The Streets of Paris

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The Streets of Paris
Poster original de The Streets of Paris.
Direção Edward Duryea Dowling
Música Jimmy McHugh
Al Dubin
Libreto Tom McKnight
Charles Sherman
S. Jay Kaufman
Produção Lee Shubert

The Streets of Paris foi uma revista musical de 1939 estrelada por Bobby Clark, os comediantes Abbott & Costello e o cantor Jean Sablon entre os principais artistas. Além de Carmen Miranda e Luella Gear. Estreou em Boston em 29 de maio de 1939, e em 19 de junho de 1939 em Nova York. O musical tinha duas horas e meia de duração, contando com o intervalo, e ficou em cartaz de 19 de junho de 1939 a 10 de fevereiro de 1940, totalizando 274 apresentações.[1]

A revista permaneceu em cartaz na Broadway por todo um semestre, em meados de setembro de 1939 atingiria a sua renda mais alta, algo em torno de 24 mil dólares dede a estreia. Sendo depois levada para Pittsburgh, Filadélfia, Baltimore e Washington D.C, chegando a Chicago, Detroit e Cleveland. De abril a junho de 1940, uma apresentação condensada da revista – sem Carmen Miranda e Bobby Clark – apresentou-se no salão musical da Feira Mundial de Nova York.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A Feira Mundial de Nova Iorque oferecia uma oportuna diversão aos novaiorquinos e visitantes durante o verão de 1939, e ameaçava levar a Broadway a falência, mas suas exposições de euforia pouco irreal foram abaladas em setembro daquele ano, quando muita das nações que mantinham pavilhões na atração se envolveram no inicio da Segunda Guerra Mundial.

A primeira resposta dada pela Broadway foi ignorar a guerra. Para o teatro musical, manter o conflito à distância era o melhor a fazer, pelo menos no inicio. Naquela época, os musicais dependia fortemente de cidades como Viena e, em menor medida, Londres e Paris para muito de seus espetáculos. As consequências sentidas foram duas, com a nova guerra, havia disponível um número cada vez menor de jovens talentos, muitos haviam se alistado nas Forças Armadas, a outra era o pouco público que ia aos teatros, devido a preferência pelo cinema de Hollywood.

Mas os Shubert Brothers em associação com Olsen & Johnson inaugurava um novo e importante capítulo na história do teatro lírico americano, com The Streets of Paris. A revista musical apresentava em seu elenco duas conhecidas estrelas de Nova York, Luella Gear e Bobby Clark e tinha direção de Edward Duryea Dowling, a lista de artistas ainda incluía uma série de nomes pouco familiar: Abbott & Costello Jean Sablon, Ramón Vinay, e Gower Champion, e até desconhecido do público norte-americano como Carmen Miranda.[2]

O espetáculo[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Abbott & Costello e Carmen Miranda, em foto publicitaria de The Streets of Paris.

Olsen & Johnson em parceria com Lee Shubert estavam trabalhando em sua mais nova revista musical, The Streets of Paris. Os primeiros ensaios para o espetáculo começaram em 2 de maio de 1939, em Nova York. Antes de ir para a Nova York, Streets of Paris estreou em Boston em 29 de maio de 1939, obtendo um grande sucesso de crítica e público. Alguns dos jornais da cidade especularam que o show havia sido estendido por mais de uma semana.

Estreou em 19 de junho de 1939, no Broadhurst Theatre na Broadway, Manhattan, Nova York. O show foi a estreia de Carmen Miranda nos Estados Unidos, além de Abbott & Costello, Gower Champion e Jeanne Tyler em musicais da Broadway.

Os esboços foram escritos por Tom McKnight, Charles Sherman e S. Jay Kaufman, com figurinos desenhados por Irene Sharaff, o cenário para o show foi projetado por Larry Goldwasser, o diretor de coreografia era Robert Alton, um dos coreógrafos mais ativos na Broadway na época, e a direção do espetáculo de Edward Duryea Dowling.[3]

O musical era dividido em dois atos e 28 quadros, e contava com dez canções escritas por Jimmy McHugh e Al Dubin, trabalhando pela primeira vez em parceria, com números adicionais escrito por Harold J. Roma, a canção de maior destaque, South American Way, recebeu uma pequena transfusão de samba pelo Bando da Lua - que acompanhava Carmen Miranda nos shows - decidiu-se também que suas letras em inglês e espanhol seriam substituídas por uma de versão escrita por Aloísio de Oliveira em português. Da letra em inglês conservou-se apenas o verso-título ao fim das primeiras estrofes.[4]

The Streets of Paris encerrou suas apresentações em Nova Iorque, em fevereiro de 1940 , iniciando em seguida uma turnê pela Costa Leste americana, Filadélfia foi a primeira parada, seguida de Washington D.C. O show continuou por Pittsburgh, Toronto, Detroit, Cleveland e Chicago, onde foi encerrado em 8 de maio de 1940.[5]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Artista em destaque:

Artistas secundários: (em ordem alfabética)

  • Ben Dova
  • Billy Branch
  • Charles Hoffman
  • Daisy e Violet Hilton
  • Gloria Gilbert
  • Grete Natzler (como Della Lind)
  • Gower & Jeanne
  • Jo & Jeanne Readinger
  • John McCauley
  • Magdi Kari
  • Margaret Irving
  • Milton Watson
  • Sharlie Hall
  • Sidney Marion (como Sid Marion)
  • Yvonne Bouvier
  • Ward & Van

Atos musicais[editar | editar código-fonte]

Ato I
  • Theatre Marigny Dressing Room ... The Callboy, Costumer, Wardrobe Mistress, Girls.
  • The Streets of Paris ... Enis Beyer, Lynda Grey, Margaret Hall, Mildred Hughes, Nancy Lewis, Maxine Martin, Frances O'Day, Halldis Prince.
  • The Ensemble Speaks ... Mesdemoiselles: Claire Anderson, Mary Ann, Alice Anthony, Betty Bartley, Kalli Barton, Flora Bowes, Trudy Burke, Jackie Gateley, Peggy Gallimore, Lu Ann Meredith, Ruth Merman, Adele Murphy, Janice Nicholson, Olive Nicholson, Eileen O'Day, Mary Ann Parker, Thelma Temple.
Messieurs: Norman Abbott, Edward Browne, Richard D'Arcy, Hugh Ellsworth, William Hawley, Henning Irgens, Mortimer O'Brien, Mischa Pompianov, Edward Wells.
  • In Paris ... Luella Gear, Margaret Irving, John McCauley.
  • Thanks for the Francs ... Milton Watson, Margo, Kate e Evelyn Hylton.
  • The Photographer ... Jackie Gately, Buddy Roberts, John McCauley, Luella Gear, Bobby Clark.
  • Danger in the Dark ... Della Lind, Milton Watson com Jo e Jeanne Readinger, Hugh Ellsworth, Richard D'Arcy e Edward Wells.
  • The Queen of Paris ... Luella Gear, Gower Champion.
  • Three Little Maids ... Margo, Kate e Evelyn Hylton.
  • Is It Possible: A Moment in Montmartre ... Bobby Clark, Della Lind com Madge e Billy Branch & Co.
  • Rendezvous Times in Paris ... Milton Watson, Yvonne Bouvier com Kalli Barton, Luann Meredith, Mary Ann Parker, Olive Nicholson, Adele Murphy, Alice Anthony, Betty Bartley, Jackie Gately.
  • Monsieur Think A Drink Hoffman ... Bernice Smith, Sadella Wagner, Mischa Pompianov, Richard D'Arcy.
  • The Convict's Return ... Luella Gear, Bobby Clack.
  • South American Way ... Carmen Miranda.
Ato II
  • History Is Made at Night ... Enis Beyer, Halldis Prince, Maxine Martin, Nancy Grey, Margart Hall, Mildred Hall, Frances O'Day.
  • A Noel Coward Custom ... Bobby Clack, Margaret Irving, Luella Gear.
  • We Live on Love ... Milton Watson, Yvonne Bouvier com Gower e Jeanne, Claire Andterson, Gloria Gilbert.
  • Robert the Roue ... Bobby Clack.
  • Rest Cure ... Sid Marion, Cliff Hall, Margaret Irving, John McCauley, Lincoln Wilmerton, Hennings Irgens, Frances O'day, Hugh Ellsworth, Enis Beyer, Edward Wells, Jackie Gateley.
  • The Spy ... Bobby Clark, Luella Gear, Lincoln Bouvier, John McCauley e Edward Wells.
  • Reading Writing and A Little Bit Of Rhythm ... Margo, Kate, e Evelyn Hylton com Jo e Jeanne Readinger, Gower e Jeanne.
  • Three Little Maids, Later ... Margo, Kate e Evelyn Hylton.
  • That's Music ... Cliff Hall, Sid Marion, Bobby Clack.
Final
  • The French Have A Word For It ... Bobby Clark, Luella Gear, Sid Marion, Cliff Hall, Carmen Miranda.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Idealizado por Lee Shubert, Streets of Paris consagrou Carmen Miranda nos Estados Unidos, por conta do sucesso a cantora passou a ser bastante requisitada e começou a fazer vários shows em um só dia, e foi logo convidada para fazer cinema, estrelando no ano seguinte, seu primeiro filme americano, Serenata Tropical (1940).[6]

O revisor teatral da revista Life escrevendo sobre o show disse, "perto do final do primeiro ato de Streets of Paris uma jovem chamativa vestindo uma roupa estranha de cores vivas se contorce através das cortinas e começa a confundir o público já deslumbrado em um breve número de canções em português. Em parte porque sua melodia incomum e ritmos fortemente acentuados são diferentes de tudo já ouviu falar em uma revista musical em Manhattan antes, em parte porque não há nenhuma significado, exceto os olhos insinuantes de Carmen Miranda, ela e suas músicas são hit do show."[7]

O The New York Times escreveu que, "Carmen Miranda canta sem mover-se além de uma superfície de um metro quadrado, com os olhos semi fechados e com tanta vibração que eletriza a plateia."[8]

Jack Stinnett escrevendo para a Associated Press disse, "acompanhado por uma orquestra nativa, Carmen Miranda canta várias músicas em Streets of Paris. No palco, ela não precisa de intérprete. Usando suas mãos, seus olhos e um movimento rítmico de seu corpo, ela fala um idioma que não conhece fronteiras e não precisa de dicionário."[9]

Referências

  1. «Relato da estreia de Carmen Miranda é de arrepiar! Leia». Folha de S.Paulo. 6 de março de 2013. Consultado em 6 de fevereiro de 2015 
  2. Richard Norton. «American Musical Theatre: A Chronicle». Consultado em 23 de julho de 2015 
  3. «Girly Revue To Frolic On Nixon Stage». The Pittsburgh Press. 3 de março de 1940. Consultado em 23 de julho de 2015 
  4. CASTRO, Ruy, Carmen, Uma Biografia, São Paulo: Companhia das Letras, 2005, ISBN 85-359-0760-2
  5. David Payne-Carter. «Gower Champion: Dance and American Musical Theatre» 
  6. «Carmen Miranda completaria 100 anos nesta segunda». Terra. Consultado em 6 de fevereiro de 2015 
  7. «Broadway likes Miranda's piquant portuguese songs». Life. 17 de julho de 1939. Consultado em 22 de julho de 2015 
  8. «THE PLAY; 'The Streets of Paris' Moves to Broadway--Paul Robeson in 'The Emperor Jones'». The New York Times. 20 de junho de 1939. Consultado em 28 de julho de 2015 
  9. Jack Stinnett (28 de julho de 1939). «Popular Singer Wins Broadway». Prescott Evening Courier. Consultado em 22 de julho de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]