Uíge

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Uíge
Localidade de Angola Angola
(Cidade e Município)
Rua Uige.JPG

Rua do Comércio
Dados gerais
Gentílico uigense
Província Uíge
Características geográficas
Área 58 698 Km² km²
População mais de 1 000 000 hab. (2014)
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Uíge está localizado em: Angola
Uíge
Localização de Uíge em Angola
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Projecto Angola  • Portal de Angola

Uíge é uma cidade e município de Angola, capital da província do Uíge.

O território do Uíge, tem uma extensão de 58 698 Km e dista à cerca de 317 Km de Luanda, capital Angolana.

Tem cerca de 2 milhões de habitantes. Em 1955 a Vila do Uíge passou a designar-se Vila Marechal Carmona, em honra do antigo presidente português Óscar Carmona, mantendo-se o distrito de que era sede com o nome Uíge. Depois de ser elevada a cidade, passou a denominar-se simplesmente Carmona.

Foi feita Comendadora da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 30 de Maio de 1962.[1]

Em 1975 readquiriu o nome original de Uíge.

Os grupos etnolinguísticos[editar | editar código-fonte]

A população do Uíge é geralmente conotada com a comunidade etnolinguística dos Bakongo, ou, segundo a terminologia usada pelo Ministério da Cultura, com a área sociocultural Kongo2. Embora os traços identitários da comunidade sejam marcantes, encontra-se um outro nível de identidades, linguísticas (no que respeita ao sotaque, por exemplo) ou de outra natureza (ligadas à história, ao parentesco, aos usos e costumes, entre outras), que permitem estabelecer subdivisões. Assim, no Uíge encontram-se pessoas que se reclamam dos subgrupos dos Bazombo, Basoso, Bapombo,Baiaca, Basuco, Baluango e Basundi, entre outros. Historicamente, o grupo dos Bazombo ou Bambata, habitantes da região de Mbata, referenciada com o actual território de Maquela do Zombo e parte da Damba, distinguiu-se pela sua propensão para o comércio3. Devem ter sido os intermediários do comércio e dos mais importantes difusores de elementos culturais e da religião introduzidos pelos portugueses, numa área que vai de Mbanza Congo ao rio Cuango a leste e à região do Sosso (31 de Janeiro) ou mesmo mais a sul. Essa especialização dos Bazombo é ainda hoje um dos seus traços mais característicos, com base em mercados, verdadeiras instituições conhecidos por quitandas, cujo nome original, nzandu, significa “lugar neutro, de igualdade, ou de divertimento”. Talvez se possa afirmar que esta característica dos Bazombo identifica uma área cultural distinta dentro do território angolano ocupado pelos Bakongo, anterior à ocupação portuguesa. Essa propensão para o comércio passou a ser extensiva para outros subgrupos dos Bakongo, influenciando a organização de mercados rurais pelo governo português logo após os acontecimentos de 1961, bem como o desenvolvimento do comércio informal depois da independência. A conotação de grande parte da região do Uíge – tal como a do Zaire – com os Bakongo poderá ter origem nas grandes migrações de povos bantu talvez antes do final do primeiro milénio (ano 1000) e na posterior fundação do Reino do Congo. No entanto, outros grupos bantu também se fixaram no território que hoje constitui a província, como os Mahungo e Ngola que se reconhecem como integrantes da área cultural Mbundu. Por outro lado, os movimentos de populações ao longo das últimas décadas, associados às guerras e casamentos interculturais, trouxeram à região pessoas oriundas de outros territórios. Esta realidade, hoje comum a quase todo o país, é também marcada no Uíge pela fixação de alguns dos antigos trabalhadores provenientes do Planalto Central para as roças de café, principalmente entre as décadas de 40 e 70 do século XX. Além disso, habita ainda no Uíge um considerável número de cidadãos regressados da RDC. É notória ainda a existência de cidadãos que não se reconhecem em nenhum grupo cultural dos anteriormente referidos, bem como de manifestações de sincretismo, tanto no modo de organização do poder tradicional, como nas relações sociais e na organização da economia informal. Conclui-se, pois, que hoje é quase impossível traçar uma linha de “fronteira” entre a área de predominância da língua Kicongo e qualquer outra, principalmente a de língua Kimbundo.[2]

Período pré colonial[editar | editar código-fonte]

A História de Angola em geral apresenta ainda bastantes lacunas, pois as poucas fontes escritas são manifestamente insuficientes e a arqueologia está pouco desenvolvida. A deficiente informação sobre o período pré-colonial obriga a que as referências mais antigas sejam geralmente relacionadas com a chegada ou fixação dos portugueses à região. A fixação dos portugueses no território do Uíge só começou a ser efectiva após a Conferência de Berlim que terminou em 1886, e a memória colectiva captada em quase todos os municípios, principalmente a sul e leste, regista a presença permanente dos militares portugueses apenas a partir do início do século XX. Todavia, há registos históricos que referem a concessão da exploração das minas de cobre de Mavoio, no Bembe, em 1857, que chegou a permitir a exportação de um importante quantitativo de minério4, antes do seu encerramento devido às dificuldades de transporte para o Ambriz.[3]

Período colonial[editar | editar código-fonte]

Dos primeiros contactos ao declínio do Reino do Congo Os contactos com os portugueses permitiram aos Bakongo a abertura ao Atlântico e com isso desenvolveu-se o tráfico de escravos, mas também foram introduzidas uma nova religião, o cristianismo, e novos produtos alimentares, como a mandioca. Porém, as boas relações com Portugal foram muitas vezes dificultadas por tensões resultantes do tráfico de escravos. Por sua vez, a influência de missionários católicos manteve-se até ao século XVII, mas a sua actividade conheceu um grande declínio até à segunda metade do século dezanove, e quando foi reactivada passou a ter concorrência dos protestantes da Igreja Baptista, passando ambas a ter grande influência na formação de elites letradas e líderes comunitários. A 29 de Outubro de 1665 teve lugar em Ambuíla a batalha que seria fatal para o Reino do Congo. Nela foi morto o rei D. António e com ele perto de cinco mil homens, entre os quais muitos dos seus colaboradores. A cabeça do rei foi enterrada com solenidade de monarca cristão na Igreja da Nazaré em Luanda, onde ainda hoje se encontram azulejos alusivos à batalha de Ambuíla. Em 1706, em Mbanza Kongo, foi morta, por heresia, Beatriz Kimpa Vita, profetisa e líder do movimento dos Antoninos, uma nova religião de influência cristã, que tentara a restauração do anterior poder do reino e da sua capital.

Há notícias de que no século XVIII emergiam em território  dos Bazombo(aproximadamente Maquela do Zombo e parte da Damba de hoje)   manifestações de tráfico de escravos que condicionavam a economia regional e o comércio de longa distância. Ao longo século XIX o tráfico de escravos foi dando lugar ao comércio de marfim e oleaginosas (coconote e ginguba, principalmente) e, na transição para o século vinte, de borracha, como aconteceu em outras partes do território angolano.

A fase pós Conferência de Berlim Após a Conferência Berlim foi criado o Distrito do Congo, de que Cabinda foi a primeira capital. O comércio continuou a jogar papel determinante na economia da região de Maquela no início do século XX e as quitandas eram descritas no princípio do século, como algo mais que locais de compras e vendas. Na realidade, elas estavam organizadas numa lógica parecida com a dos “centros comerciais” modernos, desde os bens de origem agropecuária até artigos manufacturados e armas. As quitandas representavam também espaços de sociabilidade e de troca de informação e de distracção. Nessa época teve início a ocupação comercial do interior do Congo, antecedendo, em algumas regiões, a militar e administrativa. Os mercados dos Bazombo perderam importância mas não se extinguiram como verdadeira instituição com significado sociológico. A sua sobrevivência num contexto desfavorável revela a força da sua tradição. Entre 1913 e 1915 teve lugar a chamada revolta de Álvaro Buta, a maior do norte de Angola antes de 1961, devida à corrupção e à incompetência da administração portuguesa, os abusos na cobrança de impostos e à violência no angariamento de trabalhadores para S. Tomé e Cabinda, que havia tomado o lugar do tráfico de escravos. No rescaldo dessa revolta, e devido ao peso económico crescente do interior do Distrito do Congo, a sua sede foi transferida em 1917 de Cabinda para Maquela do Zombo. Num local onde hoje se encontra a cidade do Uíge foi criado pelos portugueses um posto militar (Portaria 60 de 6/4/17)6. Em 1923 o posto passou a sede da circunscrição (mais tarde concelho) do Bembe. A importância crescente da cultura do café e a subida do seu preço no mercado internacional provocaram alterações radicais na economia do distrito do Congo. Maquela perdeu importância e Uíje, elevado a vila em 1934, passou a capital da Província do Congo criada em 1946, que voltaria a ser distrito a partir de 1954 até que foi desmembrado nos distritos do Uíge e Zaire, como já referido. Mas, ao contrário do que aconteceu noutros distritos, onde as capitais passaram a atrair os residentes do interior, os Bazombo não foram seduzidos pelo Uíge, pois Léopoldville (Kinshasa) era de acesso mais fácil e com mais oportunidades de estudo e de trabalho, e no Congo Belga não havia “imposto indígena” nem trabalho forçado. Contudo, tais emigrados no Congo mantiveram os laços com a terra de origem e estiveram ligados à luta pela independência. O café e a rebelião de 1961 A cultura do café passou então a marcar a história de quase toda a província. Porém, factos como a usurpação de terras férteis, o trabalho forçado nas plantações dos colonos, o pagamento de impostos injustos e a obrigatoriedade da cultura do café em. prejuízo das alimentares contribuíram para a revolta popular em 1961 que abrangeu praticamente todo o noroeste de Angola. A revolta foi violenta e os portugueses responderam com uma violência que atingiu inocentes. Em muitas localidades da província encontram-se monumentos os sítios que, apesar da sua modéstia, assinalam as vítimas da repressão de 1961. A revolta provocou importantes mudanças na política colonial portuguesa. Uma delas foi a reforma legislativa que abrangeu a concessão de terras, o trabalho forçado, a organização administrativa, o poder tradicional, os impostos e os mercados rurais. A contra ofensiva portuguesa, aliada a intensa propaganda psicológica, provocou o regresso de grande parte da população que se havia refugiado nas matas ao convívio com os portugueses. Foram criadas as “aldeias da paz” em pontos estratégicos e teve início um novo tipo de relacionamento com os cafeicultores nativos, que representou um importante incentivo à produção de café e contribuía para atenuar a acção dos nacionalistas. A estratégia deu alguns resultados, pois ainda hoje muitas populações valorizam a melhoria da sua condição económica e social na altura. A criação de mercados rurais, seguindo a antiga tradição dos Bakongo, voltados para a comercialização do café, a demarcação de terras e a concessão do respectivo título a muitos agricultores nativos, a constituição de algumas cooperativas de serviços que comercializavam e descascavam café com melhores preços, o acesso a empréstimos do Instituto de Crédito de Angola e a construção de chafarizes abastecidos em água pela força da gravidade foram alguns dos indicadores de mudanças. Certos agricultores nativos chegaram a produzir mais de vinte toneladas de café comercial e a possuir 50 trabalhadores permanentes, algo que alguns portugueses não conseguiam. A província do Uíge chegou a produzir 74 mil toneladas de café comercial nos primeiros anos da década de 70, quando a produção nacional havia atingido o máximo de 180 mil toneladas. O município do Dange, com as suas 21.500 toneladas era o maior produtor de Angola. No Uíge, depois de Dange, os municípios mais produtivos eram os do Uíge com 17.950 e do Songo com 14.350 toneladas. [4] [5]

período pós independência[editar | editar código-fonte]

Por altura da proclamação da independência a província do Uíge estava sob o controlo das forças militares da FNLA e o Governo de Angola só assumiu a sua administração em Janeiro de 1976. A economia da região foi muito afectada pela transição para a independência e pela nova política económica, com reflexos na estrutura de produção e comercialização de café e de outros produtos agrícolas, tais como a mandioca, a banana, o feijão, o amendoim e o óleo de palma, devido à fuga dos fazendeiros e dos comerciantes. A produção de café por parte do sector familiar foi perdendo importância progressiva pelo baixo preço oficial, pela ausência de mercados e pelos efeitos da guerra civil. As culturas alimentares passaram a ser mais atractivas, mas a produção manteve-se baixa devido à ausência de um sistema de comercialização. Entre as várias tentativas de solução desse problema destaca-se a criação de uma empresa denominada Uigimex que, com a assistência da italiana Bozzo Angola, procurava comprar o café na posse dos agricultores e vender bens de consumo, mas cujos resultados foram pouco animadores. A guerra civil entre o Governo e a UNITA atingiu directamente o Uíge já nos anos 80, tendo a província sido ocupada várias vezes pelas forças militares da UNITA, até que em 2002 o Governo passou a controlar definitivamente a situação. Os serviços do Estado e o comércio ficaram praticamente paralisados. A perda de animais e a destruição de infra-estruturas provocaram um aumento ainda mais significativo dos níveis de pobreza. Em 2002 a situação económica e social da província era bastante grave. De acordo com o Perfil Socioeconómico da Província do Uíge elaborado em 2003 pelo PNUD para o Governo de Angola, existiam em média, na província do Uíge, um enfermeiro e um médico para, respectivamente, 4.298 e 211.096 habitantes; a população matriculada, desde a iniciação até ao PUNIV era de 119.621 alunos; no sector do comércio, encontravam-se apenas quatro estabelecimentos grossistas e/ou mistos e oito retalhistas. Com a paz, o Governo tomou medidas que estão a inverter a situação, como, por exemplo, a implementação de diversos programas como o de Serviços Sociais Básicos à População e outros que se seguiram visando a descentralização gradual, e mais recentemente o PMIDRCP. Após a independência, os distritos passaram a ser designados por províncias e os concelhos por municípios, mantendo os seus limites. A orgânica e funcionamento da estrutura dos governos provinciais e das administrações municipais – comissariados a ambos os níveis até 1991 – foram evoluindo ao longo do tempo, mas o seu desempenho afectado por problemas vários que têm a ver com as capacidades institucionais, humanas e financeiras. O Plano Estratégico de Desconcentração e Descentralização, lançado nos primeiros anos do novo século visa, de modo gradual, a superação dessas dificuldades.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A província do Uíge situa-se no norte de Angola, ocupa uma superfície de 62.424 km² e faz fronteira com a República Democrática do Congo e leste, com a província do Zaire a Oeste, com a do Bengo a sudoeste, com a do Kwanza Norte a Sul e com a de Malanje a Sudeste7. Não há na província estações ou postos meteorológicos, pelo que não há registos recentes de pluviosidade e temperatura.

Divisão da Cidade e Classes Sociais[editar | editar código-fonte]

A cidade do Uíge está dividia em Bairros. Cada bairro resulta dum aglomerado de zonas, quarteirões e blocos regidos por um Soba, uma autoridade tradicional encarregue de tratar de assuntos de organização social mais básicos, como enumeração de casas, fiscalização de compras de terrenos, reconhecimento de moradores e até participam em algumas resoluções de problemas. Os bairros da cidade do Uíge são tipicamente habitados por pessoas de diferentes classes sociais. É de mencionar os bairros nas diferentes posições:

NORTE:

Papelão: é um bairro suburbano (guetto), com habitantes provindos de vários municípios da província, tem também uma alta concentração de angolanos regressados da República Democrática do Congo. Tem habitações convencionais, na sua maioria, construídas de tijolo queimados de barro e é predominante uma classe baixa, composta por pequenos comerciantes informais, camponeses e alguns funcionários públicos. Há também uma pequena classe média a crescer neste bairro. Mas ainda representa uma minoria.

Gai: este bairro representa uma continuidade do Bairro Papelão, alberga o Quartel General da Região Militar Norte e o Centro de Processamento e Distribuição de Gás Natural da cidade. É possível observar uma crescente classe média ao longo da estrada que atravessa este bairro. Não se trata de uma classe média nova mas de habitantes que abandonam as casas no centro da cidade e vão para este bairro.

SUL

Kindenuko: tal como o Gai é muito habitado pela classe média dos que abandonam o centro da cidade devido a degradação dos prédios e subida do arrendamento. É ainda muito reduzida a sua densidade populacional. Mas está crescecendo de forma acelerada, alberga o SIAC e um novo projecto urbanístico que irá transformar o seu aspecto.

Kapesu: é uma bairro extremamente pobre e em condições degradadas. Habitado por uma maioria de classe baixa apresenta um elevado índice de delinquência juvenil (mais comum em adolescentes) e outros fenómenos sociais que influenciam negativamente a sua imagem. Tem uma baixa densidade de população que é proveniente das províncias do sul de Angola (deslocados da guerra civil).

Gigi: é uma ligação entre o Kapesu e Kindenuku. Os seus habitantes também apresentam duas características: por um lado uma classe média e do outro uma classe extremamente pobre. Há também um índice crescente e persistente de delinquência juvenil.

LESTE

Kandombe: é um bairro antigo, conhecido também por cidade alta, e encontra-se dividido em:

Velho: parte dos términos do Centro da Cidade, juntos da antiga fábrica de bebidas conhecida por Bangola, e se estende por uma grande parte da região leste. É composto por uma classe média (cerca de 10%), uma classe meio-baixa (cerca de 30%) e última muito baixa. O facto de apresentar um comércio intenso e um tráfego agitado influencia no seu crescente crescimento populacional acompanhado de um alto índice de delinquência juvenil e de adultos também (o pior da cidade). A promiscuidade atinge índices muito elevados todos os anos, chegando a ser encarado (por alguns citadinos) como negativo namorar uma jovem deste bairro.

Novo: esta parte do bairro é mais proeminente e é habitado intensamente pela classe média. Tem muitas casas de lazer e é muiti distanciado da cidade, tornando rara a presença de estranhos no interior.

Pedreira: é um bairro crescente, seus babitantes fazem parte de uma classe social meio-baixa e também classe média. As casas são construídas de tijolo de barro queimado. Tem uma região mais distanciada denominada por Paviterra em que residem muitos habitantes recentemente provenientes dos outros municípios. Neste bairro está situada a Comarca Central do Uíge.

Piscina: encontra-se na extensão do Kandombe Velho e do Pedreira. É um pequeno bairro dividido em várias zonas, por assim dizer, e que são denominadas pelos próprios moradores. É habitado por uma classe baixa e com uma cultura típica de alguns municípios como Negage, Sanza, Buengas, Bungo e Alto-Cauale.

Kilamba Kiaxi: um pedaço de terra suburbano e habitado pela classe baixa e muitas vezes confundido com o Piscina, Popular ou Kandombe. Tem uma cultura fundida das destes três bairros citos.


OESTE

Paco e Bens: é um bairro recente que encontra-se em constante crescimento. É onde está o Aeroporto Manuel Quarta Punza. Habitado de forma proporcionalmente directa pela classe média e baixa.

Ana Paula: um pequeno lote organizado de casas urbanizadas e que parece um condomínio habitado pela classe alta e média. Mas ao seu redor cresce uma classe média e baixa.

Condo e Bens: é um bairro a ser construído recentemente, resultado das ocupações de terrenos autorizadas pela Administração Municipal. Mas cresce de forma desorganizada e desurbanizada, onde está a Universidade Kimpa Vita.

CENTRO DA CIDADE E PERIFERIA

O Centro da Cidade é uma extensão de terra de cerca 6 quilómetros ao quadrado. É o centro financeiro da cidade com uma rede de bancos comerciais e de investimentos. É também a sede do Governo Provincial do Uíge, frente ao Largo do Governo em que torno dele estão o Órgão de Justiça Militar, Palácio dos Ministérios, Correios de Angola, Direcções Provincial das Finanças, Agricultura e Geologia e Minas e outros.

Nele estão os principais hotéis, hospedarias, edifícios residencias, escritórios, lojas e supermercados. É a única parte da cidade em que verifica-se uma Urbanização mais bem cuidada. A cidade é colonial, somente alguns edifícios novos estão presentes (hotéis e supermercados).

A cidade tem pouco saneamento e a energia é regular mas com cortes constantes.

Dentre a periferia do centro da cidade, há o Bairro Dunga (Popular 2), Popular 1, Mbemba Ngangu e Kakiuya. São bairros com um desenvolvimento mais acentuadamente positivo. Onde o Mbemba Ngangu predomina o Sudoeste, Popular no Leste, Kakiuya no Norte e Dunga no Noroeste.

Economia[editar | editar código-fonte]

A arrecadação de receitas vem mais da tributação. É a cidade mais rica da Província do Uíge mas uma das mais pobres em Angola. Não tem dados oficiais divulgados sobre o seu desenvolvimento económico. No entanto é possível verificar sua pouca, quase nenhuma, produtividade industrial e agrícola. Serve de um porto escoador de produtos agrícolas provindo dos outros municípios e até mesmo da capital do país e ainda mais da Província do Bengo.

Mas pode-se verificar que nas classes mais baixas (mais de 90% da população) 90% das famílias que sobrevivem por cerca de U$D 4 por dia. Podendo assim fazer uma remuneração para estas famílias em média de AOA 20.000,00 por mês equivalente a 148.14 U$D por mês e que dá cerca de U$D 1.925,82 ao ano. Com a inflação actual (2014), esta situação tende a piorar, visto que os preços dos bens de necessidade básica (alimentação, bebida, vestuário, etc.) flutuam todos os dias e às vezes mesmo em horas dum mesmo dia.

Comércio[editar | editar código-fonte]

Os principais pontos de comércio são os mercados informais da Feira no Sudeste da Cidade, mercado que garante o sustento de milhares de famílias da cidade, caracterizado pelo comércio a retalho e de consumo final. Mercado Municipal no centro da cidade que é semelhante ao mercado da feira. Mercado do Kandombe, da Paragem do Songo e outros fazem o dia-a-dia dos comerciantes da cidade.

Há também armazéns na Rua Industrial (Bairro Kandombe e Kakiuya) e lojas espalhadas pelas ruas da cidade para o comércio a grosso e a retalho.

A presença de cidadãos mauritanianos no comércio de bens de consumo final é visível em todos os bairros da cidade.

O comércio é alimentado pela cidade de Luanda.

Transporte[editar | editar código-fonte]

Este sector encontra-se sob domínio de pessoas privadas que transportam pessoas e bens dentro da cidade. Dentre estes encontram-se os serviços de "Táxi", prestado por uma maioria de jovens que recebem os meios de transporte de outros, ou seja, do patrão, com o contracto de fazer chegar semanalmente 20.000,00 Akz ao patrão (uma quota de 4.000,00 Akzs por dia, a contar de segunda à sexta-feira; sábado constitue dia do motorista e domingo um dia de descanso). Actualmente, o táxi está fixado à 150,00 Akz por cada passageiro. Não existe um sistema de transporte público em funcionamento na cidade. É de realçar, que para além dos táxis por automóvel existem também motorizadas que fazem o mesmo serviço, cobrando ao mesmo preço, mas chegando a pontos de mais difícil acesso, principalmente em épocas chuvosas. O Aeroporto da cidade não movimenta passageiros, tampouco cargas, desde que foi inaugurado. A cidade não tem transporte fluvial, pois os rios que atravessam a cidade são pequenos; não tem transporte marítimo, pois esta não é uma cidade costeira.

Educação[editar | editar código-fonte]

No campo educacional conta com várias escolas primárias, secundárias e do ensino médio. São mais conhecidas as escolas primárias Fantsagre ou Escola n°1, Escola n°68, Escola n°107 e a Escola n°20. As duas primeiras encontram-se localizadas no Centro da Cidade e no Bairro Kixikongo e as duas últimas no Bairro Mbemba Ngangu. As escolas secundárias mais conhecidas são 11 de Novembro, 17 de Setembro e Engenheiro José Eduardo dos Santos. Das escolas do ensino médio é mais conhecida a Escola de Formação de Professores situada no Centro da Cidade, que forma futuros professores para as áreas de Matemática e Fìsica, Biologia e Química, Geografia e História, Magistério Primário e Ensino da Língua Inglesa. Cursos que se podem dar continuidade no Ensino Superior pelo Instituto Superior de Ciências de Educação do Uíge, situado na Rua do Café. O Instituto Médio de Administração e Gestão do Uíge, Instituto Médio Politécnico e a Escola do 2 Ciclo do Ensino Secundário dividida em vários núcleos espalhados pelos Bairros periféricos, têm servido para a formação de quadros nesta cidade [6]

Quanto ao ensino Superior, encontra-se no extremo Oeste, cerca de 8 km da cidade, a Universidade Kimpa Vita. Nome dado em homenagem a profetisa negra Mama Kimpa Vita. Nesta Universidade há uma Escola Superior Politécnica do Uíge com os cursos de Engenharia Informática e Agrária, Enfermagem, Contabilidade e Gestão e daqui ha uns tempos terá o curso de Medicina. Tem também a Faculdade de Economia e a de Direito. O Instituto Superior de Ciências de Educação do Uíge forma professores do futuro para o Ensino Médio.

Referências

  1. Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas Presidência da República Portuguesa. Visitado em 2014-11-28. "Resultado da busca de "Cidade de Carmona"."
  2. Carvalho, Eduardo Cruz de – Esboço da Zonagem Agrícola de Angola, in Fomento (separata), Lisboa, vol. nº 3, 1963.
  3. Ver Milheiros, Mário (1972) – Índice Histórico-Corográfico de Angola,
  4. Instituto de Investigação Científica de Angola, Luanda e Granado, António Coxito (1949
  5. Dicionário Corográfico Comercial de Angola, edição do Autor, Luanda.
  6. . [S.l.: s.n.].

Ver também[editar | editar código-fonte]

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