Nazismo no Brasil

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O nazismo no Brasil teve início ainda antes da Segunda Guerra Mundial, quando o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores fez propaganda política no país para atrair militantes entre os membros da comunidade alemã. Nas décadas de 1920 e de 1930, dezenas de milhares de alemães imigraram para o Brasil, devido aos problemas socioeconômicos enfrentados pela Alemanha da República de Weimar e do pós-Primeira Guerra Mundial. Foi dessa nova onda de imigração alemã que se originou a maioria dos nazistas no Brasil, uma vez que esses novos imigrantes mantinham laços mais fortes com a Alemanha do que os imigrantes que chegaram ao Brasil no século XIX.[1]

Não se pode afirmar que a maioria da comunidade alemã no Brasil tenha aderido à ideologia nazista, porém importantes segmentos dessa comunidade foram infiltrados por nazistas.[1] Os nazistas no Brasil estavam concentrados sobretudo entre a camada empresarial e urbana da comunidade alemã, e não nas colônias germânicas rurais.[2] Nem todos os filiados ao partido nazista no Brasil engajaram-se por uma questão ideológica, pois muitos o fizeram em busca de benefícios econômicos que essa filiação poderia proporcionar.[3][4]

Em 1939, viviam no Brasil 87.024 imigrantes alemães, dos quais 33.397 em São Paulo, 15.279 no Rio Grande do Sul, 12.343 no Paraná e 11.293 em Santa Catarina. Do total de alemães, somente 2.822 eram filiados ao partido nazista, menos de 5% da comunidade alemã do país. Os nazistas estavam espalhados por 17 estados brasileiros, de norte a sul do país. O maior número de nazistas estava em São Paulo (785), seguido de Santa Catarina (528) e do Rio de Janeiro (447). Naquela altura, também havia 900 mil brasileiros descendentes de alemães, mas estes não podiam se filiar ao partido, que era reservado aos alemães natos.[1]

Não era do interesse dos nazistas participar das eleições no Brasil, e o partido nunca foi registrado na Justiça Eleitoral brasileira.[5] Segundo o então embaixador da Alemanha no Brasil, Karl Ritter, havia orientações expressas de que o partido não deveria se intrometer em assuntos internos do Brasil.[1] O partido funcionou no Brasil de 1928 a 1938, sem ser incomodado pelo governo brasileiro, então liderado por Getúlio Vargas.[4] Nesse último ano, após a implantação da ditadura do Estado Novo, o partido nazista e todas as outras agremiações políticas estrangeiras foram colocadas na ilegalidade. Embora a maioria dos teuto-brasileiros não se tenha aderido ou simpatizado com a propaganda hitlerista, o Brasil tinha a maior seção do Partido Nazista fora da Alemanha.[6]


Propaganda Nazista no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1928, foi fundado em Timbó, Santa Catarina, a seção brasileira do Partido Nazista.[7] Naquela época, viviam no Brasil cerca de 100 mil alemães natos e cerca de um milhão de descendentes.[8] A maior parte deles vivia em comunidades isoladas no sul do Brasil que preservavam a língua e a cultura alemã. Com a ascensão de Adolf Hitler ao cargo de chanceler, na Alemanha, os teuto-brasileiros passaram a ser assediados pela propaganda feita pelo nazismo para atrair seguidores no exterior.

Embora nunca tenha havido um Partido Nazista organizado, legal ou clandestinamente no país, vários membros da comunidade teuto-brasileira foram membros da seção brasileira do Partido Nazista da Alemanha. Esta seção chegou a ter 2.822 membros e foi a maior seção do Partido Nazista alemão no exterior.[9][10] Como era uma organização estrangeira, somente alemães natos podiam ser filiados; e os brasileiros descendentes de alemães, que por ventura quisessem, podiam atuar somente como simpatizantes.

Calcula-se que cerca de 5% dos imigrantes alemães então residentes no Brasil estiveram, em alguma época, associados ao Partido Nazista alemão.[8] Estes nazistas residiam em 17 estados brasileiros, a maior parte deles em São Paulo, principalmente em Santo André[11]. [9] Entretanto, a esmagadora maioria dos teuto-brasileiros não se deixou seduzir pela propaganda e nunca se filiou ao nazismo.[12]

A comunidade alemã no Brasil[editar | editar código-fonte]

Até 1930, houve dois fluxos de imigração alemã no Brasil. O primeiro fluxo ocorreu no século XIX, o que deu origem a diversas colônias espalhadas pelo Brasil, mas concentradas na região Sul. Na época da ascensão do nazismo na Alemanha, essa comunidade já estava na segunda e na terceira geração no Brasil. Essa comunidade manteve diversos hábitos culturais alemães, contudo a distância geográfica e o passar do tempo trouxeram mudanças culturais perceptíveis. Por sua vez, o segundo fluxo deu-se nas primeiras décadas do século XX. Durante a República de Weimar e devido às consequências da I Guerra Mundial, a Alemanha encontrava-se numa crise econômica. Concomitantemente, o Brasil passava por um desenvolvimento industrial, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Devido à demanda por mão de obra qualificada e técnica, muitos alemães imigraram para o país nessa época. Evidentemente, esses novos imigrantes tinham um vínculo maior com a Alemanha do que os teuto-brasileiros que chegaram no século XIX.[1]

Os imigrantes recém-chegados da Alemanha diferenciavam-se dos teuto-brasileiros. Os primeiros denominavam-se Reichsdeutsche (alemães do Reich), ao passo que os segundos eram os Volksdeutsche (alemães do povo). Apenas os alemães natos podiam filiar-se ao partido nazista. Por isso morava em São Paulo o maior número de nazistas no Brasil,[1] uma vez que o estado foi o destino preferencial dessa nova onda de imigração alemã.[13]

Em meados da década de 1930, havia mais de um milhão de alemães e descendentes no Brasil, a maior parte no Rio Grande do Sul (600 mil) e em Santa Catarina (220 mil).[14] Em 1940, alemães e descendentes perfaziam 22,34% da população de Santa Catarina e 19,3% no Rio Grande do Sul.[13] A comunidade alemã no país preservava sua cultura e a sua língua, compreendidos como uma manifestação do germanismo, o que era possível por meio da existência de sociedades, de uma imprensa em língua alemã e, principalmente, de escolas. O censo de 1940 mostrou que 640 mil pessoas usavam o alemão como língua principal do lar no Brasil. Com base na elevada proporção de membros da comunidade germânica que usava o alemão em casa (mais de 70%), conclui-se que havia um fraco nível de assimilação cultural dessa comunidade.[15]

A adesão ao nazismo[editar | editar código-fonte]

Segundo diferentes historiadores, apenas uma parcela dos alemães e descendentes no Brasil aderiram à ideologia nazista. Para o historiador René Gertz, havia "uma considerável simpatia pelo fato de que o regime teria consertado os erros imputados ao regime da República de Weimar", mas não havia um "entusiasmo irrestrito".[3] Na perspectiva de Eliane Bisan Alves, "além da adesão por parte da elite, não se pode dizer que a maioria dos alemães no Brasil tenha se identificado com o nazismo do ponto de vista ideológico". Porém, a autora enfatiza que, por meio da imprensa da época e pelas correspondências confiscadas pela DEOPS, verifica-se que "havia forte simpatia por Hitler, pelo Terceiro Reich e, sobretudo, pela "nação" alemã, que passou a desfrutar de prestígio no plano internacional".[13] Segundo Cláudia Mauch e Naira Vasconcellos, muitos dos alemães que aderiram ao nazismo no Brasil "não o fizeram por messianismo, mas por um cálculo racional de ganhos". O ingresso no partido poderia garantir benefícios materiais no Brasil ou uma repatriação à Alemanha como compensação pela dedicação à causa.[4] À mesma conclusão chegou o historiador René Gertz, ao afirmar que "entre os que ingressaram no partido provavelmente se encontrava um número significativo que estava numa dependência econômica direta em relação a empresas alemãs (da Alemanha) em atividade no Brasil, para os quais a adesão ao partido era quase uma obrigatoriedade".[3]

Segundo uma outra fonte, "apesar da população de Santa Catarina ter preservado por longos anos a língua e as tradições germânicas, a propaganda hitlerista nunca conseguiu muito sucesso, sendo as simpatias pelo nazismo muito menos intensas do que se poderia julgar".[16] Segundo Simon Schwartzmann, "se foi verdade que muitos teuto-brasileiros se deixaram influenciar e empolgar pelos ensinamentos nazistas, a maior parte da população mostrava-se avessa a aceitação da tutela de um partido político estrangeiro – o partido nazista era encarado como tal".[17] Segundo Giralda Seyferth, as ideias nazistas no Brasil não prosperaram nas colônias rurais, mas apenas nos meios urbanos, como em Porto Alegre, Curitiba, ou Blumenau. Elas atingiram sobretudo a "classe empresarial e partes das camadas médias teuto-brasileiras". De fato, parte da comunidade teuto-brasileira se opôs ao nazismo, pois criticava sua proposta de "regermanização", preferindo priorizar uma identidade teuto-brasileira e privilegiar o Brasil como pátria.[2]

De acordo com Stefan Rinke, ao contrário do que projetavam os entusiastas nacionalistas da Alemanha, os "alemães" do Brasil não formavam um "sindicato de teutônicos orgulhosos nos trópicos". Formavam um grupo heterogêneo, com rivalidades entre protestantes e católicos, entre conservadores e liberais e entre diferentes grupos regionais.[18]

De fato, houve atividade partidária nazista no Brasil e um "certo alvoroço germanista" dentro da comunidade alemã.[13] Embora os filiados ao partido nazista não chegassem nem a 5% dos alemães natos vivendo no Brasil, é salientável que o partido tinha boa representatividade na comunidade alemã do país. Eles faziam-se presentes em clubes, igrejas, escolas, hospitais etc. Não se pode, contudo, acreditar que todos os alemães no Brasil eram pró-nazismo, mas apenas que os nazistas se encontravam infiltrados em importantes segmentos dessa comunidade.[1]

As escolas alemãs no Brasil apareciam como um alvo para a propagação da ideologia nazista. O sistema educacional público brasileiro era incipiente, portanto o governo não poderia se opôr à construção de escolas comunitárias da comunidade alemã. Desde o século XIX, a comunidade alemã promovia a construção de escolas comunitárias, onde o aprendizado era feito em alemão. Quando o nazismo ascendeu ao poder na Alemanha, havia no Brasil 1.260 escolas alemãs, com mais de 50 mil alunos. O governo alemão destinava grande quantia de dinheiro para subsidiar essas escolas. Em 1937, o Terceiro Reich previu um orçamento de 4 milhões de marcos para escolas alemãs na América Latina. A partir de 1933, era possível encontrar, em algumas dessas escolas, o estandarte nazista, bem como uma grande fotografia de Hitler.[15] Em algumas dessas escolas, professores vinham diretamente do Terceiro Reich para doutrinar as crianças alemãs do Brasil.[19]

Filiados ao partido nazista no Brasil, entre alemães natos (1930/1940)[1]
Estado Filiados População nascida na Alemanha
São Paulo 785 33.397
Santa Catarina 528 11.291
Rio de Janeiro 447 11.519
Rio Grande do Sul 439 15.279
Paraná 185 12.343
Minas Gerais 66 2.000
Pernambuco 43 672
Espírito Santo 41 623
Bahia 39 542
Outros/sem informação 249 1.405
Total 2.822 89.071

Percebe-se da tabela acima que o maior grupo de nazistas estava no estado de São Paulo, que recebeu a maior parte dos imigrantes alemães chegados nas décadas de 1920 e 1930. Por essa razão, São Paulo foi escolhida como sede do partido, em 1934.[20] Verifica-se também que o Rio de Janeiro tinha mais nazistas do que o Rio Grande do Sul, embora a comunidade nascida na Alemanha fosse maior nesse último estado. Segundo Taís Campelo Lucas, "o fracasso no Rio Grande do Sul foi latente. Apesar da visibilidade ganha através de manifestações públicas e da propaganda, a adesão ao nazismo no estado foi baixíssima".[21]

Ideologia[editar | editar código-fonte]

Segundo a historiadora Ana Maria Dietrich, o próprio Adolf Hitler determinou que o partido nazista no exterior não deveria se intrometer na política local, embora essa determinação muitas vezes não fosse seguida à risca. De qualquer maneira, o público-alvo dos nazistas eram somente os alemães natos, e não os brasileiros descendentes de alemães.[nota 1] Isso explica porque 92,8% dos filiados ao nazismo no Brasil eram alemães de nascimento. De fato, havia uma hierarquia clara que dividia os alemães natos dos brasileiros descendentes de alemães: apenas os primeiros podiam filiar-se ao partido. Por essa razão, alguns autores defendem que muitos brasileiros de origem alemã que queriam se engajar politicamente buscaram refúgio na Ação Integralista Brasileira, devido à sua alegada identidade próxima ao nazismo ou ao fascismo.[4] Isso não era bem visto pelo governo de Berlim, uma vez que os integralistas eram brasileiros nacionalistas, o que ameaçava o germanismo.[1] Outros autores defendem, contudo, que foi justamente o espaço para o pluralismo que permitiu ao Integralismo conseguir angarir adesão entre os teuto-brasileiros.[4]

Segundo Giralda Seyferth, "embora se considerassem legítimos representantes de uma nação alemã etnicamente concebida, os teuto-brasileiros foram vistos pelos nazistas como excessivamente brasileiros".[22] Para Ana Maria Dietrich, os teuto-brasileiros eram vistos pelos nazistas como "inferiores aos alemães natos". Inferiores, porém ainda interessantes, pois os descendentes de alemães no Brasil somavam 900 mil pessoas.[1]

Como a comunidade judaica no Brasil era relativamente pequena, o contato entre alemães e judeus era raro. Já com os negros, mestiços, brasileiros e outros povos, o contato era constante. Por isso, os alvos principais dos nazistas eram os negros e mestiços, que compunham 45% da população brasileira. Não há registro de confrontos abertos entre as etnias, porém escritos mostram que os nazistas olhavam com desprezo parcela da população brasileira.[nota 2] A diversidade racial brasileira ia de encontro às ideias de raça pura difundidas pelo III Reich. Os nazistas residentes no Brasil consideravam os brasileiros um povo inferior devido ao seu caráter mestiço. Por outro lado, os brasileiros também olhavam os alemães como o outro, o "alienígena",[nota 3] portador de concepções exóticas, como o nazismo, e o seu sentimento de superioridade era motivo de escárnio da população brasileira.[1] Deve-se salientar que o racismo no Brasil não era algo exclusivo dos alemães ou nazistas residentes no país, uma vez que ideias racistas existem na sociedade brasileira desde os tempos coloniais.[24]

O partido sob o governo Vargas[editar | editar código-fonte]

O partido nazista funcionou no Brasil durante dez anos, sem ser incomodado pelo governo brasileiro, de 1928 a 1938.[nota 4] O governo de Getúlio Vargas manteve, durante toda a década de 1930, relações de amizade e de cordialidade com o III Reich.[nota 5][1] A ascensão do nazismo na Alemanha não gerou preocupação no governo brasileiro.[nota 6] Naquela altura, o governo varguista estava mais preocupado com outros assuntos, como na contenção do comunismo, o chamado "perigo vermelho". Além das intensas trocas comerciais, o Brasil de Vargas e a Alemanha de Hitler mantiveram, veladamente, acordos políticos com foco na caça a comunistas e na troca de informações entre as polícias secretas de ambos os países, incluindo-se a expulsão de alguns judeus comunistas, como ocorreu com Olga Benário.[nota 7]

Em documento de 1936, um representante do III Reich referiu-se às relações Brasil-Alemanha como satisfatórias, apesar da "ameaça judaico-comunista".[1] Membros do governo brasileiro tinham relações cordiais com o partido nazista no país. Em 1937, o governador do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, compareceu a uma festividade nazista em Porto Alegre, e disse que os alemães eram "um componente racial do muito valoroso povo brasileiro".[1] [nota 8] O filho do presidente Getúlio Vargas, Lutero Vargas, casou-se com uma alemã, o que foi motivo de trocas de correspondências entre os dois países e tornou-se símbolo das "cordiais relações" entre os dois povos. Em novembro de 1937, por ocasião da troca de embaixadores alemães no Brasil, Getúlio Vargas e Adolf Hitler trocaram correspondência, na qual Vargas chamava Hitler de "grande e bom amigo". Na carta, Vargas escreveu que desejava "sempre manter, e estreitar, cada vez mais, as relações de boa amizade, felizmente existentes entre os dois países". Essa declaração ocorreu poucos meses antes da proibição do partido nazista no Brasil, o que demonstra que as boas relações entre os dois regimes só foram rompidas de última hora.[nota 9]

A proibição e as consequências[editar | editar código-fonte]

O decreto nº 383, de 18 de abril de 1938, colocou o partido nazista e todas as outras agremiações políticas estrangeiras na clandestinidade. [27] Poucos meses antes, o embaixador alemão no Brasil, Karl Ritter, teve um encontro com o presidente Vargas, no qual se queixou da situação e afirmou que as medidas iriam comprometer as relações políticas e comerciais entre os dois países, pois, segundo Ritter, todos os países que haviam proibido o partido nazista haviam-se tornado inimigos da Alemanha.[1] O embaixador alemão argumentou que só alemães natos poderiam ser filiados ao partido e que eles eram instruídos a não se intrometerem em assuntos locais.[nota 10]

Segundo Ritter, Vargas deu-lhe uma "resposta bem brasileira", e argumentou que só proibiu o partido nazista para não abrir uma exceção, pois todos os outros partidos, brasileiros e estrangeiros, haviam sido proibidos. Para amenizar a situação, Vargas ofereceu sacas de café ao Auxílio Alemão de Inverno, o que foi motivo de piada dos alemães devido ao baixo preço do café, mas acabaram aceitando a oferta.[28] Ritter tentou persuadir o Ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha, a reverter a situação, mas sem sucesso.[15][1]

A consequência da proibição do partido nazista no Brasil foi o rompimento das relações cordiais mantidas até o momento entre os dois países.[20] Embora interessasse a Vargas manter boas relações com a Alemanha nazista, o Estado Novo instituiu que todos os partidos deveriam ser abolidos no Brasil, quer nacionais quer estrangeiros. Ritter justificou a medida brasileira devido às pressões dos "Estados Unidos", dos "imigrantes judeus" e da "Igreja Católica" e ainda creditou o fato ao "nativismo brasileiro", "corrente de inveja dos alemães desenvolvidos".[1]

Uma outra razão para a mudança de rumos da política varguista foi a suspeita da participação nazista na tentativa de golpe do Integralismo liderado por Plínio Salgado, em maio de 1938, o que foi negado pelas representações consulares e pelo líder do partido no Brasil, Hans Henning von Cossel.[1] O chanceler Oswaldo Aranha, em correspondência de 17 de maio de 1938, ao embaixador alemão Karl Ritter, mencionou a alegada participação de nazistas nessa tentativa de golpe como uma das razões para o banimento do partido no Brasil. O chanceler brasileiro, contudo, enfatizou que, mesmo com a proibição do nazismo no Brasil, a Alemanha era "um país com o qual desejamos continuar mantendo as melhores relações de amizade".[15]

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o Brasil manteve-se neutro, entre 1939 e 1941. A partir de 1942, o Brasil engajou-se ao lado dos Estados Unidos e dos aliados e rompeu a sua neutralidade, passando a ser um país inimigo da Alemanha.[15] Foi o fim definitivo da denominada "diplomacia pendular", por meio da qual Vargas tentava obter benefícios de uma relação concomitante com a Alemanha e com os Estados Unidos.[29] Os alemães residentes no Brasil passaram a ser perseguidos:[30]empresas alemãs foram colocadas na lista negra, lojas saqueadas e alguns alemães foram confinados em campos de internamento.[31][32][1] Muitas foram as intervenções na vida cotidiana, como a proibição de falar alemão em público, ouvir rádio, viajar para locais considerados estratégicos. Em 1942, alemães, italianos e japoneses foram proibidos de participar do carnaval por uma circular da polícia. Alemães comuns, considerados prisioneiros de guerra, foram confinados em campos de internamento, de norte a sul do país, ou detidos e presos em presídios.[33][34] O governo alemão creditava essa mudança de postura do governo brasileiro à influência dos "americanos e judeus". [1] Embora um número reduzido de alemães e descendentes estivessem envolvidos com o nazismo no Brasil, o Estado Novo passou a associar qualquer manifestação cultural da comunidade germânica como uma ameça. Segundo René Gertz, "qualquer traço cultural podia ser aproveitado na tentativa de comprovar nazismo entre os teutos".[35]

Planos da Alemanha Nazista para o Brasil[editar | editar código-fonte]

Segundo escritos do diplomata Sérgio Corrêa da Costa, o nazismo alemão planejou desmembrar o sul do Brasil e nele construir uma nova Alemanha. [36] O projeto não seria novo, porém, já existindo anteriormente. No seu "Gross Deutschland, die Arbeit des 20. Jahrhunderts ("A Grande Alemanha, obra do século XX), publicado em Leipzig, 1911, Tannenberg estabelece o princípio da repartição das Américas Central e do Sul entre as grandes potências imperialistas, reservando para a Alemanha a zona subtropical banhada pelo Atlântico:

Da Costa atribui a seguinte frase a Adolf Hitler: "Criaremos no Brasil uma nova Alemanha. Encontraremos lá tudo de que necessitamos"[38][39].

Alguns historiadores, contudo, refutam a ideia de que os nazistas tivessem planos concretos de se instalar no Brasil. Segundo eles, isso não passa de uma falácia, pois tais intenções jamais foram documentadas.[6] Algumas fontes citam uma suposta expedição patrocinada por nazistas na Floresta Amazônica. Segundo a historiadora Ana Maria Dietrich, expedições de reconhecimento do território eram comuns na época. Porém, o fato de um expedicionário alemão ter morrido durante o caminho e ter sido enterrado com uma cruz contendo uma suástica no Amapá, passou a ser explorada como atração turística. Para o historiador Rafael Athaides, os boatos de que os nazistas agiam sorrateiramente para conquistar o Sul do Brasil não passam de invenções criadas durante a Segunda Guerra Mundial. O mito do "perigo alemão" servia como subterfúgio para o Estado Novo (1937–1945) implementar livremente sua política da nacionalização dos imigrantes. Ademais, visando interesses econômicos, Getúlio Vargas se aproximara dos Estados Unidos e para isso foi necessário um rompimento com a Alemanha nazista,[6]que até então era a maior parceira comercial do Brasil.[40] O próprio Vargas era admirador de Adolf Hitler[41] e sua ditadura foi de clara inspiração fascista.[42]

De fato, o Partido Nazista nunca representou uma ameaça séria ao Brasil. Seus membros não tinham interesse em participar das eleições nem de registrar o partido na Justiça Eleitoral do Brasil. Em decorrência, o presidente Getúlio Vargas e os governadores locais nem se importaram com a sua fundação, pelo contrário, eram inclusive simpatizantes e até participavam de festividades nazistas.[6]

Estado Novo de Vargas e o nazismo[editar | editar código-fonte]

Várias pessoas importantes do governo de Getúlio Vargas de 1930 a 1945 nutriram admiração pelo governo da Alemanha Nazista. Entre estas, estavam comandantes militares que apoiaram Getúlio Vargas na implantação da ditadura do Estado Novo como o general Eurico Gaspar Dutra (ministro da guerra de 1936 a 1945, e futuro presidente da República), o general Góis Monteiro[43] (ministro da guerra em 1934) e Filinto Müller (chefe de polícia do Distrito Federal, futuro senador e líder do partido ARENA).

Por outro lado, o governo de Getúlio Vargas era extremamente nacionalista. Com a decretação da ditadura do Estado Novo em 1937, todos os partidos políticos brasileiros tornaram-se ilegais. Além disso, foi proibida a prática de qualquer atividade de natureza política dos estrangeiros residentes no país, que não mais podiam organizar, criar ou manter sociedades, fundações, companhias, clubes e quaisquer estabelecimentos de caráter político, ainda que tivessem por fim exclusivo a propaganda ou a difusão, entre os seus compatriotas, de ideais, programas ou normas de ação de partidos políticos do país de origem. A partir de então, as atividades do Partido Nazista no Brasil foram duramente reprimidas, assim como a de todos os outros partidos políticos brasileiros ou não.

Apesar de ter vários simpatizantes da Alemanha Nazista, o governo do Estado Novo preferiu manter uma política de apoio aos Estados Unidos em troca de benefícios econômicos.[44] Quando navios mercantes brasileiros foram afundados por submarinos alemães, o Brasil declarou guerra às potências do Eixo.

Consequências do nacionalismo do Estado Novo[editar | editar código-fonte]

Imigrantes alemães no Sul do Brasil

O governo do Estado Novo promoveu a integração forçada dos alemães e de seus descendentes que viviam em colônias isoladas no sul do Brasil. Em muitas ocasiões agiu com brutalidade contra imigrantes humildes que não mantinham quaisquer relações com a Alemanha nazista.[45]

Em 1940, durante uma visita a Blumenau, cidade de colonização alemã no estado de Santa Catarina, Vargas declarou: "O Brasil não é inglês nem alemão. É um país soberano, que faz respeitar as suas leis e defende os seus interesses. O Brasil é brasileiro. (...) Porém, ser brasileiro, não é somente respeitar as leis do Brasil e acatar as autoridades. Ser brasileiro é amar o Brasil. É possuir o sentimento que permite dizer: o Brasil nos deu pão; nós lhe daremos o sangue".[46]

Os imigrantes japoneses e italianos também foram perseguidos e forçados a se "abrasileirar". O caso dos teuto-brasileiros é peculiar porque formavam comunidades isoladas que mantinham as tradições e utilizavam quase que exclusivamente o idioma alemão.

Nazistas no Brasil após a guerra[editar | editar código-fonte]

Após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, muitos nazistas condenados como criminosos de guerra fugiram para o Brasil e se esconderam entre as comunidades teuto-brasileiras. O caso mais famoso foi de Josef Mengele, médico que ficou conhecido como "Anjo da Morte" no campo de concentração de Auschwitz. Mengele realizava experiências médicas com seres humanos vivos, sempre sem anestesia, com o propósito de pesquisar o aperfeiçoamento da raça ariana. Uma boa parte das vítimas de suas "experiências científicas" foram anões e irmãos gêmeos.[47] Viveu escondido no interior de São Paulo de 1970 a 1979, quando morreu afogado em Bertioga, no litoral paulista, sem nunca ter sido reconhecido.

Neonazismo no Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Neonazismo no Brasil
Estados brasileiros por número de simpatizantes do neonazismo. São considerados simpatizantes os internautas que já fizeram o download de mais de 100 arquivos em sites neonazistas.[48]

Atualmente no Brasil existem alguns grupos neonazistas em atuação. Contudo, muitas vezes faz-se uma associação entre esses grupos e os descendentes de alemães do Sul. O historiador Rafael Athaides assevera que não há justificativa em se fazer essa conexão. Athaides acha pouco provável que haja qualquer ligação, pois um levantamento do perfil dos indivíduos presos por neonazismo mostra que nenhum deles é descendente de nazistas históricos. Trata-se de jovens desajustados, "desprovidos de referencial identitário e que manipulam os signos do nazismo no mundo". Responsabilizar os descendentes de alemães do Sul pela sustentação de grupos separatistas e neonazistas acontece mesmo quando práticas qualificadas como "neonazistas" são praticadas por caboclos do interior do Pará.[6] Esse tipo de estereótipo é criticado na obra do historiador René Gertz.[49]

Alguns crimes cometidos por neonazistas chamaram a atenção da mídia brasileira. Em 2003, por exemplo, um grupo de skinheads neonazistas obrigou dois jovens punks a pular de um trem em movimento em Mogi das Cruzes.[50] Um deles morreu e o outro perdeu um braço.[50] Em São Paulo, o ressurgimento do movimento nazista tem suas origens na década de 1980, quando surgiram os "Carecas do ABC", grupo de extrema-direita que se opunha ao movimento sindical liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, surgido na mesma região.[50] Desde então, a possibilidade de comunicação pela internet ampliou as fronteiras do movimento.[50] O site Valhala88, desativado em 2007, chegou a receber 200 mil visitas diárias por usuários do país.[50]

Segundo a antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, estudiosa da questão do neonazismo no Brasil, o acalorado debate na eleição presidencial de 2010, deu fôlego ao movimento.[50] Para ela, "a questão do preconceito aos nordestinos (...) vem desde as eleições do Lula. Na eleição da Dilma, isso se radicalizou muitíssimo porque foi levantada a questão do aborto, do casamento gay".[50] Segundo Adriana, há dois grandes grupos etários de neonazistas no Brasil.[50] O primeiro tem entre 18 e 25 anos e o segundo tem entre 35 e 45 anos, e seria o líder do primeiro.[necessário esclarecer][50] Segundo ela, a leitura dos neonazistas é composta por William Patch, Thomas Haden e Miguel Serrano.[50] Atualmente, a região com o maior número de simpatizantes do neonazismo é o Sul, com mais de 105 mil; são considerados simpatizantes os internautas que baixam mais de 100 arquivos de sites neonazistas.[48]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v «Nazismo tropical? O partido Nazista no Brasil» (em Portuguese). 2007. Consultado em 2016-16-03. 
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  5. Brasil teve o maior partido nazista fora da Alemanha
  6. a b c d e Brasil teve o maior partido nazista fora da Alemanha
  7. http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2062/artigo135072-3.htm
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  11. http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=22844
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  18. Stefan Rinke Alemanha e Brasil, 1870-1945: uma relação entre espaços
  19. Juventude hitlerista à brasileira
  20. a b c Ana Maria Dietrich. Caça às suásticas: o Partido Nazista em São Paulo sob a mira da polícia política. Editora FAPESP, IMESP, HUMANITAS, 2007
  21. Nazismo d’além mar: conflitos e esquecimento
  22. IDENTIDADE ÉTNICA, ASSIMILAÇÃO E CIDADANIA A imigração alemã e o Estado brasileiro
  23. A assimilação dos imigrantes como questão nacional
  24. A.J.R RUSSEL-WOOD (2005). Escravos e Libertos no Brasil Colonial Civilização Brasileira [S.l.] pp. –––. 
  25. Maria Luiza Tucci Carneiro. O antissemitismo na era Vargas: fantasmas de uma geração, 1930-1945. Editora Perspectiva, 2001
  26. [Considerações sobre opiniões e estudos em torno de nazismo e “neonazismo” no Brasil www.renegertz.com/arquivos/baixar/index.php?arquivo=Opiniao.pdf]
  27. DECRETO-LEI Nº 383, DE 18 DE ABRIL DE 1938 - Veda a estrangeiros a atividade política no Brasil e dá outras providências.
  28. a b Von Karl Ritter an Auswärtiges Amt. Deutsche Botschaft, Rio de Janeiro, 3 mar.1938. Ata 104945. AA/B, Alemanha
  29. [revistas.fee.tche.br/index.php/ensaios/article/download/1941/2316 Paulo G. Fagundes Vizentini. O Brasil e o Mundo: a política externa e suas fases]
  30. Memória da campanha de nacionalização nas regiões de imigração alemã
  31. PRISIONEIROS DE GUERRA: A RECLUSÃO DOS IMIGRANTES INDESEJÁVEIS (BRASIL: 1942-1945)
  32. DOPS, a cidade de Rolândia (PR) e a repressão aos imigrantes de origem alemã (1942-1945)
  33. Leandro Pereira Gonçalves, Marly de Almeida Gomes Vianna, Érica Sarmiento da Silva. Presos Políticos e Perseguidos Estrangeiros na Era Vargas. Editora MAUAD. 2014
  34. CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO/CONFINAMENTO NO VALE DO ARARANGUÁ DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
  35. GERTZ, René O fascismo no sul do Brasil. p. 88.
  36. >"da Costa, Sérgio Corrêa da Costa, Crônica de uma Guerra Secreta, Editora Record, 52004
  37. Chéradame, André, "Défense de l'Amérique, p. 218 e 3374
  38. "da Costa, Sérgio Corrêa da Costa, Crônica de uma Guerra Secreta, p. 252, Editora Record, 2004
  39. >"da Costa, Sérgio Corrêa da Costa, Crônica de uma Guerra Secreta, p. 252, Editora Record, 2004
  40. http://ultimosegundo.ig.com.br/revolucao1930/alemanha+de+hitler+foi+principal+parceira+do+brasil+de+getulio/n1237772842065.html
  41. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR65909-5856,00.html
  42. http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/estado-novo-1937-1945-a-ditadura-de-getulio-vargas.htm
  43. http://almanaque.folha.uol.com.br/memoria_5.htm
  44. htp://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=406
  45. http://www.espacoacademico.com.br/062/62res_maestri.htm
  46. http://www.semina.clio.pro.br/4-1-2006/Denise%20Zago.pdf
  47. http://blog-19.blogspot.com/2004/11/nazi-josef-mengele-no-se-arrependeu-da.html
  48. a b [1]
  49. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Alemao
  50. a b c d e f g h i j [2]

Notas

  1. "(...) apesar de que essas ideias difundidas através da propaganda nazista somente eram dirigidas aos eleitos da desejada "raça pura", isto é, os alemães natos". Página 350.[20]
  2. "Registram-se diversas queixas dos partidários pelo fato de o Brasil tropical ser habitado por negros e mestiços, e eles eram sempre tratados com desprezo, sendo até denominados como "macacos". Página 55.[1]
  3. "A categoria "alienígena" - preponderante no jargão oficial - englobava imigrantes e descendentes de imigrantes classificados como "não-assimilados", portadores de culturas incompatíveis com os princípios da brasilidade".[23]
  4. (...)ingressando no partido nazista, cuja atividade no Brasil até 1938 não era proibida nem reprimida (..) Página 34.[4]
  5. "E quando pôde, manteve relações cordiais com a Alemanha nazista, polarizando forças e jogando duplamente com os EUA (...)"[25]
  6. "O Novo Mundo, distante da efervescência europeia, não avalia o quanto poderá ser atingindo pelas iniciativas de Hitler. O próprio Brasil, que preenche todos os requisitos para temer o futuro, demonstra despreocupação. Seus agentes diplomáticos tratam em prioridade uma agenda bilateral positiva: o incremento comercial e a luta anticomunista". Página 49.[15]
  7. "O primeiro embaixador brasileiro em Berlim é José Joaquim de Lima e Silva Moniz de Aragão. A ele caberá a direção de colaboração anticomunista entre os dois países, inclusive com a aproximação entre a Gestapo e a polícia política brasileira (Departamento Especial De Segurança Política e Social - DOPS)" (...) "O primeiro sucesso da cooperação anticomunista é a expulsão de Erna Krüger, aliás, Olga Benário" (...) Página 46[15]
  8. "(...) nesse sentido, volto a chamar a atenção para o fato de que a famigerada festa nazista de 1º de maio de 1937, no campo do Renner, em Porto Alegre (cujas fotos estão amplamente difundidas), contou com a presença de representantes do governador Flores da Cunha, do presidente da Assembleia Legislativa, do comandante da 3ª Região Militar, do comandante da Brigada Militar". Página 7.[26]
  9. A íntegra da carta de Vargas a Hitler, de 1937: "A sua Excelência e Senhor Adolf Hitler, Grande e Bom amigo, Recebi a carta pela qual Vossa Excelência houve por bem participar-me que, tendo resolvido chamar o Senhor Doutor Schmidt-Elskop, deu por finda a Missão que ele desempenhava no Brasil, na qualidade de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Alemanha. Posso assegurar a Vossa Excelência que o Senhor Doutor Arthur Schmidt Elskop, durante a permanência aqui soube, pelas suas distintas qualidades, grandecer a estima, e sympatia do governo e do Povo brasileiro, processando sempre manter e estreitar, cada vez mais, as relações de boa amizade, felizmente existente entre os dois países". Páginas 174-175.[1]
  10. Afirmou Ritter: "Eu deixei claro para ele (Getúlio Vargas), o que significa o partido nazista na Alemanha e para a Alemanha. Acrescentei que os integrantes do partido no Brasil são somente cidadãos alemães e têm a rigorosa instrução da alta cúpula de se abster de se interferir nos assuntos internos brasileiros"..[28]