Cunene

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Cunene
Localidade de Angola Angola
(Província)
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província do Cunene
Dados gerais
Fundada em 10 de julho de 1970
Província Cunene
Município(s) Cahama, Cuanhama, Curoca, Cuvelai, Namacunde e Ombadja
Características geográficas
Área 78 342 km²
População 1 121 748[1] hab. (2018)

Dados adicionais
Prefixo telefónico 035
Projecto Angola  • Portal de Angola

Cunene é uma das 18 províncias de Angola, localizada na região sul do país. Sua capital está na cidade de Ondijiva, no município de Cuanhama.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 1 121 748 habitantes e área territorial de 78 342 km².[1][2]

A província compreende os municípios de Cahama, Cuanhama, Curoca, Cuvelai, Namacunde e Ombadja. É nesta província que o rio Cunene ganha o seu nome.

História[editar | editar código-fonte]

Como em toda a Angola, a população original da província era constituída por coissãs, cujo espaço foi progressivamente ocupado por povos bantos, no decorrer de uma migração que alcançou a região provavelmente entre os séculos XVI e XVII.

Formação de entidades políticas[editar | editar código-fonte]

Devido às suas condições geográficas e ecológicas, esta região nunca chegou a ser densamente povoada. Os cuanhamas tiveram, porém, no século XVIII uma "massa crítica" suficiente para constituir uma unidade política com bastante estabilidade, o Reino Cuanhama.

Ambições coloniais[editar | editar código-fonte]

No século XIX, no quadro da "corrida europeia para África", as áreas ao sul e norte do rio Cunene suscitaram o interesse não apenas de Portugal, mas também da Grã-Bretanha e da Alemanha. Esta última obteve, na Conferência de Berlim, o território da Namíbia de hoje, que a norte tem como limite o rio Cunene.

Portugal, na altura ainda com pouca presença na região, apressou-se a conquistar a área a norte do rio. Para tal teve que empenhar-se na Campanha do Sudoeste da África, somente conseguindo o seu objectivo só em meados dos anos 1910, depois de uma acirrada resistência da parte dos cuanhamas.[3]

O facto de o rio Cunene tornar-se assim uma fronteira entre duas colónias pertencentes a duas potências coloniais diferentes não impediu a população ovambo, dividida por esta linha, de continuar a manter laços estreitos com os seus congéneres da respectiva outra margem. Esta ligação se manteve até hoje, com intensidade variável.

Guerra da Independência e Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Os habitantes da província envolveram-se relativamente pouco na luta pela independência de Angola, mas os cuanhamas conseguiram, na fase final da ocupação colonial, um empenho maior de Portugal no desenvolvimento da sua área, p.ex. pela criação de mais escolas.

Porém a região foi relegada à uma extensão da Huíla; esse quadro somente mudou quando ocorreu a desanexação do então distrito da Huíla, a 10 de julho de 1970, fundando-se a província do Cunene, através do decreto 330/70.[4]

Para os ovambos existe, desde a década de 1960, um contencioso primeiro com o Estado colonial, depois com o Estado angolano independente, pelo facto de ambos terem permitido a apropriação de extensos terrenos, primeiro por colonos brancos, a seguir por parte de políticos ou militares de alta patente - dado que estes estabelecem cercas de arame em volta das suas possessões, impossibilitando deste modo a transumância, vital para povos agro-pastores. Os graves problemas sociais, económicos e ecológicos daí resultantes são em princípio conhecidos,[5] mas até hoje pouco tidos em consideração pelas autoridades políticas.

Ocupação estrangeira[editar | editar código-fonte]

Logo após a abertura política em Portugal, o sul de Angola começou a ser alvo do regime sul-africano, no que viria a se tornar a guerra sul-africana na fronteira. Esse período de ocupação militante estrangeira obrigou a retirada da administração governativa de Ondijiva para Matala por oito anos (agosto de 1981 a 1989), seguindo-se a reposição politica administrativa em Xangongo nos finais de 1989.[4]

Fim da guerra civil até a atualidade[editar | editar código-fonte]

A totalidade dos serviços administrativos foram finalmente transferidos de Xangongo para Ondijiva somente em 2002, quando se inicia a reabilitação de infraestruturas da província.

Desde a independência e o final da guerra civil, a população da província encontra-se num processo de integração social e política que varia bastante de grupo para grupo.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A província do Cunene limita-se ao norte com a província de Huíla; ao leste com a província de Cuando-Cubango; ao sul com a Namíbia, e; a oeste com província de Namibe.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O principal acidente geográfico da província é o rio Cunene que, com sua importante bacia, irriga as terras áridas que atravessa. Outro rio muito importante é o Cuvelai, que esta inserido na bacia endorreica do Cuvelai-Etosha.

Clima[editar | editar código-fonte]

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, a província tem três faixas climáticas bem definidas: o clima oceânico (Cwb), dominante no norte; clima subtropical úmido, presente em uma pequena faixa no leste, e; clima semiárido quente, dominante no extremo sul, sendo inclusive o clima da capital.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Na sua grande maioria, a população do Cunene é constituída por agro-pastores, ou seja, grupos étnicos que vivem essencialmente do seu gado bovino, mas complementarmente por uma (limitada) agricultura de subsistência. Em virtude da escassez do pasto, as manadas são criadas e mantidas num regime de transumância que implica migrações regulares.[6]

O grosso da população faz parte de diferentes grupos dos povos ovambos, entre os quais os cuanhamas (Kwanyama) se destacam pelo seu peso demográfico. Pequenas minorias da população pertencem a diferentes outras etnias. Os hingas são considerados como inserindo-se na categoria humbes e têm um modo de vida semelhante ao dos ovambos. Grupos dispersos de chocués distinguem-se pelo facto de serem exclusivamente agricultores, e grupos residuais de coissãs continuam a sobreviver pela caça e recoleção. Com a excepção destes últimos, todas as etnias são bantos.[7]

Patrimônio natural[editar | editar código-fonte]

Na província existe o Parque Nacional da Mupa, única área de proteção permanente do Cunene.

Economia[editar | editar código-fonte]

Quedas do Ruacaná, em 2011

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Dado a característica árida que predomina em boa parte do território provincial, não é na agricultura que sustenta a economia do Cunene. O comércio e os serviços estão entre os principais fatores geradores de divisas para a província.

Ondijiva, a única cidade da província, está a sair lentamente de um longo período de estagnação.[8]

Agropecuária e extrativismo[editar | editar código-fonte]

Na lavoura temporária o destaque está no cultivo da melancia, milho, massango, trigo, arroz e soja. O clima oceânico temperado permite ainda a existência de culturas de uva de mesa e hortícolas. Tais atividades só são possíveis graças às irrigação, usando as águas das bacias do Cunene e Cuvelai-Omuramba, além da barragem do Calueque.[9]

Já no componente da pecuária para corte e leite, há uma relevância principalmente na criação de gado, suínos e cabras; ainda existe a criação de aves para carne e ovos, além da pesca fluvial.[9]

Indústria e mineração[editar | editar código-fonte]

Os principais polos industriais da província estão em Ondijiva, especializada em construção civil, alimentos e bebidas, e; em Santa Clara do Cunene, na agroindústria e na transformação de diamantes.[10]

Uma das fontes de renda da província vem da produção hidroelétrica da Central Hidroelétrica do Ruacaná, que provém energia ao Cunene, às províncias vizinhas e à Namíbia.

Comércio e serviços[editar | editar código-fonte]

O setor de comércio e serviços é um grande motor da província na medida em que disponibiliza produtos básicos por meio de centros atacadistas na capital. Os centros atacadistas também suprem as necessidades do norte da Namíbia.

Já no setor de serviços os grandes sustentáculos estão nos serviços financeiros e de entretenimento, além dos centros hospitalares e na oferta de ensino, com destaque para a Universidade Cuíto Cuanavale.[11]

Os serviços relacionados ao turismo, como hotelaria, agências de viagens e lojas especializadas, concentram-se em atividades de ecoturismo ao longo do rio Cunene, no Parque Nacional da Mupa e nas quedas do Ruacaná.

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. Governo de Angola
  3. René Pélissier, História das campanhas de Angola, 2 volumes, Lisboa: Estampa, 1986
  4. a b Cunene celebra 47 anos de ascensão a categoria de província. TPA Sociedade. 9 de julho de 2017.
  5. Eduardo Cruz de Carvalho (antigo director da Missão de Inquéritos Agrícolas de Angola), "'Traditional' and 'Modern' Patterns of Cattle Raising in Southwestern Angola: A critical evaluation of change from Pastoralism to Ranching", The Journal of Development Areas, 8, 1974, pp. 199-226 http://www.the-eis.com/data/literature/Pastoralism%20in%20southern%20Angola.pdf
  6. Eduardo Cruz de Carvalho & Jorge Vieira da Siva, The Cunene Region: Ecological analysis of an African agropastoral system, in Franz-Wilhelm Heimer (org.), Social Change in Angola, Munique: Weltforum Verlag, 1973, pp. 145-191
  7. José Redinha, Etnias e culturas de Angola, Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola, 1975
  8. Cunene. Info-Angola.
  9. a b Cunene: Mais de 55 mil toneladas de milho serão colhidas no projecto ESOPAK. Portal Angop. 21 de maio de 2017.
  10. Investimentos. MacInv. 2010.
  11. Cunene. Embassy Of Angola UK.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Elisete Marques da Silva, Impactos da ocupação colonial nas sociedades rurais do Sul de Angola, Lisboa: Centro de Estudos Africanos/ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, 2003
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