Angolagate

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Agentes assinando um contrato de vendas de armas para Angola, em novembro de 1999

O Angolagate (termo criado pelo jornal Le Monde[1] em alusão ao Caso Watergate), também conhecido como “Caso das vendas de armas a Angola” (em francês: “Affaire des ventes d'armes à l'Angola”), “Caso Falcone” (em francês: “Affaire Falcone”), e fora da França por “Caso Mitterand-Pasqua” (em francês: “Affaire Mitterrand-Pasqua”),[2] é um processo judicial no qual estão envolvidas várias personalidades políticas francesas de primeiro escalão, incluindo um ministro do interior, um filho de presidente da república, dois milionários, um ex-prefeito, um magistrado, e um ex-deputado.[3]

Historia[editar | editar código-fonte]

O caso trata da venda de armas soviéticas e francesas estimadas em 790 milhões de dólares norte-americanos ao governo de Angola do presidente José Eduardo dos Santos em 1994, durante a guerra civil angolana. As negociações permitiram a numerosas personalidades francesas receber comissões ilegais.

Essa venda foi comandada por um intermediário franco-canadiano, Pierre Falcone, e um homem de negócios franco-israelita-canadiano-angolano de origem russa, Arcadi Gaydamak, próximo dos serviços de inteligência russos e de alguns oligarcas. A fabricante de armas Thomson-CSF e o banco BNP Paribas estavam igualmente envolvidos. O caso também atingiu o ex-assessor do presidente francês François Mitterrand, Jacques Attali. Gaydamak e Falcone foram acusados judicialmente de, entre 1993 e 1998, ter vendido para Angola, armas de origem russa, sem autorização do Estado francês.[4]

O governo de Angola alegado que este caso viola a sua soberania, por abordar um caso relacionado com o “segredo de defesa do país”.[5]

Lista de armas vendidas[editar | editar código-fonte]

Ocorreram duas vendas. De todas as vendas, a das minas terrestres antipessoal foi a que mais chocou a mídia e a população francesa e estrangeira, porque mataram e aleijaram civis em sua grande maioria.[6][7]

Primeira venda:

  • 30 carros de combate de tipo T-62 de fabricação soviética, no valor de US$ 280.000 cada.
  • 40 veículos de combate de infantaria de tipo BMP-2 de fabricação soviética, no valor de US$ 350.000 cada.
  • 6.250 fusis AK-47.
  • 50 lançadores de granada automáticos.
  • 150 Lançador-propelente de granadas.
  • 24 canhões autopropelidos de 122 mm.
  • 6 canhões de 130 mm.
  • 18 metralhadoras de defesa antiaérea.
  • 12 lança-foguetes de 122 mm.
  • 8 lança-foguetes múltiplos (M270 Multiple Launch Rocket System ou M270 MLRS).
  • 13.003.000 munições de calibre 7,62 mm.
  • 750.000 munições de calibre 5,45 mm.
  • 16.000 granadas de 30 mm.
  • 5.000 granadas de 40 mm.
  • 5.000 obus de morteiro de 82 mm.
  • 5.400 projéteis para canhão de 122 mm.
  • 5.000 granadas de mão defensivas.
  • 5.000 granadas de mão ofensivas.
  • 5.000 granadas antipessoal,
  • 50.000 munições explosivas de 30 mm.
  • 1.500 detonadores para cartuchos.
  • 3.000 obus de 73 mm para carros.
  • 3.500 obus de 115 mm para carros.

Segunda venda, a mais importante:

  • 50 carros de combate de tipo T-62.
  • 300 veículos de combate de infantaria.
  • 50 veículos de transporte de tropas blindados.
  • 15 veículos blindados de evacuação.
  • 38.000 fusis metralhadoras.
  • 250 lançadores de granada automáticos AGS-17.
  • 500 lança-foguetes RPG-7.
  • 315 morteiros de 82 mm.
  • 6 canhões de 130 mm.
  • 12 canhões auto-propulsados de 122 mm.
  • 36 obus para canhão de 122 mm.
  • 18 lança-foguetes múltiplos.
  • 48 metralhadoras de defesa antiaérea,
  • 24 canhões de 152 mm.
  • 2.000 lançadores-propelentes de granadas.
  • 48.050.000 cartuchos de 7,62 mm.
  • 2.500.000 cartuchos de 5,45 mm.
  • 10.000 grenades PG-7.
  • 30.000 granadas de 30 mm.
  • 10.000 granadas de 40 mm.
  • 32.000 obus de morteiros de 82 mm.
  • 3.000 obus de 73 mm.
  • 1.500 obus de 115 mm.
  • 9.510 obus de 122 mm.
  • 1.740 obus de 130 mm.
  • 2.000 obus para canhão de 152 mm.
  • 120.000 obus de 30 mm.
  • 25.000 granadas de mão defensivas.
  • 25.000 granadas de mão ofensivas.
  • 170.000 minas terrestres antipessoal.
  • 650.000 detonadores para minas terrestres antipessoal.
  • 80 veículos 4x4.
  • 820 caminhões tout terrain 4×4.
  • 370 caminhões tout terrain 6×6.
  • 60 ambulâncias.
  • 12 helicópteros.
  • 4 motores de avião.
  • 6 navios de guerra, dentre eles 2 patrulheiros e 2 lança-mísseis.
  • materiais de engenharia militar, dentre os quais 6 pontes metálicas mecânicas, 5 veículos de transporte anfíbio, 5 pontes autopropulsoras, e uma ponte flutuante metálica de 200 m.
  • diversos artigos, tais como bússolas, equipamentos de visão noturna, colete a prova de balas, cartucheiras, uniformes camuflados, máscaras de gás, uniformes completos, compressores, cisternas de água, explosivos.

Referências

  1. «Pratiques du journalisme : « Le Monde » rénove le vocabulaire». acrimed.org. 31 octobre 2001. Consultado em 12 de outubro de 2008  Parâmetro desconhecido |en ligne le= ignorado (|arquivodata=) sugerido (ajuda); Parâmetro desconhecido |éditeur= ignorado (|editor=) sugerido (ajuda)
  2. «Mitterrand's widow pays £500,000 to free son». telegraph.co.uk. Consultado em 29 de outubro de 2009  Parâmetro desconhecido |en ligne le= ignorado (|arquivodata=) sugerido (ajuda); Parâmetro desconhecido |éditeur= ignorado (|editor=) sugerido (ajuda); Parâmetro desconhecido |auteur= ignorado (|autor=) sugerido (ajuda)
  3. HOREAU, Louis-Marie. Angolagate, une affaire dans un piteux État. In: Le Canard Enchaîné, 1º de outubro de 2008.
  4. «Angolagate: un an de prison ferme pour Charles Pasqua, les grandes figures de l'affaire condamnées - AOL Actualité» 
  5. aeiou Expresso (13 de janeiro de 2009). «Julgamento do 'Angolagate': "A senhora não é o Ronaldo!"». Consultado em 26 de novembro de 2009 
  6. Blog de Pascale Robert-Diard, cronista judicial do Le Monde, 6 de outubro de 2008, disponível em http://prdchroniques.blog.lemonde.fr/2008/10/04/angolagate-on-y-va .
  7. RFI, 7 de outubro de 2008.

Publicações sobre o caso[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

Artigos[editar | editar código-fonte]

  • « Les hommes de l'"Angolagate" », Le Monde, 12 de janeiro de 2001.
  • « Angolagate: Les dessous d'un trafic d'armes », L'Express, 28 de dezembro de 2000.

Fontes Externas[editar | editar código-fonte]

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