Reino do Congo

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Wene wa Kongo ou Kongo dya Ntotila(kon)
Reino do Congo

Reino Soberano (1390 - 1857)
Reino Vassalo do Reino de Portugal (1857 - 1914)

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1390[1] – 1914 Flag of Congo Free State.svg
 
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Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Congo
Mapa de aproximadamente 1630 do Reino do Congo
Continente África
Região África Central
País Partes de Angola, República do Congo, República Democrática do Congo e Gabão
Capital M'Banza Kongo, em Angolanota 1
Língua oficial Kikongo
Português
Religião religiões tradicionais africanas
cristianismo
Governo Monarquia
Manicongo
 • c. 1390 Lukeni lua Nimi (primeiro)
 • 1911-1914 Manuel III (último)
Legislatura Ne Mbanda-Mbanda
História
 • 1390[1] Conquista de Kabunga
 • 29 de Outubro de 1665 Guerra civil do Congo
 • Fevereiro de 1709 Reunificação do Congo
 • 1857 Congo torna-se vassalo de Portugal
 • 1914 Dissolução pela autoridade portuguesa
Área
 • c. 1650[2] 129 400 km2
População
 • c. 1650[2] est. 509 250 
     Dens. pop. 3,9 hab./km²
Moeda Nzimbu (conchas) e pano de ráfia
Atualmente parte de Angola Angola
Gabão Gabão
República do Congo República do Congo
República Democrática do Congo República Democrática do Congo

O chamado Reino do Congo ou Império do Congo foi uma região africana localizada no sudoeste da África no território que hoje corresponde ao noroeste de Angola incluindo Cabinda, à República do Congo, à parte ocidental da República Democrática do Congo e à parte centro-sul do Gabão. Na sua máxima dimensão, estendia-se desde o oceano Atlântico, a oeste, até ao rio Cuango, a leste, e do Rio Ogoué, no atual Gabão, a norte, até ao rio Cuanza, a sul. O reino do Congo foi fundado por Ntinu Wene no século XIII.[3]

A região era governada por um líder chamado Rei pelos Europeus, o manicongo. Ela consistia de nove províncias e três regiões (Ngoio, Cacongo e Loango), mas a sua área de influência estendia-se também aos estados independentes, tais como Ndongo, Matamba, Cassange e Quissama. A capital era M'Banza Kongo (literalmente, Cidade do Congo), rebatizada São Salvador do Congo após os primeiros contatos com os portugueses e a conversão do manicongo ao catolicismo no século XVI, e renomeada de volta para M'Banza Kongo em 1975.

História[editar | editar código-fonte]

Tradições verbais sobre o início da história da Região foram escritas pela primeira vez no final do século XVI, e os mais completos foram registradas em meados do século XVII, incluindo aqueles escritos pelo missionário capuchinho italiano Giovanni Cavazzi da Montecuccolo. Uma pesquisa mais detalhada sobre as tradições orais modernas inicialmente conduzida no início do século XX por missionários redentoristas como Jean Cuvelier e Joseph de Munck não parece se relacionar com o período inicial da história do reino.

Inicialmente habitada por pigmeus, a demografia da região mudou radicalmente durante a grande migração banta para o sul, onde um subgrupo étnico formou-se entre os que assentaram-se no vale do baixo rio Congo, mais próximo da foz desse no Atlântico. Esse subgrupo banto são os congos, que consolidaram a ocupação da região em meados do século XIII.


Formação política pré-colonial[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Congos

A partir do século XIV os congos passaram a organizar-se politicamente, formando o poderoso reino do Congo, a partir da reunião dos reinos Ampemba Cassi e Bambata. O antigo reino de Bambata acabou por tornar-se um ducado dentro do reino, nas terras que atualmente formam a província do Uíge.

A fundação do reino do Congo se deu com a investidura de Lukeni lua Nimi como primeiro rei, em 1390, fixando capital em uma localidade por nome Nisi Cuílo, em territórios do Congo-Quinxassa.

Já politicamente forte, o reino do Congo organizou uma expedição e conquistou o reino rival de Muene Cabunga, que tinha sua capital, Mongo-dia-Congo, ao sopé de uma montanha ao sul. A cidade mudou de nome, passando a chamar-se Mabanza Congo, para onde o rei do Congo mudou-se e fez seu palácio.

Contatos com os portugueses[editar | editar código-fonte]

Em 1483, o explorador português Diogo Cão navegou pelo rio Congo, descobrindo inúmeras aldeias ribeirinhas, tornando-se o primeiro europeu a encontrar o reino do Congo. Diogo Cão deixou um de seus homens no Congo e levou alguns nobres da corte congolesa para Portugal. Ele retornou com os nobres congoleses em 1485, convertendo ao cristianismo o rei Nzinga a Nkuwu que, batizado em 1491, tornou-se João I do Congo. Os principais nobres da corte congolesa também foram batizados, começando pelo governante da província do Soio, Manuel I do Soio. Ao mesmo tempo, os cidadãos congoleses alfabetizados que regressavam de Portugal abriram algumas escolas no Congo.

O período de aproximação comercial, política e econômica com os portugueses também foi marcado pela própria expansão territorial do reino do Congo, onde, nas guerras empreendidas contra os reinos e povos vizinhos, angariava-se a principal matéria de exportação congolesa, o trabalhador escravo. O principal entreposto de comércio de Portugal com o Congo era São Tomé e Príncipe.

Tensões com Portugal e a derrocada do reino do Congo[editar | editar código-fonte]

As tensões entre Portugal e o Congo foram surgindo, principalmente relacionadas ao comércio de escravos e à interferência na escolha dos sucessores do trono congolês, aliado ao fato dos governadores da Angola portuguesa se tornarem mais agressivos.

Luís Mendes de Vasconcelos, que foi governador colonial de 1617 a 1621, contratou bangalas como mercenários para empreender uma devastadora guerra contra o reino do Ndongo, e depois atacar e saquear algumas províncias do sul do Congo. Ele estava particularmente interessado na província de Cassanze, uma região pantanosa que ficava ao norte de Luanda, refúgio de escravos fugitivos. O governador colonial João Correia de Sousa contratou novamente os bangalas para lançar uma invasão em grande escala no sul do Congo em 1622, após a morte de Álvaro III, numa tentativa de influenciar a escolha do novo o rei.

A Guerra Luso-Congolesa de 1622, iniciou com as forças portuguesas invadindo Cassanze, forçando o comandante congolês Pedro Afonso a fugir de Mabanza Congo para Nambo Angongo, uma cidade protegida por escravos fugitivos. Embora Pedro Afonso concordasse em devolver alguns fugitivos, o exército lusitano atacou o Congo e o matou, contando com um exército esmagador de 20.000 soldados

Após o sucesso em Nambo Angongo, o exército Português avançou para o condado de Quimbamba em novembro, onde conseguiram uma vitória na batalha de Bumbi. Lá eles enfrentaram uma força liderada pelo novo Duque de Quimbamba, com reforços das forças do marquês de Pemba. Tanto o duque de Quimbamba como o marquês de Pemba foram mortos na batalha.

No entanto, Pedro II, o recém-coroado rei do Congo, mobilizou o exército principal, incluindo tropas do Soio, para Quimbamba, derrotando decisivamente os portugueses, expulsando-os do país em uma batalha travada em algum lugar perto de Mabanda Cassi, em janeiro de 1623. Essa vitória congolesa e a deterioração das relações com Portugal foram cruciais para o sucesso da ocupação holandesa de Angola.

O reino do Congo associou-se à República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos contra Portugal em 1641, colaborando logisticamente para a expulsão lusitana da região de Luanda. Isso fez com que mergulhasse de cabeça na Guerra Luso-Holandesa, conseguindo certo progresso entre 1641 e 1643, durante as batalhas dos Dembos e do rio Bengo. Em 1647 o reino do Congo participa da última campanha bem sucedida contra os Portugueses, na batalha de Combi.

Ao mesmo tempo o Congo enfrentava seus próprios problemas internos, com uma guerra civil com o condado do Soio, ocorrida entre 1641 e 1645. A reconquista lusitana das possessões coloniais angolanas deixou o Congo em situação frágil, obrigando-a a tentar aliança com o reino da Espanha. Contudo, a disputa pelas posições na província de Ambuíla levou à batalha de Ambuíla, que acabou por ser sucedida por mais uma guerra civil, que duraria até 1709. Esses conflitos foram os pontos de inflexão para o reino do Congo, o enfraquecendo politicamente, perdendo de fato a condição de Estado independente, passando a Estado vassalo do Reino de Portugal.[4]

Lista dos Chefes Tribais ou Reis do Congo[editar | editar código-fonte]

Primeiros Sobas convertidos ao Cristianismo[editar | editar código-fonte]

  • Soba ? (c. 1389)
  • Soba Lukeni-lua-Nimi (c. 1390)
  • Soba Manga
  • Soba Nlaza
  • Soba Nkuwu-a-Ntinu
  • Soba Nzinga-a-Nkuwu, João I (1470—1509)
  • Soba Mvemba-a-Nzinga, Afonso I (1509-1540)
  • Soba Nkanga-a-Mvemba, Pedro I (1540-1544)
  • Soba Mpudi-a-Nzinga Mvemba, Francisco I, (1544-1546)
  • Soba Nkumbi Mpudi a Nzinga, Diogo I (1546-1561)
  • Soba Mvemba-a-Nzinga, Afonso II (1561)
  • Soba Mvemba-a-Nzinga, Bernardo I (1561-1567)
  • Soba Mpudi-a-Mvemba Nzinga, Henrique I (1567-1568)
  • Soba Mpangu-a-Nimi Lukeni lua Mvemba, Álvaro I (1568-1574)
  • Soba Mpangu-a-Nimi Lukeni lua Mvemba, Álvaro II (1574-1614)
  • Soba Mpangu-a-Nimi Lukeni lua Mvemba, Bernardo II (+1615)
  • Soba Mbika-a-Mpangu Nimi Lukeni lua Mvemba, Álvaro III (1615-1622)
  • Soba Nkanga-a-Mvika lua Ntumba-a-Mvemba, Pedro II Afonso (1622-1624)
  • Soba Mvemba-a-Nkanga Ntinu, Garcia I (1624-1626)
  • Soba Mvemba-a-Nkanga Ntinu, Ambrósio I (1626-1631)
  • Soba Mvemba-a-Nkanga Ntinu, Álvaro IV (1631-1636)
  • Soba Mvemba-a-Nkanga Ntinu, Álvaro V (1636-1638)
  • Soba Mvemba-a-Nkanga Ntinu, Álvaro VI (1638-1641)
  • Soba Nkanga-a-Lukeni, Garcia II (1641-1661)

Durante o período das lutas pelo poder[editar | editar código-fonte]

Em M'Banza Kongo (São Salvador do Congo)[editar | editar código-fonte]

Em Mbula[editar | editar código-fonte]

  • Soba Nsuku-a-Ntamba, Pedro III (1667-1679)
  • Soba Nsuku-a-Ntamba, João II (1679-1710)
  • Soba Luwano Nsanda Lussevikueno (1710-1787)
Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Reino do Congo

Notas[editar | editar código-fonte]

1. Mbanza-Kongo passou a chamar-se São Salvador do Congo depois do século XVI; sendo, baptizada novamente para Mbanza-Kongo em 1975, depois da revolução em Portugal do dia 25 de Abril de 1974.

Referências

  1. Tshilemalema, Mukenge (2001). Culture and Customs of the Congo (em inglês). [S.l.: s.n.] p. 18 
  2. Thornton, John (1977). Demography and History in the Kingdom of Kongo, 1550-1750. [S.l.]: The Journal of African History, Vol. 18, No. 4. pp. 526 ss 
  3. Anônimo, Histoire du royaume du Congo, 1624, traduzido para o francês e editado por François Bontick em Études d'Histoire africaine, IV, 1972
  4. Carlos Alberto Jr. (20 de Agosto de 2008). «Quem são os Angolanos». Diário da África 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BALANDIER, G. La vie quotidienne au royaume de Kongo du XVIe au XVIIIe siècles. Paris. Hachette. 1965.
  • GONÇALVES, A. C. A história revisitada do Kongo e de Angola. Lisboa. Estampa. 2005.
  • HILTON, A. The Kingdom of Kongo. Oxford. Oxford University Press. 1985. ISBN 0198227191.
  • THORNTON, J. K. The Kingdom of Kongo: Civil War and Transition, 1641-1718. Madison. University of Wisconsin Press. 1983. ISBN 0299092909.
  • THORNTON, J. K. The Kongolese Saint Anthony: Dona Beatriz Kimpa Vita and the Antonian Movement, 1684-1706. Cambridge. University of Cambridge Press. 1998. ISBN 0521596491.
  • THORNTON, J. K. The origins and early history of the Kingdom of Kongo, c.1350-1550. International Journal of African Historical Studies. 34. 89-120. 2001.
  • VANSINA, J. Les anciens royaumes de la savane. Léopoldville (hoje Kinshasa). Université Lovanium. 1965.
  • CASSEQUI, J. Os Contornos do reino do kongo. Luanda. Australivros. 2014.
  • Professor José Redinha, Etnólogo especialista nas diversas famílias africanas, nomeadamente em 64 dialectos Angolanos. (Atomum)


Ligações externas[editar | editar código-fonte]