Jagas

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Jagas
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Os Jagas é uma designação genérica para os grupos étnicos nómadas que invadiram o Congo e Angola durante o século XVI, mas que foram submetidos pelos locais e pelos portugueses. O termo pode designar, ainda, um soberano dos bangalas do Reino de Cassange.

A questão jaga[editar | editar código-fonte]

No século XVII, missionários e geógrafos propuseram várias teorias relacionando o termo "jaga" a grupos de saqueadores que operavam em locais tão distintos como Somália, Angola, Serra Leoa e uma hipotética terra natal jaga na África Central. Mais recentemente, estudiosos rejeitaram tais teorias iniciais. Na década de 1960, estudiosos propuseram que a tradição oral do reino Lunda, quando comparada com a tradição oral de alguns grupos angolanos, sugeria que a invasão jaga ao reino do Congo e os jagas de Angola eram, ambos, compostos por conquistadores provenientes do reino Lunda no século XVI.

Em 1972, Joseph C. Miller sugeriu que o grupo que invadiu o Kongo era completamente distinto do grupo que invadiu Angola, e que o segundo grupo deveria ser chamado de Imbangala. Essa distinção é, atualmente, largamente aceita no meio acadêmico.

Jagas Yaka[editar | editar código-fonte]

A primeira vez que os portugueses ouviram falar de um grupo conhecido como "jaga" foi durante a guerra de 1556 do reino do Congo contra o reino do Ndongo.[1] Entre as forças regulares do reino do Ndongo, estavam guerreiros mercenários da etnia Yaka. Os Yaka tinham a reputação de serem ferozes e de terem vindo de um distante interior. Eles habitavam o médio rio Cuango, o que os tornava os vizinhos do leste tanto dos Mbundu quanto dos bacongos.[2] Esses jagas eram vítimas constantes do comércio de escravos praticado pelo reino do Congo. Como represália, esses jagas invadiram o reino do Congo em 1568.[3] Isto forçou os portugueses a intervirem com seiscentos arcabuzeiros para proteger o rei Álvaro I.[4] Embora expulsos completamente do reino do Congo em meados da década de 1570, os jagas continuaram a ser uma força na fronteira. Posteriormente, eles forneceram mercenários para a guerra civil no reino do Congo.

Jagas bangalas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Bangalas

Os portugueses também encontraram outro poderoso povo guerreiro, desta vez ao sul do rio Cuanzaː os bangalas. A origem desse povo é controversa, mas acredita-se que eles tenham vindo do reino Lunda em função de mudanças políticas não desejadas nesse reino.[5] Os bangalas eram notoriamente ferozes e praticantes de antropofagia ritual.[6] Eles foram usados eficientemente como mercenários pelos portugueses no processo de conquista de Angola. Estes bangalas mercenários viriam a formar o reino de Cassange no rio Cuango.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O termo "jagas", no português do sertanejo, pode ter a mesma raiz no Brasil que jagunço ou o mesmo significado de peão aboiador.

Referências

  1. Oliver, Roland and Anthony Atmore: "Medieval Africa, 1250-1800", page 172. Cambridge University Press, 2001
  2. Oliver, Roland and Anthony Atmore: "Medieval Africa, 1250-1800", page 172. Cambridge University Press, 2001
  3. Oliver, Roland and Anthony Atmore: "Medieval Africa, 1250-1800", page 173. Cambridge University Press, 2001
  4. Oliver, Roland and Anthony Atmore: "Medieval Africa, 1250-1800", page 173. Cambridge University Press, 2001
  5. Oliver, Roland and Anthony Atmore: "Medieval Africa, 1250-1800", page 175. Cambridge University Press, 2001
  6. Oliver, Roland and Anthony Atmore: "Medieval Africa, 1250-1800", page 175. Cambridge University Press, 2001