Huambo (província)

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Huambo
Localidade de Angola Angola
(Província)
Angola Provinces Huambo 250px.png

província de Huambo
Dados gerais
Província Huambo
Município(s) Huambo, Bailundo, Ekunha, Caála, Catchiungo (ex-Bela Vista), Londuimbale, Longonjo, Mungo, Tchicala-Tcholoanga (ex-Vila Nova), Tchindjenje e Ucuma (ex-Cuma)
Características geográficas
Área 35.771 km²
População 2.301.524 hab.
Densidade 58 hab./km²

Dados adicionais
Prefixo telefónico +244
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Huambo é uma província de Angola, com uma área de 35 771 km² e sua população aproximada é de 2.301.524 habitantes de etnia predominantemente umbundo. A sua capital é a cidade de Huambo, que dista a 600 km de Luanda. Os seus onze municípios são: Huambo, Bailundo, Ekunha, Caála, Catchiungo (ex-Bela Vista), Londuimbale, Longonjo, Mungo, Tchicala-Tcholoanga (ex-Vila Nova), Tchindjenje e Ucuma (ex-Cuma).

É limitada pelas províncias de Kwanza-Sul (Norte), Bié (Este), Huíla (Sul) e Benguela (Oeste).

Economia[editar | editar código-fonte]

Essencialmente voltada para a área de extrativismo mineral e agro-pecuária, que representa 76% da actividade económica da província, enquanto que a área industrial ainda tenta se recuperar após a Guerra Civil.

As principais produções de agro-pecuária são: citrinos, batata, batata-doce, arroz, feijão, trigo, hortícolas de toda a sorte, gado bovino, cavalar, caprino, suíno e ovino.

Na área de mineração existem: manganês, diamante, volfrâmio, ferro, ouro, prata, cobre, urânio, entre outros.

Estrada entre Ucuma e Huambo

Huambo possui indústria de Metalomecânica, Química, Materiais de Construção, Têxtil, Confecções, Couro e calçado, Alimentar, Bebidas e tabaco, Madeira e mobiliário. Mas todas as áreas não estão funcionando a plenas capacidades. A província luta para voltar a ter o segundo maior parque industrial do país, caso toda a sua capacidade industrial volte a ser utilizada como foi no passado.

A maior altitude da província (e do país) situa-se no Morro Moco, com mais de dois mil metros de altitude, e desta zona irradiam numerosos rios e riachos em direcção ao litoral e países vizinhos.

Por ela passa o extenso Caminho de Ferro de Benguela (CFB), vindo do litoral (Lobito) e indo até à fronteira com a República Democrática do Congo. Antes da independência nacional, esta era a via preferida para o escoamento dos minérios e mercadorias vindas do Congo e Zâmbia. Nessa província uma grande maioria está a procura de emprego. Caso que leva muitos jovens a se inclinarem-se para o mundo da deliquência.

História[editar | editar código-fonte]

A Província do Huambo é um território habitado por três grupos étnicos com poucas diferenças entre si: huambos, bailundos e sambos, com pequenas manchas de ganguelas e quiocos de fraca expressão demográfica. Pouco se sabe sobre o modo como estas populações aqui se fixaram. A História mistura-se com lenda, tornando a separação quase impossível. Existe apenas a certeza que desceram do Norte, após um permanecerem algum tempo perto do Kuanza.[1]

A Rainha Jinga, que na primeira metade do século XVII viveu no centro de Angola, célebre tanto pela sua crueldade e imoralidade iniciais, como pelo espectacular evento da sua posterior conversão ao catolicismo, havia sustentado uma luta prolongada aos portugueses, colaborando com os holandeses, então senhores de Luanda, por interesse próprio e na medida das suas conveniências. Após a expulsão dos holandeses por Salvador Correia, estando Jinga submetida à autoridade de Portugal, o receio de represálias dos portugueses levou a que sambos, huambos e bailundos, que a haviam apoiado, abandonassem os seus territórios, afastando-se para longe da capital. Nesta migração estes povos levaram à sua frente todos quantos encontraram pelo caminho, em particular os ganguelas, assim forçados a transferir-se para as margens do Cubango.[1]

Os huambos instalaram-se inicialmente na Caála, onde ainda hoje se encontra a sepultura de Wambu-Kalunga ("Grande-Mar"), seu soberano, ladeada de duas outras, que se julga serem, segundo uns, de dois escravos sacrificados para o servirem no além ou, segundo outros, de duas das suas numerosas mulheres. Segundo a lenda, Wambu era um grande apreciador de carne humana, em especial as tenras crianças, motivando parte do seu povo a abandoná-lo, uns fugindo para a Ganda e outros para o Candumbo. Ao longo do tempo, muitos outros reis passaram por ali, e o nome manteve-se inalterado até à chegada dos portugueses, que o aportuguesaram, passando então a chamar-se Huambo no lugar de Wambo.[1]

A maioria da população é de origem ovimbundu.

A província foi fundada a 21 de Setembro de 1912, sendo a província de Angola com maior população até antes da Guerra Colonial, chamando-se na época Nova Lisboa. Posteriormente esse lugar passou a ser ocupado pela província de Luanda.

Vegetação e Fauna[editar | editar código-fonte]

Nas suas extensas florestas abundam predominantemente árvores de médio porte, que alimentam a indústria da madeira e derivados, grande plantação de árvores xerófilas, com relevo para o eucalipto, ao longo dos caminhos de ferro em mais de mil quilómetros de extensão, muitos perímetros florestais de cedro e pinheiro, muitas flores de rara beleza, plantas comestíveis, medicamentosas e de adorno e frutos silvestres muito apreciados pelas populações locais.

A fauna é bastante diversificada com relevo para animais de grande porte, como o elefante, o hipopótamo, o rinoceronte cinzento, a girafa, os felinos como o leão, a onça e os gatos selvagens, e um sem número de antílopes de grande, médio e pequeno portes, lebres.

Sáurios e répteis extremamente perigosos pela sua voracidade e veneno, como o jacaré, a cobra mamba e surucucú, habitam os lagos e os rios da região. Um sem número de pequenos animais da família dos insectos e aves exóticas pululam pelos céus da província, como os tchimbanduas, o célebre canário amarelo de olho vermelho da anhara (savana), as borboletas exóticas, os matrindindes, e, do conhecimento histórico que temos, também as aparições em catadupas de nuvens de gafanhotos saltões que tudo devoram à sua passagem.

Porém, atualmente, devido a devastação causada pela guerra esses animais não existem mais na região, somente os répteis.

A província do Huambo pretende voltar a ser a principal produtora e exportadora de batata e milho do país.

Referências

  1. a b c «Município Ecunha». Consultado em 2016-09-05. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Governo do Huambo

Portal São Francisco - Huambo

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