Angolagate

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Agentes assinando um contrato de vendas de armas para Angola, em novembro de 1999

O Angolagate (termo criado pelo jornal Le Monde[1] em alusão ao Caso Watergate), também conhecido como “Caso das vendas de armas a Angola” (em francês: “Affaire des ventes d'armes à l'Angola”), “Caso Falcone” (em francês: “Affaire Falcone”), e fora da França por “Caso Mitterand-Pasqua” (em francês: “Affaire Mitterrand-Pasqua”),[2] é um processo judicial no qual estão envolvidas várias personalidades políticas francesas de primeiro escalão, incluindo um ministro do interior, um filho de presidente da república, dois milionários, um ex-prefeito, um magistrado, e um ex-deputado.[3]

Historia[editar | editar código-fonte]

O caso trata da venda de armas soviéticas e francesas estimadas em 790 milhões de dólares norte-americanos ao governo de Angola do presidente José Eduardo dos Santos em 1994, durante a guerra civil angolana. As negociações permitiram a numerosas personalidades francesas receber comissões ilegais.

Essa venda foi comandada por um intermediário franco-canadiano, Pierre Falcone, e um homem de negócios franco-israelita-canadiano-angolano de origem russa, Arcadi Gaydamak, próximo dos serviços de inteligência russos e de alguns oligarcas. A fabricante de armas Thomson-CSF e o banco BNP Paribas estavam igualmente envolvidos. O caso também atingiu o ex-assessor do presidente francês François Mitterrand, Jacques Attali. Gaydamak e Falcone foram acusados judicialmente de, entre 1993 e 1998, ter vendido para Angola, armas de origem russa, sem autorização do Estado francês.[4]

O governo de Angola alegado que este caso viola a sua soberania, por abordar um caso relacionado com o “segredo de defesa do país”.[5]

Lista de armas vendidas[editar | editar código-fonte]

Ocorreram duas vendas. De todas as vendas, a das minas terrestres antipessoal foi a que mais chocou a mídia e a população francesa e estrangeira, porque mataram e aleijaram civis em sua grande maioria.[6][7]

Primeira venda:

  • 30 carros de combate de tipo T-62 de fabricação soviética, no valor de US$ 280.000 cada.
  • 40 veículos de combate de infantaria de tipo BMP-2 de fabricação soviética, no valor de US$ 350.000 cada.
  • 6.250 fusis AK-47.
  • 50 lançadores de granada automáticos.
  • 150 Lançador-propelente de granadas.
  • 24 canhões autopropelidos de 122 mm.
  • 6 canhões de 130 mm.
  • 18 metralhadoras de defesa antiaérea.
  • 12 lança-foguetes de 122 mm.
  • 8 lança-foguetes múltiplos (M270 Multiple Launch Rocket System ou M270 MLRS).
  • 13.003.000 munições de calibre 7,62 mm.
  • 750.000 munições de calibre 5,45 mm.
  • 16.000 granadas de 30 mm.
  • 5.000 granadas de 40 mm.
  • 5.000 obus de morteiro de 82 mm.
  • 5.400 projéteis para canhão de 122 mm.
  • 5.000 granadas de mão defensivas.
  • 5.000 granadas de mão ofensivas.
  • 5.000 granadas antipessoal,
  • 50.000 munições explosivas de 30 mm.
  • 1.500 detonadores para cartuchos.
  • 3.000 obus de 73 mm para carros.
  • 3.500 obus de 115 mm para carros.

Segunda venda, a mais importante:

  • 50 carros de combate de tipo T-62.
  • 300 veículos de combate de infantaria.
  • 50 veículos de transporte de tropas blindados.
  • 15 veículos blindados de evacuação.
  • 38.000 fusis metralhadoras.
  • 250 lançadores de granada automáticos AGS-17.
  • 500 lança-foguetes RPG-7.
  • 315 morteiros de 82 mm.
  • 6 canhões de 130 mm.
  • 12 canhões auto-propulsados de 122 mm.
  • 36 obus para canhão de 122 mm.
  • 18 lança-foguetes múltiplos.
  • 48 metralhadoras de defesa antiaérea,
  • 24 canhões de 152 mm.
  • 2.000 lançadores-propelentes de granadas.
  • 48.050.000 cartuchos de 7,62 mm.
  • 2.500.000 cartuchos de 5,45 mm.
  • 10.000 grenades PG-7.
  • 30.000 granadas de 30 mm.
  • 10.000 granadas de 40 mm.
  • 32.000 obus de morteiros de 82 mm.
  • 3.000 obus de 73 mm.
  • 1.500 obus de 115 mm.
  • 9.510 obus de 122 mm.
  • 1.740 obus de 130 mm.
  • 2.000 obus para canhão de 152 mm.
  • 120.000 obus de 30 mm.
  • 25.000 granadas de mão defensivas.
  • 25.000 granadas de mão ofensivas.
  • 170.000 minas terrestres antipessoal.
  • 650.000 detonadores para minas terrestres antipessoal.
  • 80 veículos 4x4.
  • 820 caminhões tout terrain 4×4.
  • 370 caminhões tout terrain 6×6.
  • 60 ambulâncias.
  • 12 helicópteros.
  • 4 motores de avião.
  • 6 navios de guerra, dentre eles 2 patrulheiros e 2 lança-mísseis.
  • materiais de engenharia militar, dentre os quais 6 pontes metálicas mecânicas, 5 veículos de transporte anfíbio, 5 pontes autopropulsoras, e uma ponte flutuante metálica de 200 m.
  • diversos artigos, tais como bússolas, equipamentos de visão noturna, colete a prova de balas, cartucheiras, uniformes camuflados, máscaras de gás, uniformes completos, compressores, cisternas de água, explosivos.

Referências

  1. «Pratiques du journalisme : « Le Monde » rénove le vocabulaire». acrimed.org. Acrimed. 31 de outubro de 2001. Consultado em 12 de outubro de 2008. Le 12 janvier 2001, Le Monde invente le mot "Angolagate". 
  2. Patrick Bishop. «Mitterrand's widow pays £500,000 to free son». telegraph.co.uk. The Daily Telegraph. Consultado em 29 de outubro de 2009. The Mitterrand-Pasqua affair is extremely serious. 
  3. HOREAU, Louis-Marie. Angolagate, une affaire dans un piteux État. In: Le Canard Enchaîné, 1º de outubro de 2008.
  4. «Angolagate: un an de prison ferme pour Charles Pasqua, les grandes figures de l'affaire condamnées - AOL Actualité» 
  5. aeiou Expresso (13 de janeiro de 2009). «Julgamento do 'Angolagate': "A senhora não é o Ronaldo!"». Consultado em 26 de novembro de 2009 
  6. Blog de Pascale Robert-Diard, cronista judicial do Le Monde, 6 de outubro de 2008, disponível em http://prdchroniques.blog.lemonde.fr/2008/10/04/angolagate-on-y-va .
  7. RFI, 7 de outubro de 2008.

Publicações sobre o caso[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

Artigos[editar | editar código-fonte]

  • « Les hommes de l'"Angolagate" », Le Monde, 12 de janeiro de 2001.
  • « Angolagate: Les dessous d'un trafic d'armes », L'Express, 28 de dezembro de 2000.

Fontes Externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre Angola é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.