Cigarro

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Um cigarro aceso, num cinzeiro. O filtro é identificado pela parte laranja.

O cigarro (do castelhano cigarro, "charuto"[1] ou do francês cigarette) é uma pequena porção de tabaco (ou fumo) seco e picado, enrolado em papel (mortalha) fino ou em palha de milho (cigarro de palha), destinado ao fumo, sendo que o primeiro é industrializado e o segundo, manufaturado.

Os cigarros podem, ou não, dispor de um sistema de filtração, geralmente de fibras de acetato de celulose.

História[editar | editar código-fonte]

Há controvérsias sobre a origem do cigarro. Suas formas mais antigas foram atestadas na América Central por volta do século IX na forma de cachimbos feitos de bambu. Os maias e posteriormente os astecas, fumavam várias drogas psicoativas durante rituais religiosos que eram frequentemente retratados em cerâmicas e gravuras em seus templos.[2] No Caribe, México e nas Américas Central e do Sul, o cigarro e o charuto eram o método mais comum para se fumar até tempos recentes.[3]

O cigarro produzido na América do Sul e América Central usava várias plantas como embrulho. Quando o fumo foi levado para a Espanha o mesmo passou a ser embrulhada com palhas de milho. O papel fino para embalagem foi introduzido por volta do século XVII. O produto resultante era chamado "papelate" e foi retratado em várias pinturas de Francisco de Goya como La cometa, La Merienda en el Manzanares e El juego de la pelota a pala, obras do século XVIII.[4]

Por volta de 1830, o cigarro foi inserido na França, lá recebeu o nome cigarette e a partir de 1845 começou a ser produzido em escala industrial sob monopólio estatal.[4] Durante a Guerra da Crimeia (1853–1856) o uso do cigarro foi popularizado entre as tropas francesas e britânicas, estas imitavam os turcos que fumavam o tabaco em cachimbos. Em 1833, aparecem na Espanha os primeiros pacotes que são chamados "cigarrillo" ou "cigarrito", termos que vem da palavra "cigarro", assim chamados devido sua forma parecida com a de uma cigarra. Introduzido por comerciantes do Brasil, continuou a sua expansão até Portugal e, posteriormente, por toda a Europa.

A partir de meados do século XX, o uso do cigarro espalhou-se por todo o mundo de maneira enérgica. Essa expansão deu-se, em grande parte, graças ao desenvolvimento da publicidade e marketing. A distribuição gratuita de tabaco para as tropas durante a Primeira Guerra Mundial ajudou a popularizar ainda mais o consumo da droga.[5] Em tempos de guerras e crises econômicas o cigarro foi bastante valorizado. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, chegou-se a pagar 400 francos por um cigarro já que eles eram racionados para os soldados.

No Brasil, o tabaco foi introduzido possivelmente através da migração de tribos. Os portugueses tomaram conhecimento da droga quando mantiveram contato com os índios. A produção do tabaco teve grande importância na economia brasileira no período colonial e o desenho de sua folha foi estampado no brasão da República.[5]

Em Portugal, 27 por cento da população fuma e dados mostram que 12 mil pessoas morrem anualmente devido ao consumo do cigarro. A estimativa também indica o perfil do fumante português, entre 35 e 44 anos e afirma que o número deste tem diminuído nos últimos anos. Atualmente Portugal é o país da União Europeia com o menor número de fumantes.[6]

Consumo[editar | editar código-fonte]

Embora seja possível, atualmente, comprar cigarros em maços de 20, esse produto não foi criado dessa forma. Posteriormente à utilização de rapé (tabaco em pó para se cheirar) com finalidades terapêuticas, o cigarro passou a ser consumido apenas por prazer, enrolado manualmente ou com a ajuda de máquinas de enrolar. Com o passar do tempo, o fumar foi se assumindo como uma forma de afirmação na sociedade, status e até mesmo sensualidade. Artistas famosas, carros, ideias de poder ligadas ao fumo eram muito comum nos comerciais. Isso porque, acredita-se, que quanto antes convencer que “fumar é bom”, melhor para as vendas, pois garantirá um adulto que fuma. Pode-se considerar que o ato de fumar está, muitas vezes, mais ligado ao ritual que envolve o ato de fumar do que à própria nicotina, não obstante, o consumo próximo a círculos de não fumantes pode chegar a gerar discriminações ou até mesmo reações mais ríspidas.

O tratamento do tabaco utilizado na produção de cigarros introduz substâncias cancerígenas que tornam-se ainda mais daninhas durante sua combustão, podendo prejudicar o organismo de diversas formas.

Atualmente, devido ao maior conhecimento das consequências maléficas da inalação do fumo e ao incômodo provocado pela fumaça, foram criadas zonas de não fumantes em muitos locais públicos em diversos países.

Associadas a essas medidas de contenção do consumo de cigarros, existem iniciativas de sensibilização do fumante, como as embalagens na Europa e no Brasil, que expõem avisos visíveis nos maços de cigarro e nos seus espaços publicitários com as consequências maléficas de seu consumo.

Vício[editar | editar código-fonte]

O tabaco é um vício poderoso. Deixá-lo – segundo estudo publicado no New York Times – pode ser mais difícil que se livrar do álcool, anfetaminas, cocaína e até heroína. “Parar de fumar é fácil. Já parei mais de 20 vezes”, ironizava Winston Churchill, reconhecido como o maior estadista do século 20.[7]

Cigarros aromatizados com cravo[editar | editar código-fonte]

Trabalhos científicos como o de LaVoie, E.J., "Toxicity Studies on Clove Cigarrete Smoke and Constituens of Clove", Archieves of Toxicology 63:1-6, 63 ilustram o grande perigo que se esconde nos perfumados "cigarros de Bali". O primeiro perigo é o tabaco: como o eugenol tem um efeito anestésico, grandes baforadas de fumaça de tabaco, em geral sem filtro, podem ser inspiradas, com a sensação de um suave frescor enchendo os pulmões. Os usuários acabam fumando cigarros extremamente fortes, repetidas vezes ao dia, graças ao efeito enganoso do eugenol.

Estudos (LaVoie, e também Clark, G.C. "Comparasion of kretek (clove cigarette) smoke with that of American cigarrete smoke", Archives of Toxicology 63:1-6, 1989) têm demonstrado que a incidência de câncer é muito maior nos fumantes de kretek (cigarros de cravo) do que nos fumantes regulares. Os constituintes do cravo também são tóxicos, e sua toxicidade aumenta 1500 vezes se os componentes são inalados em vez de ingeridos. Dr. Frederick Schechter[quem?] escreveu um artigo[quando?] em uma revista médica americana trazendo o alerta: todos os meses adolescentes usuários de cigarros de cravo iam ao seu consultório com sérios problemas respiratórios, requerendo hospitalização e, em alguns casos, cirurgias. Dois de seus pacientes acabaram morrendo.

A industrialização do cigarro, os impostos e legalidade[editar | editar código-fonte]

Placa que indica a proibição do consumo de cigarros.

As indústrias tabaqueiras começaram por serem pequenas organizações familiares que geravam poucos impostos, fato esse que obrigava os agentes cobrarem o imposto somente nas origens que eram as plantações.

Após o surgimento do processo de industrialização do tabaco, o produto saído da boca das máquinas era mais fácil de controlar e permitiu que os governos assumissem o controle desta indústria e passassem a cobrar altas taxas dos impostos sobre o fumo, como forma de inibir o consumo.

Embora o Estado tenha arrecadação relativa ao imposto sobre o cigarro, o custo social do cigarro é muito maior. Os planos de saúde pública são obrigados a arcar com o ônus das doenças provocadas pelo uso de cigarros, além dos próprios usuários, que além de pagarem impostos muito elevados para utilizarem a droga, ainda tem que arcar com tratamentos de saúde resultantes do uso de cigarros, e que não são cobertos por planos de saúde. O ideal é que, ao se comprovar que a doença foi provocada pelo cigarro, o Governo tivesse que arcar com as despesas. Mas o que se observa é que muitos usuários entram em demanda contra a fábrica do produto, que já é altamente por fabricar os cigarros que são legalmente produzidos.

O Butão foi o primeiro país do mundo a proibir o consumo de cigarros.[8]

Há aproximadamente 20 anos iniciou-se no Brasil uma política de estado para a desconstrução do cigarro. Durante o governo FHC foram implementadas medidas e campanhas antitabagistas ousadas e bem-sucedidas desde a proibição de propagandas nas TVs, rádios e jornais até a demonstração dos malefícios causados pelo cigarro à saúde, à estética pessoal, ao fuman e passivo. [9] Nos últimos 10 anos, dados mostram que o consumo de cigarro no Brasil têm caído vertiginosamente - passou de 21,9% em 2005 para 14,2% em 2015, segundo dados da Kantar IBOPE Media. Esse é o menor índice da última década. Além disso, muitos têm se esforçado em deixar o vício: dentre os que fumaram alguma vez na vida, 56% já conseguiram suspender o consumo de tabaco e estão livres do vício, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde e Bem Estar da Kantar Health[10].

Composição[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Componentes do tabaco

Efeitos para o organismo[editar | editar código-fonte]

Pulmão humano deteriorado pela enfisema pulmonar.

O pulmão humano é composto de pequenas estruturas, os alvéolos pulmonares, responsáveis pelas trocas gasosas do sangue. O fluxo de sangue e a irrigação sanguínea entre o coração e o pulmão são intensos. A fumaça do cigarro prejudica diretamente o funcionamento da circulação coração-pulmão. Com o passar do tempo os alvéolos pulmonares vão sendo cimentados pelos componentes da fumaça do cigarro, deixando de fazer sua função. O organismo então passa a ter menor oxigenação dos tecidos, resultando em maior facilidade de cansaço para o fumante. O cigarro também causa inúmeros danos ao coração e pulmão, tal como infarto e câncer.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.405
  2. «Tabagismo/Fumo/Cigarro Qual a origem histórica do tabagismo?». www.drashirleydecampos.com.br. Consultado em 18 de maio de 2010. 
  3. Robicsek, Francis Smoke; Ritual Smoking in Central America pp. 30–37
  4. a b Goodman, Jordan Elliot (1993). Tobacco in history:. the cultures of dependence (New York: Routledge). p. 97. ISBN 0-415-04963-6. 
  5. a b «A História do Tabaco». www.tabagismoumadoenca.hpg.ig.com.br. Consultado em 18 de maio de 2010. 
  6. «Tabaco mata 12 mil portugueses por ano». www.performance.pt. Consultado em 18 de maio de 2010. 
  7. Venturi, Jacir (Cigarro: de símbolo do glamour a vilão). «Cigarro: de símbolo do glamour a vilão». 04/02/2016. Consultado em 29/08/2015. 
  8. Reuters (17 de dezembro de 2004). «Butão proíbe o consumo de cigarros». UOL. Consultado em 14 de maio de 2011. 
  9. Jacir J. Venturi (29/08/2015). «Cigarro: de símbolo do glamour a vilão». Jornal Gazeta do Povo. Consultado em 14/09/2015. 
  10. «Consumo de cigarros chega a menor índice dos últimos 10 anos». 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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