Caimbambo

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Caimbambo
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Província Benguela
Características geográficas
Área 3 285 km²
População 80 715 hab. (2014)

Dados adicionais
Sítio [caimbambolaranja@gmail.com]
Projecto Angola  • Portal de Angola

Caimbambo é uma vila e município da província de Benguela, em Angola.

Tem 3 285 km². Em 2014, tinha 80 715 habitantes.[1] Limita a Norte com o município de Benguela, a Este com o município do Cubal, a Sul com o município de Chongorói e a Oeste com o município de Baía Farta. O município compõe-se de cinco comunas: Caimbambo, Catengue, Canhamela, Cayavi e Wyangombe. No passado, foi conhecido pela suas potencialidades agrícolas e seu lugar destacado na produção de laranjas.

De Caimbambo nasce o rio Halo, que é conhecido como "rio Cavaco" no território do município de Benguela.

Onomatologia de "Caimbambo"[editar | editar código-fonte]

Caimbambo é um nome próprio composto por aglutinação.

Segundo uma história, digna de fé, vivia, nesta localidade, um senhor caçador chamado Mbambo desposado com uma senhora, cujo nome, a história não revela; arrecadava, em casa, muita carne; dava hospitalidade a muitos viajantes vindos do Leste de Angola em busca do sal, no litoral.

A longa distância do percurso e de viagem criava a necessidade de descansar ou mesmo de pernoitar em casa do famoso Mbambo pelo seu acolhimento afectuoso, fosse quem fosse… Desta hospedagem frequente, nasceu o mimoso e carinhoso slogan, em língua autóctone: "Tukapuluyukila p’imbo ly’ukãyi wa Mbambo" ou "Tukalalela p’imbo ly’ukãyi wa Mbambo", isto é, numa tradução muito livre, "descansaremos em casa da esposa do Mbambo" ou "Pernoitaremos em casa da esposa do Mbambo". Aí, a mulher sai com maior genitivo pela razão do homem passar a maior parte do seu tempo na mata, caçando. Portanto, a mulher é a encontrada amiúde.

Com o passar do tempo, o vocábulo “ukãyi” mais a sílaba de ligação “wa” e o nome “Mbambo” aglutinaram-se, segundo o processo de evolução fonológica de inserção de fonemas ou segmentos (prótese), dando origem a «p’ukãyiwambambo».

A história reza que, os primeiros portugueses, quando chegaram, perguntaram aos presentes o nome daquela localidade, ao que, estes, unanimemente, responderam:

- Aqui se chama «p’ukãyiwambambo».

Os inquiridores, percebendo, na sua língua, pronunciaram o nome com o recurso ao fenómeno da elisão (aférese e síncope, respectivamente), dando a queda à sílaba inicial «p’u» e à letra «y», restando apenas a sílaba «kai»; e, pela dificuldade da pronúncia, absorveram a sílaba de ligação «wa», ficando apenas o nome «Mbambo».

Foi a partir deste entrecruzamento de nomes, (Cai + mbambo), que surge o nome lindo: «CAIMBAMBO» que, em nossos dias, deleita o ouvido do habitante e do transeunte.

Cultura: fórmulas de saudação na língua local (Umbundu)[editar | editar código-fonte]

Fórmulas vernáculas de Saudação

Desde toda a eternidade, a Cultura é o coração e a identidade de um povo, pois, nela são expressos todos os valores básicos que norteam o homem através de Ritos, Costumes e outras regras que servem de tirocínio para o plasmar, introduzindo-o, feito, na sociedade.

Em Caimbambo, há costume próprio de saudar, guiado pelos períodos do dia; duração do tempo de separação e pelo ofício de trabalho.

Leva-se ao conhecimento do leitor que, nesta parcela de terra, é regra, o mais velho usar da palavra, em primeiro lugar, na saudação, para se informar do estado de saúde do mais novo, ainda quando este tenha o dever de saudar primeiro; a saudação é feita sempre sentado; se o assento não o houver, em caso de acontecer pelo caminho, no mínimo, pôr-se de cócoras, ou então, inclinar, deferentemente, a cabeça.

Fórmulas de saudação ao longo e/ou em determinados períodos do dia:[editar | editar código-fonte]

De madrugada às 11h.59: Saudante (à escolha, para os dois géneros): Mbondiya (ou Mbondiyi, no plural) [fórmula aportuguesada, oriunda de “bom dia”]; Ongawu (Ongawi, no plural); Okulipasula. Cada uma dessas fórmulas pode vir seguida do título correspondente à pessoa saudada. Por ex: Mbondiya, a Tate! (Tate = Pai, Papá...); Okulipasula, a Nawa! (Nawa = Cunhada)… A isso, a pessoa saudada, com devida vénia, responde: (à escolha): Mwê!; Vak’etu!; Tch’etu!; Kuku; Talê; Mbambâ; Esî…(se for homem); ou, se for mulher: ;  Kawê… Cada uma dessas respostas é seguida de uma retribuição, conforme o período do dia: mbondiya, mbwatale ou mbwanote. O título omite-se, quando se dirige a muitas pessoas.

Das 12h às 18h: Saudante: (à escolha, para os dois géneros): Mbwatale! (ou Mbwatali!, no plural) [aportuguesado, de “boa tarde”]; Okuvilya; Okulilañgisa; Como nos casos anteriores, cada fórmula de saudação é seguida de um título da pessoa saudada, podendo esta responder ao estilo igualmente já referido anteriormente.

Das 18h à madrugada: Saudante: (à escolha, para os dois géneros): Mbwanote [aportuguesado, de “boa noite”]; Ongolovya; Okulisuñginha + o título correspondente à pessoa saudada. As variantes de respostas são igualmente as mesmas das circunstâncias anteriores.

Saudação em função do presumível tempo de separação[editar | editar código-fonte]

Quando o tempo que vai durar a separação entre duas ou mais pessoas que se saúdam for presumivelmente breve (isto é, quando se supuser que o próximo encontro poderá acontecer mais ou menos dentro das 24 horas seguintes), usam-se as seguintes fórmulas para todos os períodos:

Saudante: (à escolha, para os dois géneros): Ô-usa; K’omangu; Sapele (ou Sapeli, no plural); Kalunga (Kalingi, no plural). Esta última usa-se também nas saudações solenes (como foi no dia d’Anunciação: «Kalunga, a Maliya, weyuka otchave, Ñgala okasi l’Ove»…) e nos actos públicos. Como possíveis respostas, confiram-se as anteriores.

Quando se supuser que o tempo de separação entre duas ou mais pessoas que se saúdam será longo (quer dizer, soma dias, meses, anos) e tratando-se de pessoas estranhas, usa-se a fórmula:

Saudante:  (homem): Mbow’etu (ou Mbow’etwi, no plural);

Saudante: (mulher): Kow’etu (ou Kow’etwi, no plural).

Responde-se como nos casos anteriores.

Etimologia de "Mbow’etu"[editar | editar código-fonte]

Refira-se, de relâmpago, que esta é uma fórmula de excelsa solenidade, se se olhar para os tempos passados, quando se usou para saudar o grande Hóspede da humanidade, o Menino Jesus deitado numa manjedoura: «Natal! Tuyoleli  Oñgañga Yesu! Osoma yo v’ilu votchit’etali! Yesu, Yesu, Mbow’etu, Yesu»! (Cfr. Assembleia do Senhor, pág. 1757, nº 6).

Na ordem de importância e solenidade, é mister esclarecer a riqueza, contida nesta fórmula, que provém, exactamente, da sua formação, como segue.

Fazendo recurso à formação das palavras, vê-se que ela é uma palavra composta por aglutinação: Mbow’etu, que pode ser desaglutinada da seguinte forma:

Mba: elemento enfático de umbundu que exprime ideias de: Afirmação: «mba otchili mwele, û wakala Omola wa’ Suku»(cfr. Assembleia do Senhor, Pág. 473, soldados); Negação: «mba û ndeti suletele lalimwe eko lyupisa» (cfr. Ass. do Sr. Pág. 534, Pilatos); Admiração: mbâ…;

Ove: pronome pessoal sujeito (2ª pessoa do singular – Tu);

W’etu: pronome possessivo (1ª pessoa do plural – Nosso).

Destas  palavras primitivas, resulta a rica expressão: mba (othili mwele) ove w’etu, equivalente a: Mba (otchili) + Ove + W’etu que, sofrendo o fenómeno da elisão (apócope), se reduz a: Mb[a+otchili] + O[ve] + w’etu = Mbow’etu.

Esta saudação dirigida a outrem, com a ideia de afirmação, produz um profundo reconhecimento do «outro» como nosso verdadeiro irmão e exprime o amor universal, porquanto é dirigida a quem quer que seja… é rica em conteúdo e significado! Diga-se, com ousadia, que é a saudação integral, no meio das simples «bom dia; boa tarde e boa noite», por reconhecer, aceitar e assumir a alteridade: mba ove w’etu (Na verdade, Tu és Nosso)!

Saudação em função do ofício de trabalho[editar | editar código-fonte]

Saudante: L’ovonda! -  ( a um trabalhador,  em geral ); R/ Cfr. § inicial.

Saudante: Awi! (2 x)  -  ( a um caçador ); R/ Etchô! (2x)

Saudante: Pyoko! ou Epyeyi! – ( a um pastor de manada ); R/ Cfr. § inicial.

Saudante: L’ondalu! (2x)… Pelawa! (2x)  – [a uma mulher que deu à luz um(a) filho(a)]. R/ Cfr. § inicial.

Saudante: Ambata! – [ a um(a) portador(a) de uma carga ] R/ Cfr. § inicial.

Referências

  1. «Censo 2014 do INE de Angola». 2014. Consultado em 16 de Março de 2017 
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