Cazenga

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Cazenga
Thermal power station KM9 in Luanda.JPG

Central elétrica a óleo da Província de Luanda, na cidade de Cazenga, em 2016.

Bandeira
Dados gerais
Fundada em 9 de janeiro de 1946 (76 anos)
Gentílico cazenguense
Província Luanda
Município(s) Cazenga
Características geográficas
Área 41,2 km²
População 1 011 397[1] hab. (2018)
Densidade 20 930 hab./km²

Cazenga está localizado em: Angola
Cazenga
Localização de Cazenga em Angola
8° 50' 20" S 13° 17' 45" E{{{latG}}}° {{{latM}}}' {{{latS}}}" {{{latP}}} {{{lonG}}}° {{{lonM}}}' {{{lonS}}}
Código postal 110501
Projecto Angola  • Portal de Angola

Cazenga é uma cidade e um dos nove municípios que constituem a província de Luanda, em Angola.[2] Limita-se a oeste com o município de Luanda, a norte com o município de Cacuaco, a leste com o município de Viana e a sul com o município de Quilamba Quiaxi.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 1 011 397 habitantes e área territorial de 41,2 km², sendo o quinto município mais populoso e densamente povoado da nação, ficando atrás respectivamente somente de Luanda, Viana, Cacuaco e Belas.[1][3]

Até 2016 era composto por três comunas, a saber: Cazenga Central, Hoji Ya Henda, e Tala Hady; desde então passou a constituir apenas comuna-sede, com o nome de Cazenga.[4] A comuna e município passou a organizar-se em quatro distritos urbanos, sendo: Hoji Ya Henda, Tala Hady, Cazenga Popular e Distrito Industrial.

História[editar | editar código-fonte]

Até o final do século XVII, a região territorial onde actualmente assenta-se o município cazenguense era zona de natureza selvagem pouco explorada. Sua singularidade, às margens da já importante Estrada Luanda-Catete (actual EN-230), atraiu um homem vindo de terras do actual Congo-Brazavile de nome Miguel Pedro Cazenga, que adquiriu propriedades e construiu uma fazenda agrícola muito extensa, que ia da praça do Quinaxixi até ao atual município de Viana. Miguel Cazenga teve muitos descendentes, sendo o mais famoso deles Pedro Guilherme Cazenga, um homem muito respeitado na área, que faleceu naquelas terras em 9 de janeiro de 1946, data que, em sua homenagem, foi definida como a fundação ou o marco histórico de Cazenga.[5]

Foi em Cazenga[6] que deram-se parte dos acontecimentos de 4 de fevereiro de 1961, um dos estopins da Guerra de Independência de Angola, sendo utilizada como base nacionalista angolana para o assalto à Cadeia de São Paulo (em 9 de fevereiro de 1961).[7][8][9] O objectivo era libertar alguns detidos, mas o ataque não foi de todo bem sucedido e deu margem a um contrataque violento dos portugueses, provocando muitas vítimas mortais dentre os nacionalistas angolanos.[10]

O êxodo rural em direção à Luanda a partir da década de 1950 e a intensa migração dos refugiados de guerra para a província luandina a apartir da década de 1960 trouxe enormes contigentes populacionais para uma zona ainda repleta de chácaras e lotes de grande extensão.[11] Nisto, o Estado colonial construiu os chamados "bairros indígenas", numa tentativa de empurrar a população não-europeia para a periferia, surgindo os chamados musseques. Foi criada, neste ínterim, a freguesia do Cazenga para organizar esta nova realidade.[5]

Os novos bairros indígenas, com um traçado organizado de ruas, chamou atenção da população de origem europeia, que passou rumar para zonas periféricas como Cazenga em busca de fugir do inchaço urbano de Luanda do início da década de 1970. Assim, melhoramentos urbanísticos foram feitos entre 1973 e 1975 em Cazenga, em particular no que é hoje o distrito urbano de Hoji Ya Henda.[5]

A partida dos europeus no pós-independência e a fuga de milhares de pessoas do interior do país para a província luandina causada pela guerra civil, fez com que Cazenga se tornasse zona de acolhida de refugiados, ocorrendo um exponencial crescimento da sua população.[5]

Economia[editar | editar código-fonte]

Cazenga é uma das zonas industriais mais importantes da província de Luanda, pois serve como oficina metalúrgica do Caminho de Ferro de Luanda, como parque de geração eléctrica da Prodel, além de ter uma unidade da fabricante de condutores eléctricos Condel. Além disso há o mercado informal e de comércio popular da Asa Branca.[12]

Política e governo[editar | editar código-fonte]

Cazenga foi admitida como membro associado da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), no dia 17 de maio de 2013.[5]

Em 2019 o seu administrador municipal passou a ser Albino da Conceição.[13]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

O município do Cazenga sedia o campus do Instituto Superior Politécnico do Cazenga.[14]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Ferrovia[editar | editar código-fonte]

As estações ferroviárias dos Musseques e da Filda estão em território municipal e são servidas por comboios suburbanos, de médio e de longo curso.[15] A Estação dos Musseques é inclusive a grande oficina da Empresa do Caminho de Ferro de Luanda, importante empregador e gerador de renda do município.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

A principal rodovia de Cazenga é a EN-230 (Estrada do Catete), que a liga tanto à Luanda, quanto ao restante da nação;[16] outras vias importantes são a Rua dos Comandos e a Avenida Angola Quiluanje.[17]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. (3 de fevereiro de 2018). «Municípios de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018». Revista Conexão Emancipacionista 
  2. Breve historia de Cazenga. UCCLA. 2015.
  3. Censo 2014 de Cazenga, recuperado em 1 de outubro 2015
  4. Comunas. Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado. 2018.
  5. a b c d e Cazenga. UCCLA. 2022.
  6. Cacuaco. Rede Angola. 3 de setembro de 2015.
  7. Ministério da Administração do Território. «Informações sobre Angola». Consultado em 12 de Outubro de 2011 
  8. Diário de Notícias: Tiro de partida para a independência de Angola foi há 50 anos
  9. Irene Pimentel. «O «4 de Fevereiro» e o início da guerra colonial». Consultado em 12 de Outubro de 2011 
  10. Melo 1988, pp. 109
  11. Tvedten, Inge; Lázaro, Gilson; Jul-Larsen, Eyolf; Agostinho, Mateus.. Urban poverty in Luanda, Angola. CMI, abril de 2018.
  12. Os negócios ilegais. radioangola.org. 17 de maio de 2018.
  13. «Albino da Conceição nomeado administrador do Cazenga». CLUB-K ANGOLA - Notícias Imparciais de Angola. Consultado em 15 de janeiro de 2019 
  14. Instituto Superior Politécnico do Cazenga. Africa Biz. [s/d].
  15. Horários e Itinerários. CCFL. 2017.
  16. Obras condicionam trânsito na estrada 230 junto a Comarca de Viana. Portal Angop. 3 de maio de 2018.
  17. Via Expressa recebe o nome de Fidel Castro. Rede Angola. 5 de dezembro de 2016.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]