Companhia Holandesa das Índias Ocidentais

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A West-Indisch Huis em Amsterdã(o), sede da WIC de 1623 a 1647

A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ou Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (em holandês: West-Indische Compagnie ou WIC) foi uma companhia majestática de mercadores holandeses. Representa um exemplo de organização privada do comércio externo, de pendor capitalista, que contrasta com o modelo de comércio português, que permaneceu fortemente dependente do Estado até bem mais tarde.

A companhia tornou-se instrumento da colonização holandesa nas Américas e foi responsável pela ocupação de áreas no nordeste brasileiro no século XVII.

História[editar | editar código-fonte]

A 2 de junho de 1621, por iniciativa de um grupo de calvinistas flamengos e brabanteses refugiados nas República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos para escapar à perseguição religiosa, a Companhia recebeu um alvará que lhe concedia o monopólio do comércio com as colônias ocidentais pertencentes às Sete Províncias nas Índias Ocidentais (o Caribe), bem como do tráfico de escravos, no Brasil, Caribe e América do Norte. A companhia podia operar também na África Ocidental (entre o Trópico de Câncer e o Cabo da Boa Esperança) e nas Américas, incluindo o Oceano Pacífico, e na parte oriental da Nova Guiné.

O objetivo do alvará era eliminar a competição, particularmente espanhola e portuguesa, entre os diferentes postos de comércio estabelecidos pelos mercadores. Espanhois e portugueses acusaram os cristãos-novos de Amsterdã de serem a alavanca da empresa, mas, do total de 3 milhões de florins subscritos na cidade, apenas 36 mil florins foram contribuição dos sefarditas.

A WIC foi organizada de forma similar à Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), que detinha o monopólio do comércio neerlandês com a Ásia desde 1602, exceto pelo facto de a WIC não ter obtido permissão de conduzir quaisquer operações militares sem a aprovação do governo neerlandês. Tal como a VOC, a WIC tinha cinco escritórios, chamados de câmaras (kamers), em Amsterdã, Midelburgo, Roterdã, Hoorn e Groningen, sendo as câmaras de Amsterdã e de Midelburgo aquelas que mais contribuíram para a companhia. O conselho de administração consistia de 19 membros e era conhecido como o "Heeren XIX". Isaac de Pinto, economista judeu de origem portuguesa, foi acionista da WIC e terá pertencido aos Heeren XIX desde 1750, aproximadamente.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Invasões holandesas do Brasil
Olinda, então o local mais rico do Brasil Colônia, foi saqueada e destruída pelos holandeses, que escolheram o Recife como a capital da Nova Holanda. A gravura neerlandesa mostra o cerco a Olinda em 1630.[1]
Maurícia (atual Recife), capital da Nova Holanda.

O objetivo da companhia era levar ao Novo Mundo (tal como a sua congênere, a bem sucedida Companhia Holandesa das Índias Orientais, já fazia na Ásia), a guerra da independência dos Países Baixos, atacando os pontos-chave do Império espanhol. As possessões portuguesas, segundo se calculava, seriam o calcanhar-de-aquiles, e pensava-se que a Espanha sacrificaria sua própria defesa em benefício da proteção dos seus domínios americanos. Por isso, em 1624-1625, a WIC dedicava ao Brasil o melhor de suas atenções, tentando ocupar Salvador, capital da colônia lusitana na América, onde, porém, os neerlandeses não obtiveram êxito.

A opção por ocupar Pernambuco era óbvia: D. Diogo de Menezes, governador-geral, escreveria na época à Corte que "no Brasil, não há mais que este lugar de Pernambuco e da Bahia". Eram as chamadas "capitanias de cima", que monopolizavam a produção do açúcar, principal gênero de exportação, e que geravam o excedente fiscal que tornava o Brasil rentável, pois as "capitanias de baixo" eram deficitárias. A Capitania de Pernambuco tornara-se a maior e mais rica área de produção de açúcar do mundo. Mas, mesmo assim, não se pense serem povoadas as capitanias de cima: a ocupação era meramente litorânea, não excedendo uma faixa de 70 quilômetros a partir da costa.[2][3]

Em 1630, uma nova e poderosa esquadra da WIC com sessenta e sete navios e cerca de sete mil homens — a maior já vista na colônia — sob o comando do almirante Hendrick Lonck, bloqueou o litoral pernambucano e desembarcou um exército que tomou Olinda e Recife, começando a conquista da área entre o rio São Francisco e o rio Grande. A Espanha, sob Filipe IV e o conde-duque de Olivares, optou por uma guerra lenta, mas, em 1636, quando foi nomeado João Maurício de Nassau para governador civil e militar do Nordeste do Brasil, o exército da WIC já conseguira dominar a região entre Natal e Porto Calvo. Maurício de Nassau fora nomeado por seu talento administrativo, para pôr o Brasil a render – pois os lucros obtidos pela WIC com o corso contra Espanha e Portugal no Atlântico e nas Antilhas, que se estima em 30 milhões de florins, não davam para pagar a guerra (45 milhões) e a burocracia da WIC. A Companhia tomara dinheiro emprestado aos acionistas e não distribuía dividendos desde 1628, quando Piet Heyn capturara a frota espanhola da prata ao largo de Cuba. Sua dívida acumulada superava 18 milhões de florins. E um partido, o dos burgueses de Amsterdã, no seio da Companhia, queria a paz, prevendo restituir a área conquistada no Nordeste brasileiro em troca da abertura do comércio com as possessões da América espanhola.

Em 26 de Janeiro de 1654, dá-se capitulação neerlandesa a favor do Reino de Portugal, conhecido pelo Tratado de Taborda por ter sido assinada no Campo do Taborda, no Recife, provocando a saída desta companhia do Brasil[4].

Em 1791, o governo neerlandês adquire as ações da WIC, depois da falência da companhia, fazendo o mesmo com a VOC, em 1799. A partir de 1806, o mesmo governo passa a controlar diretamente o comércio nos territórios ultramarinos, transformando-os em colônias.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Luiz Geraldo Silva. «A Faina, a Festa e o Rito. Uma etnografia histórica sobre as gentes do mar (sécs XVII ao XIX)». Google Books. p. 122. Consultado em 28 de junho de 2016 
  2. «A conquista flamenga». Prefeitura do Recife. Consultado em 14 de abril de 2015 
  3. «Invasões Holandesas no Brasil». InfoEscola. Consultado em 21 de janeiro de 2016 
  4. Hulsman, L; WITH, Gisbert de en PAES Anna. De geschiedenis van het huwelijk van een Dordtenaar en een Braziliaanse in de zeventiende eeuw in. Oud Dordrecht 23 2005, p. 44
  5. BORDO, Michael D. e CORTÉS CONDE, Roberto. Transferring wealth and power from the old to the new world: Monetary and Fiscal Institutions in the 17th through the 19th Centuries. Cambridge University Press, 2001; p. 124.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]