Bié

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Bié
Localidade de Angola Angola
(Província)
Angola - Bié.svg

Província de Bié
Dados gerais
Município(s) Andulo, Camacupa, Catabola, Chinguar, Chitembo, Cuemba, Cunhinga, Cuíto e Nharea
Características geográficas
Área 70.314 km²
População 1.654.744[1] hab. (2018)
Clima Cwa/Cwb
Temperatura °C a 10 °C entre maio e setembro e 18 °C até 25 °C nos demais meses

Dados adicionais
Prefixo telefónico +244
Sítio Portal da Província de Bié
Projecto Angola  • Portal de Angola

Bié é uma das 18 províncias de Angola, localizada na região central do país, que tem sua capital na cidade e município do Cuíto.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 1 654 744 habitantes e uma área territorial de 70 314 km².[1]

Bié é formada pelos seguintes municípios: Andulo, Camacupa, Catabola, Chinguar, Chitembo, Cuemba, Cunhinga, Cuíto e Nharea.

Por seu formato geográfico peculiar, e sua localização central em relação às demais províncias angolanas, é conhecida como "o coração de Angola" e "a província coração".[2]

História[editar | editar código-fonte]

A Província do Bié é um território habitado por grupos étnicos bantus (ovimbundos) com poucas diferenças entre si, onde destacam-se os bienas e os bailundos.

Formação do Reino do Bié[editar | editar código-fonte]

As férteis terras altas do Planalto Central de Angola, também conhecidas como nano, eram tradicionalmente cultivadas pelos povos bantos antes da chegada dos bienas e bailundos. A invasão do início do século XVII, pelos povos bangalas, levou a uma fusão das duas populações e a subsequente criação dos reinos ovimbundos. Assim nascia um dos estados ovimbundos mais poderosos, o reino do Bié, com muitas ombalas (aldeia/cidade principal) e aldeias sob sua tutela. Sua formação política se deu entre o século XVII e XVIII.

Conquista e fixação portuguesa[editar | editar código-fonte]

A região foi explorada pela primeira vez por mercadores portugueses em meados do século XVII, iniciando o comércio de escravos, marfim, cera de abelha e borracha. Confrontos ocasionais entre portugueses e os povos que habitavam no território da província do Bié ocorreram nos séculos XVIII e XIX. Exércitos particulares pertencentes a comerciantes e chefes tribais lutavam entre si pelo controle das rotas comerciais. Após os portugueses derrotarem o reino do Bié e o reino Bailundo na guerra de 1774-1778, os povos do palnalto permaneceram em paz compartilhando o controle das rotas comerciais com o poder colonial.[3]

A sede pelo controle da região levou a algumas campanhas militares, que transformaram-se em grandes exercícios bélicos que marcaram a mudança nos rumos do colonialismo lusitano, como foi o caso da Segunda Guerra Luso-Ovimbundo (1890-1904). Este foi um conflito armado, ocorrido em território bieno, entre os reinos dos povos ovimbundos, principalmente na figura dos reinos Bailundo, Huambo e Bié, contra o Império Português, motivado pela ambição colonial pelo controle das rotas comerciais e pelo súbito declínio do preço da borracha de raiz. Portugal venceu e subjugou os povos do planalto central, restando somente um último grande bastião de resistência no reino Cuanhama.[4]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em 1902 é fundado o concelho do Bié, dependente do distrito de Benguela e a 2 de janeiro de 1922 é criada a câmara municipal do Cuíto; pelo decreto nº 134 de 1 de maio de 1922, do então alto-comissário Norton de Matos, surge o distrito do Bié tendo sido seu primeiro governador, Manuel Espregueira Góis Pinto.

O Bié foi muito atingido pela Guerra de Independência de Angola e muito mais severamente durante Guerra Civil Angolana, e ainda está a se recuperar.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Prédio reformado na capital Cuíto contrasta com edifícios ainda degradados pela Guerra Civil, em 2008.

A província tem um tamanho comparável ao de países como Portugal ou a República Checa. Encontra-se no centro de Angola e faz fronteira com as seguintes províncias:

O rio Cuanza nasce nesta província, juntamente com a maioria dos rios do país.

Clima[editar | editar código-fonte]

Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, no território da província predomina o clima oceânico (Cwb), numa faixa de transição para o clima subtropical úmido (Cwa). As temperaturas variam de 19 °C a 21 °C e existem 2 estações: de outubro até abril, que é quente e chuvoso; entre maio e setembro é seco com temperaturas médias de 2 °C e 10 °C nos meses de maior frio e 18 °C até 25 °C em períodos de clima mais quente.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Esta província é uma área de confluência de uma série de etnias.[5]. Entre os ovimbundos os dois principais subgrupos são os bienos, cujo nome se relaciona com o nome da província, e os bailundos. Observa-se alguma presença de grupos chócue que, na sua migração a partir do nordeste de Angola chegaram até aqui. Finalmente, existem aqui pequenos povos enquadrados na categoria etnográfica ganguela, como os luimbi.

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. Província / Bié. Welcome to Bié. 2019.
  3. Douglas Wheeler. «The Bailundo Revolt of 1902» (PDF). Redeemer's University. Consultado em 9 maio de 2015 
  4. Sungo, Marino Leopoldo Manuel. O reino do Mbalundu: identidade e soberania política no contexto do estado nacional angolano atual. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2015.
  5. José Redinha, Etnias e culturas de Angola, Luanda: CITA, 1975
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