Butão

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Brug rGyal-Khab.svg
Dru Gäkhap ou Brug rGyal-Khab (Wylie)

Reino do Butão
Bandeira do Butão
Brasão de armas do Butão
Bandeira Brasão de armas
Hino nacional: Druk tsendhen
("Reino do Dragão do Trovão")
Gentílico: Butanês,
butanense[1] ,
butani[1] ,
butâni[1]

Localização do Reino do Butão

Localização do Butão
Capital Thimbu
Cidade mais populosa Thimbu
Língua oficial Butanês (Dzonga)
Governo Monarquia constitucional
 - Rei Jigme Khesar Namgyal Wangchuck
 - Primeiro-ministro Tshering Tobgay
Formação  
 - Data Por volta do século XVII 
Área  
 - Total 38 394 km² (136.º)
População  
 - Estimativa de 2005 699 847[2] hab. (164.º)
 - Densidade 18,2 hab./km² 
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ 3,257 bilhões USD (2009 est.) (171.º)
 - Per capita US$ 4 700 USD (2009 est.) (147.º)
IDH (2013) 0,584 (136.º) – médio[3]
Moeda Ngultrum; Rupia indiana (BTN; INR)
Fuso horário (UTC+6)
Cód. ISO .bt
Cód. telef. +975

Mapa do Reino do Butão

O Butão (em butanês འབྲུག་ཡུལ་, transl. Druk Yul, "Terra do Dragão"), oficialmente o Reino do Butão, é um país interior localizado no sul da Ásia, no extremo leste dos Himalaias. Faz fronteira a norte com a China e para o sul, leste e oeste pela Índia. Mais a oeste, ele é separado do Nepal pelo estado indiano de Sikkim, enquanto mais ao sul está separado do Bangladesh pelos estados indianos de Assam e Bengala Ocidental. A capital e maior cidade do Butão é Thimbu.

O Butão existia como uma manta de retalhos de pequenos feudos em guerra até o início do século XVII, quando o lama e líder militar Shabdrung Ngawang Namgyal, fugindo da perseguição religiosa no Tibete, unificou a área cultivada e uma identidade distinta butanesa. Mais tarde, no início do século XX, o Butão entrou em contato com o Império Britânico e manteve fortes relações bilaterais com a Índia sobre a sua independência. Em 2006, baseado em uma pesquisa global, a revista BusinessWeek avaliou o Butão o país mais feliz na Ásia e o oitavo país mais feliz do mundo.

A paisagem do Butão varia de planícies subtropicais no sul às alturas sub-alpinos no norte das Himalaias, onde alguns picos excedem a altitude de 7 km (22 966 ft). Em 1997 a área total foi relatado como cerca de 46,500 km² (18 mi²) e de 38,394 km² (15 mi²) em 2002. A religião oficial do Butão é o budismo vajrayana e a população, agora (a partir de 2012/2013), seja quase três quartos de um milhão, é predominantemente budista. O hinduísmo é a segunda maior religião.

Em 2008, o Butão fez a transição da monarquia absoluta para a monarquia constitucional e realizou a sua primeira eleição geral. Além de ser um membro da Organização das Nações Unidas, Butão é um membro da Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional ( SAARC) e organizou em abril de 2010 o XVI congresso da SAARC.

História[editar | editar código-fonte]

Mosteiro Taktshang (Ninho do tigre).

A tradição situa o início da sua história no século VII, quando o rei tibetano Songtsen Gampo construiu os primeiros templos budistas nos vales de Paro e de Bumthang. No século VIII, é introduzido o budismo tântrico pelo Guru Rimpoché, "O Mestre Precioso", considerado o segundo Buda na hierarquia tibetana e butanesa.

Os séculos IX e X são de grande turbulência política no Tibete e muitos aristocratas vieram instalar-se nos vales do Butão onde estabeleceram o seu poder feudal.

Nos séculos seguintes, a atividade religiosa começa a adquirir grande vulto e são fundadas várias seitas religiosas, dotadas de poder temporal por serem protegidas por facções da aristocracia. No Butão estabeleceram-se dois ramos, embora antagônicos, da seita Kagyupa. A sua coexistência será interrompida pelo príncipe tibetano Ngawang Namgyel que, fugido do Tibete, no século XVII unifica o Butão com o apoio da seita Drukpa, tornando-se no primeiro Shabdrung do Butão, "aquele a cujos pés todos se prostram". Ele mandaria construir as mais importantes fortalezas do país que tinham como função suster as múltiplas invasões mongóis e tibetanas. O relato da época foi feito por Estêvão Cacella, o primeiro europeu a entrar no Butão. Este missionário jesuíta português, que viajou através dos Himalaias em 1626, encontrou-se com o Shabdrung Ngawang Namgyel e no fim de uma estadia de quase oito meses escreveu uma longa carta do Mosteiro Chagri relatando as suas viagens. Este é o único relato deste Shabdrung que resta[4] . A partir do seu reinado estabeleceu-se um sistema político e religioso que vigoraria até 1907, em que o poder é administrado por duas entidades, uma temporal e outra religiosa, sob a supervisão do Shabdrung.

Desde sempre que o Butão só mantinha relações com os seus vizinhos na esfera cultural do Tibete (Tibete, Ladakh e Sikkim) e com o reino de Cooch Behar na sua fronteira sul. Com a presença dos ingleses na Índia, no século XIX, e após alguns conflitos relacionados com direitos de comércio, dá-se a guerra de Duar em que o Butão perdeu uma faixa de terra fértil ao longo da sua fronteira sul. Ao mesmo tempo, o sistema político vigente enfraquecia por a influência dos governadores regionais se tornar cada vez mais poderosa. O país corria o risco de se dividir novamente em feudos.

Um desses governadores, o "Penlop" de Tongsa, Ugyen Wangchuck, que já controlava o Butão central e oriental, conseguiria dominar os seus opositores de Thimbu e, assim, implantar a sua influência sobre todo o país. Em 1907 seria coroado rei do Butão, após consultas ao clero, à aristocracia e ao povo, e com a aliança dos ingleses. Foi assim criada a monarquia hereditária que hoje vigora.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa topográfico do Butão.

O Butão é uma nação muito montanhosa, de interior, situada na Ásia. Os picos do norte atingem mais de 7 000 m de altitude, e o ponto mais elevado é o Gangkhar Puensum, com 7 570 m, que nunca foi escalado. A parte sul do país tem menor altitude e contém vários vales férteis densamente florestados, que escoam para o rio Bramaputra, na Índia.

A maioria da população vive nas terras altas centrais. A maior cidade do país, a capital Thimphu (população de 50.000 habitantes), situa-se na parte ocidental destas terras altas. O clima varia de tropical no sul a um clima de invernos frescos e verões quentes nos vales centrais, com invernos severos e verões frescos nos Himalaias.

As montanhas Negras, na região central do Butão, formam um divisor de águas entre dois grandes sistemas fluviais: o Mo Chhu e o Drangme Chhu. Pontos nas Montanhas Negras variam entre 1.500 e 4.925 metros acima do nível do mar, e caudalosos rios esculpiram desfiladeiros profundos nas áreas mais baixas da montanha. As florestas das montanhas centrais do Butão consistem em florestas de coníferas subalpinas orientais, em altitudes mais elevadas, e florestas folhosas nas proximidades do Himalaia, em altitudes mais baixas.

Demografia[editar | editar código-fonte]

A cultura do Butão já foi definida como sendo, simultaneamente, patriarcal e matriarcal e o membro que detém a maior estima é considerado o chefe da família. O Butão também já foi descrito como tendo um regime feudal caracterizado pela ausência de uma forte estratificação social.

Nos tempos pré-modernos existiram três grandes classes:

  • A comunidade monástica, a liderança da qual veio da nobreza;
  • Os empregados civis leigos, que dirigiam o aparato governamental e
  • Os agricultores, a maior classe, que vivia em aldeias autossuficientes.


Religião[editar | editar código-fonte]

Estima-se que entre dois terços e três quartos da população do Butão seguem o Budismo Vajrayana, que também é a religião de Estado. Cerca de um quarto a um terço são seguidores do hinduísmo. Outras religiões correspondem a menos de 1% da população.[5] O atual quadro legal, em princípio, garante a liberdade de religião. Entretanto, o proselitismo é proibido por uma decisão do governo real[5] e pela interpretação judicial da Constituição.[6]

Política[editar | editar código-fonte]

O Butão é uma monarquia constitucional. O chefe religioso do Reino, o Je Khenpo, goza de uma importância quase idêntica à do rei.

Depois de um histórico discurso do rei Jigme Singye Wangchuck, no dia nacional, em dezembro de 2006, abdicando a favor do seu filho e anunciando a realização de eleições democráticas, os butaneses foram às urnas em 24 de março de 2008, terminando assim mais de um século de monarquia absoluta [7] .

O Butão e a Tailândia são os últimos reinos budistas do mundo.

Símbolos nacionais[editar | editar código-fonte]

O Vale Haa, na província de Haa.

A bandeira nacional está dividida diagonalmente desde a esquina inferior esquerda até a esquina superior direita, formando assim dois triângulos. O superior amarelo e o inferior cor-de-laranja. Ao centro está um dragão branco olhando para o exterior da bandeira. O dragão apresentado na bandeira, Druk o dragão do trono, representa o nome do Butão em tibetaniano, que é "A Terra do Dragão" (Druk Yul). O dragão possui joias nas suas garras que representam a abundância. O amarelo por sua vez representa a monarquia secular e o laranja a religião budista.

O brasão de armas mantém vários elementos da bandeira do Butão, ligeiramente diferentes dos originais, e contém muito simbolismo budista. A designação oficial é: "O emblema nacional, contido num círculo, é composto por um duplo diamante-raio (dorji) colocado acima de um loto, encimado por uma joia e emoldurado por dois dragões. O raio representa a harmonia entre o poder secular e o poder religioso. O lótus simboliza pureza, a joia manifesta o poder soberano, e os dois dragões, macho e fêmea, defendem o nome do país que proclama com a sua grande voz, o trovão".

Druk tsendhen ("Reino do Dragão do Trovão") é o hino nacional do Butão. Com música de Aku Tongmi e letra de Gyaldun Dasho Thinley Dorji, foi adoptado em 1953.

Economia[editar | editar código-fonte]

O Butão tem sua economia essencialmente baseada na agricultura, extração florestal e na venda de energia hidroelétrica para a Índia. A agricultura, essencialmente de subsistência, e a criação animal, são os meios de vida para 90% da população. É uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo.

Em 2004, o Butão foi o primeiro país do mundo a banir o consumo público e a venda de cigarros.[8] [9]

Embora a economia do Butão seja uma das menores do mundo, tem crescido rapidamente nos últimos anos, registrando 8% de crescimento em 2005 e 14% de crescimento em 2006.[10] Em 2007, o Butão teve a segunda economia com maior crescimento no mundo, com uma taxa de crescimento de 22,4%. Isso ocorreu, principalmente, devido à Hidrelétrica Power Station Tala, que passou a operar a partir daquele ano. Em 2014, o Produto interno bruto (PIB) butanês foi de US$ 5,235 bilhões,[11] e o PIB per capita foi de US$ 2.133 dólares americanos.[12]

Cultura[editar | editar código-fonte]

O estádio Changlimithang durante uma apresentação.

O Butão tem uma herança cultural rica e única que tem, em grande parte, permanecido intacta por causa de seu isolamento do resto do mundo até o início dos anos 1960. A cultura butanesa é uma das principais atrações para os turistas, assim como as tradições do país. Os costumes tradicionais do Butão estão profundamente impregnados em sua herança budista.[13] [14] O hinduísmo também serviu como influência e referência nos costumes de tradição e cultura butaneses, predominantemente nas regiões do Sul.[15] O governo está fazendo cada vez mais esforços para preservar e manter a cultura atual e as tradições do país. Por causa de seu ambiente natural - grande parte ainda intocado - e do património cultural, o Butão tem sido referido como "O Último Shangri-La".[16]

A cultura do Butão já foi definida como sendo, simultaneamente, patriarcal e matriarcal e o membro que detém a maior estima é considerado o chefe da família. O Butão também já foi descrito como tendo um regime feudal e caracterizado pela ausência de uma forte estratificação social.

Nos tempos pré-modernos existiram três grandes classes:

  • A comunidade monástica, a liderança da qual veio a nobreza;
  • Os empregados civis leigos, que dirigiam o aparato governamental;
  • E os agricultores, a maior classe, que viviam em aldeias auto-suficientes.

Enquanto que os cidadãos butaneses são livres para viajar para o exterior, o Butão é visto como inacessível por muitos estrangeiros. Outra razão para que seja um destino impopular é o custo econômico, que é considerado alto para os turistas e no setor econômico turístico. A entrada é gratuita para os cidadãos da Índia e Bangladesh, mas os estrangeiros de outros países são obrigados a inscrever-se com um operador turístico butanês e pagar cerca de US$ 250 dólares americanos por cada dia em que permanecer no país, embora esta taxa cobre a maioria das despesas de viagem, alojamento e refeições.[17] O país recebeu 37.482 visitantes em 2011, sendo um dos países menos visitados no mundo.[18]

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Uma típica casa butanesa em Paro. As fachadas multi-coloridas de madeira, pequenas janelas em arco, e o telhado inclinado são caracterísricas da arquitetura do reino.

A arquitetura do Butão permanece distintamente tradicional, empregando métodos de construção locais, com materiais como acácia, pique, pedras e madeiras, trabalhadas em torno das janelas e telhados. A arquitetura tradicional não utiliza pregos ou barras de ferro em suas construções.[19] [20] Uma característica da arquitetura da região é um tipo de castelo (ou fortaleza) conhecida como Dzong. Desde os tempos antigos, os Dzongs serviram como centros religiosos e seculares de administração para seus respectivos distritos.[21]

A arquitetura butanesa serviu de inspiração ou foi adotada em algumas construções em outros países, como nos Estados Unidos, onde a Universidade do Texas, em El Paso, usou-a como base na construção de seus prédios no campus, assim como nas proximidades do Hilton Garden Inn e outros edifícios na cidade de El Paso.[22]

Referências

  1. a b c Portal da Língua Portuguesa - Dicionário de Gentílicos e Topónimos
  2. CIA. The World Factbook - Bhutan. Consultado em 15 de novembro de 2010.
  3. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Visitado em 3 de agosto de 2014.
  4. Estêvão Cacella - página em Bhutannica.org
  5. a b Bhutan
  6. Pastor sentenced to 3 yrs in prison
  7. CNN- Notícia sobre as eleições de 24 de Março de 2008
  8. Butão proíbe a venda de tabaco BBC. Visitado em 14 de maio de 2011.
  9. Reuters (17 de dezembro de 2004). Butão é o primeiro país do mundo a proibir o fumo UOL. Visitado em 14 de maio de 2011.
  10. World development idicators The World Bank Group. Visitado em 6 de janeiro de 2014.
  11. Country Comparison: GDP (Purchasing Power Parity) CIA - The World Factbook. Visitado em 6 de janeiro de 2014.
  12. Field listing: GDP (Official Exchange Rate) CIA - The World Factbook. Visitado em 6 de janeiro de 2014.
  13. Kharat, Rajesh. (2000). "Bhutan's Security Scenario". Contemporary South Asia 13: 171–185. DOI:10.1080/0958493042000242954.
  14. Martin Regg, Cohn. "Lost horizon." Toronto Star (Canada) n.d.: Newspaper Source Plus. Web. 8 December 2011.
  15. Zurick, David. (2006). "Gross National Happiness And Environmental Status In Bhutan". Geographical Review 96: 657–681. DOI:10.1111/j.1931-0846.2006.tb00521.x.
  16. Bhutan – the Last Shangri La PBS online. Visitado em 6 de janeiro de 2015.
  17. Travel Requirements Tourism Council of Bhutan. Visitado em 6 de janeiro de 2015.
  18. New MICE hardware on the cards for Bhutan TTGmice. Visitado em 6 de janeiro de 2015.
  19. Rael, Ronald. Earth Architecture. [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 1-56898-767-6
  20. Country profile – Bhutan: a land frozen in time BBC News online (9 de fevereiro de 1998). Visitado em 6 de janeiro de 2015. Cópia arquivada em 11 de novembro de 2010.
  21. Ingun B, Amundsen. (2001). "On Bhutanese and Tibetan Dzongs" (PDF). Journal of Bhutan Studies 5: 8–41. Visitado em 6 de janeiro de 2015. (JBS)
  22. 1.1 University History Universidade do Texas, El Paso UTEP Handbook of Operations. Visitado em 6 de janeiro de 2015. Cópia arquivada em 23 de julho de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]