M'Banza Kongo

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Mabanza Congo
Localidade de Angola Angola
(Cidade)
Flag-map of Angola.svg

Brasão
Dados gerais
Fundada em 691 (1 328 anos)
Gentílico sotero-congolense
mabanzense
Província Zaire
Município(s) Mabanza Congo
Características geográficas
Área 7 651 km²
População 205 272[1] hab. (2018)
Altitude 408 m

Mabanza Congo está localizado em: Angola
Mabanza Congo
Localização de Mabanza Congo em Angola
6° 16' 00" S 14° 14' 00" E{{{latG}}}° {{{latM}}}' {{{latS}}}" {{{latP}}} {{{lonG}}}° {{{lonM}}}' {{{lonS}}}
Projecto Angola  • Portal de Angola
Pix.gif Mabanza Congo, vestígios da capital do antigo Reino do Congo *
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Património Mundial da UNESCO
País  Angola
Critérios C (iii) (iv)
Referência 1511 en fr es
Histórico de inscrição
Inscrição 2017  (? sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

M'Banza Kongo, também grafada como Mabanza Congo,[2][3] é uma cidade e município angolana, capital da província do Zaire.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 205 272 habitantes e área territorial de 7 651 km². É a única capital angolana que não é a localidade mais populosa de sua província, perdendo para a cidade zairense do Soio.[1]

Designada historicamente como "São Salvador do Congo", capital do antigo e poderoso reino do Congo, teve seu centro histórico declarado, em 2017, como Património da Humanidade pela UNESCO.[4]

História[editar | editar código-fonte]

A história oral da cidade de Mabanza Congo é muito mas antiga do que a chegada dos portugueses, e mesmo da conquista do poderoso reino do Congo, que fez dela a morada e capital da dinastia reinante.[5]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Segundo a tradição oral, no ano de 690 AD os congos chegaram na região constituída entre os rios Cuanza e Cuango, sob a liderança de uma autoridade religiosa de nome Na-Culunsi. As autoridades religiosas congolesas chamaram essa região Timansi-Timancosi, ou "coração do leão".[5]

Em 691 as autoridades ordenaram que se construísse numa zona planáltica, próximo a uma montanha de nome Congo-dia-Tôtila, uma cidade, com trabalhos sob supervisão de um habilidoso artífice, de nome Masema-Toco. Sob coordenação do mesmo artífice abrem-se os Anzila Congo, as sete estradas que ligariam a nova cidade (que a princípio conservou o nome Tôtila) a todos os territórios dos congos, ao sul do rio Congo.[5]

Segundo a tradição oral, o primeiro grande governante de Tôtila foi Muabi Maiidi, em 698 AD, sendo sucedido por Zananga Moua e Mabala Luqueni, e; somente muito depois o reino receberia o nome de Muene Cabunga e a cidade de Tôtila passaria a chamar-se Mongo-dia-Congo, possivelmente no século XII.[5]

Conquista pelo reino do Congo[editar | editar código-fonte]

Quando o rei Luqueni-lua-Nimi conseguiu unificar as entidades políticas dos congos para formar o reino do Congo em 1390, fixou inicialmente capital em uma localidade por nome Nisi Cuílo, em territórios do Congo-Quinxassa.[5]

Já politicamente forte, o reino do Congo organizou uma expedição e conquistou o reino rival de Muene Cabunga, que tinha sua capital na ainda denominada Mongo-dia-Congo. Após a conquista a cidade mudou de nome, passando a chamar-se Mabanza Congo, para onde o rei do Congo mudou-se e fez seu palácio.[5]

Chegada dos portugueses[editar | editar código-fonte]

Aspecto de São Salvador do Congo, em pintura de 1745.

Em 1483, o explorador Diogo Cão, a serviço do reino de Portugal, chega em Mabanza Congo, onde assentava-se o trono do manicongos, monarcas que governavam o Reino do Congo. Quando os portugueses chegaram, ela já era uma grande cidade, a maior da África sub-equatorial.[6]

No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída a igreja católica Catedral de São Salvador do Congo no local em que os angolanos reclamam ser a mais antiga da África Sub-Saariana. A edificação foi elevada a catedral em 1596.[7]

O nome "São Salvador do Congo", para designar a cidade de Mabanza Congo, apareceu pela primeira vez em cartas enviadas por Álvaro I do Congo (ou Álvaro II do Congo), entre os anos de 1568 e 1587.

Durante o reinado de Afonso I do Congo, edificações de pedra foram criadas, incluindo o palácio e muitas igrejas. Em 1630 foram relatados cerca de 4000 a 5000 baptismos cristãos na cidade, naquele ano com uma população de 100.000 pessoas.

Decadência e abandono[editar | editar código-fonte]

Os desentendimentos do reino do Congo com o reino de Portugal, levaram a cidade a ser saqueada várias vezes, principalmente durante a guerra civil que se seguiu após a batalha de Ambuíla. As consequências foram tão dramáticas que São Salvador do Congo foi abandonada no ano de 1678.[8]

Nas cercanias do ano de 1704 o rei Pedro IV do Congo concede a Kimpa Vita, líder política, profetiza e membro da monarquia congolesa a incumbência de ser a regente de São Salvador do Congo, numa tentativa de reocupar e restaurar a cidade. Por esforço de Kimpa Vita a cidade foi reestruturada e reconstruída aos poucos, não sendo mais abandonada desde então.[8]

Séculos XIX e XX[editar | editar código-fonte]

No século XIX Portugal criou o Protetorado do Congo Português e, em seguida, o "distrito do Congo", mas resolveu não assentar os aparatos administrativos em São Salvador do Congo, a preterindo por Cabinda.

Durante a grande revolta do Congo contra Portugal, a cidade foi parcialmente destruída, caindo em desgraça, pois em 1914 a monarquia congolesa é extinta, deixando de ser capital.[9]

Em 1917 o governo colonial pretere mais uma vez a cidade de São Salvador do Congo, pois transfere a capital do distrito do Congo para a antiga capital do ducado de Bambata, a cidade de Maquela do Zombo.[10]

Em 1922, porém, a cidade passa a sediar o "distrito do Zaire", condição que conserva até 1930, quando o distrito do Zaire é fundido ao de Cabinda para tornar-se a "Intendência-Geral do Zaire e Cabinda", com capital na cidade de Cabinda.[11][10]

Em 1961 a cidade recupera seu status de capital, quando ocorre a refundação do "distrito do Zaire".[11][12]

Pós-independência[editar | editar código-fonte]

A cidade voltaria a se chamar Mabanza Congo, após a Independência de Angola em 1975.

O papa João Paulo II visitou a cidade, fazendo um culto especial na histórica catedral em 1992, onde fez apelo ao processo de paz que se negociava em função da Guerra Civil Angolana.[13]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município situa‐se no topo do planalto de Tôtila,[14] que possui muitas encostas escarpadas; a sede municipal está numa elevação com cerca de cinco quilómetros quadrados, a cerca de quinhentos e vinte metros de altura em relação ao nível do mar.[8] O planalto divide as sub-bacias dos rios Mupozo e Luezi.[15]

O município de Mabanza Congo é dividido, além da comuna sede, que corresponde a própria cidade de Mabanza Congo, nas comunas de Calambata, Caluca, Quiende, Luvu (ou Luvo) e Madimba (ou Nadinba).[16]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

As principais ligações rodoviárias do Mabanza Congo são pelas rodovias EN-210, que dá ligação ao Nezeto e à Cuimba, e; a EN-120 (Rodovia Transafricana 3), que dá ligação a Matadi (Congo-Quinxassa).

A cidade ainda dispõe do Aeroporto Pedro Moisés Artur, que em breve será substituído por uma nova infraestrutura, a 33 quilómetros do centro da cidade.[17]

Educação[editar | editar código-fonte]

Na educação superior, a cidade dispõe de uma campus universitário, que sedia a Escola Superior Politécnica de Mabanza Congo, filiada à Universidade 11 de Novembro.[18]

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Uma das principais manifestações culturais-religiosas da cidade, e por consequência do pais, são as festividades de São Salvador, o padroeiro da cidade. Quem as promove é a Diocese de M'Banza Congo.

Outras manifestações culturais de grande relevo são o Carnaval e o FestiCongo; a segunda é uma festa multicultural que reúne os povos e países que integravam o antigo Reino do Congo.[19]

Lazer[editar | editar código-fonte]

Mabanza Congo é conhecida pelas ruínas da Catedral de São Salvador do Congo (construída em 1492), do século XV, que afirmam ser a igreja colonial mais antiga da África Subsaariana. Na tradição oral, diz-se que esta mesma igreja, conhecida localmente como Culumbimbi, foi construída por anjos durante a noite. Foi elevado ao status de catedral em 1596. O Papa João Paulo II visitou o local durante sua visita à Angola em 1992.[20]

Outro local interessante de importância histórica é o memorial da mãe do rei Afonso I, próximo ao aeroporto, que rememora uma lenda popular que começou na década de 1680 em que o rei possivelmente havia enterrado sua mãe viva, porque ela não estava disposta a desistir de um "ídolo" que ela usava em volta do pescoço.

Outros locais importantes incluem o Jalancuvo, a árvore de julgamentos do manicongo, que ainda pode ser encontrada no centro da cidade, juntamente com o Sunguilu, uma estrutura retangular no nível do solo onde a tradição local diz que o corpo do rei foi lavado antes do enterro. Ambos estão nas terras do palácio real e do museu real atual.

O Museu Real do Congo, reconstruído como uma estrutura moderna, abriga uma impressionante coleção de artefatos do antigo reino, embora muitos tenham sido perdidos do prédio mais antigo durante a Guerra Civil Angolana.[21]

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. Venancio, Renato Pinto. O Ofício do Historiador: uma entrevista com Ronaldo Vainfas. LPH-Revista de História. Ouro Preto-MG: Universidade Federal de Ouro Preto, nº 8, p. 10, 1998-1999.
  3. Kinni, Fongot Kini-Yen. Pan-Africanism: Political Philosophy and Socio-Economic Anthropology for African Liberation and Governance. Editora Langaa RPCIG, p. 852, Vol 3, 2015. ISBN-10: 9956762547.
  4. «Three sites in Angola, Eritrea and South Africa added to UNESCO's World Heritage List». UNESCO. Consultado em 8 de julho de 2017 
  5. a b c d e f Batsîkama, Patrício Cipriano Mampuya. O Reino do Kôngo e a sua origem meridional. Luanda: Universidade Editora, 2011. ISBN 9899745502.
  6. Angola – Antiga e a várias velocidades. Wizi-Kongo.com. 3 de novembro de 2018.
  7. Mbanza Congo a património cultural da humanidade. Somos Portugueses. 14 de agosto de 2017.
  8. a b c Mabanza Congo (São Salvador do Congo). HPIP. 2019.
  9. José Carlos de Oliveira (7 de Abril de 2014). «Factos e Documentos Históricos Relativos ao Reino do Kongo nos Primórdios do Século XX». Portal do Uíge e da Cultura Kongo 
  10. a b Província do Uíge – Caracteristas gerais. Wizi-Kongo.com. 2016.
  11. a b Pinto, Carlos Rodolfo. Pobreza no meio rural em Angola : contribuição para a sua caracterização no município do Negage. Luanda: CEIC, Centro de Estudos e Investigação Científica, Universidade Católica de Angola, Julho de 2011.
  12. Caracterização histórica da província antes da Independência Nacional. Nexus. [s/d].
  13. Viagem Apostólica a Angola: Apelo aos fiéis durante a Celebração da Palavra na Esplanada da Catedral de Mabanza Congo. Libreria Editrice Vaticana. 8 de Junho de 1992.
  14. Máximo, Bruno Pastre. Um lugar entre dois mundos: paisagens de Mabanza Congo. São Paulo: Universidade de São paulo, 2016.
  15. Bortolami, Gabriele. O trabalho de campo como experiência etnográfica nas aldeias da comuna de Luvu, município de Mabanza Congo. Luanda: Mulemba [Online], 6 (12), 2016.
  16. Município investe em projectos de impacto social. Jornal de Angola. 15 de março de 2014.
  17. Mbanza Congo terá novo aeroporto. O País. 13 de dezembro de 2018.
  18. Escola Superior Politécnica de Mabanza Congo. Universidade 11 de Novembro. 2019.
  19. Cidade de Mbanza Congo acolhe em 2019 festival multicultural sobre antigo Reino do Congo. SapoBanda. 14 de dezembro de 2018.
  20. Mbanza Kongo, Vestiges of the Capital of the former Kingdom of Kongo. UNESCO. 2019.
  21. Museu dos Reis do Congo recebe mais de 17 mil turistas. Portal Angop. 5 de janeiro de 2019.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Sean Sheehan; Jui Lin Yong; Yong Jui Lin (Janeiro 2010). Angola. Marshall Cavendish. pp. 136–. ISBN 9780761448457.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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