Reino do Ndongo

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Reino do Ndongo

Reino

Duração? Flag of Portugal.svg
Localização de Reino do Ndongo
O reino de Ndongo-Ngola em 1711
Continente África
Região África Central ou África Austral
País Angola
Capital Kabasa, localizado nas terras altas perto da moderna N'dalatando.
Língua oficial Kimbundu
Religião religiões tradicionais africanas
cristianismo
Governo Monarquia
ngola Ngola Bandi Kiluanji
Njinga Ngola Mbandi
Atualmente parte de Angola Angola

O reino do Ndongo (ou reino do Ngola) é o nome de um estado pré-colonial africano na actual Angola, criado pelo grupo étnico dos Ambundu.
Os registos mais antigos acerca deste reino datam do século XVI. Ndongo foi, como Matamba, um dos vários estados Tributário do Reino do Kongo que existiram na área habitada pelos Ambundu. A localização do reino do Ndongo era ao sul do reino do Kongo, entre os rios Dande e Kwanza, ao leste por Matamba e Luba, ao sul pelos estados Ovimbundos e Kisama, e a oeste pelo Oceano Atlântico.   Ele foi liderado por um rei cujo título era ngola (que deu origem à palavra "Angola").

História[editar | editar código-fonte]

A palavra “Ngola”, de acordo com J. C. Miller, em Kings and Kinsmen. Os primeiros estados do Mbundu em Angola, estava inicialmente ligada a pequenos pedaços de ferro, símbolo das principais linhagens Mbundu. Daí que Ngola-Mussuri signifique rei serralheiro, a quem um ídolo tinha ensinado a arte fabril de preparar o ferro para fazer machados, machadinhos, facas e setas, que eram necessários para as diferentes actividades quotidianas. Isso, à época, veio a dar-lhe prestígio e fonte de riqueza, o que, por sua vez, lhe permitiu alcançar importância e admiração junto das populações. Tal facto levou a que muitos régulos o elegessem chefe de uma vasta região que se passou a chamar Ndongo. Consequentemente, a palavra “Ngola” passou a estar também associada ao título da principal autoridade do Ndongo, bem como ainda às principais linhagens daquele reino. Por analogia, como o “reino do Ndongo” era o mesmo que o “reino do Ngola”, daí se ter chegado, por aportuguesamento, à designação “reino de Angola” como sendo o mesmo que o “reino do Ndongo”. Por seu turno a palavra “Ndongo”, em kimbundu, língua materna dos Mbundu (ou Ambundu), significa canoa e passou a designativo do Estado dos titulares “a-ngola”.

Afirma Adriano Parreira, citando B. Heintze em Historical Notes on the Kissama of Angola, que, o reino do Ndongo era limitado a norte pelo “Kongo, a leste pela Matamba, a sul pelos estados Ovimbundu e pela Kisama e a oeste pelo Oceano Atlântico. É, porém, provável que os limites ocidentais do Ndongo, no século XVI, se restringissem até à região de Massangano”. É assim que Ngola-Mussuri recebeu o título de “Ngola” ou “rei” de todo o território do Ndongo.

Tentativas de independência total em relação ao reino do Kongo[editar | editar código-fonte]

Em 1518, o Ndongo enviou uma embaixada a Portugal pedindo missionários e, indiretamente, reconhecimento da sua independência face ao Kongo. Uma missão portuguesa chegou ao Ndongo em 1520 mas disputas locais e talvez a pressão do Kongo forçaram os missionários a se retirarem. Afonso I do Kongo levou os missionários para o Kongo e deixou o seu próprio padre no Ndongo.

Por volta de 1556, o Ndongo enviou outra missão a Portugal procurando ajuda militar e oferecendo-se para ser cristianizado, apesar de os oficiais portugueses da altura terem duvidado da sinceridade religiosa do reino africano. Em 1901, E. G. Ravenstein afirmou que esta missão foi o resultado de uma guerra entre o Kongo e o Ndongo, na qual o Ndongo saiu vencedor e reafirmou a sua independência. O mesmo disse Jan Vansina em 1966 (e, a partir daqui, vários outros escritores), porém isto parece ter sido uma incompreensão das fontes originais. O Ndongo poderá ter realmente visto a missão como uma espécie de declaração de independência, já que a resposta do Kongo à missão de 1518 sugere que ele ainda mantinha poder suficiente para prevenir movimentos independentistas ou que estes deixassem de pagar tributos.

De qualquer forma, a segunda missão portuguesa, liderada por Paulo Dias de Novais, neto do famoso explorador Bartolomeu Dias, atracou na foz do rio Kwanza em 1560, juntamente com vários padres jesuítas, incluindo o notável Francisco de Gouveia.
A missão de Dias de Novais falhou igualmente, tendo ele voltado a Portugal em 1564, deixando o padre jesuíta Francisco Gouveia para trás.

A colónia portuguesa de Angola[editar | editar código-fonte]

Em 1571, a coroa portuguesa providencia, a Dias de Novais, carta para construir uma colónia em Angola, autorizando-o a fazer conquistas na região, trazer colonos e construir fortes.
Dias de Novais chegou a Luanda, situada então em território do Kongo, dado o acordo do rei Álvaro I do Kongo com Portugal pelo qual o Kongo recompensava Portugal pelo seu apoio na luta contra o reino de Jaga. Incapaz de conquistar qualquer território por si mesmo, Dias de Novais fez alianças com os reinos do Kongo e Ndongo, servindo a estes como exército mercenário.

Commons
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Referências[editar | editar código-fonte]

  • AMARAL, I. O Reino do Congo, os Mbundu, o Reino dos Ngola e a presença Portuguesa de finais do século XV a meados do século XVI. Lisboa. 1996.
  • BIRMINGHAM, D. Trade and Conquest in Angola. Oxford. 1966.
  • HEINTZE, B. Studien zur Gesichte Angolas im 16. und 17. Jahrhundert: Ein Lesebuch. Colónia. 1996.
  • HEYWOOD, L. & THORNTON, J. Central Africans, Atlantic Creoles, and the Foundation of America, 1580-1660. Cambridge. 2007.
  • SACCARDO, G. Congo e Angola con la storia dell'antica missione dei Cappuccini. 3 volumes. Veneza. 1982-83.