanos John Payne, Dana Andrews, Harold Young e Donald Buka, além de uma paixão tórrida com o brasileiro Carlos Niemeyer, na época piloto da Força Aérea Brasileira.[81]

Foi durante as filmagens de Copacabana (1947) que Carmen Miranda conheceu seu futuro marido, David Sebastian (1908-1990), que nos créditos aparece como assistente de produção. Cuidava dos interesses do irmão, co-financiador do filme.[82] Os dois se casaram no dia 17 de março de 1947 na Igreja do Bom Pastor em Beverly Hills, em uma cerimônia celebrada pelo reverendo Patrick J. Concannon. O casamento é apontado por todos os seus biógrafos como o começo de sua decadência moral e física. Seu marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se seu "empresário" e conduzia mal seus negócios e contratos. Também era alcoólatra e pode ter estimulado ela a consumir bebidas alcoólicas, das quais logo se tornaria dependente. O relacionamento entrou em crise já nos primeiros meses, por conta de ciúmes excessivos, brigas e traições. Em 27 de setembro de 1949 o casal chegou a anunciar a separação alegando "dificuldades conjugais".[83] Mas dois meses depois, reataram o matrimônio.

Carmen Miranda era uma católica convicta e não aceitava o desquite. Após diversas tentativas frustradas para conseguir ser mãe, ela conseguiu engravidar em 1948, mas sofreu um aborto espontâneo no início da gestação, em Nova York, depois de uma apresentação, e ficou hospitalizada por alguns dias. Devido a forte hemorragia, que comprometeu seu aparelho reprodutor, a artista não conseguiu mais engravidar, o que agravou demais suas crises depressivas, levando a um uso excessivo e descontrolado de bebidas, cigarros, anti-depressivos e calmantes.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Título Personagem Nota
1926 A Esposa do Solteiro Ela mesma (Como Extra)
1930 Degraus da Vida Ela mesma (Rodada apenas uma cena)
1932 O Carnaval Cantado de 1932 Ela mesma
1933 A Voz do Carnaval Ela mesma Performance: "E Bateu-se a Chapa", "Moleque Indigesto" e "Good-Bye"
1935 Alô, Alô, Brasil Ela mesma Performance: "Primavera no Rio"
Estudantes Mimi
1936 Alô, Alô, Carnaval Ela mesma Performance: "Cantores de Rádio" e "Querido Adão"
1939 Banana-da-Terra Ela mesma Performance: O Que É que a Baiana Tem?" e "Pirulito"
1940 Laranja da China Ela mesma Performance: O Que É que a Baiana Tem?
Serenata Tropical Ela mesma
1941 Uma Noite no Rio Carmen
Aconteceu em Havana Rosita Rivas
Hollywood Meets the Navy Ela mesma Curta-metragem
1942 Minha Secretária Brasileira Rosita Murphy
1943 Entre a Loura e a Morena Dorita
1944 Quatro Moças num Jipe Ela mesma
Serenata Boêmia Princess Querida O'Toole
Alegria, Rapazes Chiquita Hart
Sing With the Stars Ela mesma Curta-metragem
1945 Sonhos de Estrela Chita Chula
The All-Star Bond Rally Ela mesma Curta-metragem
1946 Se Eu Fosse Feliz Michelle O'Toole
1947 Copacabana Carmen Novarro / Mlle. Fifi
1948 O Príncipe Encantado Rosita Conchellas
Texaco Star Theatre Ela mesma Série de televisão
1949 Erskine Johnson's Hollywood Reel Ela mesma Série de televisão
The Ed Wynn Show Ela mesma Série de televisão
Texaco Star Theatre Ela mesma Série de televisão
1950 Romance Carioca Marina Rodrigues
Texaco Star Theatre Ela mesma Série de televisão
1951 TV Club Ela mesma Série de televisão
What's My Line? Ela mesma (convidada) Série de televisão
The Colgate Comedy Hour Ela mesma Série de televisão
Texaco Star Theatre Ela mesma Série de televisão
Four Star Revue Ela mesma Série de televisão
1952 The Colgate Comedy Hour Ela mesma 1 episódios
Texaco Star Theatre Ela mesma Série de televisão
1953 Morrendo de Medo Carmelita Castinha
Four Star Revue Ela mesma Série de televisão
Toast of the Town Ela mesma Série de televisão
1955 The Jimmy Durante Show Ela mesma Série de televisão
1995 Carmen Miranda: Banana is My Business Ela mesma (Documentário)

Canções mais famosas[editar | editar código-fonte]

Será mantida a grafia original do lançamento

Homenagem[editar | editar código-fonte]

Por sua contribuição à indústria do entretenimento, Carmen Miranda tem uma estrela na Calçada da Fama.
Exposição Universo Tropical no Fashion Rio em 2011.

Carmen Miranda se consagrou em 1941, ao ser a primeira e única luso-brasileira até hoje, a gravar as mãos e plataformas no cimento da calçada da fama do Grauman's Chinese Theatre em Los Angeles. Em 8 de fevereiro de 1960 ganhou uma estrela póstuma na Calçada da Fama da Hollywood Boulevard. Miranda era a principal atração do Copacabana Night Club, famosa boate nova-iorquina, fundada em 1940 e que existe até hoje em Manhattan. O cartaz do "The Copa" é desde aquela época uma gravura estilizada de Carmen Miranda, em homenagem a cantora.

Carmen Miranda também foi caricaturada em desenhos animados como Tom & Jerry, Popeye e Looney Tunes, e imitada por Lucille Ball, Bob Hope, Jerry Lewis e Mickey Rooney.

As imagens de Miranda voltam à cena durante o movimento tropicalista. A cantora viria a ser assumida como um dos ícones tropicalistas, estando presente tanto nas letras de canções (como “Tropicália”, de Caetano Veloso), quanto nas imitações dos trejeitos da artista – o torcer das mãos e o revirar dos olhos – com que Caetano Veloso por mais de uma vez brindou/provocou a platéia.[85]

Em 1972, ela recebeu uma homenagem da Escola de Samba Império Serrano, com o tema "Alô, alô, Taí Carmen Miranda", carnaval desenvolvido pelo carnavalesco Fernando Pinto. A Escola de Samba Império Serrano sagrou-se campeã do principal concurso de escolas de samba nesse ano. Em 2008, homenageando Carmen Miranda, o Império Serrano se tornou campeão do Grupo de Acesso A e voltou em 2009 a desfilar no Grupo Especial.[86]

Em 18 de julho de 1995 foi agraciada a título póstumo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. No mesmo ano, ela foi tema do aclamado documentário Carmen Miranda: Bananas is my Business, dirigido por Helena Solberg.

Em 25 de setembro de 1998, uma quadra no distrito de Hollywood ganhou o nome de "Carmen Miranda Square", em uma cerimônia liderada pelo antigo prefeito honorário de Hollywood, Johnny Grant. Este é um dos doze cruzamentos em Los Angeles que foram nomeados em homenagem a artistas históricos, a praça está localizada no cruzamento da Hollywood Boulevard e Orange Drive em frente ao Teatro Chinês.[87] Carmen Miranda foi ainda incluída pelo American Film Institute como uma das 500 "grandes lendas do cinema".[88]

Em 2001, ela foi revivida no musical "South American Way", produção orçada em R$ 1,2 milhão e dirigida por Miguel Falabella.[89] [90]

Em 2005, o jornalista Ruy Castro lançou pela editora Companhia das Letras uma biografia de 600 páginas sobre Carmen Miranda, o livro é considerado a mais completa obra sobre a cantora.[91]

Em 2007, a BBC produziu "Carmen Miranda - Beneath the Tutti Frutti Hat", um documentário de uma hora sobre a sua história de vida, mapeando sua notável ascensão de origem humilde para se tornar a mais famosa cantora do Brasil, antes de conquistar a Broadway e Hollywood. Apresentando entrevistas com seu biógrafo Ruy Castro, sua sobrinha Carminha Miranda e Mickey Rooney, que personificou-a no filme Babes on Broadway (1941).[92]

Em 2009, no ano de seu centenário de nascimento, Miranda foi homenageada pela Academia Brasileira de Letras, e declarada a mesma "Patrimônio da Cultura Brasileira".[93] Foi a grande homenageada na edição de 2009 da São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda do Brasil, escolhida pela organização do evento por representar a alegria e o brasileirismo colocados como temática dos desfiles daquela edição.[94]

Em 2009, a gravação de "O que é que a baiana tem?", de Dorival Caymmi, na voz de Carmen Miranda, foi selecionada para preservação num arquivo sonoro especial da Biblioteca do Congresso dos EUA.[95] No mesmo ano, Carmen Miranda foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural.

Em 2011 foi uma das homenageadas em uma série de selos vendidos nos Estados Unidos, além dela outros quatro "gigantes da música latina" aparecem nas imagens: Tito Puente, Celia Cruz, Selena e Carlos Gardel.[96]

Carmen Miranda ainda foi eleita pela revista Rolling Stone como a 15º maior voz e a 35º maior artista da música brasileira.[97] [98]

Em 2015, o grupo português Real Combo Lisbonense, edita o disco Saudade De Você, na Pataca Discos, com interpretações de algumas de suas mais conhecidas canções.[99]

Foi eleita pela revista Latina, um dos "15 melhores dançarinos Latino de todos os tempos".[100]

Legado[editar | editar código-fonte]

Carmen Miranda: a fantasia de baiana estilizada reinou durante muitos anos como emblema do traje típico brasileiro.[101]
Carmen Miranda colocando sua assinatura e suas mãos no Grauman's Chinese Theatre em 24 de março de 1941
Mãos e assinatura de Miranda, fotografada 68 anos depois.

Mesmo depois de sua morte, Carmen Miranda é lembrada por ser talvez a mais importante personalidade artística brasileira de todos os tempos, sendo considerada pelo American Film Institute, uma das "500 grandes lendas do Cinema".[102]

Ela está nas declarações de um dos maiores pensadores do século 20, o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein que descrevia os filmes de Carmen como "duchas que gostava de tomar depois de ensinar filosofia". Sua imagem também está no elogio do poeta Vinicius de Moraes que comentava que ela "tinha a essência da verve de uma artista".[103]

Para Caetano Veloso, que teve Carmen como uma de suas musas no Tropicalismo, ela "era mais uma ausência do que uma referência nas conversas sobre música popular no Brasil pós-bossa nova", escreveu o cantor e compositor em seu livro "Verdade Tropical" (1997). "O fato de ela ter se tornado (...) uma figura caricata de que a gente crescera sentindo um pouco de vergonha, fazia da mera menção de seu nome uma bomba de que os guerrilheiros tropicalistas fatalmente lançariam mão", continua Veloso, contando como Carmen chegou a ser resgatada no final dos anos 1960. "Ela criou um estilo e uma fantasia que sempre me lembram o Charles Chaplin. Para ele, era a cartola e a bengala, e para ela, foi realmente o traço estilizado da baiana."[104]

Para o crítico de cinema Dave Kehr do The New York Times, Carmen Miranda foi "uma das poucas artistas que atravessaram o espectro cultural, deixando sua marca absurda e pomposa na representação feminina."[105] E a compara como a precursora de Jerry Lewis, que "trouxe uma imprevisível anarquia ao sisudo mercado (norte-americano) de estúdios de filmagem".[106]

Em 1952, uma pesquisa realizada pela revista norte-americana Variety apontou Carmen como a mulher mais imitada dos Estados Unidos.[107] Em Hollywood, ela foi central no cenário estético e tecnológico dos anos 1940. Seus figurinos e coreografias participaram e contribuíram em tendências da moda e até mesmo no desenvolvimento da tecnologia da cor no cinema.[108]

Foi Carmen Miranda que também ajudou a encurtar distâncias entre as Américas. É o que explica o historiador Antonio Pedro Tota. Em seu livro "Imperialismo Sedutor", ele a considera o elo da então relação amigável entre Brasil e Estados Unidos, explicitada nas telas de cinema. A ideia de propagar a liberdade nas Américas e promover filmes e cinejornais sobre a terra do Tio Sam colocou Carmen Miranda no ápice do universo cinematográfico.[109] O seu primeiro Longa-metragem, Serenata Tropical (1940) tornou-se o musical nº1 da 20th Century Fox naquele ano. Mais do que isso: nas gravações, Carmen representou o Brasil e se consagrou justamente por ser uma artista completa - ela cantava, dançava e atuava.[110] "Carmen Miranda foi a maior embaixadora do Brasil nos EUA naquela época. Uma artista genuinamente brasileira, apesar da sua origem, que representava o país, beneficiado pela imagem dela, em vez de ser representado por uma americana forçadamente versada em latina", diz João Batista de Almeida, professor de comunicação da Universidade de Ribeirão Preto.[111]

Foi a primeira artista brasileira a lançar moda, inclusive nos EUA – o “Miranda look” foi adaptado e usado nas ruas em todo mundo ocidental e ainda hoje influencia muitos estilistas que nela buscam inspiração.[112] O sucesso foi tanto que as luxuosas lojas da Quinta Avenida, em Nova York, substituíam as criações de Dior e Chanel pelas suas fantasias de baiana, seus sapatos plataforma e turbantes.[113]

Na década de 90 a cantora foi requisitada pela moda no Brasil que estava se organizando e tentando estabelecer um calendário unificado para os desfiles. A imagem de Carmen Miranda tornou-se tão importante para esse setor que a artista foi resgatada durante todo o processo de estruturação do campo da moda no país.[114]

Em 1991, o jornalista e crítico Paulo Francis resumiu numa frase a alma do mito. "Sua personagem é uma criação tão inspirada quanto o Carlitos, de Charlie Chaplin. Não é à toa que ambos foram dois dos precursores do bom humor na arte que desfrutamos hoje".[115]

"Acredito que a visão em relação à figura de Carmen está mudando, as pessoas estão vendo com mais clareza o impacto que ela causou tanto na nossa cultura como na dos Estados Unidos. O legado dela está sendo mais valorizado, na época havia uma elite que não queria ver a imagem do país associada a Carmen e às músicas que cantava. Mas ela continua sendo um ícone tão forte que jamais envelheceu e segue despertando o interesse de diferentes gerações" comenta Helena Solberg que em 1995 dirigiu o filme Carmen Miranda: Bananas is my Business.[116] [117]

Patolino como Carmen Miranda no curta animado Yankee Doodle Daffy de 1943.

No mesmo ano, o Lincoln Center, de Nova York, promoveu espetáculo em lembrança do 40° aniversário de sua morte, com direção de Nelson Motta e participações de Bebel Gilberto, Aurora Miranda, Eduardo Dusek, Maria Alcina, Marília Pêra e outros. O repertório de Carmen Miranda serviria de molde para cantoras muito posteriores como Gal Costa (Balancê), Elis Regina (Na batucada da vida), Paula Toller (E o mundo não se acabou), Marisa Monte (South American Way), Adriana Calcanhotto (Disseram que Voltei Americanizada), Daniela Mercury (O Que É que a Baiana Tem?) e Ivete Sangalo (Chica Chica Boom Chic).[118] [119] Isso porque, além de antecipar a era multimídia, inventar um molde fashion, prenunciar a atitude tropicalista e sacudir a embrionária cena do show business, Carmen ainda plantou sólidos alicerces da chamada linha evolutiva da MPB.[120]

"Nós tendemos a esquecer, mas nenhuma mulher brasileira nunca foi tão popular como Carmen Miranda - no Brasil ou em qualquer lugar." disse Ruy Castro a revista norte-americana Newsweek[121] , cuja biografia "Carmen" (Companhia das Letras) lançada em 2005, conquistou o Prêmio Jabuti de livro do ano de não-ficção em 2006.[122] [123] [124]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Apesar de ter morado quase toda a sua vida no Brasil e nos Estados Unidos, Carmen Miranda nunca adquiriu a nacionalidade de qualquer um destes países. Portanto, sempre manteve a nacionalidade portuguesa que tinha por ter nascido em Portugal, assim como sempre foi legalmente estrangeira no Brasil e nos Estados Unidos. Porém, em diversas entrevistas, declarou que se sentia brasileira.[3]
  2. Em junho de 1946, o Tesouro americano divulgou suas arrecadações do ano fiscal de 1945, referentes aos ganhos dos contribuintes em 1944. Com os $201.458 dólares que lhe tinham sido pagos pela Fox “em salários, bônus e outras compensações”, Carmen Miranda era a mulher mais bem paga dos Estados Unidos - talvez no mundo - aquele ano.[13]

Referências

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  2. EURICO DE BARROS (7 de fevereiro de 2009). «Perfil: Carmen Miranda». Diário de Notícias. 
  3. Dirami, Vitor (9 de fevereiro de 2012). «Carmen Miranda: A Explosão Brasileira». Obvious. Arquivado desde o original em 29 de janeiro de 2013. Consultado em 15 de outubro de 2015. 
  4. «Carmen Miranda - Biografia». UOL - Educação. Consultado em 05 de agosto de 2012. 
  5. Alessander Kerber. «Mídia sonora na construção da identidade nacional brasileira: o caso da obra musical de Carmen Miranda nos anos 1930» (PDF). UFRGS. Consultado em 29 de julho de 2015. 
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  10. Folha da Manhã (23 de setembro de 1951). «CEM MIL DOLARES PELA LIBERDADE PAGOU CARMEM MIRANDA NOS ESTADOS UNIDOS». Folha de S.Paulo. Consultado em 29 de abril de 2014. 
  11. Stephen G. Bloom (24 de agosto de 1984). «After 30 years, Carmen Miranda still a bombshell». Edmonton Journal. Consultado em 22 de abril de 2014. 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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